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terça-feira, 19 de junho de 2018

A Procissão do Benfica em Dia de Santo António

À frente os cavalos da GNR. A banda dos bombeiros de Carnide toca a Marcha de Benfica. Chalana disfarçado de guarda do balneário distribui camisolas autografadas, convites para encher o galinheiro e vouchers para a Catedral da Cerveja.
O primeiro andor é da rádio e das Tvs. Lá vão Carlos Daniel, Sousa Martins e Fernando Seara. No último degrau, Pedro Braz, David Borges, e Joaquim Rita levam bandeiras da instituição. Todos com as camisolas alternativas douradas e pretas. Douradas a recordar o tempo em que havia dinheiro e pretas a lembrar o Passivo. Lançam pétalas sobre os pacóvios.
Os cartilheiros com opas vermelhas desfilam enviando as vigarices através de e-mails. 
 
Os sócios fazem preces para que Jonas não saia e Bruno Fernandes venha para o clube. 
 
A seguir o andor da comunicação social. De um lado os pasquineiros do Correio Manhoso, Rascord e A Bolha. Do outro, o Gobern, para o andor não tombar. Todos entoam cânticos aos excelentes jogos do clube da treta na Champions.
Luís Filipe Vieira benze a multidão ladeado por Pedro Guerra e Vale e Azevedo.
 
Mais atrás o andor da arbitragem com o atrasado mental do Dia Seguinte vestido de árbitro. Numa casota do VAR os sete árbitros corruptos de confiança citados por Adão Mendes. 
 
No andor dos dirigentes Rui Costa e Domingos Oliveira seguem na parte superior. 
 
Os restantes diretores/moços de recados passam escondidos debaixo do pálio.
Um paparazzi disfarçado de vendedor de gelados da Olá consegue fotografar Luisão. 
 
O atleta aguarda exames e aprovação da ASAE para assinar contrato por mais 5 anos.
 
Mais outro andor o dos NO NAME BOYS. Treinados por Pragal Colaço, manejam armas na perfeição. Matracas, sticks de hoquei, bastões de basebol, calhaus das obras, tudo serve para os caceteiros atacarem. São especialistas em lançamento de very-lights e atropelamento de rivais. A ladearem o carro os cartilheiros da TVI24 e da CMTV vestidos de anjinhos.
A fechar a procissão abrilhantada pela Banda da Casa Pia o júri atribuiu o prémio de melhor andor ao dos árbitros pelos 4 anos de colinho. A entrega do Santo António encarnado foi feita por Luís Filipe Vieira a Fontelas Gomes presidente do Conselho de Arbitragem.
 
Até à próxima

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A Procissão Trapalhona

À frente os cavalos da GNR. A banda toca a Marcha de Benfica. O primeiro andor é o da comunicação social. De um lado os pasquineiros do Rascord, Bolha e Correio Manhoso. Do outro, o Gobern, para o andor não tombar. Todos cantam hosanas ao “excelente jogo” de Svilar e do clube da treta com o Manchester. Logo atrás o Grupo Organizado de Adeptos fardado de Soldados da Paz erguem as mãos com preces para que Jonas não saia.
 
Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
 Vai passando a procissão. 
 
Outro andor agora da rádio e da querida RTP. Vidrinhos, Carlos Daniel, e Fernando Seara. No último degrau, Rui Santos, David Borges, e Joaquim Rita cantam loas à “instituição”. Todos com as camisolas alternativas douradas e pretas. Douradas a recordar o tempo em que havia dinheiro e pretas a lembrar o Passivo. Lançam pétalas sobre os pacóvios.
 
Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.
 
Logo atrás o andor da arbitragem. No mastro, desfraldado ao vento, o email do imbecil do Dia Seguinte a insultar Jorge Coroado. Em baixo numa casota do VAR os sete árbitros de confiança citados por Adão Mendes que continuam a levar o clube da treta ao colo.
Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!
 
No andor dos dirigentes. Vieira, Domingos Oliveira (o verdadeiro responsável pelo Passivo), Moniz e Rui Costa seguem na parte superior. Os restantes diretores/moços de recados passam escondidos debaixo do pálio sem se demitirem. Chalana disfarçado de guarda do balneário distribui camisolas autografadas e vouchers para a Catedral da Cerveja.
Logo a seguir o andor dos NO NAME BOYS. Treinados por Pragal Colaço, manejam armas na perfeição. Matracas, sticks de oquei, bastões de basebol, calhaus das obras, tudo serve para os caceteiros atacarem. São especialistas em lançamento de very-lights e atropelamento de rivais. A rodearem o carro os cartilheiros da TVI24 e da CMTV todos com opas vermelhas.
 
Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu! 
 
A fechar a procissão um carro/frigorífico, género papamóvel envidraçado, transporta o futuro defesa-direito. Um paparazzi disfarçado de vendedor de gelados da Olá conseguiu fotografar o atleta que aguarda ainda a vistoria e aprovação da ASAE.
No final do desfile abrilhantado pela Banda da Casa Pia o júri atribuiu o prémio de melhor andor ao dos árbitros. A entrega do Santo António encarnado foi feita por Luís Filipe Vieira a Fontela Gomes presidente do Conselho de Arbitragem.
Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor! 
 
A Procissão
Letra: António Lopes Ribeiro
Intérprete: João Villaret (ambos do tempo da outra senhora) 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Comigo o Benfica voltou aos anos 60/70

Gaba-te cesta! A frase, como não poderia deixar de ser, é do sapateiro que (ainda) treina a “instituição”. A culpa não é dele. Quando um “patrão” numa entrevista convenientemente gravada para evitar as habituais bacoradas, questiona um empregado sobre aspectos que mexem com o património da SAD, das duas, uma: ou entra mosca ou sai asneira.
 
Saiu asneira! À pergunta sobre o comportamento de Cardozo a resposta foi a óbvia: “Não tem justificação, o presidente dará com certeza uma resposta a ela”. “Zás, catrapus”, lá foram 2 ou 3 milhões ao ar na eventual transferência do sonolento “activo”. Cada cavadela cada minhoca. E não se percebe porque foi “o senhor TV” a dirigir a entrevista
 
Mas tem mais. Perguntado se tinham havido eventuais contactos com outros clubes para mudar de ares foi peremptório: “Tive mas foi do estrangeiro, mais concretamente do Brasil”! Ufa! Pensava que ia falar de nós. Ainda bem que o bluff, bem montado para lhe subirem o salário, não passou de um pesadelo…
 
O pior foi quando questionado sobre o patamar a que poderia conduzir a equipa, o homem, possivelmente aconselhado por aqueles filósofos da treta, o Manuel Sérgio ou o terapeuta motivacional que vegetam pela “instituição” disse: “desde que cheguei (ao clube) a equipa joga o dobro, e voltou ao que era nos anos 60/70”. Toma e embrulha!
Confesso que estremeci! Outra vez os tempos do Deus, Pátria, Autoridade. Desta vez com Jesus, a Nação, e o Rei Sol! Antes, a Emissora Nacional, a Rádio Renascença, o Mário Zambujal e o Fernando Correia. Agora, a Ant1 e os mesmos outra vez! No tempo “da outra senhora” o Alder Dante e o Calabote. Agora o Duarte Gomes e o Capela! O homem não se dá conta do ridículo que corre (não há psicólogo que resista) mas os pasquins levam-no ao colo…
 
A procissão já está no adro. Nos tais anos 60/70 só existia a RTP. Agora temos a dita cuja, mais a TVI, a SIC, e a TVBOLHA. Até um pasquim, o correio manhoso, conseguiu lá meter um canal. Isto sem contar com a jóia da coroa da “instituição”: a BenficaTv.
 
Há dias fui surpreendido por um lacónico comunicado da SAD do clube da treta para a CMVM dando conta que teria existido uma “transmissão de quota social” do Sport Lisboa e Benfica para a SAD, sociedade que gere o futebol profissional.
Como desconfio da “bondade” de tudo o que venha daquele Circo, além da conhecida teoria de gostarem de” fazer a coisa pelo outro lado”, lá deitei pés ao caminho, e fui rever os empoeirados calhamaços de Direito Comercial para “traduzir” o que se teria passado.
 
Primeira contradição – O objecto social da Benfica SAD é de acordo com os seus Estatutos, “a participação nas competições profissionais de futebol, a promoção e a organização de espectáculos desportivos e o fomento ou desenvolvimento de actividades relacionadas com a prática desportiva profissionalizada da modalidade de futebol”.
 
Comentário – Não me consta que o exercício da produção televisiva se enquadre em nenhum destes items e, talvez por isso, a determinada altura, mais precisamente no dia 4 de Agosto de 2008 foi constituída a Benfica TV S.A., cujo objecto social é, esse sim, “o exercício de todo o tipo de actividades de televisão e de operador televisivo, especificamente vocacionados para os adeptos do SL Benfica e para assuntos do Clube (do Clube leram bem?) das suas actividades desportivas e do seu universo empresarial. A sociedade foi constituída com o capital social de 1 milhão de euros, representado por 200 mil acções, de valor nominal de 5 euros cada. Actualmente, o SL Benfica detém 100.004 acções e a Benfica SAD 99.996 acções.”
 
Aquilo que referem no comunicado como “participação social do Sport Lisboa e Benfica” é pois o valor da quota com que o Clube entrou na altura da constituição da sociedade, as 100.004 acções, valendo, 500.020 euros (os 20 são um contrapeso do papagaio falante Sílvio Cervan).
 
Segunda contradição – Sendo a Benfica TV S.A uma Sociedade Anónima (um tipo de Sociedade cujos nomes individuais dos sócios não são conhecidos), na realidade trata-se duma Sociedade por Quotas com apenas 2 sócios e bem conhecidos: o Benfica/Clube e o Benfica/SAD. O termo “transmissão” da quota é para Inglês ver, o habitual artifício (lembram-se do estádio?) para fazer subir os Activos da SAD, quando e se, aquela aventura correr bem. Então, como vimos acima, não era o clube o titular de pleno direito para exercer actividades televisivas? Desfaz-se daquilo em 2 penadas e a outra, a SAD, que nem tem vocação para ser empresária de televisão é que vai negociar com os operadores? Se calhar como tem estatuto de Sociedade Anónima vai meter mais sócios para ajudar a pagar aquele desastre. Lá vem os “anónimos” outra vez com o Jorge Mendes, e a Isabelinha dos Santos à cabeça, como no Benfica Stars Fund.
 
Como todas as Sociedades estas também visam o lucro pelo que a primeira coisa a saber é se as continhas da “transmissora” estão de boa saúde financeira, ou se está falida como a SAD “receptora”. Sabemos que o Clube tem um Passivo de cerca de 100 milhões e que a SAD mais de 400. Pelo CSC (Código das Sociedades Comerciais) no regime geral da cessão de quotas artigo 228º “a transmissão de quotas intervivos deve constar de escritura pública, não produz efeitos para com a sociedade enquanto não for consentida por esta e torna-se eficaz para com a sociedade logo que por ela for reconhecida, expresso ou tacitamente”.
 
Mas vamos considerar que a “operação” foi consentida pela SAD (até pela declaração feita no tal comunicado para a CMVM) e esquecer o Passivo de ambos. O problema é outro. Valendo como vale 500 mil aéreos a quota do Benfica/Clube é entregue (eles dizem “transmitida”) de mão beijada para a Sad? E a “transmissão” foi gratuita ou onerosa? Então a SAD não paga, o fair value (valor justo) ou, pelo menos, o valor nominal da quota? Aquilo teria sido assim:
- Eh pá! Queres 100.004 acções que não tenho espaço em casa?
 
- Manda lá essa porcaria, eu guardo-as na garagem ao pé das outras. Mas se “eles” disserem alguma coisa… não sei de nada…
 
E pergunta o macaco: Esta “transferência de propriedade” não será antes “UMA CESSÃO DE QUOTAS? Actualmente o processo de registo até é bem simples, nem precisa de escritura pública. Mas querem lá ver esta SAD, não contente em ter roubado o estádio ao Clube, agora que a BenficaTV presumivelmente terá lucro, vai abichar os resultados de borla? Lá terei que aguardar pelos próximos episódios, que é como quem diz, os Relatório e Contas do Clube e da Sad para deslindar mais esta trapalhada. E a CMVM engole isto?
 
Até à próxima

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A Bandeira de Pernas para o Ar

Começo por agradecer ao meu amigo Fernando Tavares a excelente dica que me deu para o título da crónica de hoje. Também na última Quadratura do Circulo, Pacheco Pereira, referindo-se naturalmente ao Governo da Treta que (ainda) nos desgoverna, chamou-lhe “A Trapalhada Andante”. Eu já tinha pensado que aquelas marionetas manipuladas pela Troika, me faziam lembrar alguém. Por exemplo Santana Lopes.
 
Por coincidência, à mesma hora da Quadratura, mas noutro canal (o das sopeiras), o farsante que em tempos não muito longínquos foi carinhosamente coroado como o Rei das Trapalhadas apareceu a dizer umas baboseiras, com a barba por fazer como convém, para dar dramatismo à situação. Felizmente exonerado da vida política activa, foi entretanto despachado num caixote para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa com o letreiro CUIDADO! NÃO VOLTAR, evitando que nas suas frequentes aparições na Tv ou nos congressos laranjas, se lembrasse de morder algum apaniguado.
 
E reparem nas coincidências. Outro habitué da política, Paulo Portas, esteve em ambas as situações. No Governo das Trapalhadas, deram-lhe a incumbência de comprar submarinos. No governo actual tem a difícil missão de desaparecer para não estorvar. Enquanto que o (ainda) Primeiro-ministro e o amigo iletrado Relvas, no outro filme, se entretinham com os laranjinhas, no actual estão mais adultos, e brincam ás casinhas com a senhora Merkle. Cavaco, o comparsa resignado, anda tão confuso com esta cambada que até hasteou a bandeira ao contrário.
Os meus amigos que conseguiram aguentar os 3 parágrafos anteriores, devem estar a pensar: que raio tem “isto” a ver com futebol? É fácil se juntarmos a este cozinhado, outra expressão também da autoria do Pacheco Pereira: “A procissão trapalhona”! Lembrei-me dos pasquineiros da nossa querida comunicação social que na última semana quase ignoraram o triunfo do nosso Clube, e tudo fizeram para minimizar o banho de bola que a “instituição de âmbito nacional”, denominador comum destes “incidentes”, levou do Barcelona. Chamaram de tudo aos azuis-celestes: “harmónio”; “carrossel”; “estrelas sintonizadas”; “estratosfera futebolística”; etc. e claro lá veio a frase do ano de Jesus o Pensador: “jogamos contra a melhor equipa do mundo”!
 
Nanja que a culpa fosse do clube da treta! Nem pensar! Que interessa que não tenham defesas ou trincos em stock para travar “extraterrestres” e que os “substitutos” não joguem népia? Mesmo quando deixaram “o sonolento” no banco deve considerar-se uma vantagem. Pelo menos não estorvou. E podem dar-se por muito felizes ao verem perdoados aos caceteiros de serviço (Maxi Pereira, Matic e Carlos Martins) os segundos amarelos e consequentes vermelhos. Na próxima jornada da Champions devia ser lindo. Lá tinha que entrar em pista a trupe de anões do Circo, capitaneados por Miguel Vítor. Os do Governo, para não ficarem atrás, colocaram Paulo Portas em off-side.
O clube da treta está cada vez mais parecido com o Governo. Ambos estão falidos e não sabem para onde se virar. Hoje contam-nos um filme na TV, e na semana seguinte uma aldrabice num pasquim. Os pobres pagantes cada vez “acarditam” menos “naquilo”. Outro elo comum é Bagão Félix. Fez parte do Governo das Trapalhadas, entrou no Totonegócio, finge que critica os nossos governantes e a direcção do Clube da Treta. Devia estar em Sèvres como exemplo padrão dos lambe-botas da “instituição: Fernando Seara, Gomes da Selva, Intestino Delgado, Ôdre Gobern, Leonor Pinhoa, João Gabriel, Gomes da Selva, Sílvio Cérvan, Fernando Guerra, e outros extraterrestres.
Mas o Gato Félix em vez de estar no Museu de Sèvres, em Paris, delicia-nos com o humor das suas croniquetas nas páginas dum pasquim, A BOLHA, que faz com que os pobres dos sócios, ano após ano, desconheçam a situação calamitosa a que o clube da treta chegou. Numa das últimas croniquetas, atreveu-se a misturar as contas todas, afirmando: “Foi assim que sem dramatismos os chamados 3 grandes de Portugal chegaram a um Passivo de perto de 900 milhões de euros”.
 
Este caramelo fez parte dum Governo que aceitou uns papéis sem qualquer valor comercial como garantia de dívidas fiscais. E quando “mistura” os 3 Passivos, os pobres dos pacóvios seus apaniguados, dividem por 3 e julgam que cada um “dos grandes” está a arder em 300 milhões. Nada de mais errado. O senhor na próxima crónica devia esclarecer os seus consócios que vão ao acto eleitoral que o seu clube é responsável por mais de metade daquele valor. E não venha para cá com a historieta do consolidado ou não consolidado como o aldrabão das segundas-feiras. Olhe! Se não souber, eu explico.
Porreiro, pá!
 
Até para a semana.

sábado, 4 de agosto de 2012

A Procissão

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Que “eles” andavam a preparar alguma, tinha eu a certeza. Nunca imaginei que fosse através daqueles senhores que nos fizeram pagar o aluguer do telefone durante dezenas de anos, mesmo que não fizéssemos uma única chamada. Como empresa do regime que era, paga por todos nós, os pacóvios do costume, de que se haviam de lembrar agora? Com o pretexto de “superar a concorrência” Zeinal Bava pensou, numa grande jogada de marketing. Juntar-se a um pasquim, no caso A BOLHA, e construir (mais) um andor gigante onde o clube da treta possa ser (de uma forma descarada) levado ao colo na habitual procissão anual.

Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Os preparativos começam no defeso, e não é difícil imaginar como será. Os cavalos da GNR (ou dos UHF, tanto faz), e a Banda de Musica da Tiririca. O primeiro andor é sempre o da comunicação social escrita. Dum lado o Manhoso, o Delgado, e o Octávio Ribeiro. Do outro, o Gobern, para o andor não tombar. Os amigos do Barbas, vestidos de Soldados da Paz erguem as mãos, com preces para que Witsel não saia.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Outro andor, agora da rádio e da querida televisão. Vidrinhos, Carlos Daniel, e Seara. No último degrau, Rui Santos, David Borges, e Joaquim Rita. Logo atrás, os apanha-bolas. Aos montes, com as novas camisolas alternativas douradas e pretas. Douradas a recordar o tempo em que havia dinheiro, e pretas a lembrar o Passivo. Outro andor o dos pasquins. A BOLHA, o Correio Manhoso, e o Rascord, lançam pétalas com o nome de Salvio, sobre o público. Logo atrás o dos árbitros. Vítor Pereira, o pode-ser-o-João, Benquerença, Xistra, e o Pedro Proença pregado na cruz.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

A seguir a transmissão televisiva pelo novo canal A BOLA os 240.000 (ou mais) sócios. Vestidos de anjinhos com cartazes alusivos aos patrocinadores do Circo: Coca-Cola, Adidas, Cerveja Sagres, Liga Bwin (bons tempos), Vodafone, TMN e, claro a MEO com os 4 palhaços que fazem aqueles anúncios para indigentes mentais. O palhaço grande, dois palhaços médios, e o palhacinho mais pequeno, o borrachola que, para destoar, vem vestido de verde-e-branco.

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Segue-se a Banda de Musica da Casa Pia com Chalana à frente, disfarçado de guarda do balneário. Outro andor, representando os dirigentes. Gomes da Silva, Vieira, Dominguinhos (os artistas do Passivo) e Rui Costa.

Logo atrás o andor dos nonameboys. Treinados por Pragal Colaço, manejam armas na perfeição. Matracas, sticks de óquei, bastões de basebol, calhaus das obras, tudo serve para os caceteiros atacarem. Javi é o “mordomo” do altar.

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

A fechar, um carro em forma de gruta, para transportar os excedentários. Mais de 80 aos molhos, separados por países, esfomeados de bola, numa barulheira infernal. Yannick Djaló vai gritar as frases: “se não jogamos, queremos ser transferidos”! “Corunha ou Atlético já”!

Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Fontes geralmente bem informadas garantiram ao Mística Azul e Branca que para este ano está preparada uma grande surpresa. A fechar a procissão, um camião frigorífico, género papa-móvel, envidraçado, transporta o futuro defesa-esquerdo da ”instituição”. Um paparazzi disfarçado de vendedor de gelados do Continente, conseguiu fotografar o atleta que aguarda a vistoria e aprovação da ASAE, para, depois, fazer companhia aos 22 estrangeiros do plantel.

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Letra: António Lopes Ribeiro
Intérprete: João Villaret

Até à próxima