Nada me move contra o senhor, apenas não consigo compreender a trapalhada em que subitamente o futebol português se transformou, numa altura em que os organismos que dirigem o futebol profissional apenas deviam estar empenhados em acabar a época sem as estranhas nomeações do tratador dos cãezinhos amestrados, e punir as pressões do clube da treta sobre a Arbitragem.
Parece que desta vez, o presidente da “instituição” se enganou. Não foi preciso recuar até ao início da época para se perceber que o controle da Arbitragem, e da Disciplina foi, mais uma vez, o leitmotiv do senhor Vieira. Já em campeonatos anteriores, primeiro com Cunha Leal e o Algarvegate, depois com Ricardo Costa e o campeonato dos túneis, ganhou 2 títulos com batota em 8 anos de gestão. “Mais vale ter dirigentes na Liga do que bons jogadores” disse. Desta vez, ao apoiar Mário Figueiredo para a presidência, apostou tudo no cavalo errado e perdeu.
Curiosamente este campeonato, com a passagem da Disciplina e da Arbitragem para a FPF, poderia ter sido o início de uma nova era para as instâncias que mandam no Futebol. Infelizmente parece que nada mudou. Na FPF continuamos a ver o presidente Vítor Pereira a quem ninguém pode pedir explicações (é um órgão autónomo), de joelhos perante o clube do regime, com as suas nomeações cirúrgicas, sempre em favor do clube da treta seu indefectível apoiante. Agora apareceu este caramelo na LIGA a baralhar as coisas. Para o presidente do clube da “verdade desportiva” é sempre bom ter alguém na retaguarda a manobrar alguns aspectos “administrativos” quando, ainda por cima, o candidato era o Advogado que tinha “defendido” outro amigo do senhor Vieira, o inefável Carlos Pereira (sogro do senhor Mário) numa acção proposta contra o FC Porto alegando uma pseudo “contratação ilegal” de Kléber.
Mário Figueiredo ganhou a presidência da Liga com base nas promessas feitas aos clubes pobrezinhos. 1 - O aumento da Liga de 16 para 18 clubes. 2 - A Orangina de 18 para 22; 3 - Não descer ninguém; 4 - Não obrigatoriedade da apresentação das certidões comprovativas da regularização fiscal; e 5 – Uma melhor repartição nos direitos televisivos. O homem apareceu agora a pagar as promessas mas foi reduzido a cinzas no crematório da Federação.
ALARGAMENTO
O senhor Mário de Figueiredo devia ter reflectido, pelo menos antes de apresentar esta proposta, em dois aspectos importantes: o Legal e o Racional
LEGAL – “as alterações que forem aprovadas no decurso de uma época desportiva” não podem ser aplicadas na época seguinte, excepto “nos casos em que haja unanimidade”, o que não foi o caso. Além disso, o protocolo assinado entre a FPF e a Liga que integra a aplicação do Regulamento da Competição, só termina em 2013.
RACIONAL – Com o País falido, os clubes e as pessoas idem, a quem pode interessar um aumento substancial de despesas com a passagem das competições profissionais de 32 equipas para 40, e a realização de 768 jogos em vez dos actuais 480? Aos Árbitros, à GNR, à Polícia ou aos Bombeiros? Aos espectadores não é, de certeza.
Compreendo que o clube da 2ª Circular que apoiou este presidente/mistério, e tem (conforme mencionado no seu último RC), 71 jogadores sob contrato, poderia ficar a ganhar. Despachava umas 2 dúzias para a equipa B competir na Orangina, em vez de os emprestar a clubes que não tem dinheiro para os atletas da casa, quanto mais para pagar os ordenados principescos do clube da treta. A contrario sensu, também fica a perder. É que, com o alargamento, deixa de haver datas disponíveis para a Taça Lucílio Batista, a coroa de glória da “instituição” nos últimos anos.
DIREITOS TELEVISIVOS
A Liga anunciou fazer queixa a Bruxelas, sobre o “monopólio” de Joaquim Oliveira.
“O Conselho de Presidentes foi dominado pelo tema dos direitos televisivos. Numa altura em que se estuda a possibilidade de concentrar a negociação dos direitos televisivos na Liga, os clubes decidiram que, até 30 de Junho, vão estudar a possibilidade de apresentar uma queixa na Comissão Europeia (CE), contra o monopólio actualmente existente, alegando violação dos direitos de concorrência.”
Vamos lá desmontar esta irresponsabilidade que só não me espanta, por ter vindo de quem vem. Mário Figueiredo foi eleito por delegados/fantoche, indicados por meia dúzia de presidentes/analfabetos que, pelos vistos, nem os Regulamentos conhecem, e apresentou uma lista de promessas impossíveis de concretizar. “Monopólio”? A empresa de Joaquim Oliveira detém os direitos televisivos porque, todos os anos, é quem mais oferece pelos mesmos e ganha o leilão aberto pela FPF o verdadeiro titular dos direitos televisivos. Elementar meu caro Rui Santos!
Chamar a isto monopólio, só por graça. Oliveira compra a quem vende, e o principal cliente é o próprio, que transmite os seus jogos por assinatura no seu canal. Dos restantes jogos que sobram, pelo menos 1 por semana, é vendido a outros operadores do mercado interno que os transmitem em sinal aberto para o Continente e Ilhas, ou para milhares de emigrantes portugueses os verem via satélite, também por assinatura. Em Portugal, durante alguns anos, foram transmitidos pela RTP, depois pela SIC e, este ano, pela TVI. Além disso a SportTv tem que negociar com cada clube a “permissão” para transmitir os jogos a realizar nos seus estádios, pelos quais lhes paga uma retribuição. Não vejo onde esteja o “monopólio”, a menos que se esteja a referir aquela vergonha da Santa Casa da Misericórdia (de Lisboa) andar a chular o Futebol, tendo-lhe até sido atribuído por decreto, “a exclusividade das Apostas Desportivas”.
O pagador de promessas está a pensar em fazer queixinhas à UEFA com o pretexto de obter um parecer que possa validar a ideia peregrina de alterar o modelo actual da compra dos direitos “em leilão” e passar a negociá-los em bloco. Adivinha-se uma grande trapalhada jurídica, visto haver clubes que tem contratos negociados até 2018. Sabemos que o bolo total destes direitos em Portugal, dificilmente ultrapassará os 60M€, mas diz o senhor, que o valor da negociação “em conjunto” pode ir até aos 200M€. (!) Finalmente descobri quem “vendeu” ao presidente do clube da treta a ideia luminosa de que os seus 15 jogos em casa valem 40 milhões! Com as quebras que se estão a verificar nos investimentos publicitários, presumo que até nem valham tanto como até aqui. Não seria melhor a FPF estudar e viabilizar uma solução que enquadrasse as apostas on-line na nossa legislação, e distribuir parte dos lucros pelos clubes mais modestos? É que algumas das casas de apostas que existem por todo o lado, até tem coisas “interessantes”…

Se estivesse no lugar de Joaquim Oliveira pregava a esta cambada, que só quer mais dinheiro para estourar em jogadores, uma grande partida. No próximo “leilão” não concorria e mandava-os “jogar a pau com os ursos”. Pagava para ver a quem os clubes iam, depois, impingir os jogos.
Até para a semana