segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O esperado empate

Empataram!!! Os rivais ficaram olhos nos olhos, deram show mas acabaram por empatar a duas bolas. Tudo na mesma na frente do campeonato. Águias com 36 pontos, FC Porto com 33 mas menos um jogo.

Um Benfica x FC Porto não é apenas mais um jogo. Além dos três pontos há outras coisas em jogo, leia-se a honra e rivalidade. A noite Lisboeta, essa, era fria mas a crença não arrefecia o ânimo dos adeptos. O Estádio da Luz estava quente e o espectáculo em "ponto de rebuçado".

Pelos adeptos - e também para eles - a Luz engalanou-se: haviam cânticos de apoio e picardia ao rival, cartolinas, cachecóis e a coreografia dos adeptos da casa: «Força Benfica», lia-se nas bancadas da Luz.

O clássico já faz parte do ADN de Portugal. Toda a gente sabe, todos gostam, ninguém consegue ficar indiferente.

Certo é que quando se ama um clube, naquele exacto momento em que se ama, tem de se acreditar que é para sempre. Perante essa sensação que pode ser de segundos ou de minutos, de dias ou de horas, mesmo de anos ou meses... eles acreditam que é mesmo para sempre e que esta noite seria mais uma para vencer o rival.

O Benfica subiu ao relvado com três pontos de vantagem sobre o FC Porto, segundo colocado mas com menos um jogo. Enquanto uns beijavam a aliança e outros o terço, haviam adeptos e jogadores que erguiam as mãos e pediam a ajuda dos Deuses.

Quanto aos treinadores, que tinham várias baixas nos seus conjuntos, maquilharam as suas equipas com pedras importantes. Jorge Jesus, a jogar em casa, colocou Nico Gaitán - que vinha ganhando espaço a Ola John nos encarnados - e projetou a sua equipa com dois avançados: Lima e Cardozo. Luisão, lesionado, acabou por ficar de fora das opções para o duelo. Já Vítor Pereira, privado que está de James Rodríguez, lançou o belga Defour na direita e deixou o reforço Izmaylov no banco de suplentes.

Os dados estavam lançados e quando João Ferreira apitou para o começo do jogo, os dragões, a exemplo do seu rival, não somavam qualquer derrota e tinham apenas dois empates. Goste-se ou odeie-se, o futebol foi esta noite mais uma boa desculpa para não pensar em mais nada.

No relvado ambas equipas entraram com algum receio mas tiveram um começo de encontro verdadeiramente louco. O FC Porto saiu na frente, aos oito minutos, numa bola parada. Livre de João Moutinho, Jackson «penteia» a bola para o coração da pequena área e Mangala, de cabeça, bateu Artur. Mas os bicampeões nacionais não tiveram muito tempo para festejar. É que Matic, aos 10', tirou um golaço num belo pontapé, após um canto curto.

Numa partida de parada e resposta, Artur errou e Jackson Martínez aproveitou para fazer o 1 x 2. O guarda-redes do Benfica recebeu o atraso mas perdeu a bola para Jackson, que com a baliza aberta fez o segundo golo portista. Loucura na Luz!

Os artistas estavam a corresponder em campo e a partida tinha tudo: golos, emoção, incerteza, alguns erros e toques de classe. Assim, o Benfica empatou o resultado por Gaitán; Maxi e Salvio construiram bem, Helton deixou a bola para Gaitán, que disparou para o 2 x 2.

Depois dos primeiros 20 minutos de alta tensão, Benfica e FC Porto meteram um travão e jogaram um futebol mais pensado. O meio-campo começou a ser o espaço mais povoado e onde se ia articulando o clássico. Matic e Enzo de um lado, Lucho, Moutinho e Defour do outro... tentavam colocar calma e inteligência no xadrez das respectivas equipas.

Ao intervalo, Benfica e FC Porto empatavam a duas bolas e o segundo tempo prometia.

No regresso dos balneários, os Portistas entraram melhor, com mais bola e a jogar mais perto de Artur. O Benfica, por seu lado, ia tendo mais dificuldades em construir.

Jesus não tinha – como o outro – pedido para se amarem uns aos outros. Na sua área técnica, o elétrico treinador do Benfica pedia garra e pressão aos seus jogadores. Era isso, apenas isso, que ele pedia. Tão simples, mas por vezes tão difícil. Do outro lado, Vítor Pereira exigia entrega total aos seus pupilos e tentava corrigir algumas posições. E todos, todos mesmo, tentavam cumprir no retângulo de jogo o que o treinador pedia.

Mas o controlo do meio campo e os cruzamentos assumiam-se como as jogadas de perigo (em ambas as balizas). Só faltavam entrar os golos... como na primeira metade.

Mas eles não apareciam e a partida encaminhava-se para os derradeiros minutos quando Cardozo perdeu uma soberana ocasião. O Paraguaio isolou-se e só uma defesa soberba de Helton evitou o golo. A bola ainda bateu no poste e saiu.

A emoção voltava a crescer e o Estádio da Luz outra vez ao rubro. Ninguém queria errar mas as pernas já começavam a perder gás... mas Tacuara falhara na altura onde não podia. Helton, que foi motivo de conversa de Luís Filipe Vieira, mostrou alí que a baliza do FC Porto estava bem guardada.

Já com Aimar em campo, o Benfica cheirou outra vez o golo, aos 84'. El Mago cabeceou ao lado, mas o Argentino estava em posição irregular.

No banco, os treinadores alteravam o que podiam: Jesus tirou Gaitán para manter o jogo vivo, Vítor Pereira tentou colocar "gelo" e agarrar o resultado com as entradas de Abdoulaye e Castro. O médio rendeu Lucho (muito desgastado).

E assim chegamos aos 90 minutos. João Ferreira, o árbitro, deu mais quatro minutos de compensação. Mas nenhuma das equipas marcou... e continuam na luta pela conquista do título.

Retirado de zerozero

Melhor em Campo: Alex Sandro

4 comentários:

P. Ungaro disse...

Boas,

Não seria dificil de prever que depois da escolha de joão "pode ser" ferreira para o jogo que jogariamos contra 12 ... e foi um facto !!!
O Porto esteve bem, personalizado e com muita atitude, a equipa funcionou como um todo e muito solidaria, com Alex Sandro e Mangala em grande destaque.
No entanto e como sabemos os jogos definem.se em pormenores, ou pormaiores, e o arbitro deu mais uma mãozinha ao clube do regime.
Temos que continuar a lutar contra tudo e contra todos e se mantivermos esta entrega e atitude seremos campeões.

Um abraço

http://fcportonoticias-dodragao.blogspot.pt/

Rui Anjos (Dragaopentacampeao) disse...

Jogo de grande intensidade e espectacularidade, durante a primeira parte, com as duas defesas a cometerem alguns erros, bem aproveitados pelos respectivos ataques, o que determinou um louco evoluir do resultado.

Depois, muito naturalmente, o jogo foi perdendo intensidade e aí, o FC Porto patenteou o seu habitual colectivismo e segurança, impondo toda a sua classe e determinação. Foi sem dúvida mais equipa. Por isso destaco sobretudo o colectivismo da equipa, onde apesar de tudo sobressaíram Mangala, Alex Sandro e Jackson Martinez.

O trabalho do árbitro merece uma estátua ao lado da do Eusébio, pelos bons serviços prestados à causa benfiquista, não só neste jogo como também à sua carreira, que, para bem do futebol e da verdade desportiva, está perto do seu términos.

Um abraço

AZUL DRAGÃO disse...

...O esperado empate ?

Eu cá esperava a vitória !
E só a não tivemos porque fomos roubados !

Abraço

Shadows disse...

Tanta contenção nas palavras...nem parecem adeptos do clube do Vítor Pereira! :)
Apesar de ser do FCP, parabéns pois têm aqui um bom blogue.