domingo, 21 de dezembro de 2008

Estrelas do Passado: Dorival Yustrich

Dorival Knipel (Corumbá, 28 de Setembro de 1917 — Belo Horizonte, 15 de fevereiro de 1990), conhecido por Yustrich, foi um futebolista Brasileiro. Jogou como Guarda Redes de clubes cariocas, mas notabilizou-se por ser um Treinador exigente e pelo seu temperamento explosivo, tendo protagonizado diversas histórias que fazem parte do folclore do futebol brasileiro.

Dorival Knipel começou a jogar futebol aos 18 anos como Guarda Redes do Flamengo, onde jogou até 1944. Ganhou o apelido de Yustrich por causa da sua semelhança física com Juan Elias Yustrich, famoso Guarda Redes argentino do Boca Juniors. Neste período conquistou os títulos cariocas de 1939 e o tricampeonato de 1942 a 1944. Em 1944 foi para o Vasco da Gama, transferindo-se depois para o América, também do Rio de Janeiro.

Na década de 1950, já era Treinador de futebol, com fama de disciplinador e durão: não permitia que os atletas sob o seu comando fumassem, deixassem a barba por fazer e usassem cabelo comprido. Não tolerava atrasos e falta de empenho nos treinos. Arrogante e de temperamento explosivo, gostava de exibir sua valentia. Era apelidado de "Homão" por causa do seu Machismo e pelo seu quase 1,90m de altura e o seu físico avantajado. Envolvia-se em constantes atritos com jogadores, colegas, dirigentes e imprensa.

Em 1953 foi expulso do Atlético Mineiro pelos próprios jogadores, que estavam descontentes por verem verem alguns dos seus colegas serem preteridos pelo Técnico.

Em 1955 estava no Futebol Clube do Porto, para fazê-lo Campeão em 1956, após um jejum de 16 anos. No mesmo ano, o Porto venceu a Taça Portugal e pela primeira vez fazia a chamada dobradinha, ao conquistar no mesmo ano os dois maiores títulos de Portugal.
Mesmo com essas conquistas, Yustrich era mal visto por alguns de seus jogadores, entre eles Hernani Silva, o ídolo da equipa. Em 1958, o Porto goleou o Oriental por 5 a 0 e Yustrich mandou os seus jogadores agradecerem ao público o apoio que lhes tinha sido dado. Hernani foi o único a não cumprir a ordem porque não estava para «alimentar as palhaçadas do treinador». Foi o suficiente para se iniciar uma discussão áspera que culminou com um troca de socos. No final da temporada, Yustrich foi dispensado.

Yustrich foi Seleccionador do Brasil numa única partida e de uma maneira peculiar. Em dezembro de 1968, o Atlético foi convidado a representar o Brasil num amistoso contra a antiga Iugoslávia. Vestindo a camiseta canarinho, o Atlético venceu por 3x2.

Em 1969, na preparação da Selecção Brasileira para o Campeonato do Mundo de 1970, então dirigida por João Saldanha, foi programada uma partida contra a Selecção mineira., no Estádio do Mineirão. Mas quem entrou em campo, vestindo a camisola vermelha da Federação Mineira, foi o Atlético, que venceu a Selecção do Brasil que se tornaria Campeã do Mundo. No final da partida, Yustrich obrigou os seus jogadores a darem a volta olímpica no relvado, usando a camisa alvinegra do Atlético que vestiam por baixo da vermelha da Seleção de Minas. O Mineirão quase veio abaixo. Isto valeu-lhe a inimizade de João Saldanha.

Já em final de carreira, treinou o Corinthians e o Coritiba. Em 1977, estava novamente no futebol mineiro, desta feita no Cruzeiro, onde, já de início, tomou uma medida que desagradou aos jogadores: proibiu o jogo de sinuca na concentração. Mas naquele ano o Cruzeiro sagrou-se Campeão mineiro.
Do Cruzeiro, Yustrich foi dispensado por causa de uma discussão em torno de um facto banal; após um jogo em Araxá, um jogador deu a camisola a um míudo que invadira o campo, e Yustrich mandou o roupeiro buscar a peça. Mas o Presidente do clube não permitiu e sendo assim armou-se a confusão e o Treinador foi demitido ali mesmo à frente de todos.

Yustrich encerrou no Cruzeiro a sua carreira de Treinador. Retirou-se para o mais completo anonimato e só foi notícia novamente aquando da sua morte, em 1990. Este isolamento é a razão de serem hoje incompletas e distorcidas as informações sobre ele, aliado ao facto de nutrir antipatia pela imprensa, a ponto de proibir os repórteres de entrevistar os seus jogadores e até de ficar nas proximidades dos vestiários. Alguns cronistas Desportivos chegam a atribuir a Yustrich a nacionalidade Argentina, numa evidente confusão com o seu homônimo do Boca Juniors, também já falecido.

Não é Portista quem quer, só é Portista quem pode

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