Para quem acreditava em jogos iguais e coincidências, o Dragão da amena noite do Funchal fez questão de comprovar à evidência as virtudes que invalidam por completo qualquer espécie de superstição. A magistral reacção dos Bicampeões Nacionais ao turbulento início de jogo, expressa com absoluta classe e em dose tripla, é digna apenas dos (pre)destinados ao sucesso, repetido, que parece ser cada vez mais a imparável sina portista. Como não só de avançados e de golos vive um desempenho categórico, a história desta partida escreve-se também pela pena de quem se entrega em sacrifício pela superação colectiva. Fucile fê-lo, irrepreensivelmente, aos 17 minutos, oferecendo o corpo à bola quando esta ameaçava dar vantagem à formação da casa. Este exemplo prático ilustra com requinte a essência que compõe o espírito do Dragão, em trânsito para o renovado êxito, que surge no horizonte com via cada vez mais des
impedida. O lateral portista haveria de inverter posições vinte minutos depois, surgindo em posição privilegiada para um remate que só não teve sucesso porque Marcos respondeu em grande estilo, na melhor das várias ameaças portistas durante a agitada metade inicial do jogo. Ao longo dos primeiros 45 minutos, numa partida que cedo teve emoções à flôr da pele, mas que com a tranquilidade restabelecida viu desenhar-se em pleno a hegemonia de um líder sem medo de deslocações, também Lucho e Farías tentaram o que só o máximo goleador do campeonato conseguiu, com a habitual eficácia, em cima do intervalo. Isto já depois de o árbitro ter perdoado uma grande penalidade ao Marítimo, por falta sobre Farías. Lisandro desatou, cuidadosamente, o nó que os visitados haviam apertado com todas as suas forças, mostrando uma vez mais a classe de quem assume em pleno a responsabilidade de construir, trabalhar e finalizar com êxito as oportunidades a que ninguém seria capaz de atribuir o devido pragmatismo e a respectiva eficácia. A justa sentença deste encontro chegou ao cair do pano da primeira metade e transitou em julgado durante a etapa complementar. O vigor da entrada portista no segundo tempo foi de tal ordem, que todos adivinhavam o golo que Lisandro, primeiro, e Lucho, pouco depois, não conseguiram. Foi Tarik quem surg
iu oportuno, no local e momento certos, para resolver o desafio, aproveitando um lance confuso na área madeirense para encostar a tranquilidade portista às redes da baliza contrária. A partir daqui foi com deslumbre que se assistiu a um verdadeiro recital, encenado e interpretado pelos artistas que, a cada jornada, se encontram mais solidamente no topo. O culminar da fantástica demonstração de distinção azul e branca surgiu pelos pés de Lisandro, que elevou para 16 a conta pessoal de remates certeiros no que vai de campeonato, dando a inevitável sequência de sucesso a um lance de absoluta beleza, delicadamente esculpido por Lucho e Quaresma. Mais não era preciso. Bastava esta jogada para que se percebesse que os argumentos do líder do campeonato não se constrangem com desaires passados e supostas tradições desfavoráveis. Quem pode, manda, não deixa que outros decidam por si.Liga Portuguesa 2007/08 - 19ª jornada (15 de Fevereiro de 2008)
Estádio dos Barreiros, no Funchal
Árbitro: Pedro Henriques (AF Lisboa)
Assistentes: José Lima e Hernâni Fernandes
4º Árbitro: Marco Ferreira
CS MARÍTIMO: Marcos; Ricardo Esteves, Antoine, Ediglê e Evaldo; João Luiz, Bruno, Marcinho e Djalma; Márcio Mossoró e André PintoSubstituições: André Pinto por Kanu (64 m), Marcio Mossoró por Gonçalo (74 m)
Não utilizados: Bruno Grassi, Gregory, Briguel, Tito e Fábio Felício
Treinador: Sebastião Lazaroni
F.C. PORTO: Helton; Fucile, Bruno Alves, Pedro Emanuel «cap.» e Cech; Paulo Assunção, Raul Meireles e Lucho Gonzalez; Quaresma, Lisandro e FariasSubstituições: Farías por Tarik (66 m), Fucile por João Paulo (71 m) e Raul Meireles por Kazmierczak (73 m)
Não utilizados: Nuno, Stepanov, Lino e Mariano
Treinador: Jesualdo Ferreira
Ao intervalo: 0-1
Marcadores: Lisandro (45 e 83 m) e Tarik (69 m)
Disciplina: Cartão amarelo para Lucho Gonzalez (21 m), Djalma (21 e 61 m), Raul Meireles (44 m), André Pinto (45 m), Kazmierczak (75 m) e Pedro Emanuel (80 m)
Positivo: Mais uma vez não tive a possibilidade de acompanhar o encontro do FC Porto pela televisão dado que a Sportv é só para quem pode e como tal fiz de minha companhia o Rádio e do relato houve um jogador que me marcou pela positiva, estou a referir-me a Lisandro Lopez que marcou dois golos nesta difícil partida da Madeira. Esforçado, rápido e decididamente não tem “Bunda Grande”.Negativo: Pela Negativa vou destacar o Treinador do Marítimo do Funchal devido ás suas infelizes declarações no final do jogo…. Vir justificar a derrota da sua equipa com eventuais erros de arbitragem é uma estratégia que já está mais do que gasta e ultrapassada e quem a usa é porque não tem qualidade ou reconhece que não tem Plantel para disputar jogos contra os grandes… Desculpas de mau perdedor que só ficam mal a quem as utiliza.
Saudações Portistas!!!
Saudações Portistas!!!
1 comentário:
O Alheiras( carinhosamente)na 1ª parte baralhou-se um bocado, parecia o Porto do final da época passada,mas na 2ª...foi muito bom!É só confiança para Gelsenkirchen, esse sim um desafio à nossa dimensão.Um abraço
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