O Porto baqueou em Barcelos. Uma exibição demasiado má para ser verdade, uma equipa apática, sem liderança, perdida em campo que foi derrotada por um Gil organizado, bem liderado e que jogou de dentes cerrados do principio ao fim. Tudo seria normal se não houvesse algo pelo meio… Bruno Paixão. Uma vez mais. Um árbitro que tem um histórico de ter dificuldades em assinalar penaltis a favor do F. C. Porto (quem se esqueceu do mítico Campomaiorense - Porto em que ele foi incapaz de ver um penalti sequer entre os 8 cometidos sobre Jardel)…

O Porto perdeu por causa da arbitragem? Claro que não. Nem é uma desculpa para a paupérrima exibição. O que não pode, é a paupérrima exibição servir de desculpa para que não se fale da arbitragem absolutamente escandalosa que impediu o Porto, ainda que jogando mal, de poder discutir o jogo… O pior é se ligarmos isto ao que tem sido a campanha do Benfica… Reforçado por uma comunicação social que torna uma arbitragem escandalosa como a do jogo do Feirense como nota de rodapé… Eis que numa jornada o Benfica vê-se numa situação de poder perder 3 pontos a uma situação de ganhar 3 ao Porto.
Mas o Porto perdeu o campeonato em Barcelos ou por causa do Bruno Paixão? Claro que não. Sinceramente, como portista senti que perdemos o campeonato em Alvalade. Confessei isso a uma série de amigos e familiares.
Vítor Pereira, uma vez mais, calculou mal e planeou pior. Foi para Alvalade claramente em busca do empate. Se havia jogo em que empatar ou perder era indiferente era o de Alvalade. Qualquer resultado que não fosse a vitória significaria que o Benfica se isolaria pela 1ª vez no 1º lugar e depois para quem já acompanha o futebol há algum tempo, já se sabia o que se seguiria…
A euforia benfiquista, o “inferno da Luz”, a imprensa a puxar pelo Benfica, os árbitros a sentirem-se impelidos a beneficiar o Benfica em caso de dúvida ou sempre que o Benfica estivesse entalado… E toda esta conjuntura faria com que o Benfica fosse muito difícil de ultrapassar… Porque nos jogos com arbitragens para lá de desastrosas a beneficiar o Benfica, nunca veríamos pressão por parte da imprensa no sentido de denunciar o tratamento de favor do Benfica… Falar-se-ia do campeão do sofrimento, da estrelinha de campeão… Os comentadores, paineleiros e afins diriam que o Benfica pratica o melhor futebol do mundo e arredores mesmo com jogos péssimos como com o Gil ou o Feirense, e diriam que o Porto não estava tão bem independentemente do nº de jogos sem perder que o Porto apresentasse…
Foi aí. Em Alvalade. A falta de visão e de ambição de Vítor Pereira que hipotecaram as hipóteses do Porto de revalidar o título… Sim, porque mesmo com o erro de casting que foi a escolha de Vítor Pereira, pela qualidade do plantel e pela forma como Pinto da Costa segurou e deu força ao treinador, ainda seria possível acreditar no título. Até porque o Benfica de Jorge Jesus consegue facilmente ser megalómano e cair na arrogância de achar que todos se curvam perante o Benfica e acabar surpreendido… Principalmente enquanto sentisse a pressão de ter que estar a par com o Porto na classificação e tendo ainda a distracção da Liga dos Campeões.
Mas os responsáveis são apenas o treinador e os jogadores? Não. Não culpo o presidente pela escolha em Vítor Pereira. É um erro desculpável. Uma aposta falhada mas que era o que parecia ser a aposta mais natural após uma saída intempestiva de André Villas Boas. A intenção percebia-se. Manter a estrutura, mexer o mínimo e confiar no adjunto para que desse a continuidade ao trabalho de AVB… O problema é que a Sad ao ver sair AVB viu-se deparada com uma série de jogadores que sentiram que sem AVB tudo o que lhes havia sido prometido perderia sentido e que se o treinador tinha o direito de sair eles também quereriam dar o salto…

Até ao fecho do mercado foi complicado gerir o estado anímico de jogadores como: Rolando, Alvaro Pereira, Fucile, Moutinho Fernando e outros. Depois tudo se agravou com a saída de Falcao. Enquanto a Sad claramente se precaveu para a saída de Alvaro Pereira e de Moutinho ou Fucile com a contratação de jogadores como Alex Sandro, Danilo ou Defour, o facto é que nenhum deles saiu… E quem acaba por sair é Falcao deixando um vazio no ataque e precipitando o lançamento de Kleber que vinha para ser suplente.
Começou aí o 1º grande erro. Atacar a época com Kleber como ponta de lança e não perceber a dimensão da tarefa que seria substituir Falcao. Podem ter destruído o crescimento de um jovem ponta de lança com grande potencial e, ao mesmo tempo, não ganharam um ponta de lança capaz de ser o que a equipa precisava.
Depois os problemas foram-se agravando à medida que todos fomos percebendo que aquilo que deveria ser um trabalho de continuidade começava a transformar-se noutra coisa… com contornos pouco definidos. Do futebol de posse de AVB só ouvíamos as palavras de VP… No campo, nem posse nem o futebol de transições de Jesualdo Ferreira.Um misto de ideias mal amontoadas e de jogadores que claramente não estavam em sintonia com o técnico.

Nesse momento, Pinto da Costa pôde agir… Podia ter deixado cair Vítor Pereira, admitir o erro na escolha e tentar emendar a tempo… O problema era o timing. Já se tinha deixado escapar Domingos para o Sporting… Não havia uma solução óbvia no mercado… Sempre se poderia recorrer a P. Emanuel, muito querido junto dos jogadores. Com uma boa equipa técnica para o auxiliar no treino poderia ser uma solução interessante. O problema é que o Porto mesmo jogando menos bem e estando com a Champions em risco, era líder. Demitir um líder que ainda tinha uma palavra a dizer na Champions poderia ser uma herança muito ingrata para quem quer que viesse a seguir. Terá sido essa a lógica de Pinto da Costa. E então preferiu dar um murro na mesa e fazer ver ao balneário que teriam que respeitar Vítor Pereira e fez ver aos adeptos que não valia pena queixarem-se que era com VP que iríamos até ao final da época.
Correu bem. Vítor Pereira ganhou na Ucrânia, lançou a equipa numa boa série e parecia que a crise ia longe… Apenas uma ilusão de óptica… O Porto continuava e continua a não ter um fio de jogo consistente. Vítor Pereira tem nas mãos um plantel excelente, com a falta do ponta de lança, mas o facto é que Vítor Pereira criou novos problemas. Ora cristalizando-se num determinado onze só porque lhe ganharam um jogo importante, fazendo assim com que jogadores como Djalma, Maicon e Defour fossem titulares em detrimento de jogadores de maior qualidade como: James, Fucile e Belluschi.
O Porto vivia refém de jogadas individuais não apenas de Hulk mas acima de tudo de Hulk. Mas Vítor Pereira teve que arranjar um novo problema à equipa… Retirou Hulk da equação tirando-o de uma faixa e passando-o para o meio… Dessa forma, perdeu Alvaro Pereira que passou a subir no corredor para cruzar a bola… para ninguém. Através de uma decisão, VP conseguiu criar duas fraquezas no onze do Porto para além da já mais que vista no centro do ataque. VP conseguiu acrescentar problemas onde eles nem existiam.
Outro exemplo flagrante é a questão da falta de profundidade do lado direito. A adaptação de Maicon a lateral direito. Apesar de esforçado, Maicon não é Sapunaru nem Fucile. Não tem rotinas de lateral e isso é mais confrangedor no que toca ao plano ofensivo… Mas VP achou que deveria ser grato ao esforço de Maicon nem que para isso tivesse que prescindir de atacar pelo lado direito… Sim, porque Djalma vê-se mais em tarefas defensivas do que propriamente a desequilibrar na frente. Outra obsessão de Vítor Pereira.
Vítor Pereira não tem a eloquência nem a capacidade motivacional de AVB. Rodeou-se de uma equipa técnica que não tem estofo nem capacidade para treinar uma equipa como o Porto. Uma coisa é uma equipa técnica para o Varzim, outra é uma equipa técnica para um clube como o FC Porto.
Finalmente chegamos ao jogo deste Domingo. Com alguns jogadores que entraram tarde o campeonato por estarem com a cabeça noutros campeonatos, com um treinador que em vez de optar por manter o trabalho do seu antecessor que tinha dado tão bons frutos, preferiu à força demonstrar a sua marca e com isso piorou e encravou anos de processos tão bem trabalhados 1º com Jesualdo e depois continuados e melhorados por André Villas Boas. O ego de Vítor Pereira parece ter falado mais alto. Não queria ser visto como o treinador da continuidade, queria mostrar que a equipa era construída à sua imagem. Pois ele deveria ser o 1º a admitir que falhou redondamente e que não tem ainda, nem sei se algum dia terá capacidade para guiar este Ferrari.

Não suficiente tudo isto ainda há outra questão polémica que parece ter sido esquecida... Helton aparece em campo sem a braçadeira de capitão e com cara de poucos amigos... Vimos um Helton menos comunicativo do que o costume. O que se terá passado para que se retirasse a braçadeira a Helton e nada fosse comunicado? Problemas no balneário...? Ou seja, o Porto entrou em campo sem o melhor dos ambientes para uma equipa que não podia perder terreno para o Benfica.
O resultado deste acumular de situações ficou expresso no relvado, juntamente a uma exibição deplorável de Bruno Paixão.
A Sad tem contudo querepensar tudo o que foi feito este ano. Não vou pela crítica fácil da escolha de Vítor Pereira. Na altura era o que parecia mais acertado, parece-me uma crítica injusta. Mas será que deram todas as condições a Vítor Pereira? Porque é que a saída de Falcao ainda não foi colmatada…?
Curiosamente antes deste jogo que já se presumia que seria difícil, começam-se a ouvir e a ler ecos do mercado em que a Sad parece disposta a fazer regressar Lucho, em que vai deixar sair Guarín 1º e depois Belluschi. Em que oferece 8 milhões pelo passe de Ganso… A mesma Sad que depois nos faz crer que não há dinheiro para um ponta de lança…? Em forma de desespero já se fala de um empréstimo de Liedson? Tudo isto nesta altura é mesmo necessário? Não mexe com a cabeça dos jogadores e com o bem estar do grupo?
Tudo isto nas vésperas de um jogo importante? Guarín tem quase tudo acertado com a Juventus, o negócio caiu por uma diferença de 2 milhões e depois acaba-se por falar é de um empréstimo de Belluschi? Belluschi que no meio deste turbilhão ainda é convocado para Barcelos e por acaso até é o melhor jogador do Porto em campo? O Belluschi que oferece uma criatividade ao meio campo que mais nenhum outro médio no plantel oferece? É este jogador que querem emprestar? Emprestar!? É que nem falamos de uma venda, da hipótese de receita…
Pior ainda é quando se apercebe que a sua saída não será colmatada com nenhuma entrada… Se fosse para a entrada de Lucho ou Ganso, seria, ainda assim, estranho mas mais fácil de aceitar… Sem essas entradas, torna-se simplesmente inacreditável e a carecer uma explicação da Sad. O que andam a fazer? Qual é a ideia? Não podem por favor iluminar os sócios do clube e adeptos, qual é este caminho que estão a seguir? Se calhar estão a ver algo com muita claridade que mais nenhum de nós consegue atingir… Por isso mesmo, é melhor que nos expliquem.
É certo e sabido que descontando Mourinho, os técnicos no Porto não costumam ser tidos nem achados no que diz respeito à acções no mercado… Mas não deixa de ser curioso que a Sad pondere emprestar um jogador que é o 1º que Vítor Pereira lança no jogo quando sente que as coisas estão a aquecer… Sobram então as questões… Defour é uma mais-valia? O que é que ele já fez? Já justificou ser superior a Guarín ou Belluschi? Como é que o Porto tem milhões para oferecer por Ganso mas não tem dinheiro para um ponta de lança?
A culpa é de todos. Jogadores, treinadores e Sad. Por todos os motivos que explanei. No entanto, tais factos não nos retiram o direito nem o dever de alertar para o facto de uma vez mais o Benfica estar a ser levado ao colo para a vitória nesta Liga… Tal como há duas épocas mas com métodos mais simples. Os nossos erros e as nossas falhas não nos devem calar, sob pena de isto se tornar um hábito dado e aceite pelo FC Porto e em épocas futuras quando nos quisermos fazer ouvir já seja mais difícil… Não devemos calar a nossa revolta por este tipo de arbitragens.
O Porto para mim perdeu a Liga em Alvalade. Começou a perder com os equívocos na forma como planeou a temporada, não os corrigiu a tempo neste mercado de Inverno nem os atenuou de forma clara… Mas sem dúvida que as aspirações a meu ver terminaram com a falta de ambição em Alvalade. Com um Sporting que como mais tarde se provou não assusta ninguém… Só mesmo o Porto de Vítor Pereira que achou que sair de Alvalade com um empate a 2 pontos do Benfica seria um grande resultado…
O que Paixão fez no jogo de Barcelos foi simplesmente apressar a entrega das faixas… O Porto poderia discutir até mais para a frente a Liga e perder na mesma… Mas não vá o diabo ou Jorge Jesus tecê-las com a sua soberba… achou-se por bem resolver o mais depressa possível. Como disse Vítor Pereira e bem a propósito deste jogo: Porto inexistente, Gil Vicente digno, arbitragem vergonhosa… faltou ele próprio reconhecer.. .e um treinador incompetente. Assim a frase estaria perfeita.
P.S.: Este texto havia sido escrito logo após o desaire em Barcelos.Entretanto soube das novidades da contratação de Janko. Um jogador de 28 anos. Se se entende o regresso de Lucho. Difícil fica de entender que o Porto perca Guarín e Belluschi para manter Souza e Defour, por exemplo...
Finalmente aparece um ponta de lança.Não conheço bem o jogador, mas pelo que descrevem dele trata-se de um "pinheiro".Estranho é como a política de contratações do Porto tem andado à deriva.Este não é um reforço para valorizar e também não se pode dizer que seja um jogador que tenha jogado em grandes equipas e que possa logo pegar de estaca na equipa.Juntando a isto as saídas de atletas como Belluschi (melhor em campo em Barcelos) e Guarín que é um elemento de indiscutível qualidade...Dá ideia que a Sad anda quase tão perdida como V. Pereira...