segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As Contas da Federação Portuguesa de Futebol

Hoje lá venho eu, outra vez, falar de contas. Desta vez das contas da FPF. Alguns profetas da desgraça, estou a referir-me a um artigo publicado no JN do dia 31 de Julho sobre o eventual despedimento de CQ, sob o título “Indemnização seria “falência” para a FPF”, onde um senhor que escreveu o artigo deve perceber tanto de Contabilidade e Finanças como eu percebo do comportamento psíquico do escaravelho da batata na estratosfera, acham que este é o verdadeiro problema deste caso.

Então diz ele: “os mais de três milhões a que Carlos Queiroz teria direito ultrapassam largamente os 97.522 euros que a FPF prevê de lucro no Exercício de 2009/2010”. O que são estes 97.522 euros? O resultado previsto no Orçamento da Federação para este ano. Valerá a pena dizer ao cavalheiro que a análise da situação financeira de qualquer sociedade, se vê através do Relatório e Contas e não no Orçamento? E explicar-lhe que um Orçamento é uma previsão e um Relatório um resultado?

Adiante que a procissão está atrasada e o Santo quer mijar! Vamos ao que interessa sem expressões muito técnicas para que toda a gente perceba. Os Activos (aquilo que possuímos ou o que nos devem), atingem no último RC 43.3M€ e o Passivo (que é aquilo que devemos a terceiros mais Provisões para Riscos e Encargos), são só 20.3M€. Os 3M€ para, eventualmente, indemnizar Carlos Queiroz é uma gota de água. Mas há mais: A FPF possui um Capital Próprio de 17,3M€. Nas notas explicativas do balanço, diz (pág. 20) acerca do capítulo d) Provisões para Riscos e Encargos:

“As provisões constituídas para outros riscos e encargos foram efectuadas pela melhor estimativa possível à data de realização do Balanço e visam, com um grau de prudência que se considera adequado, precaver os exfluxos financeiros que a FPF suportará com Fundos de Pensões, com Processos Judiciais que se encontram em curso e, com eventuais riscos provocados pela actual conjuntura económica”.

Em relação ao anterior exercício e, como constou do seu programa de actividades, a FPF conseguiu uma redução de 7M€ nos Custos nas actividades desportivas e 2M€ nos Custos Administrativos. Como nas nossas casas, o equilíbrio, é a palavra de ordem. As receitas tem que ser maiores do que as despesas ou, como se costuma dizer, “não se deve gastar mais do que se tem”.

O tal senhor do JN ainda se deu ao luxo de escrever a terminar o seu artigo:

“Bem feitas as contas, pensar numa rescisão unilateral é algo, face à conjuntura actual, inadmissível, já que originaria um verdadeiro colapso financeiro da FPF – a falência total do organismo liderado por Gilberto Madaíl”

"Oh inclemência! Oh martírio! Estará por ventura periclitante a saúde desse nobre e querido menino que eu ajudei a criar?" (*) É com jornaleiros destes que nos temos de confrontar. O “problema” do senhor é a indemnização! Quero deixar aqui o meu aplauso para o companheiro de debate no Mística The Blue One pela defesa intransigente que tem feito de Carlos Queiroz (é a sua opinião), bem como o meu apreço para as esclarecidas intervenções do Dr. José Manuel Meirim, de Carlos Janela, e do amigo António Boronha no debate de no debate de Sexta-feira à noite na RTP-N. Quanto aos outros a gente já sabe do que a casa gasta

(*)
Pai Tirano

4 comentários:

rui disse...

Não convem divulgar o nome do "jornalista" que escreveu o artigo do JN.Ainda vai parar ao Ministerio das Finanças.
Quanto á Fpf,o que eu não consigo perceber é o seguinte :
Se o mandato do Rocinante acabou pq razão se mantem no cargo ?
Não deveria haver eleições ?
Outro assunto :se os tribunais verdadeiros absolveram o Boavista e João Loureiro,o que espera a Fpf para reintegrar o clube na Liga da Cerveja ?

JOSE LIMA disse...

Caro Rui
Compete ao presidente da AG convocar eleições que, provávelmente, decorrerão em Novembro. Não sei se haverá candidatos, tal como aconteceu nas últimas eleições onde, Madaíl concorreu sem oposição. O actual período conturbado da FPF com a não adequação ao novo Regime Juridico que, como se sabe, foi chumbado por duas vezes pelos clubes e, a perca da categoria de Utilidade Pública e dos subsídios do Governo, não são factores aliciantes para grandes aventuras.
Estou a preparar uma crónica sobre o tema, naturalmente, a colocar aqui no Mística.
Quanto à "reintegração" do Boavista ela nunca será possível, os campeonatos foram homologados e são irreversíveis. A única solução é o recurso a pedidos de indemnização pelos prejuizos causados. É uma situação muito delicada porque, pelos estatutos da FPF, não são permitidos recursos aos tribunais comuns. Além disso é um processo que pode demorar anos a ser julgado e os prejuizos serão muito dificeis de imputar e quantificar.
Abraço

Pedro Silva disse...

Caro Lima, sobre o que escreveu não posso nem quero apontar nada, porque quem sabe sabe e quem não sabe aprende como é o meu caso.

Contudo, o meu amigo sabe tão bem como eu que o Jornalismo em Portugal é tudo menos eficiente.

Agradeço as suas palavras amigas e acredite que continuarei a defender o Queiroz até me darem motivos para o Criticar e o querer fora da FPF. Até agora o que tenho lido e ouvido é fruto do facto de Queiroz não ter prestado vassalagem à Águia do Império, e como tal não servem para mim.

Um grande abraço.

Tiago Araújo disse...

Boas,

O Jesualdo não falava da arbitragem e era criticado por causa disso, e o André villas boas fala da arbitragem e é criticado, mas porquê?

PS - Mais logo por volta da meia noite vou publicar um post acerca do Bruno Alves uma opção para a Supertaça, conto com os vossos comentários ( digam a vossa opinião sff )

abraço

http://campeoesfcporto.blogspot.com