segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A Procissão Trapalhona

À frente os cavalos da GNR. A banda toca a Marcha de Benfica. O primeiro andor é o da comunicação social. De um lado os pasquineiros do Rascord, Bolha e Correio Manhoso. Do outro, o Gobern, para o andor não tombar. Todos cantam hosanas ao “excelente jogo” de Svilar e do clube da treta com o Manchester. Logo atrás o Grupo Organizado de Adeptos fardado de Soldados da Paz erguem as mãos com preces para que Jonas não saia.
 
Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
 Vai passando a procissão. 
 
Outro andor agora da rádio e da querida RTP. Vidrinhos, Carlos Daniel, e Fernando Seara. No último degrau, Rui Santos, David Borges, e Joaquim Rita cantam loas à “instituição”. Todos com as camisolas alternativas douradas e pretas. Douradas a recordar o tempo em que havia dinheiro e pretas a lembrar o Passivo. Lançam pétalas sobre os pacóvios.
 
Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.
 
Logo atrás o andor da arbitragem. No mastro, desfraldado ao vento, o email do imbecil do Dia Seguinte a insultar Jorge Coroado. Em baixo numa casota do VAR os sete árbitros de confiança citados por Adão Mendes que continuam a levar o clube da treta ao colo.
Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!
 
No andor dos dirigentes. Vieira, Domingos Oliveira (o verdadeiro responsável pelo Passivo), Moniz e Rui Costa seguem na parte superior. Os restantes diretores/moços de recados passam escondidos debaixo do pálio sem se demitirem. Chalana disfarçado de guarda do balneário distribui camisolas autografadas e vouchers para a Catedral da Cerveja.
Logo a seguir o andor dos NO NAME BOYS. Treinados por Pragal Colaço, manejam armas na perfeição. Matracas, sticks de oquei, bastões de basebol, calhaus das obras, tudo serve para os caceteiros atacarem. São especialistas em lançamento de very-lights e atropelamento de rivais. A rodearem o carro os cartilheiros da TVI24 e da CMTV todos com opas vermelhas.
 
Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu! 
 
A fechar a procissão um carro/frigorífico, género papamóvel envidraçado, transporta o futuro defesa-direito. Um paparazzi disfarçado de vendedor de gelados da Olá conseguiu fotografar o atleta que aguarda ainda a vistoria e aprovação da ASAE.
No final do desfile abrilhantado pela Banda da Casa Pia o júri atribuiu o prémio de melhor andor ao dos árbitros. A entrega do Santo António encarnado foi feita por Luís Filipe Vieira a Fontela Gomes presidente do Conselho de Arbitragem.
Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor! 
 
A Procissão
Letra: António Lopes Ribeiro
Intérprete: João Villaret (ambos do tempo da outra senhora) 

4 comentários:

vmartins45 disse...

Soberbo.

Infelizmente somos um "pequeno" país, onde os velhos e maus hábitos nunca morrem......

Mudam-se os tempos, mantêm-se as vontades, somos um triste povo inculto e acéfalo que tudo "come" sem alguma vez questionar.

E siga a procissão.........

Professor Hélder disse...

Simplesmente Sublime!

Francisco Paulos disse...

Parabéns pelo excelente texto! O clube do regime no seu esplendor. Só neste país se assiste a este Carnaval desportivo em que o samba é de uma nota só.

JOSE LIMA disse...

Obrigado pelos gentis comentários.
Sabem? Já cá ando há muitos anos!
Saudações Portistas