quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Obrigado Luís César

Foi das coisas melhores que vi na Gala dos Dragões. Está igualzinho este grande portista. Raras vezes falei com ele, mas conheço-o há mais ou menos 60 anos! Eu explico. Em 1955 tinha eu os meus 17 aninhos acabei o curso de contabilidade (o único que tenho) e trabalhava numa firma Import–Export de um familiar, atividade muito em voga naqueles tempos.
Tínhamos representações de firmas francesas, suíças, alemãs, inglesas etc. e era eu quem fazia a correspondência, enviava as notas de encomenda das mercadorias que vinham depois contra-documentos, quer dizer, a mercadoria chegava à Alfândega e para as desalfandegar era necessário levantar as faturas e restante documentação que vinha normalmente através do BPA ali na Praça Dom João. Era eu que fazia esse serviço.
 
Então para aperfeiçoar os meus escritos matriculei-me no Riley Institut para melhorar o Inglês e no Instituto Francês ambos na Rua Sá da Bandeira. Quem é que andava lá? O Luís César que conhecia de vista e de ouvido dos relatos de futebol que fazia nos estádios. Melhor nos campos pelados da época.
Anos mais tarde já com Pedroto e Pinto da Costa o Luís César era um elemento imprescindível na Secção de Futebol. Depois confesso que lhe perdi o rasto, julgo que passou para serviços internos, nunca mais o vi junto ao relvado. O momento das palavras de agradecimento foram de grande emoção.
 
É aquilo que eu por vezes digo: os "portistas novos" não conhecem estas histórias do tempo dos pirolitos e das almofadas que andavam pelos ares dos meninos do Asilo do Terço, o drama dos 19 anos sem ganhar nada, pensam que isto foi sempre um mar-de-rosas e depois vão para lá assobiar.
Não tencionava escrever sobre a Gala (até porque não estive lá), mas como segui em direto pelo Porto Canal deixo aqui essas recordações. Pinto da Costa, como sempre, segura os treinadores em quem acredita. Até pelas reações que o treinador revelou, eu também acredito nele.
 
Até à próxima

2 comentários:

Felisberto Costa disse...

Em vez de pipocas, cachorros e coca-cola, tinhamos chocolates, gelados, amendoins, torrões, gasosa BB, café de saco ás costas de homens vestidos de branco, castanhas assadas, podres mas boas, enfim era um maná de gente que poderia vender dentro do estádio, sem que o "andrade" tivesse que se levantar!
As almofadas, eram perjorativamente alugadas a quem sofria das hemorroides, mas eram um gozo mandá-las em voo planado para o relvado. Como era puto e não tinha força, volta e meia lá acertava na mona de um velhote qualquer. mas tudo numa boa...
E antes de entrar para as Antas, ainda calcavamos a merda dos cavalos da GNR, que ou era impressão minha, eu tinham o tamanho de... dragões!
O meu pai, jamais em tempo algum, se sentava na Superior Sul, sem que em antes passasse pelo balcão marmorizado, para beber um café. E como era tremendamente dificil chegar ao balcão! Abria-se caminho á força de braços e cotovelos!

Agora aburguesamo-nos e com direito, mas ficamos exigentes sem razão!

Anónimo disse...

Camisas Triple Marfel eram um luxo.
Grandes tempos