António Oliveira é um dos mais queridos treinadores do período Pinto da Costa. Mestre da táctica e perito em psicologia com os seus jogadores (quem não se lembra do 2-3 em San Siro ante o colosso A. C. Milan), ficará para sempre na história do clube por estar ligado ao penta campeonato e ter conduzido o F.C. Porto aos 4ºs de final da Liga dos Campeões. Recentemente ousou acusar Gilberto Madaíl de ser “incompetente”, indo mais longe ainda dizendo que teve a infelicidade de trabalhar com ele.Luís Filipe Vieira, presidente do eterno rival Benfica, não lhe ficou atrás e criticou também Gilberto, acusando-o de falta de frontalidade.
Madaíl não parece ser o tipo de presidente que assuma as rédeas da federação e chame a si a atenção nos momentos em que a instituição que preside mais necessita de um líder. É mais do tipo de presidentes que foge de toda a responsabilidade que lhe é atribuída e afasta de si a pressão nos momentos mais decisivos.
Quando Dragutinovic sentiu “ao de leve” o “carinho” de Scolari a defender os seus atletas, Madaíl chamou a si a responsabilidade de não advertir o treinador, defendendo-o e apoiando-o incondicionalmente. Isto já depois de episódios como aquele com os jornalistas espanhóis, em que o sempre correcto e super educado Scolari mandou-os “tomar no cú”.
Aquando da saída deste grande seleccionador, que encheu Portugal de títulos, Madaíl não advertiu Scolari do timming escolhido pelo Chelsea, responsabilizando o treinador e o clube inglês do insucesso no euro 2008 (após o anúncio do Chelsea, Portugal perdeu os 2 jogos que disputou. Apenas coicidência?), mas disse já saber de tudo à bastante tempo. Madaíl, como sempre, em cima do acontecimento, não evitou o (des)agradável anúncio do clube inglês.
Quando, neste defeso, o apito final já tinha corrido o mundo inteiro, Madaíl, sem meias medidas, convoca uma reunião do Conselho de Justiça para serem tomadas decisões quanto aos castigos de Pinto da Costa e Boavista F.C. A reunião do Conselho de Justiça correu dentro de toda a “normalidade” atendendo ao facto de este ser um órgão da FPF. Primeiro a reunião foi dada por terminada, pelo seu presidente, sem que ainda tivesse sido tomada uma decisão, antes do jantar, e a sua acta assinada por todos os conselheiros. Após o jantar e numa altura em que ainda se recebem horas extraordinárias, cinco conselheiros decidem fazer uma espécie de golpe de estado, bem ao estilo Mugabe, fazendo uma segunda reunião e respectiva acta.
Dada a delicadeza da questão, Madaíl chama a si a responsabilidade de validar ou não a reunião do Conselho de Justiça e, imagine-se, pediu um parecer (segundo Madaíl, totalmente isento) a Freitas do Amaral. Dado o parecer, que foi desfavorável às entidades da invicta, Madaíl chama novamente a si a responsabilidade aceitar ou não o parecer isento que pediu. E mais uma vez, num acto de coragem ímpar, Madaíl não pediu uma segunda opinião e aceitou o que lhe disseram. Se tivesse pedido uma segunda opinião, Madaíl ia ter que decidir qual das duas é que aceitava, talvez por isso mesmo, não o tenha pedido.
Engenheiro da Bola
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