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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O Jogo das Escondidas

A propósito do tema: “Benfica é o segundo clube do mundo com maior número de sócios” Miguel Bento, director comercial e de marketing do Benfica, afirma que o clube tem 232.268 sócios contrariando um estudo da Euromericas Sport Marketing, que avança com 197.877. Como não acredito em nada do que dizem os aldrabões do clube da treta fui analisar o que se passa, visto que fontes próximas da Sad até indicavam um número maior, 233.860.

Antes de mais temos que saber qual é o conceito de “sócio” do senhor Miguel Bento. Serão os milhares que compram um “kit” que não dá direito a quase nada e depois não pagam as quotas, ou os inscritos numa das categorias que pagam religiosamente? Além dos associados também tem “regalias de sócio”, pelo menos para votar nas eleições, as Filiais, Casas do Benfica e Delegações.
É conhecida a bizarria de cada um destes recintos, às vezes com ½ dúzia de sócios a jogar a sueca ou dominó, ter o direito a 50 votos além dos votos individuais de cada sócio. Só as cerca de 200 “Casas”, em cada acto eleitoral, entregam 10 mil votos ao senhor Vieira.

Os sócios do Benfica repartem-se pelas seguintes Categorias: a) Sócios efectivos; b) Sócios correspondentes, nacionais e internacionais; c) Sócios auxiliares; d) Sócios atletas. Na categoria Efectivos podem ser: Infantis, Menores, Efectivos, Efectivos Reformados, e Correspondentes. Observamos agora o quadro de cobrança possível se todos pagassem as quotas, multiplicando o número de sócios inscritos em cada Categoria, pelo valor da Quota/Ano.
Temos então uma “cobrança ideal” de 27,4M€ que não condizem com números dos RC cuja receita anda pelos 9.000M€/ano, onde fazem parte os 75% que ficam no clube mais os 25% que vão para a Sad, ou seja, mais ou menos 1/3 do previsto. O que se pode retirar desta disparidade? Ou os sócios são menos do que os anunciados, ou então mais de 2/3 não pagam. Deverão ser contados sócios que não pagam as quotas? Só se for para levar os anunciantes a pensar que os produtos ou serviços publicitados são vistos por muita gente.

Outra explicação pode ser a do clube não fazer as actualizações (como se fosse um inventário permanente) das novas entradas, desistentes, eliminados, e falecidos. Segundo os Estatutos, conforme o seu Artigo 15º Número 1, o acerto da respectiva numeração, será feito nos anos terminados em 5. Assim apenas em 2015 teremos o número real de sócios corrigido, o que se estranha, visto que esta falta de rigor pode impedir uma previsão correcta nos Orçamentos anuais. Com qualquer programa de software de gestão, tipo PHC e a base de dados actualizada, o controle faz-se em 30 segundos.
Não sei se esta política de mentiras encapotadas, a que poderemos acrescentar um assustador Passivo Financeiro só comparável ao do Real de Madrid e 5 anos de prejuízos consecutivos, se insere na política de verdade desportiva que tanto gostam de ostentar, ou ainda no conceito de Fairplay Financeiro da UEFA.

Para a “instituição” não parece relevante saber se os sócios pagam ou não as quotas. Deixo a pergunta: para que vendem “kits” a fingir que os aderentes serão sócios efectivos? É sabido que o estádio nunca tem mais de meia casa, mesmo contando com centenas de borlas que oferecem em todos os jogos. Já dizia um amigo, há muitos anos, quando ainda havia lugares de peão: “há sócios que não são sócios e estão sentados, e há sócios que são sócios e estão de pé”. Para quê este jogo das escondidas?

Até á próxima

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Melhor do Mundo e Arredores

“A revista inglesa Four Four Two divulgou na última sexta-feira uma lista com as melhores equipas de cada década da história do futebol mundial. No top 20 está o Benfica, em oitavo lugar, numa equipa onde pontificavam, entre outras estrelas, Eusébio, Costa Pereira, Germano, Coluna, José Águas e Simões.

Durante este período as águias venceram duas Taças dos Campeões Europeus, em 1960-1961 diante o Barcelona por 3-2, e na temporada seguinte contra o Real Madrid por 5-3. Em primeiro lugar está o Ajax, onde brilhava Johan Cruyff e que foi tricampeão europeu em 1970/1971, 1971/1972 e 1972/1973.” In A BOLHA
Desculpem mas se estamos a falar da RTP Memória, a melhor equipa era Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Esses é que foram uns heróis. Salvo erro já vamos no ano 2013 e aquela equipa que brilhou, sabe Deus e o Estado Novo como, já não existe há muitas décadas.

Falida há uns anos, atravessa o pior período da sua história. Os jogadores até já chegam de táxi! Quem será o pobre diabo que se encarrega da logística das deslocações? Com certeza não será o presidente. Esse anda mais preocupado em gerir as dezenas de empresas que constituiu à pala do futebol. Algumas já faliram, bem sei, outras estão acantonadas na mesma morada, para baralhar os credores. Quanto a Rui Costa o putativo ex-futuro presidente que ganha 20 mil aéreos/mês, a única actividade que se lhe conhece, é ir aos sorteios das competições europeias.
Domingos Soares de Oliveira o grande responsável pelo Passivo monumental que está a abafar a instituição” meteu-se numa boa. Pelos vistos também é ele quem manda na BenficaTv no que se refere aos Direitos Televisivos. Repare-se: o Benfica/Clube conseguiu um “alvará” de canal de televisão, assim como a Bolha, o Correio Manhoso ou qualquer outro pasquim consegue. Depois, mal se apanhou com a operadora nas mãos, entregou-a de mão beijada à Sad para esta fingir que aumentou os Activos. Tinha feito o mesmo truque com o Estádio mas esqueceu-se que todas as sociedades que integram as contas consolidadas do clube da treta dão prejuízo, trazem mais Passivo dependurado.
Já na altura da construção do estádio o clube beneficiara de enormes benefícios financeiros, isenções de impostos, trocas e baldrocas de terrenos com a CML, tudo na sua qualidade de IPSS. Santana Lopes colocou uma empresa municipal, a EPUL, a construir uma urbanização com lucros a reverter para a “instituição”. Tudo a troco de votos no partido do senhor, já se vê. E que fez o clube da treta? Deu o estádio à SAD, uma sociedade que tem fins lucrativos!

Um relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), que suportou o trabalho da PJ, apontou défices de transparência ao contrato-programa, referindo que as formas de apoio acordadas e atribuídas ao Benfica "consubstanciam verdadeiras comparticipações financeiras, concedidas por instâncias municipais". O contrato contrariou os normativos legais vigentes, acrescentou a IGF, por não terem sido quantificados devidamente os encargos das entidades envolvidas, em desrespeito pelos princípios da boa gestão dos dinheiros públicos. A investigação conclui que, ao aprovarem o referido contrato-programa, a Câmara e a Assembleia Municipal de Lisboa "instrumentalizaram a EPUL", fazendo-a assumir encargos directos de 18 milhões de euros na prossecução de fins estranhos ao seu objecto social. Mas, além dos 18 milhões, o Benfica encaixou mais 47, pois o contrato-programa ainda lhe permitiu vender um terreno à EPUL e receber outro da Câmara de Lisboa.

Os 18 milhões referidos decorrem de dois negócios. Num deles, a câmara decidiu que a EPUL construiria 200 fogos, em terrenos seus, no Vale de Santo António, e entregaria um terço dos lucros da sua venda. O Benfica recebeu 9,9 milhões de euros, apesar de a EPUL nunca ter construído as 200 habitações. Segundo o então presidente da EPUL, Sequeira Braga, foi Santana Lopes quem definiu que seriam dados 10 milhões de euros ao Benfica, através de um projecto imobiliário da EPUL. Não haverá ninguém que meta este azeiteiro na cadeia?
A outra parcela dos 18 milhões resulta do compromisso da Câmara pagar, através da EPUL, os ramais de ligações às infra-estruturas de subsolo para o estádio. Isto valeu ao Benfica 8 milhões de euros, sendo que 80% das facturas que cobrou à EPUL respeitava a serviços de consultoria: só 20% tinham a ver com os ramais. De resto, ainda para cúmulo da vigarice parte das facturas tinha data anterior ao contrato-programa!

Com um prejuízo monumental às costas (Vieira e Domingos multiplicaram por 7 o Passivo que encontraram no clube há 10 anos) o clube “passou” tudo para a SAD e ficou com as migalhas. Uma coisa conseguiu: adormecer os pacóvios que ainda “acarditam” naquilo. Eles querem lá saber das contas, desejam títulos. Mas nem esses têm aparecido. Jogadores às bateladas entram e saem à velocidade da luz. Alguns nem sabem de que cor são as cadeiras do estádio. O plantel é uma rebaldaria, a ver quem se consegue pirar dali para fora mais depressa.
O episódio recente com Cardozo mostra bem de que raça esta gente é feita. Vendem-se por um prato de lentilhas. Um dos seus apaniguados mais estúpidos um tal Fernando Seara, mandatário da candidatura de Vieira, até se mete nos problemas do circo do outro lado da segunda Circular. Em vez de se recolher à sua real dimensão, aprendeu com o patrão Vieira: Foge para a frente! Afirma que “sabe coisas que vai revelar dentro de dias”. Mijoquíces sobre mais um dos seus falhanços, desta vez a candidatura à FPF. Alguém lhe prometeu apoiá-lo “se levasse consigo, Luís Duque atrelado, se o pusesse do Sporting para fora”.

Para dizer “a cara com a careta” ofereceu-se para desvendar toda a história na BOLHATV, um canal do pasquim onde aparece o senhor Pinhão com o cabelo a escorrer azeite. Ficamos a aguardar os próximos capítulos da telenovela protagonizada por este sem-vergonha.

Já depois de escrita esta crónica, tive conhecimento dum resumo das contas da "instituição" que, como se esperava evidenciam o Passivo a subir alegremente. São parecidas com as do Manchester, excepto nos lucros. É este o clube do Four Four Two. Bem podem limpar as mãos à parede…

Até à próxima