Desde logo, é proposta uma medida de redução do valor das Acções de 2€ para 1€ o que corresponde a uma diminuição no Capital Social de 42 milhões para 21 milhões. Depois, o lançamento de 18 milhões de novas acções que vão “repor”, digamos assim, 18 milhões de euros aos anteriores 21 milhões. Finalmente, a emissão da Valores Mobiliários obrigatoriamente convertíveis em acções (VMOC), no valor de 55 milhões de euros que elevarão o valor total do Capital Social para 76 milhões de euros. Estas últimas acções, vencem juros de 3% ao ano, durante 5 anos mas, depois, na data do seu vencimento os seus titulares não são reembolsados do valor investido, como acontece, por exemplo, nos Empréstimos Obrigacionistas das Sad’s do Porto e do Benfica. Toda esta reestruturação financeira tem por fim último elevar os Capitais Próprios e escapar assim ao famigerado art. 35º do Código das Sociedades Comerciais bem como, aliviar por algum tempo, a pressão sobre a Tesouraria.
Como é conhecido, nos últimos anos, o investimento da banca na indústria do futebol tem vindo a diminuir drasticamente, não apenas por causa da crise generalizada, mas também porque o retorno do desporto-espectaculo é difícil de quantificar e menor do que se pensava há uns anos Filipe Nobre Guedes, mentor do plano de reestruturação encetado durante o mandato de Soares Franco, vai tentar no próximo dia 9 encerrar um dossier com mais de quatro anos, considerado fundamental para uma melhoria substancial da vida financeira do clube. O Sporting necessita de financiar-se e este foi o caminho escolhido. Com um Capital próprio negativo (23.8M€) e um Passivo Não Corrente muito substancial (110.5M€) a única coisa positiva é o relativamente reduzido Passivo Corrente (32.4M€). Daqui resulta como se pode verificar no recente RC intercalar referente ao 1º Semestre da época 2009/2010 (período de 1 de Julho a 31 de Dezembro de 2009), uma situação de falta de liquidez (tesouraria) agravado pelo facto de neste período os Custos terem sido superiores aos Proveitos, provocando um resultado operacional negativo de 5.2M€.
Com a esperada quebra nos Proveitos em face da não participação na Champions, (esperemos que pelo menos, o clube, vá o mais longe possível na UEFA LEAGUE), a situação da Sad não se apresenta nada fácil atendendo a que os Custos, mesmo com uma grande política de contenção na compra de atletas, não são fáceis de diminuir. O grande segredo está em conseguir aumentos substanciais de Proveitos e reduções significativas nos Custos, nomeadamente no plano salarial. É completamente impossível, como nalguns clubes nossos conhecidos, pagar de vencimentos aos atletas mais de 70% das Receitas Totais. Conhecendo os RC dos 3 grandes, não vejo outro ponto onde se possa reduzir esta relação Proveitos/Custos. Uma nova fonte de proveitos poderia ser uma negociação colectiva, mediada pela LPFP e o Governo, das apostas on-line. Ganhava a Liga, o Estado que aumentava a receita fiscal, e os Clubes.
Até para a semana
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