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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Uma equipa sem super herói mas com Comandante

Já passaram algumas semanas desde a saída de Hulk e o Porto teve o seu 1º teste sem o brasileiro e logo num jogo fora de casa na Champions. O que deu para ver é algo que já aqui havíamos previsto. Não é pela saída de um jogador que o modelo de jogo e a táctica da equipa mudaria, menos ainda tratando-se de um extremo como Hulk que é um jogador que vive mais para furar esquemas tácticos do que propriamente para ser parte integrante de movimentos e comportamentos colectivos.
Tal como se havia referido, ao contrário do Benfica que perdeu dois elementos nucleares a meio campo sem substitutos claros (mais grave a perda de Javi Garcia que a de Witsel) e que por isso alterou já a sua táctica de um 4-1-3-2 ou 4-2-3-1 para um 4-3-3 no jogo de Champions, alterando o modelo de jogo e os seus comportamentos com e sem bola, até pela aposta num ataque mais móvel e sem uma referência como Cardozo.
 
No Porto nada se alterou a não ser as características e a perda da qualidade de um jogador que não tem igual no mercado a que o Porto tenha acesso. Saiu um extremo e entrou outro, neste caso Varela. Contudo os comportamentos da equipa são os mesmos. Viu-se uma equipa com automatismos bem definidos, assumindo o jogo, sabendo em que zonas pressionar e dando fluidez ao jogo através dos corredores laterais, com constantes subidas de Miguel Lopes e Alex Sandro.
 
Falta ainda que James encontre o seu espaço para suceder ao Incrível como estrela da companhia e possa disfrutar da liberdade que tanto gosta para percorrer todo o ataque, mas o mais importante foi reparar que se perdeu um grande jogador que resolvia os problemas colectivos com acções individuais, mas que a equipa respondeu da única forma possível… Colectivamente. Já o havia referido, a perda de Hulk não seria tão grave para a identidade colectiva como a perda de referências a meio campo como Fernando e Moutinho, mas para isso seria necessário que a equipa respondesse presente e não acontecesse o mesmo que na época passada em que teve que ser Hulk a sair em resgate da equipa variadíssimas vezes.
 
A equipa deixou de esperar por esse super herói para ser salva nas situações de maior aperto. Ganhou a consciência de que é com os 11 jogadores que tem que encontrar as soluções para os problemas que os adversários apresentam não podendo agora esperar que um só jogador resolva todos os problemas. Tal não significa que a equipa tenha ficado órfã. Para isso ficou “El Comandante”. Não deixa de ser um sinal claro da sua importância dentro e fora do campo a opção do Porto de que, ao contrário de outros clubes que apresentam 5 capitães de equipa, que no Porto apenas 2 sejam apresentados como os capitães: Helton e Lucho.
O jogo do Porto foi mais colectivo e a equipa em vez de buscar as explosões de um jogador vindo das alas, procurou muito Lucho que foi e será o farol desta equipa. A equipa confia nele e ele faz a equipa ter mais confiança em si mesma sabendo que ele está lá para ler o jogo e para dar sempre a linha de passe e oferecer a qualidade da sua visão de jogo quer em acções ofensivas quer defensivas.
 
O que faltou ao Porto em Zagreb foi acima de tudo mais agressividade no último terço do campo. Um problema que Hulk ajudava a esconder, mas numa zona do campo em que nem deveria ser ele a resolver o problema, a zona central.
 
Falamos da questão do ponta de lança
 
O Porto na época passada não acautelou devidamente a saída de Falcao nem em quantidade nem em qualidade. Tentou a meio da época resolver o problema da quantidade acrescentando Mark Janko à equação, mas tal não resolveu a questão da qualidade. Kleber demonstrou não estar ainda à altura do FC Porto e de precisar de crescer (talvez fora da equipa, com menos pressão e mais minutos), e por isso se canalizaram grande parte dos recursos financeiros desta época na aquisição de um ponta de lança: Jackson Martinez.
 
Jackson demonstra ser um jogador com bom toque de bola, que sabe recuar e comunicar com a equipa. Tabela bem, segura bem a bola e sabe posicionar-se. Falta-lhe contudo maior agressividade a aparecer no espaço e a atacar a bola. Pode-se dizer que o Porto na época passada jogava com 10 por não ter ponta de lança e tinha que ser Hulk a fazer duas funções em campo. Com a contratação de Jackson resolveu-se a questão da inferioridade numérica e passou-se a jogar com 11, mas não passamos até ao momento a contar com um ponta de lança que marque diferenças. O lance do falhanço de Jackson em Zagreb é sintomático. Um lance em que um ponta de lança com killer instinct nunca falha. Mas seria injusto analisar a sua prestação só por esse lance. De uma forma mais alargada vê-se que lhe falta sempre ou um bocadinho de mais velocidade, um bocadinho mais de explosão para ser aquela mais valia no momento de surgir em zonas de finalização.
Falcao valia por 2. Quando Porto jogava com Falcao era como se jogasse com 12 jogadores, se acrescentarmos a ele Hulk no ataque, o Porto jogava com 13 jogadores todos os jogos. Daí a supremacia absoluta na época de AVB quer em termos domésticos quer na Europa. Não é necessário encontrar um substituto de Hulk porque ele não existe lá fora. A equipa vai encontra-lo de forma natural diluído no seu jogo colectivo, mas sem Hulk torna-se ainda mais urgente que o Porto tenha um ponta de lança que não seja apenas um ponta de lança mas o ponta de lança. A figura que a equipa possa confiar que vai resolver jogos com os seus golos e dar pontos desde que bem servido. Não basta a equipa ter ganho um jogador, é preciso que tenha ganho um matador.
 
E é a essa questão que Jackson terá que responder nos próximos compromissos e que será muito importante para aquilatar da valia desta equipa que pode viver sem Hulk mas que terá dificuldades se não tiver encontrado ainda um ponta de lança que seja uma mais-valia indiscutível. O valor que pagou por Jackson a isso exige. Não apenas passar a jogar com 11 jogadores ao contrário da época passada, mas jogar com um pouco mais que isso. É claro que ao ver falhanços daqueles torna-se impossível não olhar para o lado e ver como Saviola mesmo já na casa dos 30 foi despachado pelo Benfica para ir marcar golos e ser mais-valia no Malaga ou como Lima, figura crucial do Braga, e que poderia ser uma boa solução para o Porto, vai para o Benfica para ser suplente.
 
Deixo um destaque final para Atsu
 
Parece-me que se trata de um jogador que inevitavelmente terá que acabar por ser titular desta equipa. Não é Hulk mas dos extremos que o Porto tem é aquele capaz de provocar maiores desequilíbrios nas transições através do seu arranque e velocidade. James é um jogador que busca mais o passe, Varela um jogador mais táctico e que segura mais a bola, e falta depois aquele extremo que crie terramotos no jogo com as suas arrancadas e esse jogador é Atsu.
O texto começou com Hulk. Nada mais apropriado que acabar tem com o Incrível. Muitos quiseram fazer crer que o Porto não sobreviveria sem Hulk, ora bem, até ao momento acho que se pode dizer que tem sido Hulk a sentir mais falta da equipa do Porto que o inverso. Dois jogos no Zenit e duas derrotas. O que sustenta que Hulk pode resolver problemas colectivos com as suas acções individuais mas que por si só, não influi no modelo de jogo de uma equipa de forma decisiva, a não ser que esse modelo não exista e a equipa jogue apenas à espera de momentos concretos de um só jogador.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A saída de Hulk (parte 2)

Depois temos que ver o impacto desportivo e rendimento desportivo que o Porto retirou de Hulk e que o Benfica retirou de Witsel. Hulk despede-se do Dragão com 3 títulos de campeão, com uma liga europa, fora taças de Portugal e supertaças, sai sendo figura essencial da equipa nos vários títulos. Witsel despede-se do Benfica com uma… Taça da Liga.
Sobre a questão desportiva, obviamente que ambos os clubes ficam mais fracos. Contudo do ponto de vista da gestão desportiva o Porto acautelou a saída de Hulk com tempo. O F. C. Porto tem neste momento 5 jogadores para as alas: James, Atsu, Varela, Iturbe e ainda a possibilidade de Kelvin.
 
Já o Benfica desbaratou o seu meio campo. Ponto essencial para dar algum equilíbrio ao estilo de jogo frenético que Jorge Jesus gosta de imprimir à sua equipa. O Benfica tem neste momento apenas um trinco que se chama Matic. Depois como médio centro tem Carlos Martins. Já incluem agora B. Cesar, Enzo Perez e Aimar até como soluções. Mas são eles jogadores para dar equilíbrio defensivo numa táctica de 4-1-3-2, ou até de 4-4-2? Numa equipa que tem dois laterais tremendamente ofensivos? Para além disso, o Benfica já tinha um problema na defesa que não resolveu que foi o do lateral esquerdo, fora que não tem no plantel principal alternativa a Maxi Pereira e ainda tem que contar com uma possível baixa de Luisão.
 
Jorge Jesus terá que com o campeonato a decorrer, alterar de forma significativa o modelo de jogo da equipa e possivelmente o próprio desenho táctico para conseguir dar algum equilíbrio defensivo á equipa. Tem um plantel desequilibrado em que abundam jogadores de características ofensivas mas em que os jogadores de características defensivas foram esquecidos.
 
Já o F. C. Porto sentirá a ausência de Hulk por aquilo que ele dava ao jogo. A capacidade de em lances individuais resolver problemas do jogo colectivo. É um desafio para Vítor Pereira, não encontrar substituto para Hulk, mas acima de tudo, fazer o colectivo funcionar melhor, porque na época passada Hulk resolveu jogos atrás de jogos quando a equipa não funcionava como devia. Hulk era um jogador demasiado grande para a nossa Liga e que por isso marcava diferenças e era um garante que o Porto com mais ou menos dificuldades ganharia o campeonato.
Mas em termos puramente estratégicos e de treino e de consolidação de um modelo de jogo, a perda de Hulk não apresenta um rombo tão grande como a perda de referências no meio campo que mexem mais com o modelo de jogo. Hulk não comunicava com a equipa, era como que um espírito livre. A equipa fazia o seu trabalho e dava espaço para que Hulk resolvesse jogos com acções individuais. Contudo o Incrível nunca foi peça fulcral no funcionamento colectivo da equipa ou numa identidade de jogo.
 
Por esse motivo, a meu ver seria bem mais complicado substituir um Fernando ou um João Moutinho do que Hulk. Não temos que mudar de táctica nem alterar o modelo. É a saída de um extremo para a entrada de outro. Deixemos é de ter aquela arma que nos permitia ganhar jogos em duas ou três acções no jogo. Jogará outro extremo, com menos capacidade de decisão, mas não alterará a táctica da equipa.
 
O substituto de Hulk já está dentro do clube há dois anos e está preparado para explodir. Chama-se James Rodriguez. Era complicado fazer coincidir ambos numa táctica de 4-3-3 quando James prefere jogar no espaço interior e o próprio Hulk tem como jogada característica a de puxar para o meio e disparar com a sua canhota.
 
James vinha reclamando mais liberdade para poder criar desde trás e poder deambular por todo o ataque. Com a saída de Hulk o que acontecerá será que James gozará dessa liberdade, enquanto no outro extremo ficará Varela ou Atsu, extremos que darão profundidade e largura ao jogo podendo assim James jogar mais pelo meio e até ir ensaiando (tal como nos últimos jogos) algumas permutas ao longo do jogo com Lucho, passando James para o meio e abrindo Lucho mais na direita, fazendo com que em alguns momentos o 4-3-3 do Porto pareça um 4-4-2. A questão é que esta adaptação progressiva de James a uma função onde se sente mais cómodo tem vindo a ser feita com tempo, já a contar que o Porto teria que mudar e ter outras nuances já a contar com a saída de Hulk. Assim James terá finalmente o espaço que tem vindo a reclamar e será ele que substituirá Hulk no que diz respeito à responsabilidade de ser o craque da equipa capaz de desencravar jogos complicados com as suas acções. Com uma diferença, James é mais um jogador de criação, enquanto que Hulk era um jogador de desequilíbrios.
 
Por tudo isso, o Porto fez um excelente negócio. Com uma venda apenas equilibra as finanças do clube e mantém um plantel equilibrado com dois jogadores por posição ao contrário de outros concorrentes ao título. Não temos nem a mais nem a menos, temos um plantel com a medida certa. Pior seria a venda de Moutinho, pois por si só não resolveria os problemas financeiros, teríamos ainda que partilhar parte do lucro com o Sporting e não encontraríamos no plantel uma solução óbvia para o seu lugar sem ter que alterar substancialmente o modelo de jogo da equipa. O mesmo se aplicaria a Fernando, como aliás foi notório no jogo em Olhão.
Uma saída de um deles, obrigaria a várias adaptações como a passagem de Danilo para o meio, oferecendo outra dinâmica e obrigando Lucho a jogar de forma diferente. Se o ausente fosse Fernando aí não teríamos um trinco que pudesse oferecer características minimamente semelhantes. Assim perdemos o melhor jogador da Liga mas não perdemos necessariamente a equipa nem o equilíbrio. Cabe agora a Vítor Pereira conseguir melhorar o jogo colectivo para que não seja tão necessário que um só jogador resolva os problemas que a equipa não consegue resolver.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A saída de Hulk.(parte1)

5ª maior transferência de todos os tempos. Acima apenas CR7, Zidane, Kaká e Ibrahimovic. Falamos de 3 jogadores que já foram considerados os Melhores do Mundo (dois deles que serão considerados já dos melhores de todos os tempos). Pois bem, Hulk sai do Porto, da liga portuguesa (não da inglesa, italiana ou espanhola) por 60 milhões de euros numa época de recessão. Este simples facto, por si só, já deveria valer uma notícia e o elogio inequívoco da qualidade do jogador, da capacidade tremenda da estrutura F. C. Porto na detecção e promoção de talento e ainda uma prova mais da enorme capacidade negocial do F. C. Porto que sempre fez escola.
 
Mas não. Não podia ser assim. Obviamente que teriam que aparecer alguns iluminados a mando de outro clube, tentarem desvirtuar o peso dos factos. A estratégia está gasta, mas parece que ainda serve para vender jornais aos adeptos desse clube que tem um presidente que já um dia disse que Mantorras valia 20 milhões de contos, ou que tinha uma equipa maravilha e que seria campeã da Europa… Um clube que vive de ilusões e de poucos títulos nos últimos 20 ou 30 anos.
Apesar de tudo devo confessar que não pensei que esse clube e a imprensa que trabalha em prol dos interesses desse clube, tivessem os seus adeptos/leitores em tão baixa consideração. Uma primeira página de jornal ao dizer que Witsel rendeu o mesmo que Hulk foi ainda mais ridícula que outra 1ª página anterior em que se dizia que o Benfica rejeitara uma proposta de 90 milhões por 3 jogadores (um deles já vendido, outro que nem convocado é e outro que acaba de ter um concorrente de seu nome Lima).
 
De um momento para o outro descobrimos que afinal as transferências não se medem pelo valor que um clube paga para contratar um jogador… Medem-se pelo valor líquido que entra nos cofres do clube. Assim sendo, nessa lógica retorcida, toda a imprensa mundial está enganada. Hulk não foi vendido por 60 milhões mas sim “apenas” por 40 milhões. Afinal o Porto só tinha 85% do passe…Pois se por 85% do passe o Zenit pagou 40 milhões, então como é que anunciaram a aquisição de 100% do passe do jogador? Melhor ainda, como é que o Porto informa a CMVM que o mecanismo de solidariedade e outros encargos ficarão a cargo do Zenit (algo que horas antes já o empresário de Hulk o havia confirmado). E atenção que não é o F. C. Porto que costuma ser constantemente sancionado pela CMVM por falsas informações…
 
É uma prática comum na imprensa do regime. A de esmiuçar as transferências do F. C. Porto para tenter diminuir os méritos das negociações. Afinal descobriram que os empresários recebem 10% de comissão, que existe uma percentagem que é detida por fundos e investidores que têm direito a receber uma fatia do bolo…É engraçado que tenham descoberto isso tudo, mas que ainda não se tenham apercebido que isso acontece em todos os negócios no mundo do futebol. Ou acham que o Manchester United recebeu na totalidade o valor que o Real Madrid pagou por CR7? E os 10% do Jorge Mendes? E o mecanismo de solidariedade?
Porque é que o mesmo jornal, anunciou a venda de Javi Garcia por 20 milhões mais variáveis? Segundo a nova lógica de que o valor da transferência é o que entra nos cofres do clube e fica lá, então deveriam informar os seus leitores que o Benfica já não detinha há algum tempo os 100% do passe do Javi Garcia e como tal desses tais 20 milhões podem logo tirar fora 20%. Para além disso poderiam informar que, como em todas as transferências, o empresário de Javi tem direito aos seus 10% e esses 10% saem do bolo total da transferência. Ou seja, o Benfica recebe e depois tem que distribuir. O City negoceia com o Benfica, acorda um preço, mas depois cabe ao Benfica distribuir o que se destina a terceiros.
 
Mas podemos falar noutros negócios… Fábio Coentrão. Outro excelente negócio… 30 milhões. Acontece que F. Coentrão foi formado no Rio Ave e como tal o Benfica dos 30 teria sempre que retirar uma parte para o Rio Ave, fora isso o passe de Coentrão também não pertencia na totalidade ao Benfica, já tinham sido alienados 20%. Como tal, os 30 milhões nunca entraram nos cofres da Luz. Porque é que não noticiaram o negócio desta forma? Para o Porto as transacções contam-se de uma forma, para o Benfica é de outra forma.
 
O Benfica vive num mundo aparte, um mundo em que não existem mecanismos de solidariedade, comissões de empresários, prémios de assinatura, fundos de investimento etc etc. É quase como jogar um simulador como o Football Manager. O dinheiro entra logo na conta e a pronto. Era tão interessante que se deixassem de hipocrisias. O Porto no negócio de Falcao vendeu o colombiano por 40 milhoes mais variáveis, mas também apenas recebeu líquidos cerca de 20 milhões, um pouco mais. Porque tinha compromissos com terceiros no que diz respeito à realização de uma mais valia e ainda tinha que distribuir as despesas de intermediação e ainda o mecanismo de solidariedade. A diferença é que isso, nós vemos nos jornais, já os do clube da 2ª circular, nada se sabe. E ainda se fala em transparência para aqueles lados…
Por isso não deixa de ter a sua piada, ver o vice-presidente Rui Gomes da Silva tentar colocar em causa o valor da transferência de Hulk quando o F. C. Porto informou de forma clara a CMVM dizendo que apenas detinha 85% do passe e que por isso receberia a verba líquida de 40 milhões de euros e que os restantes encargos ficariam entregues ao Zenit. Já o Benfica informa que recebe o valor da clausula de 40 milhões, mas fica por saber quanto é que detinha do passe do atleta, se tem que pagar algo ao investidor que o auxiliou na aquisição do médio belga e quanto deverá pagar pelo mecanismo de solidariedade. Por estes motivos, de todas as formas, qualquer notícia que tente comparar a venda de Witsel à de Hulk colocando-a no mesmo patamar é mentirosa.
 
Mas entende-se a estratégia. Seria difícil explicar aos benfiquistas que o seu clube ficou com um deserto a meio campo e preferiu gastar 4,5 milhões num avançado de 29 anos em fim de contrato ao invés de contratar um lateral esquerdo…
 
Pior é ver a rede de influência em termos de comunicação que o Benfica tem. Quando vejo a Sic Notícias a colocar imagens de Pinto da Costa a dizer que rejeitou uma proposta de 50 milhões por Hulk e que afinal acabou por vender por 40… Enfim. Ou quem tem o dever de informar é incompetente, ou é mal intencionado e claramente está a dar a notícia que alguém lhe soprou ao ouvido para dar. De qualquer das formas é tratar os telespectadores como burros.
Pinto da Costa em nada se contradisse no que diz respeito à proposta. O F. C. Porto aceitando uma proposta de 50 milhões para o Hulk, tendo em conta que só detém 85% do passe e que 15% do valor seria para o fundo de investimento, ficaria apenas com 30 milhões líquidos. Valor inferior à transferência global de Falcao. Ao vender por 60 milhões, vê entrar o valor líquido de 40 milhões. Pinto da Costa aceitou uma proposta de 60 milhões. O resto terá que ir para quem de direito, mas a proposta aceite é de 60 milhões. Porque caso contrário teria que dizer que LFV também vendeu Witsel por menos que a clausula, porque pelo que já se foi sabendo apenas 26m entrarão nos cofres da Luz, porque tem ainda que pagar o mecanismo de solidariedade e tem ainda mais valia que tem que ser partilhada com o investidor e a percentagem do empresário…Sim porque também já li algures que por ser o valor da clausula o empresário não recebe nada…Lembro apenas quanto ganhou Jose Veiga quando Figo trocou Barcelona por Madrid também pelo valor da multa rescisória…
 
Mas até nisso “A Bola” tentou ser original e inventar uma notícia insólita. É que afinal o Zenit até ia pagar o mecanismo de solidariedade… Como? Então o Zenit não bateu a cláusula segundo informações do Benfica? Se bateu a cláusula não tem que pagar seja o que for a mais ninguém. Isso é problema do Benfica. Seria original um clube bater o valor de uma cláusula mas depois por caridade aceitar ser ele ainda que paga o mecanismo de solidariedade e ainda demais encargos com terceiros Esse jornal já perdeu totalmente a noção do ridículo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

¡¡Hala Madrid!!: O que realmente interessa

Já na crónica anterior eu tinha dito que o Real Madrid CF deveria reforçar os sectores que precisem de ser reforçados e não andar a gastar tempo e dinheiro com o que não interessa. Felizmente esta minha escrita surtiu algum efeito porque Modric passou a fazer parte do passado, contudo parece ter surgido outra panca…

Agora fala-se de Witsel para o meio campo Merengue. Sinceramente não desgosto deste Jogador, mas quem tem Xabi Alonso, Khedira, Mesut Özil, Granero, Kaká (ainda não está confirmada a sua saída) e Şahin como opções de peso para este sector do campo não precisa obviamente de ajudar os pobres da Luz com mais uma “esmolinha”. 

A meu ver existe um outro sector bem mais importante que necessita de ser reforçado com urgência. San Iker (como é conhecido Iker Casillas) precisa com caracter de urgência de ter no banco de suplentes alguém á sua altura. Coisa que Antonio Adan não é nem nunca será por muito que o Madridismo o admire e proteja. Adan não tem estatuto nem capacidade de comando e tal ficou bem patente no desastroso jogo que os Blancos fizeram na Luz… Não houve uma única bola cruzada para a área de Adan que fosse rapidamente interceptada com eficácia pelo GR e pelos Defesas.

Adan a ficar no plantel principal será como 3º Guardião e nunca como uma alternativa fiável a Iker.

Daí que se coloque a questão: A Casablanca mostra uma enorme vontade de em tempo de crise aguda atirar com milhões de euros pela janela fora para adquirir um médio quando dele não precisa e ignora por completo a necessidade de se contratar um suplente para Casillas? Será que o Marketing se sobrepõe á montagem de um Plantel seguro que permita á equipa ganhar todas as Competições em que está envolvida?

A meu ver não e espero bem que em Madrid se acorde de vez para a Vida.

E já agora fica aqui a minha sugestão para o suplente de San Iker: Pepe Reina! Nasceu em Madrid, é actualmente o GR de um Clube que não ganha absolutamente nada e que está a passar por graves problemas financeiros. Para além de já estar habituado a ser suplente de San Iker em La Roja, contratar Reina seria uma excelente oportunidade de cravar uma espinha na garganta do FC Barcelona pois este Guardião fez toda a sua formação na Catalunha.    

Para terminar deixo aqui esta enorme verdade dita por Mário Balotelli. O rapaz pode ser meio maluco mas de burro tem muito pouco como podemos ver!

segunda-feira, 14 de maio de 2012

¡¡Hala Madrid!!: Preparar o Futuro

Depois de uma temporada onde o Real Madrid CG alcançou o tão almejado Título de Campeão nacional espanhol, eis que chegou a hora de reflectir sobre o futuro. Naturalmente que José Mourinho já deve ter a próxima época preparada há muito tempo, mas o facto é que na última conferência de imprensa este deu a entender quem irá sair e ficar no clube,

Se na baliza ficou bem patente que não haverão mexidas, o mesmo não se pode dizer da defesa onde a contratação de um defesa direito e um central vão ser uma prioridade. Isto porque Arbeloa cumpre mas não tem um suplente á altura e porque Ricardo Carvalho iniciou a fase descendente da sua carreira restando-lhe apenas terminar em grande num outro Clube. 

Precisamente para reforçar a posição de Arbeloa tem-se falado de Ivanovic do Chelsea. Uma excelente contratação a meu ver pois este Jogador tanto joga a defesa direito como a central. È uma espécie de Sérgio Ramos só que não sofre da mesma vertigem do Espanhol que por vezes prejudica a Equipa Merengue quando este resolve sair tresloucadamente da sua posição com a bola dominada. Vamos a ver se a transferência do Sérvio se concretiza ou se surgirá outro nome.

Quanto ao central para ocupar o lugar de Carvalho, Raul Albiol e Varane poderão muito bem preencher esta vaga. E acrescente-se que tanto um como o outro tem muito potencial e acredito que quando forem chamados á titularidade que não ficarão nada atrás de Pepe e Ramos.   

Passando para o meio campo, eis que Mourinho passou a ideia de que Kaká estará de saída. È uma pena, mas o Português acha que o Brasileiro não tem tido a força necessária para fazer parte do plantel do Real Madrid CF que vai atacar todas as frentes na próxima Temporada. Contudo o Real tem muitas opções neste sector e ainda para mais tem-se falado muito em Witsel que tem feito um bom Campeonato na Liga Portuguesa. 

Se o Belga vier mesmo para a Capital Espanhola eis que chegará então a hora do El Pirata Granero que terá de estar á altura de substituir Mesut Özil quando o Alemão não puder jogar. Pessoalmente deposito muita confiança no Granero que é mais um excelente produto da Cantera Madridista. Um pouco de trabalho e confiança e Granero poderá tronar-se num dos grandes Jogadores Blancos.

Para o fim temos o ataque. Mourinho disse e bem que será impossível o ataque da Casablanca fazer melhor do que aquilo que fez na época que agora terminou. Ronaldo, Benzema, Di Maria, Higuaín e Callejón fizeram do Real Madrid uma máquina de marcar golos que arrasou por completo em La Liga BBVA e que na Champions caiu apenas nas Grandes Penalidades.

Como dizem os Brasileiro, se mexer estraga. Sendo assim no que diz respeito ao ataque penso que será mais sensato manter tudo como está do que andar a gastar dinheiro com reforços que serão caros e pouco uteis. Alimentar ilusões pode ser perigoso e como Madridista não quero isto porque para mim o Clube está sempre á frente de tudo.