segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Estranho Caso das VMOC's

Desculpem lá vir falar do Zbórden neste blogue mas qualquer dia também pode sobrar para nós. Não que alguma vez tenhamos enveredado por esse caminho. Preferimos os EO (Empréstimos Obrigacionistas) que nos levam couro e cabelo para depois contratarmos aquela cambada que se arrasta em campo. Podemos também, sabe-se lá, ter a tentação de ir buscar mais uma fatia do Estádio do Dragão ao clube. VMOC’s ainda não.
 
A sigla VMOC’s significa um tipo específico de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis que tem uma duração limitada no tempo. Rendem juros anuais e obrigam as empresas que os emitem a resgatá-los no prazo ou a entregar aos investidores, numa data pré-fixada, uma quantidade de ações correspondente às Obrigações que estes detenham.
Comecemos do princípio. A moda vem do Sporting/Sad ao tempo comandado por José Eduardo Bettencourt que foi cravar à HOLDIMO de Álvaro Sobrinho da BESI (uma societária do BES), 20M€ para que o clube não fosse à falência. Entretanto, e para abreviar, quando Bruno de Carvalho foi eleito e não tinha dinheiro para resgatar essa dívida o que aconteceu? Fez uma emissão destas Obrigações e entregou-as de mão beijada a Álvaro Sobrinho que assim ficou com uma parte considerável (quase 30%) na estrutura acionista.
 
Eis-senão-quando entra em cena uma nova entidade, nada mais, nada menos, do que a Hoitong uma sociedade financeira capitaneada por José Maria Ricciardi que adquiriu o BESI por 379 Milhões de Euros, em 2015. O Sporting sempre trabalhou com o BESI na elaboração destas operações de mercado, pelo que também são “investidores” da SAD criada por José Roquette e passou pelas mãos de indivíduos sem qualquer capacidade para dirigirem o clube, como Eduardo Bettencourt. Como sabem estes nomes com duas consoantes repetidas indiciam “gente fina”. Pessoal do “croquete”!
 
Dando um salto no tempo e depois de assistirmos a duas emissões de VMOC’s e agora mais outra de 55m€ estas atingiram o lindo número de 190m€ só neste tipo de Obrigações. Ora a Banca permitiu, num estranho project finance, esticar o prazo até 2026. Como nessa data não deverá haver dinheiro para as resgatar significa que os seus detentores se tornam “sócios à força” da Sad com todos os inconvenientes que isso traz. Vejam no Quadro abaixo como vai ficar a estrutura acionista.
Na parte de cima do quadro verificamos que o Capital Social da SAD que era inicialmente de 67M€, com as sucessivas VMOC´s, (que entraram como Capital Social) passou para 275m€. Inevitavelmente com este Capital fresco reduziu-se a percentagem dos anteriores acionistas, alterando a sua proporcionalidade. Assim, por exemplo (ver parte de baixo do quadro) o Sporting Clube de Portugal tinha 63,9% da SAD e agora fica com apenas 51,6%. Os Bancos não tinham nada na SAD e agora vão ficar com 33,1%. A Holdimo desce de 29,9% para 7,3%. Aparecem, “Novos Investidores” que não existiam antes e agora somam 6,5%, o Quim Oliveira desce de 3,2% para O,8% e os restantes “outros” baixam de 3,0% para 0,7%.
 
Desde logo esta nova “repartição” de poderes deve-se essencialmente à entrada em cena da Banca. Não se compreende como bancos falidos (estamos a falar do BES mais os seus filhos o Banco Bom e o Banco Mau) e das suas societárias (BESI etc.) conseguem aplicar dinheiro em sociedades também elas completamente falidas e sem qualquer possibilidade de ressarcirem os “empréstimos”. O que dirão os pobres depositantes do Banco Mau por essa Europa fora que estão a arder com milhões de Euros?
 
Qual o perigo destes “novos investidores” para o Clube? É fácil adivinhar. Pode aparecer um chinês qualquer a quem os bancos e os outros investidores vendam a parte que então detém (quase 50%) e tornar-se o dono da SAD. Isto, claro, se a Sporting Sad for capaz de resgatar as restantes VMOC’s (cerca de 90M€) até 2026 e não for preciso alienar mais partes do Capital. Então, na pior das hipóteses, se for mesmo ao charco, o clube terá que mudar de nome (como o Salgueiros 2008) e começar nos Distritais para poder participar no jogo do pontapé na bola. Calimeros 2026 parece-me um nome sugestivo.
 
Até á próxima

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