sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Breve Reflexão Sobre as Contas

Não vi nos blogues e/ou páginas afetas ao nosso Clube grandes comentários às contas da Sad, relativas ao período de 1 de Julho a 30 de Setembro de 2015, exceção feita aos pasquins desportivos que, mesmo assim, se limitaram a copiar os destaques negativos inseridos no próprio Relatório e Contas.
 
Todos sabemos que os nossos consócios não prestam muita atenção a estas minudências, interessando-se muito mais pelos resultados desportivos. É um enorme erro. O futebol “de clube” desapareceu há muitos anos pelo menos desde o advento da SAD. Agora assistimos a uma atividade comercial cuja única relação com o passado é continuar a dedicar-se ao popular jogo de futebol que todos amamos.
O nosso Futebol Clube do Porto (o do Campo da Rainha, ou da Constituição) viveu quase exclusivamente das quotizações pagas pelos associados, e aqui e além, de painéis publicitários que ajudavam a pagar a despesa do senhor que guardava o campo e da esposa que lavava os equipamentos. Salvas raras exceções não existiam transferências de atletas, a Televisão só apareceu em meados dos anos 60 e até aí apenas a Rádio levava às nossas casas as incidências dos jogos que se disputavam no campeonato nacional. A luta rádio/televisão foi determinante para transformar o futebol numa indústria. Recordo-me da corrida aos cafés para ver os resumos dos jogos disputados à tarde e dos quais já sabíamos os resultados pela rádio. Os jornais desportivos passaram a edições diárias, a BOLA era do Benfica, o Record “apanhava” os adeptos do Sporting e, mais tarde, o Jogo para contentar os sócios do Porto.
O salto definitivo foi dado por Joaquim Oliveira quando no início dos anos 2000 criou com a Portugal Telecom a Sportinvest uma empresa de média destinada a explorar os direitos de transmissão televisiva dos principais clubes portugueses. O Futebol Clube do Porto atirou-se para a construção do Estádio do Dragão, “inventou” jogadores e treinadores e ganhou títulos.
 
Agora vem a parte mais difícil. Para estas “aventuras” foi necessário muito dinheiro. Acabamos com as modalidades amadoras (resistem heroicamente 4 ou 5), descobriram-se novas fontes de receita, camisolas e adereços iguais aos dos atletas, cedência de direitos de transmissão televisivos nos jogos nacionais ou provas uefeiras, e aproveitamos para vender os passes dos nossos melhores atletas.
 
Esta forma de rentabilizar aquilo que se classificam como Proveitos Operacionais tem os seus contras. Desde logo se o clube não vencer nenhuma competição deixa de ser atrativo para os investidores, os sócios não pagam as quotas nem gastam dinheiro no merchandising, o público não acorre às bilheteiras. Depois porque os Custos Operacionais (Fornecimentos e Serviços Externos, Despesas com Funcionários, Amortizações) estão sempre a aumentar.
Aqui o grande segredo é conseguir o equilíbrio naquilo que eu chamo o “resultado da atividade corrente” (aquele que é feito ao longo da época). Só um Orçamento extremamente bem elaborado pode garantir esse equilíbrio. A parte mais complicada é quando se projetam verbas para a aquisição de novos jogadores e se pensa que (mais tarde) iremos ter mais-valias em eventuais transações. Se em algumas épocas temos tido a sorte de efetuar excelentes negócios a verdade é que basear as expetativas de um Orçamento nesse pressuposto é um erro que pode sair muito caro.
 
O resultado deste 1º Trimestre (Ativo liquido) cresceu pelo aumento do valor contabilístico do plantel atingindo o valor de 99,3M€ que, como se sabe, é contabilizado mensalmente pelo preço de custo dos atletas a dividir pelo tempo de duração do contrato. Os Custos aumentaram pela aquisição das sociedades participantes do Porto Canal, pela contratação de inúmeros atletas, mas conseguindo-se, mesmo assim, um resultado Operacional de 13,6M€. Aspeto positivo foi o aumento do Capital Próprio após a integração da Euro Antas no balanço consolidado a que acresceu o aumento do Capital Social efetuado pelo Futebol Clube do Porto. O Ativo cifra-se agora nos 411,7M. Aspeto negativo foi o aumento do Passivo para 318M€, atingindo o maior valor absoluto destes últimos 12 anos de Sad. Contudo o Passivo Financeiro (aquilo que deve aos Bancos) não chega a 100M€, uma ninharia!
O “tal” clube da Constituição é hoje um grande barco. Possui 10 sociedades comerciais, dono de 62% da Sad, dentro de 3 Anos tem o Estádio do Dragão pago, é um apetecível cliente bancário, procurado por empresários e fundos para a compra/venda de “ativos” (leia-se jogadores).
Com ou sem os mesmos dirigentes o Clube não desaparece. Somos Porto. Queria desejar aos amigos portistas um Feliz Natal e um Novo Ano repleto dos resultados desportivos que todos desejamos.
 
Até à próxima

4 comentários:

Carrela disse...

Boas festas!

Cumps

JOSE LIMA disse...

Obrigado meu amigo. Para si também.

Felisberto disse...

Não vai haver mais posts até ao Natal?

Se assim for um bom Natal com muito bacalhau e um feliz ano novo com muita alegria e sobretudo esperança em dias melhores, sejam eles sociais ou desportivos....

JOSE LIMA disse...

Amigo Felisberto
Obrigado por ter comentado. Aqui há posts todos os dias menos, eventualmente, no dia de Natal. Por mim pouco falo de táticas, gosto mais dos aspectos laterais ao jogo-jogado, mas que considero importantes. Abraço