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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O Melhor do Mundo e Arredores

“A revista inglesa Four Four Two divulgou na última sexta-feira uma lista com as melhores equipas de cada década da história do futebol mundial. No top 20 está o Benfica, em oitavo lugar, numa equipa onde pontificavam, entre outras estrelas, Eusébio, Costa Pereira, Germano, Coluna, José Águas e Simões.

Durante este período as águias venceram duas Taças dos Campeões Europeus, em 1960-1961 diante o Barcelona por 3-2, e na temporada seguinte contra o Real Madrid por 5-3. Em primeiro lugar está o Ajax, onde brilhava Johan Cruyff e que foi tricampeão europeu em 1970/1971, 1971/1972 e 1972/1973.” In A BOLHA
Desculpem mas se estamos a falar da RTP Memória, a melhor equipa era Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Esses é que foram uns heróis. Salvo erro já vamos no ano 2013 e aquela equipa que brilhou, sabe Deus e o Estado Novo como, já não existe há muitas décadas.

Falida há uns anos, atravessa o pior período da sua história. Os jogadores até já chegam de táxi! Quem será o pobre diabo que se encarrega da logística das deslocações? Com certeza não será o presidente. Esse anda mais preocupado em gerir as dezenas de empresas que constituiu à pala do futebol. Algumas já faliram, bem sei, outras estão acantonadas na mesma morada, para baralhar os credores. Quanto a Rui Costa o putativo ex-futuro presidente que ganha 20 mil aéreos/mês, a única actividade que se lhe conhece, é ir aos sorteios das competições europeias.
Domingos Soares de Oliveira o grande responsável pelo Passivo monumental que está a abafar a instituição” meteu-se numa boa. Pelos vistos também é ele quem manda na BenficaTv no que se refere aos Direitos Televisivos. Repare-se: o Benfica/Clube conseguiu um “alvará” de canal de televisão, assim como a Bolha, o Correio Manhoso ou qualquer outro pasquim consegue. Depois, mal se apanhou com a operadora nas mãos, entregou-a de mão beijada à Sad para esta fingir que aumentou os Activos. Tinha feito o mesmo truque com o Estádio mas esqueceu-se que todas as sociedades que integram as contas consolidadas do clube da treta dão prejuízo, trazem mais Passivo dependurado.
Já na altura da construção do estádio o clube beneficiara de enormes benefícios financeiros, isenções de impostos, trocas e baldrocas de terrenos com a CML, tudo na sua qualidade de IPSS. Santana Lopes colocou uma empresa municipal, a EPUL, a construir uma urbanização com lucros a reverter para a “instituição”. Tudo a troco de votos no partido do senhor, já se vê. E que fez o clube da treta? Deu o estádio à SAD, uma sociedade que tem fins lucrativos!

Um relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF), que suportou o trabalho da PJ, apontou défices de transparência ao contrato-programa, referindo que as formas de apoio acordadas e atribuídas ao Benfica "consubstanciam verdadeiras comparticipações financeiras, concedidas por instâncias municipais". O contrato contrariou os normativos legais vigentes, acrescentou a IGF, por não terem sido quantificados devidamente os encargos das entidades envolvidas, em desrespeito pelos princípios da boa gestão dos dinheiros públicos. A investigação conclui que, ao aprovarem o referido contrato-programa, a Câmara e a Assembleia Municipal de Lisboa "instrumentalizaram a EPUL", fazendo-a assumir encargos directos de 18 milhões de euros na prossecução de fins estranhos ao seu objecto social. Mas, além dos 18 milhões, o Benfica encaixou mais 47, pois o contrato-programa ainda lhe permitiu vender um terreno à EPUL e receber outro da Câmara de Lisboa.

Os 18 milhões referidos decorrem de dois negócios. Num deles, a câmara decidiu que a EPUL construiria 200 fogos, em terrenos seus, no Vale de Santo António, e entregaria um terço dos lucros da sua venda. O Benfica recebeu 9,9 milhões de euros, apesar de a EPUL nunca ter construído as 200 habitações. Segundo o então presidente da EPUL, Sequeira Braga, foi Santana Lopes quem definiu que seriam dados 10 milhões de euros ao Benfica, através de um projecto imobiliário da EPUL. Não haverá ninguém que meta este azeiteiro na cadeia?
A outra parcela dos 18 milhões resulta do compromisso da Câmara pagar, através da EPUL, os ramais de ligações às infra-estruturas de subsolo para o estádio. Isto valeu ao Benfica 8 milhões de euros, sendo que 80% das facturas que cobrou à EPUL respeitava a serviços de consultoria: só 20% tinham a ver com os ramais. De resto, ainda para cúmulo da vigarice parte das facturas tinha data anterior ao contrato-programa!

Com um prejuízo monumental às costas (Vieira e Domingos multiplicaram por 7 o Passivo que encontraram no clube há 10 anos) o clube “passou” tudo para a SAD e ficou com as migalhas. Uma coisa conseguiu: adormecer os pacóvios que ainda “acarditam” naquilo. Eles querem lá saber das contas, desejam títulos. Mas nem esses têm aparecido. Jogadores às bateladas entram e saem à velocidade da luz. Alguns nem sabem de que cor são as cadeiras do estádio. O plantel é uma rebaldaria, a ver quem se consegue pirar dali para fora mais depressa.
O episódio recente com Cardozo mostra bem de que raça esta gente é feita. Vendem-se por um prato de lentilhas. Um dos seus apaniguados mais estúpidos um tal Fernando Seara, mandatário da candidatura de Vieira, até se mete nos problemas do circo do outro lado da segunda Circular. Em vez de se recolher à sua real dimensão, aprendeu com o patrão Vieira: Foge para a frente! Afirma que “sabe coisas que vai revelar dentro de dias”. Mijoquíces sobre mais um dos seus falhanços, desta vez a candidatura à FPF. Alguém lhe prometeu apoiá-lo “se levasse consigo, Luís Duque atrelado, se o pusesse do Sporting para fora”.

Para dizer “a cara com a careta” ofereceu-se para desvendar toda a história na BOLHATV, um canal do pasquim onde aparece o senhor Pinhão com o cabelo a escorrer azeite. Ficamos a aguardar os próximos capítulos da telenovela protagonizada por este sem-vergonha.

Já depois de escrita esta crónica, tive conhecimento dum resumo das contas da "instituição" que, como se esperava evidenciam o Passivo a subir alegremente. São parecidas com as do Manchester, excepto nos lucros. É este o clube do Four Four Two. Bem podem limpar as mãos à parede…

Até à próxima

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Sistema e a Culpa

Pinto da Costa, Presidente do Futebol Clube do Porto, pode ter uma montanha de defeitos mas a verdade seja dita ainda está para vir o Dirigente Desportivo que consiga criar uma estrutura tão eficaz como a que vigora actualmente no Reino do Dragão. Igual a Pinto da Costa só mesmo o falecido Santiago Bernabéu, mítico Dirigente do Real Madrid CF que fez do Clube Merengue o Colosso Mundial que é hoje em dia 
A famosa estrutura Azul e Branca, que já tantos elogios colheu em Espanha, tem uma forma única de trabalhar e por norma consegue resolver os seus problemas com uma eficácia tal que quase não se dá por eles. Naturalmente que não está isenta de erros, mas são mais as vezes em que acerta na mouche do que dá um tiro completamente ao lado.
 
Tomemos como exemplo três Jogadores que neste momento são personas non gratas no FC Porto, SL Benfica e Sporting CP.
Não é surpresa nenhuma para ninguém que Rolando não quer continuar na Invicta. Qualquer um percebeu o seu enorme mau estar quando soube que não iria junto com Villas-Boas para Inglaterra. O Jogador fez uma birra descomunal e tal reflectiu-se no seu desempenho em campo. Perante tal cenário que fez a estrutura Portista mesmo tendo na altura um treinador com um pulso fraco (Vítor Pereira)? Tratou imediatamente de colocar o Atleta na Lista dos Jogadores a transferir. Mas não o deixaram sair para um dos “Grandes da Europa”. Pelo contrário, saiu por empréstimo para o Nápoles que apesar de ter muita história ainda está muito longe do brilho que tem a Juventus, Milan ou Inter.
Olhando agora para o SL Benfica. Óscar Cardozo teve um comportamento deplorável na última edição da Final da Taça de Portugal que o Benfica perdeu para o Guimarães. O Paraguaio tentou agredir o Treinador Jorge Jesus. Como é normal Jorge Jesus exigiu a imediata saída de Cardozo da Luz mas teve logo de imediato a nega da parte de Luís filipe Vieira e rapidamente viu uma grande franja da nossa Comunicação Social a defender o Jogador. Resultado final, a pré temporada já arrancou e os Encarnados tem neste momento um Jogador que o Treinador não deseja e que nunca mais vai jogar enquanto o JJ treinar o clube da Capital. Para mais nesta altura do Campeonato o Clube não terá nunca mais o valor que deseja receber pela transferência de um Atleta que vai desvalorizar imenso.
 
Quanto ao Sporting CP, com a chegada de um Presidente que fez e faz questão de dizer que não é banana (apesar de o ser) e de levar a cabo cenas ridículas eis que esse começou a levar a cabo uma autêntica batalha campal contra alguns dos seus activos. Miguel Lopes foi emprestado á força ao Lyon e Bruma (joia da coroa Leonina) tem recebido um tratamento lastimável tendo em consideração que o Jogador até quer ficar em Alvalade. Na toca do leão chegou-se mesmo ao ponto de se recusar a reunir com um legal representante do Bruma (quando este até estava legalmente legitimado para tal) só porque Bruno Carvalho meteu na cabeça que só negoceia com o próprio. Depois admiram-se quando perdem grandes Jogadores para os eternos Rivais e outros tais.
 
São estes pequenos exemplos que fazem com que eu me ria a bem rir quando ouço e vejo alguns Comentadores (Públicos e Anónimos) a atribuírem a culpa do sucesso do FC Porto ao Sistema.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Comigo o Benfica voltou aos anos 60/70

Gaba-te cesta! A frase, como não poderia deixar de ser, é do sapateiro que (ainda) treina a “instituição”. A culpa não é dele. Quando um “patrão” numa entrevista convenientemente gravada para evitar as habituais bacoradas, questiona um empregado sobre aspectos que mexem com o património da SAD, das duas, uma: ou entra mosca ou sai asneira.
 
Saiu asneira! À pergunta sobre o comportamento de Cardozo a resposta foi a óbvia: “Não tem justificação, o presidente dará com certeza uma resposta a ela”. “Zás, catrapus”, lá foram 2 ou 3 milhões ao ar na eventual transferência do sonolento “activo”. Cada cavadela cada minhoca. E não se percebe porque foi “o senhor TV” a dirigir a entrevista
 
Mas tem mais. Perguntado se tinham havido eventuais contactos com outros clubes para mudar de ares foi peremptório: “Tive mas foi do estrangeiro, mais concretamente do Brasil”! Ufa! Pensava que ia falar de nós. Ainda bem que o bluff, bem montado para lhe subirem o salário, não passou de um pesadelo…
 
O pior foi quando questionado sobre o patamar a que poderia conduzir a equipa, o homem, possivelmente aconselhado por aqueles filósofos da treta, o Manuel Sérgio ou o terapeuta motivacional que vegetam pela “instituição” disse: “desde que cheguei (ao clube) a equipa joga o dobro, e voltou ao que era nos anos 60/70”. Toma e embrulha!
Confesso que estremeci! Outra vez os tempos do Deus, Pátria, Autoridade. Desta vez com Jesus, a Nação, e o Rei Sol! Antes, a Emissora Nacional, a Rádio Renascença, o Mário Zambujal e o Fernando Correia. Agora, a Ant1 e os mesmos outra vez! No tempo “da outra senhora” o Alder Dante e o Calabote. Agora o Duarte Gomes e o Capela! O homem não se dá conta do ridículo que corre (não há psicólogo que resista) mas os pasquins levam-no ao colo…
 
A procissão já está no adro. Nos tais anos 60/70 só existia a RTP. Agora temos a dita cuja, mais a TVI, a SIC, e a TVBOLHA. Até um pasquim, o correio manhoso, conseguiu lá meter um canal. Isto sem contar com a jóia da coroa da “instituição”: a BenficaTv.
 
Há dias fui surpreendido por um lacónico comunicado da SAD do clube da treta para a CMVM dando conta que teria existido uma “transmissão de quota social” do Sport Lisboa e Benfica para a SAD, sociedade que gere o futebol profissional.
Como desconfio da “bondade” de tudo o que venha daquele Circo, além da conhecida teoria de gostarem de” fazer a coisa pelo outro lado”, lá deitei pés ao caminho, e fui rever os empoeirados calhamaços de Direito Comercial para “traduzir” o que se teria passado.
 
Primeira contradição – O objecto social da Benfica SAD é de acordo com os seus Estatutos, “a participação nas competições profissionais de futebol, a promoção e a organização de espectáculos desportivos e o fomento ou desenvolvimento de actividades relacionadas com a prática desportiva profissionalizada da modalidade de futebol”.
 
Comentário – Não me consta que o exercício da produção televisiva se enquadre em nenhum destes items e, talvez por isso, a determinada altura, mais precisamente no dia 4 de Agosto de 2008 foi constituída a Benfica TV S.A., cujo objecto social é, esse sim, “o exercício de todo o tipo de actividades de televisão e de operador televisivo, especificamente vocacionados para os adeptos do SL Benfica e para assuntos do Clube (do Clube leram bem?) das suas actividades desportivas e do seu universo empresarial. A sociedade foi constituída com o capital social de 1 milhão de euros, representado por 200 mil acções, de valor nominal de 5 euros cada. Actualmente, o SL Benfica detém 100.004 acções e a Benfica SAD 99.996 acções.”
 
Aquilo que referem no comunicado como “participação social do Sport Lisboa e Benfica” é pois o valor da quota com que o Clube entrou na altura da constituição da sociedade, as 100.004 acções, valendo, 500.020 euros (os 20 são um contrapeso do papagaio falante Sílvio Cervan).
 
Segunda contradição – Sendo a Benfica TV S.A uma Sociedade Anónima (um tipo de Sociedade cujos nomes individuais dos sócios não são conhecidos), na realidade trata-se duma Sociedade por Quotas com apenas 2 sócios e bem conhecidos: o Benfica/Clube e o Benfica/SAD. O termo “transmissão” da quota é para Inglês ver, o habitual artifício (lembram-se do estádio?) para fazer subir os Activos da SAD, quando e se, aquela aventura correr bem. Então, como vimos acima, não era o clube o titular de pleno direito para exercer actividades televisivas? Desfaz-se daquilo em 2 penadas e a outra, a SAD, que nem tem vocação para ser empresária de televisão é que vai negociar com os operadores? Se calhar como tem estatuto de Sociedade Anónima vai meter mais sócios para ajudar a pagar aquele desastre. Lá vem os “anónimos” outra vez com o Jorge Mendes, e a Isabelinha dos Santos à cabeça, como no Benfica Stars Fund.
 
Como todas as Sociedades estas também visam o lucro pelo que a primeira coisa a saber é se as continhas da “transmissora” estão de boa saúde financeira, ou se está falida como a SAD “receptora”. Sabemos que o Clube tem um Passivo de cerca de 100 milhões e que a SAD mais de 400. Pelo CSC (Código das Sociedades Comerciais) no regime geral da cessão de quotas artigo 228º “a transmissão de quotas intervivos deve constar de escritura pública, não produz efeitos para com a sociedade enquanto não for consentida por esta e torna-se eficaz para com a sociedade logo que por ela for reconhecida, expresso ou tacitamente”.
 
Mas vamos considerar que a “operação” foi consentida pela SAD (até pela declaração feita no tal comunicado para a CMVM) e esquecer o Passivo de ambos. O problema é outro. Valendo como vale 500 mil aéreos a quota do Benfica/Clube é entregue (eles dizem “transmitida”) de mão beijada para a Sad? E a “transmissão” foi gratuita ou onerosa? Então a SAD não paga, o fair value (valor justo) ou, pelo menos, o valor nominal da quota? Aquilo teria sido assim:
- Eh pá! Queres 100.004 acções que não tenho espaço em casa?
 
- Manda lá essa porcaria, eu guardo-as na garagem ao pé das outras. Mas se “eles” disserem alguma coisa… não sei de nada…
 
E pergunta o macaco: Esta “transferência de propriedade” não será antes “UMA CESSÃO DE QUOTAS? Actualmente o processo de registo até é bem simples, nem precisa de escritura pública. Mas querem lá ver esta SAD, não contente em ter roubado o estádio ao Clube, agora que a BenficaTV presumivelmente terá lucro, vai abichar os resultados de borla? Lá terei que aguardar pelos próximos episódios, que é como quem diz, os Relatório e Contas do Clube e da Sad para deslindar mais esta trapalhada. E a CMVM engole isto?
 
Até à próxima

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Circo no Estádio

“Os portões abrem às 15 horas”, anunciavam os panfletos da FPF. Estava tudo preparado para receber a Prova Rainha, leia-se: “a salvação da época”! A Liga ZON Sagres já não interessava para nada, a final da Uefa League idem, nem mesmo a Taça Lucílio Baptista tinha qualquer importância. O Instituto de Desporto, responsável pelo recinto, a Misericórdia de Lisboa que vive à custa das Apostas, e o Estado, o querido Estado, todos pegavam no andor.
 
O maior-espectáculo-do-mundo anunciava-se nos pasquins, rádios e queridas televisões. Ilusionistas, equilibristas, saltadores, trapezistas, trupes de faz-tudos e até o Palhaço-Mor da cavacada, enchiam o recinto. Os vermelhos pulavam de contente. Pudera! Era a salvação da época. Nos camarotes os azeiteiros da política acotovelavam-se para aparecer na foto. Na primeira fila, Santana Lopes vestido de pobre, com a barba por fazer, responsável por um empurrão que permitiu ao clube da treta construir um estádio, lembrava-se dos votos que ele e o partido tinham conseguido. Nem mesmo o presidente da câmara, benfiquista do coração, que anda às voltas com o Tribunal de Contas e o processo da EPUL, pareceu muito incomodado quando chegou à Câmara e a encontrou falida.
 
Mais atrás, os lambe-botas. Seara, o vaidoso de Sintra; Mira Amaral que comprou um banco por 5 coroas; Arnault, Humberto e João Pinto um trio-maravilha que se dependurou na FPF; Mário Figueiredo, o coveiro da Liga. Cavaco, mais à ponta, compunha o ramalhete, talvez com saudades dos habituais membros da quadrilha, Duarte Lima, Isaltino Morais, Macário Correia, e Oliveira Costa, presume-se que todos em férias.
Vieira, o director do Circo, observava atento. Meninas vestidas de branco como convém, esvoaçavam na pista, perante o olhar embevecido das mães, matronas de vermelho, os Colaços, grupo de jovens atiradores de facas, e os cãezinhos amestrados do presidente dos árbitros. O pobre do atrasado mental, na ânsia de nomear lacaios afectos ao clube da treta, criara tamanha confusão nas últimas nomeações da Liga que para a grande festa sobrou apenas um, vindo da terra dos parolos.
 
Sentia-se o cheiro característico das bifanas, cachorros, febras grelhadas e tintol, que os visitantes consumiam desde muito cedo. Manuel Sérgio, o filósofo de serviço, já tinha hipnotizado o presidente e o treinador. Os artistas aqueciam lá fora com o preparador motivacional Evandro Mota, descoberto no Amazonas.
Tudo funcionava como previsto. O Palhaço-Mor levantou o braço direito, o espectáculo podia começar. E começou mal para os parolos. Uma biqueirada mal medida fez a gorduchinha estoirar num dos anões do Circo que jogava lá na frente, e entrar junto ao canto direito da guarita dos guerreiros. No exterior estralejavam os foguetes. As rulotes usadas no picnic pediram reforços para atender a clientela enquanto outras já se dirigiam para o Marquês.
 
“Reservado está o bocado para quem o há-de comer”! E não é que em 3-minutos-3, os convidados para a ceia do Senhor alteram o programa do Circo e amandam 2 batatas para dentro do galinheiro? O “dorminhoco” que estava a dormir em campo e tinha sido mandado dormir para o banco não gostou mesmo nada daquilo, acordou, e apontou o dedo ao treinador e aos colegas, talvez inspirado no Carlos Lisboa que também mete os dedos num buraco.
Resta à “instituição” mudar o nome ao Circo. Que tal Sérvios Lisboa e Benfica? Pelo menos já se anunciam seis na BOLHA que é quem sabe destas coisas. O pasquim faz com que os sócios “acarditem” naquilo. Dizem que “ali anda bruxedo”. Nada melhor que pedir ao seu colunista, o beato Félix, que interceda junto do Francisco-Exorcista, para quando vier a Fátima passar pelo Circo da Luz e benzer o clube da treta.
 
Até à próxima

domingo, 13 de janeiro de 2013

A vez do Clássico

Chegou a vez de Águias e Dragões medirem forças. Ambas as equipas têm demonstrado uma regularidade impressionante e nenhuma delas cede espaço à outra. Quem ganha com isto é o Campeonato Português que apesar de ser cada vez mais bipolarizado (à semelhança de outros grandes Campeonatos) tem nos Benfica x Porto/Porto x Benfica o seu maior ponto de interesse.

O jogo de hoje é importante mas não decisivo. Quem perder hoje sofre apenas um duro revés na moral mas não diz adeus às possibilidades de conquistar o Título de Campeão Nacional. Muito pelo contrário dado que tanto Portistas como Benfiquistas ainda tem muito que correr na longa maratona da Liga Zon Sagres. Alias quando estes Clássicos revestem este tipo de características, na maioria das vezes, terminam empatados.

O favoritismo do SL Benfica x FC Porto de mais logo pende um pouco para a equipa da casa porque o jogo vai se realizar no Estádio da Luz e porque (ao contrário do habitual) a fanfarronice parece estar toda do lado dos Azuis e Brancos. Este silêncio da parte dos Encarnados e o discurso do “já ganhamos” da parte dos Portistas não augura nada de bom para o Reino do Dragão. Como tal é natural que o Benfica se apresente com maior favoritismo à vitória numa partida que se prevê, acima de tudo, equilibrada.

A Equipa de Jorge Jesus dispensa apresentações e grandes dissecações. O Benfica do JJ é uma equipa virada para o ataque com um lote impressionante de Jogadores ofensivos. Gaitán, Ola John, Sálvio e Enzo Peréz são alguns dos bons exemplos ofensivos da equipa Encarnada que conta na frente com dois Jogadores que tem o péssimo hábito de marcar golos ao Futebol Clube do Porto: Cardozo e Lima.

Contudo este Benfica a presenta algumas debilidades defensivas que se forem bem aproveitadas por Vítor pereira podem ajudar a que os Dragões consigam, mais um vez, vencer na Luz. Artur é sem sombra de dúvida o baluarte da Defesa Benfiquista, mas o Brasileiro não tem o dom de fazer tudo e de defender todas as bolas que vão á baliza do Benfica, bolas estas que são muitas vezes resultado das fracas prestações de Luisão, Melgarejo (zona a explorar muito bem), Maxi Pereira e André Almeida. Esperemos que VP tenha perdido algum do seu precioso tempo a estudar estas fraquezas em vez de dar uma de valente nas Conferências de Imprensa respondendo às parvoíces do Treinador do Benfica.

O Russo Marat Izmaylov é a grande novidade nos convocados de Vítor Pereira para o jogo de hoje, no Estádio da Luz, frente ao Benfica. Contratado esta semana ao Sporting, o médio ofensivo convenceu o treinador e integra a convocatória para o Clássico que se jogo a partir das 20h15 horas.

Sebá e Tozé mantêm-se na lista de Vítor Pereira, depois de já terem integrado as escolhas para a partida a meio da semana, com o Setúbal, para a Taça da Liga. De regresso estão Helton e Jackson, jogadores que descansaram a meio da semana. De fora continuam James e Kleber, ambos a recuperar de lesões.

Lista de Convocados: Helton, Danilo, Lucho, Castro, João Moutinho, Jackson, Izmaylov, Varela, Mangala, Abdoulaye, Fabiano, Fernando, Alex Sandro, Kelvin, Otamendi, Defour, Sebá e Tozé.

Onze provável (4x3x3): Helton, Danilo, Otamendi, Maicon, Alex Sandro, Fernando, João Moutinho, Lucho, Varela, Kelvin e Jackson.

O SL Benfica x FC Porto tem o seu inicio marcado para s 20h15 de hoje e poderá ser acompanhado em directo aqui no Mística Azul e Branca.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Olhar os Rivais: SL Benfica

A pré temporada terminou e a partir de agora todos os jogos são a sério. O Futebol Clube do Porto terá pela frente adversários complicados nesta sua caminhada para o Tri. SL Benfica Sporting Braga e Sporting CP irão com toda a certeza lutar pela conquista do título de campeão nacional 2012/13. Olhemos então para cada um deles.  

O Benfica de Jorge Jesus não varia muito de temporada para temporada. A estratégia do treinador dos Encarnados é sempre a mesma e consiste em basicamente a equipa dar tudo por tudo no início da época para depois ir gerindo a Equipa ao longo da mesma. Foi esta a formula que Jesus utilizou na última vez em que se sagrou campeão nacional na Luz e não será agora que vai mudar.

O ponto mais forte deste SL Benfica são as bolas paradas. Jorge Jesus insiste em treinar afincadamente todos os lances de bola parada ofensiva e defensiva e daí resulta uma eficácia quase a 100% nos Cantos e cruzamentos para área Benfiquista. Foi desta forma que o Benfica resolveu muitas partidas complicadas na temporada anterior e é perfeitamente natural que volte a apostar nas bolas paradas para tentar chegar ao título que já lhe foge há duas longas épocas.

Para além disto Jorge Jesus pode ser um bronco que não sabe falar Português e que incita á violência, mas de burro tem muito pouco. È um facto que o Treinador dos Lisboetas demora uma época inteira a perceber as suas asneiras, mas aprende com os erros e não repetelos. Portanto não se iludam aqueles que por norma menosprezam Jorge Jesus. E ainda por cima o SL Benfica através de uma qualquer “magia financeira” conseguiu construir um plantel enorme que apresenta Jogadores de muito boa qualidade tais como Witsel, Artur, Cardozo, Sálvio, entre outros.

O ponto fraco do Benfica está na defesa pois os Encarnados andam com uma candeia á procura de um defesa lateral esquerdo que lhes dê a segurança que Emerson não conseguiu dar na época anterior. Jesus tem optado por adaptar o avançado Melgarejo a esta posição querendo fazer deste o novo Coentrão, só que para isto funcionar na perfeição é preciso tempo e um extremo que defenda quando Melgarejo sobe em demasia no terreno. Para já o treinador do Benfica não tem nada disto ao seu dispor.

Em resumo, parece-me que o SL Benfica 2012/13 é mais forte que o da temporada anterior e creio que este não irá fazer a mesma oferta que fez ao FC Porto quando perdeu pontos com Guimarães e Académica. Para mais Jorge Jesus tem muito por onde escolher e poderá manter o se estilo e nível de jogo mesmo que jogadores como Witsel saia. E atenção a Carlos Martins que pode ter alguns tiques de esquizofrenia mas é uma excelente alternativa a um já “envelhecido” Aimar.

Nada de subestimar este Benfica… Para amanhã ficam as análises de Braga e Sporting.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dragões perdem em jogo treino entretido

Diziam que era um clássico de menor importância por ser para a Taça da Liga mas os jogadores não se importaram com isso e proporcionaram um espectáculo de golos e emoção, que muitas vezes falta nos clássicos para o Campeonato.

Ainda com o confronto para o Campeonato bem presente na memória, que terminou com a vitória do FC Porto por 2 x 3, o clássico para a Taça da Liga teve uma inversão de papéis no que a esse jogo diz respeito e acabou com a vitória dos Encarnados por 3 x 2.

Mas não foi só no resultado que os papéis se inverteram. Relembrando a noite de 2 de Março, os Azuis e Brancos entraram a vencer, permitiram a reviravolta das Águias e depois ainda tiveram forças para dar nova cambalhota no marcador e conquistarem os três pontos, alcançando a liderança isolada na Liga Zon Sagres.

18 dias depois aconteceu exactamente o oposto. Maxi Pereira, aos quatro minutos, bateu Rafael Bracalli e lançou a primeira explosão de alegria no Estádio da Luz, que, no entanto, depressa gelou, pois aos 17 minutos o FC Porto já tinha dado a volta e vencia por 1 x 2, com golos de Lucho González, aos oito, e de Mangala, aos 17.

O FC Porto estava melhor na partida, reagiu bem à desvantagem e, de certa forma, controlava o jogo, não deixando as Águias chegarem perto da sua baliza, algo que apenas acontecia em lances de bola parada.

Contudo, aos 42 minutos, numa altura em que o Benfica já tinha estado bem perto de restabelecer o empate, com duas bolas ao poste de Luisão e outra de Pablo Aimar, Nolito, num lance em que Sapunaru fica a reclamar falta de Luisão, conseguiu mesmo voltar a igualar a partida e o intervalo chegou com o empate a dois.

Na segunda parte o espectáculo não foi tão bom como nos primeiros 45 minutos e a possibilidade do jogo ser resolvido apenas nas grandes penalidades chegou a pairar sobre as bancadas do Estádio da Luz.

Mas Cardozo, que tinha entrado para o lugar de Nélson Oliveira, não quis que assim fosse. A 13 minutos dos 90, conseguiu isolar-se e com um remate de pé esquerdo bateu Bracalli pela terceira vez, apurando o Benfica para a final da Taça da Liga, onde vai poder defender o título frente a uma equipa Minhota, faltando apenas saber se o adversário será o Gil Vicente ou o SC Braga.

O FC Porto está, assim, eliminado da Taça da Liga e esta temporada apenas resta mesmo o Campeonato, depois dos afastamentos da Liga dos Campeões, Liga Europa e Taça de Portugal.

Além disso, voltou a perder naquele que diziam ser o seu "salão de festas" favorito, pois na época passada conquistou na Luz o título de Campeão, garantiu o apuramento para a final da Taça de Portugal e já esta temporada saltou para a liderança isolada, que ainda mantém, da Liga Portuguesa.

Melhor em Campo: João Moutinho

quarta-feira, 7 de março de 2012

A vitória da coragem.

O F. C. Porto treinado por Vítor Pereira para surpresa de grande parte dos portistas (eu incluído) passou de uma situação de ter a liga quase perdida, para neste momento ter uma vantagem de 3 pontos para o Benfica após uma exibição personalizada no Estádio da Luz.

Na projecção do jogo eu pedia a Vítor Pereira que independentemente das tácticas, da escolha de jogadores, que abordasse o jogo com uma postura corajosa. Que fizesse exactamente o contrário do que tinha feito em Alvalade, quando por falta de ambição, se contentou com um empate e deixou o Benfica escapar naquele que, para mi ,teria sido o momento decisivo para perder o campeonato.

Felizmente enganei-me. Vítor Pereira teve o mérito de mesmo sem exibições de encher o olho e com vários equívocos e obsessões estranhas como a de Maicon como lateral direito, de ir ganhando os seus jogos. Também teremos que ser honestos e afirmar que se o Porto está na corrida muito o deve ao facto de Jorge Jesus ter cometido erros grosseiros que ninguém esperaria, devolvendo assim a hipótese de o Porto voltar à luta. Um outro clube, com outra estrutura e outro treinador nunca permitiria que se perdessem 5 pontos de vantagem antes de um jogo que até poderia arrumar em definitivo as contas do título.

Mas com o mal do Benfica pode o F. C. Porto bem… E enquanto eles preferirem olhar apenas para erros de arbitragem (o mesmo clube que passou uma época a dizer que não falaria de arbitragens, e cujo presidente ainda há 3 semanas dizia que a arbitragem estava francamente melhor e que não falaria de arbitragens…), e não repararem nos erros crassos que cometeram… mais o F. C. Porto estará perto de ganhar a Liga.

Hoje, como sempre, o Benfica perde-se em encontrar desculpas para os seus fracassos em factores externos ao invés de ter a capacidade de auto critica para poder melhorar. O F.C. Porto hoje como sempre, apresenta uma estrutura mais forte. Responde no campo. Tem apostas de risco, tem personalidade e carácter.

Vítor Pereira que tanto criticamos parece ter guardado o melhor para o grande momento da época. Nem parecia o mesmo treinador que se contentava com um empate em Alvalade. Ele teve a tal coragem que um campeão tem que ter. Mesmo sabendo que entrava em igualdade pontual, entrou para encostar o Benfica. Mandou a equipa subir e pressionar o Benfica o mais alto possível.

O facto de toda a imprensa e o próprio Jesus desvalorizarem este F. C. Porto só aumentou ainda mais o efeito surpresa que Vítor Pereira quis apresentar. O Benfica esperava um jogo inicialmente táctico de respeito mútuo, mas o Porto partiu logo para cima sem receios. Não foi tanto na forma como Vítor Pereira montou a estrutura táctica. Aí, voltou a insistir no erro de colocar o central em melhor forma do Porto a lateral… No entanto, foi na atitude e na estratégia que demonstrou que, não obstante essas opções, que a ideia era que só a vitória interessava.

Mas o verdadeiro teste de coragem estava para vir… Após o Benfica passar para a frente do marcador, temi o pior. Pensei que a partir dali o Porto arriscava-se a cair a pique. Vítor Pereira contrariando toda a sua conduta recente e o seu histórico, decide agitar o jogo com James bem cedo, não esperando para ver como paravam as modas. Não demorou como de costume a mexer na equipa. Reagiu e colocou as fichas todas. Mais que isso, quando esperavam a substituição típica de trocar o Djalma (com um amarelo e que vinha sendo uma nulidade), eis que Vítor Pereira surpreende tudo e todos e tira Rolando. Mais do que a mudança táctica da passagem de um extremo amarelado para lateral e a entrada de James, foi a mensagem passada para dentro do campo e para os adeptos. O grito de toque a reunir a dizer claramente que o jogo e a liga estavam longe de estar terminados e que o Porto ainda tinha uma palavra a dizer.

Vítor Pereira já com o empate no bolso e com a vantagem anulada no confronto directo, arriscou ainda mais. Foi o Vítor Pereira mais corajoso que vimos durante toda a época. Ele demonstrou que não queria o empate para nada, queria os 3 pontos e arrisca muito (até considerei na altura um risco demasiado grande), tirando Moutinho e mandando Kleber a jogo, deixando a equipa partida num claro 4-2-4 com 4 jogadores de ataque e ainda Lucho a ser um dos dois a meio campo. O risco compensou e a coragem venceu. O golo apareceu de bola parada em fora de jogo, mas adivinhava-se como o cenário mais provável tal a pressão asfixiante do Porto que empurrava o Benfica para trás. O empate até poderia ter surgido de penalti… Mas pelos vistos os mesmos que se indignam com o fora de jogo acham perfeitamente normal e aceitável que Cardozo jogue voley dentro da área. Mesmo em voley seria falta, porque joga duas vezes a bola com a mão. O Porto encostou o Benfica às cordas…Exactamente o contrário do que Jorge Jesus fizera na 1ª volta no Estádio do Dragão. Aí, o Benfica chega ao 2-2 e todos reparamos que se carregasse um bocadinho mais, era provável que até saísse com a vitória… no entanto, Jorge Jesus preferiu ter uma abordagem conservadora e guardar o empate…Logo ele que tem sempre um discurso tão optimista e arrojado. No momento em que o podia demonstrar em campo, preferiu segurar o empate.

Mas esta coragem que é o título deste texto, não se trata apenas da coragem de Vítor Pereira. Refiro-me também à coragem de Pinto da Costa e da estrutura do F. C. Porto que uma vez mais deu uma lição. Independentemente do que venha a acontecer para a frente, deu uma lição.

Basta olhar para o Sporting… Domingos não era sequer contestado e foi precipitadamente despedido… Aquele que fazia parte da solução foi sacrificado como sendo a raiz de todos os males do Sporting.

Pinto da Costa desde o início viu Vítor Pereira a ser altamente contestado, o próprio Pinto da Costa assistiu à forma como a equipa viu esfumar-se as suas hipóteses nas competições europeias, viu a forma como fomos eliminados da taça e como parecia haver um divórcio entre jogadores, massa adepta e treinador.

Quando muitos de nós previam já que o melhor seria a mudança e começar a preparar a próxima época e que esta seria para esquecer. A verdade é que Pinto da Costa nunca desistiu. Não desistiu da Liga, e prova disso foi quando contrata Lucho e Janko, dois jogadores que fogem à política de contratações do F. C. Porto que está mais voltada para o investimento em jogadores jovens. Pinto da Costa e a estrutura F. C. Porto com esses dois reforços demonstram que ainda acreditam que é possível ganhar esta época e que a aposta era para o presente.

Por outro lado, Pinto da Costa nunca deixou cair Vítor Pereira. Tal como noutros momentos, ele deu estabilidade ao treinador contra tudo e todos.

Mas isso também não significou que Pinto da Costa seja cego e não leia os sinais que a equipa dá… Uma pequena revolução foi sendo operada mas sem dar muito nas vistas. Começou pelos jogadores (a mudança mais visível foram as saídas de Guarín e Belluschi, e a entrada de Janko e acima de tudo do Comandante Lucho), mas também e esta é a menos comentada, a mudança na equipa técnica.

Pinto da Costa segurou Vítor Pereira mas não aceitou segurá-lo a todo o custo, fechando os olhos para os problemas. Foram feitas mexidas para que a máquina começasse a funcionar de uma vez por todas. Por um lado, Pinto da Costa desceu ao balneário, mais que uma ve , para demonstrar a um balneário que vinha de uma época de sucesso com AVB, que teriam que respeitar a autoridade de Vítor Pereira e que ele não estaria dependente da vontade dos jogadores. Esse tipo de actuação foi fundamental… Não se pode deixar que os jogadores tomem conta dos destinos do clube e decidam sobre treinadores. Veja-se o péssimo exemplo do Chelsea. No Porto segue-se uma lógica vencedora em que toda a gente sabe quem manda. Presidente é quem decide, treinador está lá para treinar e jogadores para jogar. Não há qualquer tipo de alteração nesta pirâmide nem interferências.

Depois, Pinto da Costa fez ver a Vítor Pereira que a confiança mantinha-se mas que algo tinha que ser feito. E foi. Sem se falar muito nisso (mais uma vez mérito para a estrutura do F. C. Porto que conseguiu abafar bem essa situação), houve uma alteração na hierarquia da equipa técnica. Rui Quinta desaparece do banco, onde era o braço direito de Vítor Pereira e passa para a bancada. Para o seu lugar entra o jovem Filipe Almeida que era o 3º na hierarquia.


Podemos juntar a isto o reforço de Paulinho Santos para a equipa técnica. Grande parte das pessoas julgavam que havia um desinteresse de Pinto da Costa e da sua estrutura pelo que se passava e pela situação do clube, mas a verdade é que, dentro de portas, mudanças estratégicas foram sendo feitas para que os resultados melhorassem, sem que fosse, assim, necessário um corte radical.

O facto de Paulinho Santos entrar na mesma altura do reboliço do Sporting pela demissão de Domingos, foi um timing perfeito. O momento certo. Todos estavam tão entretidos com a novidade Sá Pinto que até brincaram com o ingresso de Paulinho na equipa técnica e disseram que era uma resposta à agressividade de Sá Pinto então contratado para o Sporting…

Esse tipo de graçola e a forma ligeira como trataram do assunto serviu os interesses do Porto. Porque enquanto não se reparava, mudanças iam acontecendo na equipa técnica e ninguém dava por isso. Poderia ter-se alimentado polémica. Falar da desautorização de Vítor Pereira por se colocar um novo adjunto numa equipa técnica que tinha sido escolhida por Vítor Pereira. Nenhum treinador gosta muito que interfiram na sua equipa técnica… Ao simplificarem tudo, foi-se deixando escapar a mudança global. Rui Quinta desapareceu do banco e tal nunca foi questionado a Vítor Pereira e foi dado estabilidade ao clube num momento de algumas mudanças com o intuito de ainda se conseguir lutar pelo título.

Sentiu-se o pulso do balneário e quem acompanha diariamente a equipa fez claramente um relatório sobre o que podia ser melhorado. É importante perceber que um treinador não tem de saber de tudo ou ser o melhor em todas as vertentes. Daí a existência de uma equipa técnica. Nem todos podem ser Mourinho e concentrarem em si grande parte de todas as decisões e serem óptimos em treino, táctica, leitura de jogo, observação, e ainda ser perito em liderança e relações interpessoais. Por isso a constituição de uma boa equipa técnica é fundamental para o sucesso. Não raras vezes vemos treinadores principais da velha guarda a apresentarem excelentes resultados e logo aí as pessoas tendem em desvalorizar o trabalho de um treinador e dizem que só a motivação é que conta…

Não é bem assim… Esses treinadores têm a humildade suficiente para saberem rodear-se de pessoas que dominam novas metodologias e que os podem auxiliar nesse tipo de questões mais técnicas e deixar-lhes a questão da liderança e outro tipo de pormenores mais humanos e menos científicos. Tem que haver esse misto. Por isso Ferguson tem uma carreira tão longa e cheia de sucessos. Ele soube-se adaptar à mudança dos tempos e quando reparou que já estava desactualizado, soube rodear-se de adjuntos capazes de darem um upgrade em termos de treino e até tácticos deixando a parte da liderança e do balneário e a sua gestão para Ferguson.

O mesmo se passou esta época na equipa técnica do F. C. Porto. Não me agradou muito a composição da equipa técnica de Vítor Pereira e por aí também começou uma série de erros no planeamento. O objectivo para n.º 2 seria Bruno Moura, treinador do Santa Clara…Uma vez não assegurado esse objectivo, a solução acabou por parecer de recurso e aposta-se em Rui Quinta que, com todo o respeito, tem um percurso e um perfil totalmente diferente do de Bruno Moura. Um treinador jovem, com outro tipo de formação científica e uma forma diferente de ler o jogo de Rui Quinta.

A escolha de Semedo também me pareceu francamente desajustada. Em todas as equipas técnicas é necessário ter um adjunto que seja o chamado adjunto de balneário. O adjunto que passe mais tempo com os jogadores, que esteja atento aos sinais que vão dando, que seja capaz de os moralizar e de dar mensagens particulares de motivação a cada um nos momentos certos.

Um treinador não pode estar atento a tudo e por isso precisa de delegar. Esse adjunto de balneário tem que ser alguém que os jogadores respeitem e que seja capaz de ser um símbolo da mística do clube. Capaz de a passar aos que chegam e capaz de transmitir os valores do F. C. Porto. Semedo parecia-me ser uma personalidade algo acanhada para ter esse tipo de papel. Mesmo em termos de projecção externa não é um símbolo que se consiga relacionar com uma franja de adeptos mais jovens.

Só quem está lá dentro do balneário saberá como era a sua relação com os jogadores, se estes o respeitavam e se conseguiam ver nele um confidente. Alguém capaz de animar o grupo mas tem capaz de dar estímulos a cada jogador atendendo às características específicas da personalidade de cada um.

Após mais de meia época a estrutura decidiu intervir. A ideia com que fico é que Pinto da Costa e Antero Henrique reuniram-se com Vítor Pereira e disseram-lhe que ele iria manter-se até ao final da época e que tinha a confiança e o respaldo da estrutura. Mas que teriam que haver mudanças e fazerem-se ajustes. E então Rui Quinta saiu do banco. Rui Quinta passava uma imagem que não seria do agrado da estrutura, e por outro lado via-se mais no momento das substituições e parecia mais um 2º treinador principal. Não tinha o perfil de adjunto que se requer no banco de suplentes, principalmente para um treinador com as características de Vítor Pereira. São dois treinadores que claramente preferem a vertente do treino e é aí que se sentem mais confortáveis.

Rui Quinta é um treinador de campo. Não tanto um observador ou um perito em táctica e em ler o jogo. O adjunto que Vítor Pereira precisava, era alguém que fosse menos interventivo, porque essa função já o Vítor Pereira a preenche, mas que fosse mais atento às questões tácticas e à leitura do jogo. Alguém capaz de estar na sombra, e que possa tirar notas e repare em aspectos individuais e colectivos que o treinador principal no decorrer do jogo não consegue dar tanta atenção.

Não conheço o trabalho de Filipe Almeida para fazer grandes considerações. Mas é um treinador mais jovem, que tem outro tipo de trajecto diferente de Rui Quinta e que apresenta uma postura no banco totalmente distinta. Quinta mais vistoso, Filipe Almeida mais agarrado ao seu bloco de notas e a trocar impressões com Vítor Pereira em momentos pontuais passando as mensagens que lhe parecem essenciais. E este tipo de interacção entre adjunto e principal, são capazes de mudar a face de um jogo.

Por outro lado nota-se que Paulinho tem outro carisma que Semedo não tinha. Paulinho ocupa o lugar agora que era de Pedro Emanuel na época passada. O adjunto do balneário. Aquele que é capaz de ser um líder by example para os jogadores. Um jogador que é um verdadeiro símbolo da mística F. C. Porto e com uma história na instituição quase ímpar em termos de dedicação e empenho.

Com esta reformulação a meio da época, a estrutura do F. C. Porto deu uma lição de gestão desportiva. De como nem sempre uma chicotada psicológica com estrondo é a solução e, como é importante apostar nas soluções internas e tentar dar a volta com aquilo que o clube tem antes de partir para medidas tão radicais a meio da época. O F. C. Porto deu assim uma lição de coragem e sagacidade dentro e fora do campo.

sábado, 3 de março de 2012

Dragões vencem na Luz e seguem isolados na liderança

A expectativa era enorme para o clássico da 21ª Jornada. SL Benfica e FC Porto entraram para esta ronda empatados na liderança mas são os Campeões Nacionais que saem na frente do Campeonato, com mais três pontos que os Encarnados e com vantagem no tão falado confronto directo.

Num jogo que se dizia que valia quatro pontos, os dois grandes rivais do Campeonato Português protagonizaram um excelente espectáculo de futebol e que só engrandece a Liga e a luta pelo título.

Duas equipas a jogar com vontade de ganhar, grandes golos, reviravoltas no marcador, emoção e futebol positivo foram ingredientes presentes no clássico, cujo triunfo sorriu ao FC Porto, com Maicon, aos 87 minutos, a oferecer a liderança isolada aos Dragões.

Uma entrada à Dragão permitiu ao FC Porto surpreender o Benfica no Estádio da Luz e praticamente dominar o jogo nos primeiros 15 minutos. Com a defesa subida, mais posse de bola e muito forte na recuperação da mesma, a equipa de Vítor Pereira entrou a dominar e rapidamente chegou ao golo.

Foram precisos sete minutos para Hulk soltar uma bomba verdadeiramente incrível que só terminou no fundo da baliza de Artur Moraes, guarda-redes que bem tentou mas nada pôde fazer para evitar o golo dos Campeões Nacionais. Num lance que começou em Fernando, em mais uma recuperação de bola, Hulk, na direita, puxou o esférico para o pé esquerdo e com um remate de fora da área inaugurou o marcador.

A entrada forte e personalizada sem dúvida que surpreendeu o Benfica, que praticamente entrou no jogo aos 15 minutos, quando já perdia por 0 x 1. Mas as Àguias acordaram e aos poucos conseguiram subir mais no terreno e fazer recuar o FC Porto, ganhando mais luta no meio-campo.

Com isso, criou a primeira ocasião de perigo por intermédio de Cardozo, mas o Paraguaio, com a defesa dos Azuis e Brancos a pedir fora de jogo, permitiu a Helton brilhar com uma excelente defesa, que manteve o 1 x 0 no marcador.

Após a oportunidade de Cardozo, os comandados de Jorge Jesus imprimiram velocidade no jogo, o FC Porto ressentiu-se e teve que recorrer às faltas, com três jogadores (Álvaro Pereira, Rolando e Otamendi) a serem admoestados com o cartão amarelo.

À passagem da primeira meia hora, com o Benfica melhor, Aimar, de cabeça, voltou a estar perto de marcar, mas as oportunidades mais claras de golo foram do FC Porto aos 35 minutos, com Janko e Álvaro Pereira a verem Artur Moraes, por duas vezes consecutivas, a negar o 0 x 2.

Apenas dois minutos depois foi a vez de João Moutinho ficar perto de marcar, com a bola a raspar na barra antes de sair através da marcação de um livre, e tanto desperdício em tão pouco tempo deu em dissabor, pois, ao minuto 41, Cardozo restabeleceu o empate.

Num lance com alguma sorte, a bola chegou até Cardozo que, marcado por Janko mas apenas com Helton pela frente, rematou com força de pé esquerdo e devolveu a igualdade aos encarnados, um resultado justo que se registava ao intervalo, tendo em conta o domínio repartido do bom jogo a que se assistiu nos primeiros 45 minutos, com ambas as equipas a mostrarem que queriam os três pontos e a liderança isolada.

Melhor início de segunda parte para o Benfica era impossível. Três minutos jogados e Oscar Cardozo, de cabeça, deu o melhor seguimento a um livre de Pablo Aimar e colocou os encarnados pela primeira vez em vantagem.

Após ter iniciado o jogo quase a perder, nos primeiros minutos do segundo tempo a equipa de Jorge Jesus conseguiu dar a cambalhota no marcador e ser superior ao FC Porto em campo.

Órfão de Lucho no meio-campo e de Hulk na ala, os forasteiros sentiram muitas dificuldades para sacudir o jogo ofensivo das águias, que, no entanto, tiveram o primeiro revés com a saída de Aimar lesionado.

Não gostando do que via, Vítor Pereira, aos 58 minutos arriscou. Colocou James Rodríguez em campo, tirou Rolando, deslocou Djalma para lateral-direito e passou Maicon para o lado de Otamendi.

O treinador do FC Porto teve coragem e foi recompensado seis minutos depois, pois foi o colombiano que chegou esta madrugada a Lisboa a fazer o 2x2. Num lance em que o Benfica tinha uma vantagem de quatro avançados para dois defesas, Fernando, tal como no primeiro golo, recuperou a bola e James conduziu o contra-ataque. À entrada da área encarnada, tabelou com Fernando e, de pé esquerdo, rematou, sem hipótese para Artur e restabeleceu o empate.

A partir da igualdade, os dragões passaram a controlar mais o meio-campo e era a vez do Benfica, que entretanto também ficou sem Garay por lesão e sem Emerson que foi expulso, correr atrás da bola.

Com mais um jogador, o FC Porto mostrou que estava na Luz para ganhar o jogo e Vítor Pereira mostrou isso, tirando João Moutinho e colocando Kléber em campo.

Mas foi num lance de bola parada que os forasteiros chegaram à vitória, com Maicon a cabecear para o terceiro golo, que confirmou mais uma reviravolta no marcador e a liderança isolada do FC Porto.

Melhor em Campo. Fernando