Fica descrito na ciência como lauren tinodias, não excede 1,90 é desprovido de visão e asas. Vive em Lisboa e foi descoberto por Vítor Serpa, biólogo e espeleólogo. Esta nova espécie está adaptada a viver exclusivamente em gabinetes, disse à Agência Lusa, este novel doutorando, bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Antes, o bioespeleólogo tinha descoberto 3 escaravelhos, silvius, jara e gaitan, e um pseudo-escorpião, jonas gabri. Esta nova espécie alimenta-se em almoços e jantaradas, sempre que possível, acompanhado por entrega de medalhas, honrarias e outros troféus.
É sobre a entrevista feita ao espécime que trata a nossa crónica de hoje.
Biólogo – Não há uma aproximação das associações para cumprimento dos novos Estatutos…
Espécime – As federações tem um regime que as obriga a obedecer ao disposto na legislação sobre associações de natureza privada, mas também ao novo regime jurídico especial que formata as federações desportivas. No caso, as federações desportivas sempre tiveram e continuarão a ter, um regime próprio.
Comentador - ????????!!!!!!!!!!!!!!
Biólogo – Mas interfere (o novo modelo estatal) decisivamente no poder, antes existente, das associações…
Espécime – No novo modelo, entendeu-se retirar a qualquer dos associados uma representação que esmague a outra representação…
Comentador – Mas então as associações de natureza privada não tem já os seus estatutos (aqueles que elas entendem servir melhor os seus interesses) aprovados pela Tutela?
Biólogo – A questão assenta na discussão das percentagens de representação…
Espécime – Do regime jurídico anterior para este, não há uma mudança de percentagens de representação na AG, há uma mudança de modelo. De futura quem vai estar na AG, são os clubes, os atletas, os técnicos e os árbitros. E também os presidentes desses organismos. Não é uma federação onde meia dúzia de pessoas decide o que quer e lhes aparece, contra a vontade dos outros, e bloqueia o desenvolvimento do futebol…
Comentador – Então os “técnicos e os árbitros” não são mesmo “meia dúzia de pessoas” relativamente a centenas de milhar de praticantes REPRESENTADOS pelas associações distritais?
Biólogo – Há quem defenda a inconstitucionalidade da lei, por se tratar de uma intromissão em áreas que são do direito privado…
Espécime – De forma nenhuma. Aliás, basta ler algumas das decisões do Tribunal Constitucional para perceber que há um regime geral para as associações e há regimes especiais para associações com particularidades específicas, como é o caso da federação de futebol.
Comentador – ???????????
Biólogo – Como entende então, este braço de ferro?
Espécime – Tem apenas uma razão: Não querem perder o poder de mandar no futebol em Portugal. E isso não faz sentido. Uma associação distrital é um organismo que actua por delegação da federação para organizar o futebol no seu distrito. E não é a soma dos distritos que há-de fazer uma federação. A soma de todas as associações não representa o futebol, como a soma dos presidentes de Câmara não representa o País.
Comentador - ????????????
Biólogo – Mas continuam a ter, pelo menos, a capacidade de bloquear…
Espécime – Têm a capacidade de bloquear porque não estão a cumprir a lei!
Comentador – A “lei” das associações foi-lhe concedida pelo Governo http://www.llobregatsportsavocats.com/download/ManuallicenciamentoUEFA2008_09.pdf
Biólogo – E como é que o Estado responde a isso?
Espécime – Em Abril, fizemos um despacho a suspender a Utilidade Pública da federação e decidimos suspender dois contratos-programa que o IDP tem com a federação. O que quer dizer que, desde Abril até hoje, dois dos cinco contratos que a FPF tem com o Estado estão suspensos e não são transferidos os meios financeiros para a federação. São menos 3 milhões de euros!
Comentador – 5 contratos-programa 5. É esta a enorme pujança do Estado no desenvolvimento no Desporto. Mas, não é disso que estamos a falar, dizemos, nós. Estamos a falar de futebol profissional, não das esmolas que o Estado distribui pelas capelinhas da sua simpatia para fazer uns pavilhõezinhos ou uns relvados sintéticos para as equipas da formação. Que nós tenhamos conhecimento, tirando umas côdeas para custear as deslocações das equipas das ligas principais à Madeira e aos Açores, os clubes ditos profissionais não recebem um tusto para nada. É uma falsa questão misturar as “obrigações” do Estado para o desenvolvimento do desporto em Portugal, com Ligas Profissionais onde obviamente quem tem que “escolher” os regulamentos que mais lhes convém são precisamente os clubes seus representados que pagam milhões de euros/ano para os espécimes andarem a saltitar de gabinete em gabinete. Por que raio há-de o Estado meter o nariz onde não é chamado? Deixem fazer quem faz que, até agora, tem feito bem.
Biólogo – Estas medidas não colocam ainda em causa as competições internacionais, as actividades das selecções…
Espécime – Espero que este impulso seja o último capaz de fazer perceber à federação, e a todos os agentes desportivos integrados na FPF, de que tem de encontrar uma solução. A partir daqui, resta-nos o cancelamento da utilidade pública desportiva. Esta decisão, se vier a ser tomada, terá efeitos devastadores para o futebol português. É o meio a partir do qual, a FPF organiza as competições, administra a arbitragem, aplica a justiça… É o meio a partir do qual as federações podem auferir de apoios do Estado, apoios em diversíssimas áreas…
Comentador – O futebol joga-se em Portugal há mais de 100 anos. Os clubes profissionalizaram-se, criaram regras e regulamentos que foram aprovados pelas instâncias adequadas, naturalmente não querem (e são todos, não apenas, aqueles “lá de cima”) ingerências nos seus propósitos.
Biólogo – A FIFA informou directamente a Secretaria de Estado?
Espécime – Não, informou directamente a FPF, que nos deu conhecimento. Consideram que são uns estatutos perfeitamente integrados naquilo que são os estatutos da FIFA. Entendeu mesmo, que esse processo deveria ser divulgado e promovido junto de outras federações…
Comentador – Ah! As “outras federações” não tem acompanhado este desejo do Governo português. É mais uma das nossas originalidades, querer mandar nas iniciativas privadas.
(Continua)
Até para a semana

1 comentário:
Excelente amigo Lima
De um humor fantástico.
E não que os diálogos transmitem-nos a realidade actual!
Parabéns.Agurdo a continuação que promete!
ftavares
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