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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Voando Sobre um Ninho de Calimeros

O recente desaparecimento do realizador Milos Forman cujo script de um dos seus melhores filmes aqui adaptamos em versão livre lembra-nos alguns episódios de outro manicómio.
Tudo começa com a chegada de Chiclas ao hospital psiquiátrico. O homem não é senão um doente incurável, novamente apanhado pelas autoridades, e que, como forma de evitar a prisão e abraçar uma vida de luxo e de conforto, alega insanidade mental.
 
Do riso às lágrimas Voando Sobre Um Ninho de Cucos concretiza um estudo assaz pertinente sobre as ténues fronteiras entre a saúde e a doença mental. É recebido pelo Dr. Burnout que lhe analisa o relatório e o histórico. O documento revela uma personalidade conflituosa, preguiçosa e que fala sem autorização. Contudo Chiclas aparenta ser um homem muito inteligente disposto a colaborar a 100% com os médicos. Sofre ou não de distúrbio mental? Rapidamente se aperceberá de que, naquela clínica, a resposta pouco importa.
Encontra uma ala de homens claramente perturbados, cada um com as suas particularidades: o feio, o índio-chefe falso surdo-mudo, o frontal que adora fazer apostas, o gago apaixonado, o sorridente, o anão, ou o culto Burnout viciado em cigarros de vapor.
Arrisco dizer que mesmo que não sejam doidos os pacientes são de tal forma tratados que ou se convertem à loucura, por sua livre vontade, ou se condenam a si próprios a um sem fim de castigos que os deixarão irreconhecíveis. Refiro-me ao tratamento por choques elétricos. Os internados vivem com medo constante, obedientes a todos os estímulos que nem cãezinhos de Pavlov, sujeitos à autoridade de um sistema que os exclui e destrói.
Reúnem-se para dialogar ou para evitar o isolamento. Mas as conversas não surgem espontânea ou naturalmente. Temendo represálias os doentes abdicam das suas privacidade e vontade próprias e respondem ficando ainda mais ansiosos. Chiclas apercebe-se desta monstruosa realidade e fica revoltado empenhando-se para trazer a razão de volta ao hospital. Mas ninguém quer saber de irreverências ou de provocações.
O sistema não trata os loucos como humanos independentemente das suas perturbações. Chiclas tenta que Burnout lhes dê permissão para assistirem ao futebol pela televisão. A enfermeira concede verem o jogo os pacientes jamais a desafiariam. Chiclas imagina-se a participar no jogo gritando e vibrando com as emoções da partida atropelando todos.
 
Mais tarde viremos a descobrir que muitos dos doentes desta clínica são voluntários. Ou pelo menos começaram como voluntários. Um pouco como Chiclas. É fácil entrar. O difícil é sair. Há sempre uma forma de subverter a realidade e considerar alguém louco. Os médicos podem não ver um louco em Chiclas, podem ver alguém extremamente perigoso, e isso basta-lhes para justificar um distúrbio e a sua perpétua clausura naquele centro.
Quem não é doido, passa por doido, mas acaba inevitavelmente sem autonomia, digno de descrédito. Veja-se o que acaba por acontecer a outro internado, Burnout, quando tem a oportunidade de escapar mas deixa-se ficar naquele refúgio do mundo. Um grande filme, clássico intemporal, soberbamente realizado por Milos Forman.
 
Nota de rodapé - A Sporting-SAD convocou os seus acionistas para uma assembleia geral a 11 de Maio, que tem como finalidade adiar o reembolso no próximo 25 de Maio de 30M€ de obrigações e avançar com uma nova emissão de 60M€ até ao final do !
 
Foto montagens de JOSE LIMA

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Entradas e Saídas

Até parece que também queremos um “muro” à volta do Dragão. A bem dizer entrar não entrou quase ninguém. Sair saíram alguns (ver parte final da crónica) mas foram baratinhos ou mesmo à borliú! Se calhar até lhes demos uns vouchers da Easyjet ou da Ryanair. Vejamos primeiro as “entradas”!
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André Pereira da Sanjoanense foi das nossas camadas jovens mas vem para a equipa B. Soares ainda não provou nada e Kelvin só regressou porque ninguém o quer. Quem nos viu e quem nos vê! Olhem só para os últimos 11 anos!
Como vemos a média é de 55M€/ano. Esta época como não temos grandes nomes para vender, e mesmo com uma grande contenção nas entradas, quando apresentarmos as Contas deste 1º Semestre (1 de Julho a 31 de Dezembro de 2016) o prejuízo de 58,4M€ com que encerramos a última temporada (1 de Julho de 2015 a 30 de Junho de 2016) vai aumentar substancialmente. Para se entender melhor este raciocínio vejamos quais são os Proveitos “normais” durante 1 ano sem transações de passes.
Resulta então do quadro que estes números são insuficientes para equilibrar um Orçamento (imagem seguinte) onde só para os Proveitos com as transações (vendas) de passes projetaram 115M€. Sem esses Proveitos aquele valor no Orçamento revelou-se uma utopia. Mesmo não tendo entrado praticamente ninguém (Roberto foi emprestado para não influenciar os Custos) as vendas não cobrem as despesas. Fico com uma enorme curiosidade em ver o Orçamento que a Administração irá propor para a próxima época.
Notícia importante foi a anunciada pelo FC Porto sobre a antecipação do pagamento da última prestação do Estádio do Dragão que deveria ocorrer em Setembro de 2018. Diminuiu assim as elevadas taxas de juro e resgatou as garantias que estavam associadas ao empréstimo.

Quanto às “saídas” deste mês conseguimos despachar alguns atletas em definitivo (D) nunca esquecendo que continuamos a pagar, pelo menos, parte dos salários dos emprestados (E). Estes e mais uns 20 que por lá andam.

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