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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Hora de Balanços

Na crónica de hoje, para variar, vamos falar de Balanços. Desportivos e Financeiros. Bem sei que a época ainda vai a meio mas já temos dados que podem projetar o que as principais equipas poderão fazer (ia a dizer retificar) até Junho deste ano. Nos dois circos da capital, e embora aguardando ainda a publicação das Contas do 1º Semestre (1 de Junho a 31 de Dezembro de 2016) a situação não se apresenta muito risonha.
Enquanto no “clube da treta”, pese embora uma boa subida dos Proveitos, sabemos que sem Receitas Extraordinárias (transações de jogadores e duas já falharam Lindelof e Jiménez) continuam com o Passivo em crescendo, o Capital Próprio abaixo dos 50% do Capital Social, e um peso excessivo nos Custos Salariais. Quanto às dívidas de LFV e do Clube ao BES podem clicar em “ as 50 sombras do BES ” e ficam a conhecê-las melhor. Pelo contrário a prestação desportiva com o tradicional “colinho” excedeu todas as expetativas quando as atenções estavam viradas para a equipa do outro lado da 2ª Circular.
No vizinho do circo em frente a situação é pouco menos do que caótica. A contratação mais cara da história que fizeram com o treinador sem correspondência nos resultados desportivos ficará registada como um rude golpe para quem, como Bruno de Carvalho, criticava o despesismo dos anteriores presidentes. No plano desportivo apresenta-se com o plantel desequilibrado sem dois bons laterais e a falta evidente de mais um ponta-de-lança como Slimani. Na linha média não se notou a saída de João Mário, dadas as boas exibições que Gelson tem protagonizado. O único que se tem mantido com o prestígio intacto é mesmo Adrien com um nível geral de boas prestações. Na parte Financeira, os elevados Custos nas contratações da época somados a um Passivo galopante que vem dos anos anteriores não anuncia grandes melhorias na sua estabilidade. Só a renegociação do plano Financeiro com o BES (empurrar as dívidas para a frente) se poderá considerar positivo mas com imprevisíveis consequências na altura do acerto das Contas com os famosos VMOC’s (valores mobiliários convertíveis em Ações) que tem forçosamente de ser resgatados. Se assim não acontecer, essas Ações podem ficar na posse da banca que então controlará parte significativa da SAD. Também a Doyen anunciou para breve uma penhora aos bens da SAD. Isto se houver ainda por lá alguma coisa penhorável.
Por último, e mais importante, o nosso Clube. Digamos que estará no meio dos outros dois. Se a performance Desportiva parece indiciar algumas melhoras, embora não tenhamos conseguido ainda concretizar todas as jogadas de golo, a apatia da SAD na procura de melhores soluções Financeiras não parece muito animadora. O resultado negativo das últimas Contas de 54M€ deixou a SAD em muito maus lençóis. Sem atletas de alto nível apetecíveis para os nossos “clientes estrangeiros” o plantel parece estagnado a menos que um milagre aconteça daqui até ao fim de Janeiro. Alguns jogadores que sairão por empréstimo não representam grandes encaixes com a consequente impossibilidade de contratar reforços sonantes. Transferir 1 ou 2 dos nossos melhores atletas também pode colocar o lugar na tabela em risco. Esperamos todos que Administração acorde e que os próximos jogos com o Sporting a 4 de Fevereiro e com a Juventus a 22 de Fevereiro e 14 de Março sejam a chave para o nosso fortalecimento.

Até à próxima

domingo, 17 de agosto de 2014

Nunca Te Enganes a Ti Próprio

Na reentrada em cena do programa desportivo DIA SEGUINTE que passa 90% do tempo a enaltecer o clube da treta esperava-se que o mesmo servisse para o aldrabão do costume responder à óbvia questão de como iriam arranjar 200 milhões até Dezembro para cumprir os compromissos de 2 Empréstimos Obrigacionistas quase sobrepostos e liquidar uma conta caucionada no BES. Conhecem estas Contas? São assim uma espécie de “compre agora e pague com o subsídio do Natal!”
 
Expetativas goradas, o ex-administrador que nunca sabe responder ao que lhe perguntam já deve ter percebido que ninguém acredita na banha de cobra que anda há muito a vender e prefere iludir a resposta. Então muda de assunto com desculpas esfarrapadas não assumindo o estado de falência em que se encontra a “instituição”. O habitual fornecedor de dinheiro para Tesouraria faliu. Fechou a torneira. No último RC a SAD demonstra compromissos financeiros até 2024 e o estádio nem metade está pago. Quatro dos seus acionistas de referência, BES, José da Conceição Guilherme, Somague, e o presidente LFV estão ligados à construção. Este último é um dos homens mais ricos de Portugal e nem sequer aufere vencimento (por imposição estatutária) no Clube. Provavelmente o dinheiro apareceu por geração espontânea.
 
Mas o programa teve uma novidade. Foi apresentado um novo papagaio. Todos estávamos habituados aos papagaios encarnados Cervan e Seara mas desta vez apareceu um papagaio verde no lugar da última abécula que por lá vegetava. Assistimos a uma prestação generosa entremeada de expedientes dilatórios (ou não fosse o homem advogado) mas cujo discurso nada mudou pela ignorância evidenciada sobre as matérias em discussão. Nem sabia que o Zbórden tinha rebentado mas com os amigos do BES conseguiu que lhe fossem perdoados juros e esticados os prazos de pagamento da divida. Assim uma espécie de PER disfarçado.
Voltando á vaca fria (o tema era a crise do BES e o seu reflexo nos clubes) percebeu-se que os dois circos da capital foram bastante atingidos nas suas expetativas de continuarem a viver com o dinheiro da Banca. Como de costume o feiticeiro que nos aparece aos Domingos à hora do jantar desvalorizou o caso, juntando o total dos Passivos dos 3 grandes que ultrapassa o milhão de euros. Só que mais uma vez meteu água. Deixe lá, já tinha acontecido o mesmo ao Economista António Samagaio no PÚBLICO. Não reparou nalguns pormenores.
 
Querem ver alguns? Primeiro: O BES é financiador preferencial da “instituição”. Segundo: Detém uma participação no Capital Social da SAD. Terceiro: Gere e participa num Fundo (Benfica Stars Fund) onde a SAD tem 15%. Quarto: Apoia os sucessivos Empréstimos Obrigacionistas como colocador daquelas operações.
 
Nós, os parolos cá de cima, não queremos misturas. Como o feiticeiro prometeu que iria falar nisso no próximo Domingo, aconselho que leia os RC dos 3 grandes e separe os valores de cada SAD. Olhe se quiser até pode juntar-lhes o Passivo dos respetivos clubes e umas empresas que andam perdidas pela capital. Vai ver que o Grupo do clube da treta tem um passivo maior do que os outros dois juntos. Não venha para cá com “contas à moda do Porto”.
 
Curiosamente a Sociedade de Revisores da KPMG que faz parte da Comissão de Auditoria do BES já tinham invocado o risco da empresa sobre as operações do Grupo BES, devido a uma grande exposição ao crédito concedido a sociedades de meia tijela. Compreende-se agora por que motivo o clube da freguesia de Benfica os mandou pela porta fora e substituiu o ROC.
 
Ao terminar o DIA SEGUINTE o representante da “instituição” não respondeu a duas perguntas concretas do apresentador do programa. Primeira: se as vendas apressadas e por qualquer preço se deviam à necessidade de compromissos de Tesouraria ou à liquidação dos compromissos com os Investidores do Empréstimo Obrigacionista mais a conta caucionada do BES perto do final do ano. Segunda: se o clube tinha apoiado Mário Figueiredo para presidente da LIGA. O homem mentiu e disse que não. Prefere continuar a enganar-se a si próprio.
Até à próxima

domingo, 10 de março de 2013

A Bomba Millennium

Desta vez parece que rebentou mesmo. Os amigos que habitualmente lêem este blogue sabem que tenho a mania de analisar as contas dos clubes. Deformação profissional, já se vê, embora me atraia um pouco fazer pirraça aos nossos adversários mais directos. Por mais de uma vez “avisei” que quando a Banca fechasse a torneira alguns clubes da treta iriam passar por muitas dificuldades.

A decisão do Millennium acabar com os empréstimos para o futebol pode desencadear um verdadeiro terramoto nos 2 circos da Segunda Circular, bem como, um gravíssimo efeito dominó, mesmo para aqueles clubes que habitualmente cumprem com os seus compromissos. Vamos começar naturalmente pelo mais, maior, grande. Vieira cometeu a proeza de multiplicar o Passivo por 5, durante os 10 anos em que está à frente do clube. No ano em que Vilarinho foi presidente já era ele quem mandava, até o obrigou a atravessar-se com uns “papagaios”, enquanto, o agora renegado, Joaquim Oliveira emprestava dinheiro para comprar cal de marcar o campo, e os salários do plantel.
Vieira conseguiu a proeza de apresentar Resultados Líquidos negativos em 7 anos e Capitais Próprios negativos em 2, sem que algum dos chamados “notáveis” como por exemplo, Jaime Antunes, Luís Tadeu ou Bagão Félix, tenham posto travão naquele descalabro. Pasme-se que este comentador da BOLHA classificou a passagem do estádio para a SAD como “um golpe genial”! Nunca percebeu que só com esta operação a SAD aumentou o Passivo em mais de 100ME. E não me venham para aqui com a conversa da treta, dizer que têm Activos superiores ao Passivo. O estádio ou os campos do Seixal, só serão “verdadeiros” Activos, quando e se, algum dia forem pagos ao BES que abichou 7,97% da SAD por conta dos créditos que ali detinha, a Somague que teve que se contentar com 3,73% ou o Joaquim Oliveira que chegou a ter mais de 6%.
Com a “instituição” na corda bamba, os terrenos para o estádio que apenas podiam ser destinados a “fins desportivos” foram adquiridos pela CML para depois os voltarem a doar com os planos duma urbanização aprovados, e a EPUL a trabalhar de borla na construção. A falcatrua foi de tal ordem que o Tribunal de Contas ainda hoje anda às voltas com o caso. Santana Lopes, à altura presidente da CML, atirou o assunto para cima de Carmona Rodrigues e, em vez de o meterem na cadeia por gestão danosa, convidaram-no para provedor da Santa Casa da Misericórdia.
Naquela época uma colega de partido aceitou uns papéis a que chamavam acções, sem qualquer valor comercial como garantia de dívidas fiscais, tudo a Bem da Nação, claro. Também não consigo compreender o arrotar de mentiras e basófias, proferidas pelo execrável palermoide que representa o clube da treta no Dia Seguinte, nomeadamente quando refere que "o problema do Benfica não é de dinheiro".

Coincidência das coincidências: além de terem um Passivo Financeiro de 254M€ e como o BES ainda não lhes cortou o vício da pedinchice deram-se ao luxo de anunciar aos pacóvios que ainda “acarditam” naquilo, mais um Empréstimo de 80M€, como de costume, para empurrar o Passivo para a frente.

Acho muita piada aos benfiquistas que se atrevem a comentar os Relatório e Contas semestrais ou anuais quando, perante o descalabro daquele Passivo monumental, falam orgulhosamente em “contas consolidadas”. Alguns pensam que o Benfica/Clube inclui ali as suas Contas. Estão redondamente enganados. Uma coisa é o Clube com 113M€ de Passivo, outra é a SAD com 393M€ onde as sociedades efectivamente ali consolidadas são: Benfica Estádio; Clinica SLB; Benfica TV; Benfica Stars Fund e Benfica Seguros, todas elas com resultados negativos à excepção da Benfica Clínica. São os tais 500M€ de Passivo, de que se fala, numa sociedade que tem de Proveitos Operacionais 50M€.
Os chamados Activos Intangíveis (passes dos atletas) estão em grande parte nas mãos dum fundo o ESAF/BES no qual a Benfica SAD investiu uma pequena percentagem. Contratos de Publicidade, Bilheteira, Quotas, e outros Proveitos Operacionais, foram dados como garantia a outros Bancos que (ainda) financiam a “instituição”.

É a deixa para falar de outro filme, Dances With Lions. O resultado do primeiro semestre (desde 1 de Julho até 31 de Dezembro de 2012) foi negativo em 22M€. O Capital Próprio apresenta um resultado negativo de 97M€, enquanto o Activo é de 146M€ e o Passivo 243M€.
Parte significativa dos proveitos de exploração do Sporting resulta de contratos de cedência dos direitos de transmissão televisiva e contratos publicitários. Os principais accionistas da SAD são: o Sporting Clube de Portugal com 25,28%; a SGPS com 64%; e Joaquim Oliveira com 5,47%. O plantel a 30 de Junho de 2012 era constituído por 26 jogadores e estava avaliado em 40,2M€. A SAD recebia 75% do valor das quotizações mas, desde 1 de Outubro de 2012, recebe apenas 25% provocando um decréscimo das suas receitas. A dívida financeira é de 116M€ para um Passivo Total de 220M€ isto, claro, sem incluir as diversas sociedades que formam o Grupo Zbórden.
Segundo o presidente, são necessários 25M€ no final deste mês e mais 40M€ até ao final da época para resolver compromissos com credores, e atletas, com os Proveitos Operacionais a baixar todos os dias, os passes dos atletas espalhados por vários fundos, e o valioso Património Imobiliário se ter desvanecido sem ninguém saber como.

António Raposo Subtil, o advogado especialista em questões de insolvência afirma no jornal Vida Económica que esta situação “não é necessariamente uma sentença de morte”, antes uma oportunidade para manter no mercado uma determinada sociedade comercial, com a dívida reestruturada”. Considera ainda que “a generalidade das empresas só muito tardiamente procurou ajustar a estrutura do passivo à sua real capacidade financeira”. Estaria a pensar em alguma SAD nossa conhecida?
Já agora atrevo-me a uma dica: deixem-se de armar aos fidalgos arruinados e adiram quanto antes ao programa “Revitalizar”! É fácil, é barato, e dá milhões…

Até à próxima.

Fotomontagens de José Lima

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um Talho a Preto e Branco

Depois do último acto de renúncia de Godinho Lopes, papa dos Calimeros, as ameaças sucedem-se. “Isto vai sair-te caro” (onde é que eu já ouvi “isto”?) terá dito o inefável Rogério Alves. Depois de O Espião Que Saiu do Frio, thriller que garantiu a Paulo Pereira Cristóvão o Óscar para o Melhor Actor Invisível, o médico dos fígados estragados, Eduardo Barroso, comentador desportivo nas horas vagas, concorre ao ambicionado galardão Carniceiro de Ouro oferecido pela Associação Portuguesa de Talhantes e Ofícios Correlativos.
A palavra “talho” deve ser entendida como homenagem à secular instituição em todas as suas vertentes, desde o aparecimento do Visconde de Valmor, à candidatura de Carlos Severino (quem?) passando naturalmente por Maria José Valério, acompanhada ao piano pelo maestro Moniz Pereira.
A boa-nova, é que a brigada do croquete, “espera para ver”. Os gajos das 2 consoantes seguidas (Mello, Bettencourt, Ricciardi, Roquette, Telles, etc.) não se candidatam. Em contrapartida alguns dos nomes soprados, como por ex. Dias Ferreira, Luís Figo, ou Vicente Moura (o senhor comandante), meras anedotas, fazem-nos sorrir. Os outros, os que dão entrevistas nos pasquins, devem ter ido ler os últimos relatórios, meteram o rabinho entre as pernas e deram de frosques. Um dos cómicos que contribuiu para o descalabro a que chegou o clube, Santana Lopes, aparece na televisão das sopeiras a mandar uns palpites travestido de mendigo com a barba por fazer, condizente com o tacho que arranjou na Misericórdia. Como o homenzinho diz que não tem salário (?) esperamos que utilize, pelo menos, um cartão de crédito (para os alfinetes) como o Maestro Miguel Graça Moura. À hora de encerrarmos a nossa Redacção ainda não tínhamos conseguido esclarecer se costuma frequentar a “sopa dos pobres”.
A “coisa” (o Zbórden) assusta! Nem me atrevo a colocar aqui os números para os meus amigos não se assustarem. Só lhes posso dizer que o Passivo Financeiro é quase metade da “instituição” do outro lado da Circular. Imenso, portanto. Engraçada uma afirmação de José Couceiro num debate com Dias Ferreira e José Eduardo na BOLHA TV: “Imaginando que os Bancos, por absurdo, perdoavam a dívida total do Sporting, no mês seguinte lá iam pedir dinheiro outra vez”…
 
Ficamos também a saber que a tal “reestruturação” com a Banca, agora suspensa, a que Godinho Lopes se referiu, significava “esticar” os compromissos durante 40 anos. Imaginem quanto não seria só para juros. O Clube detém 89% da SAD (25 do Sporting + 64 da SGPS). Sempre que eles falam de “investidores”, temos que entender que se referem a algum otário que possa ficar com aquilo. Mas… para que raio servem 89% duma sociedade falida? E onde gastaram 108 milhões que vieram da Banca?
Godinho conta pelos dedos: Aumentámos as modalidades; elaborámos a Auditoria (importa-se de repetir); retomámos o Hóquei em Patins; criámos a Sala de Sócios; promovemos a marca pelo Mundo inteiro (Angola, China, Índia, Estados Unidos), de tal forma que o nosso site está em línguas como o mandarim, russo, chinês, etc.
 
Confesso que esta última arrumou comigo. Vejam lá que o Izmaylov que nem sequer fala português devia aprender mandarim! Agora percebo porque fugiu para o Porto. Todos estes pormenores eram apontados no bloco de apontamentos de Paulo Pereira Cristóvão que ajudou a desbaratar o plantel para ficarem apenas com 2 atletas mais ou menos vendáveis: Rui Patrício e Wolfswinkel.
Até à próxima

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Godinho Lopes e a Banca

Que raio de dirigentes se propõe desta vez para dirigir o Sporting? Dois putos? Já não sobravam os engenheiros, médicos, banqueiros, advogados, juízes e até um negreiro, que desde o consulado iniciado por José Roquette atiraram com o clube de cangalhas, só faltava mesmo agora, aparecerem dois jovens a querer pegar o touro pelos cornos. E desculpem lá os meus amigos sportinguistas: no meio dos seus associados não haverá pelo menos uma pessoa que perceba de futebol?
 Quando a bolha imobiliária rebentou nas mãos do Lehman Brothers e nas ventas do inefável António Borges do Goldman Sachs, por certo nenhum dos notáveis pensadores financeiros que pululam na nossa querida televisão (Medina Carreira incluído), julgaria ser possível que o popular e eclético clube do Visconde de Alvalade viesse a tão curto prazo, a ser gerido pela Banca.
 
Mas o caso não está para graças. Como os meus amigos que acompanham estas crónicas sabem o clube tem vivido pelo menos nos últimos 15 anos acima das suas possibilidades. Os bancos, nomeadamente o BCP/Millenium e o BES afadigam-se a emprestar mais e mais dinheiro (afinal é disso que vivem), que dificilmente terá retorno. Quando muito irão receber de volta 55 milhões de obrigações (carinhosamente tratadas como VMOC), que não são mais do que títulos obrigacionistas a converter obrigatoriamente em acções, e que, em caso de incumprimento desse resgate por parte do Sporting, podem tornar-se mesmo sem querer, os novos donos do clube.
 
E lá que era engraçado era! Já imaginaram uma reunião da Administração com todo aquele formalismo que vemos nos administradores dos Bancos? Os directores, todos de gravatinha e fatos iguais como nas escolas, em vez dos habituais croquetes do Zbórden, a comerem bombons?
Mas para os amigos que se interessam por estas minudências, vamos lá “esmiuçar” um pouco esta história das VMOC. Dos 55 milhões que foram disponibilizados pela banca o Sporting tem que pagar (converter) 60 milhões (55+juros) até 19 de Janeiro. Notáveis comentadores como, por exemplo, o engraçado Eduardo Barroso parece que só agora deram por ela. “Fico aterrorizado com a falta de liquidez no Sporting”, disse.
Para os pasquins, então, tem sido um regabofe. Raro é o dia em que não se anunciam entradas e saídas de jogadores, directores ou simples funcionários. A BOLHA está nas suas sete quintas. O RASCORD, por vocação sportinguista, não sabe o que dizer. Tanto ataca Godinho como o elogia. O outro Circo da Segunda Circular, seu rival de sempre, exulta! Intimamente sente o segundo lugar de acesso à Champions seguro.
 
Por coincidência, ou talvez não, Godinho Lopes lançou mais um balão de oxigénio para entreter os sócios. Jesualdo Ferreira passou por ali perto e logo o engenheiro atirou a fateixa: “És o meu salvador, ficas com todos os meus bens, podes andar por todo o lado, do camarote ao balneário, tu é que mandas em tudo. Despedes, contratas jogadores e treinadores, as meninas da secretaria, o homem que marca o campo! Dás o treino, vais para os banhos turcos ou para onde te apetecer mas pelo menos garante-me o 5º lugar”!
 Só resta desejarmos ao nosso amigo boa sorte! Mas olhe que não vai ser fácil…
 
Até à próxima

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Casas de Penhores Modernas

“Trazem de tudo. Ouro, prata, peças grandes e pequenas, chegam mesmo a trazer linhos e às vezes a própria roupa que trazem no corpo querem vender. É uma situação mesmo muito aflitiva, explicou à Lusa António Antunes, responsável pelos penhores da Joalharia Áurea, na Baixa de Lisboa.
 
O recurso às casas de penhores – disse António Antunes – é feito por pessoas de todas as camadas sociais e acrescentou que as épocas de maior procura são as do regresso às aulas (Setembro/Outubro), a época de pagamento das contribuições autárquicas e depois das festas (Natal e Ano Novo).
 
A procura é muita em Janeiro, sobretudo porque é preciso pagar a conta do Visa [cartão de crédito) que teve um consumo exagerado por causa das festas, considerou António Antunes.” In Público
A MESMA CENA NO FUTEBOL
 
Trazem de tudo. Jogadores provenientes de trocas, inadaptados a defesa esquerdo, frangueiros, ou promessas adiadas como Olá John. Até já apareceram anões como Miguel Vítor e Gaitan, ou da 3ª idade como Carlos Martins e Aimar. É uma situação muito aflitiva, explicou à BOLHA o responsável da Doyen Sports Investments.
 
O recurso aos Fundos, disse o gestor, é feito quer pelo clube quer pela SAD, e próximo das datas em que se vencem os sucessivos empréstimos obrigacionistas; os pagamentos aos clubes de origem dos atletas; ou para pagar entradas iniciais nas transferências do defeso. A procura vai ser muita em Janeiro, sobretudo para resolver o “tal assunto do lado esquerdo”, dos dois trincos caceteiros que “os mandaram passear” e do substituto de Maxi, sempre que seja expulso.
Os penhoristas modernos nem precisam do letreiro. No futuro até pode ser a Troika a ajudar à missa. Afinal o negócio deles é emprestar dinheiro. Se formos analisar os Relatórios dos circos da Segunda Circular, não chegam 2 folhas A4 para listar os atletas penhorados, alguns dos quais, com uma percentagem ridícula na posse da Sad.
 
Comprar um jogador é uma lotaria. O empresário impinge o atleta rotulado de craque. Os pasquins afectos aos 2 circos ajudam a colocar o homem nos píncaros da eficiência, inventando clubes interessados que “até foram ultrapassados pela Sad” na compra do barrete. O Fundo adianta umas massas para adocicar o negócio que os pacóvios lhe apresentarem. Se em cada 10 jogadores colocados, um ou dois forem vendidos, muito bem. Se não forem, que se lixe… “venham mais cinco”, como cantava o outro.
 
O negócio é aceite por ambas as partes. O Fundo tem um gestor que avalia os jogadores que devem ser penhorados, e a percentagem que oferece por eles. Depois como a gestão pertence ao Fundo, e não à Sad como diz o aldrabão do Dia Seguinte, sempre que haja uma hipótese de mais-valia, informa a Sad para vender ou exercer a opção de compra (desde que suba a parada). Se ninguém se interessar pelo atleta, não há problema. É mais um prejuízo a juntar ás “bolhas” do imobiliário (não confundir com A BOLHA). Bate chapas e tinta Robbialac.
 
O Jornal O PÚBLICO trouxe um artigo sobre os Passivos Financeiros (aquilo que devem aos bancos) da SAD dos 3 grandes que já vai em 350 milhões de euros e abordou também o assunto dos atletas penhorados aos Fundos, que todos os pasquins e a querida Televisão parecem agora descobrir. Gomes da Selva que o diga. Caiu-lhe a máscara.
Para dar “credibilidade” à notícia, diz Bruno Prata, que “as contas eram do Professor António Samagaio do ISEG”. Esse valor foi há 1 ano, digo eu. Tenho muita pena mas o cálculo está errado. Não meus amigos, não está errado por exagero, está “por defeito”, mas isso agora, não interessa nada. Mais uns dias aparecem por aí as contas todas.
 
Perante o desastre estrondoso dos Calimeros e como o clube da treta está muito pior, convém-lhes misturar as do Futebol Clube do Porto pelo meio, para baralhar as contas. Mas o senhor professor pode ficar descansado. Se somarmos o Passivo da SAD com o do Clube, a “instituição”, tem um valor maior do que Porto e Sporting juntos.
E perguntam os meus amigos: Porque está o Benfica/SAD com um Passivo tão grande? Resposta: Porque naquele golpe de ilusionismo que o Gato Félix tanto elogiou quando “puxaram” o Estádio para a SAD a fingir que os seus Activos tinham crescido muito, “esqueceram-se” que a Cesta do Pão, além de não estar paga, trazia um enorme buraco dependurado! E com esta história da crise nem a AR nem a CML nem a EPUL lhe podem valer, como no tempo do Santana Lopes e Carmona Rodrigues. Dois grandes marotos que deixaram a Câmara falida. Conta quem sabe, e foi de tal monta, que o António Costa depois de pagar aos fornecedores só lhe sobrou dinheiro para fazer uma rotunda. Para poupar até a mandou construir dentro de outra que já lá estava!
 
Claro que o Tribunal de Contas já produziu um acórdão onde colocou à mostra toda a aldrabice das benesses, mas tratando-se do clube do regime, ficou tudo no rol do esquecimento. Também “os políticos não são corruptos”, não é Dona Cândida Almeida? E o senhor Procurador-geral? Sabe quem consta que vai para o seu lugar? Um tal João Correia, conhece? Foi demitido pelo Governo anterior e, veja lá, também é benfiquista. Coincidências…
 
Até para a semana                                     

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

007 e a Brigada do Croquete

Uma simples análise aos clubes que construíram “estádios para o euro” revela-nos um prognóstico de insolvências desolador. Já aconteceu em Leiria, está a acontecer em Guimarães, e pode acontecer em Alvalade. Causas para este último? O resultado líquido negativo no último exercício de 46M€. Como no ano passado tiveram um afundanço igual, se aquela treta do fair-play financeiro da UEFA já estivesse em vigor, a Brigada do Croquete ficava de fora. Lá tinha que apostar tudo na taça das cervejolas.
O projecto megalómano de José Roquette e Dias da Cunha, depois continuado pelos incompetentes Soares Franco, José Eduardo Bettencourt, Nobre Guedes e Godinho Lopes, parece ter os seus dias contados. Uma leitura em diagonal pelas continhas apresentadas há dias, não augura nada de bom para os calimeros, apenas confirma aquilo que o relatório intercalar do 1º semestre, fazia adivinhar. As mesmas conclusões da “auditoria” (que não foi auditoria) realizada a pedido da “oposição” nas últimas eleições, da qual, ninguém retirou qualquer ensinamento. A “auditoria” consistiu numa simples conferência dos valores apresentados nos RC, que qualquer um poderia ter consultado na página do clube. Activos cedidos, penhorados ou alienados, aumento do Passivo, e continuação em queda livre dos Capitais Próprios, projectam, há muito, a insolvência a curto prazo. Com a última alteração estatuária poderá acontecer um milagre se aparecer um grupo de papalvos que tenha dinheiro para comprar a SAD.
 
Logo no início do Relatório e Contas, na “mensagem do presidente” leio uma algaraviada, escrita provavelmente por algum “chinês”, que não consigo interpretar:
 
“Entretanto foi decidido assumir a divida e passar a contrato, entre o SCP e SAD, cujo resultado aparece na rubrica "Proveitos Financeiros" de cerca de 3.000.000€. No entanto a SAD teve custos financeiros de 8.176.000€ no mesmo período”.
 
A continuar esta situação na presente época, não sei mesmo como vai a sociedade poder competir internacionalmente, já que se aproxima a data limite para os clubes acabarem com as brincadeiras nos seus Orçamentos. Uma solução óbvia será a assunção por parte do BES, principal credor, de uma injecção de capital, de forma a viabilizar, pelo menos, os parâmetros de acreditação junto das entidades uefeiras para a próxima temporada.
 
Na Batalha Naval, damos um grito de aviso, sempre que um submarino vai ao fundo. Na Liga da Treta, perdão, da Sagres, não são submarinos nem porta-aviões. São barcas daquelas grandes, com mastros e tudo. E o BES, em vez de andar a brincar aos Fundos, até poderia tomar parte activa na sociedade, explorando por exemplo uma agência, no próprio Alvaláxia, ou uma roulote de bifanas e cachorros quentes.
Não queria debruçar-me muito sobre os números a que ninguém liga, mas há alguns, que valerá a pena salientar. O Passivo Financeiro (aquilo que devem à banca) aumentou em 20,8M€, adivinhem porquê? Novos empréstimos para novos jogadores, claro! Só nesta época o Capital Próprio levou um rombo de 46M€, passando de 29,6M€ negativos para 75,6M€. O Passivo cresceu num ano 54M€ subindo de 166M€ para 220M€. Como disse um comentador num blogue do clube “não há cu que aguente”!
 
Marginalmente comporta-se, à semelhança dum seu ex-presidente, como o “clube das trapalhadas”. A recente condenação do administrador da Sad, Luís Duque, por fraude fiscal, juntamente com outros comparsas, um deles responsável pela entrada de paletes de jogadores no outro lado da Segunda Circular, e já esta temporada o escândalo, até agora impune, da tentativa de aliciamento a um árbitro realizada por um funcionário menor do clube, mostra bem a qualidade destes dirigentes de blazer azul e botões dourados, fardamento habitual desta cambada.
Folheando o relatório, tentei encontrar nas suas 136 páginas qualquer sinal do 007 que anda a depositar dinheiro nas contas dos árbitros. O organograma indica, como em toda a Sad que se preza, órgãos, departamentos, comissões, etc. mas não apareceu nada onde o homem se enquadrasse. Bem sei, que como agente secreto, não ia aparecer assim do pé para a mão em qualquer porcaria de departamento. E perfilavam-se uma data deles.
 
A Comunicação, os tipos que chateiam os pasquins para publicarem notícias de interesse próprio; o Jurídico que este ano deve ter-se visto grego com entradas e saídas dezenas de jogadores; o Departamento de Qualidade que são os tipos que limpam os urinóis nos dias dos jogos; a Direcção Clínica que anda há 3 anos a estudar os joelhos do Ismailov; as Relações Institucionais, os tais tipos dos croquetes que vão às reuniões da Liga; a Comercial, aflita como sempre, a comprar a cal de marcar o campo ao melhor preço; as Instalações e Operações, onde eu julgava encontrar disfarçado, sei lá, de polícia sinaleiro, o nosso homem, mas nada. Até que, avançando na leitura do relatório descobri o truque. Para não ser conotado com a SAD e evitar que os calimeros baixassem de divisão, até lhe dedicaram um parágrafo próprio. Ora vejam:
 
“A Assessoria Comercial, bem como as funções relacionadas com a manutenção e operação de Instalações são prestadas por uma sociedade comercial do Grupo Sporting, a Sporting Património e Marketing, SA, com reporte ao Conselho de Administração da Sporting SAD”.
 
Qué tal? (ler com pronúncia espanhola). O homem reporta à SAD mas, como é de “uma sociedade externa”, não há problema. As “asneiras” que o senhor entenda fazer, “não tem nada a ver com eles”. Esta foi bem engendrada hem!? Já estou a ver o “filme” do advogado oficial/oficioso Rogério Alves a interpelar o Juiz:
 
Interior Dia – Sala de Audiências
Plano Americano de Rogério Alves
- Excelência! Este homem (apontando para 007) é inocente! Peço Justiça!
Contra campo – Juiz (jubilado) com cara de burro
Plano Geral – Assistência irrompe em aplausos.
Grande Plano - Martelo do Juiz bate na mesa
- Silêncio! A senhora Procuradora deseja intervir?
Plano Médio de Cândida Almeida inflamada…
- O arguido ter sido polícia. Polícia ser funcionário público. Funcionários públicos serem futuros governantes. Governantes não serem corruptos! Peço Justiça!
Plano Americano – 2 coveiros da Brigada do Croquete aplaudem Juiz (jubilado)
Exterior Dia – Plano geral
 
A câmara faz um movimento ascendente em grua, encadeia com câmara-3 na escada Magirus cedida pela bombeirada, continua a subir, e desaparece envergonhada por detrás das árvores.
 
FIM

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Mestre da Culinária

70 Milhões da China entram no Sporting, anunciava na última sexta-feira o Rascord.
 
O negócio está actualmente em fase de auditoria. Provavelmente o pasquineiro queria dizer que os chineses, num intervalo entre duas sandes de escaravelho com presunto, estariam a analisar “a última auditoria” que o Zbórden apresentou aos sócios da lista derrotada, pobres ingénuos, que só queriam saber as verdadeiras razões do descalabro financeiro que estourou com o Capital Próprio. Se for isso que os chineses querem espiolhar, de nada lhes vai servir. Aquela “auditoria” não é uma Auditoria. É apenas, uma compilação de Relatórios e Contas dos últimos anos, uma listagem que qualquer um de nós, interessado por estas minhoquices das continhas, costuma apresentar nos blogues, mas “prontos, isto é um somenos”, siga o andor que o santo quer mijar!
 
Estás a ver? “O teu clube é mais falido do que o meu”, diz Domingos ao Vieira. E aí responde o Vieira: “o nosso Passivo é mais maior grande, mas o Activo também”!
 
Bicada aqui, choradeira acolá, ninguém ousa sequer perguntar se aqueles Activos são vendáveis. Por exemplo os jogadores que estão penhorados pelos Fundos e que só saem com ordens deles, ou o estádio, hipotecado ao BES, muito longe de estar pago.
 
Uma Auditoria não é nada disso. Não é “picar” factura a factura, cheque a cheque, para ver se há erros. Para isso está lá o Conselho Fiscal. Uma Auditoria é muito mais do que conferir números. Deve referir a posição financeira da empresa, verificar os resultados das operações, as oscilações dos fluxos de caixa, e em termos globais verificar se as normas técnicas executadas estão conformes com a legislação.
 
O mais intrigante é que, quando entrevistado, o presidente do clube afirmou que o grande valor deste negócio “está no futebol de formação do Sporting”. Não é que o homem tem mesmo “esperto na cabeça”? Enquanto a “instituição” se comporta como um verdadeiro entreposto que compra carne na Argentina para vender em Espanha e vice-versa, os calimeros vão estrear-se na nobre tarefa de “produtores de enchidos” para a China!
 
Ao contrário do que se pensava, o negócio não contempla a entrada dos investidores como accionistas da SAD, e os 70 milhões serão pagos durante um período de 10 anos.
 
Curiosamente, ou talvez não, parece que os chinocas querem comprar o Clube! Sócios fossilizados como Dias Ferreira esfregam as mãos de contentes, ninguém entende porquê. Se o Clube tem 90% de uma SAD falida, quem está falido não é a SAD é o Clube! Depois do projecto ruinoso de Roquette e Dias da Cunha, das diatribes de Soares Franco, e das aventuras de Bettencourt, Godinho Lopes vai dar a estocada final. Falta pouco para o Sporting, tal como o conhecemos, acabar. Em vez de bifanas e uma cervejola, vamos ter nos bufetes do estádio, entrecosto de gato com insectos salteados, regado a chá verde. Uma das contrapartidas acordadas com o grupo chinês parece ser a concessão de uma percentagem dos lucros gerados com a venda dos jogadores formados (os tais enchidos) na Fábrica de Alcochete, logo que o prato esteja pronto a servir.
 
Godinho Lopes que viria a ficar conhecido durante a EXPO98 pelo ruinoso negócio do rent-a-boat quando se lembrou de alugar 3 paquetes de luxo para clientes que não existiam, envereda agora, pelo ramo do pronto-a-comer. Os novos amigos já estão instalados nas imediações da Casa dos Azulejos, num pagode pré-fabricado. Se a coisa falhar, carregam os enchidos, atravessam a Segunda Circular e vão para o Circo do outro lado. Esses também “acarditam” que o Pai Natal existe.
 
Não sei se esta “parceria” vai encaixar no espírito do fair play financeiro da UEFA.
 
Segundo os regulamentos de licenciamento para as provas europeias, o resultado financeiro da transferência de um jogador só poderá ser contabilizado quando o passe for “permanentemente” vendido a outro clube, o que pode retirar ao resultado líquido, eventuais mais-valias de direitos desportivos alienados a fundos de investimento.
 
A UEFA está a estudar a forma de proibir a participação nas competições europeias de jogadores cujo passe não seja totalmente detido pelo clube.
 
Um Fundo de Investimento “normal” compra uma percentagem do passe dum atleta observado e avaliado por uma comissão de gestão, sempre na expectativa de produzir mais-valias. Neste caso “inventado” pelo Mestre da Culinária, parece tratar-se de um adiantamento sobre o fornecimento de produtos (os chouriços) que ainda não existem. Vamos ver se este cozinhado não vai, como de costume, pela banca abaixo.
 
Até à próxima

terça-feira, 10 de julho de 2012

O Bombardeiro de Deli


Teve lugar (perdoe-se-me o galicismo) há dias em Nova Deli uma luzidia cerimónia de apresentação do jogador Sunil Chhetri, ao que consta, e sem que o próprio o saiba, para alinhar na equipa “B” dos Calimeros. Tudo isto na presença de altas individualidades, o vice-presidente dos leões Aureliano Neves, o presidente da federação indiana de futebol, Praful Patel, e o embaixador de Portugal naquele país Jorge Rosa de Oliveira. Imaginem como ficaria o Tesoureiro se o departamento de marketing (que é quem trata destas chinesices) tivesse sempre este aparato na apresentação dos seus jogadores nos 12 países de onde são provenientes, ao preço a que está a gasolina e os croquetes…

Como sabem os que se interessam por estas minudências, o país de origem arrasta-se pelo 163º lugar do ranking da Fifa, o atleta é conhecido como “o bombardeiro de Deli” o que, a avaliar pelo que aconteceu com Miguel Relvas, lhe confere equivalência (expressão muito na moda) para justificar a contratação. (Ah!Ah!Ah!) E o homem, digo eu, parece que está convencido disso. Numa das suas primeiras declarações afirmou que “não vai deixar pedra sobre pedra”. Ah valente! Aqui está um bom seguidor do presidente da Liga que enquanto não tiver destruído o pouco que resta do nosso futebol de opereta não descansa.

Os “mentideros”, rádios, tv’s e cassetes piratas garantem que a surrealista contratação terá a sua contrapartida em termos comerciais, com a venda dos direitos dos jogos da equipa “B” para a Índia. Como aquele País tem uma população de 1.189.172.864 (obrigado indexmundi) e Portugal apenas 10.760.136 significa que, por cada português, teremos 100 indianos a enviar dinheiro para cá. E virão charters… muitos charters carregadinhos de adeptos atraídos pelas transmissões on-line que preferem deixar de ver as novelas indianas, para assistir ao vivo, por exemplo, a um emocionante jogo Sporting-B x Freamunde.

Uma rápida pesquisa indica-nos que Sunil será o segundo detergente (perdão, o segundo indiano) a ingressar numa liga europeia, depois de Baichung Bhutia ter representado os ingleses do Bury dos escalões secundários. E o homem, apesar dos seus ainda jovens 27 anos, parece ser muito viajado. Andou pelo Glasgow Rangers, o Coventry, e o Kansas City Wizards. Pelo menos, é coerente. Jogou num clube meio falido, passou por dois quase a falir, e vai encerrar o seu percurso noutro que está mesmo falido.

Andam “eles” a construir Centros de Treino, Academias e Dragons Force para depois importarem todos os anos, barcaças de Indianos, Marroquinos, Malaios, e outros estranhos batráquios. É como, se lá na terra do homem, em vez dum frango de caril temperado à boa maneira Goesa, utilizassem um arroz instantâneo da Knorr. Assim vai o Mundo, uns para baixo e outros para o fundo (não confundir com Fund).

Até para a semana

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Quanto mais Quente Melhor

Há 22 anos, mais precisamente em 13 de Janeiro de 1990 foi dado o primeiro passo para a criação da LPFP, mesmo que as competições continuassem a ser organizadas pela respectiva Federação, passando no entanto, a serem dotadas de autonomia financeira, técnica e administrativa através deste organismo autónomo. A LIGA, entre outras actividades, tais como, registo de contratos, organização de sorteios, presumivelmente “promove e defende os interesses dos seus associados”.

Cinco anos depois, na sequência da aprovação do Regime Jurídico das Federações Desportivas (Decreto-Lei n.º 144/93), foi feita a separação entre o futebol amador e o profissional. A Liga passou a ser responsável por regulamentar, organizar e dirigir as competições de natureza profissional, exercer o poder disciplinar em primeiro grau de decisão e gerir o sector da arbitragem. Jorge Nuno Pinto da Costa, sucedendo a Valentim Loureiro e depois a Manuel Damásio, foi eleito nesse ano. De relevante, apenas se conhece, no mandato de Valentim Loureiro em 1996, a inauguração do Edifício-Sede da LIGA. Na época 2004/2005, assistiu-se à oferta dum campeonato ao Benfica depois do dirigente benfiquista Cunha Leal, com a conivência do Estoril Praia dirigido por outro benfiquista, António Figueiredo, e ainda com a curiosidade de José Veiga ser simultaneamente accionista do Benfica e do clube do Estoril, ter permitido a transferência dum importante jogo para o Algarve.

Também nesse mesmo ano, o Organismo Autónomo, tudo fez para transformar um caso que apenas envolvia o Boavista, na vergonha que ficaria conhecida como Apito Dourado, culminando com a despromoção da popular colectividade portuense, e um enorme rol de processos de intenções que, obviamente, os Tribunais (verdadeiros) se encarregaram de desmontar. Daí para cá, algumas iniciativas dispersas, umas Taças sem qualquer interesse nem relevância, umas competições atamancadas, terminando a época 2008/2009 com a vergonhosa atribuição do troféu que ficará para sempre conhecido como Taça Lucílio Batista.

A gestão de Hermínio Loureiro, refém de dois interesseiros, os senhores Vítor Pereira e Ricardo Costa, respectivamente Directores da Comissão de Arbitragem e de Disciplina, “trabalharam à rédea solta”, no pressuposto de retirar a hegemonia que o Futebol Clube do Porto demonstrava dentro das 4 linhas, e tentar devolvê-la para os lados da Capital, mais concretamente nas cercanias da Segunda Circular. Para isso contaram com a cumplicidade do pior governante desportivo do nosso pobre enquadramento legislativo. Um tal Laurentino Dias, também conhecido como “papa-almoços”, pomposamente travestido nas funções de Secretário de Estado para a Juventude e Desportos!

O resultado foi uma infeliz revisão do Regime Jurídico das Federações Desportivas (que está outra vez para ser modificado) com a passagem do poder Disciplinar e Arbitral para a FPF, e a vergonha que constituiu o processo eleitoral para a Liga, onde meia dúzia de marionetas arregimentadas deram o poder de bandeja a outro incompetente, o senhor Mário Figueiredo.

Vem isto tudo a propósito das recentes intervenções deste cavalheiro sobre a difícil situação que se vive no União de Leiria e a imputação de culpas ao Sindicato de Jogadores, muito provavelmente por Joaquim Evangelista ter posto em cheque uma das obrigações da Liga, ou seja, o controle e acompanhamento dos clubes profissionais no que se refere ao cumprimento escrupuloso dos compromissos financeiros apresentado no Orçamento. Segundo o dirigente sindical, “existem mais clubes nas mesmas circunstâncias” ou seja, em falência. A palavra “falência” deriva do latim fallere, que significa “faltar”, “enganar”, no sentido de deixar alguém de cumprir uma obrigação.

A questão nada tinha de especial se não fosse o facto de algumas SAD’s nossas conhecidas estarem à beira da falência e serem geridas por dirigentes para quem o futebol só lhes interessa como plataforma para os seus negócios privados. A resolução dos seus frequentes problemas financeiros tem sido resolvida pelo Estado e as autarquias através de um sem número de benesses, que rapidamente se tornam letra morta quando os clubes obtêm os financiamentos pretendidos. Há dias, Joaquim Evangelista garantiu que “irá mobilizar a LIGA e a FPF, no sentido de moralizar esta situação”. Do ponto de vista estritamente jurídico, o Artigo 317.º do Código da Propriedade Industrial, no seu número 1, diz que “constitui concorrência desleal todo o acto de concorrência contrário às normas e usos honestos de qualquer ramo de actividade económica”. Extrapolando esta norma para o Futebol podemos então deduzir o conceito de que esta concorrência é caracterizada pela disputa ou competição entre os fornecedores de bens ou serviços, visando atrair para si as preferências dos consumidores ou compradores do mercado.

A dúvida que fica no ar é saber se podem continuar a cometer este crime de concorrência desleal sem serem importunados. E não nos venham agora dizer que “apenas estão falidos tecnicamente”. Já todos conhecemos os truques e habilidades para fugir à falência efectiva: os aumentos de capital, os empréstimos obrigacionistas, enfim a fuga para a frente. Além disso, acresce que cometem um crime permanente, pois a sua execução e consumação já se prolongam no tempo. Como é conhecido, nos crimes permanentes, verifica-se uma unificação jurídica de todas as condutas como se elas se tivessem verificado no momento da última. Ora, estando já falidos tecnicamente há vários anos, pergunta-se por quanto tempo mais haverá, da parte das entidades responsáveis, LIGA, FPF e, obviamente da Tutela, permissão para esta comédia.

O senhor Vieira quer lá saber do Leiria, do Guimarães ou do Setúbal, se os papalvos dos seus associados encherem a Cesta do Pão, empanturrando-se com as suas promessas. E para os governantes da treta, se calhar, “quanto mais quente mais quente melhor”.

Até para a semana.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Os Cinco Violinos

Como sabem os amigos que habitualmente lêem os meus comentários, já ando por cá há muitos anos. Tantos, que ainda me lembro dos “5 violinos”, designação porque eram conhecidos os 5 avançados da linha atacante do Sporting, nos idos anos de 1946 a 1949. Os “malandros” de seus nomes (na foto da esquerda para direita) Jesus Correia, Vasques, Peyroteu, Travaços e Albano conseguiram marcar cada um, mais de 100 golos, assim uma espécie daqueles ingleses que jogavam em WM.

Era muito simples: 3 defesas em linha, outros 2 mais à frente a que hoje poderíamos chamar trincos e, no meio-campo adversário, 5 avançados! Dois mais recuados, eram os “interiores” e, perto da grande área 2 pontas, e o avançado-centro. À semelhança do Hóquei em Patins (o Jesus Correia foi também um excelente jogador), o “quadrado” do meio-campo (Canário, Veríssimo, Vasques e Travassos) era a chave do êxito daquela equipa. Alguns treinadores que passaram pelo nosso clube e que tinham a mania de “inventar” até usaram uma “coisa” parecida com esta. Estou a lembrar-me, por exemplo de Co Adriaanse, e do descalabro que foi a experiência dos 3 defesas!

Os jogadores alinhavam nas seguintes posições: 1–Azevedo, 2-Cardozo, 3-Barrosa, 4-Manuel Marques, 5-Veríssimo, 6-Canário, 7-Travassos, 8-Vasques 9-Jesus Correia, 10-Peyroteo, 11-Albano.

Esta “evocação” vem a propósito da equipa que o Sporting parece estar a construir.

Gostei de ver o espanto que se gerou com a saída do Domingos, o apoio dado por alguns e a entrada de Sá Pinto que agradou a muitos. Afinal, Domingos não levou a equipa a jogos tão maus que justificassem esta troca. Faltou-lhe a tal empatia com os jogadores. Em contrapartida agora deliram com o boxeur e, curiosamente, funciona bem. Um jogava assim-assim e perdia. O outro joga assim-assim e ganha!

Nos blogues e programas desportivos com grandes especialistas e comentadeiros, a coisa pia mais fino. Os leões do contra, procuram razões para justificar o descalabro financeiro que está colado a este Sporting de Godinho Lopes e parecem ignorarem que o problema já vem de trás. Nos últimos 30 anos apenas venceram o campeonato por 3 vezes (1981/82 – 1999/00 e 2001/02), e no final da temporada haverá muitas coisas para explicar, por exemplo, a quem pertencem os Fundos que hipotecaram jogadores.

Bruno de Carvalho, o rosto da oposição, disse há dias: "O que está a acontecer é gravíssimo e o culminar de uma gestão hedionda nesta época. É uma tentativa desesperada de tentar valorizar a SAD para um possível comprador", disse o candidato derrotado nas últimas eleições, garantindo que a actual direcção não vai fazer os sportinguistas de parvos. Referia-se à necessidade da SAD “recomprar” até 2016 as VMOC (uma espécie de acções mas, com obrigação de recompra), sem o que, poderá aparecer um comprador externo e ficar com a maioria da SAD.

Interessante verificar que os sócios do Clube, à semelhança do que acontece noutros lados (incluindo o nosso), estão a marimbar-se para as contas. Querem a equipa a ganhar, e quem vier atrás que feche a porta. O Sporting de Sá Pinto ainda não toca violino, mas lá que sabe tocar bombo… sabe.

Até para a semana

quarta-feira, 28 de março de 2012

Solução Sporting 2012

A crise quando chega é para todos! Frase feita que se aplica ao futebol e, com particular ênfase aos dois circos da 2ª circular. Enquanto que num dos lados fingem que está tudo bem, do outro, começam a tomar consciência da triste realidade. E só têm duas saídas: ou arrepiam rapidamente caminho, ou “aquilo” vai mesmo ao charco!

Assim, um grupo de sócios do Sporting liderado pelo antigo jogador José Eduardo, apresentou um documento com o título desta crónica, numa cerimónia privada a que os membros dos actuais corpos sociais, não só não compareceram, como até se opuseram à sua publicitação, numa demonstração gritante de irresponsabilidade.

Com a devida vénia, passo a reproduzir e comentar alguns dos seus items:

Plantel da equipa principal – Apoiado na Equipa B, constituição de um plantel curto no máximo 20 jogadores. (Ex: Barcelona). Uma das vantagens, a redução de custos decorrente do emagrecimento do plantel. (Para além, de que um grupo mais pequeno é muito mais unido e mais fácil de lidar). Em caso de necessidade (lesões, castigos) recorre-se aos jogadores da equipa B. Os 20 jogadores devem ser escolhidos, com um critério “cirúrgico”, constituindo-se um plantel ambicioso, com perfil adequado e com dois ou três elementos de classe superior, dotados de experiência internacional.

COMENTÁRIO – “Plantel curto” – É uma bicada para a “instituição”que, por estas e por outras, tem o dobro do Passivo do Sporting. São os tais 71 jogadores sob contrato! O senhor Vieira até já admite que tem que vender 50 milhões “deles” no final da época. “Critérios cirúrgicos” – Esta é mais difícil. Os bons jogadores são caros e os baratos não prestam. “Classe superior” – É como um triplo salto no trapézio. A mais pequena distracção pode ser a morte do artista. Se o atleta não encaixa na equipa, depois é muito complicado empandeirá-lo para outro lado. Veja-se, por exemplo, o tratador dos cãezinhos amestrados que não sabe o que fazer aos Paixões, Olegários, e Proenças…

Perfil do treinador – Enquadrável nos moldes da nossa Academia. Elemento estimulador da nossa formação, dando oportunidades aos jovens talentos. Constituição de uma equipa técnica onde haja (pelo menos) um técnico que já tenha representado o clube e que se identifique com a nossa mística.

COMENTÁRIO – Ó amigo! Você não venha para aqui desenterrar fantasmas. Então queria de volta o Manuel Fernandes, o Pedro Barbosa, e o Carlos Xavier? Já basta “este” que lá está agora…

Respeito pelo modelo/conceito de jogo – Temos que (re)implementar algo que se tem vindo a perder: “o jogar à Sporting”! E o que é isto jogar à Sporting? É a mística, a filosofia do clube, é o moldar do carácter.É algo difícil de escrever, passa por uma mensagem/forma de estar e actuar na vida, no dia-a-dia, nos treinos, nos jogos, na alimentação, no descanso, no saber conduzir-se e apresentar-se como o “homem/atleta do Sporting”.

COMENTÁRIO – Tem razão, precisam mudar de ares. É que tirando aquela frase do nosso querido António Oliveira: “por cada leão que cai há outro que se levanta”, o único “modelo/conceito” que eu vejo seguirem, é o calimerismo.

Esquema táctico – O futebol do clube tem de perfilhar, essencialmente, um esquema táctico. 4x3x3 - 4x4x2 - 3x5x2, ou outro? Seja qual for o esquema eleito, não pode voltar a acontecer o que, há bem pouco tempo, foi um facto: a equipa principal a jogar em 4x4x2 e as equipas e os jogadores da nossa Academia a serem formadas no 4x3x3! É como se andássemos anos a aprender uma língua e de repente nos dissessem que, afinal, temos de utilizar outra!

COMENTÁRIO – Isso não é bem assim. Olhe! Vou contar-lhe um episódio que já tem, deixe cá ver… aí uns 30 anos. José Maria Pedroto gostava de jogar às cartas e frequentava com um grupo de amigos o café ORFEU na Boavista. Um dia, eu que “parava” por lá, embora não fizesse parte do grupo, enchi-me de coragem, entrei numa acesa conversa, precisamente sobre os esquemas a apresentar em campo, e disparei a pergunta: Mister! Em que sistema gosta mais de jogar, 4-4-2, ou 4-3-3? Resposta do Pedrotinho: “Tudo ao monte!” Queria ele dizer que a táctica não pode ser rígida, o importante é a forma como é interpretada pelos jogadores. E também, digo eu, se tivermos jogadores que entendam o que o técnico pretende. Agora essa de aprenderem os esquemas “desde pequeninos”, desculpe mas é uma chinesice. E depois, se algum fosse transferido para a “instituição”, como havia de ser? Lá só jogam à charutada!

UNIVERSO SPORTING – Os representantes do Futebol terão reuniões Trimestrais com 2 representantes dos vários grupos que estão na órbita do SCP (Stromps, Cinquentenários, Juventude Leonina, Directivo XXI, Torcida Verde, Conselheiros Leoninos, Núcleos, Associação de Adeptos, e Grupo de Masters).

COMENTÁRIO – Meu caro: Para confusão, já basta os que debitam asneirolas nos pasquins de referência, nos programas desportivos, nas conferências de imprensa e, muito mais grave, no seio da Direcção do Clube e/ou da SAD.

Curiosamente, logo a seguir à apresentação deste documento, foi tornada pública a 22 de Março, uma comunicação à CMVM onde a SAD declara que “por incorporação, nos termos dos artigos 97º nº 4 alínea a) do CSC, da Sporting Património e Marketing, SA (Sociedade Incorporada) na Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD (Sociedade Incorporante), informa-se o mercado que, nos termos do nº1 do artigo 100º do CSC, foi hoje registado junto da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa o projecto de fusão”. Este facto tinha sido anunciado há dias como “projecto”, e gora aparece como consumado apenas guardando, digo eu, ratificação das Assembleias-gerais do clube e da SAD.

Vejamos o que “isto” quer dizer, recorrendo ao Artigo 112º alínea a) do CSC:

Nos casos de fusão por incorporação, a que se refere a alínea a) do nº 4 do artigo 97º do CSC, com a inscrição da fusão no registo comercial extinguem-se as sociedades incorporadas (...) transmitindo-se os seus direitos e obrigações para a sociedade incorporante (…), ou seja, tudo aquilo que for da Sporting Património, passa para a SAD.

Comentário - “Tudo aquilo” quer dizer direitos e obrigações! Como não conheço as cangalhadas que fazem parte do património (o valioso património imobilizado já lá vai)), nem “as obrigações”, (penso que se devem referir maioritariamente ao pagamento do Estádio), naturalmente tenho a minha opinião, mas deixo para os sócios, a tarefa de avalizarem a operação. Provavelmente foram mal aconselhados pelo dono do Circo do outro lado da Circular que incorporou o Estádio na SAD para fingir que estava bem de Activos. É que, o Estádio, que ainda por cima, tem um valor contabilístico mas não é um bem “vendável”, traz um Passivo enorme “dependurado”.


Voltando ao documento do José Eduardo, no final, analisa as contas relativas ao 1º semestre desta época (1 de Julho a 3l de Dezembro de 2011) que, como referido no relatório duma Sociedade Revisora de Contas, apresenta uma situação de falência técnica. Também com uma cambada de dirigentes que não percebem pêveda de futebol como Santana Lopes, José Roquette, Dias da Cunha, Soares Franco, José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes, não era de esperar outra coisa

Até para a semana

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Quem te manda a ti Sapateiro

No programa Trio de Ataque do passado dia 7 de Fevereiro, o analfabeto que representa os calimeros atreveu-se a “desculpar” a falência do seu Clube, misturando na conversa o Futebol Clube do Porto, dizendo que “as nossas contas não eram consolidadas”.

Tirando o facto de que o homem não conhece nada do Zbórden, quanto mais dos outros Clubes, obrigou o adepto portista Miguel Guedes, na semana seguinte, a explicar-lhe a situação actual das sociedades que compõe o universo futebolístico do nosso Clube, ainda que, contrariando a tentativa do benfiquista Hugo Gilberto de condicionar a informação do nosso consócio, pensando certamente que se iria falar nos mais de 500 milhões de euros de passivo do grupo do clube do regime, acumulados durante 8 anos da gestão Vieira que, ainda há dias, veio atirar areia para os olhos dos espectadores numa entrevista de favor, calculem, na RTP-1 de todos nós.

Vou complementar a intervenção do Miguel, explicando o que se passa com as contas do nosso Clube, nomeadamente no que se refere, já vão perceber porquê, às relações entre o Estádio, a Sad e o Clube, recuando uns anos, até 2001. O FCP resolveu iniciar a construção dum novo estádio, tendo constituído para o efeito, a sociedade imobiliária Euroantas que juntamente com o FCPorto/Clube, o FCP/Sad e o FCP/Estádio, arrancaram com um projecto para a construção, financiamento, exploração e utilização do Estádio do Dragão.

No âmbito deste acordo, a Euroantas, actual proprietária do Estádio, cedeu ao FCPorto/Sad a exploração de diversas actividades do espaço desportivo do mesmo, por um período de 30 anos, na contrapartida dum encargo global anual, uma espécie de leasing com “renda linear”, que tem vindo a ser paga ao longo dos anos, pelo FCPorto/Sad, através de duas componentes:

i) Um montante equivalente ao valor anual do serviço da dívida que a Euroantas está a suportar durante os primeiros quinze anos com o Contrato de Financiamento celebrado para a construção do Estádio e, nos segundos quinze anos, um montante inferior, indexado ao valor do serviço da dívida do último ano (2018) daquele Contrato;

ii) Outro montante, liquidado no exercício findo em 30 de Junho de 2003 e registado na rubrica “Outros activos não correntes”, como forma de retribuição do valor de rendas vincendas no segundo período de 15 anos, determinado a partir de 2018 e que consta nos nossos RC. Este montante será reconhecido na Contabilidade como Custo, linearmente ao longo do referido período de 15 anos, a partir de 2018 e até 2033.

Acresce que, como se pode ler em ii) o FCP/Sad pagou à cabeça, ou seja, adiantado, as tais “rendas vincendas”. Desta operação conjunta do Clube e da Sad, resulta que o saldo das rubricas não corrente e corrente da conta “Clientes – Operações correntes” inclui, nos últimos RC, saldos resultantes de operações diversas, com destaque para os montantes em débito do Futebol Clube do Porto/Clube e da Euroantas

Para a regularização destas dívidas ao FCPorto/Sad, e facilitar as contas ao Clube, foi concertado o seguinte procedimento:

“O Conselho de Administração da FCPorto/Sad em conjunto com a Direcção do Clube definiu um plano de acções de modo a dotar o Clube de capacidade financeira para reduzir progressivamente esta dívida. O mencionado plano, que estima a realização daquele montante ao longo de sete anos, e considera o vencimento de juros, passa por um conjunto de medidas de diferentes natureza, das quais:

i) Redistribuição interna das receitas de quotização dos associados, entre o Clube a FCPorto/Sad; ii) Renegociação de dívidas a instituições financeiras, no sentido de libertar montantes actualmente cativos; iii) Alteração do actual modelo operativo do Grupo Futebol Clube do Porto, baseado na transferência de Proveitos relacionados com as rendas de espaços inseridos no Estádio do Dragão para o Clube; e iv) Racionalização orçamental a médio e longo prazo das modalidades sob a gestão do Clube.”

Trocando isto por miúdos, o que afirmou o tal senhor dos calimeros, que “basta passar o Estádio para a SAD para não haver prejuízos, visto subirem os Activos”, é uma refinada asneira! O senhor não entende que não interessa onde está contabilizado o Estádio. Basta ver o que se passou com o clube da treta que integrou o estádio na Sad, a fingir que tinha uns grandes Activos, mas esqueceu-se que, em troca, ficou com um enorme Passivo dependurado. O que importa saber sobre o Estádio é: 1) se está pago; 2) a ser pago dentro do estipulado no acordo com a financiadora; ou 3) se as construtoras andam pelos túneis da 2ª Circular atrás do dinheiro. No que respeita ao FCPorto, e pelas nossas contas, faltam pagar cerca de 26M€ para que seja propriedade do Clube. E não tenham dúvidas que o Estádio será sempre do Futebol Clube do Porto e nunca da Sad.

Relembrando o facto de há cinco anos consecutivos revelarem contas positivas, os números que normalmente os comentadores gostam de analisar, são os seguintes:

PORTO/SAD – Capital Próprio 23M€ – Activo 261,6M€ – Passivo 202,M€

PORTO/CLUBE – Capital Próprio 74,5M€ – Activo 114M€ – Passivo 40M€

Empresa que não entra na Consolidação (porque não é controlada pelo FCPorto/Clube nem FCPorto/Sad) e a quem estamos a pagar o Estádio:

EUROANTAS – Capital Próprio 78M€ – Activo 123M€ – Passivo 45M€

O representante dos Calimeros ainda tentou como sempre faz, negar o inegável mas, como de costume, meteu os pés pelas mãos e não disse nada de jeito. Explicar ao senhor o que são Contas Consolidadas, Contas Auditadas, quais as que legalmente devem assumir essa classificação e quando e como, têm ou não publicação obrigatória, é como falar Chinês. Gostava de dizer ao cavalheiro, que aquilo que a sociedade revisora de contas fez no seu clube e ele tanto elogiou não foi uma Auditoria lato sensu. Limitou-se a compilar um somatório de RC de vários anos, tendo a humildade de apresentar um relatório denominado pela própria como “análise da evolução da situação patrimonial do Grupo Sporting Clube de Portugal”.

Como é possível, num programa desportivo de grande audiência, o senhor Costa ter a veleidade de comparar aquele grupo destruído por uma gestão catastrófica ao longo dos últimos 12 anos, que apresenta Capitais Próprios negativos de 183 milhões de euros e um Passivo de 375 milhões, com o nosso Futebol Clube do Porto?

Quem te manda a ti sapateiro…

Até para a semana

Nota – Os sublinhados são meus.