sábado, 20 de setembro de 2008

Jesualdo Ferreira: «Não o tememos, evidentemente, mas respeitamo-lo»

Sem perceber a razão por que os clubes continuam a criticar a paragem do campeonato, Jesualdo Ferreira lembrou que o calendário já estava decidido há muito tempo e todos tinham obrigação de se preparar para o que vinha. No que lhe diz respeito, assegura que o F.C. Porto fez o seu trabalho e está pronto para o jogo frente ao Rio Ave.

Na conferência de imprensa de antevisão do desafio contra a formação vila-condense, realizada este sábado, no Olival, o treinador dos Tricampeões Nacionais analisou ainda o adversário, vincando estar consciente das qualidades do Rio Ave: «Não o tememos, evidentemente, mas respeitamo-lo».

Já estava com saudades do campeonato?
Não. O calendário já estava decidido há muito tempo e estava preparado para controlar as emoções de cada uma das competições.

Mas considera que esta paragem foi benéfica?
Para nós foi.

Porquê?
Porque cumprimos o projecto de recuperação que tínhamos delineado para os jogadores que foram às Selecções, porque tivemos oportunidade de desenvolver algum trabalho táctico que antes não era possível e porque ganhámos o jogo que se seguiu. Foi óptimo.

A equipa está recuperada fisicamente do jogo frente ao Fenerbahçe?
Está dentro daquilo que são os limites de recuperação de uma equipa que joga com três dias de descanso entre competições. De uma forma geral, e não só em relação ao F.C. Porto, é natural que nesta primeira fase a recuperação seja mais difícil, mas à medida que a densidade de jogos for aumentando essa recuperação tornar-se-á mais fácil, porque se vão acumulando capacidades.

O Rio Ave é uma equipa que se costuma agigantar frente aos ditos grandes. Qual vai ser a receita do F.C. Porto para ultrapassar este adversário?
O Rio Ave pode ter surpreendido muita gente, por ter vindo da Liga de Honra e ter um treinador novo (em idade), mas no que a nós nos diz respeito, pelo que pudemos observar, sabemos que é um adversário difícil, com jogadores experientes (como o Gaspar, o Evandro e o Niquinha, por exemplo) e de qualidade, tem uma equipa agressiva e bem organizada e é, por isso, um adversário que respeitamos. Não o tememos, evidentemente, mas respeitamo-lo. Preparámo-nos, portanto, convenientemente para alcançar o nosso objectivo, que é ganhar.

O treinador do Rio Ave lançou algumas críticas em relação à paragem do campeonato, chegando mesmo a afirmar que os clubes pequenos servem para ser comidos pelos clubes grandes. Vê algum fundamento nestas declarações?
Como já referi na última conferência de imprensa, considero que o facto de não haver competição é negativo, por um lado, e positivo, por outro. De qualquer forma, não me parece que esta seja a altura ideal para discutir essas questões. As estruturas que têm essa responsabilidade devem discuti-las previamente e não depois de as competições já estarem a decorrer. O F.C. Porto também tem de cumprir o calendário estipulado. Aliás, recordo que no ano passado fizemos oito jornadas consecutivas a ganhar no período de maior densidade competitiva. Todos têm de se preparar convenientemente para estas situações. Eu fiz o meu trabalho; logo, para mim, a paragem foi boa.

Desde que assumiu a equipa, é a primeira vez que o F.C. Porto não está na liderança do campeonato. Isso muda alguma coisa em termos de preparação para os compromissos que se seguem?
Não. Ser líder nesta fase do campeonato não me parece ser tão importante quanto isso. Essa questão coloca-se porque os adeptos estão habituados a ver o F.C. Porto na liderança. Estivemos 1007 dias nessa posição e vamos ver quando é que voltamos para lá.

Teve alguma conversa com os jogadores a propósito dos assobios ouvidos na última quarta-feira, no Estádio do Dragão?
Conversa em particular não, mas houve um sentimento geral na equipa, que deixei expresso nas declarações que proferi após o jogo. Fi-lo de uma forma positiva e nunca depreciativa. Que fique bem claro que nada afirmei contra os sócios do F.C. Porto, muito pelo contrário. Sabemos que estão habituados a ganhar e são, por isso, muito exigentes. Querem sempre ver a equipa a jogar bem e não permitem sequer que o adversário procure discutir o resultado. Quando esse quadro não se verifica, é natural que reajam. Há momentos em que essas reacções são fundamentais, pois estimulam os jogadores, há outros em que não. Quando os quadros emocionais sobem a determinados níveis, não é assim que resolvem as questões. Os últimos cinco minutos do jogo frente ao Fenerbahçe foram difíceis para o F.C. Porto, por mérito do adversário. Nesse momento, a concentração começou a faltar e sentimos mais os assobios, pois começámos a jogar contra dois adversários.

Não é Portista quem quer, só é Portita quem pode

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