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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Há mais Marés do que Marinheiros

A culpa foi minha! Quem me mandou pegar no jornal de cima da arca da OLÁ?

Como era 3ª feira, o jornal jazia como os cadáveres dos afogados. De papo para o ar. Lá vinha na “direita/baixa” (em linguagem teatral é o lado direito de quem observa da plateia, junto ao proscénio) o logótipo da croniqueta/epitáfio do costume. Um epitáfio, tanto pode ser uma simples “inscrição num túmulo”, como um “breve elogio fúnebre”.

De repente lembrei-me dum autor da minha infância Mickey Spillane que escrevia, livros, entre outros, policiais. Então, num deles, começava assim a narrativa, logo na primeira linha do Capítulo I: “O cadáver estava confortavelmente morto”. A seguir descrevia o “local do crime”, e por aí fora.

Miguel Sousa Tavares, mais à frente também designado como MST não escreve scripts para filmes de série B. Escreve calhamaços para oferecer no Natal. O exemplar que me tocou tem muita utilidade. Está a calçar uma estante que partiu uma perna. MST, nas horas vagas, também escrevinha umas croniquetas para um pasquim. A última chama-se Marés de Julho, e começa com o tal epitáfio “choraminguento”: “O fim do basquetebol profissional no FC Porto foi uma notícia muito triste”. Já todos o lamentámos. Coloquei há dias uma crónica aqui no Mística (Algo Vai Mal no Reino da Dinamarca) onde superficialmente, abordo o tema. Hoje não vou falar desse assunto, há várias soluções em estudo, e certamente quem de direito, escolherá a melhor.

MST mostra logo ao que veio. Primeiro as cortesias: “o FC Porto abandona o basquete depois de provocado pelo treinador do Benfica”. A seguir começa a faena com uma pega de cernelha. O touro foi o futebol profissional. “O futebol tudo devora nos clubes”. “O preço do desconhecido Jackson Martinez, seguramente que dava para a continuação do basquete pelo menos mais um ano”. Foi de cernelha porque não teve coragem de pegar de caras. Sabe lá ele o que vale ou deixa de valer este novo atleta! Quem conhecia Madjer, Jardel, Falcão ou Hulk, só para citar alguns, antes de estarem integrados?

Como nos romances policiais, habilmente dá sugestões para descobrirmos o culpado. Não, não é o mordomo! É o Senhor Pinto da Costa. Confesso que nunca compreendi a fixação que MST tem pelo nosso presidente. Eu sou do tempo, como ele, em que não ganhávamos peva. Como dizia o Pedrotinho, só de atravessar a ponte já estávamos a perder. E então, com um historial de títulos que me escuso de referir, por que raio o homem há-de ser sempre o “culpado” de tudo o que de menos bom acontece?

Logo a seguir lá vem as farpas, o chavão dos 8 milhões. Para MST os jogadores tem que ser bons, bonitos, baratos e, ainda por cima darem milhões. Seria engraçado recordar agora os “preferidos”, melhor dizendo, “usados” por MST quando quer embirrar com as contratações do nosso presidente. Os candeias, paulos costas, ou vieirinhas, jogadores com manifesta falta de qualidade, que gostaria de ver por cá.

E termina com o habitual leitmotiv das suas crónicas: desestabilizar. Os alvos são os mesmos do ano passado: Fernando, Défour, Kléber, Janko, e pois claro, Vítor Pereira. Atsu, “com um treinador minimamente competente, vai ser um fora de série”. Leram bem? “Minimamente competente”. É engraçado que mudou um pouco de estratégia. Nos últimos anos, tantos que já nem me lembro, devem ser aí uns 28, costuma criticar o presidente, os jogadores e os treinadores, de Agosto a Maio. Depois, quando ganhámos os campeonatos, desfaz-se em elogios entre Maio e Junho. Esta época, as viagens ao Brasil devem ter-lhe trocado o calendário, começa a dizer mal, logo em Julho.

O que vale, é que tal como o Senhor Pinto da Costa, os Portistas que percebem alguma coisa disto, já não lhe ligam, é uma espécie de sanita falante. Como escreve num pasquim para analfabrutos e faz comentários numa operadora televisiva hostil ao Futebol Clube do Porto, o melhor será dar-lhe a equivalência. Sapateiro-Mestre.

Até para a semana

sexta-feira, 20 de abril de 2012

As Virgens Ofendidas e os Cabeças de Melão


Retirado do Site: + FC Porto

Dedico esta Carta de José Mourinho ás Virgens Ofendidas que se afirmam Portistas de Corpo e Alma. De certeza que por esta altura já devem estar a "rezar o terço" muito baixinho numa qualquer caverna escura.

E aos Cabeças de Melão dos Culés dedico-lhes esta bela Caricatura que retirei do site SAPO Desporto. Sábado voltamos a conversar.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Crónica de um fim de Liga anunciado mas precipitado...

O Porto baqueou em Barcelos. Uma exibição demasiado má para ser verdade, uma equipa apática, sem liderança, perdida em campo que foi derrotada por um Gil organizado, bem liderado e que jogou de dentes cerrados do principio ao fim. Tudo seria normal se não houvesse algo pelo meio… Bruno Paixão. Uma vez mais. Um árbitro que tem um histórico de ter dificuldades em assinalar penaltis a favor do F. C. Porto (quem se esqueceu do mítico Campomaiorense - Porto em que ele foi incapaz de ver um penalti sequer entre os 8 cometidos sobre Jardel)…

O Porto perdeu por causa da arbitragem? Claro que não. Nem é uma desculpa para a paupérrima exibição. O que não pode, é a paupérrima exibição servir de desculpa para que não se fale da arbitragem absolutamente escandalosa que impediu o Porto, ainda que jogando mal, de poder discutir o jogo… O pior é se ligarmos isto ao que tem sido a campanha do Benfica… Reforçado por uma comunicação social que torna uma arbitragem escandalosa como a do jogo do Feirense como nota de rodapé… Eis que numa jornada o Benfica vê-se numa situação de poder perder 3 pontos a uma situação de ganhar 3 ao Porto.

Mas o Porto perdeu o campeonato em Barcelos ou por causa do Bruno Paixão? Claro que não. Sinceramente, como portista senti que perdemos o campeonato em Alvalade. Confessei isso a uma série de amigos e familiares.

Vítor Pereira, uma vez mais, calculou mal e planeou pior. Foi para Alvalade claramente em busca do empate. Se havia jogo em que empatar ou perder era indiferente era o de Alvalade. Qualquer resultado que não fosse a vitória significaria que o Benfica se isolaria pela 1ª vez no 1º lugar e depois para quem já acompanha o futebol há algum tempo, já se sabia o que se seguiria…

A euforia benfiquista, o “inferno da Luz”, a imprensa a puxar pelo Benfica, os árbitros a sentirem-se impelidos a beneficiar o Benfica em caso de dúvida ou sempre que o Benfica estivesse entalado… E toda esta conjuntura faria com que o Benfica fosse muito difícil de ultrapassar… Porque nos jogos com arbitragens para lá de desastrosas a beneficiar o Benfica, nunca veríamos pressão por parte da imprensa no sentido de denunciar o tratamento de favor do Benfica… Falar-se-ia do campeão do sofrimento, da estrelinha de campeão… Os comentadores, paineleiros e afins diriam que o Benfica pratica o melhor futebol do mundo e arredores mesmo com jogos péssimos como com o Gil ou o Feirense, e diriam que o Porto não estava tão bem independentemente do nº de jogos sem perder que o Porto apresentasse…

Foi aí. Em Alvalade. A falta de visão e de ambição de Vítor Pereira que hipotecaram as hipóteses do Porto de revalidar o título… Sim, porque mesmo com o erro de casting que foi a escolha de Vítor Pereira, pela qualidade do plantel e pela forma como Pinto da Costa segurou e deu força ao treinador, ainda seria possível acreditar no título. Até porque o Benfica de Jorge Jesus consegue facilmente ser megalómano e cair na arrogância de achar que todos se curvam perante o Benfica e acabar surpreendido… Principalmente enquanto sentisse a pressão de ter que estar a par com o Porto na classificação e tendo ainda a distracção da Liga dos Campeões.

Mas os responsáveis são apenas o treinador e os jogadores? Não. Não culpo o presidente pela escolha em Vítor Pereira. É um erro desculpável. Uma aposta falhada mas que era o que parecia ser a aposta mais natural após uma saída intempestiva de André Villas Boas. A intenção percebia-se. Manter a estrutura, mexer o mínimo e confiar no adjunto para que desse a continuidade ao trabalho de AVB… O problema é que a Sad ao ver sair AVB viu-se deparada com uma série de jogadores que sentiram que sem AVB tudo o que lhes havia sido prometido perderia sentido e que se o treinador tinha o direito de sair eles também quereriam dar o salto…

Até ao fecho do mercado foi complicado gerir o estado anímico de jogadores como: Rolando, Alvaro Pereira, Fucile, Moutinho Fernando e outros. Depois tudo se agravou com a saída de Falcao. Enquanto a Sad claramente se precaveu para a saída de Alvaro Pereira e de Moutinho ou Fucile com a contratação de jogadores como Alex Sandro, Danilo ou Defour, o facto é que nenhum deles saiu… E quem acaba por sair é Falcao deixando um vazio no ataque e precipitando o lançamento de Kleber que vinha para ser suplente.

Começou aí o 1º grande erro. Atacar a época com Kleber como ponta de lança e não perceber a dimensão da tarefa que seria substituir Falcao. Podem ter destruído o crescimento de um jovem ponta de lança com grande potencial e, ao mesmo tempo, não ganharam um ponta de lança capaz de ser o que a equipa precisava.

Depois os problemas foram-se agravando à medida que todos fomos percebendo que aquilo que deveria ser um trabalho de continuidade começava a transformar-se noutra coisa… com contornos pouco definidos. Do futebol de posse de AVB só ouvíamos as palavras de VP… No campo, nem posse nem o futebol de transições de Jesualdo Ferreira.Um misto de ideias mal amontoadas e de jogadores que claramente não estavam em sintonia com o técnico.

Nesse momento, Pinto da Costa pôde agir… Podia ter deixado cair Vítor Pereira, admitir o erro na escolha e tentar emendar a tempo… O problema era o timing. Já se tinha deixado escapar Domingos para o Sporting… Não havia uma solução óbvia no mercado… Sempre se poderia recorrer a P. Emanuel, muito querido junto dos jogadores. Com uma boa equipa técnica para o auxiliar no treino poderia ser uma solução interessante. O problema é que o Porto mesmo jogando menos bem e estando com a Champions em risco, era líder. Demitir um líder que ainda tinha uma palavra a dizer na Champions poderia ser uma herança muito ingrata para quem quer que viesse a seguir. Terá sido essa a lógica de Pinto da Costa. E então preferiu dar um murro na mesa e fazer ver ao balneário que teriam que respeitar Vítor Pereira e fez ver aos adeptos que não valia pena queixarem-se que era com VP que iríamos até ao final da época.

Correu bem. Vítor Pereira ganhou na Ucrânia, lançou a equipa numa boa série e parecia que a crise ia longe… Apenas uma ilusão de óptica… O Porto continuava e continua a não ter um fio de jogo consistente. Vítor Pereira tem nas mãos um plantel excelente, com a falta do ponta de lança, mas o facto é que Vítor Pereira criou novos problemas. Ora cristalizando-se num determinado onze só porque lhe ganharam um jogo importante, fazendo assim com que jogadores como Djalma, Maicon e Defour fossem titulares em detrimento de jogadores de maior qualidade como: James, Fucile e Belluschi.

O Porto vivia refém de jogadas individuais não apenas de Hulk mas acima de tudo de Hulk. Mas Vítor Pereira teve que arranjar um novo problema à equipa… Retirou Hulk da equação tirando-o de uma faixa e passando-o para o meio… Dessa forma, perdeu Alvaro Pereira que passou a subir no corredor para cruzar a bola… para ninguém. Através de uma decisão, VP conseguiu criar duas fraquezas no onze do Porto para além da já mais que vista no centro do ataque. VP conseguiu acrescentar problemas onde eles nem existiam.

Outro exemplo flagrante é a questão da falta de profundidade do lado direito. A adaptação de Maicon a lateral direito. Apesar de esforçado, Maicon não é Sapunaru nem Fucile. Não tem rotinas de lateral e isso é mais confrangedor no que toca ao plano ofensivo… Mas VP achou que deveria ser grato ao esforço de Maicon nem que para isso tivesse que prescindir de atacar pelo lado direito… Sim, porque Djalma vê-se mais em tarefas defensivas do que propriamente a desequilibrar na frente. Outra obsessão de Vítor Pereira.

Vítor Pereira não tem a eloquência nem a capacidade motivacional de AVB. Rodeou-se de uma equipa técnica que não tem estofo nem capacidade para treinar uma equipa como o Porto. Uma coisa é uma equipa técnica para o Varzim, outra é uma equipa técnica para um clube como o FC Porto.

Finalmente chegamos ao jogo deste Domingo. Com alguns jogadores que entraram tarde o campeonato por estarem com a cabeça noutros campeonatos, com um treinador que em vez de optar por manter o trabalho do seu antecessor que tinha dado tão bons frutos, preferiu à força demonstrar a sua marca e com isso piorou e encravou anos de processos tão bem trabalhados 1º com Jesualdo e depois continuados e melhorados por André Villas Boas. O ego de Vítor Pereira parece ter falado mais alto. Não queria ser visto como o treinador da continuidade, queria mostrar que a equipa era construída à sua imagem. Pois ele deveria ser o 1º a admitir que falhou redondamente e que não tem ainda, nem sei se algum dia terá capacidade para guiar este Ferrari.

Não suficiente tudo isto ainda há outra questão polémica que parece ter sido esquecida... Helton aparece em campo sem a braçadeira de capitão e com cara de poucos amigos... Vimos um Helton menos comunicativo do que o costume. O que se terá passado para que se retirasse a braçadeira a Helton e nada fosse comunicado? Problemas no balneário...? Ou seja, o Porto entrou em campo sem o melhor dos ambientes para uma equipa que não podia perder terreno para o Benfica.

O resultado deste acumular de situações ficou expresso no relvado, juntamente a uma exibição deplorável de Bruno Paixão.

A Sad tem contudo querepensar tudo o que foi feito este ano. Não vou pela crítica fácil da escolha de Vítor Pereira. Na altura era o que parecia mais acertado, parece-me uma crítica injusta. Mas será que deram todas as condições a Vítor Pereira? Porque é que a saída de Falcao ainda não foi colmatada…?

Curiosamente antes deste jogo que já se presumia que seria difícil, começam-se a ouvir e a ler ecos do mercado em que a Sad parece disposta a fazer regressar Lucho, em que vai deixar sair Guarín 1º e depois Belluschi. Em que oferece 8 milhões pelo passe de Ganso… A mesma Sad que depois nos faz crer que não há dinheiro para um ponta de lança…? Em forma de desespero já se fala de um empréstimo de Liedson? Tudo isto nesta altura é mesmo necessário? Não mexe com a cabeça dos jogadores e com o bem estar do grupo?

Tudo isto nas vésperas de um jogo importante? Guarín tem quase tudo acertado com a Juventus, o negócio caiu por uma diferença de 2 milhões e depois acaba-se por falar é de um empréstimo de Belluschi? Belluschi que no meio deste turbilhão ainda é convocado para Barcelos e por acaso até é o melhor jogador do Porto em campo? O Belluschi que oferece uma criatividade ao meio campo que mais nenhum outro médio no plantel oferece? É este jogador que querem emprestar? Emprestar!? É que nem falamos de uma venda, da hipótese de receita…

Pior ainda é quando se apercebe que a sua saída não será colmatada com nenhuma entrada… Se fosse para a entrada de Lucho ou Ganso, seria, ainda assim, estranho mas mais fácil de aceitar… Sem essas entradas, torna-se simplesmente inacreditável e a carecer uma explicação da Sad. O que andam a fazer? Qual é a ideia? Não podem por favor iluminar os sócios do clube e adeptos, qual é este caminho que estão a seguir? Se calhar estão a ver algo com muita claridade que mais nenhum de nós consegue atingir… Por isso mesmo, é melhor que nos expliquem.

É certo e sabido que descontando Mourinho, os técnicos no Porto não costumam ser tidos nem achados no que diz respeito à acções no mercado… Mas não deixa de ser curioso que a Sad pondere emprestar um jogador que é o 1º que Vítor Pereira lança no jogo quando sente que as coisas estão a aquecer… Sobram então as questões… Defour é uma mais-valia? O que é que ele já fez? Já justificou ser superior a Guarín ou Belluschi? Como é que o Porto tem milhões para oferecer por Ganso mas não tem dinheiro para um ponta de lança?

A culpa é de todos. Jogadores, treinadores e Sad. Por todos os motivos que explanei. No entanto, tais factos não nos retiram o direito nem o dever de alertar para o facto de uma vez mais o Benfica estar a ser levado ao colo para a vitória nesta Liga… Tal como há duas épocas mas com métodos mais simples. Os nossos erros e as nossas falhas não nos devem calar, sob pena de isto se tornar um hábito dado e aceite pelo FC Porto e em épocas futuras quando nos quisermos fazer ouvir já seja mais difícil… Não devemos calar a nossa revolta por este tipo de arbitragens.

O Porto para mim perdeu a Liga em Alvalade. Começou a perder com os equívocos na forma como planeou a temporada, não os corrigiu a tempo neste mercado de Inverno nem os atenuou de forma clara… Mas sem dúvida que as aspirações a meu ver terminaram com a falta de ambição em Alvalade. Com um Sporting que como mais tarde se provou não assusta ninguém… Só mesmo o Porto de Vítor Pereira que achou que sair de Alvalade com um empate a 2 pontos do Benfica seria um grande resultado…

O que Paixão fez no jogo de Barcelos foi simplesmente apressar a entrega das faixas… O Porto poderia discutir até mais para a frente a Liga e perder na mesma… Mas não vá o diabo ou Jorge Jesus tecê-las com a sua soberba… achou-se por bem resolver o mais depressa possível. Como disse Vítor Pereira e bem a propósito deste jogo: Porto inexistente, Gil Vicente digno, arbitragem vergonhosa… faltou ele próprio reconhecer.. .e um treinador incompetente. Assim a frase estaria perfeita.

P.S.: Este texto havia sido escrito logo após o desaire em Barcelos.Entretanto soube das novidades da contratação de Janko. Um jogador de 28 anos. Se se entende o regresso de Lucho. Difícil fica de entender que o Porto perca Guarín e Belluschi para manter Souza e Defour, por exemplo...

Finalmente aparece um ponta de lança.Não conheço bem o jogador, mas pelo que descrevem dele trata-se de um "pinheiro".Estranho é como a política de contratações do Porto tem andado à deriva.Este não é um reforço para valorizar e também não se pode dizer que seja um jogador que tenha jogado em grandes equipas e que possa logo pegar de estaca na equipa.Juntando a isto as saídas de atletas como Belluschi (melhor em campo em Barcelos) e Guarín que é um elemento de indiscutível qualidade...Dá ideia que a Sad anda quase tão perdida como V. Pereira...

domingo, 11 de setembro de 2011

Pensamentos de um Mito (XXX) – Temporada 11/12 – Alguns factos e (muitas) dúvidas

Arrancou a nova temporada, e o F.C.Porto, no seguimento de um dos anos mais memoráveis da sua história - tanto pelo número de títulos conquistados como pelo futebol praticado - terá pela frente a mais difícil das tarefas: após tudo (e todos) conquistar, continuar a faze-lo a um nível superior, sabendo que perdeu 2 dos principais pilares (o Treinador e o seu Goleador) e que pela frente terá adversários mais difíceis tanto a nível interno – com Sporting e Benfica (sobretudo este) a rearmarem-se – como na Europa….Champions é Champions e não permite comparações com nenhuma outra competição.

Considero que o F.C.Porto lidou de forma exemplar com a questão da substituição de André Vilas Boas. Fez tudo o que podia para segura-lo, não deixando de antecipar a saída do mesmo, e o resultado foi que o tempo que Vilas Boas demorou a “pagar” a sua cláusula e fazer as malas para Londres foi o tempo que Pinto da Costa demorou a chamar Vítor Pereira à sala de imprensa e apresenta-lo. Não houve tempo para rumores, teorias ou conjunturas, e no caminho a continuidade ficou assegurada (uma continuidade e um trabalho que já vêm de Jesualdo Ferreira, como o próprio Vilas Boas reconheceu mais de uma vez). Depois, fez aquilo que faz a todos os seus Treinadores; usando a estrutura do clube para apoia-los na exacta medida que o necessitarem. Comparem o Vítor Pereira ansioso, até desconfortável, do dia da sua apresentação, com o Treinador seguro e confiante que se apresentou aos jornalistas após o jogo da Supertaça Europeia. Jogo esse, aliás, que constituiu a sua primeira prova de fogo (e que prova!), e da qual considero que passou com uma óptima nota; a equipa apresentou uma excelente atitude em campo, muito bem organizada e com a lição de como enfrentar o Barcelona muito bem estudada, sendo de destacar a forma como colocámos o ataque catalão em fora-de-jogo uma e outra vez (aqui já se vê o cunho pessoal de Vítor Pereira, fazendo o upgrade da pressão alta de Vilas Boas).

Contudo, o jogo da Supertaça Europeia também centrou o foco das atenções sobre uma outra questão: a da substituição de Radamel Falcão, e sobre o Jogador chamado a faze-lo: Kléber.

Acho que, tal como aconteceu há 2 anos aquando da partida de Lisandro, o mais importante é não procurar no recém-chegado os traços do seu antecessor. Falcão foi visto durante algum tempo com desconfiança (mais tempo do que muitos agora poderão admitir) apesar de ter chegado ao Porto com um Currículo de respeito ao serviço do River Plate e sendo já um jogador feito. No Porto tirou o Doutoramento. Já Kléber chega com a Licenciatura ainda por concluir, sendo que todos os clubes que representou até ao momento não o prepararam para a realidade competitiva da Elite Europeia. Concentrando-nos no jogador em si, parece-me pacífico dizer que salta à vista que mora ali um excelente avançado, rápido (muito mais do que se poderia supor dada a sua estatura) e bom tecnicamente, mas é claramente um projecto ainda por concluir, faltando-lhe agressividade na disputa dos lances e a capacidade para aplicar as suas qualidades na procura do bem essencial para qualquer avançado (e equipa) – o Golo. Quando se falou que o F.C.Porto procurava mais um avançado, só me surgia um nome na cabeça: Diego Forlán, pois preenchia os 2 requisitos que considerava essenciais: Um avançado de qualidade contrastada, capaz de entrar imediatamente na equipa para ser titular, mas também já experiente e conhecedor do Futebol Europeu ao mais alto nível….um jogador ao lado do qual Kléber pudesse crescer a todos os níveis, aliviando-o também do fardo de ter de ser, no imediato, o Goleador da equipa, a quem tudo é (naturalmente) exigido. Na próxima temporada, mais maduro, Kléber já poderia ser tudo o que dele esperamos.

   Mas as coisas não seguiram este rumo e o clube, não se querendo precipitar, decidiu ficar apenas com Kléber (havendo ainda Walter, que não acredito ser uma carta fora do baralho), depositando nele todas as suas esperanças (e as nossas). Poderá ele tornar-se o 9 que necessitamos? Já esta Temporada? Sim, pode. Mas para isso necessitará de tempo, e numa equipa da dimensão do F.C.Porto esse é um bem demasiado precioso, apenas disponibilizado quando (e se) se ganha ininterruptamente, e isto é tão verdade para os jogadores como para as equipas em formação (tanto o Porto de Mourinho como o de Vilas Boas “construíram-se” na temporada de estreia porque em ambos os casos as contínuas vitórias alicerçaram o crescimento da equipa, sendo que também em ambos os casos beneficiaram do menor nível de exigência da Taça Uefa/Liga Europa (comparativamente à Champions, entenda-se). Ora, poderá o Porto ganhar “ininterruptamente” tendo Kléber a 9 titular? Esta é a questão que apenas o futuro poderá responder. A verdade é que no Porto o tempo parece correr mais depressa do que noutros clubes (veja-se a “formação-relâmpago” de Vitór Pereira a nível emocional e comportamental como Treinador do Porto, desde que chegou), e ainda bem!

Gostaria de, enquanto adepto que gosta de bom futebol, aproveitar este espaço para dar as boas vindas a Axel Witsel. Independentemente de ter vindo reforçar um clube rival, é essencial que jogadores com a sua qualidade continuem a vir para o futebol Português. Depois de Lucho González, o nosso campeonato volta a receber um médio de nível internacional capaz de influir no jogo a um nível superior a qualquer um dos outros jogadores em campo. Apenas uma diferença: enquanto Lucho transpirava classe e serenidade os 90 minutos (serenando com isso a sua equipa) e possuía uma capacidade de último passe anormal, Witsel possui uma capacidade de resistência não menos anormal que lhe permite estar em todo o lado (que a equipa necessita…lá está) durante os 90m (e com isso mantém os seus colegas sempre ligados à corrente). Este jogador é também um exemplo que felizmente poderemos observar de perto de algo que já se vinha percebendo: após quase duas décadas na escuridão, o Futebol Belga renovou-se e rearmou-se. Num país que nos deu jogadores como Jean Marie Pfaff, Michel Preud’homme, Eric Gerets, Ceulemans ou Scifo, este regresso dos Diables Rouges é uma excelente notícia para o futebol Europeu.

Ricardo Carvalho foi e é um dos mais extraordinários Centrais/Liberos Portugueses de sempre. A sua qualidade tornou-o uma referência mundial e permitiu-lhe usufruir de um estatuto ao alcance de muitos poucos jogadores. Ora, um jogador com a sua qualidade, estatuto e experiência não pode pegar neles e utiliza-los como se fossem armas de arremesso ou (como aconteceu neste caso) como pretexto ou desculpa para certo tipo de atitudes. Ricardo Carvalho estava no seu pleno direito em considerar que estava em melhores condições que o seu colega para ser titular frente ao Chipre, mas tudo tem hora e local para acontecer. Se efectivamente discordava das opções do seu Seleccionador esperava pelo final da concentração para lho fazer saber. Deixar a equipa em vésperas de um compromisso e logo de seguida anunciar que abandona a Selecção foi demasiado mau para todos...mas sobretudo para o próprio, que pode até ainda não se ter apercebido, mas marcou o maior auto-golo da sua carreira. Prefiro pensar que todos temos dias (muito) maus…até Ricardo Carvalho.

Saudações Azuis e Brancas.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Porto Canal VS FC Porto Canal

Segui com alguma atenção e interesse a entrevista que Pinto da Costa deu no programa “Somos Porto” do Porto Canal. Entre a lengalenga do costume sobre o Hulk & Companhia e as ridículas achegas ao Benfica, ouvi da boca deste Sr. que o Porto Canal nunca será um Futebol Clube do Porto Canal, porque, segundo este, o Porto Canal deverá ser sempre um Canal que dê voz a uma Região e Cidade esquecidas e engolidas pelo chamado complexo Centralista. Acrescentou ainda Pinto da Costa que um Canal de Clubes não oferece nenhum conteúdo de interesse geral e de nada serve para aumentar o prestígio de um Clube.

Confesso que estou 100% de acordo com o Presidente Portista, pois já há muito que venho a afirmar que um canal televisivo dedicado somente a um Clube não serve para absolutamente nada senão para dar voz a um conjunto de parolos que se servem deste meio de comunicação para mostrarem ao Mundo a sua estupidez como já se assistiu por diversas vezes na tal Benfica TV por exemplo.

Mas noto com alguma tristeza e desapontamento que a Blogosfera Azul e Branca não está a dar praticamente nenhuma importância a este aspecto da conversa de PC com os Jornalistas e convidados do dito programa. Estou em crer que muita gente estava á espera que os Dirigentes Portistas dessem o mesmo tiro no pé que deram os Dirigentes Encarnados e criassem mesmo um FC Porto Canal. Creio que o pensamento mesquinho e redutor desta gente voltou a fazer das suas, pois parece que tais personagens só estão bem quando se rouba algo ao Benfica ou quando se o imita seja no que for. Trata-se de um Pensamento rasca e que já não faz o mínimo de sentido no actual Futebol Clube do Porto que é somente o Clube Português com mais Títulos Nacionais e Internacionais conquistados.

Tal como afirmou Pinto da Costa, o Porto Canal deve existir para dar voz a um Norte que foi perdendo a sua força em detrimento de um Centralismo doentio que estacionou na Capital Lisboeta. O Porto Canal deverá ser, juntamente com o resistente Jornal de Notícias, a forma que uma Região tem de se fazer ouvir numa altura em que Empresários ditos do Norte resolveram escoar os seus investimentos para a Capital tal como fez Belmiro de Azevedo, por exemplo.

Querer que a voz do Norte de Portugal se resuma somente a um Clube de nome Futebol Clube do Porto não é só ser-se redutor como também é ser-se mesquinho e colaborar neste amordaçar da Voz do Norte de Portugal. Querer um FC Porto Canal no lugar de um Porto Canal é o mesmo que alinhar numa Regionalização com o actual panorama político que é coabitado por exploradores e oportunistas que se servem de todos nós para enriquecer.

Por isto meus caros amigos e amigas Portistas, não queiramos calar um dos poucos meios que o Norte tem de se fazer ouvir. Não queiramos que o Porto Canal se transforme numa espécie de esgoto aberto tal como uma tal de Benfica TV. Porto Canal sim. Futebol Clube do Porto Canal nunca jamais.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O Homem das 1000 Caras

Está finalmente descoberto quem é o misterioso espião que passa informações a Pinto da Costa. Mais uma vez o nosso blogue, arrostando perigos vários, conseguiu aclarar um mistério que dura há quase 30 anos. Já ouviram falar do actor americano Lon Chaney que, nos anos 20, era capaz de interpretar vários papéis, em filmes tão diferentes como O FANTASMA DA ÓPERA, O CORCUNDA DE NOTRE DAME ou O VAMPIRO DA MEIA-NOITE? Pois este é a mesma coisa. Consegue adaptar-se a personagens distintos. Os nossos amigos já adivinharam quem é! Como diria o próprio, se fosse ele a apresentar a Festa Anual do Futebol Clube do Porto, no Casino de Espinho:

LADIES AND GENTLEMEN, YOUR ATTENTION PLEASE!

Recordamos a seguir alguns dos papéis que interpretou com invulgar brilho

OS SETE SAMURAIS de Akiro Kurosawa

CASABLANCA remake a cores do célebre de filme de Michael Curtiz

JOÃO PAULO II de Manuel de Oliveira. Vida e obra do Papa

AGENTE INFILTRADA de João Botelho com Maria José Morgado

AS AVENTURAS DE PINTINHO de Pedro Almodóvar. Os bastidores da Casa Real de Espanha

VIAGEM MEDIEVAL – Uma produção do PORTO CANAL para início das emissões dirigidas pelo nosso Clube, da qual já decorrem os ensaios. O nosso Presidente vai interpretar o papel de D. Afonso Henriques. As pulseiras para entrar no recinto em Santa Maria da Feira, onde vive uma querida amiga nossa, já estão à venda. A pulseira custa 2 Euros e permite o acesso ao evento. Além disso, todas as crianças até 1,30 de altura, estão isentas de pagamento. Assim, e com a subida da equipa do Feirense à Liga Sagres, na próxima visita da “instituição”, o anão que joga a central, terá entrada de borla.

Foto montagens de JOSE LIMA

Até para a semana

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Desviar para reforçar ou para chatear?

Aqui no Blog já alguém tinha chamado a atenção para uma possível transferência dos Jogadores Alex Sandro e Danilo do Santos para o FC Porto. Maria Da Fonte, Leitor(a) assíduo(a) do nosso espaço foi quem trouxe este assunto á baila e na altura eu desconfiei de tal coisa, pois tinha sido o Jornal Oficial do Benfica (leia-se “A Bola”) a dar a notícia e, como todos sabemos, o que vem deste sítio não pode ser levado a sério.

Contudo hoje, nas suas Edições Online e Impressas, os Desportivos “OJOGO” e “Record” dão nos conta que os Dragões estão mesmo a negociar os passes de Danilo e Alex Sandro. Segundo estes Jornais, Alex Sandro, Lateral-esquerdo, de 20 anos, actualmente no estágio da Selecção Brasileira que prepara o Mundial da Colômbia, acertou com os dragões um contrato válido por cinco anos e estará avaliado em cerca de nove milhões de euros, ainda que o valor que cabe ao FC Porto pagar não tenha sido ainda comunicado à Comissão de Mercados e Valores Mobiliários, CMVM, e esteja por isso sujeito a confirmação. Quanto a Danilo, que também está nos sub-20, este afirmou-se como Médio-direito, mas pode também jogar na Defesa e está avaliado em 10 milhões de euros e, ainda que o passe esteja parcelado, o Santos tem uma palavra a dizer.

O que ambos estes Jogadores têm de comum é que eram potenciais reforços do SL Benfica, mas que pelos vistos resolveram mudar de ideias passando agora a ser potenciais reforços dos Dragões. E os negócios podem muito bem realizar-se dado que o FC Porto apresentou melhores propostas do que os Encarnados e é verdade que o Clube da Luz já está no mercado á procura de outro Lateral para a sua Defesa. Sendo assim, sem nunca me debruçar sobre a qualidade destes Jogadores porque nunca os vi a jogar e porque uma coisa é jogar na América do Sul e outra bem diferente é jogar na Europa, pergunto se estes dois virão para reforçar o nosso clube ou se virão somente para chatear o Benfica.

É que a vinda destes dois Laterais coloca várias questões no ar, entre elas:

- Será que Álvaro Pereira vai sari do FC Porto? Tenhamos em linha de conta que um Jogador que custe 9 Milhões de € é muito caro para estar no banco dos suplentes…

- Será que a vinda de Danilo significa uma forçosa saída de Jorge Fucile ou até mesmo de Sapuanru? Mais uma vez tenhamos em linha de conta que Danilo é um Jogador muito caro para estar sentado no banco.

- Onde vai o Futebol Clube do Porto buscar 19 Milhões de Euros para pagar estas duas transferências?

- Será que o Clube Azul e Branco vai ser obrigado a vender as suas Jóias da Coroa (Falcao, Moutinho, Hulk e outros) para poder realizar este negócio milionário?

A ver vamos o que isto vai dar, mas se os Dirigentes do FC Porto foram buscar estes dois Atletas somente para chatear o rival da Luz, então este foi o acto mais ridículo que alguma vez vi e mais valia terem atirado dinheiro pela janela da Torre das Antas. Vamos a ver o que nos reserva o futuro.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Villas-Boas teve medo do fantasma de José Mourinho"

Como toda a gente sabe, Pinto da Costa foi entrevistado por Fátima Campos Ferreira no encerramento do quinto ano de tertúlias no Casino da Figueira. Entre outras coisas de que se falou nesta entrevista (sendo que muitos dos temas nada tinham a ver com o Universo do Dragão, mas não se poderia esperar melhor de uma Jornalista que não percebe absolutamente nada de Futebol), Pinto da Costa proferiu as seguintes declarações sobre André Villas-Boas:

"Já tinha o plano B antes de ele se demitir. Aliás, se calhar ele ainda tinha dúvidas que ia sair, e eu já tinha o Vítor Pereira de prevenção"

"Disse-lhe que em condições normais, aos 33 anos devia estar a treinar a Académica ou a Naval para aos 40 estar num grande, que aos 33 anos já tinha ganho no FC Porto e ia ter muitas oportunidades de ganhar mais. E ele respondeu: 'isso é muito bonito, mas se levar três ou quatro do Barcelona e se me correr mal a Champions já ninguém me quer'... Ele tem um complexo e está sempre a pensar no fantasma do Mourinho. Como o Mourinho ganhou a UEFA e a Champions, ele não quis continuar porque teve medo de não ganhar o mesmo."

Não querendo voltar aqui a analisar a ridícula novela da saída de Villas-Boas para o Chelsea e muito menos tenho a intenção de voltar a opinar sobre este assunto, mas quero deixar bem claro que estas declarações do Presidente Portista foram escusadas. É no mínimo caricato o Presidente do FC Porto ter vindo a público dar força á ridícula fogueira em que certos Adeptos Azuis e Brancos estão, hipocritamente, a cozinhar o Villas. E além dos mais é me muito difícil acreditar que o Jovem Treinador tenha afirmado que receava perder com o FC Barcelona. E não me acredito porque Pinto da Costa tem conhecimento do mito de invencível e de gigante perfeito que se criou á volta da Equipa Catalã para ter vindo com esta história.

Pinto da Costa ficou mal na fotografia quando poderia muito bem ter evitado este assunto da mesma forma que evitou certas perguntas ridículas que a Sra. D. Fátima lhe foi fazendo. Não o quis fazer porque é mais fácil cair em graça do que ser engraçado e PC sabe muito bem como os Portistas são Adeptos que pensam com o Coração e raramente com a Razão. André Villas-Boas é passado e ao passado deve pertencer, e Pinto da Costa, como Dirigente máximo dos Azuis e Brancos, deve dar o exemplo e respeitar um Profissional que fez com que o FC Porto ganhasse (somente) tudo o que havia para ganhar numa temporada complicada (dado que do outro lado da barricada estava um Benfica Campeão Nacional e havia que fazer esquecer o 3º lugar que os Dragões tinham conquistado na Época anterior).

Mas mais caricato foi Pinto da Costa ter passado uma parte desta entrevista a tentar vender os Jogadores que têm á sua disposição. Ora vejamos o que disse PC sobre isto:

"Admito que possa sair alguém, mas também não ficaria nada admirado que não saísse ninguém. Se sair, temos substitutos para 10 jogadores. Se saírem dez, eu tenho um para cada lugar e até ficam mais baratos. Há um para que não tenho substituto, que é o Hulk. Posso substituir qualquer jogador, melhor ou pior, menos o Hulk. Se sair o Álvaro Pereira tem um substituto. O Falcao faria falta, mas também encontrámos alguém para o substituir... Se sair o Hulk, entrará outro, mas como não há nenhum com as características dele e o nosso jogo teria de ser diferente".

Eu pergunto: O que seria do Hulk sem a companhia de Falcao no ataque? Será que o Presidente Portista já se esqueceu dos “tremores” que o FC Porto sentiu em Janeiro/Fevereiro deste ano quando Falcao e Álvaro Pereira estiveram lesionados por um período bastante longo?

Eu entendo que o Futebol Clube do Porto tenha necessidade de vender 2 ou 3 Jogadores por Época, mas sempre tive a ideia de que fazer propaganda aos Jogadores que tem para que apareçam interessados é algo que julgava ser seguido pelos Clubes da 2ª Circular. Pelos vistos a moda chegou ao Dragão…

sábado, 11 de junho de 2011

Há que saber fazer as coisas

É do conhecimento geral que para se empreender seja o que for, primeiro temos de saber fazer as coisas para que tal empreendimento não caia por terra ou morra à nascença por ignorância ou distracção. E vêm isto a respeito de quê? A resposta é muito simples: Petição para a criação de uma Equipa de Futsal do FC Porto. Quem tem conta no Facebook já deve ter sido confrontado com esta Petição que alguns Adeptos Portistas estão a levar a cabo.

A atitude é digna e a ideia interessante, pois o Futsal é uma modalidade cujo nº de adeptos tem aumentado em flecha e pela qual eu tenho um carinho muito grande, pois nos meus tempos de Faculdade tive o prazer de orientar uma equipa de Futsal que ajudei a conquistar um Campeonato e um honroso 3º Lugar/Finalista vencido da Taça.

Contudo esta Petição corre o sério risco de cair num abismo profundo onde será condenada ao esquecimento. E tudo isto porque os seus Autores não se deram ao trabalho de primeiro indagar como se criam e como funcionam as Secções das Modalidades no FC Porto. É que Pinto da Costa pode ter muitos defeitos, mas de burro não tem nada e não é por acaso que o nosso Clube tem tido tantos sucessos no Futebol e nas Modalidades. Organização e independência são a palavra-chave deste sucesso e também a razão de muitas queixas por parte de certos sectores da massa Adepta Azul e Branca.

Para quem não sabe, o Futebol Clube do Porto está administrativamente divido por Secções. Existe a Secção do Futebol, a Secção do Hóquei em Patins, a Secção do Andebol, a Secção de Basquetebol, a Secção que gere o Estádio do Dragão, a Secção que gere o Dragão Caixa e por ai adiante. E todas elas (atenção a este pormenor) são autónomas e independentes entre si. Ou seja, cada Secção tem de arranjar Patrocinadores que garantam os fundos necessários para a sua manutenção e normal funcionamento. Não existe nenhuma troca de fundos entre elas, ao contrário do que muita gente pensa (Futebol, por exemplo, não atribui mais ou menos € ao Andebol). E para comprovar isto mesmo, basta estarmos atentos á publicidade que existe nas Camisolas dos Jogadores de Hóquei em Patins/Andebol/Basquetebol e que acompanham as Equipas quando estas jogam fora do Dragão Caixa, para percebermos isto mesmo.

Quer isto dizer que a criação de uma Secção, ou o seu Encerramento, não está dependente da vontade de Pinto da Costa nem das Assembleias Gerais de Sócios, mas sim da existência ou não de fundos para que esta Secção consiga funcionar em pleno. Não há Dinheiro, não há Secçáo. E é por isto que durante os vários Mandatos de Pinto da Costa fecharam as Secções de Hóquei em Campo, Pesca Desportiva, Xadrez, Boxe, etc…

Portanto, o tal grupo de pessoas que anda a tentar impingir quase que diariamente a tal Petição para a criação de uma Equipa de Futsal no Dragão, primeiro deveria preocupar-se em arranjar Fundos que garantam que esta Secção consiga sobreviver sozinha e só depois pensarem na tal Petição para solidificarem a sua posição e mostrar a verdadeira vontade dos Adeptos Portistas.

O mesmo tipo de raciocínio se aplica aquelas pessoas que só sabem criticar o FC Porto por isto e por aquilo sem primeiro tentarem perceber como funcionam as coisas. O Clube não fecha Secções só porque lhe apetece, mas sim porque tem mesmo de fechar para evitar os sarilhos em que o Sporting Clube de Portugal (ou o Belenenses) está metido no que a Finanças diz respeito

sábado, 7 de maio de 2011

O Casamento do Ano

Os últimos dias foram férteis em emoções. Na 5ª feira, o Futebol Clube do Porto, escreveu uma das mais brilhantes páginas da sua história. A nossa Gazeta de hoje não vai falar de futebol (para isso temos cá brilhantes comentadores) mas doutro acontecimento que concitou as atenções do mundo contemporâneo: o casamento de William e Kate, uma grande jornada mediática, seguida de perto pelos repórteres da Mística Azul e Branca que não se poupou a esforços para apresentar aquilo que nem as televisões nem a Internet não conseguiram mostrar: IMAGENS INÉDITAS

Fotomontagens de JOSE LIMA

Até para a semana

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Pensamentos de um Mito (XXVII) – Carta a Jorge Nuno Pinto da Costa

Nesta carta, mais que ao Presidente, quero dirigir-me ao homem que está à frente dos destinos do meu clube desde 1982.

Quero começar por agradecer o facto de teres transformado um Clube que estava reduzido a “potência regional” à data em que assumiste o cargo de Director de Futebol, numa potência Europeia e referência Mundial.

Saúdo-te também a frontalidade com que encaras cada decisão, cada desafio, e até cada entrevista. És altivo, decidido e ao comunicar usas um humor tão corrosivo quanto certeiro. Gostas do poder porque sabes dar-lhe uso, porque és um líder e sabe-lo; e gostas que todos o saibam. Como eu, és Portuense, e também sabes o que esta cidade e esta região sofreram e sofrem para verem reconhecidos os seus méritos; e fizeste do F.C.Porto o seu grande porta-estandarte, levando o seu nome pela Europa e pelo Mundo. Internamente, combateste todos os inimigos que se opuseram a ti e ao clube na ascensão do mesmo, e à medida que o fosso que nos separava dos clubes da capital diminuiu coleccionaste mais uns quantos.

Provaste ser um homem e um combatente com várias vidas e muitos fôlegos, assim como possuidor de um talento único na escolha de Treinadores, a quem dás todas as condições para serem bem-sucedidos. Tiveste a sorte de coincidir no tempo com Pedroto, mas tiveste depois a inteligência e a visão de apostar num trota-mundos como Ivic, em acolher um Cavalheiro como Bobby Robson, de pressentir em Mourinho o talento e a vontade de derrubar barreiras e conquistar o Mundo, de apostar quando se exigia na irredutibilidade de Co Adriaanse - e posteriormente na competência sóbria de Jesualdo Ferreira - e de ver em Villas Boas o aprendiz de feiticeiro com personalidade e ideias próprias que efectivamente é. Com todos eles venceste e com todos eles soubeste recriar-te e renovar-te.


Nada disto me impede de dizer que eu, enquanto adepto, sinto que tu falhaste como Presidente do F.C.Porto.

Falhaste ao não compreender que, há medida que crescia o nosso Clube, o seu palmarés, e por acrescento a sua viabilidade, também maior seria a sua responsabilidade, e que tu enquanto responsável máximo terias de adoptar um comportamento conforme à dimensão adquirida.

Um líder que tocou o céu em Viena e atingiu o paraíso em Gelsenkirchen não pode aparecer no final dos jogos (ainda para mais pertencentes a competições Europeias!) a mandar farpas ao Benfica. Sim, deixemo-nos de nos referir aos “rivais de Lisboa”, pois nunca escondeste o quê e quem te dá gozo humilhar. Tudo o que conquistaste seria mais que suficiente para te permitir estar acima de quaisquer invejas ou comentários que te dirigissem. Mas nunca quiseste ou soubeste seguir esse caminho, e por cada inimigo que angariaste para ti angariaste também para o clube e para os seus adeptos. Pelo caminho, permitiste que a tua vida privada se misturasse com a vida do clube, e todo o processo que se seguiu, por mais empolado pela opinião pública, mal conduzido ou manipulado que tenha sido…mereceste-o; já o F.C.Porto (e nós adeptos) não merecia nada daquilo.

Sendo tu bastante mais velho e experiente que eu, saberás também que tudo na vida tem o seu tempo, e o discurso de guerrilha (nos termos em que o proferes) que acompanhou o crescimento do clube com os anos esvaziou-se de sentido - Se o Porto, enquanto cidade, não possui mais autonomia ou é mais respeitado não é certamente por culpa do seu principal clube, que com o tempo se tornou, a meias com o Vinho, o seu maior e melhor Embaixador. Sim, não podemos desistir dessa luta, mas não serás tu e o teu discurso a trava-la.

Dói-me, enquanto Portista que cresceu na era em que o F.C.Porto cimentou o seu domínio interno e viveu a sua segunda epopeia Europeia, ser incapaz de olhar nos olhos um adepto Benfiquista e dizer-lhes “deixem-se de invejas (que a têm) e aprendam é com os melhores”, pois tenho consciência que nós próprios não o soubemos fazer. Sim, somos o melhor dos clubes Portugueses, como outrora foi o Sporting e durante largos anos o Benfica. Mas não faço confusões:

Posso não ter memória do Benfica dos anos 60 que suplantou o Sporting e encantou a Europa, mas sei a imagem positiva, digna e respeitosa que passava do Futebol Português. Eusébio, os seus golos, e os títulos conquistados foram apenas um (indelével) acrescento a um clube que durante décadas (nos seus melhores anos) foi invariavelmente gerido por Cavalheiros do Futebol. Nesse tempo, nem uma mão de clubes Europeus podiam pressupor de possuir palmarés e respeito iguais ou superiores aos do S.L.Benfica.

Isto, eu interessei-me por saber, não vi (ao contrário de ti), mas é o suficiente para olhar para o meu Clube, tal como ele é, e pensar no que já poderia ser. Quem, como nós, ambiciona ser o melhor, tem de ter os melhores como medida, e olhando a história do Futebol Português não houve melhor que aquele Benfica, que dominou durante uma década o Futebol Europeu. Deixa de te comparar, de olhar, e de responder a Luís Filipe Vieira; não preciso ter vivido outros tempos para olhar esse homem e ter bem presente que “aquilo” não é o Benfica.

Quem, como tu, afirma todas as épocas que “queremos conquistar tudo” é incompreensível que, mesmo depois de conquistares tudo (e por mais de uma vez), não tenhas querido conquistar para o clube o respeito de todos os seus adversários.

Olha antes para o F.C.Barcelona, com quem tanto gostas de nos comparar (não sem razão), um clube que também fez da luta contra o Centralismo a sua bandeira e que com isso apenas conseguiu demorar mais de 90 anos a sagrar-se pela 1ª vez Campeão da Europa e conquistar um número simbólico de campeonatos quando comparado com o seu grande rival de Madrid - que embora tenha tido equipas inesquecíveis (de Di Stéfano aos Galácticos) não pode presumir de ter possuído em todas as eras os melhores jogadores do mundo como possuiu o colosso Catalão (de Kubala a Cruijff; de Maradona a Ronaldo; de Figo e Rivaldo a Messi). Porquê? Porque foi sempre um clube em convulsão consigo mesmo, incapaz de se sentir confortável com a sua grandeza e ser verdadeiramente “mais que um clube”, como sempre apregoou. Foi preciso chegar Guardiola, um filho da casa e sabedor de tudo isto, para colocar cada peça no seu sítio e para que os dirigentes falassem quando (e do que) lhes competia. Hoje, é um clube temido, respeitado e amado em igual medida, com um estilo belo e inconfundível que cativa adeptos em todo o mundo. Esta grandeza, ele sempre a levou dentro; só lhe faltava comportar-se como um grande. Pela primeira vez, é o Real Madrid que tem de olhar para o Barcelona (e nunca a Catalunha esteve tão bem representada….).

Eu, que não podia estar mais confortável na minha pele de portista, é assim que eu quero o meu F.C.Porto: Vitorioso em Portugal e temido na Europa (como já o é), mas preferindo o respeito ao confronto. Só assim iremos ascender ao patamar seguinte de grandeza, onde o Benfica em tempos já esteve (e não se soube manter). Quero que (todos) os adeptos Portugueses tenham prazer em descobrir sem preconceitos o talento de James, admirar as jogadas de Hulk e ficar boquiabertos com os golos de Falcão (tal como eu descobri os golos e arrancadas de Eusébio, os cruzamentos de Simões e o pulmão inesgotável de Mário Coluna).
Invejas? Sempre as haverá em qualquer lugar do mundo, mas o Tempo e a História costumam ser grandes Professores, e atribuem a cada um a grandeza que lhe é devida. E repito, chegou a hora de perdermos o receio de sermos Grandes.

Talvez seja demasiado presunçoso da minha parte apontar-te tudo isto, pois foste tu que fundaste o F.C.Porto como hoje o conhecemos, e todos nós, portistas, temos para contigo uma dívida de gratidão difícil de pagar - mas que pagamos todos os dias. E talvez já te seja impossível mudar quem és, pelo que confesso aqui um desejo: que no dia em que tomes a decisão de abandonar a cadeira de Presidente passes o testemunho a alguém com a mesma paixão pelo Futebol e pelo Clube, mas que seja representante do F.C.Porto actual (que ajudaste a criar) e saiba projecta-lo no futuro; um clube livre de espartilhos ideológicos, que nada deve a ninguém e que não necessita reclamar grandeza porque já a possui, necessitando apenas aprender a comportar-se como tal. Não sei quem poderá ser esse Homem, mas sei que o necessitamos, pois o F.C.Porto cá estará e será grande muito depois tu partires (no que será talvez o maior elogio que se pode fazer a ti e à tua obra). Quem vier a seguir, largos dias também terão os seus 100 anos…

Atentamente

José Guimarães