BLIND ZERO “Pendurados”
Os meus amigos querem saber das minhas actividades extra blogues? Vamos começar pelas musicais? Então lá vai.
Os meus amigos querem saber das minhas actividades extra blogues? Vamos começar pelas musicais? Então lá vai.
Nos idos anos 60, década dos Beatles, Shadows etc. começaram a aparecer em Portugal alguns grupos de música rock. Eu fiz parte de 2 deles: Os Morgans e o Conjunto Académico Orfeu. A nossa sala de ensaios era numa cave onde também ensaiava o Pedro Osório, hoje Maestro e compositor. Era moda nesses anos as festas de estudante serem abrilhantadas por agrupamentos musicais, constituídos normalmente por 3 ou 4 elementos: Viola Baixo, Viola Solo, Piano ou Órgão, e Bateria. Eu tocava Bateria mas também “arranhava” piano e xilofone. A cantar era um desastre! Mais tarde, a concorrência obrigou a que introduzíssemos instrumentos de sopro, trompete e saxofone o que nos possibilitava acompanhar cantores, normalmente brasileiros que apareciam nos Restaurantes ou Casinos, nomeadamente nos daqui do Norte, Figueira da Foz, Espinho e Póvoa de Varzim. Por alturas da guerra em Angola, os jovens eram incorporados em sucessivas expedições, as bandas ficaram sem alguns dos seus elementos, os músicos mudavam de conjunto para conjunto, até que, salvo raras excepções, foram acabando um-por-um dando lugar às Discotecas e a música gravada.
Mais tarde nos anos 70 foi a minha vez de assistir no Porto, aos concertos de rock, no Pavilhão do Académico ou Infante de Sagres, e em Lisboa, no Coliseu dos Recreios ou em Cascais. Estou a ver a notícia da vinda da Joan Baez este mês à Casa da Musica. Assisti ao concerto dela no Dramático de Cascais há muitos anos. Lembro-me que faltou a luz antes da sua actuação, ela saltou para o palco, e começou a dançar ao som da bateria do Pedro Taveira dos King Fisher’s que faziam a 1ª parte (uma banda de música Folk aqui do Porto), apenas iluminada pelas luzes dos operadores das Televisões. Quando voltou a energia foi, na minha opinião, o concerto a que assisti que me encheu as medidas. E olhem que foram dezenas e dezenas! Lembro-me do Peter Gabriel, dos Supertramp, Ramones, Camel, Animals, Dr. Feelgood, Joe Cocker, The Tubes, Mike Okldfield, Tangerine Dream, Pink Floyd, Dire Straits, Lena Lovich, eu sei lá…
Nas horas vagas, era “promotor” da Empresa TOURNÉE, ajudava a organizar os espectáculos. Eu tratava de tudo. O primeiro passo era arranjar um Pavilhão que tivesse uma capacidade condizente com o público previsto. Depois ir à Sociedade Portuguesa de Autores informar a data do espectáculo e entregar uma folhinha com os temas que iam ser tocados, logicamente para os autores receberem uma percentagem. A seguir, no Governo Civil, “contratar” elementos da PSP para o dia da actuação. Aquilo era engraçado. Perguntava o senhor: - e quantas pessoas esperam ter? Bem, dizia eu a puxar para baixo, aí umas 2.000 É que por cada 2.000 tinha que estar presente um pelotão (30 homens e um subchefe), mas se fossem por exemplo 3 ou 4 mil, já tinham que ir 60 agentes, 2 subchefes e um chefe! No dia do espectáculo era imprescindível a simpática presença dos Sapadores Bombeiros que faziam a vistoria às condições da sala. Depois coordenar com a nossa segurança privada o controle dos camarins, balneários, os “back stage” de acesso restrito ao palco etc. para protecção dos músicos. Olhem! O chefe de segurança dos espectáculos era o Fernando Oliveira actual responsável da segurança do nosso FCP que há pouco tempo esteve envolvido, sem querer, naquela trapalhada dos túneis. Finalmente montar toda a promoção propriamente dita com equipas de colagem de cartazes, calcorrear a via-sacra das estações de rádio pedindo, quase de joelhos, que passassem os discos do grupo tal-e-tal, (o Álvaro Costa da Antena-3, que agora é comentador televisivo no Pontapé de Saída da RTP-N), ajudava bastante) entrevistas nos jornais, distribuição dos bilhetes por discotecas, livrarias, etc, contratar uma empresa para montar o palco indicado no “raider ” que é uma espécie de caderno de encargos onde estão mencionadas as dimensões do palco, o tipo de refeições a servir aos técnicos, músicos e acompanhantes, as horas de chegada, descarga de todo o equipamento de luz e som, a potência pretendida em milhares de Watts, horário previsto para ensaios, check sound final etc. Lembro-me dum episódio curioso que se passou com Peter Gabriel. O homem trazia 2 camiões TIR com toneladas de material. Um trazia o equipamento luminotécnico com os respectivos elevadores e grelha de suporte. No segundo vinha toda a parafernália de som, com dezenas de amplificadores, microfones, colunas, misturadores, lembro-me que até o baterista tinha uma mesa de mistura de 16 vias só para ele! Havia um terceiro, um autopullman que trazia os técnicos de som e luz, os músicos e os acompanhantes. O Pavilhão Infante de Sagres, onde se realizou o concerto, não possuía cabine eléctrica capaz de aguentar tamanha potência. Tivemos que alugar um gerador que também se mostrou insuficiente e a única solução foi montar centenas de metros de cabo eléctrico até à hoje extinta, Fábrica de Sedas Aviz para “puxar” milhares de volts até ao Pavilhão e, num quadro improvisado pelos amigos da EDP, ligar as aparelhagens. Valeram nessa altura os bons ofícios do amigo Rui Veloso e do seu tio Pires Veloso que moravam quase em frente do Pavilhão e intercederam junto da fábrica para permitir utilizar a potência necessária.
Depois, passados uns anos, tudo mudou, tornei-me consumidor passivo (lá vem outra vez os passivos) e continuei a acompanhar à distância os vários movimentos que se apresentaram. Os meus colegas do Mística são muito novos mas, podem acreditar, nunca mais há música como a dos anos 60/70.
Perguntarão agora a que propósito vem isto tudo. É fácil: o nosso consócio e amigo portista Miguel Guedes que tão brilhantemente nos tem defendido no Trio de Ataque, possui uma Banda como penso todos sabem, os BLIND ZERO.
Acontece que neste Natal deram um espectáculo aqui no Porto no Gran Plaza, com uma particularidade: tocaram pendurados desde o tecto do 3º piso! Tive a felicidade de ser convidado pela Administração deste magnífico e moderno Centro Comercial, a quem muito agradeço a oportunidade de presenciar o ensaio no dia anterior ao espectáculo e fazer alguns “bonecos” que vos deixo para recordação desta fantástica Banda.
Em meu nome e do Miguel gostaria de desejar a todos os portistas um Bom Natal e votos de muitas felicidades para o Novo Ano.



8 comentários:
Bons tempos do Infante Sagres.
Fiz parte da equipa que dava assistência aos roadies, e da montagem do palco,ainda em notubo e pranchas pesadas de madeira.
Estive em todos esses concertos e lembro-me do Casimiro e do velho Félix,guarda do pavilhão.
Saudades dos 80!
@ José Lima
caríssimo,
esta é uma posta que muito aprecio pois concilia duas das minhas grandes paixões: música e futebol (exactamente por essa ordem).
Muito Obrigado! por ter partilhado connosco algumas das (presumo) imensas estórias que terá para contar ;)
fico à espera de mais! ;)
abraço
ps: BOAS FESTAS! para todas(os)
Caro Lima
Como sempre o meu amigo nos vai surpreendedo pela positiva com as suas excelentes crónicas!
Da nostálgica era dos anos 70 até aos dias de hoje onde o meu caro continua como peixe dentro de água!
Parabéns Lima e obrigado por nos fazer recordar tempos que, jamais passarão da nossa memória.
Um grande abraço
ftavares
Caro Luis
Confesso que não me recordo do seu nome mas lembro-me bem do que vocês passavam para montar o palco e "acarretar" as tralhas da amplificação da Rua de Serralves lá para dentro.
Olhe! Ainda há poucas semanas estive no Estádio do Dragão com o nosso/vosso Chefe de Segurança o Fernando Oliveira que recordou esses tempos.
Quanto ao Casimiro, ele ainda "rola" com a organização dos Concertos, lá mais para o Sul.
Tenho um amigo do Blitz, o Luis Titá que teve a feliz ideia de lançar um CD de música dos anos 60 onde a minha Banda também entra.
Chama-se "Caloiros da Canção" e está à venda na FNAC.
Pode ver recordações dessa época em
http://guedelhudos.blogspot.com/2010/11/ja-esta-em-portugal.html
Grande abraço
Caro José Lima,
Duas paixões nos unem: a música e o incomparável F.C.Porto.
é natural que não se lembre de mim,eu era o mais novo da malta toda,tinha 18 anos na altura.
Talvez se disser que sou irmão do António Sanches,também tratado por Tó Vieira se recorde.Veio-me outro nome à cabeça,o electricista bacano Manuel Patarrana.Vou consultar o blog que aconselhou que de certeza vai ser do meu agrado.
Saudações musicais e Portistas.
Claro que sim, Luis, agora já me lembro, bem como do outro Tony que trabalhava na Tait.
Quanto ao Patarrana, ele entrou precisamente naquela cena em que fomos buscar a energia à fábrica!
Abraço
Long time..... no see, my old friend.
As duas paixões de sempre..... a música..... sempre a música em primeiro lugar, já que nem a paixão por esse enorme F.C. do Porto, que para mim nasceu no dia da inauguração do Estádio da Antas, que vi nascer e ser demolido, consegue afastar-me desse amor primeiro que é a música.... unem os sentidos de dois Portistas e Portuenses, que somos e sempre seremos, serve para parabenizar esta belíssima crónica e um amigo que já faz muito tempo que não tenho o prazer de ver pessolmente mas que acompanho através deste blog.... parabéns mais uma vez..
José Riobom
Hei Zé Manel
Que bom estares bem vivinho a lembrares o nosso Conjunto Académico Orfeu
Um abração
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