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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Um Anjinho no Trio de Ataque

Caído da teia dos projetores aterrou no estúdio como um nenúfar. O exemplo típico dum “portista novo”. Ganhou tudo desde que nasceu, não sabe o que passámos nos anos 70 nem nos últimos 4 e ignora a revolução que estamos a processar para limpar o futebol. 
 
Pode-se perguntar o que foi lá fazer. Naturalmente sabe que os “comentadores” salvo raras exceções (Miguel Guedes) tem que se comportar como meninos-queridos para com o regime senão nunca mais lá voltam. Acontece com os comentadores portistas de todas as operadoras de Televisão. Parece que estão apanhados pelo clima. Guilherme Aguiar e Rodolfo dão uma no cravo e outra da ferradura. Manuel Serrão da TVI das sopeiras ficava melhor na CMTV o canal da faca e alguidar. O maestro sabe isso e quis ser gentil para o anfitrião.
A cena que titula esta crónica passou-se no Domingo dia 19 quando Miguel Guedes (o único que nos tem defendido com garra e galhardia) não pôde estar presente e foi substituído pelo compositor, pianista e maestro Rui Massena. Quando me refiro a “ser bem-educado” no Trio de Ataque do benfiquista Hugo Gilberto é começar por dizer amém com ele, pôr em causa a identidade do clube que nos viu nascer, inventar problemas onde eles não existem e se possível dizer mal do Clube. Rui Massena começou por afirmar que “gosta muito do futebol jogado mas os clubes estão a estragar o negócio, lutam contra moinhos de ventos, as instâncias, o centralismo e o poder instituído em vez de tentar jogar bom futebol”. 
 
O homem estava a brincar ou o que é bem pior a falar a sério. Vou pensar que era a brincar. Sabemos que vive de martelar nos pianos e ultimamente tem experimentado introduzir uns efeitos eletrónicos nas composições estragando a música e os efeitos! Parece desafinado. Ele como musico/compositor deve chamar-lhe dissonâncias. Também tenho um piano elétrico desses onde se coloca uma disquete e toca sozinho. O meu maior prazer é atazanar a mona aos vizinhos, ao domingo de manhã, para os fazer sair da cama.
 
Rui Massena é uma espécie de Villas Boas da música. Deve ter estudado em bons colégios. Afável, simpático, amigo dos seus amigos, tem boa imprensa, amanda umas pianadas aqui e acolá e uma vez por ano vai tocar na Casa da Música. Bom no entretenimento tem um programa de entrevistas no Porto Canal onde tanto pode falar de buracos na estrada como dum concerto de violino. No Trio de Ataque falou sobre futebol e foi um desastre.
Só vai ver a bola “pelo espetáculo e pela beleza do jogo”. Deve ser interessantíssimo ver os Passarinhos da Ribeira contra os Mareantes da Foz do Douro. Ou as charutadas do Luisão e do Eliseu. “Os árbitros, coitados, são os menos responsáveis pelo que se passa lá dentro." Pois! A culpa é mesmo dos dirigentes, esses marotos. Se calhar queria Ópera em vez de bombo!
 
Perguntado sobre os e-mails e o contra-ataque da BTV "não viu, não sabe, nem quer saber". Perdeu uma grande oportunidade para ter ficado em casa a dedilhar a Sonata ao Luar. Um conselho amigo. Da próxima vez que o convidarem para um programa desportivo prepare-se melhor senão em vez de Maestro parece um Chef Michelin a enfeitar um vulgar prato de cozido à portuguesa como se fosse uma árvore de Natal!
 
Até à próxima

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Para Mim Acabou

Sim estou a falar do maior lixo televisivo que me recordo de ter visto. Desta vez calhou ser na TVI mas dificilmente haverá pior. Despediram um pobre-diabo, lambe-botas e responsável pela candidatura de Vieira mas que não fazia mal a uma mosca, e substituíram-no por um tipo execrável, um monte de esterco conhecido pela sua malcriadez cuja única contribuição é insultar os restantes comentadores e estabelecer um clima “mãos na cinta”, atributos que já nem as peixeiras da lota utilizam.
Quando se coloca um catraio à frente da programação, depois, dá nisto. Basta ver o outro aborto televisivo, o programa daquela senhora que já tinha idade para ter juízo, aos gritos durante duas horas, a apresentar a ralé (feminina e masculina) da Quinta das “celebridades”. Célebres em quê? Na peixeirada, claro! Basta ver nas revistas da “especialidade” as ricas prendas que são “os concorrentes”. Um bate na Mãe, a outra no filho, mais um na amante, e a outra na Avó velhota.
Podiam aproveitar e contratavam para aquela “quinta” o imbecil do Dia Seguinte, o gordo do Trio de Ataque, e as tenebrosas figuras que foram cooptadas pela CMTV (outro lixo a pedir meças ao prémio do pior canal do ano). Imaginem só quem anda por lá: João Malheiro, António Figueiredo, Gaspar Ramos, Jaime Antunes, João Botelho (o realizador dos filmes que ninguém entende), e o senhor Pinhão recém-chutado da BOLHA! Melhor só na Farmácia. A Farmácia Franco, claro.
O senhor Pinhão é polivalente. Corta dos 2 lados. Quer dizer: faz uma perninha na benfasTV, outra na CMTV, e debita uns vómitos no Rascord. Com o dinheiro que ganha podia aproveitar e lavar o cabelo pelo menos uma vez por mês. Escorre azeite! O único atributo para esta corja ser contratada é dizer mal do nosso clube. Tem emprego garantido. Ainda andam por lá outros papagaios que de-quando-em-vez aparecem a esticar o pescoço nas fotos, mas pela sua falta de relevância nem vale a pena referir os nomes.
 
O Dia Seguinte já não tem cura! Percursor que foi dos Donos da Bola arrasta-se penosamente durante quase duas horas com as imbecilidades de Rui Gomes da Silva os adjetivos do papagaio dos Calimeros (nada viu, nada sabe, “nem conhece o processo”) mais o analfabeto desportivo Paulo Garcia que apenas escolhe temas de conversa que possam, por um lado, lavar a miséria que vai na “instituição” e, por outro, arranjar confusões que possam deslustrar o nosso clube. O “apito de folheta” ao lado do colinho da época passada (explicado agora com as ofertas aos árbitros) era uma brincadeira de crianças. Salva-se, embora pouco assertivo, o Dr. Guilherme Aguiar conhecedor profundo dos meandros do futebol (pelo menos) desde que existe a LIGA.
 
A Zona Mista e o Trio de Ataque dirigidos por benfiquistas (sabe-se agora que são 4 milhões) não fogem à regra. Os comentadores que representam os 2 circos são do pior que há. Miguel Guedes escapa a esta crítica, defende (tanto quanto o “moderador” permite) bem a sua dama. Estuda quanto baste os assuntos, é educado, e tem uma ótima presença televisiva.
 
O senhor Pinto da Costa numa das aparições-relâmpago a que nos tem habituado ultimamente veio à baila dizer que “nenhum dos paineleiros é apoiado pelo nosso clube”. Já sabíamos. Era impossível alguém, pelo menos com um mínimo de bom senso, colocar nas televisões um Rodolfo, Fernando Mendes, ou Manuel Serrão. Pobres anunciantes que apresentam os seus produtos na programação desportiva. Só mesmo os masoquistas, e cada vez menos, assistem a ela. Para mim acabou.
 
Até à próxima

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quem te manda a ti Sapateiro

No programa Trio de Ataque do passado dia 7 de Fevereiro, o analfabeto que representa os calimeros atreveu-se a “desculpar” a falência do seu Clube, misturando na conversa o Futebol Clube do Porto, dizendo que “as nossas contas não eram consolidadas”.

Tirando o facto de que o homem não conhece nada do Zbórden, quanto mais dos outros Clubes, obrigou o adepto portista Miguel Guedes, na semana seguinte, a explicar-lhe a situação actual das sociedades que compõe o universo futebolístico do nosso Clube, ainda que, contrariando a tentativa do benfiquista Hugo Gilberto de condicionar a informação do nosso consócio, pensando certamente que se iria falar nos mais de 500 milhões de euros de passivo do grupo do clube do regime, acumulados durante 8 anos da gestão Vieira que, ainda há dias, veio atirar areia para os olhos dos espectadores numa entrevista de favor, calculem, na RTP-1 de todos nós.

Vou complementar a intervenção do Miguel, explicando o que se passa com as contas do nosso Clube, nomeadamente no que se refere, já vão perceber porquê, às relações entre o Estádio, a Sad e o Clube, recuando uns anos, até 2001. O FCP resolveu iniciar a construção dum novo estádio, tendo constituído para o efeito, a sociedade imobiliária Euroantas que juntamente com o FCPorto/Clube, o FCP/Sad e o FCP/Estádio, arrancaram com um projecto para a construção, financiamento, exploração e utilização do Estádio do Dragão.

No âmbito deste acordo, a Euroantas, actual proprietária do Estádio, cedeu ao FCPorto/Sad a exploração de diversas actividades do espaço desportivo do mesmo, por um período de 30 anos, na contrapartida dum encargo global anual, uma espécie de leasing com “renda linear”, que tem vindo a ser paga ao longo dos anos, pelo FCPorto/Sad, através de duas componentes:

i) Um montante equivalente ao valor anual do serviço da dívida que a Euroantas está a suportar durante os primeiros quinze anos com o Contrato de Financiamento celebrado para a construção do Estádio e, nos segundos quinze anos, um montante inferior, indexado ao valor do serviço da dívida do último ano (2018) daquele Contrato;

ii) Outro montante, liquidado no exercício findo em 30 de Junho de 2003 e registado na rubrica “Outros activos não correntes”, como forma de retribuição do valor de rendas vincendas no segundo período de 15 anos, determinado a partir de 2018 e que consta nos nossos RC. Este montante será reconhecido na Contabilidade como Custo, linearmente ao longo do referido período de 15 anos, a partir de 2018 e até 2033.

Acresce que, como se pode ler em ii) o FCP/Sad pagou à cabeça, ou seja, adiantado, as tais “rendas vincendas”. Desta operação conjunta do Clube e da Sad, resulta que o saldo das rubricas não corrente e corrente da conta “Clientes – Operações correntes” inclui, nos últimos RC, saldos resultantes de operações diversas, com destaque para os montantes em débito do Futebol Clube do Porto/Clube e da Euroantas

Para a regularização destas dívidas ao FCPorto/Sad, e facilitar as contas ao Clube, foi concertado o seguinte procedimento:

“O Conselho de Administração da FCPorto/Sad em conjunto com a Direcção do Clube definiu um plano de acções de modo a dotar o Clube de capacidade financeira para reduzir progressivamente esta dívida. O mencionado plano, que estima a realização daquele montante ao longo de sete anos, e considera o vencimento de juros, passa por um conjunto de medidas de diferentes natureza, das quais:

i) Redistribuição interna das receitas de quotização dos associados, entre o Clube a FCPorto/Sad; ii) Renegociação de dívidas a instituições financeiras, no sentido de libertar montantes actualmente cativos; iii) Alteração do actual modelo operativo do Grupo Futebol Clube do Porto, baseado na transferência de Proveitos relacionados com as rendas de espaços inseridos no Estádio do Dragão para o Clube; e iv) Racionalização orçamental a médio e longo prazo das modalidades sob a gestão do Clube.”

Trocando isto por miúdos, o que afirmou o tal senhor dos calimeros, que “basta passar o Estádio para a SAD para não haver prejuízos, visto subirem os Activos”, é uma refinada asneira! O senhor não entende que não interessa onde está contabilizado o Estádio. Basta ver o que se passou com o clube da treta que integrou o estádio na Sad, a fingir que tinha uns grandes Activos, mas esqueceu-se que, em troca, ficou com um enorme Passivo dependurado. O que importa saber sobre o Estádio é: 1) se está pago; 2) a ser pago dentro do estipulado no acordo com a financiadora; ou 3) se as construtoras andam pelos túneis da 2ª Circular atrás do dinheiro. No que respeita ao FCPorto, e pelas nossas contas, faltam pagar cerca de 26M€ para que seja propriedade do Clube. E não tenham dúvidas que o Estádio será sempre do Futebol Clube do Porto e nunca da Sad.

Relembrando o facto de há cinco anos consecutivos revelarem contas positivas, os números que normalmente os comentadores gostam de analisar, são os seguintes:

PORTO/SAD – Capital Próprio 23M€ – Activo 261,6M€ – Passivo 202,M€

PORTO/CLUBE – Capital Próprio 74,5M€ – Activo 114M€ – Passivo 40M€

Empresa que não entra na Consolidação (porque não é controlada pelo FCPorto/Clube nem FCPorto/Sad) e a quem estamos a pagar o Estádio:

EUROANTAS – Capital Próprio 78M€ – Activo 123M€ – Passivo 45M€

O representante dos Calimeros ainda tentou como sempre faz, negar o inegável mas, como de costume, meteu os pés pelas mãos e não disse nada de jeito. Explicar ao senhor o que são Contas Consolidadas, Contas Auditadas, quais as que legalmente devem assumir essa classificação e quando e como, têm ou não publicação obrigatória, é como falar Chinês. Gostava de dizer ao cavalheiro, que aquilo que a sociedade revisora de contas fez no seu clube e ele tanto elogiou não foi uma Auditoria lato sensu. Limitou-se a compilar um somatório de RC de vários anos, tendo a humildade de apresentar um relatório denominado pela própria como “análise da evolução da situação patrimonial do Grupo Sporting Clube de Portugal”.

Como é possível, num programa desportivo de grande audiência, o senhor Costa ter a veleidade de comparar aquele grupo destruído por uma gestão catastrófica ao longo dos últimos 12 anos, que apresenta Capitais Próprios negativos de 183 milhões de euros e um Passivo de 375 milhões, com o nosso Futebol Clube do Porto?

Quem te manda a ti sapateiro…

Até para a semana

Nota – Os sublinhados são meus.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

BLIND ZERO Dependurados

BLIND ZERO “Pendurados”

Os meus amigos querem saber das minhas actividades extra blogues? Vamos começar pelas musicais? Então lá vai.

Nos idos anos 60, década dos Beatles, Shadows etc. começaram a aparecer em Portugal alguns grupos de música rock. Eu fiz parte de 2 deles: Os Morgans e o Conjunto Académico Orfeu. A nossa sala de ensaios era numa cave onde também ensaiava o Pedro Osório, hoje Maestro e compositor. Era moda nesses anos as festas de estudante serem abrilhantadas por agrupamentos musicais, constituídos normalmente por 3 ou 4 elementos: Viola Baixo, Viola Solo, Piano ou Órgão, e Bateria. Eu tocava Bateria mas também “arranhava” piano e xilofone. A cantar era um desastre! Mais tarde, a concorrência obrigou a que introduzíssemos instrumentos de sopro, trompete e saxofone o que nos possibilitava acompanhar cantores, normalmente brasileiros que apareciam nos Restaurantes ou Casinos, nomeadamente nos daqui do Norte, Figueira da Foz, Espinho e Póvoa de Varzim. Por alturas da guerra em Angola, os jovens eram incorporados em sucessivas expedições, as bandas ficaram sem alguns dos seus elementos, os músicos mudavam de conjunto para conjunto, até que, salvo raras excepções, foram acabando um-por-um dando lugar às Discotecas e a música gravada.

Mais tarde nos anos 70 foi a minha vez de assistir no Porto, aos concertos de rock, no Pavilhão do Académico ou Infante de Sagres, e em Lisboa, no Coliseu dos Recreios ou em Cascais. Estou a ver a notícia da vinda da Joan Baez este mês à Casa da Musica. Assisti ao concerto dela no Dramático de Cascais há muitos anos. Lembro-me que faltou a luz antes da sua actuação, ela saltou para o palco, e começou a dançar ao som da bateria do Pedro Taveira dos King Fisher’s que faziam a 1ª parte (uma banda de música Folk aqui do Porto), apenas iluminada pelas luzes dos operadores das Televisões. Quando voltou a energia foi, na minha opinião, o concerto a que assisti que me encheu as medidas. E olhem que foram dezenas e dezenas! Lembro-me do Peter Gabriel, dos Supertramp, Ramones, Camel, Animals, Dr. Feelgood, Joe Cocker, The Tubes, Mike Okldfield, Tangerine Dream, Pink Floyd, Dire Straits, Lena Lovich, eu sei lá…

Nas horas vagas, era “promotor” da Empresa TOURNÉE, ajudava a organizar os espectáculos. Eu tratava de tudo. O primeiro passo era arranjar um Pavilhão que tivesse uma capacidade condizente com o público previsto. Depois ir à Sociedade Portuguesa de Autores informar a data do espectáculo e entregar uma folhinha com os temas que iam ser tocados, logicamente para os autores receberem uma percentagem. A seguir, no Governo Civil, “contratar” elementos da PSP para o dia da actuação. Aquilo era engraçado. Perguntava o senhor: - e quantas pessoas esperam ter? Bem, dizia eu a puxar para baixo, aí umas 2.000 É que por cada 2.000 tinha que estar presente um pelotão (30 homens e um subchefe), mas se fossem por exemplo 3 ou 4 mil, já tinham que ir 60 agentes, 2 subchefes e um chefe! No dia do espectáculo era imprescindível a simpática presença dos Sapadores Bombeiros que faziam a vistoria às condições da sala. Depois coordenar com a nossa segurança privada o controle dos camarins, balneários, os “back stage” de acesso restrito ao palco etc. para protecção dos músicos. Olhem! O chefe de segurança dos espectáculos era o Fernando Oliveira actual responsável da segurança do nosso FCP que há pouco tempo esteve envolvido, sem querer, naquela trapalhada dos túneis. Finalmente montar toda a promoção propriamente dita com equipas de colagem de cartazes, calcorrear a via-sacra das estações de rádio pedindo, quase de joelhos, que passassem os discos do grupo tal-e-tal, (o Álvaro Costa da Antena-3, que agora é comentador televisivo no Pontapé de Saída da RTP-N), ajudava bastante) entrevistas nos jornais, distribuição dos bilhetes por discotecas, livrarias, etc, contratar uma empresa para montar o palco indicado no “raider ” que é uma espécie de caderno de encargos onde estão mencionadas as dimensões do palco, o tipo de refeições a servir aos técnicos, músicos e acompanhantes, as horas de chegada, descarga de todo o equipamento de luz e som, a potência pretendida em milhares de Watts, horário previsto para ensaios, check sound final etc. Lembro-me dum episódio curioso que se passou com Peter Gabriel. O homem trazia 2 camiões TIR com toneladas de material. Um trazia o equipamento luminotécnico com os respectivos elevadores e grelha de suporte. No segundo vinha toda a parafernália de som, com dezenas de amplificadores, microfones, colunas, misturadores, lembro-me que até o baterista tinha uma mesa de mistura de 16 vias só para ele! Havia um terceiro, um autopullman que trazia os técnicos de som e luz, os músicos e os acompanhantes. O Pavilhão Infante de Sagres, onde se realizou o concerto, não possuía cabine eléctrica capaz de aguentar tamanha potência. Tivemos que alugar um gerador que também se mostrou insuficiente e a única solução foi montar centenas de metros de cabo eléctrico até à hoje extinta, Fábrica de Sedas Aviz para “puxar” milhares de volts até ao Pavilhão e, num quadro improvisado pelos amigos da EDP, ligar as aparelhagens. Valeram nessa altura os bons ofícios do amigo Rui Veloso e do seu tio Pires Veloso que moravam quase em frente do Pavilhão e intercederam junto da fábrica para permitir utilizar a potência necessária.

Depois, passados uns anos, tudo mudou, tornei-me consumidor passivo (lá vem outra vez os passivos) e continuei a acompanhar à distância os vários movimentos que se apresentaram. Os meus colegas do Mística são muito novos mas, podem acreditar, nunca mais há música como a dos anos 60/70.

Perguntarão agora a que propósito vem isto tudo. É fácil: o nosso consócio e amigo portista Miguel Guedes que tão brilhantemente nos tem defendido no Trio de Ataque, possui uma Banda como penso todos sabem, os BLIND ZERO.

Acontece que neste Natal deram um espectáculo aqui no Porto no Gran Plaza, com uma particularidade: tocaram pendurados desde o tecto do 3º piso! Tive a felicidade de ser convidado pela Administração deste magnífico e moderno Centro Comercial, a quem muito agradeço a oportunidade de presenciar o ensaio no dia anterior ao espectáculo e fazer alguns “bonecos” que vos deixo para recordação desta fantástica Banda.

Em meu nome e do Miguel gostaria de desejar a todos os portistas um Bom Natal e votos de muitas felicidades para o Novo Ano.