quarta-feira, 1 de maio de 2013

O Rato de Biblioteca

Lembram-se do “Caso do Túnel” e do senhor Ricardo Costa que puniu HULK com 4 meses de suspensão, ou seja 17 jogos, fazendo uma oportuna confusão entre “seguranças” e “assistentes de recinto desportivo” para poder aplicar uma pesada pena, e que mais tarde o Conselho de Justiça viria a reduzir para 3 jogos?
O “assistente universitário” ou lá o que é a profissão do senhor ficará para todo o sempre manchado pelas habilidades jurídicas que introduziu no seu acórdão de mais de 900 páginas com explicações televisivas em directo, que resultaram na perda de um campeonato para o nosso clube e que apenas por mera coincidência, viria a beneficiar o seu clube do coração.
 
Para abreviar o sentido desta crónica, recordo que o senhor, em boa hora corrido do desporto, continua na sombra a vomitar pareceres sobre as intentonas do clube da treta que esperava do Tribunal Arbitral do Desporto, mais um meio para “fazer as coisas pelo outro lado”.
Já estava tudo prontinho. Uma comissão de “ilustres juristas” convenientemente recrutados nos meios afectos à “instituição” da qual Ricardo Costa não fazia parte, para não ser considerado “gato escondido com o rabo de fora”, deu previamente andamento favorável à ideia, num intitulado “Relatório e Projecto da COMISSÃO PARA A JUSTIÇA DESPORTIVA”.
 
Como diria o saudoso Solnado “o submarino era bonito, só que não flutuava”! De que se lembraram os “ilustres juristas”? De não permitir que os casos julgados no tal Tribunal pudessem ser objecto de recurso para os Tribunais de Relação e/ou Administrativos, apenas o podendo ser “se as decisões então tomadas estivessem “feridas de inconstitucionalidade”, para o Tribunal Constitucional.
Ora, como o projecto que viria a ser sufragado e aprovado pela canalhada que se alberga na Assembleia da Republica, a ser analisado por qualquer aprendiz de direito, estava ferido de diversas inconstitucionalidades, a primeira das quais a proibição de subir a instâncias superiores, foi claramente chumbado.
 
Veja-se o desplante a que esta cambada dos “colegas do senhor Ricardo Costa” chegou. Levar pelas ventas abaixo e logo por solicitação do Presidente da Republica que nem liga nada ao futebol, um rotundo não! Para mim resultou duma situação perfeitamente normal, sendo anormal mesmo, o estardalhaço que o senhor Ricardo Costa, sem vergonha na cara, apresentou no último Domingo dia 28 de Abril no pasquim que o alberga, o Rascord, um vómito intitulado: “Manter o tribunal do desporto”.
 
Afinal o homem não está morto. Está é mal enterrado. E como ele outra rata sábia que votou vencida. Já que não perceberam o essencial do projecto ter sido chumbado, ou querem atirar areia para os olhos dos parolos, pelo menos, podiam perguntar a quem saiba. Olhem! Por exemplo ao Dr. José Manuel Meirim. Tenho a certeza que lhes explicava de bom grado.
 
Até à próxima

1 comentário:

JOSE LIMA disse...

Nota – Já depois de escrita e editada esta crónica, tive conhecimento pelo Público que o actual Secretário de Estado para o Desporto, Emídio Guerreiro, “ espera que o Tribunal Arbitral do Desporto, recentemente chumbado pelo Tribunal Constitucional, seja uma realidade até ao final do ano”. É fácil. Basta os autores do projecto expurgarem da Lei as inconstitucionalidades. Duvido é que lhes interesse muito. A hipótese de funcionar tudo “em circuito-fechado”, pelo outro lado, sem os Tribunais (verdadeiros) meterem o bedelho é que lhes interessava.
Espero que Emídio Guerreiro tenha estatura suficiente para se distanciar dos antecessores, os inefáveis coveiros do Desporto, Laurentino Dias e Alexandre Mestre, mesmo que este ultimo, pouco tempo tivesse tido para usar a pá.