Mourinho, Villas Boas e Paulo Bento. Com excepção dos dois primeiros, que até há bem pouco tempo trabalhavam juntos, não será possível encontrar pontos de contacto entre estes 3 homens. Contudo, vivem um momento em que se torna impossível não os “pensar” sob a mesma perspectiva: dão mostras de serem os treinadores certos para as equipas que orientam, por chegaram a elas também no momento certo.
Villas Boas chega ao Porto após o longo (e globalmente bem sucedido) projecto de Jesualdo Ferreira se ter esgotado. Havia o perigo real de o Benfica usar a onda de entusiasmo criada na temporada transacta para tentar instaurar um ciclo de domínio no futebol Português, pelo que só restava reagir de forma firme e imediata. O jovem Técnico trouxe um discurso arrojado e futebol a condizer (é sempre o segundo a legitimar o primeiro..), assim como uma dose de sensatez só traída no final do jogo de Guimarães (e que ainda assim corrigiu com um “mea culpa” nada habitual no nosso campeonato). Até as constantes comparações com o seu velho “mestre” fazem cada vez menos sentido; observando o seu ADN de treinador é fácil identificar os traços herdados de Mourinho, mas isso é como dizer que um filho partilha semelhanças com o seu Pai; é um facto, sim, mas que olhado de forma isolado completamente redundante, pois por si só não define um homem…nem um Treinador. Repito, poderei ser o único a vê-lo, mas a cada conferência e a cada decisão técnico-táctica vejo cada vez mais “André” e menos “José”.
José esse que aterrou em Madrid para enfrentar o maior desafio da sua carreira: despertar aquele que é potencialmente – por historial e pela capacidade da sua marca para obter receitas em qualquer parte do mundo – o maior dos colossos futebolísticos, e roubar o domínio a um outro colosso como é o Barcelona. Julgo que escolheu o momento certo para o fazer. Mourinho viveu em Itália o drama de ser “Estrangeiro” numa cultura dada a desconfiar dos estrangeiros e, sobretudo, da sua capacidade; se a pessoa em questão tiver o hábito acrescido de dizer as coisas de forma crua, alto e bom som, então o caldo está entornado. Partiu após uma temporada em que venceu absolutamente tudo o que era possível vencer, e assegurou (num estilo também muito Italiano, de admirar incondicionalmente os grandes campeões) respeito eterno no país do Cálcio.
Espanha, ainda que em menor nível, também é um país que tradicionalmente desconfia do que “vem de fora” em detrimento do que é nacional, e agora que somaram o título de Campeões do Mundo ao de Campeões da Europa têm todas as razões para o fazer. A tudo isto terá de se somar o facto de o Real Madrid ser um clube que ao longo da sua história relegou invariavelmente a figura do treinador para segundo plano. A sua grande “estrela” foi Don Santiago Barnabéu, presidente que lançou as fundações (estádio incluído) daquele que seria considerado o maior clube do século XX e tornou-o um íman para os maiores jogadores do Mundo - de Di Stéffano a Cristiano Ronaldo - que se tornaram a verdadeira insígnia do clube, acima de tudo o resto.
Perante isto, é muito difícil a qualquer treinador ser mais que um nome sentado num banco, e se há alguém que pode mudar isto é Mourinho. Mudar porque tomaram consciência que a velha equação “Craques=Títulos” não tem aplicação no futebol moderno a menos que temperada com algo mais, e quem compra Mourinho compra tudo o “mais”. Havia também dúvidas sobre o seu estilo conflituoso e sobre a sua capacidade em colocar a equipa a exibir autoridade e arte em doses iguais, como exige a cartilha do clube. Demorou a arrancar (como demoram todos os projectos de Mourinho, pois ele sabe da obrigatoriedade de não se saltarem quaisquer etapas na construção das suas equipas), mas neste momento Espanha é um país rendido a “Mou”, pois percebeu que, mais que um “bocazas”(termo genial, e digo-o sem ironia), é um actor que desempenha a cada momento o papel que se lhe exige, e que essa “personna” que ele criou, sendo um pesadelo para os adversários, é perfeita para os seus jogadores. Desde há pelo menos 3 jogos que as bancadas do Barnabéu tremem com o rugido de “Mou, Mou, Mou”. Verifiquem por vocês mesmos, pois contado (ou escrito) ninguém acredita.
Perante isto, é muito difícil a qualquer treinador ser mais que um nome sentado num banco, e se há alguém que pode mudar isto é Mourinho. Mudar porque tomaram consciência que a velha equação “Craques=Títulos” não tem aplicação no futebol moderno a menos que temperada com algo mais, e quem compra Mourinho compra tudo o “mais”. Havia também dúvidas sobre o seu estilo conflituoso e sobre a sua capacidade em colocar a equipa a exibir autoridade e arte em doses iguais, como exige a cartilha do clube. Demorou a arrancar (como demoram todos os projectos de Mourinho, pois ele sabe da obrigatoriedade de não se saltarem quaisquer etapas na construção das suas equipas), mas neste momento Espanha é um país rendido a “Mou”, pois percebeu que, mais que um “bocazas”(termo genial, e digo-o sem ironia), é um actor que desempenha a cada momento o papel que se lhe exige, e que essa “personna” que ele criou, sendo um pesadelo para os adversários, é perfeita para os seus jogadores. Desde há pelo menos 3 jogos que as bancadas do Barnabéu tremem com o rugido de “Mou, Mou, Mou”. Verifiquem por vocês mesmos, pois contado (ou escrito) ninguém acredita.
O que pode Paulo Bento ter a ver com tudo isto? Muito. Não possui a imagem dos supracitados ou o seu estilo perfeccionista; também não será um estudioso do futebol com provas dadas no sector da formação como Queiroz, mas ao contrário deste é claro e conciso em tudo o que transmite aos seus jogadores e aos adeptos. Numa selecção e num país como o nosso isso é um mundo. Resta ver como se sairá na revitalização das nossas camadas jovens, abandonadas à morte durante a era Scolari.
Não existem Treinadores perfeitos, apenas o treinador certo, cujo timing de chegada pode, esse sim, ser perfeito.
Do mesmo modo, não existem Presidentes perfeitos. Pinto da Costa, após a brilhante jornada na Turquia, teve uma reacção tão extemporânea como a de Villas Boas em Guimarães, com a agravante de ocupar o cargo máximo em termos de responsabilidade e imagem e possuir uma experiência incomparavelmente superior à do jovem técnico que recrutou, no seu enésimo momento de inspiração à frente do clube. Sei que o fez para proteger esse mesmo treinador, mas o comentário desnecessário por si proferido foi isso mesmo. Desnecessário.
Saudações Azuis e Brancas.




3 comentários:
André Villas Boas ainda não teve o tste de fogo que só acantecerá quando a classificação esdtiver diferente. Está a ganhar e como ganhou a supertaça e teve a felicidade de o Benfica perder três jogos de forma estúpida e preparada pelos árbitros.
Na pré época e depois ds derrotas em França até os portistas não acreditavam que ganhariam a supertaça. Se O Benfica ganhar no Dragão como espero e a seguir o Sporting ganhar ao Porto quero ver se as opiniões portistas continuam iguais.
Por agora tudo corre às mil maravilhas e bastou um contratempo ante o Guimarães para a pressão sobre os árbitros ser atroz e até vergonhosa embora depois, também era o que faltava, o André Villas Boas se retratar.
Mas e o penalty escandaloso que deveria ser marcado contra o Porto e não foi? Se fosse ao contrário quem vos calaria?
Mais um excelente Pensamento caro Mito.
Naturalmente que Villas-Boas não é o José. Mas o tempo que André passou com Mourinho ensiraram-lhe muitas coisas.
Nota-se que na Equipa Tècnica Portista reina uma Organização excepcional, onde cada Treinador sabe o que tem de fazer e como o fazer. Jesualdo nunca se preocupou nem tentou implantar esta Ordem.
E a gestão do Plantel tem sido excelente. Villas tem tomado algumas decisões arriscadas, mas tem sido apostas ganhas, porque em 15 Jogos Oficiais (são estes que contam e o resto é cenário), esta Equipa do André ganhou 14 e empatou apenas um.
É como tu dizes, o Treinador certo no lugar certo. alías, ainda este estava na Briosa e já eu o apontava como o Treinador que mais se encaixava no Banco Portista como se pode constatar pelaas minhas Crónicas no Mística e noutros sitios onde escrevo e escrevi.
Quanto ao Mourinho, este está muito mais á vontade no Real Madrid do que no Inter.
Mas outra coisa não seria de esperar dado que o Futebol em Espanha é muito mais aberto ao contrario do "cattenacio" Italiano e a tolerância para com os strangeiros é muito melhor do que em Itália.
Prevejo que o Real de Mou vai alcançar a tão desejada vitória na Champions esta Temporada. Se tal não suceder, de certeza que na proxima o Real será o Campeão Europeu e Mourinho o primeiro Treinador a ser Campeão da Europa em três Clubes diferentes.
Quanto a Paulo Bento... Depois da palhaçada e do joguinho de interesses entre a FPF e o Governo, eis que se contratou o Treinador certo para a Selecção.
Entenda-se Treinador certo por Pau mandado. Pau Mandado que obedece ás vontades da Comunicação Social, dos Empresários e do "Povão", convoca os Jogadores que estes que citei atrás querem e, a caracteristica mais importante, não manda na Equipa nem disciplina os Jogadores.
Humberto Coelho era o Paulo Bento da altura e teve bons resultados. Se a Selecção precisa de Treinadores assim para ter sucesso, então podemos afirmar que o Paulo Bento é o Treinador certo no lugar certo.
Sobre o que escreveste acerca das declarações do PC, dou-te uma certa razão, porque entendo que o FC Porto e os seus Adeptos não devem dar importância nenhuma a quem não a merece. Os Bin Laddens que contnuem com os seus apelos á Violência a a mandar bocas foleiras, porque "os cães ladram e a caravana passa".
Um grande abraço
Caro Águia Vermelha, tem todo o direito a defender os seus pontos de vista (que não o seu Clube, visto que em lado algum do meu artigo ataquei ou denegri o S.L.Benfica), o que não pode é ignorar os seguintes factos:
- O Porto, desde que iniciou a competição "a sério", tem mantido uma regularidade a todos os níveis excelente, e por isso está onde está na tabela classificativa, á frente de todos os adversários (incluindo o seu clube).
- É um facto que a prétemporada suscitou muitas dúvidas, sobretudo pelo enorme número de experiências realizadas por Villas Boas, que pareciam comprometer a consolidação de uma nova equipa e estrutura; Mas o tempo veio dar-lhe razão, e mesmo aqules que pensavam que o jogo com o Benfica foi apenas o orgulho a vir ao de cima (nos quais eu me incluía) verificaram que o Porto não só não deixou de jogar dessa forma como tem vindo a aprimora-la, como lhe compete.
- Não faço ideia qual será o resultado do clássico, o que sei é que tudo aponta que ele será bem mais decisivo para o Benfica do que para o Porto. E lembrem-se que jogam no Dragão...
- Sim, Villas Boas fez o que lhe competia ao retratar-se das declarações que fez após o jogo com o Guimarães. O que não percebo é porque não vejo mais nnguém a seguir-lhe o exemplo...Em qualquer outro Clube.
- No resto, desejo ao seu clube toda a sorte para a Champions (que, caso ganhem os jogos que faltam, deverão passar à fase seguinte), pois é o Ranking e o Prestígio que estão em jogo.
Saudações Azuis e Brancas
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