sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Sem estofo para ser campeão

1. Jesualdo Ferreira disse-o e disse-o bem no final da época passada numa entrevista a uma rádio: a Taça da Liga iria servir para rodar jogadores e para promover os jovens. O escândalo que foi aquela final do Benfica-Sporting no Algarve e aquela vergonha que foi o Benfica-Nacional leva-me a crer que o Professor já percebia de antemão que aquela competição tinha um destino prévio e que este ano, tudo corre no mesmo sentido. Não é preciso dizer mais. Ainda ontem, perto do fim, mais um golo anulado que poderia ter dado o 2-1. Decisão difícil claro, mas sempre em benefício do suspeito de costume.
Portanto, se o próprio treinador do FC Porto não mostra a mesma ambição que em outras provas, porque razão deverei eu ficar chateado por não ver um Porto a deslumbrar nesta competição. Como dizem os ingleses, “take it as it is”, ou seja, é preciso aceitar as coisas como são. E sinceramente, tendo em conta o que temos visto no campeonato e o rendimento de alguns jogadores, mais vale os habituais titulares concentrarem-se em pleno nos jogos para a Liga. Não vejo nada de bom em estes andarem a correr a meio da semana se nem ao fim da semana conseguem correr algo de jeito. Portanto, e com tanta coisa ainda por decidir, sendo que só o melhor segundo classificado passa à próxima fase, estarei atento a mais episódios na Taça do Benf… desculpem, Taça da Liga.

2. Com 15 jornadas ainda por disputar, creio que vou arriscar, sujeitando-me a todo o tipo de crítica, que o Porto este ano não chegará ao Penta.

Mas vamos por partes. Desde que o Jesualdo chegou ao Dragão no final do verão de 2006, este tem vindo a perder, a cada época que passa, jogadores nucleares do seu grupo. Foi o Pepe e o Anderson no final do primeiro ano; o Paulo Assunção, Bosingwa e Quaresma no final do segundo e Lisandro, Lucho e Cissokho no final do terceiro. E para colmatar estas saídas tem entrado para o grupo jogadores mais baratos, jogadores com pouca ou nenhuma experiência europeia.

Se a saída de Pepe foi compensada com a entrada de um tal Bruno Alves e a perda de Anderson não se notou porque já tinha passado a época toda lesionado, já as saídas do “judas”, do Bosingwa e do Quaresma demoraram, como vimos, alguns meses a serem solucionadas. Só depois de o Porto resgatar o Cissokho é que o “grande reforço” Cebola Rodriguez começou a render verdadeiramente. E claro, surgiu um tipo de nome “Hulk”. No entanto, esta época foi-se embora a dupla Lucho-Licha. E é impossível que uma dupla que rendeu 42 milhões de Euros seja compensada com a entrada de um Falcao por 4 e um Belluschi por 5. A saída de Lucho e de Lisandro fizeram estragos muito difíceis de reparar… e o Professor sabe muito bem disso. A massa adepta sabe muito bem disso. O país sabe muito bem disso.

O Luís Freitas Lobo, numa das suas habituais intervenções dizia algo como: “o mais estranho num clube é o facto do jogador mais falado ser um que já saiu há 6 meses”. Estamos a falar de Lucho claro. O Lucho está para o Porto neste momento como o Simão Sabrosa estava para o Benfica. Era essencial. Sem Lucho, a dinâmica é outra… e contra este facto não há argumento. Mas no meio desta confusão que é o futebol do Porto, ainda conseguimos ter mais um ponto do que tínhamos na época passada. O problema, se é que se pode chamar-lhe problema, é o facto do Benfica e do Braga terem crescido muito. Podemos pensar que a máquina do Jesus vai desligar quando todos se arrebentarem… estiverem exaustos. Mas será que vai ser assim? Sem Di Maria e Aimar, o Benfica fez o que quis do Porto na Luz. Se é verdade que um ou outro poderá parar uma ou outra semana, não nos podemos esquecer que o Benfica tem boas soluções. Sei que é raro haver tanto elogio ao rival numa única frase por cá, mas a verdade, para mim, é essa.

Voltando à conversa do Porto; já se falou muito sobre os jogadores, sobre as opções tácticas, sobre tudo. Apesar de muita coisa ainda poder mudar, creio que neste momento o Porto não demonstra “estofo” para ser campeão. A defesa está frágil, desconcentrada em momentos; algo que era pouco habitual na época passada. Prova disto foi o jogo contra a União de Leiria da jornada passada. No ataque, apesar de Falcao tentar fazer esquecer o Lisandro, as dinâmicas são outras, mas não são da mesma qualidade. O Hulk, que até tem estado afastado, está uma sombra do que já fez; o Rodriguez ainda procura a melhor forma… que seria do Porto se não contasse com o Varela? Teríamos que levar com o Mariano todos os jogos.
No entanto, é no miolo que residem os maiores problemas… o problema “Lucho”. Belluschi prometia grandes coisas, mas ainda não provou ser o jogador certo. O Belluschi é um 10 que é obrigado a jogar onde nunca se habituou a jogar; descaído para a direita. Já o Lucho era um 10, um 8, um 6, um 7… era tudo. Ainda tenho esperanças no Belluschi, esperanças que possa aparecer daqui a algum tempo ou pelo menos para o ano… Depois há o Valeri. Um jogador do qual esperava boas coisas sobretudo porque se escrevia tão bem sobre ele. Muitos comentadores afirmavam que podia ser o substituto ideal do Lucho, jogando em posições semelhantes. No entanto, este também tarda em aparecer. Jogou com o Sertanense e com o Atlético; também tem jogado estes jogos da Taça da Liga. Apesar de alguns pormenores, não impõe aquele ritmo que é desejado. Espero eu que também seja uma questão de adaptação. E nem quero voltar a falar do Guarin, do Tomás Costas e do Prediger… uma armada sul-americana que mais valia não ter vindo. Uma armada que muito bem podia ser Sérgio Oliveira, Castro e Paulo Machado. Assim, com um “vazio” no meio-campo, um Raúl Meireles ainda à procura da melhor forma e um Fernando muito desconcertado, o trio que fez maravilhas na época passada está hoje a jogar a metade. E assim não dá.
E será que este problema resolve-se indo às compras? Não sei se essa é a solução ideal. O nome Ruben Micael é o nome do momento. É, de acordo com tantos especialistas, o jogador certo para todos os grandes, sobretudo o Porto que tem problemas no meio-campo. Eu sou apenas um mero espectador… mas se tal for verdade, a direcção não pode perder a oportunidade. O Nacional pede 5 milhões… é o que se diz. Se tal for verdade, qual é o problema? Creio que também um de nome Prediger custou uns 4 milhões e pelos vistos este é um desastre.

Espero bem que esteja enganado. De facto, ainda faltam 15 jornadas; muita coisa pode acontecer. Mas o Porto até ao momento ainda não encontrou a fórmula certa e os adversários directos parecem não querer largar o lugar que ocupam.

3. Sou um homem da internet. A televisão para mim já é um passatempo cada vez menos habitual. Na televisão vejo o futebol, e alguns programas de futebol: Trio de Ataque, Pontapé de Saída, Tempo Extra e de vez em quando, o Zona Mista. O Zona Mista, aquele programa do sábado à noite, é supostamente um programa com a opinião livre e independente de dois comentadores: o Bruno Prata e o João Gobern.

Ora, aquela ideia do independente é de louvar mas lá no fundo é uma treta. O Bruno Prata, que até percebe do assunto, tem uma clara e ligeira simpatia pelo Porto. É demasiado óbvio nos discursos; na forma como defende determinados ataques ao Porto, ataques vindos precisamente do João Gobern. Este, claramente, é do Benfica. Não o assume, claro; mas é tão visível como o sol num dia sem nuvens. No último sábado, a propósito de um assunto do qual não me lembro, começou a lançar “bocas” aos “colegas” (sem nunca ter dito os seus nomes) Rui Moreira e Rui Oliveira e Costa, do “Trio d’Ataque”. O Gobern afirmava não perceber a razão pela qual “alguns comentadores” andavam a perseguir o David Luiz e mais não sei o quê. Ora, atendendo ao comportamento do jogador do Benfica e à forma como tem passado impune, o estranho e o difícil é perceber porque razão um comentador “independente” tem tanto desejo em defender um jogador que tem cometido sucessivos penaltis e nem um amarelo leva para a colecção. Não é a obrigação de um comentador livre e independente falar sobre o óbvio, isto é, a existência dos diversos penaltis e deixar a defesa do David Luiz para o comentador do Benfica, neste caso, o António Pedro Vasconcelos.

4. Este é sem dúvida o ano da África. O continente Africano recebe daqui a uns meses o maior evento de futebol do Mundo - o Mundial - na África do Sul e neste momento decorre na Angola a CAN. Num continente onde os opostos entre a riqueza e a pobreza são tão distantes como o maior rio que corre de Norte a Sul – o Nilo, é bom saber que dois países que têm vivido histórias muito complicadas estão a erguer-se.

É de lamentar, claro, a situação ocorrida há poucos dias com a comitiva do Togo; é de repudiar este tipo de comportamento. Não há qualquer tipo de justificação para as acções daquela minoria. Mas também é errado o Mundo tirar proveito desta situação para denegrir a imagem de um continente que quer melhorar, quer ter uma independência em relação aos outros países. Não nos podemos esquecer de outros países já desenvolvidos e que também foram o centro de algumas atitudes menos próprias como é o caso do que aconteceu em Munique em 1972.

5. Para finalizar, de lamentar a tragédia em Haiti. Nem tudo neste mundo é futebol e por vezes há acontecimentos mais importantes e que merecem mais atenção do que a bola. Que o mundo ajude quem mais precisa de ajuda neste momento.

2 comentários:

Pedro Silva disse...

Samuel, no que toca ao teu ponto 1, se verificares as antevisões e crónicas que tem como fundo a Taça da Liga verificarás que isto não aquece nem arrefece... Mas não sou o unico, pois uma sondagem feita em directo no Trio de Ataque mostrou que a maioria dos adeptos não quer saber da Taça da Liga para nada e eu não os censuro graças ao estupido regulamento e ao desejo de uma final Benfica x Sporting para encher o Estádio do Algarve.

No que toca ao teu ponto 2 eu, ao contrário de ti, acredito no Penta, pois o FC Porto está a jogar como sempre jogou com Jesualdo, ou seja, com medo. O temível Benfica mais coisa menos cosia vem por ai abaixo e o Mestre ainda se vai arrpender de ignorar o Sporting.

No que toca à dupla que deixou o FC Porto, já disse mais do que uma vez que Jesualdo tem de mudar o sistema, mas este é teimoso.

Varela è a demonstração que é muito melhor apostar nos jovens Portugueses do que ir buscar porcarias como o Guarin, Tomás Costa, Valeri e Mariano.

Contratar reforços agora no mercado de Inverno não me parece ser razoável, pois este têm de se adaptar e isto demora. Ruben Micael será uma boa opção para uma nova época com um novo treinador.

Quanto aos Comentadores da nossa praça, depois de ter lido um artigo de opinião do Rui Santos e da Leonor Pinhão por exemplo, deduzo que muito mal vai a nossa escrita dos opinion makers.

De resto nada a apontar, pois já disseste tudo.

Forte abraço e sudações Portistas!!!

S. disse...

Viva The_Blue_one;

Também eu terei que discordar contigo :) sobretudo no ponto 2.

Não vou dizer que é impossível ser campeão, mas certamente que a jogar assim não vamos lá.

Não acho que o Jesualdo esteja a jogar com medo. Mudo já de clube se sentir ideia de que o Leiria mete medo ao Porto no seu próprio estádio ou que jogar nos Barreiros mete medo ao Jesualdo.

O Jesualdo teve medo contra o Benfica, nada mais.... na minha opinião, claro.

De resto, foi uma questão de tácticas inadequadas, jogadores fora de forma, falta de concentração, falta de motivação... falta de muita coisa à qual dou o nome de "estofo" para ser campeão.

Portanto, no ano passado não houve um jogo em que o Porto jogasse com medo... excepto talvez o jogo em casa contra o Manchester, precisamente porque nao contava com o Lucho e a dinâmica de jogo teve que ser muito mais cautelosa.

E por fim, vou continuar a discordar, e na esperança de que esteja errado, o Benfica não vem por aí abaixo. Isto não é o Jesus com a equipa de Trapatoni; ou seja, 11 jogadores e 5 miseros suplentes. É uma equipa com um forte 11 e bons suplentes, capazes de preencher as lacunas do onze principal. Poderão perder um ou outro jogo e no final até poderemos ser campeões... mas não acredito na teoria do cansaço.

Continuamos amigos ;)
Abraço.