Mostrar mensagens com a etiqueta Direitos de Transmissão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Direitos de Transmissão. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Direitos Televisivos

Segundo os regulamentos da Liga, entidade criada para a organização das competições de futebol profissionais, “os clubes detém individualmente a titularidade dos direitos de transmissão televisiva dos jogos e resumos.”

No entanto, pelo menos desde a nefasta gerência de Mário Figueiredo, esta mesma LIGA tem vindo a assumir que a gestão dos Direitos Televisivos deve ser por si conduzida, com o argumento que negociando em conjunto com todos os clubes “conseguirá melhores condições nomeadamente para os mais modestos”.

Como sabemos a Liga faz parte da FPF que por sua vez está inscrita numa confederação europeia (UEFA) e outra Mundial (FIFA). Pode parecer estranho como estas confederações ditam as suas Leis, por vezes ao arrepio da legislação de cada país, e mandam às malvas conceitos como o direito à livre concorrência mesmo que possam existir acordos entre associações de empresas. Quanto a mim o problema principal nem é o legislativo mas sim a credibilidade que este mercado possa ter juntos dos investidores.
Quem são os atores deste negócio? N (nós os clubes), P (o produto, ou seja, os jogos) e C (o cliente). Não podem sobreviver uns sem os outros. Sem clubes não haveria o produto. Quanto ao cliente este é soberano. Está no sofá de pantufas, a beber umas cervejas mas não quer ser enganado com linhas de fora-de-jogo oblíquas ou repetições sonegadas. Não aceita que uns vão de colinho e os outros não. É natural que alguns queiram ganhar mais do que os outros. A repartição dos lucros pelos mais modestos é uma conversa da treta. Nos mais de 80 anos que Portugal já leva de futebol a sério só por duas vezes um dos 3 grandes não ganhou o Campeonato principal: o Belenenses na época 1945/46 e o Boavista em 2000/01.

Não se pense que vai ser fácil convencer os maiores clubes a ceder parte significativa dos seus Proveitos aos mais modestos assim como não se prevê que tenhamos mercado publicitário que permita ao futuro centralizador dos Direitos (seja ele quem for) revender o produto às operadoras com uma boa margem de lucro. Sem clientes ninguém vende coisa nenhuma.

Curiosamente há alguns anos apareceram por aí mais concorrentes a querer intrometer-se neste negócio e agora com uma nova forma de ver televisão.
Esta empresa de comércio eletrónico dos Estados Unidos anunciou há cerca de 1 ano que adquiriu os direitos de transmissão de jogos da Premier League via digital a partir de 2019 e durante 3 épocas. E não se pense que a Amazon transmite apenas futebol. Em abril deste ano, a empresa pagou vários milhões de euros pelos direitos exclusivos do Reino Unido na transmissão do torneio de ténis US Open.
Quer isto dizer que o futebol visto “apenas” pela televisão por cabo acabou. A tecnologia “streaming” permite receber no nosso telemóvel, tablet ou computador aquilo que se passa do outro lado do mundo através da rede da Internet. Se as Federações ou Ligas não quiserem aceitar e adaptarem-se a este novo formato podem ser ultrapassadas.

O streaming é uma forma de transmissão de som e imagem através de uma qualquer rede de computadores. Não se torna necessário efetuar downloads de arquivos para o computador para depois ver as gravações. Com esta tecnologia, a máquina recebe as informações ao mesmo tempo que as mostra ao utilizador. Todos nós já colocamos pequenos vídeos em direto feitos com o telemóvel para os amigos verem em casa.

Também o podemos definir como uma maneira segura de transmitir conteúdo para assinantes de televisão. A IPTV funciona de forma semelhante a serviços como o Youtube ou Netflix. Por meio de conexões de alta velocidade o conteúdo (jogos de computador, filmes, notícias, desporto etc.) é enviado para as residências de milhares de pessoas.
Depois com dispositivos como o chromecast podemos espelhar através da nossa rede Wi-Fi as imagens que recebemos no tablet, telemóvel ou computador para o grande formato da Televisão. Se tivermos uma SmartTV a mesma já traz incorporado este acessório.

Naturalmente esta nova maneira de ver televisão vai fazer com que muitos dos clientes não precisem, não possam ou não queiram ser assinantes das operadoras convencionais.

Assim sendo torna-se claro que a evolução do valor do Direitos Televisivos para os clubes não será a galinha dos ovos de ouro que muitos projetam. Começa a ser divido por muita gente e sistemas paralelos. Basta ver a quebra de assinantes da SportTV e da BTV e a dificuldade com que a recém-chegada Eleven Sports se tem deparado para vender o seu produto às operadoras nacionais. Caberá a todos nós credibilizar o produto.

Até à próxima

segunda-feira, 16 de julho de 2018

A Revolução dos Audiovisuais

Há muito que os telemóveis deixaram de servir apenas para fazer chamadas. Estar em casa ou mesmo no café com os amigos e poder ver um torneio de snooker e um jogo de futebol na tablete ou smartphone é normal. Também já podemos apostar nos resultados desportivos digitando os palpites no telemóvel. Depois podemos escolher entre apostar on-line pela Internet ou com MB WAY QR CODE ”encostá-lo” ao terminal da casa das apostas em vez de perdermos tempo a registar os boletins na maquineta que está sempre a encravar.
 
Se preferirmos visualizar por live streaming ou aplicações como o Mobdro temos acesso a dezenas de canais de Desporto. No YouTube é só escolher. Notícias, Filmes, Musicas etc. que depois podemos “distribuir” por vários televisores da casa.
No futebolzinho indígena o monopólio da Sport Tv parece estar ameaçado. A operadora de Joaquim Oliveira tinha desde 1998 os direitos de transmissão de quase todos os jogos da Liga portuguesa e das principais ligas europeias. Agora com a cumplicidade da FPF permite-se que os encontros do Benfica no galinheiro sejam transmitidos (leia-se aldrabados) pela BTV (televisão do clube da treta) com omissão da repetição de lances e linhas de fora-de-jogo mal colocadas conforme interesse melhor ao clube da casa. Além disso penalizam os associados que além de serem obrigados a subscrever os canais PREMIUM da Sport TV para ver os encontros jogados fora tem que pagar o canal do clube para ver os jogos caseiros.
 
Recentemente foi anunciado que o grupo Eleven Sports tinha adquirido os direitos de transmissão para a época 2018/2019 da UEFA Champions League e da La Liga Santander que pertenciam à Sport Tv. Esta multinacional de canais televisivos de desporto centra os seus negócios na aquisição de direitos desportivos internacionais que depois revende a mercados pequenos como o nosso. Posteriormente cedeu à NOWO (antiga Cabovisão) os direitos para Portugal que terá, por sua vez, de os negociar com os operadores interessados.
Um dia que a Sport Tv perca a titularidade dos direitos da Liga portuguesa quero ver o que fazem os seus subscritores quando é outra vez aflorada a pretensão da LIGA de centralizar a compra dos direitos para “distribuir mais equitativamente” o bolo arrecadado. Isto perante a oposição dos 3 grandes que pretendem continuar a negociar os direitos de cada um deixando os clubes mais modestos sem opção para receber mais uns cobres.
 
Se o detentor dos direitos subir muito a parada está sujeito a que depois, conhecedores destas novas formas de acesso aos jogos por via didital, nenhuma operadora queira pagar o preço que lhe pedem para transmitir os jogos.
 
Neste momento a NOWO já assegurou para Portugal os direitos de 138 jogos da Champions League jogos por temporada, desde a fase de qualificação e a fase de grupos até ao final da prova. Também já possui todos os jogos da Liga Espanhola, Liga Belga, Liga Escocesa e Liga Alemã. Como é óbvio as operadoras MEO, Vodafone, NOS e Sport Tv se quiserem transmitir alguns dos jogos desses países tem que negociar com a NOWO. 
Outro dos trunfos da Eleven Sports foi a contratação de Pedro Pinto, ex-diretor de comunicação da UEFA, para diretor executivo. "A Eleven está a posicionar-se como um dos principais canais no mercado nacional e promete fazer chegar o entusiasmo pelo desporto a mais adeptos que nunca" explicou Pedro Pinto.
 
Para finalizar as novidades tecnológicas o FC do Porto vai ter uma plataforma digital on-line para transmitir os jogos da equipa B, modalidades e formação. A FC Porto TV vai avançar com este projeto que será pago com parte das verbas provenientes do contrato celebrado com a Altice para a difusão do Porto Canal. A partilha de materiais e de recursos humanos está, naturalmente, associada a essa otimização do investimento.
O projeto vai arrancar no decorrer desta época provavelmente ainda em 2018 e o diretor da FC Porto TV será Francisco J. Marques atual Diretor de Comunicação e Informação.
 
Até à próxima

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Contrato Porto/PT Portugal

Meu Deus que confusão vai por aí! Uns dizem que os nossos jogos vão passar no Porto Canal. Outros que quem tiver NOS não vê os jogos da MEO! Alguns ainda que a SportTv vai desaparecer, enfim, um rosário de disparates!

Mas o melhor será começar pelo princípio, ou seja saber, do ponto de vista regulamentar, a quem pertencem originariamente os Direitos Televisivos, quando estamos a falar do nosso campeonato profissional, a chamada Liga NOS.
Pertence a cada um dos clubes nela participantes, como é óbvio no que se refere aos jogos disputados nos seus estádios, quando na condição de visitados. Esses direitos são depois cedidos/vendidos a interessados que pretendam, exibir eles próprios os jogos, ou cedê-los/revendê-los a terceiros. É o que se tem passado nos anteriores campeonatos onde (para abreviar) os clubes cederam/venderam esse direito a uma das empresas de Joaquim Oliveira (IPTV) que depois os negociou com outra sociedade de que é titular a SportTV. A maior parte desses acordos, como é o caso do FC do Porto, termina em Junho de 2018.

A partir dessa data, ou antes como se viu agora, a dança é a mesma. Alguém (neste caso a PT PORTUGAL) adquiriu-nos esses direitos por um determinado período, assim como por exemplo, outro operador (a NOS) tinha adquirido a um dos circos da Segunda Circular direitos idênticos, que como não tem compromissos para além de 30 de Junho de 2016, e estava mortinho por se livrar daquilo, poderá iniciar as transmissões na próxima temporada. Igual raciocínio se passará com outros clubes que tenham recebido propostas idênticas.

Se tal acontecer (aparecerem interessados em licitar os Direitos) estes ficarão repartidos entre as várias operadoras do espectro televisivo licenciadas para o efeito. O que se passa daqui para a frente (e atenção: ainda só estamos a falar dos jogos “em casa”) serão os seus titulares a decidir. Se estão interessados em exibir eles próprios os jogos ou revendê-los a terceiros. Novamente o exemplo do Circo da Luz que, nas últimas épocas, exibia ele mesmo os jogos, ao contrário dos outros clubes que cediam/entregavam a outra operadora (SportTV) a responsabilidade das emissões.
O mesmo se passa com os “jogos fora”, o processo é igual. Os interessados licitam/compram e depois exibem/revendem os encontros. Aqui chegados vamos perceber que um campeonato com 18 clubes (9 encontros por jornada x 34 jornadas) poderá transmitir 306 jogos. Até aqui a SportTV teve a arte e o engenho de açambarcar a quase totalidade dos participantes e exibir ela própria uma média de 5 jogos por jornada, mediante assinatura.

Outra coisa será saber “em que Canal passam os jogos” (MEO, NOS, CABOVISÃO, VODAFONE ou outros). Possivelmente em todos. Como a SportTV tem participações cruzadas com as principais operadoras (MEO e NOS) o mais natural é que seja a própria (mas não necessariamente) a transmitir os jogos. Não esquecer que só as duas operadoras acima referidas, MEO e NOS, tem mais de 75% do mercado por assinatura. Branco é galinha o põe.

Agora a pergunta do milhão de euros. Por quanto vão ceder/vender os seus Direitos os clubes mais modestos e sem os quais não poderia haver campeonato? Cada um deles vai jogar 34 vezes (1ª e 2ª voltas) mas, provavelmente, irá receber a côdea do costume. Qual o papel da LIGA, Associações e FPF nesta mediação? Zero! Quem defende os clubes? Ninguém!
Aqui chegados sobra para o pobre espectador o compromisso de assinar uma operadora e, se quiser ver os jogos, assinar também a SportTV. Tudo como dantes exceto os milhões em jogo. Uma dúvida final me assola. Qual a viabilidade económica destes contratos num país do terceiro mundo, verdadeiro caixote do lixo da Europa? Posterior difusão e venda dos jogos a polos de emigração? Américas, Europa Central, África? Já estou a ver as palhoças com uns arames dependurados para sintonizar o Tondela X Moreirense!

Até à próxima

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Um Negócio das Arábias

Num verdadeiro flic-flac (cambalhota) para trás o clube da treta entregou à NOS os seus anéis ao negociar os direitos televisivos dos jogos em casa, e os contratos com algumas Ligas Europeias, que passavam na BTV. O primeiro prejuízo foi perderem a assinatura de cerca de 150 mil assinantes a €9,90/mês. Eles dizem que eram 300 mil, mas como metade não pagava eram só aqueles. Além disso, como tem uma divida financeira monumental, ninguém lhes empresta um chavo para licitar a Liga Inglesa do próximo triénio cujo contrato expira nem 2016, a única Liga que tem qualquer interesse. Fator principal terá sido ainda o galopante Passivo Financeiro (o que deve aos Bancos) que tem que ser rapidamente diminuído.
Bem podem os benfiquistas estrebuchar, o palermoide do Dia Seguinte jurar a pés juntos que se demite, o negócio está feito e bem feito. Os joguinhos em casa vão passar na SportTv.
 
Desde que a ANACOM proibiu a fusão entre a antiga ZON, a MEO, e a SportTv adivinhava-se que Joaquim Oliveira seria o parceiro ideal para uma operadora com a dimensão da NOS. Para já recuperou os direitos da Liga Inglesa, mantendo todos os outros que já tinha, e acrescenta à SportTv (via NOS) as ligas que eram pertença da “instituição” para exibir em 5 canais, exponenciando o número de assinantes do canal de desporto clientes dos operadores MEO, NOS, VODAFONE, CABOVISÃO, etc.
12 anos depois Joaquim Oliveira volta a salvar o clube da treta da falência. Se não fosse o know-how do empresário, e os 500 mil assinantes da SportTv a pagar para ver os jogos, a quem iam os clubes vender os seus direitos?
 
Vem agora a talhe de foice uma questão que nunca chegou a ser resolvida. É que a BenficaTv foi criada pelo Benfica/Clube (que tem estatuto de IPSS com os inerentes benefícios fiscais e de outra natureza) mas não podia exercer atividade de exploração, realização e divulgação de transmissões desportivas, nem a SAD a quem foi “cedida” a posição, tinha no seu objeto essa mesma possibilidade. Enfim mais um arranjinho ocultado durante uns anos, com a habitual complacência para quem “faz sempre as coisas pelo outro lado”. Os amigos são para as ocasiões.
Outro facto estranho, é que apesar de uma recente decisão dos clubes profissionais da LIGA de pretender centralizar ali a totalidade dos contratos para negociar em grupo com os detentores dos direitos uma melhor retribuição não se conhecem até agora pormenores dessas negociações nem o senhor Proença tem sido visto por perto. 
 
Resultado: com esta entrega dos direitos do clube da treta a uma operadora logo irão, assim que terminarem os seus contratos, o Sporting e o FC Porto tentar negociar pelos melhores valores possíveis, ficando os pobres dos clubes mais modestos outra vez a ver a banda a passar. Qualquer dia em vez de receberem ainda pagam!
 
Até à próxima

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Centralização dos Direitos Televisivos

Como é reconhecido, um dos Proveitos (Ganhos) que maior impacto tem nas contas dos clubes profissionais de futebol, é a venda dos direitos televisivos. Até há bem pouco tempo a SportTv (para facilidade de expressão vamos chamá-la só assim, embora tenha empresas associadas que tratam da compra, negociação, e transmissão dos jogos) tinha na mão os clubes a quem fazia adiantamentos por conta do valor dos contratos. Todos nos recordámos que salvou o clube da treta presidido por Manuel Vilarinho da falência quando, depois de correr com Vale e Azevedo, nem sequer tinha dinheiro para comprar a cal de marcar o campo.

Uma marioneta de má memória que passou pela LIGA classificava esses procedimentos de Joaquim Oliveira como “monopólio”. Não era! Monopólio foi, por exemplo, o exercido pela Portugal Telecom (antiga APT) durante muitos anos, que nos obrigava a pagar três mil escudos/mês para ter telefone mesmo que não fizéssemos uma única chamada. Outro caso interessante é o que reporta à Portaria Nº 216/2012 de 18 de Julho que estabelece as normas gerais da atividade de mediação dos jogos sociais do Estado atribuída à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, através do seu Departamento de Jogos, “em regime de exclusivo, para todo o território nacional". Para os mais distraídos convém relembrar que a titular desse monopólio já o era por decreto régio, para os jogos, lotarias e apostas desportivas, e agora vai acrescentar-lhes as apostas Placard. As famigeradas apostas on-line que poderiam beneficiar os clubes (sem eles não haveria em quem apostar) ficaram metidas na gaveta.
 
Atualmente é dirigida por um trampolineiro que enquanto presidente da CML praticamente viabilizou a construção de um Estádio ao clube da “verdade desportiva”. Estamos recordados dos pareceres negativos do Tribunal de Contas no que se refere aos “benefícios” dados ao clube da treta que levaram inclusivamente à falência da EPUL obrigada a construir com dinheiros públicos uma urbanização ao lado do galinheiro. Como é hábito neste país, em vez de o meterem na cadeia, o homem “andou por aí” a pastar até que, para não atrapalhar nas eleições, trasladaram-no diretamente do partido para a Santa Casa da Misericórdia.

Voltando ao tema da crónica, a SportTv que faz 17 anos no próximo dia 16 negociava com os clubes, e pagava-lhes o valor que combinavam. Nada nem nenhum “regulamento” impedia outro agente de oferecer melhores condições aos clubes. A prova disto foi a assunção por parte do Benfica da transmissão dos jogos caseiros e da Premier League há meia dúzia de anos sem quaisquer constrangimentos. Agora até já anuncia os jogos dos campeonatos de Itália e França para as próximas temporadas (2015/16 a 2017/18).

Lá por fora, seja por decreto ou por consenso entre os participantes, foram encontradas soluções que parecem apontar um maior benefício na negociação centralizada. Tirando o facto de as coisas não funcionarem tão bem por aqui como no centro da Europa, não custa nada experimentar. Os atores deste negócio que só terá estreia anunciada daqui por 3 anos quando acabarem os prazos em vigor dos atuais contratos são os habituais nas transações de compra e venda. Tudo começa no triângulo. Nós, o Produto, e o Cliente.
“N” somos nós, as nossas equipas, “P” obviamente é o produto, o pontapé-na-bola, e “C” os clientes/consumidores. Simples não é? O problema surge quando os “clientes”, como está a acontecer no clube da treta, não pagam as quotas (dos auto anunciados 230 mil sócios, depois da renumeração, passaram a metade) e a maior parte deixa de ser assinante do canal. Nas operadoras (Vodafone, NOS, MEO, Cabovisão, etc.) acontece o mesmo. A SportTv que chegou a ter 1 milhão de assinantes hoje tem metade. Para os verdadeiros donos dos direitos, os clubes, falidos até ao tutano sem crédito bancário e a contas com a proibição dos Fundos, a questão é vital para fazer face à constante subida dos Custos. A panaceia será a centralização, eufemismo que significa “receberem mais algum dinheirinho”?

Mas, e pergunta o macaco, centralizar a quem, como, e por quanto? Seja lá que entidade for a meter-se nessa alhada, tem que pensar a quem vai vender depois. Sim, porque enquanto o Oliveira compra mas exibe os jogos por assinatura, a LIGA por exemplo, teria que negociar com os operadores televisivos (SportTv incluída) a sua distribuição. As contas negativas dos últimos 3 anos na SportTv não encorajam qualquer empresário “fora do sistema” a meter-se neste negócio. Por isso julgo saber que está a ser combinada uma futura sociedade da BenficaTv com a SportTV (naturalmente sob a capa da MEO/Altice para não chatear os lampiões), que poderá resolver o problema. Ou então vender aos grandes operadores internacionais como por exemplo os que adquiriram os direitos em Espanha ou Inglaterra e que tem mercado para rentabilizar o produto.

Até à próxima.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Histórias da Carochinha

Notícias recentes vindas de Espanha sobre o Decreto-Lei que aprovou a Centralização dos Direitos Televisivos para as Ligas Profissionais a partir da próxima época, vieram animar esta fase final do nosso campeonato e relançar um dos temas usado como cenoura pelo senhor Figueiredo aquando da sua fugaz passagem pela Liga.

Mas vamos lá fazer o ponto da situação em Portugal. Primeiro analisar o aspeto legal. A Liga, entidade criada para a organização das competições de futebol profissionais, refere no seu Regulamento (Art.º 68º nº 2) que “os clubes detém individualmente a titularidade dos direitos de transmissão televisiva dos jogos e resumos.”

Como sabemos a Liga faz parte da Federação que está inscrita numa Confederação europeia (UEFA) e outra Mundial (FIFA). Pode parecer estranho como estas confederações ditam as suas Leis, por vezes ao arrepio da legislação de cada país, e mandam às malvas conceitos como o “direito à livre concorrência” desde que existam acordos entre associações de empresas, como é o caso. Quanto a mim o problema principal nem é o legislativo mas sim a credibilidade que este “negócio” possa ter juntos dos investidores.
Quem são os atores neste negócio? Nós (clubes); o Produto (jogos); e o Cliente (consumidor). Não podem sobreviver uns sem os outros. Sem clubes não haveria jogos nem transmissões. A credibilidade é necessária. O Cliente não muda. Está no sofá de pantufas mas não quer ser enganado com linhas de fora-de-jogo oblíquas ou repetições sonegadas. O Produto é o que é. Uns vão de colinho e os outros não. Cabe-nos a Nós rentabilizar o negócio.

A “repartição dos lucros pelos pobrezinhos” é uma conversa da treta. Nos 80 anos que Portugal já leva de futebol só por duas vezes um dos 3 grandes não ganhou o Campeonato principal: o Belenenses na época 1945/46 e o Boavista em 2000/01. É natural que “uns queiram ganhar mais do que os outros”.

Tomando a Espanha como exemplo refira-se que a “repartição” está assim escalonada: as receitas são distribuídas na 1.ª Liga segundo três critérios: 50% do que se consiga pela venda centralizada será dividida em partes iguais pelos 20 clubes. Outros 25% serão repartidos tendo em conta os resultados das últimas cinco épocas e os restantes 25% de acordo com o critério de "notoriedade", o qual se estabelece, por exemplo, levando em consideração o número de associados. Deve ser por isso que “a instituição” admite sócios de qualquer maneira, sem sequer pagarem quotas ou, a preços simbólicos.
Atualmente Real e Barcelona recebem cada, cerca de 140M€, de uma receita total de 750M€, esperando-se que a futura quantia arrecadada se aproxime dos 1000M€. Na Premier League a receita a distribuir anda pelos 2.300M€ com um critério de redistribuição semelhante. Isto enquanto no nosso país a quantia que Joaquim Oliveira paga (pagava) aos clubes anda na ordem dos 60M€.

Não se pense que vai ser fácil convencer os nossos 3 grandes a ceder parte significativa dos seus Proveitos aos clubes mais modestos assim como não prevejo que tenhamos mercado publicitário que permita ao futuro “centralizador dos Direitos” que poderá ser a LIGA, revender o produto às operadoras com uma boa margem de lucro.

Se juntarmos no mesmo ramalhete outra história da carochinha, a da recente proibição do recurso a Fundos de Investimentos e as penalizações previstas no Fair Play Financeiro enquanto se esconde a proveniência dos petrodólares, adivinha-se que a próxima época vai ser complicada para a formação dos planteis. Como disse há dias em resposta a um comentário do Jorge Vassalo "lá vem mais um Empréstimo Obrigacionista".

Até à próxima

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A RTP e a CHAMPIONS

Pelos vistos na “nossa” RTP, aquela pela qual todos pagamos uma taxa na fatura da eletricidade, há duas entidades a mandar. O Conselho Geral Independente (CGI) e o Conselho de Administração (CA). Como noutras instâncias deste país de opereta quando não se sabe ou percebe do assunto cria-se uma comissão ou conselhos (independentes ou não) pastos fácil da partidarite que abocanham mais umas dezenas de milhares de euros mensais.
 
Então o que aconteceu foi o CA liderado por Alberto da Ponte negociar com a TEAM, empresa detentora dos direitos televisivos da Champions, a compra para a RTP da transmissão dos jogos das próximas 3 épocas. “Aqui del rei o que foste fazer” gritou furiosa a cambada do Conselho Geral Independente, “então e nós não recolhemos os louros? Vamos ter eleições e vinha mesmo a calhar para animar a populaça.” E vá de começarem a publicitar o feito, admitindo até “partilhar” os jogos com outros operadores privados. O resto é conhecido. Entrou pelo meio mais um organismo que não serve para nada, ERC (Entidade Reguladora da Comunicação), que passou a importante discussão para a Comissão de Ética (outra que tal) e ainda baralhou mais as coisas.
É que os ignorantes que fazem parte do CGI desconheciam, que para partilhar os joguinhos com outras operadoras e irem chupar na teta da vaca, tal só seria possível com uma autorização prévia que deveria constar do contrato. Thomas Schmidt, um responsável pelas negociações, veio pôr o caso em pratos limpos, declarando que “a RTP adquiriu os direitos para exibir os jogos e não para os revender”!
 
Tanto barulho por causa de 15M€ até 2018 facilmente recuperáveis. Imaginem quanto será o retorno publicitário que a operadora poderá atingir, se as equipas portuguesas se portarem bem na competição! O contrato está neste momento no gabinete da ministra das Finanças, a aguardar o seu aval. Até porque a compra dos direitos de transmissão dos jogos, que foi criticada pelo Governo, pela voz do ministro Marques Guedes, é uma hipótese que estava prevista através do Contrato de Concessão entre o Estado e a RTP conduzido por Poiares Maduro.
Mas já nada me admira. Olhando para as guerrinhas caseiras não é que os clubes da “LIGA nova” indigitaram Domingos Soares de Oliveira, o homem que está a levar a “instituição” à falência, para tratar da negociação da compra dos direitos pela Liga de forma centralizada? É que o clube da treta não tem dinheiro para investir, está mortinho para se ver livre da alhada em que se meteu, e quer passar a pasta a outro ficando apenas com os seus joguinhos em casa para não parecer mal. Se o homem pensa que Joaquim Oliveira (agora em parceria com a NOS) larga os joguinhos de mão beijada está muito enganado.
 
Estes incompetentes da RTP brincam e nem se apercebem do que estão a negociar. Vejam-se (tomando como exemplo a última época) os valores que cada clube participante ganhou e quanto poderá receber caso atinja a final.
 
Para aumentar a confusão foram conhecidos na última semana os valores a distribuir pelos clubes Ingleses relativos aos Direitos Televisivos para deixarem transmitir os jogos. Basta dizer que o clube que menos recebe ganhará quase tanto como os balúrdios que auferem Barcelona e Real de Madrid. O Liverpool, por exemplo pode na próxima temporada receber mais de 200M€, e o Cardiff (que será o que recebe menos) cerca de 125M€.
 
Naturalmente o reverso da medalha será o facto dos clubes Ingleses que vão receber muito mais dinheiro através dos contratos que conseguiram com o Sky Sports e BT Sport (fala-se em 7 mil milhões de euros por 3 épocas) verem os valores das compras de jogadores de topo que eventualmente pretendam adquirir fortemente inflacionados. Os pequeninos como nós continuam de fora das negociações, conseguindo de vez em quando, algum refugo emprestado.
 
Já ao terminar esta crónica fui confrontado com a decisão da CML de isentar o clube da treta do pagamento de taxas urbanísticas de cerca de 1,8M€ por intervenções a realizar junto ao Estádio da Luz, o que gerou críticas da oposição. O vereador António Prôa, do PSD, explicou à Lusa que o valor das isenções diz respeito a intervenções em áreas desportivas e em áreas complementares à atividade desportiva, como é o caso das instalações da Benfica TV e de restaurantes que existem no estádio.
 
Cerca de 27.500 metros quadrados são para licenciar e perto de 10.700 metros quadrados são construção nova. O Departamento de Planeamento e Reabilitação Urbana (DPRU) do município -- que apreciou o pedido -- considerou que "os usos propostos a legalizar de terciário/comércio são complementares ao uso de equipamento do complexo desportivo do Estádio da Luz". Se também isentarem de taxas as roulottes de cachorros concordo plenamente.
 
A parte da proposta que se refere à regularização de obras já feitas teve o voto favorável de todas as forças políticas, à exceção do PCP. O vereador comunista Carlos Moura indicou à Lusa que o objetivo é legalizar "construções contíguas ao estádio do Benfica que foram realizadas sem licenciamento e sem fiscalização da Câmara". Porém, para o vereador, "não devem existir obras que não são licenciadas", situação que classificou como "muito bizarra". Bizarra? Então eles não fazem sempre as coisas pelo outro lado?
Que importância tem 1,8M€ para trás ou para a frente numa autarquia que Santana Lopes e Carmona Rodrigues deixaram falida, precisamente com habilidades como estas favorecendo a “instituição”, referenciadas e condenadas pelo Tribunal de Contas sem que nenhum deles (ou ambos) tenha ido parar à cela 45? Como diria um nosso conhecido poeta/pensador (parabéns fez há dias 69 anos) afinal o Benfica não é um clube de futebol, é um Circo.
 
Até ao próximo espetáculo

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Ponto de Ordem

LIGA - Fim de ano é altura de Assembleias-Gerais, Orçamentos e também Balanços. O melhor e o pior desta Liga. Começo com um apontamento cómico. O parvalhão que presidiu à anterior direção esqueceu-se de mandar retificar o Regulamento da II Liga no que respeita às descidas. Como houve aumento de clubes participantes (atualmente são 18) pelo Regulamento ainda em vigor, pasme-se, descem o 15º e o 16º, em vez do 17º e 18º. Naturalmente será corrigida a situação.
Depois do descalabro, a roçar o doloso, da gestão financeira a entrada de Luís Duque parece ter resultado. Resolveu o problema dos débitos aos árbitros, faltando ainda saber o resultado da indispensável auditoria externa para se avaliar em definitivo como estão as contas. Para já os clubes participantes na Taça da Liga prescindiram das receitas para equilibrar os prejuízos.
 
DIREITOS TELEVISIVOS – A trapalhada arranjada por Mário Figueiredo com o projeto da centralização na própria LIGA é uma bomba relógio. Primeiro porque está falida e não vejo como possa concorrer com operadores televisivos ou distribuidores de conteúdos por cabo. Depois porque um dos clubes, o Benfica, arrancou com a compra e transmissão dos jogos em casa, acrescentando uma cenoura (Liga Inglesa) para tornar atrativos os €9,90 da sua BTV.
 
Na próxima comercialização de Direitos nada nos garante que a BTV consiga competir com eventuais fusões entre operadores com maior poder negocial ou mesmo, se acontecer a tal centralização na LIGA, tornará rentável manter o atual cenário. Por declarações avulsas do responsável financeiro parece que o anunciado volume de assinaturas mal cobre as despesas.
PASQUINS, TV’s E RÁDIOS – Lamentável proliferação de programas televisivos sobre futebol que passam nos órgãos, ditos de informação, todos de inspiração descaradamente benfiquista. Já não bastava a vergonhosa Benfica TV, juntaram-se-lhe os títulos da COFINA (Record, Correio da Manhã, CMTV); os programas Mais Futebol, Zona Mista, onde os nossos ”representantes” ou são meio-gagos (Dia Seguinte); ou palhaços (Prolongamento). Outros “comentadores” manifestam um ódio visceral ao Futebol Clube do Porto (p. ex. Octávio Machado). O bombeiro agricultor diz que “a culpa é da estrutura”. Este é como o Santana Lopes. Ainda não percebeu porque foi substituído. Outro ainda encobre sorrateiramente uma putativa candidatura ao nosso clube (António Oliveira). Completamente sui-generis ainda, a participação de um pobre apresentador de telejornais, funcionário da RTP, Carlos Daniel, com o acordo da linha editorial da empresa, finge ser um profundo conhecedor de futebol mas que está ali, apenas, para enaltecer os feitos do seu clube da treta. Simplesmente vergonhoso.
 
Vimos no Rascor de 17 de Dezembro, Jorge Barbosa o intitulado “Editor Chefe”, do alto das suas tamancas proclamar: “Jesus apaga Lopetegui” provavelmente referindo-se à vitória sobre o nosso clube no jogo da Liga. E lá vinha a ladainha habitual da “competência” do catedrático, da “inexperiência” de Lopetegui, blá, blá, blá. Ó Jorge! Tu é que foste apagado filho! Vai-te encher de moscas. Basta ver o apagão hoje (escrevo a 21/12) com o Gil Vicente.
 
PORTISTAS NOVOS, VELHOS, E ASSIM-ASSIM – Mais lhes valeria estarem calados. Aqueles que criticaram o nosso treinador e os nossos atletas levaram logo passados 3 dias com a gata pelas ventas. Sim amigos. A vitória histórica do Braga na Luz foi muito mais traumatizante para as águias depenadas do que a nossa derrota no Dragão. Já cá ando há muito tempo!
 
OS NOSSOS CONCORRENTES – Tradicionalmente fazendo parte dos chamados “3 grandes”, Sporting e Benfica, consoante a sua prestação dentro das 4 linhas lhes permite vir à tona de quando em vez, aldrabam ou escondem as suas fragilidades, o verdadeiro drama em que se transformaram as suas situações financeiras.
 
No decorrer de poucas dezenas de anos e muitos erros de gestão transformaram-se ambos em sociedades falidas, sobrevivendo apenas com a ajuda de perdões fiscais, empréstimos da Banca também ela falida, o recurso a investidores privados, ou aos cada vez menores, Proveitos Extraordinários (transferência de atletas).
No caso do Benfica é fácil de verificar que esta última solução (venda de ativos) está a constituir um verdadeiro quebra-cabeças para a “instituição”. Vendendo os seus melhores atletas (são esses que interessam aos vorazes compradores) o plantel fica desfalcado e constitui pasto fácil para os clubes menos poderosos. O recente desastre que foi a não conquista de UEFA CHAMPIONS LEAGUE cuja final foi disputada no estádio da Luz e, mais recentemente, a eliminação da Champions, e da Taça de Portugal, são a prova evidente desse desequilíbrio.
 
No Sporting o caso é mais grave visto que os seus jogadores não pertencem inteiramente à SAD, os Proveitos não cobrem os Custos, e com um número insuficiente de atletas no plantel não será fácil atingir um dos 3 lugares das competições europeias, as únicas que dão lucro. Além disso, o Capital Social começa a ficar entregue às sociedades de investidores que transformaram os créditos em Ações. Por exemplo o Novo Banco e o BCP transformaram os créditos que detinham na SAD em VMOC títulos que a longo prazo serão transformados em ações da Sad, ou seja, lixo tóxico.
FUNDOS DE INVESTIMENTO - O senhor Blatter parece ter desferido forte machadada nos clubes habituados a fazer dos Fundos o seu cofre-forte. Foi mais uma das asneirolas que o banana que (ainda) preside aos Calimeros arranjou. Foram tantas as queixinhas aos senhores da UEFA que esta aproveitou e fez-lhe a vontade. A partir do próximo ano quem tiver contratos em vigor pode mantê-los apenas até meados de 2016. Vai ser interessante verificar se o BES continuará a esbanjar dinheiro no Sporting como até aqui. O poço deve estar a secar. Para já anuncia-se o fim da equipa B e os processos levantados à brigada do croquete.
 
Até à próxima

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Fusões e Infusões

O Conselho da Autoridade da Concorrência adotou há cerca de 1 ano a decisão de “passagem a investigação aprofundada” a operação de concentração 4/2013 entre a Controlinveste, a ZON, a PT, a Sport Tv e a PPTV, uma vez que a mesma suscita sérias dúvidas, à luz dos elementos recolhidos, no que respeita aos chamados mercados PREMIUM: o mercado de direitos de transmissão televisiva de conteúdos desportivos; o mercado de canais de acesso condicionado com conteúdos desportivos; e os mercados de conteúdos desportivos para internet e telefonia móvel.
Quer isto dizer que essa mesma decisão se prende com a queixa que a Liga de Futebol enviou à ADC (Autoridade de Concorrência) e que tem a ver genericamente com a operação anunciada acima onde esta fusão é considerada como “abuso de posição dominante”. Neste processo, inicialmente, estavam em causa os prazos alargados dos contratos da Sport Tv estabelecidos com os clubes que, segundo o organismo presidido por Mário Figueiredo, “chegam a ter oito ou nove anos de duração, violando as práticas estabelecidas pela Comissão Europeia”. Depois passaram a classificá-los como “monopólio” e mais tarde foi contestado ainda o facto de os referidos contratos terem sido negociados individualmente, terminando em datas distintas, o que impossibilita, segundo a Liga, a entrada de um potencial concorrente no mercado. Que eu saiba nunca ninguém proibiu qualquer operador de comprar os Direitos Televisivos. A melhor prova é que alguns (poucos) dos Direitos a concurso (provas nacionais, internacionais e/ou provas uefeiras) até foram comprados, imagine-se, por uma SAD falida!
Além disso, no negócio dos direitos de transmissão televisiva dos jogos de futebol por parte do empresário Joaquim Oliveira que detém a PPTV, este é acusado de “ser acionista da Sport TV, da Zon, da PT e das SAD’s de alguns clubes da Liga SAGRES, e fazer negócio consigo próprio", ou seja, tirar partido de jogar em vários tabuleiros ao mesmo tempo. Donde vieram as queixas? Do Benfica, claro! Já apanharam os jogos do Farense, negoceiam com o Boavista e alguns outros que não vem ao caso por agora. Para o senhor Figueiredo que pretende centralizar os direitos televisivos na LIGA, não está mal. Vamos ver se consegue convencer a “instituição” a entregar-lhe os jogos do galinheiro, devidamente autorizados pela ANACOM.
Tudo se prende, como é bom de ver, com a aventura a que se abalançaram há cerca de 1 ano na transmissão dos jogos do seu estádio. Como fazem sempre a coisa pelo outro lado, trataram de lixar o negócio aos outros, provavelmente pensando que seria mais uma fonte de receita para fazer face aos Custos assustadores evidenciados nos seus Relatórios. Por mim, cliente da Sport TV desde que ela existe, prefiro pagar 30 euros para ver 4 canais a funcionar todo o dia com uma infinidade de desportos, do que se tivesse de pagar 10 euros para ver os jogos do clube da treta em casa e mais alguns campeonatos sem interesse.
 
Se quisermos analisar o assunto pelo prisma da “legalidade” causa-me sérias reservas o fato de ter sido concedido por “esta” mesma ANACOM, licença de transmissões desportivas a um clube com estatuto de IPSS, o Sport Lisboa e Benfica para este, mais tarde, a “entregar” de mão beijada a uma sociedade com fins lucrativos, a Benfica, Sad. Como já disse noutro comentário, não está no “objeto” da Sad a função de operador televisivo, com a agravante do concessionário original, o Benfica/Clube, por se tratar de uma IPSS ter usufruído de benefícios fiscais e outros.
 
Agora a nova “investigação aprofundada” a que a AdC se propõe surge na sequência das alterações das condições de mercado resultantes da fusão da Zon com a Sonaecom.
Os novos pressupostos implicaram que a operação de concentração, notificada no final de Janeiro de 2013, voltasse praticamente à fase inicial de apreciação, mantendo-se (e reforçando-se) as dúvidas levantadas pelo regulador ao justificar a primeira “investigação aprofundada”, a 22 de Agosto do ano passado.
 
A “Operação Triângulo” prevê a partilha do capital social da Sport TV pela Controlinveste Media (detida por Joaquim Oliveira), Zon e PT. Atualmente a Sport TV é detida em partes iguais pela Sportinveste (controlada por Oliveira) e pela Zon, cabendo a cada 50% do canal. Com o novo figurino proposto, a Sport TV irá incorporar a PPTV (empresa que comercializa os direitos televisivos desportivos, totalmente controlada pela Sportinveste e a Sportinveste Multimédia (fornecedora do mercado dos conteúdos desportivos para Internet e telemóvel, detida em partes iguais pela Sportinveste e PT), passando a ser detida em 50% pela Controlinveste Media, e os restantes 50% divididos em partes iguais pela Zon e PT.
Pessoalmente não me choca nada que uma entidade criada e vocacionada para a transmissão de acontecimentos desportivos como é a Sport TV estabeleça fusões ou parcerias com os operadores televisivos que distribuem o sinal de televisão por cabo, Zon, Meo, Cabovisão etc. e levam os jogos a nossas casas.
 
O negócio também tem sido contestado junto da AdC pelos operadores de menor dimensão no mercado, como a Vodafone e Cabovisão, assim como um conjunto de clubes de futebol e Sociedades Anónimas Desportivas, onde se inclui o Benfica. Notícias mais recentes referem que está a ser negociado um protocolo de entendimento em que a Sport Tv, poderá ceder e incluir no acordo uma ressalva de não exclusividade nos seus conteúdos Premium, deixando assim aberta à concorrência a sua futura utilização.
 
Fica claro que quando o clube da treta chora, tudo se agacha. Mas deixem-me que lhes diga: se esta pressão toda for para aparecerem mais canais no género da BenficaTV, A BOLHATV ou a CMTV, mais vale estarem quietos!
 
Até à próxima

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Balanços e Balancés

Em Janeiro começa a época dos Saldos. A “instituição” mais falida de todas espera e desespera, para impingir algum dos 104 barretes com que iniciou a época. A triste verdade é que no popular desporto do pontapé-na-bola, os balanços fazem-se em Junho. Sabe-se então quem ganhou. Janeiro serve apenas para as Sociedades Desportivas enganarem os sócios, ajudados pelos pasquins que nas primeiras páginas “compram e vendem” jogadores todos os dias.
Lembram-se do que acontece também em Junho? É o mês onde o senhor Miguel Sousa Tavares, durante 20 vezes em 30 anos, veio dar a mão á palmatória. O homem que despeja asneiras na página 38 da BOLHA às 3.as feiras, nunca mais aprende. Também por isso é que ainda o deixam escrever. Este ano começou cedo com a pressão do costume. Pressão é como quem diz. Em boa verdade ninguém lhe liga a ponta de um chavelho. Aliás é uma das virtudes que reconheço ao nosso presidente. Deve pensar: “os cães ladram e a caravana passa”. Em 30 anos passou 59 vezes! 20 Campeonatos, 12 Taças Portugal, 20 Supertaças, 2 Taças dos Campeões, 2 Taças Uefa, 1 Supertaça Europeia e 2 Intercontinentais.

Dos Balanços verdadeiros, os das continhas, nem é bom falar. Se todos os “grandes” andam pelos Fundos, “o mais maior grande” tem os fundilhos todos rotos. O Passivo acumulado na gestão Vieira é maior do que o somado pelo nosso clube e os calimeros juntos. Vamos então aos balancés! Os pasquins, habituados há anos a enaltecer o clube da treta, este ano não sabem para que lado devem cair… e o que está a dar nas televisões é enaltecer o Zbórden, digno sucessor do clube da treta nas choraminguices televisivas.

Reparem neste ramalhete: DIA SEGUINTE, com o popular Gomes da selva, inculto bitaiteiro que não sabe nada da sua SAD e sabe tudo das outras; TRIO DE ATAQUE: GOBERN, que eu conhecia como crítico cinematográfico mas do seu clube nada percebe, nem sequer é sócio; PROLONGAMENTO: Um ilustre talhante de fígados com um discurso medonho, repetitivo, é impossível ouvi-lo mais do que um minuto sem mudar de canal; TEMPO EXTRA: o homem ousou dizer mal do Benfica e JJ aos Domingos, foi despachado em Grande Velocidade para as 3.as feiras às 23 horas; CONTRA GOLPE: um pesadelo com 7 ou 8 comentadores mal preparados; MAIS FUTEBOL: Apresentado pela Bolacha Maria que não faz farinha daquela cambada, é tudo contra o nosso Clube; ZONA MISTA, programa que já foi interessante, agora meteram lá o Manuel José, inimigo figadal do nosso presidente (“nunca serei treinador do FCP enquanto PC lá estiver”). Enquanto lá estiver e quando deixar de estar, digo eu. Seguem-se os 3 canais do clube da treta, BENFICATV (pura propaganda estilo A Voz do Dono); BOLATV (execrável); CMTV (um vómito com os 2 Octávios). Todos estes programas levam os 2 circos da Segunda Circular a andar no balancé, que é como quem diz, apoiam o que estiver melhor e “desfazem” o outro. A capa manhosa do Record no último dia do ano é prova disso.
Na RTP um programa que ainda se pode ver é o Play-Off onde o António Oliveira tem papel de relevo. Deixo para última apreciação o Porto Canal de quem muito se esperava e onde o nosso clube detém uma participação minoritária. Como é conhecido, o Futebol Clube do Porto tem opção de compra do canal até Junho deste ano. Vamos a ver que decisão tomará.

Outro efeito balancé é o dos Direitos Televisivos quer sejam explorados pelo próprio clube ou explorados por outra qualquer entidade. Basta analisar a BenficaTv. Foi tornada pública uma oferta de 121M€ da sociedade de Joaquim Oliveira por um contrato de 5 anos na concessão dos direitos televisivos dos jogos do Benfica em casa, para transmissão na SportTv.
Que faz Vieira? Recusa e adquire no mercado (aquilo que Joaquim Oliveira costumava fazer) jogos da Liga Inglesa, e coloca-os no seu próprio canal a um custo de 9,90 euros por mês. Resultados financeiros não são conhecidos mas não custa acreditar que a “habilidade” esteja a dar prejuízo. Se, por um lado, recebe parte da subscrição do canal, por outro, tem que adquirir os direitos de um pacote de jogos, pagar toda a logística de produção e transmissão dos mesmos, e provavelmente, se a época lhe correr mal, perder receitas associativas. Se os sócios pagam quotas para ver jogos ao vivo, para quê pagar na Tv e vice-versa? Além do mais, e ainda não vi isto referido em lado nenhum, a BenficaTV terá que ceder 3 jogos/ano em aberto aos canais privados, depois de a Liga ter sido incluída na lista de eventos de interesse público.

Até à próxima e um Bom Ano

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Traquinices e Diabruras

Em finais do ano passado, Joaquim Oliveira mandou o senhor Figueiredo ficar a brincar sozinho. Perante o não cumprimento por parte da Liga de se entender com um operador televisivo que transmitisse os joguinhos da Taça da Liga, o dono da Olivedesportos rescindiu o contrato então existente.
Quando por alturas das eleições para a Liga, o senhor Figueiredo prometeu aos clubes mais modestos o aumento da 1ª Liga para mais clubes com as consequentes benesses financeiras, e mordomias excepcionais aos maiores, com a apregoada centralização dos Direitos Televisivos na Liga, logo as orelhas do senhor Vieira se arrebitaram. Podia lá ser! Então se o Oliveira com todos os seus defeitos, ainda há pouco tempo lhe tinha oferecido 118 milhões por 15 jogos em casa, como era possível que viesse agora “outro” oferecer ainda mais? O homem, experto como é, logo deve ter pensado: hummm… aqui há gato! “Vou mas é comprar uns joguinhos a outro lado e tratar de vida”. E lá foi para Inglaterra negociar os jogos da Premier League…
O senhor Figueiredo quando ouviu esta história deve ter ficado ainda mais branco. “Então era um que tinha os Direitos e agora aparece mais outro?”. Como se “isto” não chegasse, o homem a quem gosto de chamar “Pagador de Promessas” teve que negociar os restos dos jogos da Taça da Liga com a TV das sopeiras que pagaram uma côdea pelas transmissões. Sem dinheiro para os ordenados da enorme cambada que agora faz parte da Liga, Mário Figueiredo não tem pago à FPF as quotas de inscrição e transferência de agentes desportivos.
Fernando Gomes que tinha dado com os pés ao senhor Pinto da Costa, não esteve com meias medidas e ameaçou-o de denunciar o contrato com a Liga para a organização das provas profissionais. Como é sabido, sendo que a FPF é a responsável por delegação do Governo, a gerir o pontapé-na-bola profissional, a Liga responde hierarquicamente a Fernando Gomes que teve a oportunidade de apresentar o problema a Alexandre Mestre na cerimónia da tomada de posse do novo Conselho Nacional do Desporto.
 
Aproveito para recordar que para a eleição de Mário Figueiredo, os clubes da treta da Capital, arranjaram uma plêiade de marionetas (com a “instituição” à cabeça, já se vê) no sentido de tramarem os “parolos lá de cima”, sempre no pressuposto de que “em vez de arranjar bons jogadores, o melhor é mesmo, fazer as coisas pelo outro lado”.
 
Há muitos, muitos anos lia o Mundo de Aventuras e o Cavaleiro Andante. Também me recordo de um livro da minha infância: Faúlha, Fogaça e Faísca no país dos trinca-espinhas. Não perca as próximas aventuras desta ganapada, no livro já no prelo: Traquinices e Diabruras.
 
Até à próxima

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Afinal para que serve uma SAD - Parte II

O presidente da LIGA Mário Figueiredo, quer ficar com os Direitos Televisivos debaixo da sua alçada. Foi uma das promessas com que arregimentou os clubes mais necessitados, prometendo-lhes, em troca, um substancial aumento de cachet pela transmissão dos jogos. Primeira contradição: os clubes são o garante da continuidade do futebol em Portugal, os verdadeiros titulares dos Direitos. Sem eles não haverá jogos. Como puderam entregar de mão beijada esse direito a uma Liga que nem sequer consegue arranjar um patrocinador para a ex-Liga Orangina? Segunda contradição: os operadores televisivos, interessados naquilo que eles chamam “o negócio do futebol”, nem sequer ofereceram “um tusto” para transmitir os jogos em aberto. Como vão poder pagar mais pelas transmissões? Terceira contradição: os clientes dos canais por assinatura quer concordem quer não, vão ter que pagar mais para os ver.
Recuando no tempo, por essa Europa fora, não foi fácil o reconhecimento da centralização em alguns países. Por exemplo na Alemanha, a Comissão Europeia, numa primeira análise, considerou que a concentração de jogos na tutela da LIGA era susceptível de provocar restrições ao nível da concorrência. Os clubes são sociedades comerciais, desenvolvem a sua actividade segundo regras comunitárias, pelo que não se compreende esta fixação de centralizar a propriedade dos Direitos numa só entidade.
 
Na Holanda o supremo Tribunal de Amesterdão chegou a afirmar que a titularidade dos Direitos Televisivos pertence ao clube que joga em casa, aliás como o próprio Regulamento da Liga o reconhece. Constitui mesmo uma negação do tratado da CE, (Artigo 81º e seguintes) no que se refere à livre negociação de bens e serviços, e o direito à concorrência, vir agora impedir que cada qual, melhor possa gerir os seus interesses. Se a LIGA entende que a actividade de Joaquim Oliveira nos últimos anos, “é um monopólio”, como poderíamos, depois, classificar uma situação idêntica, na entidade que gere o futebol profissional? Cartelização?
A Liga pretende que cada Sociedade (SAD) não possa negociar de per si, proveitos significativos como são os Direitos Televisivos, e os deixe ao livre arbítrio de uma espécie de “entidade reguladora” que não oferece um mínimo de garantia, seja pela simples intervenção numa área de negócios para a qual não está vocacionada, como também, ficará colocada debaixo de suspeição por poder privilegiar alguns clubes em detrimento de outros. Como qualquer SAD está falida, incluindo a nossa, parece estar a preparar-se uma espécie de "solução" para as devedoras senão qualquer dia desaparecem todas.
 
Reparem no Orçamento apresentado há dias pela FC Porto/SAD. Os Proveitos estimados (sem transferências de jogadores), ou seja, contando apenas com as Quotas/Bilheteira, as receitas UEFA, a Publicidade e os Direitos Televisivos, mal chegam para pagar os ordenados dos atletas! Resta arranjar dinheiro para as Amortizações, Imparidades, Juros, e Fornecimentos e Serviços Externos. Os meus amigos já estarão a gritar: “e os passes, as vendas?”. Pois sim mas agora grito eu: “e as compras, as compras?” Basta olharmos para as vendas apressadas deste defeso para perceber que não é por aí que a nossa SAD dá lucro. Mesmo assim, foi feito algum esforço mas nada que resolva um problema que vem “de trás”. O Resultado Líquido estimado pouco abaterá ao Passivo que, paulatinamente, ano após ano tem subido como um balão. E as vendas, nesta Europa em bancarrota, como proveitos extraordinários que são, assemelham-se aos comboios em Espanha, “llegan cuando llegan”. É também por isso que a “instituição” anda tão preocupada com os Direitos Televisivos. Se Oliveira for ao charco quem lhe dará depois os 40 milhões?
 
Miguel Relvas ainda há dias veio reafirmar que os jogos em aberto não têm cabimento na RTP. Vão ficar apenas com a transmissão dos jogos da Selecção Nacional e pouco mais. Entre 2004 e 2009, os encontros em sinal aberto custaram à estação pública mais de 100 milhões de euros. Não se vislumbra quem possa ser o herói que pague pelo menos o dobro daquilo que a SportTv oferece, como pretende o clube da treta, e a LIGA promete.
 
Eu até concordaria com a centralização dos Direitos na LIGA (afinal é uma estrutura de topo dos clubes) se a mesma, se comprometesse a comprar os jogos por um valor substancialmente superior ao oferecido pela Olivedesportos. O pior é que declarações recentes de vários clubes, indicam que aquela entidade nem sequer está a cumprir, com os prémios da Taça da Liga.
 
E você? Comprava um carro usado a este homem?
Até à próxima

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Um Monopsónio-Monopólio

Desta vez arrumaram comigo, pensei! Nunca tinha ouvido nada assim, desde a cena do “externo cleido-mastoideu” da Canção de Lisboa quando Vasco Santana disse para o júri que o examinava, qual era o nome do músculo latero-flexor do pescoço.
As coisas que a gente aprende com o Futebol! Afinal, inserida num comunicado da Liga, a expressão que dá o título à crónica significa, ad litteramb, compra de peixe e, mais rebuscadamente, ad negotia, mercado em que há apenas um comprador para os produtos de vários vendedores, o que confere o privilégio que lhe dá o exclusivo de uma industria ou de comércio num artigo. Uffa!
Traduzindo por miúdos: a parte do monopsónio, não tem nada a ver com peixe. Normalmente quando se fala de futebol, fala-se mais de fruta (ou casacos de pele). Curiosamente Mário Figueiredo, marioneta comandada pelos clubes mais pequenos, engendrou esta patranha quando “prometeu” aos clubes mais pobrezinhos, interceder por eles contra os maus do filme, leia-se, Porto, Sporting e Benfica.
E por causa de quem, perguntam vocês? Por causa da segunda parte da expressão. A questão do monopólio das transmissões desportivas, já se vê.
Diz o senhor, em comunicado oficial da Liga (representando portanto “os bons e os maus”), que “apresentou uma denúncia à Autoridade da Concorrência, nos termos do Artigo 5º, alíneas b), c) e d) do seu Estatuto, por violação do Artigo 11º da Lei 19/2012 e do Artigo 102º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia”.
Poupando os meus amigos à leitura dos artigos, a queixa à autoridade de concorrência baseia-se, no entender do senhor, ao uso que a SportTV faz, do direito que lhe assiste de negociar recíproca e livremente com quem entender, as transmissões dos jogos com os clubes de futebol, e dos quais esses mesmos clubes detêm, individualmente, os Direitos (Capítulo VIII artigo 68º nº 2 do Regulamento da LIGA DE CLUBES para as competições Profissionais), que passo a citar:
“Os clubes detêm individualmente a titularidade dos direitos de transmissão televisiva dos jogos e resumos.”
Não consigo entender como se chama a isto “monopólio”. Os clubes não estão impedidos por nenhum regulamento de negociar com quem muito bem entendem, da maneira que podem, com quem lhes compra os jogos. Se os Direitos passarem a ser negociados em bloco pela Liga, como parece ser a proposta do senhor Figueiredo, já não se trata de monopólio, pode concorrer quem quiser? Agora também pode.
Todos temos conhecimento que em outras Ligas, existem procedimentos diferentes. O que se pretende em Portugal é fazer como lá fora? E depois a quem vendem os jogos? Se neste momento, alguns clubes reclamam pelo pouco valor oferecido haverá operadoras que se interessem pelas transmissões se tiverem que pagar mais por elas?
Termina o Comunicado da Liga com o nome das entidades convidadas a dar o seu parecer. Na minha modesta opinião nem seria necessária tanta formalidade se a Liga conseguisse provar aos clubes que esta solução é a mais favorável. Bastava para isso que iniciasse uma ronda clube-a-clube e oferecesse melhores condições financeiras do que a SportTv. Se não conseguirem, é apenas música para os nossos ouvidos.
Como dizia o outro, Res non verba, mais actos e menos palavras. Mas lá que o “monopsónio-monopólio” teve piada, lá isso teve. O Vasco Santana deve rebolar-se de gozo na tumba!
Até à próxima

terça-feira, 14 de agosto de 2012

PT Vai Voltar à SportTV


O Jornal de Negócios da última sexta-feira refere a hipótese da Portugal Telecom voltar à SportTV de onde tinha saído em 2007, aquando da separação com a PT Multimédia, que deu origem à ZON. Por agora a SportTV é detida em partes iguais pela ZON e pela Sportinvest SGPS (que por sua vez é detida na totalidade por Joaquim Oliveira). Vamos relembrar que tudo começou com Joaquim Oliveira

“Neste momento a SportTV compra os direitos da Liga Portuguesa de Futebol à PPTV, outra empresa de Joaquim Oliveira. A entrada da Portugal Telecom na SportTV abrirá um novo ciclo. A PT Multimédia, por sua vez, ficou com 50% da SportTV ao comprar a participação de 16,6% que pertencia à RTP. Pagou, na altura, 16,3M€ o que avaliava o canal de desporto em 98,2M€. Agora a avaliação da SportTV será muito superior.”

Foi a partir dos anos 80 que Joaquim Oliveira iniciou verdadeiramente a carreira de publicitário. Eu tinha a mania que era repórter fotográfico (ainda não havia as excelentes fotos da curva) andava lá em baixo, junto ao relvado, e recordo-me de o ver chegar ao “velho” Estádio das Antas e noutros campos onde acompanhava o nosso FCP, horas antes dos encontros, com os placares debaixo do braço, para desenrolar e pregar em armações de ripas de madeira anúncios estáticos. Deixo aqui uma foto que anda por alguns blogs mas foi tirada por mim na época 73/74, meses antes da morte do Pavão.

Em 1984, com o seu irmão, fundou a Olivedesportos e fez com José Veiga, agente de jogadores, uma firma de intermediação de contratos, a Futinvest, deixando mais tarde a sociedade nas mãos do empresário que se tornaria um dos maiores fornecedores de carne ensacada do Benfica.

Joaquim Oliveira dominava o panorama da publicidade futebolística, negociou e deu contra-partidas aos principais clubes portugueses, pagando antecipadamente partes das concessões. Em 1994, com a preciosa ajuda de Ricardo Salgado, adquire o jornal O JOGO. Curiosamente inicia-se aqui um período de aproximação do BES e da PT ao mundo do futebol. Foi na época Vilarinho, no Benfica. Oliveira que tinha accionado o clube depois de Vale e Azevedo, um dos ídolos de Leonor Pinhão, ter rasgado os contratos, tem a receber uma avultada indemnização de 2 milhões de euros mas, face ao estado de quase falência da “instituição”, admite trocar o valor por 20.000 acções da Benfica Multimédia, iniciando uma proveitosa ligação para ambos. Em 1999 cria a empresa de conteúdos PPTV que, mais tarde se viria a transformar na SportTV, juntamente com a RTP e a PT. Neste entretanto, assistiu-se a um ciclo de negociações muito habilidoso. Oliveira compra os direitos televisivos, revende parte à RTP (os chamados “jogos em canal aberto”) e fica com o bolo principal para transmitir “por assinatura” na SportTV.

Com esta nova parceria, e cerca de 600 mil assinantes no canal por cabo, não será provável SportTV, a curto prazo, ser destronada, pese embora, aqui há uns meses um “conde” de opereta ter anunciado nos pasquins que lhe dão guarida, importantes investimentos no panorama da multimédia desportiva. Mirabolantes compras de direitos desportivos, criação de um canal de desporto, parcerias com a “instituição” falida, etc.

O resultado está à vista. Joaquim Oliveira com créditos firmados junto dos detentores de direitos europeus lá deu o xito do costume, adquirindo umas centenas de jogos da Champions para os próximos anos.

Este ano nem sequer teve que vender as sobras de um jogo em aberto por jornada para a Televisão da Treta, onde o inefável Manhoso apresenta, lá para a 1 da manhã, os seus “momentos de verdade”, depois de uma Teresa Guilherme qualquer ter parado de gritar.

Até à próxima

terça-feira, 3 de julho de 2012

Novas Aventuras do Pagador de Promessas

O homem não desiste, parece um daqueles carrosséis de feira: “mais uma viagem, mais uma corrida”. Meta a moeda, vire o volante à esquerda ou à direita, carregue no pedal!” Desta vez lembrou-se de soprar a alguns clubes de terceira que lá o colocaram, a velha questão dos empréstimos de jogadores excedentários. Esqueceu-se que são precisamente esses clubes, sem posses para se meterem em grandes aventuras, quem mais precisam dos favores dos maiores. Além disso é um truque muito utilizado, por exemplo pela “instituição”, que ainda no ano passado com dezenas e dezenas de abéculas que não tem lugar no plantel, tinha emprestado a clubes da Liga Zon e a outros, um total de mais de 40 charutos.

O insigne pagador de promessas, em vez de os aconselhar a mudar de ideias, ainda os aplaude com ambas as mãos, ao arrepio das leis laborais comunitárias mais elementares, parecendo querer coarctar o direito ao trabalho de pessoas que escolheram como profissão jogar futebol. Noutras actividades não seria possível aplicar este raciocínio. Seria uma situação semelhante à que alguns puristas do futebol advogam, de limitar o número de estrangeiros que possam jogar ao mesmo tempo numa equipa.

Os meus amigos podem argumentar que “estando o assunto devidamente regulado pelas instâncias do pontapé-na-bola, tem que se cumprir”. Como sabemos não é bem assim. Leis e normas, por mais “razoáveis” que nos pareçam, têm que estar conformes com as legislações, não se podem sobrepor, por exemplo, ao acordo de Schengen, na parte que se refere à livre circulação de pessoas e bens provenientes daquele espaço ou, ao direito internacional do trabalho como proclama a OIT, nos restantes casos. Qualquer dia um imbecil qualquer lembra-se de embirrar com a cor do Balotelli e impede-o de alinhar. Fico a aguardar ansiosamente a posição do senhor Evangelista sobre este assunto. 

Mas o Futebol tem destas contradições. Como sabem existe até, em sentido contrário, uma cláusula que permite contratar um futebolista desempregado, fora do período da "janela de inscrições". É uma excepção à regra. Além disso está mesmo a ver-se o que vão fazer os clubes que queiram continuar a emprestar os seus excedentários: contratos de venda fictícios com uma cláusula de opção de recompra pelo mesmo preço, ou outra artimanha parecida! Se o jogador lhes interessar, vão lá buscá-lo. Isto a menos, claro, que o senhor Figueiredo também queira alterar as leis do Código Comercial e que só seja possível efectuar negócios, debaixo da sua tutela.

Era uma boa questão para o Tribunal Arbitral que está aí à porta, analisar. Mas para isso, era preciso que algum clube suscitasse a questão, o que parece ninguém querer fazer. Estranhamente estão quase todos de acordo com as normas anunciadas. Também não percebo a adesão do clube da treta a esta iniciativa. O que irá fazer aos 80 (ou mais) jogadores sob contrato? A menos que, alarmada pelos 500 milhões de Passivo do Grupo Benfica, tenha sido a própria Banca a dar um bitaite ao senhor Figueiredo para conduzir o seu clube até uma gestão “mais criteriosa”, e não comprar tantos jogadores.

Mudando de assunto e sempre com a “instituição” como pano de fundo (afinal foi ela quem ajudou a colocar o senhor Figueiredo na LIGA), voltou o tema dos Direitos Televisivos. O homem insiste que a LIGA deve ser o “negociador colectivo” daquele bem e ameaça com queixa junto da Comissão Europeia tendo por base “a violação das normas da concorrência e o monopólio da Olivedesportos”.

Sabendo como se sabe que a titularidade dos Direitos pertence aos Clubes, e que estes têm negociado livremente com quem entendem, não compreendo como continua a chamar a isto, “um monopólio”. Se o senhor Figueiredo e os Clubes acham que oferece pouco, basta que arranjem outro patrocinador que pague mais do que a Olivedesportos, e está tudo certo. Espero bem que o valor a pagar pelo novo investidor, como afirmou o senhor Figueiredo, seja “pelo menos o dobro do que está a ser pago”, e que logo que feche o contrato vá a correr entregar os tais 40 milhões ao patrão, o senhor Vieira, pela autorização de deixar transmitir os 15 jogos em casa.

Se não correr bem, bate-chapas, tinta Robbialac, e está a andar. O senhor Vieira lá terá que resolver o assunto como até aqui, contraindo mais um Empréstimo Obrigacionista para pagar o anterior, e o BES coitadinho, (tenho muita pena dele) a duplicar os juros.

Até para a semana