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quarta-feira, 7 de março de 2012

A vitória da coragem.

O F. C. Porto treinado por Vítor Pereira para surpresa de grande parte dos portistas (eu incluído) passou de uma situação de ter a liga quase perdida, para neste momento ter uma vantagem de 3 pontos para o Benfica após uma exibição personalizada no Estádio da Luz.

Na projecção do jogo eu pedia a Vítor Pereira que independentemente das tácticas, da escolha de jogadores, que abordasse o jogo com uma postura corajosa. Que fizesse exactamente o contrário do que tinha feito em Alvalade, quando por falta de ambição, se contentou com um empate e deixou o Benfica escapar naquele que, para mi ,teria sido o momento decisivo para perder o campeonato.

Felizmente enganei-me. Vítor Pereira teve o mérito de mesmo sem exibições de encher o olho e com vários equívocos e obsessões estranhas como a de Maicon como lateral direito, de ir ganhando os seus jogos. Também teremos que ser honestos e afirmar que se o Porto está na corrida muito o deve ao facto de Jorge Jesus ter cometido erros grosseiros que ninguém esperaria, devolvendo assim a hipótese de o Porto voltar à luta. Um outro clube, com outra estrutura e outro treinador nunca permitiria que se perdessem 5 pontos de vantagem antes de um jogo que até poderia arrumar em definitivo as contas do título.

Mas com o mal do Benfica pode o F. C. Porto bem… E enquanto eles preferirem olhar apenas para erros de arbitragem (o mesmo clube que passou uma época a dizer que não falaria de arbitragens, e cujo presidente ainda há 3 semanas dizia que a arbitragem estava francamente melhor e que não falaria de arbitragens…), e não repararem nos erros crassos que cometeram… mais o F. C. Porto estará perto de ganhar a Liga.

Hoje, como sempre, o Benfica perde-se em encontrar desculpas para os seus fracassos em factores externos ao invés de ter a capacidade de auto critica para poder melhorar. O F.C. Porto hoje como sempre, apresenta uma estrutura mais forte. Responde no campo. Tem apostas de risco, tem personalidade e carácter.

Vítor Pereira que tanto criticamos parece ter guardado o melhor para o grande momento da época. Nem parecia o mesmo treinador que se contentava com um empate em Alvalade. Ele teve a tal coragem que um campeão tem que ter. Mesmo sabendo que entrava em igualdade pontual, entrou para encostar o Benfica. Mandou a equipa subir e pressionar o Benfica o mais alto possível.

O facto de toda a imprensa e o próprio Jesus desvalorizarem este F. C. Porto só aumentou ainda mais o efeito surpresa que Vítor Pereira quis apresentar. O Benfica esperava um jogo inicialmente táctico de respeito mútuo, mas o Porto partiu logo para cima sem receios. Não foi tanto na forma como Vítor Pereira montou a estrutura táctica. Aí, voltou a insistir no erro de colocar o central em melhor forma do Porto a lateral… No entanto, foi na atitude e na estratégia que demonstrou que, não obstante essas opções, que a ideia era que só a vitória interessava.

Mas o verdadeiro teste de coragem estava para vir… Após o Benfica passar para a frente do marcador, temi o pior. Pensei que a partir dali o Porto arriscava-se a cair a pique. Vítor Pereira contrariando toda a sua conduta recente e o seu histórico, decide agitar o jogo com James bem cedo, não esperando para ver como paravam as modas. Não demorou como de costume a mexer na equipa. Reagiu e colocou as fichas todas. Mais que isso, quando esperavam a substituição típica de trocar o Djalma (com um amarelo e que vinha sendo uma nulidade), eis que Vítor Pereira surpreende tudo e todos e tira Rolando. Mais do que a mudança táctica da passagem de um extremo amarelado para lateral e a entrada de James, foi a mensagem passada para dentro do campo e para os adeptos. O grito de toque a reunir a dizer claramente que o jogo e a liga estavam longe de estar terminados e que o Porto ainda tinha uma palavra a dizer.

Vítor Pereira já com o empate no bolso e com a vantagem anulada no confronto directo, arriscou ainda mais. Foi o Vítor Pereira mais corajoso que vimos durante toda a época. Ele demonstrou que não queria o empate para nada, queria os 3 pontos e arrisca muito (até considerei na altura um risco demasiado grande), tirando Moutinho e mandando Kleber a jogo, deixando a equipa partida num claro 4-2-4 com 4 jogadores de ataque e ainda Lucho a ser um dos dois a meio campo. O risco compensou e a coragem venceu. O golo apareceu de bola parada em fora de jogo, mas adivinhava-se como o cenário mais provável tal a pressão asfixiante do Porto que empurrava o Benfica para trás. O empate até poderia ter surgido de penalti… Mas pelos vistos os mesmos que se indignam com o fora de jogo acham perfeitamente normal e aceitável que Cardozo jogue voley dentro da área. Mesmo em voley seria falta, porque joga duas vezes a bola com a mão. O Porto encostou o Benfica às cordas…Exactamente o contrário do que Jorge Jesus fizera na 1ª volta no Estádio do Dragão. Aí, o Benfica chega ao 2-2 e todos reparamos que se carregasse um bocadinho mais, era provável que até saísse com a vitória… no entanto, Jorge Jesus preferiu ter uma abordagem conservadora e guardar o empate…Logo ele que tem sempre um discurso tão optimista e arrojado. No momento em que o podia demonstrar em campo, preferiu segurar o empate.

Mas esta coragem que é o título deste texto, não se trata apenas da coragem de Vítor Pereira. Refiro-me também à coragem de Pinto da Costa e da estrutura do F. C. Porto que uma vez mais deu uma lição. Independentemente do que venha a acontecer para a frente, deu uma lição.

Basta olhar para o Sporting… Domingos não era sequer contestado e foi precipitadamente despedido… Aquele que fazia parte da solução foi sacrificado como sendo a raiz de todos os males do Sporting.

Pinto da Costa desde o início viu Vítor Pereira a ser altamente contestado, o próprio Pinto da Costa assistiu à forma como a equipa viu esfumar-se as suas hipóteses nas competições europeias, viu a forma como fomos eliminados da taça e como parecia haver um divórcio entre jogadores, massa adepta e treinador.

Quando muitos de nós previam já que o melhor seria a mudança e começar a preparar a próxima época e que esta seria para esquecer. A verdade é que Pinto da Costa nunca desistiu. Não desistiu da Liga, e prova disso foi quando contrata Lucho e Janko, dois jogadores que fogem à política de contratações do F. C. Porto que está mais voltada para o investimento em jogadores jovens. Pinto da Costa e a estrutura F. C. Porto com esses dois reforços demonstram que ainda acreditam que é possível ganhar esta época e que a aposta era para o presente.

Por outro lado, Pinto da Costa nunca deixou cair Vítor Pereira. Tal como noutros momentos, ele deu estabilidade ao treinador contra tudo e todos.

Mas isso também não significou que Pinto da Costa seja cego e não leia os sinais que a equipa dá… Uma pequena revolução foi sendo operada mas sem dar muito nas vistas. Começou pelos jogadores (a mudança mais visível foram as saídas de Guarín e Belluschi, e a entrada de Janko e acima de tudo do Comandante Lucho), mas também e esta é a menos comentada, a mudança na equipa técnica.

Pinto da Costa segurou Vítor Pereira mas não aceitou segurá-lo a todo o custo, fechando os olhos para os problemas. Foram feitas mexidas para que a máquina começasse a funcionar de uma vez por todas. Por um lado, Pinto da Costa desceu ao balneário, mais que uma ve , para demonstrar a um balneário que vinha de uma época de sucesso com AVB, que teriam que respeitar a autoridade de Vítor Pereira e que ele não estaria dependente da vontade dos jogadores. Esse tipo de actuação foi fundamental… Não se pode deixar que os jogadores tomem conta dos destinos do clube e decidam sobre treinadores. Veja-se o péssimo exemplo do Chelsea. No Porto segue-se uma lógica vencedora em que toda a gente sabe quem manda. Presidente é quem decide, treinador está lá para treinar e jogadores para jogar. Não há qualquer tipo de alteração nesta pirâmide nem interferências.

Depois, Pinto da Costa fez ver a Vítor Pereira que a confiança mantinha-se mas que algo tinha que ser feito. E foi. Sem se falar muito nisso (mais uma vez mérito para a estrutura do F. C. Porto que conseguiu abafar bem essa situação), houve uma alteração na hierarquia da equipa técnica. Rui Quinta desaparece do banco, onde era o braço direito de Vítor Pereira e passa para a bancada. Para o seu lugar entra o jovem Filipe Almeida que era o 3º na hierarquia.


Podemos juntar a isto o reforço de Paulinho Santos para a equipa técnica. Grande parte das pessoas julgavam que havia um desinteresse de Pinto da Costa e da sua estrutura pelo que se passava e pela situação do clube, mas a verdade é que, dentro de portas, mudanças estratégicas foram sendo feitas para que os resultados melhorassem, sem que fosse, assim, necessário um corte radical.

O facto de Paulinho Santos entrar na mesma altura do reboliço do Sporting pela demissão de Domingos, foi um timing perfeito. O momento certo. Todos estavam tão entretidos com a novidade Sá Pinto que até brincaram com o ingresso de Paulinho na equipa técnica e disseram que era uma resposta à agressividade de Sá Pinto então contratado para o Sporting…

Esse tipo de graçola e a forma ligeira como trataram do assunto serviu os interesses do Porto. Porque enquanto não se reparava, mudanças iam acontecendo na equipa técnica e ninguém dava por isso. Poderia ter-se alimentado polémica. Falar da desautorização de Vítor Pereira por se colocar um novo adjunto numa equipa técnica que tinha sido escolhida por Vítor Pereira. Nenhum treinador gosta muito que interfiram na sua equipa técnica… Ao simplificarem tudo, foi-se deixando escapar a mudança global. Rui Quinta desapareceu do banco e tal nunca foi questionado a Vítor Pereira e foi dado estabilidade ao clube num momento de algumas mudanças com o intuito de ainda se conseguir lutar pelo título.

Sentiu-se o pulso do balneário e quem acompanha diariamente a equipa fez claramente um relatório sobre o que podia ser melhorado. É importante perceber que um treinador não tem de saber de tudo ou ser o melhor em todas as vertentes. Daí a existência de uma equipa técnica. Nem todos podem ser Mourinho e concentrarem em si grande parte de todas as decisões e serem óptimos em treino, táctica, leitura de jogo, observação, e ainda ser perito em liderança e relações interpessoais. Por isso a constituição de uma boa equipa técnica é fundamental para o sucesso. Não raras vezes vemos treinadores principais da velha guarda a apresentarem excelentes resultados e logo aí as pessoas tendem em desvalorizar o trabalho de um treinador e dizem que só a motivação é que conta…

Não é bem assim… Esses treinadores têm a humildade suficiente para saberem rodear-se de pessoas que dominam novas metodologias e que os podem auxiliar nesse tipo de questões mais técnicas e deixar-lhes a questão da liderança e outro tipo de pormenores mais humanos e menos científicos. Tem que haver esse misto. Por isso Ferguson tem uma carreira tão longa e cheia de sucessos. Ele soube-se adaptar à mudança dos tempos e quando reparou que já estava desactualizado, soube rodear-se de adjuntos capazes de darem um upgrade em termos de treino e até tácticos deixando a parte da liderança e do balneário e a sua gestão para Ferguson.

O mesmo se passou esta época na equipa técnica do F. C. Porto. Não me agradou muito a composição da equipa técnica de Vítor Pereira e por aí também começou uma série de erros no planeamento. O objectivo para n.º 2 seria Bruno Moura, treinador do Santa Clara…Uma vez não assegurado esse objectivo, a solução acabou por parecer de recurso e aposta-se em Rui Quinta que, com todo o respeito, tem um percurso e um perfil totalmente diferente do de Bruno Moura. Um treinador jovem, com outro tipo de formação científica e uma forma diferente de ler o jogo de Rui Quinta.

A escolha de Semedo também me pareceu francamente desajustada. Em todas as equipas técnicas é necessário ter um adjunto que seja o chamado adjunto de balneário. O adjunto que passe mais tempo com os jogadores, que esteja atento aos sinais que vão dando, que seja capaz de os moralizar e de dar mensagens particulares de motivação a cada um nos momentos certos.

Um treinador não pode estar atento a tudo e por isso precisa de delegar. Esse adjunto de balneário tem que ser alguém que os jogadores respeitem e que seja capaz de ser um símbolo da mística do clube. Capaz de a passar aos que chegam e capaz de transmitir os valores do F. C. Porto. Semedo parecia-me ser uma personalidade algo acanhada para ter esse tipo de papel. Mesmo em termos de projecção externa não é um símbolo que se consiga relacionar com uma franja de adeptos mais jovens.

Só quem está lá dentro do balneário saberá como era a sua relação com os jogadores, se estes o respeitavam e se conseguiam ver nele um confidente. Alguém capaz de animar o grupo mas tem capaz de dar estímulos a cada jogador atendendo às características específicas da personalidade de cada um.

Após mais de meia época a estrutura decidiu intervir. A ideia com que fico é que Pinto da Costa e Antero Henrique reuniram-se com Vítor Pereira e disseram-lhe que ele iria manter-se até ao final da época e que tinha a confiança e o respaldo da estrutura. Mas que teriam que haver mudanças e fazerem-se ajustes. E então Rui Quinta saiu do banco. Rui Quinta passava uma imagem que não seria do agrado da estrutura, e por outro lado via-se mais no momento das substituições e parecia mais um 2º treinador principal. Não tinha o perfil de adjunto que se requer no banco de suplentes, principalmente para um treinador com as características de Vítor Pereira. São dois treinadores que claramente preferem a vertente do treino e é aí que se sentem mais confortáveis.

Rui Quinta é um treinador de campo. Não tanto um observador ou um perito em táctica e em ler o jogo. O adjunto que Vítor Pereira precisava, era alguém que fosse menos interventivo, porque essa função já o Vítor Pereira a preenche, mas que fosse mais atento às questões tácticas e à leitura do jogo. Alguém capaz de estar na sombra, e que possa tirar notas e repare em aspectos individuais e colectivos que o treinador principal no decorrer do jogo não consegue dar tanta atenção.

Não conheço o trabalho de Filipe Almeida para fazer grandes considerações. Mas é um treinador mais jovem, que tem outro tipo de trajecto diferente de Rui Quinta e que apresenta uma postura no banco totalmente distinta. Quinta mais vistoso, Filipe Almeida mais agarrado ao seu bloco de notas e a trocar impressões com Vítor Pereira em momentos pontuais passando as mensagens que lhe parecem essenciais. E este tipo de interacção entre adjunto e principal, são capazes de mudar a face de um jogo.

Por outro lado nota-se que Paulinho tem outro carisma que Semedo não tinha. Paulinho ocupa o lugar agora que era de Pedro Emanuel na época passada. O adjunto do balneário. Aquele que é capaz de ser um líder by example para os jogadores. Um jogador que é um verdadeiro símbolo da mística F. C. Porto e com uma história na instituição quase ímpar em termos de dedicação e empenho.

Com esta reformulação a meio da época, a estrutura do F. C. Porto deu uma lição de gestão desportiva. De como nem sempre uma chicotada psicológica com estrondo é a solução e, como é importante apostar nas soluções internas e tentar dar a volta com aquilo que o clube tem antes de partir para medidas tão radicais a meio da época. O F. C. Porto deu assim uma lição de coragem e sagacidade dentro e fora do campo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Crónica de um fim de Liga anunciado mas precipitado...

O Porto baqueou em Barcelos. Uma exibição demasiado má para ser verdade, uma equipa apática, sem liderança, perdida em campo que foi derrotada por um Gil organizado, bem liderado e que jogou de dentes cerrados do principio ao fim. Tudo seria normal se não houvesse algo pelo meio… Bruno Paixão. Uma vez mais. Um árbitro que tem um histórico de ter dificuldades em assinalar penaltis a favor do F. C. Porto (quem se esqueceu do mítico Campomaiorense - Porto em que ele foi incapaz de ver um penalti sequer entre os 8 cometidos sobre Jardel)…

O Porto perdeu por causa da arbitragem? Claro que não. Nem é uma desculpa para a paupérrima exibição. O que não pode, é a paupérrima exibição servir de desculpa para que não se fale da arbitragem absolutamente escandalosa que impediu o Porto, ainda que jogando mal, de poder discutir o jogo… O pior é se ligarmos isto ao que tem sido a campanha do Benfica… Reforçado por uma comunicação social que torna uma arbitragem escandalosa como a do jogo do Feirense como nota de rodapé… Eis que numa jornada o Benfica vê-se numa situação de poder perder 3 pontos a uma situação de ganhar 3 ao Porto.

Mas o Porto perdeu o campeonato em Barcelos ou por causa do Bruno Paixão? Claro que não. Sinceramente, como portista senti que perdemos o campeonato em Alvalade. Confessei isso a uma série de amigos e familiares.

Vítor Pereira, uma vez mais, calculou mal e planeou pior. Foi para Alvalade claramente em busca do empate. Se havia jogo em que empatar ou perder era indiferente era o de Alvalade. Qualquer resultado que não fosse a vitória significaria que o Benfica se isolaria pela 1ª vez no 1º lugar e depois para quem já acompanha o futebol há algum tempo, já se sabia o que se seguiria…

A euforia benfiquista, o “inferno da Luz”, a imprensa a puxar pelo Benfica, os árbitros a sentirem-se impelidos a beneficiar o Benfica em caso de dúvida ou sempre que o Benfica estivesse entalado… E toda esta conjuntura faria com que o Benfica fosse muito difícil de ultrapassar… Porque nos jogos com arbitragens para lá de desastrosas a beneficiar o Benfica, nunca veríamos pressão por parte da imprensa no sentido de denunciar o tratamento de favor do Benfica… Falar-se-ia do campeão do sofrimento, da estrelinha de campeão… Os comentadores, paineleiros e afins diriam que o Benfica pratica o melhor futebol do mundo e arredores mesmo com jogos péssimos como com o Gil ou o Feirense, e diriam que o Porto não estava tão bem independentemente do nº de jogos sem perder que o Porto apresentasse…

Foi aí. Em Alvalade. A falta de visão e de ambição de Vítor Pereira que hipotecaram as hipóteses do Porto de revalidar o título… Sim, porque mesmo com o erro de casting que foi a escolha de Vítor Pereira, pela qualidade do plantel e pela forma como Pinto da Costa segurou e deu força ao treinador, ainda seria possível acreditar no título. Até porque o Benfica de Jorge Jesus consegue facilmente ser megalómano e cair na arrogância de achar que todos se curvam perante o Benfica e acabar surpreendido… Principalmente enquanto sentisse a pressão de ter que estar a par com o Porto na classificação e tendo ainda a distracção da Liga dos Campeões.

Mas os responsáveis são apenas o treinador e os jogadores? Não. Não culpo o presidente pela escolha em Vítor Pereira. É um erro desculpável. Uma aposta falhada mas que era o que parecia ser a aposta mais natural após uma saída intempestiva de André Villas Boas. A intenção percebia-se. Manter a estrutura, mexer o mínimo e confiar no adjunto para que desse a continuidade ao trabalho de AVB… O problema é que a Sad ao ver sair AVB viu-se deparada com uma série de jogadores que sentiram que sem AVB tudo o que lhes havia sido prometido perderia sentido e que se o treinador tinha o direito de sair eles também quereriam dar o salto…

Até ao fecho do mercado foi complicado gerir o estado anímico de jogadores como: Rolando, Alvaro Pereira, Fucile, Moutinho Fernando e outros. Depois tudo se agravou com a saída de Falcao. Enquanto a Sad claramente se precaveu para a saída de Alvaro Pereira e de Moutinho ou Fucile com a contratação de jogadores como Alex Sandro, Danilo ou Defour, o facto é que nenhum deles saiu… E quem acaba por sair é Falcao deixando um vazio no ataque e precipitando o lançamento de Kleber que vinha para ser suplente.

Começou aí o 1º grande erro. Atacar a época com Kleber como ponta de lança e não perceber a dimensão da tarefa que seria substituir Falcao. Podem ter destruído o crescimento de um jovem ponta de lança com grande potencial e, ao mesmo tempo, não ganharam um ponta de lança capaz de ser o que a equipa precisava.

Depois os problemas foram-se agravando à medida que todos fomos percebendo que aquilo que deveria ser um trabalho de continuidade começava a transformar-se noutra coisa… com contornos pouco definidos. Do futebol de posse de AVB só ouvíamos as palavras de VP… No campo, nem posse nem o futebol de transições de Jesualdo Ferreira.Um misto de ideias mal amontoadas e de jogadores que claramente não estavam em sintonia com o técnico.

Nesse momento, Pinto da Costa pôde agir… Podia ter deixado cair Vítor Pereira, admitir o erro na escolha e tentar emendar a tempo… O problema era o timing. Já se tinha deixado escapar Domingos para o Sporting… Não havia uma solução óbvia no mercado… Sempre se poderia recorrer a P. Emanuel, muito querido junto dos jogadores. Com uma boa equipa técnica para o auxiliar no treino poderia ser uma solução interessante. O problema é que o Porto mesmo jogando menos bem e estando com a Champions em risco, era líder. Demitir um líder que ainda tinha uma palavra a dizer na Champions poderia ser uma herança muito ingrata para quem quer que viesse a seguir. Terá sido essa a lógica de Pinto da Costa. E então preferiu dar um murro na mesa e fazer ver ao balneário que teriam que respeitar Vítor Pereira e fez ver aos adeptos que não valia pena queixarem-se que era com VP que iríamos até ao final da época.

Correu bem. Vítor Pereira ganhou na Ucrânia, lançou a equipa numa boa série e parecia que a crise ia longe… Apenas uma ilusão de óptica… O Porto continuava e continua a não ter um fio de jogo consistente. Vítor Pereira tem nas mãos um plantel excelente, com a falta do ponta de lança, mas o facto é que Vítor Pereira criou novos problemas. Ora cristalizando-se num determinado onze só porque lhe ganharam um jogo importante, fazendo assim com que jogadores como Djalma, Maicon e Defour fossem titulares em detrimento de jogadores de maior qualidade como: James, Fucile e Belluschi.

O Porto vivia refém de jogadas individuais não apenas de Hulk mas acima de tudo de Hulk. Mas Vítor Pereira teve que arranjar um novo problema à equipa… Retirou Hulk da equação tirando-o de uma faixa e passando-o para o meio… Dessa forma, perdeu Alvaro Pereira que passou a subir no corredor para cruzar a bola… para ninguém. Através de uma decisão, VP conseguiu criar duas fraquezas no onze do Porto para além da já mais que vista no centro do ataque. VP conseguiu acrescentar problemas onde eles nem existiam.

Outro exemplo flagrante é a questão da falta de profundidade do lado direito. A adaptação de Maicon a lateral direito. Apesar de esforçado, Maicon não é Sapunaru nem Fucile. Não tem rotinas de lateral e isso é mais confrangedor no que toca ao plano ofensivo… Mas VP achou que deveria ser grato ao esforço de Maicon nem que para isso tivesse que prescindir de atacar pelo lado direito… Sim, porque Djalma vê-se mais em tarefas defensivas do que propriamente a desequilibrar na frente. Outra obsessão de Vítor Pereira.

Vítor Pereira não tem a eloquência nem a capacidade motivacional de AVB. Rodeou-se de uma equipa técnica que não tem estofo nem capacidade para treinar uma equipa como o Porto. Uma coisa é uma equipa técnica para o Varzim, outra é uma equipa técnica para um clube como o FC Porto.

Finalmente chegamos ao jogo deste Domingo. Com alguns jogadores que entraram tarde o campeonato por estarem com a cabeça noutros campeonatos, com um treinador que em vez de optar por manter o trabalho do seu antecessor que tinha dado tão bons frutos, preferiu à força demonstrar a sua marca e com isso piorou e encravou anos de processos tão bem trabalhados 1º com Jesualdo e depois continuados e melhorados por André Villas Boas. O ego de Vítor Pereira parece ter falado mais alto. Não queria ser visto como o treinador da continuidade, queria mostrar que a equipa era construída à sua imagem. Pois ele deveria ser o 1º a admitir que falhou redondamente e que não tem ainda, nem sei se algum dia terá capacidade para guiar este Ferrari.

Não suficiente tudo isto ainda há outra questão polémica que parece ter sido esquecida... Helton aparece em campo sem a braçadeira de capitão e com cara de poucos amigos... Vimos um Helton menos comunicativo do que o costume. O que se terá passado para que se retirasse a braçadeira a Helton e nada fosse comunicado? Problemas no balneário...? Ou seja, o Porto entrou em campo sem o melhor dos ambientes para uma equipa que não podia perder terreno para o Benfica.

O resultado deste acumular de situações ficou expresso no relvado, juntamente a uma exibição deplorável de Bruno Paixão.

A Sad tem contudo querepensar tudo o que foi feito este ano. Não vou pela crítica fácil da escolha de Vítor Pereira. Na altura era o que parecia mais acertado, parece-me uma crítica injusta. Mas será que deram todas as condições a Vítor Pereira? Porque é que a saída de Falcao ainda não foi colmatada…?

Curiosamente antes deste jogo que já se presumia que seria difícil, começam-se a ouvir e a ler ecos do mercado em que a Sad parece disposta a fazer regressar Lucho, em que vai deixar sair Guarín 1º e depois Belluschi. Em que oferece 8 milhões pelo passe de Ganso… A mesma Sad que depois nos faz crer que não há dinheiro para um ponta de lança…? Em forma de desespero já se fala de um empréstimo de Liedson? Tudo isto nesta altura é mesmo necessário? Não mexe com a cabeça dos jogadores e com o bem estar do grupo?

Tudo isto nas vésperas de um jogo importante? Guarín tem quase tudo acertado com a Juventus, o negócio caiu por uma diferença de 2 milhões e depois acaba-se por falar é de um empréstimo de Belluschi? Belluschi que no meio deste turbilhão ainda é convocado para Barcelos e por acaso até é o melhor jogador do Porto em campo? O Belluschi que oferece uma criatividade ao meio campo que mais nenhum outro médio no plantel oferece? É este jogador que querem emprestar? Emprestar!? É que nem falamos de uma venda, da hipótese de receita…

Pior ainda é quando se apercebe que a sua saída não será colmatada com nenhuma entrada… Se fosse para a entrada de Lucho ou Ganso, seria, ainda assim, estranho mas mais fácil de aceitar… Sem essas entradas, torna-se simplesmente inacreditável e a carecer uma explicação da Sad. O que andam a fazer? Qual é a ideia? Não podem por favor iluminar os sócios do clube e adeptos, qual é este caminho que estão a seguir? Se calhar estão a ver algo com muita claridade que mais nenhum de nós consegue atingir… Por isso mesmo, é melhor que nos expliquem.

É certo e sabido que descontando Mourinho, os técnicos no Porto não costumam ser tidos nem achados no que diz respeito à acções no mercado… Mas não deixa de ser curioso que a Sad pondere emprestar um jogador que é o 1º que Vítor Pereira lança no jogo quando sente que as coisas estão a aquecer… Sobram então as questões… Defour é uma mais-valia? O que é que ele já fez? Já justificou ser superior a Guarín ou Belluschi? Como é que o Porto tem milhões para oferecer por Ganso mas não tem dinheiro para um ponta de lança?

A culpa é de todos. Jogadores, treinadores e Sad. Por todos os motivos que explanei. No entanto, tais factos não nos retiram o direito nem o dever de alertar para o facto de uma vez mais o Benfica estar a ser levado ao colo para a vitória nesta Liga… Tal como há duas épocas mas com métodos mais simples. Os nossos erros e as nossas falhas não nos devem calar, sob pena de isto se tornar um hábito dado e aceite pelo FC Porto e em épocas futuras quando nos quisermos fazer ouvir já seja mais difícil… Não devemos calar a nossa revolta por este tipo de arbitragens.

O Porto para mim perdeu a Liga em Alvalade. Começou a perder com os equívocos na forma como planeou a temporada, não os corrigiu a tempo neste mercado de Inverno nem os atenuou de forma clara… Mas sem dúvida que as aspirações a meu ver terminaram com a falta de ambição em Alvalade. Com um Sporting que como mais tarde se provou não assusta ninguém… Só mesmo o Porto de Vítor Pereira que achou que sair de Alvalade com um empate a 2 pontos do Benfica seria um grande resultado…

O que Paixão fez no jogo de Barcelos foi simplesmente apressar a entrega das faixas… O Porto poderia discutir até mais para a frente a Liga e perder na mesma… Mas não vá o diabo ou Jorge Jesus tecê-las com a sua soberba… achou-se por bem resolver o mais depressa possível. Como disse Vítor Pereira e bem a propósito deste jogo: Porto inexistente, Gil Vicente digno, arbitragem vergonhosa… faltou ele próprio reconhecer.. .e um treinador incompetente. Assim a frase estaria perfeita.

P.S.: Este texto havia sido escrito logo após o desaire em Barcelos.Entretanto soube das novidades da contratação de Janko. Um jogador de 28 anos. Se se entende o regresso de Lucho. Difícil fica de entender que o Porto perca Guarín e Belluschi para manter Souza e Defour, por exemplo...

Finalmente aparece um ponta de lança.Não conheço bem o jogador, mas pelo que descrevem dele trata-se de um "pinheiro".Estranho é como a política de contratações do Porto tem andado à deriva.Este não é um reforço para valorizar e também não se pode dizer que seja um jogador que tenha jogado em grandes equipas e que possa logo pegar de estaca na equipa.Juntando a isto as saídas de atletas como Belluschi (melhor em campo em Barcelos) e Guarín que é um elemento de indiscutível qualidade...Dá ideia que a Sad anda quase tão perdida como V. Pereira...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Assim vai o Dragão

“Todos acharam que seria uma questão de tempo até as coisas melhorarem, mas não foi isso que aconteceu. Ninguém tem qualquer conflito com o treinador, começámos foi a trabalhar mais afincadamente do que antes, fizemos o que os jogadores de um clube como o FC Porto tinham de fazer: percebemos que teríamos de nos unir mais, o treinador foi conversando connosco e as coisas começaram a mudar e a funcionar. Talvez houvesse uma atitude mais individualista antes, mas as questões foram colocadas em cima da mesa. Percebemos que nem sempre funcionávamos como um grupo e depois entregámo-nos ao trabalho pura e simplesmente.” 

“Sim, claro. Ele passa muitas vezes nos balneários sem abrir a boca, mas naquele dia conversou com o grupo e depois desse jogo voltou a falar connosco e não tenham dúvidas de que todos nós o respeitamos muito, porque ninguém se atreve a abrir a boca quando ele fala. Notou-se que aquelas palavras pesaram muito entre nós.” 

Excertos da entrevista de Defour ao jornal OJOGO

Esta entrevista de Defour é reveladora da forma como está o actual FC Porto. Destaquei estas duas declarações do Belga por irem de encontro a algo que já foi devidamente dissecado aqui no Mística.

O 1º facto que já mereceu destaque da parte deste Blog prende-se com o facto de termos sempre dito que o principal culpado de alguns maus resultados do Futebol Clube do Porto não era nunca Vítor Pereira mas sim o Plantel. Defour ao afirmar que “Ninguém tem qualquer conflito com o treinador, começámos foi a trabalhar mais afincadamente do que antes, fizemos o que os jogadores de um clube como o FC Porto tinham de fazer: percebemos que teríamos de nos unir mais, o treinador foi conversando connosco e as coisas começaram a mudar e a funcionar.” vem confirmar tal facto.

Como tal caem num enorme saco roto os apupos e assobios que muitos Portistas dirigiram a Vítor pereira durante o período menos bom que o Clube Azul e Branco atravessou no passado ano de 2011.

A 2ª e muito importante constatação que retiramos desta entrevista é que quem põe ordem no balneário e tem mão nos Jogadores não é o Treinador nem a sua equipa Técnica mas sim o Presidente do FC Porto.

Tal não é muito reconfortante porque deveria ser quem trabalha com os Atletas todos os dão que deveria saber estar com eles. Nesta área José Mourinho (por exemplo) é Rei e Senhor e desta forma sabe como retirar mais de 1000% de dedicação dos seus Jogadores. 

Para além disto pergunta-se o que anda José Semedo a fazer na equipa Técnica dos Dragões uma vez que os Jogadores apenas respeitam o Treinador por imposição de Pinto da Costa.

E já agora, tal situação não poderá gerar graves e complicadas situações quando um dia deixar de haver um Pinto da Costa na Presidência do Futebol Clube do Porto e o Clube contar com um Treinador ao estilo de Vítor Pereira?

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Não embandeirar em arco

3 jogos depois eis que o Futebol Clube do Porto venceu um jogo de forma convincente. Não foi um jogo perfeito, mas o facto de Vítor Pereira não ter inventado no que ao onze inicial diz respeito já foi uma enorme ajuda para esta conquista em Coimbra. Até nas substituições a equipa Técnica Azul e Branca esteve quase bem. Quase bem porque tirar o Walter para meter o Belluschi e terminar o jogo com 2 extremos a “fazerem” de ponta de lança não entra no perfeito juízo de ninguém… Mas o problema de Vítor Pereira não está no inicio das partidas, mas sim no decorrer destas e quando o jogo não está a correr bem para o FC Porto.

Portanto não comecemos já a embandeirar em arco e fazer de Vítor Pereira o Piloto do carro de Alta Cilindrada Azul e Branco. Os problemas continuam todos lá e há que ter em linha de conta que este jogo de Coimbra correu muito bem ao dragão que entrou no jogo a vencer. E já se viu que quando a equipa entra a vencer, Vítor Pereira não complica e os 3 pontos entram no Reino do Dragão. A história é outra quando os golos não aparecem ou quando a equipa sofre golos ou uma expulsão… Do pouco que vi quando tal acontece e a pressão é altíssima, VP e os seus pares não sabem o que fazer e depois lá surgem derrotas como a da Rússia e empates ridículos como os de Aveiro ante o Feirense e Dragão contra o SL Benfica.

E há outro problema dentro do actual Plantel que esta vitória no Domingo passado ainda não fez dissipar por completo: Disciplina e atitude. Já o disse pelas mais variadas vezes que tinha manifestas dúvidas de que Semedo e Rui Quinta tivessem o pulso necessário para colocar os Jogadores mais virtuosos na linha. E mantenho estas mesmas dúvidas apesar da vitória em Coimbra. Ou melhor, as minhas dúvidas agudizaram ainda mais quando eu me apercebei de que Jogadores como o Hulk e James (por exemplo) passaram a jogar mais para a equipa após a tal reunião de emergência entre os Capitães da equipa Portista, Treinador e Direcção. È muito grave que tenha de ser a Direcção a impor a ordem no Balneário. E isto também diz muito da personalidade de Vítor Pereira que pelos vistos é muito fraca para uma Equipa como o FC Porto.

E o que foi preciso acontecer para que o actual treinador dos Dragões se apercebesse de que Walter faz parte da Equipa. O Brasileiro pode não ser um Jogador de excelência, mas pode servir para ajudar Kleber a integrar-se no sempre complicado e exigente Mundo Azul e Branco e pode até jogar na vez deste quando este não puder jogar. Ter de jogar 11 jogos e de sofrer dois empates e uma derrota para perceber isto é um tremendo erro de Vítor Pereira e da sua equipa Técnica.

Naturalmente que eu não passo uma semana inteira a dizer mal de VP nem a coloca-lo numa Bandeja de Ouro quando este ganha um jogo, mas há coisas que tem de ser ditas e parece-me que esta solução de recurso que a direcção Portista encontrou para colmatar a saída de André Villas-Boas não passa disto mesmo: de uma solução de recurso. E vai ser esta mesma solução que vai comandar a equipa até ao fim da temporada, pelo que apenas me resta desejar que a pressão e os maus resultados andem bem longe do Dragão, senão vamos andar todos com o coração nas mãos. 

E não digo isto por achar que é mais fácil criticar o Treinador do que os Jogadores como já li algures. Eu digo tal coisa porque é o que se passou nos últimos jogos do FC Porto. È que eu sou um adepto do Futebol Clube do Porto que olha para o Mundo Azul e Branco com alguma racionalidade, e como tal tenho a capacidade de reconhecer que por vezes Pinto da Costa e companhia também metem o pé na argola…

domingo, 25 de setembro de 2011

Vítor Pereira

Desde que o actual Treinador do Futebol Clube do Porto assumiu orientar o Plantel Portista que eu sempre afirmei que lhe dava o benefício da dúvida uma vez que se trata de um Treina dor que não tem um historial muito famoso para ser o Treinador dos Dragões. O mesmo o fiz relativamente á sua Equipa Técnica, sendo que a esta coloquei sempre a interrogação de que se o Adjunto Semedo seria a pessoa certa para impor a ordem e manter a Mística do FC Porto no balneário.

Ainda mantenho este benefício da dúvida a Vítor Pereira e seus pares, mas o facto de o FC Porto conquistar apenas 2 pontos em 6 possíveis contra o CD Feirense e SL Benfica faz com que eu comece a recear um pouco pelo futuro do Clube Azul e Branco. Não está aqui em causa somente o facto de os Dragões terem empatado dois jogos seguidos, mas sim a forma desastrosa como e4stes jogos foram orientados pela Equipa Técnica. Parece-me que uma certa sobranceria passou a ser o sentimento dominante no Reino do Dragão em vez da vontade de trabalhar que caracterizou o FC Porto de André Villas-Boas. Já aqui tinha dado conta disto quando o Treinador Vítor Pereira afirmou publicamente que não tinha tempo para ver os jogos do Benfica e quando os Dragões resolveram fazer contratações milionárias de Jogadores jovens que tanto podem afirmar no nosso futebol como não.

Outro factor que não tem contribuído para o bem-estar do Treinador Azul e Branco reside no facto de este ter alguma dificuldade em tomar decisões sob pressão durante os 90 e poucos minutos de uma partida de futebol. O que não deixa de ser estranho pois este até ao jogo em Aveiro ante o Feirense, Vítor Pereira tinha colocado a equipa a praticar um bom futebol e tinha o adversário bem estudado. Quer-me parecer que o empate a zero com o Feirense pesou muito na tranquilidade de Vítor Pereira que a partir daí não voltou mais a acertar na equipa e nas substituições.    

Outro aspecto prende-se com o facto de o actual Treinador não ter opinião sobre as contratações que o Futebol Clube do Porto vai fazendo. Para tal basta ver o que está a acontecer com Walter. Já todos percebemos que o Brasileiro não entra nas opções de Vítor Pereira e como tal não se entende porque raio de motivo a SAD Portista não vendeu este Jogador o mais rapidamente possível. Se a SAD conseguiu colocar á ultima da hora Jogadores que estavam na Lista de Dispensas em vários Clubes Europeus, porque carga de água não “despachou” o malfadado Bigorna? È que esta situação só está a prejudicar o Atleta e o treinador que não conta com ele nem sabe gerir este problema.

Estamos ainda na 6ª Jornada da Liga Zon Sagres e o FC Porto lidera a Tabela Classificativa juntamente com SL Benfica e SC Braga, os Dragões lideram também o Grupo G da Liga dos Campeões e ainda agora vai começar a Taça de Portugal, pelo que muita água ainda vai correr por debaixo da ponte, mas já começam a aparecer muitos “se” e “senão” á volta da prestação de Vítor Pereira como Treinador Portista. Por isto é bom que Vítor Pereira/Rui Quinta/Semedo comecem efectivamente a mostrar serviço e a colocar uma mão pesada no Plantel sob pena de se juntarem ao grupo de Treinadores mal amados do FC Porto. Se a equipa jogou bom futebol até ao jogo com o CD Feirense, porque razão não se deu continuidade às boas prestações?

Continuo a dar o benefício da dúvida a esta equipa Técnica, mas (tal como os outros Adeptos e Sócios do FC Porto) a minha paciência começa a esgotar-se.

sábado, 6 de agosto de 2011

Vítor Pereira

Não quis elaborar esta crónica antes de ter terminado a votação que esteve a decorrer aqui no Mística porque não queria influenciar a opinião de que votou. Aliás eu não cheguei a votar em tal sondagem porque a minha opinião sobre o novo Treinador do FC Porto não se resume a um simples voto. Há algo para dizer que não fica completo só com um clic.

Ao contrário de André Villas-Boas que eu conhecia muito bem pois acompanhei de perto a sua carreira na Académica de Coimbra,  o Vítor é para mim uma tremenda incógnita. Não sei se o Treinador dos Dragões é um estratega, se é um Líder, se é um bom Condutor de Homens, se é um excelente Gestor de Recursos Humanos, ou se é isto tudo junto. Simplesmente não sei o que vale Vítor Pereira e muito menos o vou colocar como o Homem certo para o lugar ou como o Homem errado para domar o Dragão.

O que eu sei, e isto segundo uma fonte próxima do Jogador Sapunaru, é que os Jogadores não guardam muito respeito ao actual Treinador e que tem muitas dúvidas sobre a sua capacidade para levar o Futebol Clube do Porto às vitórias. A Herança de AVB é muito grande e pesada e muito tem feito Pinto da Costa para que todos (Adeptos e Jogadores) vejam em Vítor Pereira o Homem certo no lugar certo.

Apesar de tudo, e por muito que o Presidente Portista afirme o contrário, Vítor Pereira foi uma solução de recurso pois seria tremendamente complicado o FC Porto arranjar um sucessor de Villas-Boas no actual Mercado de Treinadores, para além de que a especulação que a tendenciosa Imprensa Desportiva iria fazer em torno da Equipa não seria nada benéfico para as cores Azuis e Brancas.

Depois temos a questão dos elementos que compõem a sua equipa Técnica. Semedo continua a ser para mim o elo mais fraco desta Equipa e isto é muito grave dado que é sua a função de manter a Ordem e a Mística dentro do Balneário Portista, e por muito bom ou mau que Semedo tenha sido como Jogador, a sua Personalidade não parece mesmo encaixar no perfil que é exigido a um Treinador Adjunto dos Dragões.

E depois temos Rui Quinta que também é visto como um fraco Treinador e Formador no Mundo do Futebol. Ouvi a opinião de algumas pessoas que tiveram o prazer de partilhar algumas aulas da sua formação de Treinador com Rui Quinta, e a impressão geral não é mesmo nada positiva. Mas lá está, Rui Quinta pode não ter jeito nenhum para Formador e até ser um excelente Adjunto, mas o seu Historial de Treinador também não é muito animador.

Amanhã vamos todos tirar a prova dos nove pois o nosso FC Porto irá defrontar o VSC Guimarães num jogo a sério que poderá dar o primeiro Troféu Oficial da Temporada, mas não deixo de estar num enorme suspense no diz respeito a Vítor Pereira e seus pares.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Começa mal…

Ao contrário de Iturbe, a quem muitos apelidam de novo Messi, Danilo entra muito mal na estrutura do Futebol Clube do Porto. Atentemos a estas Declarações do Jovem Brasileiro que retirei do Jornal “OJOGO”:

"A jogar sou mais parecido com o Maicon, pelas características físicas, de força, mas ainda tenho que trabalhar muito para chegar ao nível dele, do Cafu e do Daniel Alves. Pela atitude, tenho o Gilberto Silva como modelo. Um jogador que às vezes foi contestado, mas sempre deu a volta por cima, se sobressaiu. Não à toa foi o capitão da selecção por muito tempo e é um atleta que fora de campo aparece o menos possível. Procuro espelhar-me sempre nele"

Denota-se claramente uma tendência perigosa para o Vedetismo por parte de um Jogador que é ainda muito jovem e que se pode perder com muita facilidade no Mundo do Futebol onde só os mais fortes sobrevivem. E o Danilo que não pense que no Reino do Dragão basta ser meio isto ou um quarto daquilo para ser titular. Este rapaz não está mesmo por dentro da dura exigência que vai enfrentar e muito menos está consciente que o Futebol na Europa em nada tem a ver com o divertido e lento Futebol Sul-americano.

Como tal dar 13 Milhões de € pelo seu passe não deixa de ser um investimento de elevadíssimo risco e pior ainda é a cláusula de rescisão ter-se situado nos 50 Milhões. E ainda por cima este Jogador vai ter de enfrentar Sapunaru e Fucile na luta pelo lugar de Defesa Lateral Direito e também terá de levar a melhor sobre Fernando, Souza, Guarín, Castro, Belluschi e João Moutinho por um lugar no Meio Campo do Clube Azul e Branco.

Mais uma vez afirmo que Semedo vai ter muito trabalho nesta Temporada que está quase a arrancar. E espero que este seja o Homem certo no lugar certo, porque vai ser uma tarefa hercúlea meter algum juízo e razão na cabeça de Jogadores do estilo deste Danilo. Esta pujança toda por parte deste Jogador não augura nada de bom…

E já agora, atentemos também a esta notícia que foi também publicada no Jornal “OJOGO”:

“O FC Porto tem de enviar para a UEFA até ao dia 9 de Agosto a lista de jogadores para a Supertaça Europeia, com o Barcelona. Quer isto dizer que Vítor Pereira tem menos de duas semanas para acertar o plantel, sabendo, desde já, que os portistas só pedem increver 21 ou 22 jogadores, de um máximo de 25, na lista A. Mais tarde, até 1 de Setembro, o clube pode reformular totalmente a lista, tendo em vista a fase de grupos da Liga dos Campeões, mantendo os mesmos critérios de elegibilidade.

Olhando ao plantel actual, o clube falha em cumprir os requisitos que permitem apresentar o máximo de 25 nomes. O FC Porto não tem o mínimo de quatro jogadores formados no clube, aliás, só tem um: Castro. Se o médio, que ainda não é certo que fique no plantel final, for inscrito para a partida com o Barcelona, o FC Porto pode enviar mais 21 nomes, mas entre eles têm de figurar quatro jogadores portugueses ou "formados" no país. Esta parte é fácil de cumprir visto que, nesta altura até são oito se incluirmos Djalma, Beto e Rafa.

Se Castro não for inscrito, o FC Porto não apresentará qualquer jogador formado no clube, baixando a quota de inscrições para 21 atletas, desde que quatro sejam portugueses.

Recorde-se que na época passada o FC Porto também não inscreveu todos os jogadores que a UEFA permite, ficando-se pelos 23. Na altura, Ukra e Castro foram incluídos como elementos formados no clube, curiosamente ambos saíram por empréstimo no mercado de Inverno.”

Dá que pensar não dá? Os Dirigentes Portistas que continuem a alimentar os Empresários e a fazer circular comissões pelos corredores do Dragão em vez de apostarem com força na Formação de Jogadores. E os Adeptos que continuem a bater palminhas a tudo que a Direcção faz… Eu espero não estar por cá quando a bomba rebentar.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Os mais e os menos da apresentação

Estive presente na apresentação do Futebol Clube do Porto aos seus associados e simpatizantes. Nunca esperando ver um grande jogo de futebol, e muito menos uma grande festa dado que ver tal coisa in loco é muito diferente (para pior) do que ver em directo na Televisão, eu estava curioso por ver alguns dos reforços que o Dragão contratou para enfrentar a nova temporada. Confesso que no geral fiquei muito satisfeito com o que vi, se bem que existem alguns pontos que Vítor Pereira tem de limar com alguma rapidez.

Sendo assim, aponto como pontos positivos os seguintes:

- Equipa: É com enorme satisfação que vejo que a base da equipa que ganhou tudo na Temporada anterior se mantém. Esta manutenção poderá dar uma maior margem de manobra ao Treinador Portista que terá pela frente uma Temporada complicada a nível interno e externo, pois se os Clubes da 2º Circular Lisboeta começarem a "patinar" a pressão sobre as arbitragens do Clube Azul e Branco vão ser enormes e a Liga dos Campeões vai ser tudo menos um passeio;

- Varela e Djalma: O Português e o Angolano têm sido dos Jogadores que mais tem brilhado nesta Pré Temporada. São muito parecidos no que ao seu desempenho em campo diz respeito e deixam sempre tudo em campo. Vamos a ver se quando as coisas forem a sério estes dois continuam a mostrar a sua qualidade;

- Maicon: Excelente Central. Gostei imenso de o ver a jogar e reparei que a equipa deposita nele muita confiança, pois quando o Club Atlético Peñarol se fechava na Defesa (tapando todas as linhas de passe) o Maicon surgia a fazer o primeiro passe de rotura para o Ataque. E isto para não falar que com este Brasileiro o FC Porto ganha uma maior presença nos lances de bola parada Se os adeptos do costume não forem fazer o seu ridículo barulho para o Estádio estou em crer que a Dupla Rolando/Maicon vai dar muito que falar pela positiva;

- Kléber: Um reforço de peso. Uma aposta segura e barata num Jogador com provas dadas no Campeonato Português. A meu ver é muito melhor apostar em Jogadores destes do que naqueles que são super vedetas caras que tanto podem dar em grandes Jogadores como em enormes fiascos. Está ali um Jogador que irá fazer muito jeito nos jogos em que Falcao não possa jogar e poderá ser uma arma muito útil para o assalto á Supertaça Cândido de Oliveira, Supertaça Europeia e Campeonato Nacional;

Mas como qualquer moeda, esta apresentação teve duas faces, e como tal surgiram alguns aspectos negativos. São eles:

- Hulk: Não sei se foram as palavras exageradas de Pinto da Costa sobre este Jogador ou se são as inúmeras entrevistas que o Brasileiro tem dado, mas o Hulk não tem andado bem. Demasiado individualista, trapalhão e com um excesso de vedetismo em todos os lances em que participa trazem-me alguma preocupação. Espero que Vítor Pereira consiga por a mão no Incrível e coloca-lo novamente com os pés bem assentes na Terra. Agora que é que vou ver se Semedo é o Homem certo no lugar certo;

- Excesso de Guarda-redes: Fiquei parvo quando vi o Guardião Beto a ser anunciado como membro integrante do Plantel 2011/12. Desta forma o FC Porto vai ter 3 excelentes Guarda-redes para atacar as Competições em que vai estar envolvido. Não deixa de ser preocupante porque Helton, Bracali e Beto merecem todos a titularidade, mas só um poderá jogar e outro ficar no banco dos Suplentes. E escusado será dizer que com esta situação o Jovem Ventura foi corrido do Dragão. Assim nem vale a pena mostrar o seu talento ao serviço de outras Equipas da Primeira Divisão Portuguesa.

Duas notas finais:

- João Moutinho tem jogado em todos os jogos de preparação do FC Porto e sempre que joga faz um jogão, pelo que não percebo como é que certos sectores da Blogosfera Portista acham bem que este saía para dar lugar ao tal de Danilo que só virá para o Clube em Janeiro;

- As Crónicas onde faço uma sucinta análise ao Plantel do FC Porto para a nova temporada foram subitamente interrompidas, mas as ditas cujas regressarão muito em breve uma vez que voltei a ter tempo para tão preciosa e aprofundada reflexão.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

O Patinho Feio

Parece que finalmente Vítor Pereira definiu a sua equipa Técnica. Rui Quinta (ex Varzim), José Semedo (antigo Jogador do FC Porto), Wil Coort e Filipe Almeida (ex Santa Clara) vão ser os Homens nos quais Vítor Pereira vai depositar toda a sua confiança no que ao treino e preparação da Equipa Azul e Branca diz respeito. Parece ser uma Equipa Técnica ambiciosa e sobretudo jovem, o que poderá fazer renascer a vontade de vencer que André Villas-Boas implementou na Equipa na Temporada anterior.

Naturalmente que o nome que merece um maior destaque é o de José Semedo. O seu passado como Jogador do FC Porto que marcou uma página de ouro do Clube leva-me a destaca-lo dos demais, para além de que o seu trabalho vai ser o mais complicado, pois a este vai caber a sempre árdua tarefa de manter a Mística do Porto e a união do Grupo de Trabalho. Uma tarefa complicada para alguém que era um Patinho Feio nos seus tempos de Jogador.

Confesso que de Semedo recordo-me apenas da sua triste passagem pelo SC Salgueiros, Clube onde acabou por terminar a carreira de Jogador, mas do que me recordo vagamente da sua passagem pelo dragão, é de muitos assobios e pouca compreensão por um Atleta que tinha uma dificuldade enorme em mostrar aos Adeptos o seu Futebol. Ainda hoje quando se fala de Semedo aos Portistas mais velhos, estes descrevem-no da mesma maneira que nós quando nos referimos á pobreza de Jogador que foi o Mariano. Segundo estes, Semedo era uma das cismas de Ivic, e nem o facto de Semedo ter ajudado o FC Porto a ganhar um Campeonato Nacional, uma Supertaça Cândido de Oliveira, Supertaça Europeia e Taça Intercontinental fazem com que os Portistas tenham boas recordações deste.

Se aliarmos a isto o simples facto de este ser o ano de arranque de Semedo no que ao cargo de Treinador de Futebol diz respeito, leva-me a colocar em causa esta escolha para um Adjunto que se quer como principal Guardião da Mística do Clube Azul e Branco. Tenho um certo receio de que Semedo não consiga conquistar aquilo que em muitos anos de Dragão ao peito não conseguiu conquistar: O respeito dos Adeptos. E tenho também sérias dúvidas de que o Ovarense Semedo consiga impor com sucesso a Paz, Tranquilidade, Respeito e Espírito de União e de Combate no Balneário do Dragão. Se me dessem e escolher um Homem para suceder a Pedro Emanuel como Adjunto, eu teria optado por Paulinho Santos ou até mesmo Capucho, porque estes como Jogadores conseguiram conquistar o respeito e carinho dos exigentes Adeptos Azuis e Brancos, para além de que estes marcaram de uma forma muito positiva uma das várias Páginas de Ouro do Futebol Clube do Porto.

Semedo tem assim uma dura tarefa pela frente, e só no Final desta Temporada que está quase a arrancar é que poderemos dizer se o Patinho Feio se transformou num Belo Cisne. Até lá, vamos indo e vamos vendo como dizia a minha Falecida Avó.