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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O peru. O tal peru…

imagem retirada de zerozero
Fraca exibição da nossa selecção diante de uma equipa norte-americana que já aprendeu como nos tramar. Se Portugal jogasse aquele futebol pragmático e simples que a Alemanha por vezes praticam e esta selecção de futebol dos States não teria tido a mínima hipótese por muito mais bem preparada a nível físico e táctico que estivesse. Mas lá está, português que é português gosta de complicar o que é simples e não há nada como sair sempre (mas sempre!) a jogar com a bola no pé para depois ser de imediato pressionado por dois “bidons” americanos que forçam os nossos jogadores a chutar a bola para a frente em desespero de causa.

O primeiro paragrafo resume, basicamente, os 90 e poucos minutos deste Portugal 1 x Estados Unidos da América 1 que se realizou hoje em Leiria. O que falta dizer que estes jogos de preparação dão para tudo. Inclusive para Fernando Santos ter dado uma de Rui Jorge ao ter colocado em campo uma linha atacante composta por três lingrinhas que tiveram de medir forças com os matulões da defesa norte-americana. Quando Gonçalo Paciência entrou em campo a história já foi outra, mas já era tarde pois tanto Gonçalo Guedes como Bruma estavam no limite da sua capacidade físicas. E valerá a pena falar do meio campo português onde mais dois “franguinhos” e um Danilo Pereira “a meio gás” tiveram de lutar contra a muito bem organizada equipa dos USA? Não vale a pena, bem sei porque o jogo é de preparação e não convinha que os atletas se lesionassem e o restante blá, blá do costume.

Sinceramente não gostei desta partida da nossa equipa. Não gostei mas não embarco no famoso “do 8 ao 80”. E não o faço porque, ao contrário de muito boa gente, não deitei os foguetes ao ar após a vitória Lusa diante da Arábia Saudita. Ainda falta muito para maio de 2018. Até lá muita coisa vai acontecer e estes jogos de preparação enganam muito. Servem antes para se irem fazendo experiências e testar este ou aquele atleta que pode, ou não, adaptar-se ao grupo de trabalho.

Vamos com calma que ainda nem sequer sabemos com que vai a nossa selecção medir forças no Mundial da Rússia. Para mais, não tivesse Ethan Horvath servido o peru (o tal peru do Dia da Acção de Graças) e por esta altura haveria por aí muita gente deprimida a utilizar as desculpas da praxis para justificar o que não tem de ser justificado.

MVP (Most Valuable Player): Bruma. O extremo português foi, sem sombra de dúvida, o melhor em campo numa partida onde o físico se impôs de uma forma organizada e bruta à técnica. Bruma conseguiu quase sempre explanar o seu futebol e apenas não pôde fazer mais e melhor porque poucas foram as vezes em que a bola lhe chegou em condições.

Chave do Jogo: Inexistente.

Arbitragem: Arbitragem tranquila, num jogo sem grandes problemas.

Positivo: Beto. O Guardião português fez um punhado de defesas excepcionais. Foi muito por sua culpa que o empate a uma bola se manteve até ao fim.

Negativo: Ricardo Ferreira. O jovem central do Braga esteve sempre muito inseguro e esteve mal (muito mal) no golo dos Estados Unidos, ao não ser capaz de travar a progressão de McKennie.
 
Artigo publicado no blog o gato no telhado (14/11/2017)

quarta-feira, 30 de março de 2016

A vitória que se exigia

Bem melhor, bem melhor... Depois da surpreendente derrota frente à Bulgária, Portugal demonstrou a outra face e, contra uma seleção número 1 do ranking FIFA com consideráveis baixas, realizou uma excelente primeira parte, com Nani e Cristiano Ronaldo a materializarem esse ascendente. O segundo tempo foi mais sofrível, mas os adeptos puderam respirar de alívio, pois esta foi uma prestação bem melhor que a anterior.
 
Há duas notas dominantes a reter para explicar um primeiro tempo em que os belgas até entraram melhor, mas onde Portugal se superiorizou com o tempo: as debilidades de uma seleção (Bélgica) bastante desfalcada e o conforto que a turma lusa sente contra equipas que não se encolhem tanto.
 
Foi, de facto, isso que se verificou. Com mais de metade da equipa mudada em relação ao onze que defrontou a Bulgária, Fernando Santos ganhou com a presença de Danilo Pereira na posição 6 (está num momento de forma bem melhor do que William) e com a de André Gomes. Bem menos explosivo e ágil no um-para-um em relação a Rafa, o médio do Valencia dá uma qualidade de posse e de passe à equipa que só beneficia na construção.
 
Depois, com laterais diferentes, a qualidade no jogo lateralizado não baixou. Pelo contrário, Raphaël Guerreiro quis a todo o custo ganhar a oportunidade e mostrou ser sério candidato ao onze. Sobre Cédric, não é assim tão linear, até porque Vieirinha tem estado bem, mas a forma como se envolveu no ataque foi bastante interessante. Ah, e convém não esquecer José Fonte, que se assume como o mais lógico colega de Pepe no centro da defesa.
 
Com um fluxo de jogo predominantemente pela esquerda, a seleção conseguiu um misto ofensivo que trouxe bastantes bons resultados. Não foi uma avalanche de oportunidades, mas houve a tal qualidade na finalização que tinha faltado frente aos búlgaros. Primeiro, numa desmarcação de Nani que recebeu o passe açucarado de André Gomes. Depois, com o bom cruzamento de João Mário a encontrar a cabeça de Ronaldo.
 
João Mário que, já antes, tinha sido displicente quando lançado para a cara do golo. Duas oportunidades concretizadas em quatro criadas (Ronaldo já tinha obrigado Courtois a sacudir para a trave) e eis que o jogo estava totalmente favorável.
 
Para a segunda parte, Fernando Santos foi mexendo desde cedo. Começou por lançar Bernardo Silva e Renato Sanches para as vagas de João Mário e de Adrien Silva. Mais tarde saíram Ronaldo e Nani, entrando Éder e Quaresma. E ainda houve mais.
 
Claro está que tanta mudança fez mal à turma das quinas, com uma notória quebra na qualidade de jogo, também porque o adversário retardou um pouco mais as substituições. Com um Nainggolan abnegado, a equipa de Wilmots cresceu e aproveitou a maior descoordenação do lado nacional.
 
Só Danilo ia mantendo a serenidade (e Quaresma a sensatez ofensiva), numa equipa em que o passe passou a custar muito mais e na qual os laterais já se aventuraram bem menos nas ações ofensivas. Viria o golo, da sociedade Lukaku (Jordan a cruzar para Romelu), que relançaria a discussão do jogo e que obrigaria à capacidade de sofrimento do setor recuado da turma das quinas.
 
Com alguns sustos, Portugal conseguiu o regresso aos triunfos e ganhou uma almofada de moral quando faltam pouco mais de dois meses para o Europeu de França.
 
Retirado de zerozero

Melhor em Campo: Danilo

sábado, 26 de março de 2016

Raio das vitórias morais...

Portugal foi, permitam a expressão, bulgarizado em Leiria por uma seleção que não se conseguiu apurar para França, mas que deixou enormes ensinamentos para essa fase final. A turma das quintas foi surpreendida em contra-ataque e não conseguiu reagir da melhor forma, com Ronaldo a perder um duelo particular com Stoyanov, inclusivamente a partir da marca dos 11 metros. Sinais de alarme? Talvez não, mas...
 
Num jogo de preparação, se há coisa que importa mesmo é isso... preparar. Ainda longe de estar preparada para o Europeu (provavelmente, ainda nenhuma seleção o está, nesta altura) a turma de Fernando Santos demonstrou que há bons indícios, mas também maus. E, frente à Bulgária, várias são as notas que se podem retirar.
 
No bom há, precisamente, o facto de este ser apenas um amigável e o resultado não contar. Porque, se contasse, o que foi retirado do primeiro tempo não foi, efetivamente, bom.
 
Bom foi também o arranque ofensivo. Móvel e incerto, o ataque foi variando posições, com Rafa, ainda que tímido, a demonstrar ter cultura para este estilo tático, e atirando sem pedir autorização. Nani, Ronaldo, Adrien, João Mário, todos tentaram sem olhar muito para a etiqueta da jogada.
 
Quando essa jogada se desenvolvia, também surgiram notas boas, nomeadamente por causa do envolvimento dos laterais. Vieirinha, aqui, teve papel de destaque, visto ser o mais esclarecido na hora de encontrar espaço e enviar bolas para a área.
 
Ora, aproveitando esse pormenor, podemos já passar para o mau. E, nesse capítulo, encontramos o posicionamento de área. Com uma clara tendência para o jogo lateralizado e cruzamentos para a área, o fluxo nacional tornava-se previsível e, só com Ronaldo a procurar espaço entre os centrais, os búlgaros foram acertando de forma a estancar as intenções lusas.
 
Mau foram também algumas abordagens defensivas. Frente a uma equipa a atuar em bloco baixo e a explorar as transições, Portugal revelou algumas dificuldades em enfrentar esses ataques, por não conseguir fechar a tempo os espaços - culpa das constantes subidas dos laterais e da pouca compensação dos médios. Consequência: o golo e outro lance onde só o toque subtil de Pepe evitou males maiores.
 
Má, muito má, foi ainda a noite de Ronaldo. Nem em bola corrida, nem de meia distância, nem de livre, nem de cabeça, nem mesmo de penálti. O capitão tentou de todas as formas, mas esta não seria a sua noite. Também tem esse direito, é um facto, mas não deixa de ser um reflexo de que há coisas para melhorar. E mesmo no aspeto psicológico, pois convém que um transportador da braçadeira passe uma mensagem mais capaz aos seus colegas, que jogam todos em prol do camisola 7.
 
Por fim, boas podiam ter sido as substituições. Sobretudo as de Quaresma e de Renato Sanches, a avaliar pela reação enérgica das bancadas. Só que a tendência não mudou.
 
Fernando Santos tem muito trabalho de casa. Como bem disse, na conferência de antevisão a este jogo, esta era uma boa seleção para testar um estilo de ataque continuado contra transições rápidas do adversário. Ficou na cara que não faltam pontos a corrigir, ofensiva e defensivamente.
 
Dentro dos vários capítulos, há um que urge, ainda que não dependa somente de treinos, mas também de frieza, tranquilidade e confiança: a finalização. E, aqui, surge a grande dúvida: não será melhor, contra estas equipas, jogar com um homem de área e com Ronaldo a aparecer vindo de trás?
 
Terça-feira voltaremos a Leiria. Contra a Bélgica, número 1 do ranking, o filme será diferente.
 
Retirado de zerozeero
 
Melhor em Campo: Eliseu