Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

¡¡Hala Madrid!!: O que falta a este Real Madrid CF

Líder isolado de La Liga BBVA com o 2º Classificado a 7 pontos de distância, presença garantida nos oitavos de final da Liga dos Campeões depois de ter ganho o seu grupo só com vitórias, o fantasma Olympique Lyonnais afastado e enterrado, Melhor Ataque da Competição interna e 2ª Melhor Defesa, Cristiano Ronaldo a liderar a Lista de Marcadores com 24 golos apontados em 20 jogos da Liga Espanhola, um mês de Janeiro carregado de remontadas atrás de remontadas e só com vitórias em La Liga.

Que falta então a este Real Madrid CF? Segundo alguns sectores de opinião a este Real falta-lhe um melhor… ataque!

Bem eu fico estupefacto com tamanha afirmação pois para além de na Casablanca habitar Cristiano Ronaldo que é somente o Melhor Marcador no País de Nuestros Hermanos, temos que tanto Higuaín como o Português são somente os goleadores mais eficazes das 5 Ligas Europeias mais importantes.

Quem dera a muito boa gente ter um ataque tão mau como este que precisa urgentemente de ser reforçado. O problema de muitos comentadores é que não sabem ver mais nada senão os confrontos entre o Real Madrid CF e o FC Barcelona onde por norma tanto Ronaldo, como Higuaín e Benzema tem uma prestação uns furos abaixo do seu normal.

O actual Plantel dos Merengues não pode ser analisado com uma lupa que foque somente os jogos com a equipa da Catalunha. Há que ver para além disto e tentar perceber onde é que os Madridistas deveriam ter-se reforçado neste Mercado de Inverno. E se o fizermos com atenção rapidamente vamos perceber que a fragilidade deste Real de Mou não é o seu fortíssimo ataque mas sim a sua defesa, mais concretamente a sua dupla de centrais.

E isto porque Ricardo Carvalho passa mais tempo lesionado do que a jogar, Varanes é uma Jovem Promessa do Futebol Francês mas na Liga Espanhola raros são os jogos em que um Jovem Jogador pode jogar sem a pressão de não comprometer a equipa, Raul Albiol foi também uma Jovem promessa de Espanha que revelou ser um autêntico fiasco, Ramos apesar de ser um dos símbolos do Clube e de deixar tudo em campo, o seu jogo duro faz com que o Jogador seja muitas vezes admoestado com uma cartolina amarela/vermelha e Pepe já desde os tempos de Pellegrini que tem umas “paragens cerebrais” que fazem com que este tome atitudes violentas que não fazem nada bem á equipa e ao Jogador adversário.

Contudo José Mourinho parece não ter feito questão de que o Real Madrid CF fosse ao Mercado de Inverno á procura de defesas centrais que colmatassem esta lacuna.

O que não faltam são opções e muitas delas de elevada qualidade, mas tudo indica que Mou irá apostar tudo na dupla Carvalho/Pepe. A nível interno poderá ser uma aposta ganha, mas a nível externo as coisas poderão ser muito diferentes pois a partir de agora quem perder sai fora da Liga dos Campeões e não nos podemos esquecer que um dos grandes objectivos do Clube Blanco é a conquista da Champions que já há muito tempo lhe foge por entre os dedos.

O tempo encarregar-se-á de nos mostrar se esta foi ou não uma aposta ganha por Mourinho ou se este pagou cara a sua aposta no "material" que tem á sua disposição.

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

A Culpa é sempre dos outros

Um amigo meu que não tinha onde cair morto resolveu comprar uma casa a prestações. Passados alguns meses, deixou de cumprir o acordado, ficando a dever uma parte do empréstimo que ainda faltava liquidar. Até aqui tudo normal, só que o meu amigo diz que não deve nada porque, quando fez o contrato de compra, considerou o negócio liquidado, além de que, “o Banco é que tem a culpa”, não lhe devia ter emprestado o dinheiro! Claro que o exemplo não é verdadeiro e lembrei-me de recriar esta situação quando ouvi o presidente da Liga dizer o mesmo acerca das dívidas do Totonegócio.

Mas vamos lá puxar pela memória, ver como o assunto se passou, e analisar as diversas vertentes do problema. As reais, as jurídicas e as “da treta”.

No longínquo ano de 1985 o volume de dívidas fiscais dos clubes atingia, feita a conversão para euros, a linda quantia de 50 milhões. Era então Primeiro-ministro, Cavaco Silva, que deixou o caso a marinar até ao final do seu mandato.

Em 1996 António Guterres tenta resolver o assunto e leva ao hemiciclo uma proposta para solucionar o problema, que grosso modo constava da retenção das verbas atribuídas aos clubes pelo Totobola afim de abater as dívidas ao Fisco e à Segurança Social. Caiu o Carmo e a Trindade! “Isto é um perdão fiscal encapotado” vociferavam os amantes da verdade desportiva de então. Pode lá ser!

Poder... pode, digo eu, como vamos ver já a seguir. Augusto Mateus fez publicar o Decreto-Lei 124/96 que viria a ficar conhecido como Plano Mateus e permitia que os contribuintes com dívidas Ficais ou à Segurança Social regularizassem a sua situação perante o Estado em 150 suaves prestações (entre 1 de Julho de 1998 e 31 de Dezembro de 2010), e deu o pontapé de saída para a resolução do problema. Em Março de 1998, os clubes, desde que não tivessem dívidas ao Estado entre 1996 e 1998 puderam aderir à iniciativa. Foi então nomeada pelo Governo uma Comissão Técnica cuja missão era avaliar, por um lado, o valor das dívidas e, pelo outro, quais as receitas a receber do Totobola que os clubes davam em dação de pagamento. (O pagamento das dívidas fiscais efectua-se, regra geral, em numerário. O Decreto-Lei n.º 52/84, de 15 de Fevereiro, admitiu, no entanto, a dação em pagamento como causa da extinção da obrigação tributária, embora a título excepcional).

A PGR, chamada a pronunciar-se sobre o despacho 7/98 de 4 de Março, emite um parecer sobre o acordo, contendo diversos considerandos, dos quais se salientam dois:

«Considerando que, em 31 de Janeiro de 1997, a Liga e a Federação aderiram como gestores de negócios dos clubes das 1ª, 2ª divisão de honra, 2ª divisão B e 3ª divisão, ao plano de regularização de dívidas ao fisco constante do D.L. nº 124/96, de 10 de Agosto”…

“Considerando que a Liga e a Federação ofereceram como dação em pagamento para liquidação do valor das dívidas ao fisco existentes até 31 de Julho de 1996, as receitas futuras das apostas mútuas desportivas a que os clubes tenham direito” etc.

Chegados ao que poderia ser o epílogo desta novela com os clubes a “viverem felizes para todo o sempre”, algo transformou a habitual paz podre em que se movem os negócios do pontapé-na-bola. Como o “encontro de contas” entre os clubes e o fisco, estava prejudicado pelo abrandamento das receitas do Totobola, o incumprimento acentuava-se, tendo os “subscritores” alegado que os cálculos estavam mal feitos e não se concretizara a promessa da Santa Casa de criar novos jogos que aumentassem as receitas, antes, aparecia um tal Euromilhões cujas receitas ficavam de fora do acordo.

Em 2004 (lembram-se das banhadas que levámos da Grécia?) Bagão Félix na qualidade de Ministro das Finanças de Durão Barroso, resolve dar ordem à DGCI para notificar as “entidades”, segundo ele, responsáveis pelo não cumprimento das metas acordadas. Eram elas, como se percebe, a FPF e a Liga que sacudiram a água do capote com o argumento de terem somente actuado na qualidade de “gestores de negócios dos clubes”. Bagão Félix, em vez de se entreter a analisar o Passivo do seu Clube que com a gestão do senhor Vieira já tinha quase duplicado, manda penhorar a antiga sede da FPF e colocá-la em hasta pública por 1,4M€, e ninguém lhe pega. Assim à distância faz-me lembrar o outro parvalhão que aceitou penhorar uma retrete!

Recentemente a FPF e a Liga são citadas pelas Finanças para pagarem solidariamente com os clubes a segunda parte da execução do Totonegócio. Gilberto Madaíl volta a argumentar que o negócio tinha ficado saldado com a dação em pagamento, e ainda reforça a posição com o recurso ao artigo 37º do Código de Procedimento e Processo Tributário, “por terem solicitado elementos em falta que nunca lhes foram aclarados”. Este artigo no seu número 2 refere: “se o interessado usar da faculdade concedida no número anterior, o prazo para a reclamação, recurso, impugnação ou outro meio judicial conta-se a partir da notificação ou da entrega da certidão que tenha sido requerida”. A FPF e a Liga dão por adquirido que o prazo de contagem dos prazos está suspenso pois a falta da certidão solicitada “tem efeitos suspensivos sobre a execução a que respeita”.

Trocando por miúdos:

1 – O Tribunal notifica; 2 - O requerido não concorda, alegando erros e recorre; 3 – O Tribunal não responde; 4 – Os prazos ficam suspensos até serem prestados os esclarecimentos ou certidões. Mas o tiro pode sair pela culatra. Num caso semelhante em que foi utilizado este “expediente” o Ministério Público entendeu que a “falta de resposta” não é um “acto em matéria tributária” suposto ao art. 37º, mas antes um “acto processual”, o que indefere o recurso, que é como quem diz: “não é isto que está em causa, o recorrente apenas alega um erro administrativo”.

Resumindo e concluindo: todos têm razão, até prova em contrário. Os clubes porque acreditaram que aquilo que iam receber do Totobola era suficiente. A Santa Casa porque o Euromilhões e jogo on-line fizeram cair as receitas. O Fisco porque, no fundo, é quem está a arder. A FPF e a Liga porque não são mais do que “representantes” dos clubes.

No meu ponto de vista, a solução previsível deverá ser: Apurar qual o montante exacto das dívidas, e negociar um plano de pagamento exequível. A aprovação de legislação para viabilizar as apostas on-line é um meio que pode aumentar as receitas a receber pelos clubes. E pagar! Porque além de tudo, os clubes são como o meu amigo do 1º parágrafo: a culpa é sempre dos outros! Assim haja vontade do senhor Relvas e do compincha Santana. O primeiro porque é o responsável da tutela, o segundo porque pode colocar as cortinas novas do seu gabinete da Santa Casa em melhores dias.

Até para a semana

Nota – os sublinhados são meus

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Crónica de um fim de Liga anunciado mas precipitado...

O Porto baqueou em Barcelos. Uma exibição demasiado má para ser verdade, uma equipa apática, sem liderança, perdida em campo que foi derrotada por um Gil organizado, bem liderado e que jogou de dentes cerrados do principio ao fim. Tudo seria normal se não houvesse algo pelo meio… Bruno Paixão. Uma vez mais. Um árbitro que tem um histórico de ter dificuldades em assinalar penaltis a favor do F. C. Porto (quem se esqueceu do mítico Campomaiorense - Porto em que ele foi incapaz de ver um penalti sequer entre os 8 cometidos sobre Jardel)…

O Porto perdeu por causa da arbitragem? Claro que não. Nem é uma desculpa para a paupérrima exibição. O que não pode, é a paupérrima exibição servir de desculpa para que não se fale da arbitragem absolutamente escandalosa que impediu o Porto, ainda que jogando mal, de poder discutir o jogo… O pior é se ligarmos isto ao que tem sido a campanha do Benfica… Reforçado por uma comunicação social que torna uma arbitragem escandalosa como a do jogo do Feirense como nota de rodapé… Eis que numa jornada o Benfica vê-se numa situação de poder perder 3 pontos a uma situação de ganhar 3 ao Porto.

Mas o Porto perdeu o campeonato em Barcelos ou por causa do Bruno Paixão? Claro que não. Sinceramente, como portista senti que perdemos o campeonato em Alvalade. Confessei isso a uma série de amigos e familiares.

Vítor Pereira, uma vez mais, calculou mal e planeou pior. Foi para Alvalade claramente em busca do empate. Se havia jogo em que empatar ou perder era indiferente era o de Alvalade. Qualquer resultado que não fosse a vitória significaria que o Benfica se isolaria pela 1ª vez no 1º lugar e depois para quem já acompanha o futebol há algum tempo, já se sabia o que se seguiria…

A euforia benfiquista, o “inferno da Luz”, a imprensa a puxar pelo Benfica, os árbitros a sentirem-se impelidos a beneficiar o Benfica em caso de dúvida ou sempre que o Benfica estivesse entalado… E toda esta conjuntura faria com que o Benfica fosse muito difícil de ultrapassar… Porque nos jogos com arbitragens para lá de desastrosas a beneficiar o Benfica, nunca veríamos pressão por parte da imprensa no sentido de denunciar o tratamento de favor do Benfica… Falar-se-ia do campeão do sofrimento, da estrelinha de campeão… Os comentadores, paineleiros e afins diriam que o Benfica pratica o melhor futebol do mundo e arredores mesmo com jogos péssimos como com o Gil ou o Feirense, e diriam que o Porto não estava tão bem independentemente do nº de jogos sem perder que o Porto apresentasse…

Foi aí. Em Alvalade. A falta de visão e de ambição de Vítor Pereira que hipotecaram as hipóteses do Porto de revalidar o título… Sim, porque mesmo com o erro de casting que foi a escolha de Vítor Pereira, pela qualidade do plantel e pela forma como Pinto da Costa segurou e deu força ao treinador, ainda seria possível acreditar no título. Até porque o Benfica de Jorge Jesus consegue facilmente ser megalómano e cair na arrogância de achar que todos se curvam perante o Benfica e acabar surpreendido… Principalmente enquanto sentisse a pressão de ter que estar a par com o Porto na classificação e tendo ainda a distracção da Liga dos Campeões.

Mas os responsáveis são apenas o treinador e os jogadores? Não. Não culpo o presidente pela escolha em Vítor Pereira. É um erro desculpável. Uma aposta falhada mas que era o que parecia ser a aposta mais natural após uma saída intempestiva de André Villas Boas. A intenção percebia-se. Manter a estrutura, mexer o mínimo e confiar no adjunto para que desse a continuidade ao trabalho de AVB… O problema é que a Sad ao ver sair AVB viu-se deparada com uma série de jogadores que sentiram que sem AVB tudo o que lhes havia sido prometido perderia sentido e que se o treinador tinha o direito de sair eles também quereriam dar o salto…

Até ao fecho do mercado foi complicado gerir o estado anímico de jogadores como: Rolando, Alvaro Pereira, Fucile, Moutinho Fernando e outros. Depois tudo se agravou com a saída de Falcao. Enquanto a Sad claramente se precaveu para a saída de Alvaro Pereira e de Moutinho ou Fucile com a contratação de jogadores como Alex Sandro, Danilo ou Defour, o facto é que nenhum deles saiu… E quem acaba por sair é Falcao deixando um vazio no ataque e precipitando o lançamento de Kleber que vinha para ser suplente.

Começou aí o 1º grande erro. Atacar a época com Kleber como ponta de lança e não perceber a dimensão da tarefa que seria substituir Falcao. Podem ter destruído o crescimento de um jovem ponta de lança com grande potencial e, ao mesmo tempo, não ganharam um ponta de lança capaz de ser o que a equipa precisava.

Depois os problemas foram-se agravando à medida que todos fomos percebendo que aquilo que deveria ser um trabalho de continuidade começava a transformar-se noutra coisa… com contornos pouco definidos. Do futebol de posse de AVB só ouvíamos as palavras de VP… No campo, nem posse nem o futebol de transições de Jesualdo Ferreira.Um misto de ideias mal amontoadas e de jogadores que claramente não estavam em sintonia com o técnico.

Nesse momento, Pinto da Costa pôde agir… Podia ter deixado cair Vítor Pereira, admitir o erro na escolha e tentar emendar a tempo… O problema era o timing. Já se tinha deixado escapar Domingos para o Sporting… Não havia uma solução óbvia no mercado… Sempre se poderia recorrer a P. Emanuel, muito querido junto dos jogadores. Com uma boa equipa técnica para o auxiliar no treino poderia ser uma solução interessante. O problema é que o Porto mesmo jogando menos bem e estando com a Champions em risco, era líder. Demitir um líder que ainda tinha uma palavra a dizer na Champions poderia ser uma herança muito ingrata para quem quer que viesse a seguir. Terá sido essa a lógica de Pinto da Costa. E então preferiu dar um murro na mesa e fazer ver ao balneário que teriam que respeitar Vítor Pereira e fez ver aos adeptos que não valia pena queixarem-se que era com VP que iríamos até ao final da época.

Correu bem. Vítor Pereira ganhou na Ucrânia, lançou a equipa numa boa série e parecia que a crise ia longe… Apenas uma ilusão de óptica… O Porto continuava e continua a não ter um fio de jogo consistente. Vítor Pereira tem nas mãos um plantel excelente, com a falta do ponta de lança, mas o facto é que Vítor Pereira criou novos problemas. Ora cristalizando-se num determinado onze só porque lhe ganharam um jogo importante, fazendo assim com que jogadores como Djalma, Maicon e Defour fossem titulares em detrimento de jogadores de maior qualidade como: James, Fucile e Belluschi.

O Porto vivia refém de jogadas individuais não apenas de Hulk mas acima de tudo de Hulk. Mas Vítor Pereira teve que arranjar um novo problema à equipa… Retirou Hulk da equação tirando-o de uma faixa e passando-o para o meio… Dessa forma, perdeu Alvaro Pereira que passou a subir no corredor para cruzar a bola… para ninguém. Através de uma decisão, VP conseguiu criar duas fraquezas no onze do Porto para além da já mais que vista no centro do ataque. VP conseguiu acrescentar problemas onde eles nem existiam.

Outro exemplo flagrante é a questão da falta de profundidade do lado direito. A adaptação de Maicon a lateral direito. Apesar de esforçado, Maicon não é Sapunaru nem Fucile. Não tem rotinas de lateral e isso é mais confrangedor no que toca ao plano ofensivo… Mas VP achou que deveria ser grato ao esforço de Maicon nem que para isso tivesse que prescindir de atacar pelo lado direito… Sim, porque Djalma vê-se mais em tarefas defensivas do que propriamente a desequilibrar na frente. Outra obsessão de Vítor Pereira.

Vítor Pereira não tem a eloquência nem a capacidade motivacional de AVB. Rodeou-se de uma equipa técnica que não tem estofo nem capacidade para treinar uma equipa como o Porto. Uma coisa é uma equipa técnica para o Varzim, outra é uma equipa técnica para um clube como o FC Porto.

Finalmente chegamos ao jogo deste Domingo. Com alguns jogadores que entraram tarde o campeonato por estarem com a cabeça noutros campeonatos, com um treinador que em vez de optar por manter o trabalho do seu antecessor que tinha dado tão bons frutos, preferiu à força demonstrar a sua marca e com isso piorou e encravou anos de processos tão bem trabalhados 1º com Jesualdo e depois continuados e melhorados por André Villas Boas. O ego de Vítor Pereira parece ter falado mais alto. Não queria ser visto como o treinador da continuidade, queria mostrar que a equipa era construída à sua imagem. Pois ele deveria ser o 1º a admitir que falhou redondamente e que não tem ainda, nem sei se algum dia terá capacidade para guiar este Ferrari.

Não suficiente tudo isto ainda há outra questão polémica que parece ter sido esquecida... Helton aparece em campo sem a braçadeira de capitão e com cara de poucos amigos... Vimos um Helton menos comunicativo do que o costume. O que se terá passado para que se retirasse a braçadeira a Helton e nada fosse comunicado? Problemas no balneário...? Ou seja, o Porto entrou em campo sem o melhor dos ambientes para uma equipa que não podia perder terreno para o Benfica.

O resultado deste acumular de situações ficou expresso no relvado, juntamente a uma exibição deplorável de Bruno Paixão.

A Sad tem contudo querepensar tudo o que foi feito este ano. Não vou pela crítica fácil da escolha de Vítor Pereira. Na altura era o que parecia mais acertado, parece-me uma crítica injusta. Mas será que deram todas as condições a Vítor Pereira? Porque é que a saída de Falcao ainda não foi colmatada…?

Curiosamente antes deste jogo que já se presumia que seria difícil, começam-se a ouvir e a ler ecos do mercado em que a Sad parece disposta a fazer regressar Lucho, em que vai deixar sair Guarín 1º e depois Belluschi. Em que oferece 8 milhões pelo passe de Ganso… A mesma Sad que depois nos faz crer que não há dinheiro para um ponta de lança…? Em forma de desespero já se fala de um empréstimo de Liedson? Tudo isto nesta altura é mesmo necessário? Não mexe com a cabeça dos jogadores e com o bem estar do grupo?

Tudo isto nas vésperas de um jogo importante? Guarín tem quase tudo acertado com a Juventus, o negócio caiu por uma diferença de 2 milhões e depois acaba-se por falar é de um empréstimo de Belluschi? Belluschi que no meio deste turbilhão ainda é convocado para Barcelos e por acaso até é o melhor jogador do Porto em campo? O Belluschi que oferece uma criatividade ao meio campo que mais nenhum outro médio no plantel oferece? É este jogador que querem emprestar? Emprestar!? É que nem falamos de uma venda, da hipótese de receita…

Pior ainda é quando se apercebe que a sua saída não será colmatada com nenhuma entrada… Se fosse para a entrada de Lucho ou Ganso, seria, ainda assim, estranho mas mais fácil de aceitar… Sem essas entradas, torna-se simplesmente inacreditável e a carecer uma explicação da Sad. O que andam a fazer? Qual é a ideia? Não podem por favor iluminar os sócios do clube e adeptos, qual é este caminho que estão a seguir? Se calhar estão a ver algo com muita claridade que mais nenhum de nós consegue atingir… Por isso mesmo, é melhor que nos expliquem.

É certo e sabido que descontando Mourinho, os técnicos no Porto não costumam ser tidos nem achados no que diz respeito à acções no mercado… Mas não deixa de ser curioso que a Sad pondere emprestar um jogador que é o 1º que Vítor Pereira lança no jogo quando sente que as coisas estão a aquecer… Sobram então as questões… Defour é uma mais-valia? O que é que ele já fez? Já justificou ser superior a Guarín ou Belluschi? Como é que o Porto tem milhões para oferecer por Ganso mas não tem dinheiro para um ponta de lança?

A culpa é de todos. Jogadores, treinadores e Sad. Por todos os motivos que explanei. No entanto, tais factos não nos retiram o direito nem o dever de alertar para o facto de uma vez mais o Benfica estar a ser levado ao colo para a vitória nesta Liga… Tal como há duas épocas mas com métodos mais simples. Os nossos erros e as nossas falhas não nos devem calar, sob pena de isto se tornar um hábito dado e aceite pelo FC Porto e em épocas futuras quando nos quisermos fazer ouvir já seja mais difícil… Não devemos calar a nossa revolta por este tipo de arbitragens.

O Porto para mim perdeu a Liga em Alvalade. Começou a perder com os equívocos na forma como planeou a temporada, não os corrigiu a tempo neste mercado de Inverno nem os atenuou de forma clara… Mas sem dúvida que as aspirações a meu ver terminaram com a falta de ambição em Alvalade. Com um Sporting que como mais tarde se provou não assusta ninguém… Só mesmo o Porto de Vítor Pereira que achou que sair de Alvalade com um empate a 2 pontos do Benfica seria um grande resultado…

O que Paixão fez no jogo de Barcelos foi simplesmente apressar a entrega das faixas… O Porto poderia discutir até mais para a frente a Liga e perder na mesma… Mas não vá o diabo ou Jorge Jesus tecê-las com a sua soberba… achou-se por bem resolver o mais depressa possível. Como disse Vítor Pereira e bem a propósito deste jogo: Porto inexistente, Gil Vicente digno, arbitragem vergonhosa… faltou ele próprio reconhecer.. .e um treinador incompetente. Assim a frase estaria perfeita.

P.S.: Este texto havia sido escrito logo após o desaire em Barcelos.Entretanto soube das novidades da contratação de Janko. Um jogador de 28 anos. Se se entende o regresso de Lucho. Difícil fica de entender que o Porto perca Guarín e Belluschi para manter Souza e Defour, por exemplo...

Finalmente aparece um ponta de lança.Não conheço bem o jogador, mas pelo que descrevem dele trata-se de um "pinheiro".Estranho é como a política de contratações do Porto tem andado à deriva.Este não é um reforço para valorizar e também não se pode dizer que seja um jogador que tenha jogado em grandes equipas e que possa logo pegar de estaca na equipa.Juntando a isto as saídas de atletas como Belluschi (melhor em campo em Barcelos) e Guarín que é um elemento de indiscutível qualidade...Dá ideia que a Sad anda quase tão perdida como V. Pereira...

O Cantinho das Modalidades

Andebol

O FC Porto garantiu no passado Sábado o apuramento para a "final four" da Taça de Portugal, ao bater o S. Bernardo por 33 x 22, em jogo dos quartos-de-final. Ao intervalo, os Dragões venciam 17 x 14.

O jogo, disputado no Pavilhão do S. Bernardo, foi sempre dominado pelo FC Porto, que desde o arranque fez valer a sua força no ataque, acabando com 33 golos, número inalcançável para os Aveirenses.

Gilberto Duarte, com 11 golos, foi a grande figura da partida, num jogo em que também se destacaram Pedro Spínola (cinco golos) e Tiago Rocha (quatro).

As outras equipas apuradas para a fase decisiva são o Sporting, o Madeira SAD e o Belenenses.

Basquetebol

Também no passado Sábado, numa partida a contar para a 14ª Jornada do Campeonato da Liga, o FC Porto derrotou em casa o Lusitânia impondo uma diferença acima dos 20 pontos (72 x 51) e distinguir Rob Johnson como MVP.

Com 15 pontos, 7 ressaltos e 4 assistências, Johnson distinguiu-se como o MVP da partida, que terminou com João Soares à beira de um duplo-duplo (11 pontos e 9 ressaltos) e no ponto exacto de uma boa exibição.

Hóquei em Patins

O FC Porto Império Bonança continua 100 por cento vitorioso no Campeonato Nacional, em que é Líder incontestado. No difícil rinque da Oliveirense, em encontro da 13ª Jornada, os Dragões venceram por 5 x 2, graças a golos de Caio, que "bisou", Pedro Moreira, Tiago Santos e Reinaldo Ventura. Os Azuis e Brancos lideram a prova com 39 pontos.

Os Dragões entraram muito bem no jogo, não dando hipóteses ao adversário. Caio abriu o marcador logo aos três minutos e Pedro Moreira fez o 0 x 2 aos nove. A 30 segundos do intervalo, Tiago Santos fez o 0 x 3. Na segunda parte, a equipa da casa procurou reagir, mas seria Reinaldo Ventura a fazer o 0 x 4, aos 31 minutos. A Oliveirense ainda reduziu para 2 x 4, mas seria Caio a fechar a contagem, em cima do apito final.

O FC Porto Império Bonança alinhou e marcou: Edo Bosch (g.r.), Pedro Moreira (1), Reinaldo Ventura (1), Caio (2) e Pedro Gil. Jogaram ainda: Filipe Santos, Gonçalo Suíssas e Tiago Santos (1).

Natação

José Alexandre Silva, Treinador principal da Natação Portista e Dragão de Ouro, foi reconhecido pela Federação Portuguesa de Natação como "Treinador de Mérito".

Esta distinção é atribuída pela Federação a Técnicos de grau máximo (IV), em função do seu elevado currículo académico e desportivo.

O galardão atribuído ao Técnico Portuense, natural de Massarelos, reconhece os contributos importantes prestados à Natação Portuguesa e Portista. Entre outros feitos, a equipa Feminina do FC Porto é, actualmente, Tetracampeã Nacional de Clubes.

Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

¡Visca Barça!: A Lenda

Lendárias são na História certas equipas de futebol. Clubes que, numa determinada era do futebol, pela qualidade do seu jogo, se tornaram marcantes para quem o desporto-rei ama. Dando só exemplos europeus, podemo-nos referir ao Madrid da segunda metade dos anos 50. Ao Ajax dos anos 70, onde Cruyff despontava. Ao Liverpool que arranca em 1975 para o domínio na Europa e morre na tragédia de Heysel dez anos depois. Em suma, clubes que do esquecimento se libertaram. Equipas que se tornaram uma lenda.

Por vezes, com os truculentos anos 90, dominados na Europa pela ideia de um futebol defensivo, mais racional, por equipas italianas e italianizadas, a esperança no surgimento de uma nova lenda no futebol – com um bom e belo futebol - parecia ter sido perdida. Até que, em meados da década passada, começa a despontar uma nova equipa. Um clube, é certo, bem conhecido e já com aura lendária. Mas a aura materializou-se. E hoje o FC Barcelona, oficialmente o Campeão espanhol, Europeu e Mundial, é uma equipa que joga um futebol único.

De início, ao assistir-se a um jogo do FC Barcelona, parece que vemos um futebol simples. Baseado no passe, parece um “meinho” entre amigos. Algo fácil. Quase de uma equipa de amadores mais preocupada em saber passar bem do que em buscar um resultado. Mas, aos poucos, espectadores e, claro, adversários, percebem que este futebol é quase mágico e próprio de uma condição que só de décadas em décadas aparece. É por isso um futebol quase anacrónico, sem tempo, e no entanto é a essência e origem do Futebol. É um autêntico carrossel de simplicidade que esmaga o adversário. Que sabe como colectivo” jogar à bola” de um modo quase perfeito.

Assim, o futebol jogado pelo Barcelona é uma luz nova no futebol europeu. Ao mesmo tempo que algumas equipas históricas decaem da sua luz passada para as trevas da mesquinhez e da raiva, tornando-se aos poucos isoladas da realidade e do amor de quem gosta de futebol, o FC Barça actual cimenta a sua condição histórica e faz acontecimento. Mas o que significa um acontecimento no futebol? É quando, na nossa perspectiva actual, acontece uma “anomalia”, algo que escapa àquela que parece a evolução natural de um determinado momento. Há um antes e um depois no Acontecimento. Uma mudança de paradigma. É aí que se forma a lenda: o que há de novo, aliado a uma temporalidade concreta, que retira todas as dúvidas sobre o seu valor.

Atentemos em alguns factos concretos. Os blaugranas ganharam, nos últimos seis anos, três Ligas dos Campeões (sendo as duas últimas ganhas num estilo muito mais cristalino do que na de 2006, ainda orientados por Rijkaard). Tornaram-se um carrasco permanente do seu directo rival de Madrid.

Encantam com o seu futebol o planeta aliado a uma insaciável sede de vencer. Esta equipa excepcional constitui-se de jogadores também eles excepcionais. E o Barcelona não só os tem como os fabricou, criando assim uma das mais profícuas escolas de futebol do mundo. Messi, Xavi, Iniesta, Fabregas (regressado a casa só este ano, mas jogando como se nunca tivesse saído), Piqué, Puyol e o próprio treinador Guardiola – dois elementos mais velhos – são o resultado, entre outros, de um trabalho de paciência que deu os seus frutos. E que faz os mais cépticos adeptos voltarem a acreditar na magia do futebol.

Muitas vezes foram os pais e os avós da minha geração que nos contaram sobre anteriores lendas do futebol europeu. Houve mesmo um familiar próximo do autor deste texto que foi propositadamente do Porto a Lisboa ver o Ajax de Cruyff jogar nos anos 70. Agora seremos nós que contaremos aos nossos filhos e netos que vimos o FC Barcelona de Messi jogar. A mais recente lenda do futebol europeu.

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Dragões perdem e o Galo cantou bem alto...

Começou a 28 de Fevereiro de 2010 e terminou a 29 de Janeiro de 2012. A série de 55 jogos consecutivos sem perder para o Campeonato do FC Porto, iniciada no Estádio de Alvalade, acabou em Barcelos.

Ao 56º jogo, o FC Porto sofreu a primeira derrota na Liga num reduto onde o Benfica já havia empatado a duas bolas na jornada inaugural e a diferença entre Encarnados e Azuis e Brancos é, agora, de cinco pontos, com vantagem para os Homens da Luz.

O resultado de 3 x 1 é exagerado, mas, apesar dos números não se justificarem, não se pode tirar mérito, nem justiça ao triunfo do Gil Vicente FC, que foi sempre uma equipa coesa a defender e tremendamente eficaz a atacar. Por sua vez, o FC Porto não foi uma coisa, nem outra.

Exemplo disso é o primeiro golo do Gil Vicente, apontado logo aos 15 minutos. Cláudio, o central goleador da equipa de Paulo Alves, após um livre cobrado por Richard, ganhou de cabeça na área a três defensores dos Dragões (Otamendi, Rolando e Souza) e cabeceou para o fundo da baliza de Helton.

No primeiro remate à baliza, o Gil Vicente marcou e isso foi decisivo para o desenrolar da partida. Apesar de ter mais posse de bola, o Futebol Clube do Porto nunca imprimiu velocidade e isso tornou o jogo dos Campeões Nacionais mais previsível.

Aos 23 minutos os Portistas queixaram-se de uma grande penalidade cometida sobre Defour, mas o árbitro nada assinalou, apesar do jogo ter sido parado para o Belga, que tinha a cara a sangrar, ser assistido.

Curiosamente, foi de penálti que o Gil Vicente chegou ao 2 x 0, num lance muito bem ajuizado por Bruno Paixão, mas cuja jogada é antecidida de um fora de jogo não assinalado a André Cunha, que cruzou para a área, onde Otamendi desvia a trajectória da bola com a mão.

Novamente perante Helton, Cláudio, agora de Grande Penalidade, bisou e colocou os Gilistas a vencer por 2 x 0, resultado com que se chegou ao intervalo, sem que o FC Porto tivesse criado qualquer ocasião de perigo.

Por isso, Vítor Pereira mexeu na equipa e deixou Otamendi e Souza no balneário, lançando Belluschi e Danilo no jogo. Numa estratégia notoriamente ofensiva, pois o FC Porto passou a jogar apenas com três defesas, os Azuis e Brancos davam tudo para marcar cedo e tentar a reviravolta.

No entanto, quem marcou foi o Gil, aproveitando o balanceamento atacante do FC Porto. André Cunha fez, praticamente, o terceiro remate à baliza de Helton e marcou o terceiro golo, colocando o resultado em números exagerados e a cheirar a goleada.

A aposta em Belluschi não podia ter sido mais certeira por parte de Vítor Pereira. O FC Porto ganhou Vida no meio-campo, mais velocidade, mais criatividade e rematou mais vezes à baliza.


Em comparação com o primeiro tempo, na etapa complementar os Dragões subiram, claramente, de rendimento, mostraram mais vontade, mas o mal já estava feito e de nada valeu o golo de Silvestre Varela, aos 77 minutos. O Campeão Nacional perdeu em Barcelos e, além de se atrasar na luta pelo Título, deixa de depender apenas de si para garantir o primeiro lugar.

Melhor em Campo: Fernando Belluschi


A estreia da Crónica ¡Visca Barça! do Cronista Duarte ocorrerá amanhã (Terça-feira, 31 de Janeiro) devido ao facto de o FC Porto ter jogado no passado Domingo.