Quando começou a levar o futebol a sério, no Entroncamento, no Ferroviário, Virgílio Mendes era ainda um obcecado pelo golo e por jogar no ataque. Quando chegou ao FC Porto, foi dado como o «novo Pinga», graças à excelência do seu pé esquerdo. Mas foi o técnico Alejandro Scopelli que domou a rebeldia do jovem jogador, puxando-o para a defesa, encostando-o ora à direita, ora à esquerda, e transformando-o num dos grandes nomes do futebol português de todos os tempos.
Coragem, força, resistência, carácter, denodo: tudo isto indicava Virgílio para ser o «capitão» que veio a ser. E a sua estreia na Selecção Nacional, em Fevereiro de 1949, num jogo avassalador da «squadra azzurra», marcou-o definitivamente. Nesse encontro, todas as suas características foram sublimadas a despeito da derrota volumosa (1-4). E Virgílio Marques Mendes ficaria para sempre o «Leão de Génova».
Se o Benfica foi a sua grande paixão de infância, a forma como foi pura e simplesmente recusado pelos encarnados viria a provocar-lhe um desgosto difícil de esquecer. Foi, talvez, sinal da mãe fortuna. No FC Porto, o húngaro Josef Sezabo ficou encantado com o seu estilo repentista e voluntarioso. Também no FC Porto começaria como interior-esquerdo, nessa necessidade tão urgente que os portistas tinham, na altura, de encontrar um outro Pinga. Mas seria a defesa direito que viria a ganhar o seu lugar, cumprindo cerca de 350 jogos na I Divisão e 39 na Selecção Nacional, tornando-se recordista de internacionalizações.
Ao fim de catorze anos no FC Porto, deixou o futebol jogado e manteve-se ligado ao clube nas mais variadas funções, até como técnico principal, na época de 1965-66, substituindo o brasileiro Flávio Costa.

PALMARÉS
Clubes principais: FC Porto (15 épocas, 347 jogos e 6 golos marcados)
2 Campeonatos Nacionais
2 Taças de Portugal
Não é Portista quem quer, só é Portista quem pode

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