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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

A culpa não é do Sá

imagem retirada de zerozero
Quem olhar de relance para esta derrota do Futebol Clube do Porto em Leipzig terá a natural (mas errada) tentação de culpabilizar o guardião José Sá por tal desfecho. Mas quem o fizer sem olhar a simpatias e antipatias por qualquer um dos elementos da equipa portista facilmente perceberá que o principal responsável pela derrota em solo germânico foi, única e exclusivamente, Sérgio Conceição. Não por este ter escolhido José Sá para defender a baliza do FC Porto diante do RB Leipzig, mas sim porque Conceição quis “fazer omeletes sem ovos”. Passo a explicar.

As equipas alemãs - até as mais “modestas” – não sabem o que é jogar devagar. Quem segue a Bundesliga (campeonato alemão de futebol) sabe perfeitamente do que estou a falar. A velocidade de execução, a pressão e a movimentação constante dos jogadores de qualquer equipa alemã são uma realidade. O Leipzig não é, obviamente, execpção à regra. Ora isto para aqui dizer que das duas, uma; ou a equipa adversária joga contra o Leipzig da mesma forma que este joga ou então a equipa adversária tem um plantel que lhe permite gerir a posse da bola, impor o seu ritmo e fazer frente à forte pressão e movimentação constante dos jogadores do Leipzig. Ora é certo e sabido que por opção técnica e financeira o Futebol Clube do Porto de Sérgio Conceição não tem nem uma coisa nem outra. È então por demais óbvio que não se poderia ter jogado em Leipzig da mesma maneira que se jogou no Mónaco (por exemplo). Mas o Sérgio optou por jogar exactamente da mesma forma que jogou no Principado e deu-se mal.

Exigia-se, portanto, outro tipo de preparação da parte do Futebol Clube do Porto. O mesmo tipo de preparação que se exigiu a Sérgio Conceição aquando da recepção ao Besiktas. Recepção que também acabou mal.

Se a ideia de Conceição era a de tentar travar o futebol ofensivo do Leipzig então mais valia ter-se reforçado o meio campo com Oliver Torres em detrimento de um Brahimi que desilude sempre que defronta um adversário um tudo ou nada mais forte do que aquilo que temos no nosso campeonato. Se a ideia era a de se fazer a equipa avançar em bloco, então porquê razão Sérgio Conceição apostou num Miguel Layún que só sabia subir no terreno deixando a árdua tarefa de “travar” os extremos do Leipzig para os centrais Marcano e Felipe? Estará Danilo Pereira assim em tão boa forma?

São muitos os “ses” da parte de Sérgio Conceição que determinaram a derrota do Futebol Clube do Porto diante de um adversário ao qual lhe bastou pressionar “um bocadinho assim” para que toda equipa portista se portasse como uma barata tonta. E escusado será dizer que os golos sofridos por ambas as equipas são caricatos (para não dizer ridículos).

Agora de nada serve estar a lamentar. Segue-se agora uma partida caseira diante do Paços de Ferreira em mais uma jornada da Liga NOS. Que esta sirva para elevar a moral do FC Porto sem que se volte a “voar alto demais”. O Sérgio Conceição ainda tem muito que aprender. Especialmente nas competições europeias. 

MVP (Most Valuable Player): Vincent Aboubakar. O avançado camaronês lutou, lutou, lutou e lutou até ao fim das suas forças. Foi sempre o mais esclarecido em campo da parte da equipa azul e branca e merecia ter sido mais bem servido pelos seus companheiros. Marcou um belo golo e deu sempre muito que fazer à equipa germânica. Merecia ter ganho o jogo, mas tal não foi possível. 

Chave do Jogo: Inexistente. 

Arbitragem: Nota positiva. Nada a apontar ao trabalho de Paolo Tagliavento e assistentes. 

Positivo: Festa do golo. Jogo da UEFA Champions League com 5 golos não é algo que se veja com muita regularidade nos tempos que correm. 

Negativo: Yacine Brahimi. O “normal” Brahimi aparece sempre que o FC Porto defronta adversários um tudo ou nada mais fortes. Triste sina esta. 

Artigo publicado no blog o gato no telhado (17/10/2017)

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Uma Arena com ar de casa que pode dar asas ao Dragão

Coloque-se em espera o campeonato, ponha-se de parte a Taça de Portugal, agora é hora de Champions. A terceira jornada está aí à porta, os grupos ganham maior definição, a margem de erro acaba... e ganha força o primeiro objetivo: o de chegar ao mata-mata.

Nesta última ronda da primeira volta será o FC Porto o primeiro dos três representantes portugueses a entrar em campo, mais uma vez numa deslocação ao estrangeiro mas num recinto que, curiosamente, tem ares de casa para os portistas. Ou não fosse a Red Bull Arena, recinto do RB Leipzig, notoriamente semelhante ao Estádio do Dragão.

Mas porque o foco da noite estará no futebol, e não na arquitetura, é essencial recordar: do outro lado está uma equipa com experiência limitada a nível de futebol europeu, sim, mas que tem brilhado num dos mais competitivos campeonatos, a Bundesliga. Atual vice-campeão, o RB Leipzig ocupa de momento o terceiro lugar e vem de um impressionante triunfo no terreno do líder Borussia Dortmund. 
 
Portistas embalados e com crença para mais

Verdade seja dita, no entanto, também o FC Porto vive um bom momento. Tendo realizado mais uma exibição convincente em mais uma competição distinta - realce-se, claro, o nível bem diferente do adversário na Taça de Portugal -, a equipa azul-e-branca está também ainda embalada pelo triunfo recente no Mónaco, que reforçou as esperanças dos dragões.

Nesta altura, Sérgio Conceição e companhia sabem que têm toda a legitimidade para aspirar à presença nos oitavos-de-final da prova milionária, mesmo tendo em conta a entrada em falso diante do Besiktas, mas este primeiro duelo frente ao RB Leipzig tem potencial para ser decisivo ou perto disso.

Em caso de um triunfo em terreno alemão, a equipa portista fica em posição verdadeiramente privilegiada para seguir em frente na prova. Pelo contrário, uma derrota retiraria o FC Porto dos lugares de apuramento e colocaria grande pressãosobre os azuis-e-brancos para os restantes três jogos.
 
Uma dúvida alemã e as possíveis surpresas

Se o português Bruma parece ter lugar garantido na equipa inicial do RB Leipzig - e será sem dúvida foco de perigo na estratégia da equipa alemã -, o mesmo não se pode dizer do melhor marcador da formação germânica, Timo Werner.

É sobre o avançado de 21 anos que residem as grandes dúvidas no que toca a esta partida, já que o talentoso jogador tem exibido problemas físicos e não atuou em Dortmund. Os seis golos apontados em nove jogos são razão suficiente para deixar os portistas em alerta.

Quanto à equipa do FC Porto, é difícil colocar de parte a hipótese de haver surpresas. No Mónaco surgiu Sérgio Oliveira no onze inicial, uma decisão que surpreendeu tudo e todos e que acabou por dar frutos, tendo o médio realizado uma exibição sólida.

Tendo em conta as várias competições em que o FC Porto está envolvido e tendo também em conta o discurso frequente de Sérgio Conceição, que de forma insistente garante confiar em todos os elementos do plantel, há várias alternativas possíveis para a equipa inicial. Na lateral-direita, Ricardo ou Layún? No meio-campo, Sérgio Oliveira ou Óliver, ou os dois? Dúvidas para dissipar uma hora antes das 19h45, a hora milionária.
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Retirado de zerozero
 
NOTA: A análise pós jogo a esta partida poderá só vir a ser publicada durante o dia de Quarta-feira (18 de Outubro).