quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A Pergunta Que Faltou

Os árbitros da 1ª Categoria receberam um questionário da CII Comissão de Instrução e Inquéritos, nome pomposo de uma comissão que ninguém sabe para que serve (temos o CD e o CJ) com 3 perguntinhas tão simples que até um menino da 4ª classe saberia responder.

1 - Os árbitros já receberam presentes de algum clube nas 2 últimas temporadas?

2 - Sentiram-se de alguma forma condicionados pela oferta, caso tenha ocorrido?

3 - Os presentes foram recebidos antes ou depois dos encontros?

O senhor Vítor Pereira, logo que soube as perguntas do teste, provavelmente enviou um modelo de resposta “chapa 3” para os seus cãezinhos amestrados.

1 - “Sim claro, de todos os clubes. Umas caixas sem importância com uma camisolinha de 20€ que se vende por 80€ e um vale para levantar umas sandes num Museu ”.

2 - “Condicionados? Nem pensar, consideramos a oferta um miminho”

3 - “Mas quem julgam que somos? Não venham para cá com insinuações!”

Os árbitros são quase como pessoas. Todos sabem que devem responder da maneira que as perguntas sugerem para que a tal CII meta o processo na gaveta. Faltou a única pergunta que poderia esclarecer a submissão a que estão sujeitos pelo seu tratador, sobretudo quando apitam um jogo do clube da treta: “Sente-se pressionado sempre que Vítor Pereira lhe telefona no dia do jogo?”

Deixem-me adivinhar como seria a resposta! “Se querem sugerir que “acudimos” pelo glorioso como 65% dos portugueses (é a história dos 6,5 milhões de adeptos) dizemos NÃO! Apenas somos benfiquistas PORQUE SIM! Não se pode?”
As trinta e tal avestruzes que compõe a vergonha do quadro de árbitros que o senhor Pereira ensinou durante anos e anos vão responder que “já receberam presentes”, que “não ficaram condicionados”, e que “só depois dos jogos recebiam “a recordação” com a camisola do falecido”. Tem lógica. Também não estou a ver os jogadores a tomarem a banhoca e alguém a entrar de gatas com a porcaria das caixoletas! Toda a gente que anda pelo futebol sabe que a “instituição” (e é dela que estamos a falar) não condiciona ninguém. “Faz sempre a coisa pelo outro lado”. Basta algum ser nomeado para o jogo do clube da treta que já sabe o que se pretende.
Ultimamente “a instituição” apoia presidentes da Liga e da FPF (e já vão dois de cada) que trata como serviçais. Da mesma forma que durante 2 anos enxameou de benfiquistas ilustres que se pavoneiam pelos programas desportivos e pelo camarote do galinheiro o Tribunal Arbitral de Desporto que ainda nem sequer iniciou as hostilidades. Quando algum caso que envolva o clube da treta lá for parar não será difícil adivinhar para que lado cai a decisão.

O nosso amigo Dr. José Manuel Meirim, na sua coluna semanal do PÚBLICO está desconfiado. Voltando ao caso da oferta das sandes, joga numa Dupla X2. Não vai pelo Art.º 62º (vantagens patrimoniais ou falsear os resultados), aposta mais nos Art.º 118º (lesão da verdade desportiva) ou Art.º 264º (arquivamento do processo). Daqui vai um conselho amigo. Não vale a pena gastar uma Dupla X2. Aposte de caras no 2! Arquivamento.

Vai precisar do dinheirinho para uma tripla, aí sim, no processo daquele chefe de gangue que mandou depositar 2.000€ na conta de um árbitro. É que, sendo Paulo Pereira Cristóvão vice-presidente do Sporting, e este, o acionista principal de uma Sociedade (SAD) é exatamente a mesma coisa. Afinal quem manda na SAD são os acionistas não é verdade?

Até à próxima.

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