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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A última do ano


Antes de mais queria deixar aqui uma mensagem a Vítor Pereira. Vítor não percas tempo a dar importância a quem não a tem. Luís Filipe Vieira é uma pessoa mal formada que não consegue elaborar um discurso sem a ajuda de um papel escrito por um qualquer lacaio do SL Benfica, e para mais este Sr. é um ignorante que quando ganha acha-se o maior e quando perde a culpa é de todos menos dele. Preocupa-te mais é com o jogo que vais ter pela frente!

Falando então do jogo de mais logo, o adversário dá pelo nome de Vitória Futebol Clube, mais conhecido por Vitória de Setúbal. O seu Treinador é José Mota, que é uma espécie de Jorge Jesus que aposta tudo no físico dos Jogadores, acredita piamente nos picos de forma e é desenrascado tacticamente. José Mota é o típico Treinador das Equipas que normalmente lutam para não descer de divisão e é raro ver uma destas equipas a descer de divisão com Mota no comando.

Para além do desenrascado Treinador, os Sadinos tem hoje um Plantel onde não existem “estrelas da companhia” mas sim um grupo de enormes trabalhadores onde o “matador” Meyong se destaca por ter quase tantos golos marcados como Cardozo e Jackson. Para além do Camaronês o Setúbal conta ainda com o raçudo Ricardo Silva, o experiente Ney Santos, o virtuoso Bruno Gallo e o desastrado Cristiano.

Em resumo., este Vitória FC é uma equipa de “bons rapazes” que tem feito o serviço mínimo que para já lhe garante um confortável 9.º lugar na tabela classificativa, estando bem distante dos lugares de descida. Ira esta descontracção vai ser uma arma perigosa à qual os Sadinos irão recorrer para poderem fechar o ano com o feito de derrotar o FC Poro no seu reduto. Daí a importância de Vítor Pereira e seus pares se concentrarem somente neste jogo e não no que certos “papagaios” vão dizendo.

O ponto mais vulnerável deste Setúbal é conhecido por todos os Portistas. O Guardião Polaco Pawel Kieszek nunca deu muita segurança ás defesas por onde passou e José Mota já experimentou o amargo sabor de um frango do Polaco. Este é um ponto que os Dragões devem aproveitar ao máximo para começar desde muito cedo a construir a vitória que irá garantir um Santo Natal a todo o Universo Azul e Branco.

Lucho e Fernando estiveram em dúvida ao longo da semana, recuperaram e fazem parte da Lista de Convocados de Vítor Pereira para o jogo com o Vitória de Setúbal, agendado para as 20h15 de hoje. De fora continuam os lesionados Maicon e Emídio Rafael.

Lista de Convocados: Helton, Fabiano Freitas, Danilo, Miguel Lopes, Mangala, Abdoulaye Ba, Otamendi, Alex Sandro, Fernando, Steven Defour, João Moutinho, Lucho Gonzalez, Castro, James Rodríguez, Jackson Martinez, Varela, Christian Atsu e Kléber.

Onze provável (4x3x3): Helton, Danilo, Otamendi, Mangala, Alez Sandro, Fernando, João Moutinho, Lucho, James Rodriguez, Varela e Jackson.

O Vitória FC x FC Porto da 12-ª Jornada da Liga Zon Sagres tem o seu inicio marcado par as 20h15 de hoje e poderá ser seguido em directo aqui no Mística.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Uma Curiosa Curiosidade

Há 3 anos atrás, José Eduardo Moniz afirmava que o Benfica passou da "glória à banalidade", mas mesmo assim entendeu na altura que não estavam reunidas as condições para avançar com a candidatura.
Nessa altura as “condições” eram complicadas ou coisa semelhante. Hoje, este mesmo Eduardo Moniz, apresenta-se ao lado de Luís Filipe Vieira, apesar do SL Benfica continuar uma enorme “banalidade desportiva” e numa preocupante e grave situação financeira. O que levará tão ilustre figura pública da TV abraçar este projecto, é uma incógnita.
 
Esta é a primeira curiosidade!
 
Todos sabemos que JE Moniz tem altos, ou melhor, altíssimos interesses nos media, sendo Vice-presidente da Ongoing Media, accionista da SIC (empresa que pretende reforçar com Eduardo Moniz os seus investimentos, progresso e expansão na área dos media em Portugal e internacionalmente com destaque para os países lusófonos). Sabemos também que, curiosamente tem uma relação privilegiada com a Olivedesportos. Dizia na altura o então “valente e fugido presidente” Vale Azevedo sobre José Eduardo Moniz:
 (…) Porque razão é que a TVI nos ataca tanto? Por que é que faz programas antibenfiquistas primários e manipula benfiquistas para dizer mal do clube e dos seus órgãos sociais?", questionou-se, respondendo de imediato: "Porque está lá o sr. José Eduardo Moniz, que fez os contractos entre a RTP e a Olivedesportos.
 
Quem é a filha dos advogados da Olivedesportos? Inês Serra Lopes, directora do jornal 'Independente', que tem uma coluna semanal contra o presidente do Benfica. Estas ligações perigosas têm de ser investigadas. Estamos a mexer-nos para isso, porque uns têm a fama de criminosos e não o proveito; outros não têm a fama, mas têm o proveito." (…)
 
Esta é a segunda curiosidade!
 
Todos os desportistas ou pessoas ligadas ao futebol sabem que os representantes do SL Benfica para ganharem apoio dos seus adeptos basta-lhes atribuir as más prestações desportivas do seu clube ao «Futebol Clube do Porto» e em especial a Jorge Nuno Pinto da Costa. Aí, a populaça encarnada fica em apoteose, delirante e até eufórica pois a culpa dos insucessos desportivos encarnados são motivados, sem margem de dúvida, por esse terrível malfeitor corrupto, clube rival que tem ninho no DRAGÃO!
 
Naturalmente que quem se candidata a qualquer lugar dos Órgãos Sociais do Benfica a primeira coisa que faz é exactamente este tipo de discurso, pelo que não é de estranhar o comentário de JE Moniz, sobre uns tais… Truques de arbitragens!
Exemplos de truques de arbitragem
 
Todos sabemos que quando a qualidade dos jogadores no relvado não existe o grande culpado é o árbitro, aliás neste caso os vários árbitros que foram proscritos pelo Benfica há bem pouco tempo! 
 
Acoitando Eduardo Moniz aparece um tal de Varandas, antigo opositor de Vieira mas agora rendido (vá-se lá saber porquê) á composição da lista encarnada de Vieira, que dentro deste espírito vem pôr mais umas achas para a fogueira, ao afirmar que: "Os adversários do Benfica estão no norte do país".
 
Palavras estas sim sábias, pois realmente só no NORTE o Benfica tem adversários à altura, ou seja, o F.C. PORTO & Spt. BRAGA, já para não falar nas restantes equipas nortenhas de dimensão mais modesta que têm dado água pela barba a este SL Benfica e não só.
 
Entretanto Eduardo Moniz, debita em discurso para a Mealhada ouvir, sem uma réstia de pudor (qual feirante, vendedor de cobertores de «pura lã acrílica»): "O Benfica deve lutar para ganhar tudo, mesmo tendo de combater poderes instalados; lutar contra truques de arbitragens e enfrentar conluios demolidores. Isso só se consegue com coragem e sem medo."
 
Pelos vistos na opinião de Moniz o Presidente Vieira tem sido um cobardolas, pois tem tido medo de enfrentar conluios tão infames e demoníacos destes poderes instalados durante estes largos anos do seu exercício como Presidente do Benfica! Gloriosa entrada parlatória de José Eduardo Moniz! A populaça de pé aplaude o discurso!
 
A carreira de Filipe Vieira no Benfica não é de maneira nenhuma abonatória de grandes conquistas desportivas, tirando o Torneio do Guadiana e/ou a Taça da Cerveja. Todos sabemos e somos testemunhas dos variadíssimos fracassos encarnados! Mas nada como imputar a esses energúmenos, malditos, estafermos, diabólicos e mal quistos, Nortistas a dificuldade de conseguirem que estes pobres encarnados venham a ser Campeões Nacionais!
 
A terceira curiosidade!
 
Consta que Vieira terá tentado demover o Juiz Rangel de lhe fazer frente nas eleições. É publico os jornais o afirmam. Ora, ponderemos sobre o seguinte:
 
- Quem tem afirmado “N“ vezes que está a prejudicar a sua própria “família” ao ter a responsabilidade e dedicação de ser Presidente do Benfica?
 
- Quem tem afirmado “N“ vezes que não necessita do Benfica para se impor social e empresarialmente?
 
- Quem tem vivido à sombra da Presidência Benfiquista, para levar a água ao seu moinho? (Recordem-se os mais esquecidos do escandaloso caso de influência e corrupção politica patrocinada por L F Vieira/ Euro-área e Câmaras de Lisboa e Seixal).
 
Claro está que o Sr. Vieira não precisa do SL Benfica para nada, pois dele já usufruiu quase tudo a que terá tido “direito indevido” como Presidente da Instituição Encarnada. Mas eu, simples cidadão do NORTE e por acaso adepto do FC PORTO, estou perfeitamente convencido e muito atento a esta figura, pois estou certo de que virá a ter um enorme amargo de boca no dia em que voltar a ser só o Sr Luís Filipe Vieira (Empresário). Ele melhor que ninguém sabe-o e por isso agarra-se com garras e dentes ao “poder da Presidência Benfiquista” apesar de ter que sacrificar a família e, sei lá, até talvez vender a alma ao diabo!
 
Quarta e última curiosidade!
 
Para terminar este meu artigo de opinião resta-me dar uma palavrinha como adversário ao dito e actual Presidente:
 
Se porventura ou desventura, o SL Benfica vier a ter um mau resultado com o «Spartak de Moscovo», isto a três dias das eleições, não sei não, “tio Rangel”, como ficarão os ânimos dos adeptos encarnados com Vieira?
 
Para mim, Portista, oxalá que o Benfica ganhe ao «Spartak de Moscovo», pois será sinal da continuidade de Luís Filipe Vieira, ao leme daquela grande caravela esburacada e sem rumo que é, o Sport Lisboa Benfica!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Vendem-se os Anéis...

Naturalmente não vou comentar as saídas e entradas do nosso Clube. Todos as conhecemos de cor e salteado. Deixo esse prazer para os meus amigos. Vou antes falar do meu alvo predilecto, a “instituição”, claro.
 
Apoiado, diria mais, levado ao colo, pela miserável imprensa lisbonária, o clube da treta, precisava facturar, segundo entrevista de luís filipe vieira, “pelo menos” 40 milhões. Um dos pasquins oficiais, A BOLHA, até falava numa “recusa” de 90 milhões, não sei bem, de quem. Se calhar algum daqueles Sheiks do petróleo até queria comprar o próprio clube! Ninguém consegue adivinhar o resultado desportivo das vendas deste defeso na performance da equipa mas não auguram nada de bom. Do lado financeiro, os vinte milhões do javi garcia não vão resolver nada. Entre o valor que pertence ao Fundo, e as percentagens pagas aos empresários, pouco deve sobrar para abater aos 400 milhões do passivo. Jesus, o pensador que se amanhe!
Os accionistas já devem estar por tudo. São o espelho dos gomes da silva, vieiras, e ruis costas. Tudo boa gente! Esta administração representa o maior “desastre” que há memória desde que o clube da treta se auto-denominou “instituição”. Como 40% das acções são do clube, e 22% pertencem a uma das suas sociedades, (SGPS), podemos dizer que quem está falida não é a SAD, é o clube. O clube, esse, quase não fica com nada. A maior parte das quotizações, marketing, bilheteira, namings, e negociatas com as transferências, são receitas da SAD. Até o estádio já lhe levaram. Vale e Azevedo ao pé desta cambada é um menino do coro.
 
O senhor vieira, conhecido nos blogs afectos ao clube por Rei Sol, tinha avisado que estava teso. Aparentemente o “mercado” fez ouvidos de mercador. As “vedetas” favoritas da BOLHA, os rodrigos, os witsels, os cardozos e os gaitans, não despertaram nos investidores a mínima curiosidade. Apenas o Manchester City que felizmente para nós, precisava de mais um caceteiro, não podia escolher melhor. O homem que joga mais com os cotovelos do que com a cabeça, foi pescado à linha. Bem sei que na estranja não vai ter vida fácil com os árbitros. Lá não existem lucílios, paixões, joões ferreiras, ou duartes gomes. Basta ver as dezenas de vezes que coentrão, david luiz, ramires ou di maria, apanharam amarelos e vermelhos. Também, que me conste, quem nomeia os árbitros para os jogos não é um qualquer vendido, como acontece por cá.
 
Trocar “o ponto de equilíbrio da equipa”, como lhe chamam os inefáveis comentadores residentes das nossas queridas tv’s, por Lima, um avançado desnecessário, e continuar a “acarditar” nos defesa-esquerdos, inventados pelo carroceiro, é mesmo de quem não tem mão naquilo. Deve ser por isso que os apaniguados, nos blogs, classificam o Rei Sol, com dezenas de adjectivos que devem estar a pôr as orelhas do senhor a arder. Não sei se a culpa é exclusivamente dele ou do outro coveiro que aparece no Dia Seguinte. Afinal, sempre que lhe perguntam alguma coisa, o palermoide, não sabe responder. Nunca “nada é do seu pelouro”!
Do “administrador que apenas serve para ir aos sorteios”, não é de certeza. Depois do desastre que foram as suas contratações na era Quique Flores, ao que conste, o ruizinho teve ordens para passar dos túneis para as últimas filas da bancada e desaparecer da vista dos pasquineiros sempre ávidos de desgraças. Os 20 mil euros que ganha por mês devem ser para ajudar a pagar a indemnização à mulher. 
Mas vamos lá ver o resumo resumido dos capítulos anteriores. Até ás 00:00 horas do dia 1 de Setembro de 2012, os patrões do clube da treta, dos seus 111 atletas profissionais, tinham vendido 8: Capdevilla (Espanhol); Daniel Wass (Évian); Éder Luis (Vasco da Gama), Emerson (Trabzonspor); Felipe Bastos (Vasco da Gama); Javi Garcia (Manchester City); Saviola (Málaga); e Yartey (Sochaux). Compraram apenas 1: Lima. Mesmo assim ainda tem 104 jogadores nos seus quadros. 30 fazem parte do plantel principal, outros tantos na equipa “B”, 8 indefinidos e 36 emprestados:
 
Abel Pereira (Atlético); Airton (Flamengo); Alípio Brandão (América); David Simão (Marítimo); Dérlis Gonzalez (Rubio Nu); Diogo Caramelo (Ribeirão); Diogo Figueiras (Paços de Ferreira); Djaniny (Olhanense): Ederson (Ribeirão); Eduardo (Istambul B); Felipe Menezes (Recife); Fernandez (Olhanense); Franco Jara (San Lorenzo); Freddy Adu (Philadelphia); Hassan Yebda (Granada); Hugo Vieira (Sp. Gijon); Jorge Ribeiro (Granada); Luisinho (Paços de Ferreira); Manel Lis (Fátima); Mário Rui (Parma); Michel (Braga); Mora (River Plate); Moreira (Swansea); Nelson Oliveira (Deportivo); Nelson Semedo (Fátima); Nuno Coelho (Aris da Grécia); Oblack (Rio Ave); Roderick (Deportivo); Rodrigo Mora (River Plate); Ronei Ribeiro (Marítimo); Ruben Amorim (Braga); Saná (Valladolid); Soulaymane (Chaves); Urreta (Guimarães); Weldon (Cluij); Yannick Djaló (Toulouse).
 
Ufa! Com o que ele se entretém, devem estar a pensar os meus amigos. Pois é caros. Todas as semanas tenho que encher chouriços. Hoje saiu este…
 
Abraço

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Mestre da Culinária

70 Milhões da China entram no Sporting, anunciava na última sexta-feira o Rascord.
 
O negócio está actualmente em fase de auditoria. Provavelmente o pasquineiro queria dizer que os chineses, num intervalo entre duas sandes de escaravelho com presunto, estariam a analisar “a última auditoria” que o Zbórden apresentou aos sócios da lista derrotada, pobres ingénuos, que só queriam saber as verdadeiras razões do descalabro financeiro que estourou com o Capital Próprio. Se for isso que os chineses querem espiolhar, de nada lhes vai servir. Aquela “auditoria” não é uma Auditoria. É apenas, uma compilação de Relatórios e Contas dos últimos anos, uma listagem que qualquer um de nós, interessado por estas minhoquices das continhas, costuma apresentar nos blogues, mas “prontos, isto é um somenos”, siga o andor que o santo quer mijar!
 
Estás a ver? “O teu clube é mais falido do que o meu”, diz Domingos ao Vieira. E aí responde o Vieira: “o nosso Passivo é mais maior grande, mas o Activo também”!
 
Bicada aqui, choradeira acolá, ninguém ousa sequer perguntar se aqueles Activos são vendáveis. Por exemplo os jogadores que estão penhorados pelos Fundos e que só saem com ordens deles, ou o estádio, hipotecado ao BES, muito longe de estar pago.
 
Uma Auditoria não é nada disso. Não é “picar” factura a factura, cheque a cheque, para ver se há erros. Para isso está lá o Conselho Fiscal. Uma Auditoria é muito mais do que conferir números. Deve referir a posição financeira da empresa, verificar os resultados das operações, as oscilações dos fluxos de caixa, e em termos globais verificar se as normas técnicas executadas estão conformes com a legislação.
 
O mais intrigante é que, quando entrevistado, o presidente do clube afirmou que o grande valor deste negócio “está no futebol de formação do Sporting”. Não é que o homem tem mesmo “esperto na cabeça”? Enquanto a “instituição” se comporta como um verdadeiro entreposto que compra carne na Argentina para vender em Espanha e vice-versa, os calimeros vão estrear-se na nobre tarefa de “produtores de enchidos” para a China!
 
Ao contrário do que se pensava, o negócio não contempla a entrada dos investidores como accionistas da SAD, e os 70 milhões serão pagos durante um período de 10 anos.
 
Curiosamente, ou talvez não, parece que os chinocas querem comprar o Clube! Sócios fossilizados como Dias Ferreira esfregam as mãos de contentes, ninguém entende porquê. Se o Clube tem 90% de uma SAD falida, quem está falido não é a SAD é o Clube! Depois do projecto ruinoso de Roquette e Dias da Cunha, das diatribes de Soares Franco, e das aventuras de Bettencourt, Godinho Lopes vai dar a estocada final. Falta pouco para o Sporting, tal como o conhecemos, acabar. Em vez de bifanas e uma cervejola, vamos ter nos bufetes do estádio, entrecosto de gato com insectos salteados, regado a chá verde. Uma das contrapartidas acordadas com o grupo chinês parece ser a concessão de uma percentagem dos lucros gerados com a venda dos jogadores formados (os tais enchidos) na Fábrica de Alcochete, logo que o prato esteja pronto a servir.
 
Godinho Lopes que viria a ficar conhecido durante a EXPO98 pelo ruinoso negócio do rent-a-boat quando se lembrou de alugar 3 paquetes de luxo para clientes que não existiam, envereda agora, pelo ramo do pronto-a-comer. Os novos amigos já estão instalados nas imediações da Casa dos Azulejos, num pagode pré-fabricado. Se a coisa falhar, carregam os enchidos, atravessam a Segunda Circular e vão para o Circo do outro lado. Esses também “acarditam” que o Pai Natal existe.
 
Não sei se esta “parceria” vai encaixar no espírito do fair play financeiro da UEFA.
 
Segundo os regulamentos de licenciamento para as provas europeias, o resultado financeiro da transferência de um jogador só poderá ser contabilizado quando o passe for “permanentemente” vendido a outro clube, o que pode retirar ao resultado líquido, eventuais mais-valias de direitos desportivos alienados a fundos de investimento.
 
A UEFA está a estudar a forma de proibir a participação nas competições europeias de jogadores cujo passe não seja totalmente detido pelo clube.
 
Um Fundo de Investimento “normal” compra uma percentagem do passe dum atleta observado e avaliado por uma comissão de gestão, sempre na expectativa de produzir mais-valias. Neste caso “inventado” pelo Mestre da Culinária, parece tratar-se de um adiantamento sobre o fornecimento de produtos (os chouriços) que ainda não existem. Vamos ver se este cozinhado não vai, como de costume, pela banca abaixo.
 
Até à próxima

terça-feira, 3 de julho de 2012

Novas Aventuras do Pagador de Promessas

O homem não desiste, parece um daqueles carrosséis de feira: “mais uma viagem, mais uma corrida”. Meta a moeda, vire o volante à esquerda ou à direita, carregue no pedal!” Desta vez lembrou-se de soprar a alguns clubes de terceira que lá o colocaram, a velha questão dos empréstimos de jogadores excedentários. Esqueceu-se que são precisamente esses clubes, sem posses para se meterem em grandes aventuras, quem mais precisam dos favores dos maiores. Além disso é um truque muito utilizado, por exemplo pela “instituição”, que ainda no ano passado com dezenas e dezenas de abéculas que não tem lugar no plantel, tinha emprestado a clubes da Liga Zon e a outros, um total de mais de 40 charutos.

O insigne pagador de promessas, em vez de os aconselhar a mudar de ideias, ainda os aplaude com ambas as mãos, ao arrepio das leis laborais comunitárias mais elementares, parecendo querer coarctar o direito ao trabalho de pessoas que escolheram como profissão jogar futebol. Noutras actividades não seria possível aplicar este raciocínio. Seria uma situação semelhante à que alguns puristas do futebol advogam, de limitar o número de estrangeiros que possam jogar ao mesmo tempo numa equipa.

Os meus amigos podem argumentar que “estando o assunto devidamente regulado pelas instâncias do pontapé-na-bola, tem que se cumprir”. Como sabemos não é bem assim. Leis e normas, por mais “razoáveis” que nos pareçam, têm que estar conformes com as legislações, não se podem sobrepor, por exemplo, ao acordo de Schengen, na parte que se refere à livre circulação de pessoas e bens provenientes daquele espaço ou, ao direito internacional do trabalho como proclama a OIT, nos restantes casos. Qualquer dia um imbecil qualquer lembra-se de embirrar com a cor do Balotelli e impede-o de alinhar. Fico a aguardar ansiosamente a posição do senhor Evangelista sobre este assunto. 

Mas o Futebol tem destas contradições. Como sabem existe até, em sentido contrário, uma cláusula que permite contratar um futebolista desempregado, fora do período da "janela de inscrições". É uma excepção à regra. Além disso está mesmo a ver-se o que vão fazer os clubes que queiram continuar a emprestar os seus excedentários: contratos de venda fictícios com uma cláusula de opção de recompra pelo mesmo preço, ou outra artimanha parecida! Se o jogador lhes interessar, vão lá buscá-lo. Isto a menos, claro, que o senhor Figueiredo também queira alterar as leis do Código Comercial e que só seja possível efectuar negócios, debaixo da sua tutela.

Era uma boa questão para o Tribunal Arbitral que está aí à porta, analisar. Mas para isso, era preciso que algum clube suscitasse a questão, o que parece ninguém querer fazer. Estranhamente estão quase todos de acordo com as normas anunciadas. Também não percebo a adesão do clube da treta a esta iniciativa. O que irá fazer aos 80 (ou mais) jogadores sob contrato? A menos que, alarmada pelos 500 milhões de Passivo do Grupo Benfica, tenha sido a própria Banca a dar um bitaite ao senhor Figueiredo para conduzir o seu clube até uma gestão “mais criteriosa”, e não comprar tantos jogadores.

Mudando de assunto e sempre com a “instituição” como pano de fundo (afinal foi ela quem ajudou a colocar o senhor Figueiredo na LIGA), voltou o tema dos Direitos Televisivos. O homem insiste que a LIGA deve ser o “negociador colectivo” daquele bem e ameaça com queixa junto da Comissão Europeia tendo por base “a violação das normas da concorrência e o monopólio da Olivedesportos”.

Sabendo como se sabe que a titularidade dos Direitos pertence aos Clubes, e que estes têm negociado livremente com quem entendem, não compreendo como continua a chamar a isto, “um monopólio”. Se o senhor Figueiredo e os Clubes acham que oferece pouco, basta que arranjem outro patrocinador que pague mais do que a Olivedesportos, e está tudo certo. Espero bem que o valor a pagar pelo novo investidor, como afirmou o senhor Figueiredo, seja “pelo menos o dobro do que está a ser pago”, e que logo que feche o contrato vá a correr entregar os tais 40 milhões ao patrão, o senhor Vieira, pela autorização de deixar transmitir os 15 jogos em casa.

Se não correr bem, bate-chapas, tinta Robbialac, e está a andar. O senhor Vieira lá terá que resolver o assunto como até aqui, contraindo mais um Empréstimo Obrigacionista para pagar o anterior, e o BES coitadinho, (tenho muita pena dele) a duplicar os juros.

Até para a semana

quinta-feira, 3 de maio de 2012

O título de Pinto da Costa.

Mais um título. Já chega a ser algo tão corriqueiro que mesmo os jornais desportivos não dispensaram mais de 2 ou 3 páginas sobre o bicampeão nacional. Nada de novo. A atenção dos média passou logo para Vítor Pereira numa tentativa de não se falar do título e de quase tentar condicionar Pinto da Costa na escolha do futuro do clube. Tirando outros ressabiados (Rui Santos à cabeça) que continuam a tentar encontrar desculpas nas arbitragens e na falta de competitividade da mesma Liga que era espetacular quando o Benfica liderava…

Este título mais do que nunca foi sentido pela grande maioria dos portistas como o triunfo de um presidente. Parecia escrito nas estrelas (citando Luís Filipe Vieira). Nem de propósito, no ano em que se comemoram 30 anos na presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa, o F. C. Porto ganha um título em que o presidente deu o exemplo do porquê deste clube ter tantas e tantas vitórias. Deu um exemplo do que tem sido a sua liderança e da sua capacidade de ver mais além dos demais.

Os portistas são adeptos exigentes por natureza. Por vezes tanta exigência os leva a serem algo irracionais e até injustos. Mas por outro lado não sei se isto será defeito ou feitio. E se não será esse feitio e essa constante pressão pela excelência que nos faz estar noutro patamar de competitividade. Não deixa de ser curioso e talvez único até, que o Porto seja campeão e nos festejos o seu treinador seja assobiado e nas entrevistas de rua quase todos defendam que o treinador campeão deve sair.

Enquanto isso, no Benfica, Jorge Jesus mesmo com apenas um título em 3 anos, vemos apenas, pequenas manifestações de insatisfação mas a grande maioria até admite que ele deve continuar… No F. C. Porto, Jesualdo Ferreira valorizou activos, cumpriu os mínimos nas competições europeias, era campeão, e ainda assim não criava empatia com a maioria dos adeptos e chegava ao final de cada época sem saber se continuaria.

Mas uma coisa são os adeptos, outra é quem dirige. E nesse aspecto Pinto da Costa dá lições a todos os demais presidentes. Enquanto Luis Filipe Vieira desaparece nos momentos difíceis e enquanto Godinho Lopes despede um treinador à mínima pressão dos maus resultados, Pinto da Costa não tem medo de ir contra a opinião de tudo e todos e quando os treinadores mais contestados são é quando o presidente mais aparece em sua defesa.

Vítor Pereira demonstrou ter falta de estofo para um clube como o F. C. Porto. Teve uma série de falhas em termos tácticos e nas sua forma de ler o jogo. O Porto não conseguiu ser competitivo na Europa e deixou a desejar em termos exibicionais. Eu próprio fui apologista que a mudar, Pinto da Costa teria uma boa oportunidade na pausa de Inverno. No entanto, com o tempo, como invariavelmente acontece na grande maioria das vezes, acabei por ter que dar razão a Pinto da Costa na forma como manteve Vítor Pereira mesmo quando via que os resultados não eram os mais desejados. Pinto da Costa deu a estabilidade a Vítor Pereira de que este não estaria refém dos resultados e que teria todas as condições para liderar a equipa até ao fim. Para isso Pinto da Costa desceu ao balneário e reforçou a liderança do técnico deixando bem claro para jogadores e adeptos que gostassem ou não era com Vítor Pereira que teriam que contar até ao fim da época.

O tempo foi-lhe dando razão à medida que nos fomos apercebendo que Vítor Pereira não era o maior problema. Principalmente quando se tornou percetível que para além dos seus erros próprios e falta de carisma, havia, acima de tudo, uma enorme falta de empenho dos jogadores e preparava-se uma ditadura dos jogadores à semelhança do que se passa com o Chelsea.

Isso, Pinto da Costa não poderia permitir. E ao contrário de outros que entre a liderança técnica e os jogadores, iriam optar pelo caminho mais fácil e dispensariam o treinador… Pinto da Costa responde deixando bem claro a regra que sempre reafirmou no F. C. Porto: Jogador é para jogar, treinador para treinar e o presidente para dirigir. Invertendo-se esta estrutura e toda a base do sucesso rui como um baralho de cartas. Era importante, mais do que nunca, dar o sinal para dentro de que no F. C. Porto ninguém está acima da instituição nem um plantel pode tomar decisões por cima dos interesses do clube e da vontade do seu presidente.

Por isso aquilo que parecia visto de fora como decisões estranhas, como as dispensas de Guarín ou Belluschi, foram-se tornando claras com o passar do tempo. Assim como a atitude de uma série de jogadores que parece que ficaram contrariados, casos de Alvaro Pereira ou Rolando. Por isto tudo, este ano mais do que outos, foi o ano em que o grande mérito desta conquista foi de Pinto da Costa. E sempre odeiei aquele tipo de adeptos que desvalorizavam o trabalho dos técnicos de uma forma quase cega, como se fosse Pinto da Costa que fizesse tudo quando claramente não era e em algumas épocas até tinha também errado nas suas escolhas. A questão é que nesta época, se as coisas corressem como noutros clubes, já Vítor Pereira teria sucumbido perante a pressão de um plantel contrariado e não sairia como campeão.

Pinto da Costa demonstrou também que, não obstante haver um problema que ia para além de Vítor Pereira, não estava a dormir relativamente às falhas na preparação da época. Alterações foram sendo feitas em silêncio, sem grande estrondo. Veja-se a forma como se restruturou a equipa técnica passando Filipe Almeida para adjunto mais próximo de Vítor Pereira e com a passagem de Rui Quinta para a bancada. Repare-se como foi incluído na equipa técnica Paulinho Santos, um jogador capaz de ser o adjunto do balneário, coisa que claramente Semedo não aparenta ser, e daí o seu desaparecimento das luzes da ribalta.

Por outro lado, e aí Pinto da Costa deu o toque de mestre… Foi a alteração operada no plantel. Com as saídas e a limpeza do balneário, Pinto da Costa dotou-o de um elemento capaz de liderar e de agarrar num grupo e liderá-lo. Falo obviamente da contratação de Lucho Gonzalez… Agora gostaria de ver o que têm a dizer aqueles que na altura afirmaram que o Porto nada tinha melhorado com Lucho… Pois não, passou de estar 5 pontos atrás, para estar 6 pontos à frente na Liga… Lucho acrescentou classe e ordem em campo, e liderança quer no campo, quer fora dele.

Por outro lado, embora com menor impacto, houve uma tentativa de corrigir o erro de atacar a época apenas com Kleber para ponta de lança. Para isso veio Janko. Não será a solução ideal, mas pelo menos serviu para ter outra solução. Um jogador que chegou sem sentir a pressão que Kleber teve que sentir.

Após tudo isto, e agora que Vítor Pereira foi campeão, deve isso significar obrigatoriamente a sua continuidade? Claro que não. Os mesmos que pediam a cabeça de Vítor Pereira na comunicação social, agora tendem a pressionar, uma vez mais, Pinto da Costa para ter a coragem de manter Vítor Pereira. Tal como na época de maior contestação, Pinto da Costa decidiu não apenas com base em coragem, mas acima de tudo com base em racionalidade e pensando no que seria melhor para o clube, agora Pinto da Costa fará o mesmo.

São contextos diferentes. Temos que dividir por partes. A primeira parte foi a escolha de Vítor Pereira. AVB tinha acabado de sair e não havia no mercado nenhum técnico de renome capaz de entrar no F. C. Porto com um plantel que se mantinha da época passada. A última vez que tal tinha acontecido os resultados foram péssimos. Falo da época após a conquista da Champions. Pinto da Costa não quis abalar mais a estrutura. O seu plano era atacar a Champions mantendo a equipa. AVB furou-lhe os planos e por consequência teve que deixar sair Falcao e abalou todo o plano para a época, o que fez com que outros jogadores sentissem que também teriam o direito de sair. De um projecto de ambição, passou-se para a incerteza. Por isso Pinto da Costa jogou pelo seguro. Apostou no adjunto de AVB, que já conhecia o plantel, já conhecia o trabalho feito por AVB visto de dentro e que poderia dar continuidade a esse trabalho. Acho que a lógica é inatacável, embora depois não se tenha concretizado.

No segundo momento tratou-se da altura em que se começaram a perceber as dificuldades de Vítor Pereira e em que muitos adeptos ( eu incluído) sentíamos que o Porto ainda poderia operar uma mudança no comando técnico e que isso poderia ser uma boa solução. Aí imperou a racionalidade de Pinto da Costa que dispunha obviamente de informações que nós não temos.

Ele fez o diagnóstico e o prognóstico. Sentiu que o maior problema não era Vítor Pereira, e que de nada valeria trocar de técnico a meio da época se o problema maior estava na atitude de alguns jogadores do plantel e da ideia criada que eles poderiam dispensar um treinador. Vítor Pereira poderia ter algumas culpas, mas nada poderia fazer para obrigar uma serie de jogadores aburguesados a correrem e a darem o litro pelo clube. Aí Pinto da Costa sentiu que seria pior a emenda que o soneto e que o ideal seria arranjar uma solução interna, passando por um acompanhamento mais próximo, por dar o peito às balas por Vítor Pereira e demonstrar ao grupo que teriam que respeitar o seu líder. Isto sem deixar de remendar alguns erros cometidos quer na composição da equipa técnica quer na composição do plantel.

Eis chegados ao terceiro momento. O do título. Agora que se conseguiu atingir esse objectivo é preciso pensar não apenas no momento. Da mesma maneira que Vítor Pereira não foi refém dos resultados para poder continuar, não será agora por este resultado que poderá tornar Pinto da Costa refém da obrigação de permitir a sua continuidade como técnico principal do F. C. Porto. Chegado ao final da época, Pinto da Costa já terá obviamente feito um rescaldo de tudo o que se passou de bom e de mau. Também já terá planeado a próxima época.

Não será a primeira vez que um treinador sairá do Porto após ser campeão. Tal passou-se com Ivic, Carlos Alberto Silva, António Oliveira e outros. Tudo porque Pinto da Costa vê para além do óbvio da bola que entra ou não. Fazia sentido a continuidade de Vítor Pereira no projecto para esta época, isso não quer dizer que faça sentido para a próxima época. Os motivos que levaram à escolha de Vítor Pereira já não se verificam. A ideia de um treinador de continuidade já não se aplica. O Porto na próxima época terá que recomeçar quase do 0. O plantel terá mexidas, perderá provavelmente Hulk, Alvaro Pereira e um ou outro elemento preponderante nestas últimas épocas, provavelmente Rolando. Será um novo plantel, com outras características, com sangue novo e com outras necessidades e objectivos.

Enquanto para uns a vitória no campeonato é o suficiente para se ter sucesso, no Porto isso não basta. O Porto tem que ter uma dimensão europeia que este ano não teve com Vítor Pereira. De nada vale ganhar a Liga se por outro lado se descurar o projecto europeu. O Porto não se pode dar a esse luxo. Tal como Co Adrianse saiu campeão mas após uma época que foi um fracasso na Champions. Pinto da Costa sentiu que com o holandês o Porto poderia muito bem dominar em Portugal, mas que com aquela táctica estranha de 3 defesas, dificilmente teria sucesso na Europa. Foi mais ambicioso que os demais. Se provavelmente oferecessem um técnico ao Benfica ou Sporting que assegurasse o domínio em Portugal embora com insucesso lá fora, ambos os clubes assinariam por baixo… Não o F. C. Porto. Por outro lado o Porto havia passado para uma liderança l”assez faire” para o 80 e parecia quase um estado polícia com Co Adrianse, com excessos de autoritarismo. Pinto da Costa aí também não se deixou levar pela dobradinha. Pensou mais além e aquilo que teria que ser o futuro do clube.

O mesmo se passará agora com Vítor Pereira. Não obstante o título, o F. C. Porto parte para outro ciclo, outro projecto e espera-se que o novo treinador comece também do 0, com um plantel com outras características. Não se pretende continuidade. Pelo contrário. Pretende-se choque e um começar do 0 com renovadas ambições. Vítor Pereira porventura não terá as características necessárias para liderar este novo projecto.
Por isso mesmo, por mais que agora tentem condicionar Pinto da Costa pela sua aposta em Vítor Pereira, ele terá o discernimento necessário para não olhar apenas para o óbvio. Como ele já o afirmou, a época já está a ser planeada há muito tempo e provavelmente nem dependia do título… Tal não significa que Vítor Pereira tenha que sair a mal. Pelo contrário, acho até que o próprio Vítor Pereira será o primeiro a entender a decisão de Pinto da Costa e até estar-lhe-á grato por sair do F. C. Porto com um título no currículo, quando se fosse noutros clubes teria a sua carreira queimada logo no início.

Por vezes as mais importantes mudanças não são aquelas operadas nas derrotas, são as que se encetam mesmo nas épocas em que se tem sucesso. Por isso uns adormecem com o sucesso, outros tentam sempre desafiar-se mesmo quando estão habituados a ganhar quase sempre.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Muito mais que um campeonato.

O Porto está a 3 vitórias de ser campeão nacional. Noutra época qualquer, tal frase seria algo corriqueiro e pouco chocante. O título valeria como tantos e tantos outros que fazem o F. C. Porto ser a equipa mais forte do futebol português há décadas.

No entanto, o título, esta época, tem outro sabor. Não direi que é especial ou que sabe melhor ou pior para os portistas. Acima de tudo é um título que a ser conquistado ( e para isso é preciso que o Porto o garanta, algo que está longe de ser um dado adquirido, mais a mais quando falamos desta equipa do Porto) será uma bofetada enorme no orgulho benfiquista, na sua auto estima, na campanha orquestrada durante esta época para dourar a pílula do futebol do Benfica, será porventura o fim do mito Jorge Jesus e um ponto final no seu festival de megalomania e fanfarronice.

Um ponto final? Não exactamente… Claro que Jorge Jesus continuará a achar-se acima da instituição do Benfica, e um treinador ao nível dos melhores do Mundo (mesmo que só tenha até ao momento conquistado um título de campeão nacional), a diferença é que por muita vontade que os benfiquistas tenham é difícil alimentar mais essa ilusão. Os factos são por demais evidentes. É certo que os benfiquistas na sua maioria têm dificuldades em chegar a conclusões que para quem vê de fora parecem lógicas…

Veja-se o que se passou com Vale e Azevedo… É a diferença de se torcer por um clube que habituou os seus adeptos a vitórias constantes e por isso obriga a um maior grau de exigência (ao ponto de o treinador líder da Liga ser aquele que parece ser o favorito a perder o seu cargo mesmo que seja campeão), ao contrário do Benfica… Um clube que vive das glórias do passado e das promessas de conquistas avassaladoras, de campeonatos que quando conquistados parecem valer por 20 ou 30, tamanha é a cobertura dada pelos midia… Com adeptos assim, é fácil manter-se no cargo um treinador que no ano passado acabou a Liga a mais de 20 pontos do 1º e que na Liga Europa foi eliminado pelo Braga… É fácil vender ilusões aos benfiquistas. Muitos não têm grau de comparação com anos melhores… A referência são os anos 60 e esses só se podem rever a preto e branco. Assim que, aparecendo um treinador que até não é muito mau, que valorize activos, e que coloque o Benfica a jogar um bom futebol, logo pareça que o Benfica está destinado a ganhar todas as competições em que está envolvido, com toda a naturalidade e ainda com nota artística.

A estratégia de comunicação do Benfica para esta época até passou por refrear o ímpeto megalómano do seu treinador que no ano anterior até havia apontado à conquista da Champions… Acabou com uma taça da liga… No entanto, teve ainda os adeptos do seu lado e a direcção. Só no Benfica... Eram capazes de imaginar um treinador no F. C. Porto ficar a 21 pontos do 1º lugar, perder uma meia final europeia para o Braga, não ganhar a taça e ficar mais um ano? Pior que isso… ficar mais um ano e com adeptos a comprarem a ideia de que estão perante um mestre da táctica?

O Benfica este ano até nem comentava arbitragens no início da temporada… Dizia que os árbitros eram todos muito bons…até apoiaram Vítor Pereira para presidente da Comissão de Arbitragem (ao contrário do F. C. Porto). O Benfica gracejava ao olhar para o insucesso desportivo do F. C. Porto nas competições europeias e pela falta de qualidade do sucessor de André Villas Boas… Sentiam que assim o título estava no papo. Um F. C. Porto que esteve muito aquém do que é capaz de fazer, que teve um treinador talvez dos mais fracos da história recente do clube, e que por isso reforçava ainda mais a convicção do Benfica de que este ano o céu era o limite…Era para ganhar tudo e com nota artística. Nada havia para os impedir… Nem o F. C. Porto que parecia caminhar para uma época dolorosa de transição após a saída de AVB, à semelhança da ressaca que viveu com a saída de José Mourinho.

Ora o que o Benfica não contava é que a sua megalomania e a máquina de propaganda tão bem montada, criaria uma ambição desmedida nos seus adeptos e que uma vez colocadas a nú as fragilidades que sustentavam todo esse brilho que era polido, a queda seria dura, muito dura

Esqueceu-se também que nunca se pode subestimar o F. C. Porto seja em que circunstância for… O Benfica já havia cometido esse erro na época de AVB, quando Jorge Jesus dizia que em Portugal o Benfica não tinha rival à altura e que por isso só na Champions encontrariam um desafio… Sim, porque a Liga já era “peanuts”… Acabou derrotado de forma contundente e até mesmo humilhado desportivamente por um F. C. Porto totalmente arrebatador… Um Porto que ganha a Liga no Estádio da Luz e que elimina o Benfica da Taça de Portugal, deixando-lhe o já habitual troféu de consolação: a taça da liga.

O Benfica deixou-se embebedar pelas odes que faziam ao seu futebol, à sua grandeza, aos seus jogadores, ao seu presidente, ao fantástico treinador… Tudo era demasiado bom para ser verdade… até as madeixas de Jorge Jesus pareciam mais loiras e autênticas que nunca…

Assim, sem dar por isso, o Benfica menosprezou adversários como a Académica ou o Guimarães e acabou por pagar caro… Um campeonato que o Benfica previa resolver no clássico da Luz, acabou por ser relançado na Luz e deixando o favoritismo do lado desse tal F. C. Porto, “o mais fraco dos últimos anos” que parecia que iria ser carne para canhão contra o futebol de outra galáxia que diziam que o Benfica praticava…

Aí deu-se o ponto de viragem no discurso. A equipa que não falava em arbitragens, teve que arranjar uma manobra de distração de massas… Nada melhor que apontar ao lance do golo de Maicon em fora de jogo… O Benfica assim não teria que justificar aos seus adeptos como é que um F. C. Porto tão fraco tinha passado de estar a 5 pontos de atraso para estar a 4 de vantagem… Afinal, sobrava ainda o Benfica da glória europeia para enganar adeptos…

Pelo caminho já Jorge Jesus tinha feito das suas… Após celebrar uma passagem dos oitavos de final como se tratasse de uma final da champions, JJ desvalorizou a história do Benfica dizendo que nunca os benfiquistas mais novos tinham visto o Benfica chegar tão longe na champions, tendo ainda a audácia de comparar o seu Benfica ao Benfica dos anos 60… Sim, o Benfica bicampeão europeu de Eusébio, Mário Coluna, José Augusto e companhia… Ninguém achou grave. Tudo valia para manter a chama imensa bem viva, ainda que fosse uma chama com uma luz tão periclitante e tão capaz de falhar como aquela que na época passada falhou aquando da conquista do campeonato do F. C. Porto…

Depois coloca-se a velha questão… As equipas de Jorge Jesus têm por hábito caírem fisicamente no final da época. Normal, porque a equipa do Benfica joga em campo com a mesma sofreguidão que Jesus a orienta do banco. Falta-lhe a dose de realismo e humildade que também falta ao técnico. Praticam um futebol vertiginoso, com pé a fundo, sem serem capazes de assentar o jogo numa toada mais calma e de descansar com bola. Isso pode ter tanto de espectacular como de estúpido quando se faz depois o balanço de uma época e se fazem balanços do que foi a preparação de uma temporada. Uma equipa que quisesse apenas ganhar uma competição, acho que poderia apontar para aquilo que se chamava de picos de forma, e então jogavam assim com tanta intensidade e descansavam o resto da competição. O problema é que as épocas não se ganham só no início. Há uns anos atrás era o que se fazia no Brasileirão, uma vez que se tratava de um campeonato que tinha uma fase final. Um “mata-mata” entre os 8 primeiros que permitia que uma equipa andasse meia época a fazer os mínimos para depois apontar todas as baterias e preparar fisicamente a equipa para atingir o pico de forma na fase final. Infelizmente para Jorge Jesus, essa fórmula nem no Brasil existe mais…

A única hipótese de sucesso dessa fórmula é cavar uma distância grande que possa ser gerida mais tarde quando fisicamente a equipa começar a quebrar. O Benfica não foi capaz de cavar essa vantagem decisiva, nem o seu treinador abdicou totalmente da forma vertiginosa de jogar da sua equipa.

Na Champions apanhou pela frente um Chelsea que é 5º ou 6º da Liga Inglesa, que é muito menos espectacular, mas que sem ter que forçar muito ganhou a 1ª mão com alguns suplentes. No segundo jogo, veio o balão de oxigênio tão desejado. Jorge Jesus não acreditava assim tanto que o Benfica pudesse passar. Prova disso foi o não ter forçado a utilização de Luisão e Garay como forçaria depois com o Sporting…. Aí até acho que foi quando Jesus foi racional, ao contrário de outros momentos chave da época, mormente na meia final da taça da liga em que Jesus insistiu em jogar com o seu melhor onze contra um F. C. Porto de reservas, tudo porque se sentia obcecado com o Porto e achava que seria ganhando na taça da liga que provaria quem era a melhor equipa… Pagou mais tarde a factura. A equipa que já vinha em queda, com uma sucessão de jogos difíceis em curto espaço de tempo, pior ficou…

Aí veio o discurso inflamado do Benfica das várias frentes….Jorge Jesus repetiu até à exaustão que ao contrário do Porto, o Benfica tinha muito com que se preocupar e que estava em várias frentes…Como se fosse ganhar a Liga dos Campeões…Jesus ao repetir vezes sem conta essa realidade, não constatou que ao invés de se estar a vangloriar estava era a desvalorizar-se e a constatar uma lacuna sua. A incapacidade de treinar um clube grande que queira disputar várias competições.

Entende-se a euforia… para o Benfica disputar tantos jogos e chegar longe na champions é realmente algo pouco comum nos últimos anos…Mas apenas é uma prova de incapacidade e de como o Benfica por mais que se esforce em vender essa ideia, ainda não está no nível do F. C. Porto.

Para o Porto disputar várias competições e ter vários jogos é normal. Tal nunca serviu nem podia servir de desculpa para dar alguma espécie de vantagem aos nossos rivais na luta pelo título, esse sim o grande objectivo da época. Prova disso foi a época com AVB em que o Porto ganhou Liga, Taça e Liga Europa sem nunca abrandar ou tirar o pé…deixando o Benfica treinado por Jesus a 21 pontos… Parece que não aprenderam com esse exemplo.

Jesus no meio de tanta competição, acabou por perder-se nesse labirinto que parece que terminará invariavelmente na competição fetiche do Benfica… a taça da liga.

A acontecer tal cenário, o que é que isso significa? Para os portistas não ganhar esta Liga não seria o fim do Mundo. Afinal, todos sabemos que o Porto é capaz de fazer muito melhor. Os portistas são por natureza adeptos exigentes, habituados à excelência. Não se deixam levar por promessas e ilusões. Vivem e alimenta-se de vitórias a sério. Não de vitórias morais como aquela que o Benfica retirou de Londres, chegando ao cúmulo do ridículo de contestarem Michel Platini, o mesmo personagem que anos antes era o herói de todos os benfiquistas e o justiceiro que iria mostrar ao F. C. Porto como é que são as coisas na Uefa… Entretanto o Porto ganhou uma Liga Europa, o Benfica é eliminado e atira-se a Platini e transporta para as competições europeias aquele delírio de que existe uma cabala dos árbitros contra o Benfica…Isso até passaria… Uma vez que a imprensa em Portugal alimenta a máquina, quer vender, e então fazem de conta que contra o Braga nada de estranho se passou e a arbitragem foi boa (mesmo que tenha ficado um penalti por marcar a favor do Braga), e fazem odes ao fantástico Benfica que caiu de pé em Londres e que não fosse, uma vez mais as arbitragens, teria cilindrado o Chelsea…

Obviamente que também preferem maquiar o facto do Chelsea ter perdoado uma goleada ao Benfica nesse jogo… Assim como, a mesma imprensa que dá eco às queixas benfiquistas, esquece-se de destacar que os lances de que o Benfica tanto se queixava até foram, afinal, bem ajuizados…

Tudo isto passaria… Como? Se o Benfica ganhasse em Alvalade e o Porto tropeçasse em Braga como muitos esperariam… Para grande azar deles, o Porto ganha em Braga sem mácula e com um Hulk decisivo, e o Benfica leva um banho de bola em Alvalade de um Sporting que até tinha tido menos um dia de descanso…

Assiste-se ao desmoronar de toda uma estratégia… O desespero toma conta das hostes benfiquistas. Jorge Jesus na flash interview quando perguntado pela exibição do Benfica, só sabe falar de um penalti ao minuto 1 tentando passar por cima do que o Benfica (não) fez nos 89 minutos seguintes.

Na conferência de imprensa ninguém sabia muito bem o que perguntar ou como perguntar… Foi preciso um jornalista brasileiro para dizer aquilo que toda a gente viu e que ninguém tinha tido até hoje a coragem de perguntar a Jorge Jesus… Que estava a falar tanto do árbitro, mas que na teoria dos “ses” que se o Braga tivesse tido o penalti na Luz também ficaria aos 70 e tal minutos a ganhar 1-0 e o jogo seria diferente… Com uma simples pergunta desmonta-se toda uma construção estratégica de comunicação do Benfica para o pós-jogo. Artur foi o único jogador a falar e também levava o recado bem estudado, talvez passado por João Gabriel. Artur, o mesmo que evitou a goleada do Sporting, falou de um campeonato manchado por erros de arbitragem… O sinal de que o Benfica já deita a toalha ao chão. Esse tipo de discurso só se tem quando já não se acredita.

Lendo a imprensa afecta ao Benfica no rescaldo de jogo, nota-se um misto de reacções. Por um lado tenta-se não descurar a versão oficial do Benfica de que se não fosse a arbitragem o jogo seria outro…mas também se começam a ver algumas fendas nesse muro que tentava afastar os benfiquistas da versão real do seu clube. A supremacia do Sporting foi tão óbvia e constrangedora para alguns, que foi difícil escapar a essa realidade e até a alguma crítica à equipa do Benfica.

O que diferencia bem o Porto do Benfica são estes pormenores que todos juntos se tornam por maiores. Antes do jogo do Porto em Braga foi ver um festival de notícias para desestabilizar o grupo antes do jogo, desde saídas de jogadores até ao Vítor Pereira que afinal até podia ser campeão que saíria na mesma, até à já mais que gasta notícia de que Jardim será o próximo treinador do Porto

Engraçado como grande parte da comunicação social guardou essa série de lugares comuns todos para o momento antes do jogo com o Braga… A estratégia estava montada… Para isso era preciso era que o Porto deixasse de ter o adn ganhador que ainda tem. É disso que se esqueceram. Este tipo de campanhas só nos faz mais fortes todos os anos, e em vez de desestabilizarem só fortalecem. Depois era preciso outro factor… Uma equipa pode ser levada ao colo pela imprensa, mas é preciso que no campo façam qualquer coisa que ajude a vender ilusões… Sem isso, não há teoria da cabala que aguente…

No final do jogo do Porto, em vez de ver elogios ao Porto ou a constatação de que tinha ultrapassado um difícil obstáculo, o que vi foi a enorme tentativa de desvalorização. O Braga afinal já não era candidato assim tão forte como quando foi à Luz, o Hugo Viana é que tinha dado a vitória ao Porto porque tinha falhado um passe (os mesmos que não acharam que foi o Elderson que com um penalti ridículo deu a vitória ao Benfica, curiosamente…), e no final de tudo… o Benfica teria ainda uma palavra a dizer. E esse foi o problema… Confiaram as suas esperanças e teorias numa grande reacção do Benfica no jogo contra o então 5º classificado a 11 pontos do Braga.

Correu mal. Não foi por falta de tentativa de empurrar a equipa e de deitar abaixo o Porto. Estava a fazer zapping no domingo e o que vejo no “Tempo Extra” de Rui Santos? Uma análise à vitória do Porto? Claro que não. Um barómetro para ver qual seria o próximo treinador do Porto…Era essa a notícia e mensagem que convinha passar, para ver se assim se passava por cima dessa pressão que teria o Benfica de entrar em campo a 4 pontos do Porto. O tal Porto mais fraco dos últimos anos e que não faria sombra a um Benfica demolidor, espectacular, comparável até ao Benfica dos anos 60.

Por aqui também se vê a diferença entre Porto e Benfica. O Porto vai à frente e o seu treinador, dizem, já cá não estará na próxima época. Jorge Jesus após ter acabado a época passada a 21 pontos do 1º e só com a Taça da Liga, arrisca-se a ficar outra vez só com a Taça da Liga e perder um campeonato que já sentia estar no bolso. Um campeonato conquistado pelo pior F. C. Porto dos últimos anos. Repetido vezes sem conta por analistas e pela comunicação social em geral e, aceite sem grande contestação entre os adeptos do Porto.

Por isso mesmo, esta liga ,para os portistas, é mais uma, até pouco esperada. Uma Liga conquistada num ano que parecia ser de transição e que mesmo assim pode resultar em mais um título. Para o Benfica é muito mais que uma Liga. É a estocada final neste Benfica versão Jorge Jesus. O Benfica das várias frentes, do futebol de outro mundo.Encerra de vez aquela ideia que o presidente do Benfica atentou vender após a liga dos túneis…

A de que finalmente se assistira a uma vitória estrutural do Benfica e a não apenas mais uma vitória episódica como já havia sido a Liga conquistada com Trapattoni. Depois de na época passada o Porto humilhar o Benfica, fosse com os 5-0, ou fosse conquistando a Liga na Luz sem luz… acho que este ano, este título será ainda mais doloroso. Considero até que é uma humilhação ainda maior do que ver o Porto de AVB sagrar-se campeão no Estádio da Luz, mais massacrante que os 5-0, porque isso é um jogo e esquece-se… O Porto a conquistar este título, isso nunca saíra da cabeça dos benfiquistas… E os sonhos e ilusões vendidos esta época se encarregarão de tornar o pesadelo benfiquista ainda maior. Afinal para a história, nas suas cabeças ficará o facto que o Benfica de um futebol espectacular, de um treinador magnífico, de um plantel com várias soluções com um banco com: Saviola, Nelson Oliveira, Nolito, Eduardo, etc, perdeu o campeonato para um F. C. Porto sem treinador, que teve uma péssima época europeia, que foi eliminado da taça após 3-0 com a Académica, que até acabou a época só com 4 médios e que jogou uma época inteira sem um ponta de lança decente.

Esse Porto que parecia ser o mais fraco de décadas, ainda assim, conseguiu ser melhor que o melhor Benfica dos últimos 30 anos como muitos afirmavam…O Benfica comparável ao dos anos 60 é derrotado pelo F. C. Porto mais fraco dos últimos anos. Para os portistas saíra ainda mais reforçada a ideia que qualquer treinador no Porto se arrisca a ser campeão e que temos de facto um presidente e uma estrutura que não abanam nos momentos difíceis. O mesmo presidente que teve a coragem de manter um treinador contra tudo e todos e que teve a teimosia de achar que até com Vítor Pereira poderia ser campeão e que o melhor para a equipa e para o clube seria reforçar autoridade de quem dirige o plantel e não dar força ao plantel, caso contrário isto tornar-se-ia o Chelsea. Uma ditadura dos jogadores.

Vitor Pereira está longe de ser querido pelos jogadores ou até respeitado pelo que se vê em reacções de alguns pesos pesados do plantel… Mas o que se tem visto é que foi importante para o F. C. Porto detectar essas lacunas e tentar corrigi-las dentro de portas, fosse com um discurso forte para dentro do balneário reforçando a autoridade do treinador, fosse fazendo ajustes na equipa a meio da época, e até em pequenas mas importantes alterações na hierarquia da equipa técnica que auxilia Vítor Pereira.

É aqui que se vê a enorme diferença entre F. C. Porto e Benfica e é aqui que se vê que a estrutura do Benfica, embora estando melhor, ainda tem muito que crescer para se comparar à do F. C. Porto…Mais a mais quando vemos que a estrutura se entregou nas mãos de um treinador megalómano que sempre achou que a instituição era demasiado pequena comparada à sua capacidade, ainda que este apenas tenha dado uma liga até ao momento ao Benfica.

Por isso mesmo, para os benfiquistas perder esta Liga valerá por muitas. Para o Porto será apenas uma prova mais de que a estrutura é tal que qualquer um pode ser campeão no Porto. Para os benfiquistas, depois de tantos sonhos e ilusões vendidas, acabar a época outra vez com uma taça da liga e perdendo para o Porto do treinador que tanto gozaram que até gostavam que continuasse no Porto por muitos anos…Será a suprema humilhação. Quando se pensava que após a época passada seria impossível fazer com que os benfiquistas se sentissem ainda mais humilhados…eis que aparece esta possibilidade de ver Vítor Pereira campeão frente ao melhor Benfica de Jorge Jesus.

O engraçado é que ninguém perguntou a Jorge Jesus se colocava o lugar à disposição ou se sentia o seu futuro em risco… No Porto já dão por adquirido que este Porto, mesmo campeão, mudará de treinador. O Porto que era tão fraco que o normal seria esperar que fosse goleado pelo Benfica na mesma proporção, pelo menos, que o Porto goleou o Benfica na época passada… Mas não, o que se vê é que numa liga a 3 (Porto, Benfica e Braga) o Porto fez 10 pontos para apenas 5 do Benfica…Nem nos confrontos directos o Benfica se pode refugiar. Este Porto emperrou foi mesmo com as equipas pequenas. Nos grandes momentos, nos jogos com os candidatos, o Porto respondeu presente.

Não deixa de ser curioso que Jorge Jesus seja visto como o melhor treinador da história recente do Benfica (cheguei a ver um programa desportivo a lançar uma votação para saber se ele seria o melhor treinador da história do Benfica. Também vi António Pedro Vasconcelos a afirmar que Jorge Jesus era até melhor que Mourinho…) possa vir a ter em 3 anos apenas duas taças da liga conquistadas.

Aqui se vê a diferença de exigências…Jorge Jesus não é questionado pelos jornalistas e até pode continuar mais uma época no Benfica e terminar o contrato mesmo ficando duas épocas a ganhar apenas taças da Liga…E é considerado do melhor que já passou pelo Benfica…Não deixa de ser irónico que para a história das conquistas, Jesus na sua melhor época tenha ganho tantas competições como Vítor Pereira poderá conquistar esta época se for campeão…Com uma diferença. O Benfica campeão de Jorge Jesus teve a “felicidade” de disputar uma liga com muitos túneis e pôde ser campeão contra um Porto sem Hulk durante vários jogos indevidamente e um Braga sem Vandinho.

Este Porto será campeão contra um Benfica na sua máxima força e glória… Elogiado por todos. Jesus em 3 épocas de Benfica pode vir a ter um palmarés com apenas: uma liga e duas taças da Liga.Para fazermos uma comparação, vejamos o último treinador que completou 3 épocas de dragão ao peito… Jesualdo Ferreira. Jesualdo nas suas primeiras 3 temporadas de Porto ganhou: 3 ligas, uma supertaça e uma taça de Portugal. Jesualdo Ferreira que ainda assim nunca foi querido pela grande maioria dos adeptos e que acabava todas as épocas com o seu futuro questionado…Nunca entrou para uma galeria dos melhores treinadores da história do F. C. Porto…Jorge Jesus que ainda parece ter crédito para ir para a sua 4ª época de Benfica e que até já foi apelidado de “mestre da táctica” e considerado do melhor que aconteceu ao Benfica…ao fim de 3 épocas tão gloriosas poderá vir a ter, tão só: 1 liga e 2 taças da Liga. 5 títulos de Jesualdo para 3 de Jorge Jesus…Sendo que dos 5 de Jesualdo 3 foram campeonatos…Um era criticado pelos portistas, Jesus até justificava cânticos e tarjas de apoio por parte dos benfiquistas…

São estes factos que tornam as vitórias do Porto cada vez mais uma mera obrigação, e as derrotas do Benfica cada vez mais dolorosas…

quarta-feira, 28 de março de 2012

Solução Sporting 2012

A crise quando chega é para todos! Frase feita que se aplica ao futebol e, com particular ênfase aos dois circos da 2ª circular. Enquanto que num dos lados fingem que está tudo bem, do outro, começam a tomar consciência da triste realidade. E só têm duas saídas: ou arrepiam rapidamente caminho, ou “aquilo” vai mesmo ao charco!

Assim, um grupo de sócios do Sporting liderado pelo antigo jogador José Eduardo, apresentou um documento com o título desta crónica, numa cerimónia privada a que os membros dos actuais corpos sociais, não só não compareceram, como até se opuseram à sua publicitação, numa demonstração gritante de irresponsabilidade.

Com a devida vénia, passo a reproduzir e comentar alguns dos seus items:

“Plantel da equipa principal – Apoiado na Equipa B, constituição de um plantel curto no máximo 20 jogadores. (Ex: Barcelona). Uma das vantagens, a redução de custos decorrente do emagrecimento do plantel. (Para além, de que um grupo mais pequeno é muito mais unido e mais fácil de lidar). Em caso de necessidade (lesões, castigos) recorre-se aos jogadores da equipa B. Os 20 jogadores devem ser escolhidos, com um critério “cirúrgico”, constituindo-se um plantel ambicioso, com perfil adequado e com dois ou três elementos de classe superior, dotados de experiência internacional.”

COMENTÁRIO – “Plantel curto” – É uma bicada para a “instituição”que, por estas e por outras, tem o dobro do Passivo do Sporting. São os tais 71 jogadores sob contrato! O senhor Vieira até já admite que tem que vender 50 milhões “deles” no final da época. “Critérios cirúrgicos” – Esta é mais difícil. Os bons jogadores são caros e os baratos não prestam. “Classe superior” – É como um triplo salto no trapézio. A mais pequena distracção pode ser a morte do artista. Se o atleta não encaixa na equipa, depois é muito complicado empandeirá-lo para outro lado. Veja-se, por exemplo, o tratador dos cãezinhos amestrados que não sabe o que fazer aos Paixões, Olegários, e Proenças…

“Perfil do treinador – Enquadrável nos moldes da nossa Academia. Elemento estimulador da nossa formação, dando oportunidades aos jovens talentos. Constituição de uma equipa técnica onde haja (pelo menos) um técnico que já tenha representado o clube e que se identifique com a nossa mística.”

COMENTÁRIO – Ó amigo! Você não venha para aqui desenterrar fantasmas. Então queria de volta o Manuel Fernandes, o Pedro Barbosa, e o Carlos Xavier? Já basta “este” que lá está agora…

“Respeito pelo modelo/conceito de jogo – Temos que (re)implementar algo que se tem vindo a perder: “o jogar à Sporting”! E o que é isto jogar à Sporting? É a mística, a filosofia do clube, é o moldar do carácter.É algo difícil de escrever, passa por uma mensagem/forma de estar e actuar na vida, no dia-a-dia, nos treinos, nos jogos, na alimentação, no descanso, no saber conduzir-se e apresentar-se como o “homem/atleta do Sporting”.

COMENTÁRIO – Tem razão, precisam mudar de ares. É que tirando aquela frase do nosso querido António Oliveira: “por cada leão que cai há outro que se levanta”, o único “modelo/conceito” que eu vejo seguirem, é o calimerismo.

“Esquema táctico – O futebol do clube tem de perfilhar, essencialmente, um esquema táctico. 4x3x3 - 4x4x2 - 3x5x2, ou outro? Seja qual for o esquema eleito, não pode voltar a acontecer o que, há bem pouco tempo, foi um facto: a equipa principal a jogar em 4x4x2 e as equipas e os jogadores da nossa Academia a serem formadas no 4x3x3! É como se andássemos anos a aprender uma língua e de repente nos dissessem que, afinal, temos de utilizar outra!”

COMENTÁRIO – Isso não é bem assim. Olhe! Vou contar-lhe um episódio que já tem, deixe cá ver… aí uns 30 anos. José Maria Pedroto gostava de jogar às cartas e frequentava com um grupo de amigos o café ORFEU na Boavista. Um dia, eu que “parava” por lá, embora não fizesse parte do grupo, enchi-me de coragem, entrei numa acesa conversa, precisamente sobre os esquemas a apresentar em campo, e disparei a pergunta: Mister! Em que sistema gosta mais de jogar, 4-4-2, ou 4-3-3? Resposta do Pedrotinho: “Tudo ao monte!” Queria ele dizer que a táctica não pode ser rígida, o importante é a forma como é interpretada pelos jogadores. E também, digo eu, se tivermos jogadores que entendam o que o técnico pretende. Agora essa de aprenderem os esquemas “desde pequeninos”, desculpe mas é uma chinesice. E depois, se algum fosse transferido para a “instituição”, como havia de ser? Lá só jogam à charutada!

“UNIVERSO SPORTING – Os representantes do Futebol terão reuniões Trimestrais com 2 representantes dos vários grupos que estão na órbita do SCP (Stromps, Cinquentenários, Juventude Leonina, Directivo XXI, Torcida Verde, Conselheiros Leoninos, Núcleos, Associação de Adeptos, e Grupo de Masters).”

COMENTÁRIO – Meu caro: Para confusão, já basta os que debitam asneirolas nos pasquins de referência, nos programas desportivos, nas conferências de imprensa e, muito mais grave, no seio da Direcção do Clube e/ou da SAD.

Curiosamente, logo a seguir à apresentação deste documento, foi tornada pública a 22 de Março, uma comunicação à CMVM onde a SAD declara que “por incorporação, nos termos dos artigos 97º nº 4 alínea a) do CSC, da Sporting Património e Marketing, SA (Sociedade Incorporada) na Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD (Sociedade Incorporante), informa-se o mercado que, nos termos do nº1 do artigo 100º do CSC, foi hoje registado junto da Conservatória do Registo Comercial de Lisboa o projecto de fusão”. Este facto tinha sido anunciado há dias como “projecto”, e gora aparece como consumado apenas guardando, digo eu, ratificação das Assembleias-gerais do clube e da SAD.

Vejamos o que “isto” quer dizer, recorrendo ao Artigo 112º alínea a) do CSC:

“Nos casos de fusão por incorporação, a que se refere a alínea a) do nº 4 do artigo 97º do CSC, com a inscrição da fusão no registo comercial extinguem-se as sociedades incorporadas (...) transmitindo-se os seus direitos e obrigações para a sociedade incorporante (…), ou seja, tudo aquilo que for da Sporting Património, passa para a SAD.

Comentário - “Tudo aquilo” quer dizer direitos e obrigações! Como não conheço as cangalhadas que fazem parte do património (o valioso património imobilizado já lá vai)), nem “as obrigações”, (penso que se devem referir maioritariamente ao pagamento do Estádio), naturalmente tenho a minha opinião, mas deixo para os sócios, a tarefa de avalizarem a operação. Provavelmente foram mal aconselhados pelo dono do Circo do outro lado da Circular que incorporou o Estádio na SAD para fingir que estava bem de Activos. É que, o Estádio, que ainda por cima, tem um valor contabilístico mas não é um bem “vendável”, traz um Passivo enorme “dependurado”.


Voltando ao documento do José Eduardo, no final, analisa as contas relativas ao 1º semestre desta época (1 de Julho a 3l de Dezembro de 2011) que, como referido no relatório duma Sociedade Revisora de Contas, apresenta uma situação de falência técnica. Também com uma cambada de dirigentes que não percebem pêveda de futebol como Santana Lopes, José Roquette, Dias da Cunha, Soares Franco, José Eduardo Bettencourt e Godinho Lopes, não era de esperar outra coisa

Até para a semana