
Foram claramente dois pontos perdidos.
Antes de o jogo começar, se me dissessem que o resultado final seria um empate, pensaria que se tratava de um resultado positivo. Porque o jogo era em Lisboa, porque mercê dos resultados da última jornada o SLB precisava mais da vitória. Finda a partida fiquei com um amargo de boca porque este resultado me soube a muito pouco.
Quando vi a equipa inicial do Porto temi um pouco. Vi demasiadas mudanças e ainda que concordasse com quase todas elas, tive dúvidas quanto ao acerto do timing. Afinal tratava-se de um jogo com uma grande pressão emocional e em que pequenos deslizes se costumam pagar caros. Mas pensei também que esse poderia ser um factor de motivação, e não de inibição, para os que se estreavam na equipa. Parece-me que foi isso o que sucedeu, com Rolando e Fernando a merecerem nota claramente positiva, principalmente o primeiro.
Temi também o que isso significaria em termos tácticos. Eu gosto de Jesualdo Ferreira, mas custam-me a entender as suas "adaptações" ao estilo de jogo dos adversários de maior nomeada. No entanto, depois de ver o jogo há que reconhecer que a sua leitura táctica foi correcta. O posicionamento dos jogadores portistas encravou o jogo benfiquista, que rapidamente mostrou não dispôr de mais soluções que não fossem as bolas paradas ou algum lance de cariz fortuito.
O FCP, após o ímpeto inicial do SLB, dominou claramente toda a primeira parte. Marcou um golo numa penalidade muito bem executada e podia ter ampliado a vantagem, primeiro por Rodriguez num lance em que Quim defendeu e, posteriormente, num remate ao poste de Licha após fazer uma excelente diagonal.
Pelo meio o SLB foi tentando fazer pela vida mas notava-se que só existia verdadeiro perigo nos lances de bola parada. Nota elevada, portanto, para a segurança defensiva dos azuis e brancos, um ponto em claro crescendo nesta equipa. E esta segurança defensiva tem que ser associada ao regresso de Fucile (que é bem melhor do que Benitez) e a uma estreia sem mácula de Rolando, sempre muito atento e com uma serenidade de verdadeiro campeão.
No meio campo Fernando colocava Aimar num bolso e ainda tinha tempo para executar com simplicidade o primeiro momento de construção ofensiva do Porto. Meireles, como sempre, aparecia onde era preciso, principalmente a defender, de que um excelente corte sobre Di Maria é um perfeito exemplo. Do lado oposto do meio campo Tomás Costa não esteve tão bem. Razoável a defender e com uma entrega notável ao jogo, o argentino errou demasiados passes condicionando asim a transição ofensiva dos portistas. Lucho era o pêndulo da equipa. O jogador que marca os ritmos e o que descobre linhas de passe onde elas parecem não existir. Notável também na entrega defensiva. Fantástica a serenidade e a força psicológica com que marcou a grande penalidade e fantástico também o passe a desmarcar Lisandro quando este fez a bola embater no poste da baliza de Quim.
Na segunda parte Jesualdo Ferreira trocou Tomás Costa por Guarín. Uma substituição lógica pelo que o primeiro vinha fazendo e que o segundo logo tratou de justificar quando ganhou uma bola dividida pela direita e a colocou nos pés de Lisandro que, à entrada da pequena área, rematou por cima. De todas as formas, o lado direito do meio campo azul e branco ganhou consistência ofensiva nada tendo perdido defensivamente.
Só que, depois, Helton cometeu um erro enorme, colocando uma bola que era sua na cabeça de Cardozo. O paraguaio não desperdiçou a oferta. Talvez o guarda-redes portista tenha ficado confundido com a movimentação de Bruno Alves aquando do cruzamento, mas a verdade é que aquela bola era sua e não era para sacudir, era para agarrar. Mas ainda que fosse caso de a sacudir, mandam as regras mais elementares da lógica que não o seja para a zona frontal da baliza.
Logo a seguir Katsouranis foi bem expulso e os jogadores do Benfica estouraram. Lesões musculares, câimbras, puro esgotamento, foi um fartote de excelente preparação física... Só que o Porto não conseguiu marcar o golo que lhe desse os bem justificados três pontos. Houve alguma precipitação no último passe e houve algum individualismo desnecessário, principalmente de Candeias, um jogador que promete, e muito, mas que ontem, a meu ver, não entrou bem no jogo. Hulk, uma vez mais, entra e abana com a partida. Notório o pânico que semeia nos adversários pela forma como cola a bola ao pé o que, aliado à sua força física, capacidade de drible, velocidade e espontaneidade de remate o tornam um perigo permanente. Precisa apenas de se tornar um pouco mais consequente. De todas as formas, nota positiva.
No final, fica a sensação que os três pontos estiveram ao nosso alcance, que a equipa os mereceu e que, se tivesse tido um pouco mais de sorte, podia ter construído um resultado bem mais dilatado. Fica também a certeza que, ainda que tenhamos muito campeonato pela frente, neste momento o FCP e o SLB são equipas de patamares bem distintos. Aliás, o SLB é um conjunto de jogadores que aguentam 60 minutos de alta intensidade competitiva. Mas, apesar dos nomes sonantes, jogar à bola é coisa que se teima em não fazer para os lados da Luz. O FCP é uma equipa, uma boa equipa que tem uma enorme margem de progressão a curto prazo. Eu acredito nesta equipa. E acredito que Jesualdo Ferreira é o homem certo para a fazer crescer ainda mais.
1 comentário:
Em ainda bem que o jogo não foi de taça e não teve prolongamento, caso contrário a equipa do Benfica a tal que estava muito bem fisicamente, tinha ido toda para o hospital.
Um abraço
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