Começaram os primeiros amigáveis de pré-época do F.C. Porto. Não se podem considerar ainda verdadeiros testes por a preparação ainda estar muito no início e ainda haver a preocupação em dar minutos a todos os jogadores.
A maior de todas passa pela inversão do triângulo a meio campo. O 4-3-3 é para manter, mas desta vez, e ao contrário do hábito instituído há vários anos no clube, poderá inverter-se o vértice do triangulo a meio campo.
Parece ser uma boa opção de P. Fonseca. Por um lado, acautela uma possível saída de Fernando, por outro faz subir Lucho mais no terreno, deixando mais próximo da zona de finalização e não lhe exigindo tanto do ponto de vista físico, tendo em vista que já não é um jovem e acreditando que ele poderá fazer a diferença no último passe, mais do que estando próximo do primeiro médio na zona de construção, uma vez que desse médio espera-se que tenha outra dinâmica.
Fernando pode sair ou não, mas mesmo que não saia não invalida a opção de P. Fonseca. É um facto que o “polvo” joga melhor sozinho, mas o Porto tem que criar alternativas à sua forma de jogar, e aproveitar os recursos que tem. Fernando não ficará para sempre no clube, e ao mudar os processos a meio campo, acautela essa possível saída, dotando a equipa de soluções eficazes e automatismos.
Espera-se que não haja um "polvo" mas sim dois jogadores capazes de trabalhar no processo defensivo mas que também se possam revezar na hora de construir ou de subir no terreno.
Por outro lado, é também aproveitar jogadores como Defour, Castro, Herrera e outros que o Porto tem no seu plantel que funcionam melhor jogando como 2º médio numa linha de dois, podendo sair a construir mais de trás ,sendo jogadores de grande pulmão que dão dinâmica ao jogo.
Poderia pensar-se que se tratava de uma opção mais defensiva pois passa-se a jogar num 2x1 e não num 1x2 como até aqui, mas na verdade esse segundo médio recuar uns metros até pode fazer com que o jogo da equipa seja mais ofensivo, mais vertical. Não se espera que esse 2º médio seja um médio defensivo. Espera-se que seja o primeiro médio a construir, daí que Josué tenha sido testado numa posição mais recuada do que vinha sendo habitual no Paços.
P. Fonseca espera que seja um médio capaz de virar o centro do jogo e oferecer alternativas na hora de construir no processo ofensivo. Uma pecha no Porto de Vítor Pereira que por vezes se perdia em tanta posse, e esgotava Lucho no momento da pressão.
Trata-se ainda de reconfigurar o modelo de jogo após a perda de Moutinho. Em vez de ter um jogador a fazer o papel que cabia a Moutinho, espera-se que sejam dois médios a compensar essa lacuna, e pede-se a Lucho que seja mais maestro e menos operário. Até porque era um problema recorrente na época passada, por momentos sentia-se que Jackson ficava muito desacompanhado na zona central e esperava muito tempo para que aparecessem apoios.
Esta época nota-se também que a direcção esteve atenta a erros do passado. Importantíssimo corrigir quando se ganha. Porque se se esperar pela derrota aí será tarde demais.
O F. C. Porto sagrou-se campeão, mas era visível que tinha poucas opções. O plantel era curto, e notava-se que não lutava com as mesmas armas que o seu principal rival, que podia até não ter um colectivo tão consistente ou um onze tão forte, mas que tinha muitas opções para alterar o decurso dos jogos e para poder fazer rotatividade, principalmente no ataque.
O F. C. Porto tratou de ir corrigindo erros esta época. Começou logo por apostar mais no mercado nacional, não se sabendo se por estratégia ou necessidade, mas uma política interessante atendendo que foi com base em políticas semelhantes que o F. C. Porto conheceu os seus anos mais vitoriosos.
Há alguns anos que o Porto tem descurado esse sector, deixando geralmente a posição entregue a um só jogador de grande qualidade. O suplente quando havia nunca poderia concorrer pela titularidade, e noutras épocas teve mesmo que ser Hulk a ter que ser adaptado ao centro para enfrentar essa lacuna.
Depois ainda houve flops como Walter ou Kleber. Um dos maiores erros no planeamento da época passada, e que poderia mesmo ter custado o título ao F.C. Porto, foi ter deixado escapar Lima para o Benfica. Não só não garantiu um reforço de enorme qualidade e que estava já perfeitamente enquadrado ao nosso campeonato, como ainda permitiu que o seu rival ganhasse um argumento de peso na luta pelo título.
Ghilas este ano foi a resposta a esse erro. Ghilas tal como Lima, é um avançado que acrescenta potência, mobilidade e golos. Tal como Lima está já adaptado ao futebol português e tal como Lima poderia caber no plantel de qualquer um dos três grandes e representar uma mais valia.
Ghilas é finalmente o avançado capaz de discutir a titularidade ou pelo menos ser uma opção credível ao ponta de lança titular. Jackson fez demasiados jogos na época passada e acabou o ano de rastos. Com Ghilas o Porto ganha uma opção que pode juntar-se a Jackson em alguns jogos e dar uma opção que nem Kleber e menos ainda Liedson conseguiam dar.
Por outro lado é um avançado que pode assumir a titularidade sem que se perca qualidade. Não será também um avançado problemático para se ter no banco, pois trata-se de um jogador ainda jovem, que quer aprender e que vem para somar o máximo de minutos que consiga, e tem ainda uma boa margem de progressão.
V. Pereira teve que adaptar centrais a laterais, algo que claramente atrapalhava a equipa no processo ofensivo. Boa decisão a de resgatar Fucile. Um jogador com muitos anos de clube, que ganha uma 2ª vida e que poderá preencher cada uma das laterais. Principalmente é muito bom para Danilo sentir que não pode relaxar e que tem que jogar muito mais do que tem feito até aqui.
Saíram Atsu e James mas entraram: Ricardo, Quintero, Lica e regressou Iturbe. Pode ainda entrar Bernard. Com Varela, Kelvin e Izmailov são 7 extremos para duas posições.
Foi-se comentando a hipótese de emprestar Kelvin, contudo após o final da época passada e o seu papel decisivo em jogos chave, seria estranho não lhe dar uma oportunidade. Mas caso dúvidas houvesse, Kelvin já demonstrou nesta pré-época no jogo com o Marselha que merece ficar no plantel. Mesmo em termos comerciais e markting, seria um tiro ao lado. Kelvin é neste momento um ídolo entre os mais novos, e um dos jogadores mais populares e acarinhados pelos adeptos. Após aquele golo com o Benfica, o que não faltam são camisolas do Porto com o nome de Kelvin estampado. Essa vertente que Kelvin pode trazer, assim como a sua irreverência e capacidade de desencravar jogos complicados não deve ser desaproveitado.
Mas trata-se do jogo das cadeiras. 4 cadeiras para Kelvin, Iturbe, Lica, Ricardo, Quintero, Varela, Izmaylov e possivelmente Bernard
Alguns dirão que são várias opções mas que nenhum se afigura como titular indiscutível ou um jogador com a capacidade de ser a estrela da equipa como Hulk ou James. Mas a verdade é que o Porto parte melhor do que partia para a época passada. Tem mais opções, mais extremos. O Porto na época passada chegou a não ter James, e continuou a vencer. Regressou James e nunca mais voltou a ser o mesmo e o Porto sofria por falta de opções para os flancos.
Acima de tudo faltava banco ao Porto. Não nos esqueçamos que o Porto jogou na Luz com o banco mais jovem de sempre na história de clássicos recente. Em Alvalade tinha como opções para entrar Sebá e Tozé da equipa b. Os reforços de Inverno para dar mais opções foram Izmaylov e Liedson, um que já não chega com a capacidade física que o notabilizou, e outro que é um jogador
reformado em actividade.
Imaginar um banco do Porto esta época com Reyes, Maicon, Fucile, Defour, Castro, Lica, Josué e Ghilas dá claramente outra confiança.
Nota final para os primeiros apontamentos de Herrera. Gostei do que vi. Um jogador que tal como Moutinho é bastante dinâmico, toca rápido e vai buscar a bola à frente, demonstra ter bastante garra e parece dominar bem quer as transições ofensivas quer as defensivas.
Um primeiro esboço desta nova equipa que para já transparece boas ideias, bons princípios e mais armas para P. Fonseca do que as que teve V. Pereira na época passada.
P. Fonseca quer um jogo menos mastigado em posse, menos interior, mais jogado pelos flancos, daí a o seu pedido a Izmailov que arrisque mais e vá para cima do lateral em vez de fazer sempre o passe para dentro.
Parece-me que será um Porto menos refém de uma cultura de posse, que tente chegar mais depressa à baliza, e dando maior profundidade e largura ao seu jogo. O que se manterá será um bloco médio alto de pressão no momento da perda da bola. A defesa continuará a jogar subida e as ordens são para pressionar o adversário logo na 1ª zona de construção.
Apontamentos para irmos confirmando. Caberá a P. Fonseca fazer escolhas para fechar um plantel que parece oferecer mais alternativas para uma época em que se pretende ganhar mais, e jogar ainda melhor.