segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Contrato Porto/PT Portugal

Meu Deus que confusão vai por aí! Uns dizem que os nossos jogos vão passar no Porto Canal. Outros que quem tiver NOS não vê os jogos da MEO! Alguns ainda que a SportTv vai desaparecer, enfim, um rosário de disparates!

Mas o melhor será começar pelo princípio, ou seja saber, do ponto de vista regulamentar, a quem pertencem originariamente os Direitos Televisivos, quando estamos a falar do nosso campeonato profissional, a chamada Liga NOS.
Pertence a cada um dos clubes nela participantes, como é óbvio no que se refere aos jogos disputados nos seus estádios, quando na condição de visitados. Esses direitos são depois cedidos/vendidos a interessados que pretendam, exibir eles próprios os jogos, ou cedê-los/revendê-los a terceiros. É o que se tem passado nos anteriores campeonatos onde (para abreviar) os clubes cederam/venderam esse direito a uma das empresas de Joaquim Oliveira (IPTV) que depois os negociou com outra sociedade de que é titular a SportTV. A maior parte desses acordos, como é o caso do FC do Porto, termina em Junho de 2018.

A partir dessa data, ou antes como se viu agora, a dança é a mesma. Alguém (neste caso a PT PORTUGAL) adquiriu-nos esses direitos por um determinado período, assim como por exemplo, outro operador (a NOS) tinha adquirido a um dos circos da Segunda Circular direitos idênticos, que como não tem compromissos para além de 30 de Junho de 2016, e estava mortinho por se livrar daquilo, poderá iniciar as transmissões na próxima temporada. Igual raciocínio se passará com outros clubes que tenham recebido propostas idênticas.

Se tal acontecer (aparecerem interessados em licitar os Direitos) estes ficarão repartidos entre as várias operadoras do espectro televisivo licenciadas para o efeito. O que se passa daqui para a frente (e atenção: ainda só estamos a falar dos jogos “em casa”) serão os seus titulares a decidir. Se estão interessados em exibir eles próprios os jogos ou revendê-los a terceiros. Novamente o exemplo do Circo da Luz que, nas últimas épocas, exibia ele mesmo os jogos, ao contrário dos outros clubes que cediam/entregavam a outra operadora (SportTV) a responsabilidade das emissões.
O mesmo se passa com os “jogos fora”, o processo é igual. Os interessados licitam/compram e depois exibem/revendem os encontros. Aqui chegados vamos perceber que um campeonato com 18 clubes (9 encontros por jornada x 34 jornadas) poderá transmitir 306 jogos. Até aqui a SportTV teve a arte e o engenho de açambarcar a quase totalidade dos participantes e exibir ela própria uma média de 5 jogos por jornada, mediante assinatura.

Outra coisa será saber “em que Canal passam os jogos” (MEO, NOS, CABOVISÃO, VODAFONE ou outros). Possivelmente em todos. Como a SportTV tem participações cruzadas com as principais operadoras (MEO e NOS) o mais natural é que seja a própria (mas não necessariamente) a transmitir os jogos. Não esquecer que só as duas operadoras acima referidas, MEO e NOS, tem mais de 75% do mercado por assinatura. Branco é galinha o põe.

Agora a pergunta do milhão de euros. Por quanto vão ceder/vender os seus Direitos os clubes mais modestos e sem os quais não poderia haver campeonato? Cada um deles vai jogar 34 vezes (1ª e 2ª voltas) mas, provavelmente, irá receber a côdea do costume. Qual o papel da LIGA, Associações e FPF nesta mediação? Zero! Quem defende os clubes? Ninguém!
Aqui chegados sobra para o pobre espectador o compromisso de assinar uma operadora e, se quiser ver os jogos, assinar também a SportTV. Tudo como dantes exceto os milhões em jogo. Uma dúvida final me assola. Qual a viabilidade económica destes contratos num país do terceiro mundo, verdadeiro caixote do lixo da Europa? Posterior difusão e venda dos jogos a polos de emigração? Américas, Europa Central, África? Já estou a ver as palhoças com uns arames dependurados para sintonizar o Tondela X Moreirense!

Até à próxima

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