
A entrega e comprometimento de quem jogou 50 minutos em inferioridade numérica sem se mostrar menor do que o opositor justificava outro desfecho, um final menos amargo, justo, no mínimo, ou apenas qualquer outro que não tivesse sido conduzido por uma arbitragem ardilosa, especialmente hábil na aplicação dúbia da lei, ao jeito de dois pesos e duas medidas, para lá das dúvidas geradas pelo golo negado ao Sporting, por suposto fora-de-jogo, ainda na primeira parte, ou, em especial, depois dele. A Taça está entregue, portanto.
Preliminares não houve. Para estudo mútuo, bastavam às duas equipas os nove meses de convivência na mesma Liga, que os Dragões dominaram de forma suficientemente clara para que a final fosse encarada como um mero tira-teimas. Só uma apreciação demasiado simplista e desonesta poderia atribuir-lhe tal condição.
Depois da atenção e elasticidade terem distinguido Nuno na baliza do F.C. Porto, a melhor das respostas azuis e

bancas deixou Lisandro a sós com Rui Patrício, já depois de Mariano, numa iniciativa brilhante, ter deixado para trás três adversários. Do lance não surtiu, no entanto, o golo. Nem do mais que se jogou da primeira parte, num aparente equilíbrio em que o Sporting apelava frequentemente ao efeito surpresa do contra-ataque.
O cariz do jogo, extremamente equilibrado, num género característico de encontro decisivo marcado por mais cuidado do que ousadia, não sofreu alteração profunda na segunda metade. Aparte um remate cruzado de Lucho, que falhou as medidas por pouco, o empate nas intenções, projectos e resultado prolongou-se para lá da expulsão de João Paulo, na sequência de um lance duvidoso que já havia deixado Lisandro por duas vezes no chão, no interior da área defendida pelo Sporting.
A inferioridade numérica dos Dragões perdurou no prolongamento, apesar da entrada de Abel sobre Raul Meireles ter justificado a amostragem do segundo cartão amarelo. O tempo extra disputar-se-ia sem o lateral do Sporting apenas porque Paulo Bento entendeu substituí-lo, pouco antes de Benque

rença revelar, em novo equívoco, a intenção de terminar a primeira parte ao fim de seis minutos, do que foi demovido pelos próprios jogadores.
Mas mais do mesmo estava para vir. Uma falta clara, evidente (que não carecia de repetição em câmara lenta para gerar o juízo correcto), de Polga sobre Lisandro, no limite da área sportinguista, foi simplesmente ignorada pelo árbitro, lapso que penalizaria duplamente o Tricampeão. Do contra-ataque resultou o golo, que conheceria outras cambiantes de infortúnio entre uma sequência de tabelas. A sorte de quem, em inferioridade numérica, travava já uma luta desigual, estava traçada, ainda antes de Tiuí, precisamente aquele que tomara o lugar do sobrevivente Abel, voltar a marcar.
Positivo: Nuno Espiríto santo, que apesar de num ou noutro lance ter "tremido" um pouco esteve muito bem na Baliza Portista e com duas ou três defesas monstruosas atrasou até ao prolongamento a vitória Sportinguista.
Negativo: João Paulo pela expulsão em que esteve muito mal e Jesualdo por ter preparado mal a equipa para a Final e por ter demorado a reagir quando o jogo estava a correr mal para o FC Porto.