Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

Joaquim Oliveira e os Direitos Televisivos

Foi a partir dos anos 80 que iniciou verdadeiramente a carreira de publicitário. Recordo-me de vê-lo chegar ao “velhinho” Estádio das Antas e noutros campos onde acompanhava o nosso FCP, horas antes dos encontros, com os placards debaixo do braço, para desenrolar e pregar em armações de ripas de madeira anúncios estáticos até que em 1984, com o seu irmão, fundou a Olivedesportos. Fez com José Veiga, agente de jogadores, uma firma de intermediação de contratos, a Futinvest, deixando mais tarde a sociedade nas mãos do empresário que se tornaria um dos maiores fornecedores de carne ensacada do Benfica.

Joaquim Oliveira dominava o panorama da publicidade futebolística, negociou e deu contra-partidas aos principais clubes portugueses, pagando antecipadamente partes das concessões. Em 1994, com a preciosa ajuda de Ricardo Salgado, adquire o jornal O JOGO. Curiosamente inicia-se aqui um período de aproximação do BES e da PT ao mundo do futebol. É a época Vilarinho, no Benfica. Oliveira que tinha accionado o clube depois de Vale e Azevedo, um dos ídolos de Leonor Pinhão, ter rasgado os contratos, tem a receber uma avultada indemnização de 2 milhões de euros mas, face ao estado de quase falência da “instituição”, admite trocar o valor por 20.000 acções da Benfica Multimédia, iniciando uma proveitosa ligação para ambos. Em 1999 cria a empresa de conteúdos PPTV que, mais tarde se viria a transformar na SportTv, juntamente com a RTP e a PT. Neste entretanto, assistiu-se a um ciclo de negociações muito habilidoso. Oliveira compra os direitos televisivos à FPF, revende parte à RTP (os chamados “jogos em canal aberto”) e fica com o bolo principal para transmitir “por assinatura” na SportTv.

Muito rapidamente cria em 1999 a holding Sportinvest; em 2000 faz uma joint-venture com a PT dando origem à Sportinvest Multimédia, em 2004, adquire à RTP metade da participação desta na SportTv, ficando só com a PT Multimédia em partes iguais, hoje denominada ZON MULTIMEDIA. Joaquim Oliveira comanda o mercado, transmite os jogos no dia e hora que entende, recebe dinheiro dos assinantes e ainda se dá ao luxo de vender “as sobras” à TVI. Em 2005 é a vez de criar a holding CONTROLINVESTE SGPS, actualmente denominada CONTROLINVESTE MULTIMÉDIA, compra a Lusomundo, e uma série de órgãos de comunicação social como o JN, o DN, a TSF, e a LUSA.

Nas últimas semanas um “conde” de opereta tem anunciado nos pasquins que lhe dão guarida, nomeadamente os pertencentes à Cofina onde proliferam os Octávios, importantes investimentos no panorama da multimédia desportiva. Mirabolantes compras de direitos desportivos, criação de um canal de desporto, parcerias com a “instituição” falida, etc.

O resultado está à vista. Joaquim Oliveira com créditos firmados junto dos detentores de direitos europeus lá deu o xito do costume, adquirindo umas centenas de jogos da Champions para os próximos anos, deixando por lá, como é obrigado pela Lei da Televisão, as sobras de um jogo em aberto por jornada para a Televisão da Treta, onde o inefável Manhoso se entretêm a dizer mal do nosso Clube, lá para a 1 da manhã, depois de uma Teresa Guilherme qualquer ter parado de gritar.

Agora ando a ver o Porto Canal que é o único operador que fala do nosso Clube. Gostei muito de ver a transmissão dos Dragões de Ouro, bem como o novo visual dos intervenientes.

Nota – O personagem da esquerda foi retirado de http://www.fotosdacurva.com/ a quem agradeço as excelentes fotos com que nos tem presenteado.

Fotomontagens de JOSE LIMA

Até para a semana

3 Comentadores:

JOSE LIMA disse...

Ainda a propósito dos Dragões de Ouro, deixo aqui uns excertos do Discurso de André Villas-Boas que aconselho os Portistas mais radicais a ler:
.
"É sempre um regresso a casa e é sempre especial estar aqui. É uma honra receber este prémio em frente a tanta gente que conheço e é a primeira vez que estou nervoso publicamente", começou por dizer o agora treinador do Chelsea.

Depois veio o texto elaborado, escrito nas folhas que trazia na mão: "Os verdadeiros paraísos são os paraísos que perdemos. Aqui vivem-se eternas memórias da paixão a um clube. O portista vive, é eterno, sofre, luta, exige, acumula e ganha. O portista é educado, aprende, é formado e torna-se melhor".

"Pensei como chegámos ao sucesso na época passada e cheguei à conclusão que o portismo esteve sempre presente. Sentimento de emoção, revolta, desejo, ambição, união e empatia", continuou o técnico.

Quando surgia uma derrota: "Ninguém recuava, sonhávamos, acreditávamos sempre mais e seguíamos sempre convictos", referindo-se depois ao título conquistado no Estádio da Luz: "Na catedral triunfámos. Encontrámos sempre o caminho certo".

"Para uns conquistámos muito, para outros conquistámos pouco; para nós foi o suficiente e o esperado, porque queremos sempre mais e por isso ganhámos mais vezes e por isso somos recordistas", analisou.

"Temos uma emoção transmitida pelo gesto, pelo olhar. O FC Porto é um baluarte unido rumo à vitória, exemplarmente liderado, com uma estrutura que é essencial. Há um esforço comum, todos dependem de todos".

Por fim, Villas-Boas partilhou o prémio: "Receber um prémio individual num desporto coletivo é sempre algo injusto e ingrato, por isso partilho convosco".

Armando Pinto disse...

Não lhe ficava mal dizer que aquelas frases eram do poema de Pedro Homem de Melo, não fosse alguém pensar que eram dele...

Quanto à festa gostei - como aliás transmito em

http://longara.blogspot.com/2011/10/gala-dos-dragoes-de-ouro-numa-outra.html

JOSE LIMA disse...

Exacto caro amigo. Pedro Homem de Melo e não só. Por exemplo "Os verdadeiros paraísos são os paraísos que perdemos" é de Proust. Pelo tom de voz e inflexões, percebeu-se bem a intenção. É que o nosso Presidente também tem a mania das citações e, o discurso, foi inteirinho para ele.
Abraço