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terça-feira, 10 de abril de 2018

Vamos Baixar o Passivo

Ultimamente Luís Filipe Vieira tem sentido a necessidade de falar às massas. Um dos meios mais utilizados são as pretensas entrevistas aos cartilheiros que alguém lhe escreve ou então discursos nas “casas do Benfica” para lavar a imagem. O homem também informou a CMVM que ia baixar o Passivo em 97 milhões de euros. Diz ele que foi para “reestruturar a dívida”. Esta expressão que significa reformar, organizar de outra forma é mais uma lavagem ao cérebro dos seus associados para fingir que está cheio de dinheiro. Já conhecemos esta ladainha há anos. Na prática trata-se de uma artimanha para empurrar a dívida mais para a frente. Não sabemos o que vai acontecer aos seus calotes pessoais.
Sabemos, isso sim, na parte referente ao clube e à SAD quais os bens que estão dados como garantia de várias operações. Vejamos:

Com a reestruturação do Grupo Benfica realizada em dezembro de 2009, nomeadamente com a aquisição da totalidade das ações da Benfica Estádio pela Benfica SAD ao Clube, a Benfica SAD substituiu o Sport Lisboa e Benfica na prestação das garantias. A 13 de julho de 2007, no âmbito do financiamento da construção do Caixa Futebol Campus, a Benfica SAD em conjunto com a Benfica Estádio celebrou com a Caixa Geral de Depósitos um empréstimo sob a forma de mútuo com hipoteca, penhores e promessa de hipoteca, o qual foi garantido por

• Hipoteca de primeiro grau sobre o direito de superfície dos terrenos sitos no Seixal onde se encontra construído o Caixa Futebol Campus, que abrange as pertenças e benfeitorias presentes e futuras sobre os bens objeto daquele direito;

• Penhor de créditos do contrato de naming right e patrocínio celebrado a 21 de setembro de 2006 com a Caixa Geral de Depósitos;

• Promessa de hipoteca sobre os terrenos onde está edificado o Caixa Futebol Campus, caso seja exercido o direito de aquisição dos mesmos por parte da Benfica SAD no final do período de cedência do direito de superfície;

• Domiciliação do pagamento de créditos referentes a contratos de naming right, de patrocínio ou de publicidade relacionados ou localizados no Caixa Futebol Campus;

• Domiciliação do pagamento a partir de 1 de julho de 2013 de créditos referentes ao contrato de utilização das lojas do Centro Comercial atualmente exploradas pelas sociedades Adidas Portugal – Artigos de Desporto, S.A. e Media – Saturn Systemzentrale GmbH;

• Cessão de crédito futuro que a Benfica SAD tenha direito caso o Sport Lisboa e Benfica opte por exercer o direito de adquirir as benfeitorias edificadas nos terrenos sujeitos ao contrato de direito de superfície supra-referido.

O contrato de financiamento no montante máximo de 30 milhões de euros em vigor com o Novo Banco foi garantido com a entrega de uma livrança, penhor sobre os direitos desportivos de um conjunto de jogadores e os respetivos contratos de seguro desportivo referente a acidentes pessoais, designadamente dos atletas André Almeida, César, Cristante, Fejsa, Lisandro Lopez, Luisão, Pizzi, Rafa, Raúl Jimenez, Samaris, Sálvio e Talisca.

O contrato de organização, colocação e tomada firme de papel comercial no montante máximo de 61 milhões de euros em vigor com o Novo Banco foi garantido com um contrato de penhor de créditos futuros celebrado entre o Novo Banco, a Benfica SAD, o Sport Lisboa e Benfica, a Benfica Estádio e a Benfica TV referente ao contrato assinado entre essas empresas do Grupo Benfica e a Sociedade Central de Cervejas, S.A. Atualmente, o montante máximo do referido programa equivale a 57 milhões de euros, mantendo-se a mesma garantia.
 
Para garantia do integral e pontual cumprimento pela Benfica Estádio das Obrigações Garantidas (obrigações da empresa perante os bancos, emergentes do Contrato de Financiamento e dos Contratos Financeiros), foram constituídas as seguintes garantias (algumas das quais já foram referidas anteriormente em base individual):

• O Sport Lisboa e Benfica constituiu a favor dos bancos, penhor sobre todas e cada uma das ações de que era titular (10.000 ações representativas da totalidade do capital social da Benfica Estádio), assim como de novas ações de que possa vir a ser titular (em virtude de qualquer aumento de capital social da Benfica Estádio), bem como de todos os suprimentos e/ou prestações acessórias, no montante de 29.297 milhares de euros

• A Benfica Estádio, o Sport Lisboa e Benfica e a Benfica SAD, constituíram a favor dos bancos, garantia sobre todos os saldos a crédito das Contas do Projeto, das Contas SLB e da Conta SAD, constantes do Contrato de Financiamento, podendo ser livremente movimentados desde que não se verifique incumprimentos (a garantia prestada pela Benfica SAD já estava referida anteriormente em base individual);

• A Benfica Estádio constituiu a favor dos bancos, penhor sobre todos os bens empenháveis (adquiridos a partir da data de assinatura do Contrato de Financiamento) e ainda sobre todos os créditos de que a Benfica Estádio venha a ser titular sobre o Sport Lisboa e Benfica e a Benfica SAD, relativamente a suprimentos e/ou prestações acessórias;

• O Sport Lisboa e Benfica constituiu a favor dos bancos, primeiro penhor sobre todos os créditos, atuais e futuros, que detenha ou venha a ser titular, sobre os associados do Clube, a título de quotas;

• A Benfica Estádio constituiu hipoteca de primeiro grau a favor dos bancos, sobre o imóvel, (leia-se o galinheiro) conforme escritura de hipoteca de 16 de junho de 2003;

• A Benfica Estádio cedeu ao banco agente das garantias, em representação dos bancos, todos os créditos de qualquer tipo ou natureza, emergentes ou futuros, dos contratos descritos no Contrato de Financiamento;

Para garantia do integral e pontual cumprimento pela Benfica TV do contrato de locação financeira mobiliária celebrado com o Novo Banco, foi subscrita pela própria e avalizada pela Benfica SAD uma livrança com montante e data de vencimento em branco.
Só faltou mesmo empenhar o ourinho e os anéis. Tinha graça ver o Luisão a ser leiloado se não pagarem os juros. Depois de alguns jogadores serem libertados do ferrete do penhor mete o catálogo debaixo do braço e lá vai por esse Mundo fora com o Jorge Mendes enfiar os “Renatos” a outros clubes mediante o pagamento de chorudas comissões. Diz o homem que “não vivemos da boa vontade de créditos de última hora da Banca". Pois não! Ninguém lhe empresta um Euro todos os Ativos estão dados como penhor. Para abater os 97 milhões foi pedir dinheiro adiantado dos créditos futuros relativos aos proveitos do contrato dos direitos de transmissão televisiva celebrado com a NOS. Por isso esta época tem necessidade de ganhar o título com as constantes aldrabices que todos conhecemos.

Até à próxima

NOTA - Os sublinhados e destaques a vermelho são meus

segunda-feira, 5 de março de 2018

A Brigada dos Croquetes

Depois do sonho de José Roquette em transformar o Sporting num Centro Comercial e um Complexo Desportivo que produzissem receita suficiente para a construção do novo estádio Alvaláxia XXI passou pelo clube e SAD um bando de incompetentes a que se convencionou chamar a Brigada dos Croquetes.
A parte comercial falhou completamente, as dívidas foram-se acumulando, e a equipa de futebol continua sem ganhar nada há 16 anos. Mas digam o que disserem o Sporting atual de Bruno de Carvalho não é o mesmo. Fez uma limpeza no balneário, boas contratações, a equipa está mais arejada e tem a situação financeira equilibrada. Além disso foi aceite o pedido de um voto de confiança aos associados de “mais de 75% dos votos” em cada um dos 3 pontos exigidos por Bruno de Carvalho aprovados na Assembleia Geral. 
A herança recebida não será fácil de esquecer nomeadamente lá mais para a frente quando chegar o prazo para resgatar os VMOC (Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis). Esta obrigação foi contratualizada em Dezembro de 2014 com um prazo de maturidade de doze anos. Ou seja, se nada foi for feito até lá, em 2026, o Sporting por via dos VMOC terá que desembolsar 133M€ mais juros. Se falhar a liquidação a maioria da SAD passa para as mãos da Banca a menos que aceitem uma nova reestruturação da dívida.
 
Bruno de Carvalho depois de conseguir a maioria pretendida resolveu apresentar um outro pedido. “Que os 3,5 milhões de Sportinguistas deixassem de ler os jornais desportivos e os comentadores adeptos do Sporting nos debates televisivos abandonassem os programas!”
 
Desde logo não sei onde foi “arranjar” os 3,5 milhões de adeptos. É que esse número somado aos 6 milhões de corruptos do outro Circo da 2ª circular perfaz 9,5 milhões. Quer dizer que pelas contas do banana só restam no País 500 vagas para os Portistas! No joguinho do Dragão fizeram o que podiam mas apanharam com uma equipa determinada pela frente. Pelo menos devem pensar em acabar a época à frente do Clube da Treta.
 
É com este caramelo que teremos de conviver mais algum tempo. Não será um Luís XIV como o Rei Sol do galinheiro mas alguém que elevará o Clube e a SAD aos mais altos voos da história dos Calimeros. Nem sei como lhe devo chamar. Rei de Copas pode ser?
Pelo menos o homem reduziu a Brigada dos Croquetes a cinzas.
 
Até à próxima

terça-feira, 11 de abril de 2017

Os Lacaios de Vieira

Só não entendi como o remetente desta palhaçada é o azeiteiro Carlos Janela. O homem não estava ligado aos Calimeros? Será trabalhador independente e recebe benesses do outro Circo? Podemos desmontar aquilo tudo mas não vamos perder tempo com estes serventuários do senhor Vieira, o homem que trabalhava numa recauchutagem em Alverca, e vivia do ordenado. Hoje é um dos 20 homens mais ricos do país mas só das suas empresas deve 600M€. Vamos apenas referir uns apontamentos sobre o desvario a que o seu diretor financeiro tem levado aquela SAD. Domingos Soares de Oliveira é um bluff de todo o tamanho. Quando chegou existia um Passivo de 82M€. Hoje já vai em 500M€ (só de Empréstimos Obrigacionistas são 145M€). Pela primeira vez na história conseguiram ficar reféns de 3 Empréstimos Obrigacionistas ao mesmo tempo. Veja-se
Das últimas Contas publicadas referentes a 2016 podemos retirar algumas conclusões. O Capital Próprio está completamente desbaratado. Deviam ter 57,5M€ (pelo menos metade do Capital Social que é 115M€) mas apenas possuem 24,7M€ ou seja 1/6 daquilo que devem aos subscritores destes EO! O diretor financeiro diz que com este empréstimo “vão encaixar 50 milhões”. Traduzindo para português significa que aumentaram o Passivo em mais 50M€. Como de Resultados Operacionais (sem vendas de passes) na época 2015/2016 só tiveram 39M€) não sei como vão desembrulhar esta meada nas próximas 10 épocas.
LFV senta na mesma tribuna António Costa e Mário Centeno com quem, já percebemos, conta para lhe resolver o problema. Uma dupla igual à de Santana Lopes/Carmona Rodrigues que lesaram o erário publico em milhões de euros com as benesses concedidas ao clube do regime aquando da construção do galinheiro em 2002 sem que nenhum deles fosse parar à cadeia. Mesmo assim o galinheiro não estará pago tão cedo e Santana Lopes que tem assento como comentador semanal na TV das sopeiras, de prémio, ganhou um lugar na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa! Lembram-se destas notícias?
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Voltando ao assunto desta crónica refira-se que o imbecil do Dia Seguinte, lambe-botas oficial do clube do regime, diz que espalhar os lacaios pelos pasquins, rádios e Tv’s “demonstra ter uma estrutura profissional”! Provavelmente num tempo não muito distante, com a ajuda dos Órgãos de Comunicação que sustentam este grande embuste, vamos ver os 3 caramelos travestidos de Mariachis no Casino do Estoril em qualquer Operação Coração.
Até à próxima

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Hora de Balanços

Na crónica de hoje, para variar, vamos falar de Balanços. Desportivos e Financeiros. Bem sei que a época ainda vai a meio mas já temos dados que podem projetar o que as principais equipas poderão fazer (ia a dizer retificar) até Junho deste ano. Nos dois circos da capital, e embora aguardando ainda a publicação das Contas do 1º Semestre (1 de Junho a 31 de Dezembro de 2016) a situação não se apresenta muito risonha.
Enquanto no “clube da treta”, pese embora uma boa subida dos Proveitos, sabemos que sem Receitas Extraordinárias (transações de jogadores e duas já falharam Lindelof e Jiménez) continuam com o Passivo em crescendo, o Capital Próprio abaixo dos 50% do Capital Social, e um peso excessivo nos Custos Salariais. Quanto às dívidas de LFV e do Clube ao BES podem clicar em “ as 50 sombras do BES ” e ficam a conhecê-las melhor. Pelo contrário a prestação desportiva com o tradicional “colinho” excedeu todas as expetativas quando as atenções estavam viradas para a equipa do outro lado da 2ª Circular.
No vizinho do circo em frente a situação é pouco menos do que caótica. A contratação mais cara da história que fizeram com o treinador sem correspondência nos resultados desportivos ficará registada como um rude golpe para quem, como Bruno de Carvalho, criticava o despesismo dos anteriores presidentes. No plano desportivo apresenta-se com o plantel desequilibrado sem dois bons laterais e a falta evidente de mais um ponta-de-lança como Slimani. Na linha média não se notou a saída de João Mário, dadas as boas exibições que Gelson tem protagonizado. O único que se tem mantido com o prestígio intacto é mesmo Adrien com um nível geral de boas prestações. Na parte Financeira, os elevados Custos nas contratações da época somados a um Passivo galopante que vem dos anos anteriores não anuncia grandes melhorias na sua estabilidade. Só a renegociação do plano Financeiro com o BES (empurrar as dívidas para a frente) se poderá considerar positivo mas com imprevisíveis consequências na altura do acerto das Contas com os famosos VMOC’s (valores mobiliários convertíveis em Ações) que tem forçosamente de ser resgatados. Se assim não acontecer, essas Ações podem ficar na posse da banca que então controlará parte significativa da SAD. Também a Doyen anunciou para breve uma penhora aos bens da SAD. Isto se houver ainda por lá alguma coisa penhorável.
Por último, e mais importante, o nosso Clube. Digamos que estará no meio dos outros dois. Se a performance Desportiva parece indiciar algumas melhoras, embora não tenhamos conseguido ainda concretizar todas as jogadas de golo, a apatia da SAD na procura de melhores soluções Financeiras não parece muito animadora. O resultado negativo das últimas Contas de 54M€ deixou a SAD em muito maus lençóis. Sem atletas de alto nível apetecíveis para os nossos “clientes estrangeiros” o plantel parece estagnado a menos que um milagre aconteça daqui até ao fim de Janeiro. Alguns jogadores que sairão por empréstimo não representam grandes encaixes com a consequente impossibilidade de contratar reforços sonantes. Transferir 1 ou 2 dos nossos melhores atletas também pode colocar o lugar na tabela em risco. Esperamos todos que Administração acorde e que os próximos jogos com o Sporting a 4 de Fevereiro e com a Juventus a 22 de Fevereiro e 14 de Março sejam a chave para o nosso fortalecimento.

Até à próxima

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Estranho Caso das VMOC's

Desculpem lá vir falar do Zbórden neste blogue mas qualquer dia também pode sobrar para nós. Não que alguma vez tenhamos enveredado por esse caminho. Preferimos os EO (Empréstimos Obrigacionistas) que nos levam couro e cabelo para depois contratarmos aquela cambada que se arrasta em campo. Podemos também, sabe-se lá, ter a tentação de ir buscar mais uma fatia do Estádio do Dragão ao clube. VMOC’s ainda não.
 
A sigla VMOC’s significa um tipo específico de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis que tem uma duração limitada no tempo. Rendem juros anuais e obrigam as empresas que os emitem a resgatá-los no prazo ou a entregar aos investidores, numa data pré-fixada, uma quantidade de ações correspondente às Obrigações que estes detenham.
Comecemos do princípio. A moda vem do Sporting/Sad ao tempo comandado por José Eduardo Bettencourt que foi cravar à HOLDIMO de Álvaro Sobrinho da BESI (uma societária do BES), 20M€ para que o clube não fosse à falência. Entretanto, e para abreviar, quando Bruno de Carvalho foi eleito e não tinha dinheiro para resgatar essa dívida o que aconteceu? Fez uma emissão destas Obrigações e entregou-as de mão beijada a Álvaro Sobrinho que assim ficou com uma parte considerável (quase 30%) na estrutura acionista.
 
Eis-senão-quando entra em cena uma nova entidade, nada mais, nada menos, do que a Hoitong uma sociedade financeira capitaneada por José Maria Ricciardi que adquiriu o BESI por 379 Milhões de Euros, em 2015. O Sporting sempre trabalhou com o BESI na elaboração destas operações de mercado, pelo que também são “investidores” da SAD criada por José Roquette e passou pelas mãos de indivíduos sem qualquer capacidade para dirigirem o clube, como Eduardo Bettencourt. Como sabem estes nomes com duas consoantes repetidas indiciam “gente fina”. Pessoal do “croquete”!
 
Dando um salto no tempo e depois de assistirmos a duas emissões de VMOC’s e agora mais outra de 55m€ estas atingiram o lindo número de 190m€ só neste tipo de Obrigações. Ora a Banca permitiu, num estranho project finance, esticar o prazo até 2026. Como nessa data não deverá haver dinheiro para as resgatar significa que os seus detentores se tornam “sócios à força” da Sad com todos os inconvenientes que isso traz. Vejam no Quadro abaixo como vai ficar a estrutura acionista.
Na parte de cima do quadro verificamos que o Capital Social da SAD que era inicialmente de 67M€, com as sucessivas VMOC´s, (que entraram como Capital Social) passou para 275m€. Inevitavelmente com este Capital fresco reduziu-se a percentagem dos anteriores acionistas, alterando a sua proporcionalidade. Assim, por exemplo (ver parte de baixo do quadro) o Sporting Clube de Portugal tinha 63,9% da SAD e agora fica com apenas 51,6%. Os Bancos não tinham nada na SAD e agora vão ficar com 33,1%. A Holdimo desce de 29,9% para 7,3%. Aparecem, “Novos Investidores” que não existiam antes e agora somam 6,5%, o Quim Oliveira desce de 3,2% para O,8% e os restantes “outros” baixam de 3,0% para 0,7%.
 
Desde logo esta nova “repartição” de poderes deve-se essencialmente à entrada em cena da Banca. Não se compreende como bancos falidos (estamos a falar do BES mais os seus filhos o Banco Bom e o Banco Mau) e das suas societárias (BESI etc.) conseguem aplicar dinheiro em sociedades também elas completamente falidas e sem qualquer possibilidade de ressarcirem os “empréstimos”. O que dirão os pobres depositantes do Banco Mau por essa Europa fora que estão a arder com milhões de Euros?
 
Qual o perigo destes “novos investidores” para o Clube? É fácil adivinhar. Pode aparecer um chinês qualquer a quem os bancos e os outros investidores vendam a parte que então detém (quase 50%) e tornar-se o dono da SAD. Isto, claro, se a Sporting Sad for capaz de resgatar as restantes VMOC’s (cerca de 90M€) até 2026 e não for preciso alienar mais partes do Capital. Então, na pior das hipóteses, se for mesmo ao charco, o clube terá que mudar de nome (como o Salgueiros 2008) e começar nos Distritais para poder participar no jogo do pontapé na bola. Calimeros 2026 parece-me um nome sugestivo.
 
Até á próxima

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

The times They are a-changing

Recordo-me perfeitamente dos almoços no Restaurante Vitória ali na entrada da Praça Velasquez antes dos jogos nas Antas, uma bebida apressada no Café Estádio enquanto as senhoras ficavam no carro a fazer crochet e os maridos iam ver a bola. A miudagem dependurava-se: “ó meu senhor deixe-me entrar consigo!”. Então naquele dia “até vinha o Craveiro Lopes cortar a fita e tudo”…
Foi há tanto tempo que as cestas, suspensas por cabos, que transportavam o carvão de S. Pedro da Cova para a Estação de Contumil por cima do Monte Aventino, ainda sobrevoavam a cobertura da bancada central.
Os oportunistas afadigavam-se a impingir os últimos bilhetes: ” é só mais 5 escudos do que na agência…” A agência, do amigo Firmino, uma espécie de candonga autorizada, era na Rua Santa Catarina entre os Porfírios e o Palladium vendia bilhetes para os cinemas, teatro (sim ainda havia teatro), circo e futebol. Os mais comodistas evitavam estar na fila e pagavam mais uns escudos pela rapidez no atendimento.
 
Ultimamente o futebol tem dado uma grande volta. Agora é uma indústria o tempo do crochet acabou. Por exemplo o Real de Madrid acaba de anunciar uma remodelação no Santiago Bernabéu que custa 500 milhões de euros. Um valor quase maior do que o Passivo do Benfica. O raio do estádio parece o filho de um Burger King com uma Tupperware.
Os clubes tinham umas poucas centenas de sócios, o presidente convinha ser o dono de uma fábrica das redondezas a quem só se pedia que tivesse dinheiro para acudir a qualquer emergência (leia-se dívida). Arranjava-se um carola para treinador e uns tipos que tivessem jeitinho para o pontapé na bola a quem se pagavam umas centenas de escudos. Hoje não. Qualquer renatinho (suplente dos suplentes no Bayern) é transferido por milhões graças aos bons ofícios de um azeiteiro travestido de empresário que vende os rapazinhos aos milionários dos petrodólares.
Por cá muita graça teve a moda das SAD. Os clubes transmutaram-se em sociedades comerciais com estádios novos, pavilhões, museus e academias presumivelmente visando o lucro. As eleições são uma fantochada. Arranjam milhares de assinaturas para apresentar as listas, mas só 10% vão votar. Quem manda no clube é a SAD quando deveria ser o contrário. Em vez de um presidente e um chefe de secção tem Corpos Sociais, corpos mortos e mortos-vivos. Administrações que não administram onde só um é quem manda, um Diretor Financeiro que não gere as finanças, Conselhos Fiscais que não fiscalizam, Auditores que não auditam, e Revisores que não revisam. Juntam-lhe uma data de societárias batidas em castelo, barram-nas com um motivador profissional angariado pelo scouting e mostram-nos na TV do clube no programa de culinária. Vão ao forno coser lentamente. Quando estão muito tempo lá dentro ficam esturricadas.
 
No clube da treta o diretor de Comunicação reúne-se na Catedral da Cerveja com os comentadores do clube nas várias Televisões e dá-lhes instruções sobre o que devem dizer nos programas em que participam. Na foto podem ver-se de frente os dois paquidermes Pedro Guerra e João Gobern, e de costas, Calado.
Depois começa o calvário. Para arranjarem aquilo com que se compram os melões (leia-se jogadores) atravessam-se na Banca. Começam pela subscrição de Ações, seguem para o factoring, depois papel comercial, empréstimos obrigacionistas, etc. o que faz com que nas Contas do final da época paguem mais de juros do que recebem de quotas dos sócios. Os credores, o fisco, os agentes desportivos apertam, não há massa para todos, lá vem os PER os PARES e os REPARES, tudo medidas de recauchutagem de dívidas. Nas 3 SAD dos chamados grandes, se lhes juntarmos os clubes, tem mil milhões de euros de Passivo. E não há um só dos seus responsáveis (leia-se: presidente ou diretor Financeiro. Os outros são verbos de encher) que tenha a hombridade de se demitir. Os tempos mudaram mesmo.
 
Até à próxima

sexta-feira, 13 de março de 2015

As Contas são como Pescadinhas de Rabo na Boca

Podem dar-lhes as voltas que quiserem mas as Contas dos Clubes de Futebol, sejam eles formatados à velha portuguesa com uns empresários locais porreiraços que entram para lá com umas massarocas ou as modernas e pomposas “Sociedades Anónimas Desportivas”, demonstram que o atual sistema de gestão não tem ponta por onde se lhe pegue.
Começa tudo com os Orçamentos. Numa folhinha A4 os pobres coitados (leia-se: os diretores/administradores/gestores) alinham os Proveitos que julgam realizar (quotizações, bilheteira, TV’s, patrocínios, prémios etc.) e do outro os Custos (salários, fornecimentos e serviços externos, amortizações e provisões etc.) que pensam vir a ter.
 
Noutra folhinha colocam os jogadores que querem (gostariam de) vender e do outro os atletas que precisam contratar para o lugar dos que vão sair. Uma espécie de dança das cadeiras, tão a ver? Isto tudo a olho, claro! Por exemplo o clube da treta transferiu Coentrão e anda há 4 anos atrás de um substituto. Diz quem sabe que já entraram uns 17 (cada qual o melhor). Tive conhecimento que compraram mais um desconhecido que por enquanto está congelado para não desmoralizar o barrigudo que lá está agora.
E como é que um clube ou Sad funciona financeiramente, isto é, onde arranja aquilo com que se compram os melões? Muito facilmente. Como as receitas (sem compras ou vendas de jogadores) são pequenas tenta equilibrar o barco. É claro que com as receitas ditas normais, não tem possibilidade sequer de comprar a cal de marcar o campo (vd. Benfica no tempo pós Vale e Azevedo) e tem que cravar uma das 3 entidades que ainda vão na canção do bandido. Os Bancos (cada vez mais falidos e menos disponíveis); os Empresários (um ou dois que andam por aí), ou os Fundos (sanguessugas em vias de extinção).
Com este sistema os clubes vão falindo alegremente e a prova disso é o aumento dos Passivos (repare-se nas colunas vermelhas). A passagem dos estádios para a SAD apenas faz subir artificialmente os Ativos. São apenas meros números contabilísticos. Toda a gente percebe que em caso de crise “estes” Ativos não são vendáveis. Desde 2002, a SAD do FC Porto aumentou o Passivo de 83M€ para 224M€. O Sporting aumentou de 69M€ para 262,7M€. O Benfica de 84M€ para 429,2M€.
 
É um beco aparentemente sem saída. Se não compram jogadores não ganham provas. Se não ganham provas não ganham dinheiro. Se não ganham dinheiro não podem pagar aos credores. Pelo menos teriam que vender, cada época, SEMPRE mais caro do que compraram. O senhor Vieira que durante os seus mandatos comprou mais de 300 jogadores sabe isso muito bem. Nos tais Orçamentos não se veem medidas que diminuam “efetivamente” o Passivo. Pelo contrário continuam com o método da pescadinha de rabo na boca.
 
Até à próxima

domingo, 17 de agosto de 2014

Nunca Te Enganes a Ti Próprio

Na reentrada em cena do programa desportivo DIA SEGUINTE que passa 90% do tempo a enaltecer o clube da treta esperava-se que o mesmo servisse para o aldrabão do costume responder à óbvia questão de como iriam arranjar 200 milhões até Dezembro para cumprir os compromissos de 2 Empréstimos Obrigacionistas quase sobrepostos e liquidar uma conta caucionada no BES. Conhecem estas Contas? São assim uma espécie de “compre agora e pague com o subsídio do Natal!”
 
Expetativas goradas, o ex-administrador que nunca sabe responder ao que lhe perguntam já deve ter percebido que ninguém acredita na banha de cobra que anda há muito a vender e prefere iludir a resposta. Então muda de assunto com desculpas esfarrapadas não assumindo o estado de falência em que se encontra a “instituição”. O habitual fornecedor de dinheiro para Tesouraria faliu. Fechou a torneira. No último RC a SAD demonstra compromissos financeiros até 2024 e o estádio nem metade está pago. Quatro dos seus acionistas de referência, BES, José da Conceição Guilherme, Somague, e o presidente LFV estão ligados à construção. Este último é um dos homens mais ricos de Portugal e nem sequer aufere vencimento (por imposição estatutária) no Clube. Provavelmente o dinheiro apareceu por geração espontânea.
 
Mas o programa teve uma novidade. Foi apresentado um novo papagaio. Todos estávamos habituados aos papagaios encarnados Cervan e Seara mas desta vez apareceu um papagaio verde no lugar da última abécula que por lá vegetava. Assistimos a uma prestação generosa entremeada de expedientes dilatórios (ou não fosse o homem advogado) mas cujo discurso nada mudou pela ignorância evidenciada sobre as matérias em discussão. Nem sabia que o Zbórden tinha rebentado mas com os amigos do BES conseguiu que lhe fossem perdoados juros e esticados os prazos de pagamento da divida. Assim uma espécie de PER disfarçado.
Voltando á vaca fria (o tema era a crise do BES e o seu reflexo nos clubes) percebeu-se que os dois circos da capital foram bastante atingidos nas suas expetativas de continuarem a viver com o dinheiro da Banca. Como de costume o feiticeiro que nos aparece aos Domingos à hora do jantar desvalorizou o caso, juntando o total dos Passivos dos 3 grandes que ultrapassa o milhão de euros. Só que mais uma vez meteu água. Deixe lá, já tinha acontecido o mesmo ao Economista António Samagaio no PÚBLICO. Não reparou nalguns pormenores.
 
Querem ver alguns? Primeiro: O BES é financiador preferencial da “instituição”. Segundo: Detém uma participação no Capital Social da SAD. Terceiro: Gere e participa num Fundo (Benfica Stars Fund) onde a SAD tem 15%. Quarto: Apoia os sucessivos Empréstimos Obrigacionistas como colocador daquelas operações.
 
Nós, os parolos cá de cima, não queremos misturas. Como o feiticeiro prometeu que iria falar nisso no próximo Domingo, aconselho que leia os RC dos 3 grandes e separe os valores de cada SAD. Olhe se quiser até pode juntar-lhes o Passivo dos respetivos clubes e umas empresas que andam perdidas pela capital. Vai ver que o Grupo do clube da treta tem um passivo maior do que os outros dois juntos. Não venha para cá com “contas à moda do Porto”.
 
Curiosamente a Sociedade de Revisores da KPMG que faz parte da Comissão de Auditoria do BES já tinham invocado o risco da empresa sobre as operações do Grupo BES, devido a uma grande exposição ao crédito concedido a sociedades de meia tijela. Compreende-se agora por que motivo o clube da freguesia de Benfica os mandou pela porta fora e substituiu o ROC.
 
Ao terminar o DIA SEGUINTE o representante da “instituição” não respondeu a duas perguntas concretas do apresentador do programa. Primeira: se as vendas apressadas e por qualquer preço se deviam à necessidade de compromissos de Tesouraria ou à liquidação dos compromissos com os Investidores do Empréstimo Obrigacionista mais a conta caucionada do BES perto do final do ano. Segunda: se o clube tinha apoiado Mário Figueiredo para presidente da LIGA. O homem mentiu e disse que não. Prefere continuar a enganar-se a si próprio.
Até à próxima

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Ser ou não ser, eis o aldrabão

Hamlet: Ser ou não ser, essa é a questão: será mais nobre suportar na mente as flechadas da trágica fortuna, ou tomar armas contra um mar de obstáculos e, enfrentando-os, vencer?

A esta hora podia estar a saborear a quarta derrota consecutiva do clube da treta com um chazinho e umas bolachas de água e sal. Parece que hoje finalmente lá ganharam. Infelizmente agora as bolachas não tem sal! Por via do colesterol pois claro. Por acaso até acho mal preocuparmo-nos com o colesterol. Se não tomar a Sinvastatina (o remédio de milhões de portugueses) morro mais cedo, fico mais barato à Segurança Social.

Já basta a cerveja sem álcool, a Laranjina sem borbulhas, e o cigarro sem nicotina. Os electrónicos acabaram com o alcatrão. E que me dizem do café descafeinado? E o adoçante em vez do açucar? Brrrrr... nem pensar! As francezinhas com todas as mistelas que lhe metem agora, parecem mais um cozido à portuguesa. A única que continua fiel às "do antigamente" ainda é a Regaleira e até podemos olhar em frente para o novo hotel do Oliveira. Mas tem que ser com uma cervejola pois claro, das antigas, com álcool. A Coca-Cola sem a dita, ainda vá, agora a Cola ZERO é um purgante do caraças.

A “instituição faz-me lembrar o BES. Falida até ao tutano mas "orgulhosamente" em pé! Que início de temporada! Bem sei que o Hugo Miguel, um dos cãezinhos amestrados do inefável Vítor Pereira fez os possíveis. Este gajo na China era fuzilado ou morto à pedrada! Marcou o penalty da ordem no mergulho do Jara, mostrou aí uns 37 amarelos aos coitados do Ajax, deixou passar os fora-de-jogo da “instituição” mas não era o dia de Sidnei nem do Bebé os barrigudos do plantel. “Aquilo” parecia que tinha vindo diretamente do Lar do Comércio.
Dos barrigudos passamos aos pedantes. Outro Espirito Santo da treta, Pais do Amaral, “quer comprar a TAP”. Foi este asno pomposo que “comprou” os direitos televisivos dos jogos da UEFA e não pagou sequer a entrada! Ser ou não ser um bluff, eis a questão. Joe Berardo outro palhaço deste Circo Portugal também queria fazer uma OPA sobre o Benfica e depois vender as ações aos Chineses! Ser ou não ser disléxico pode ser “um jogo de mão”.
Ser ou não ser campeão palpita-me que não. As falhas são evidentes. O plantel levou uma carecada de todo o tamanho. Os da baliza não valem um charuto, os centrais cada qual o mais esburacado. Do lado esquerdo já é o sétimo, faz lembrar a missa de sétimo dia! O Talisca podem deitar ao gato. Cardozo não existe, é uma alucinação. E quanto a dinheiros recordo-me que o anjinho do Dia Seguinte disse num dos programas que “o dinheiro não era problema”! Chiça que o homem além de estupido é burro! Ainda não percebeu como “aquilo” está? Não vê que os Proveitos não cobrem os Custos, o Passivo sobe há 8 anos, não tem dinheiro nem crédito para mandar cantar um cego, o Ativo e os jogadores estão todos hipotecados a Fundos ou a Bancos, e vem para os pasquins televisivos da Cofina dizer que “está bem de dinheiros”!? Ser ou não ser aldrabão, eis a questão…

Até à próxima

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Financiamento das Sociedades Desportivas

Com a atual legislação que obriga à transformação dos Clubes em Sociedades Desportivas, e para uma melhor análise da sua situação financeira, importa recordar alguns pormenores sobre as dificuldade das Sad’s que participam nas competições profissionais em gerir a Tesouraria (o fluxo de dinheiro que entra e sai) para fazer face aos custos de exploração. Vamos recordar quais foram os principais Proveitos Operacionais da nossa Sad relativos à época 2012/2013:
 
1 – UEFA; 2 – Direitos TV; 3 – Pub/Patrocínios; 4 – Bilheteira/Quotização; 5 - Corporate
Quanto à estrutura de Custos os mais significativos foram os seguintes:
 
1 – Pessoal (inclui salários jogadores); 2 – Fornecimentos e Serviços Externos
Repare-se na diferença (saldo) entre estes 2 quadros acima (Proveitos Vs. Custos). Tivemos um “prejuízo” de 19,3M€ ou seja: “gastámos mais do que recebemos”. Faltará acrescentar a estes números os passes de atletas que aumentam ou diminuem o resultado conforme as aquisições são maiores do que as cessões e vice-versa. Sabemos que foram maiores atirando o prejuízo para os 30,5M€ como este ano também vai acontecer. Como nos habituamos a bons negócios e não tendo este ano ninguém para vender é óbvio que não temos dinheiro para comprar.
 
Perguntarão os meus amigos a que propósito vem todo este arrazoado. É simples. Se uma sociedade, e é disso que se trata, tiver prejuízos na sua atividade, terá que encontrar alguns meios de financiamento para prosseguir a sua atividade. Com a entrada em cena do chamado Fair Play Financeiro, o senhor Platini, dono da UEFA, homem de engraçadas ideias (apetecia-me escrever: idiotices), produziu o seguinte raciocínio: “Os clubes perdem dinheiro, logo estão falidos. Pedem mais e mais e continuam falidos. O melhor será proibi-los de falir! Fez-me lembrar o menino rico que leva a bola para a escola de pobres. Se os outros não cumprirem as regras (dele) mete a bola debaixo do braço e leva-a para casa.
Claro que neste Mundo de anedotas constantes, ainda houve uns paisanos que acreditaram, pelo menos enquanto o BES e o BCP continuarem a meter dinheiro no clube da treta! Ultrapassado o intermédio cómico das bacoradas platinianas a que aderiu outro palhaço pobre da nossa praça, o inventor da “verdade desportiva” da SIC, a ideia foi prontamente rejeitada pelos Barças, Reais, PS Germains, Bayerns, Chelseas e quejandos. Com a devida vénia passo a citar uma opinião do conceituado jurista José Manuel Meirim…
 
“As regras de defesa da concorrência e os princípios da concorrência, a liberdade de circulação de trabalhadores, a liberdade de circulação de capitais e a liberdade de prestação de serviços, são tudo “ achas para uma fogueira” que pode consumir – deixando a cinzas – algumas das essenciais regras do fair play financeiro da UEFA”.
 
Platini quer ir para presidente da FIFA, andou por aí entretido, afinal vêm cá jogar os rivais de Madrid. Passados uns dias já veio dizer que a medida “era para Inglês ver”. Claro! Se fosse para levar a lei à risca, o clube da treta com prejuízos há 5 exercícios seguidos era o primeiro a ficar de fora da UEFA. Lá teria que ir disputar uns torneios a Moçambique ou a Angola onde me dizem que as palhoças ficaram amorosas com as parabólicas dependuradas para “apanhar” a BenficaTv. Voltando à vaca fria, que é como quem diz, ao assunto da crónica, recordemos as fontes de financiamento a que as Sad’s normalmente recorrem.
 
ACIONISTAS – A forma mais utilizada nas sociedades com problemas. Os sócios/acionistas “injetam” (metáfora que significa perder mais algum) quantidades de capital, naturalmente até ao limite das suas capacidades para tentar recuperar créditos, resolver débitos, enfim, equilibrar (palavra-chave) as necessidades de Tesouraria.
 
BANCOS – Cada vez será mais difícil aceder a este meio de financiamento, face aos péssimos resultados evidenciados nesta indústria. Os Bancos não acreditam na capacidade de gestão e recuperação dos clubes falidos e não concedem crédito. Veja-se por exemplo o Leixões que admite não se inscrever para a próxima época, o Beira-Mar que já perdeu o pavilhão e os terrenos, ou o Leiria sem dinheiro para pagar a renda do estádio municipal.
 
EMPRÉSTIMOS OBRIGACIONISTAS – Conhecidos pelo carinhoso diminutivo de EO as Sad’s fazem um peditório em forma de empréstimo a milhares de paisanos, entregando-lhes uns papeizinhos que simbolizam o valor investido, prometendo em troca um juro generoso (7 a 8%). Se a Sad estourar, ou seja, não tiver dinheiro para pagar os juros trimestrais ou para devolver ao investidor a maçaroca no fim do prazo estabelecido, “entrega-se ao Banco”, um truque muito em voga nas Sad’s de meia tijela, como a dos Calimeros. Provavelmente os meus amigos não sabem mas “aquilo” até passou a ter um administrador na Sad que controla a receita que entra, e apenas lhes deixa gastar o mínimo indispensável para cobrir as despesas correntes. Se mesmo assim o dinheirinho não chegar, os tais investidores dos EO ou dos primos, os VMOC, ficam a chuchar no dedo.
 
AUTARQUIAS – Foi chão que deu uvas. O senhor Gaspar deu ordens para as Câmaras não darem mais dinheiro aos clubes como fez por exemplo a CML ao tempo da parelha Santana Lopes/Carmona Rodrigues, a de Leiria, a do rei das bananas da Madeira, etc. Aliás a legislação já existia. As comparticipações autárquicas devem destinar-se apenas ao desenvolvimento do desporto amador e escolar, ou infraestruturas em clubes desportivos não-profissionais.
 
FUNDOS DE INVESTIMENTO – Uma espécie de clube de 20 amigos que juntam dinheiro para irem nas férias visitar o Dubai. Emprestam dinheiro às Sad’s e ficam com os passes de penhor. Como normalmente os Bancos fazem parte dos fundos (vide ESAF Benfica Stars Fund cujo principal investidor é o BES) só dão autorização para os vender quando e se recuperarem o que investiram. O pior é que mesmo para os Bancos pode correr mal. Este BES apresentou há dias 500 milhões euros de prejuízos, quase tanto como o Passivo do grupo da treta. Depois, das duas uma: ou fecham a porta e as agências bancárias passam outra vez a serem Cafés, ou dão ordem para vender os atletas por qualquer côdea, como aconteceu com a dupla Rodrigo/André Gomes.
Como bem se percebe, estes Fundos onde andam metidos os Jorges Mendes, os Berardos, as Isabelinhas dos Santos, tem direito de veto (são eles que gerem o Benfas Star’s Fund, ao contrário do que diz o aldrabão do DIA SEGUINTE) logo podem influenciar o comportamento desportivo das Sad’s, vetando ou obrigando a vender jogadores. Pior do que isso é serem investidores em várias Sad’s ao mesmo tempo como aconteceu com José Veiga, administrador do Estoril/Benfica (caso Algarvegate) ou LFV no Alverca/Benfica (caso Mantorras).
 
Compreende-se que sejam estas as razões que levam a UEFA a ensaiar uma legislação que proíba manipulações do mercado. Já bastavam os milionários petrolíferos de Leste que compram os clubes/Sad’s, até mesmo por cá a moda parece que veio para ficar. Um senhor comprou o Belenenses, outro o Beira-Mar, outro o Estoril, e por-aí-fora. Às vezes levem cada “banhada”… Ainda na semana passada o estádio do Leixões leiloava-se com uma base de licitação de 1 euro para resgatar dívidas fiscais.
 
Também vi na televisão que o senhor Vieira precisa aumentar o número de sócios. Para o efeito vai distribuir por mailing 4,5 milhões de propostas para novos associados. Ótima ideia. Mas se não se importassem, alguém me poderia explicar como é que os “tais 250 mil sócios” só produzem de receita 15 milhões de euros/ano? Vendo no Relatório do clube a quantidade de sócios por cada categoria, e multiplicando depois pelo valor da quota de cada uma delas, como é que só rendem 15M€? Como diria o outro: “É só fazer as contas”!
 
Até à próxima

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Fundos e Fairplay

Volta-e-meia lá vem a questão à baila. Os Clubes e/ou Sad, podem ou não ter jogadores colocados em Fundos? Como sabemos, em Inglaterra já foram proibidos, e o movimento pode alastrar a outros países. Fontes oficiosas da Fifa e da Uefa lançam alguns balões de ensaio para medir as reacções dos clubes mais representativos.
Há uma dezena de anos os Fundos de Jogadores não existiam. Os clubes mais modestos recorriam aos empresários locais que tinham uma fabriqueta de sapatos, ou de camisas, sacavam-lhes umas maçarocas que nunca mais devolviam e quando a coisa apertava homenageavam os “beneméritos” elevando-os à categoria de “sócios honorários”.
 
Os tempos mudaram, os otários foram desaparecendo e a Banca vislumbrou ali um maná. Alguém duvida que, por exemplo, o BES vê os 3 grandes como alguns dos seus melhores clientes? Este ano e a fazer fé no seu último Relatório, só a SAD da “instituição” teve Custos Financeiros de 22,7M€. As recentes determinações da Troika que nos governa, em decidir acabar com a brincadeira dos empréstimos aos clubes, motivou o subterfúgio da criação de Fundos de Investimentos, as modernas casas de penhores.
 
Na prática é muito simples. Um grupo bancário aliado a um conjunto de empresários compra ao Clube/Sad determinada percentagem dos direitos económicos de vários jogadores. Mais tarde numa eventual transferência de qualquer jogador para outro clube, naturalmente por valores superiores aos da avaliação, obterá um lucro igual ou superior ao do seu investimento. No caso do Benfica Stars Fund, verifica-se a insólita situação da SAD ser também investidora, isto é, subscritora de 15% do valor do Fundo e beneficiar nessa percentagem de eventuais lucros que daí advierem. Na prática recebe sempre um “adiantamento” sem ter que pagar juros à Banca.
O que pode acontecer de errado nisto? O Fundo não conseguir vender jogadores em tempo útil. Além disso a SAD não manda absolutamente nada no Fundo. Este avalia os passes de cada atleta através duma comissão de gestão que poderá, se assim o entender, “forçar” a venda de qualquer jogador conforme a estratégia que pretenda desenvolver. Em princípio a venda será aprovada desde que a quantia oferecida se aproxime dos limites da avaliação que entende justos. Contudo pode dar-se a situação inversa. O Fundo querer vender para realizar capital mas por valores que não sirvam os interesses do Clube/SAD. Se este discordar pode contudo exercer a “recompra” devolvendo o valor encaixado voltando o jogador à origem.
 
Mas não será por esta razão que a UEFA está preocupada. O motivo das reservas é pensar-se que os Fundos sirvam para a lavagem de dinheiros ilícitos além de poderem fazer subir ou baixar artificialmente os valores dos passes duma forma especulativa.
Outra questão mais relacionada com o fairplay financeiro prende-se com as dívidas atingidas por alguns Clubes/Sad e a situação de falência que algumas evidenciam. Os rendimentos consolidados totais da Benfica SAD, que inclui os operacionais, as transacções de atletas e os financeiros, no valor de 145 milhões de euros, representam o valor mais elevado de rendimentos alcançado pela Benfica SAD até hoje. Contudo o Passivo é 4 vezes maior
 
Esta semana foi conhecido um acórdão da FIFA segundo o qual, como forma de coima às dívidas contraídas pela Naval 1.º de Maio, que milita no Campeonato Nacional de Séniores (Série E), ao clube brasileiro Corinthians Alagoano, serão retirados seis pontos à equipa, do clube da Figueira da Foz pela aquisição do médio brasileiro George. O jogador foi contratado em 2000 pela Naval ao Corinthians Alagoano, tendo representado os figueirenses durante três épocas. Em Portugal, o médio brasileiro, que representa actualmente o Atlético-BA (um clube da Bahia), ainda alinhou pela Académica e Vitória de Setúbal. Situação semelhante passa-se com Roberto. Soube-se agora, através do RC do clube da treta, que o atleta que já passou por três emblemas, ainda não está totalmente pago ao clube de origem, o Atlético de Madrid!
 
Será lícito permitir que um clube como o Benfica que detém 63% duma SAD que apresenta prejuízos há 5 anos consecutivos, com o Passivo maior do que o Activo, e Capitais Próprios negativos, dispute uma Liga em igualdade de circunstâncias com o Paços de Ferreira ou o Braga sem problemas financeiros relevantes, ou isto é mesmo um fairplay da treta?
 
Até à próxima

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Deixa Cá Ver Mais 45 Milhões

Os meus amigos recordam-se de há algum tempo o pasquim do Tio Belmiro agitar o fantasma dos 1.000 milhões de euros de Passivo “dos 3 grandes”, misturando de forma abusiva o Porto, Sporting e Benfica, fazendo supor que haveria um buraco de 333 milhões em cada.
Puro engano. Do clube dos Viscondes tivemos notícias recentes, através de declarações dos 3 candidatos envolvidos na disputa eleitoral que o Passivo dos Calimeros apurado numa Auditoria ultrapassaria os 400 milhões de euros. Do clube da treta chegam agora informações plasmadas num chamado “prospecto informativo” de mais um Empréstimo Obrigacionista, onde no mapa de Demonstração da posição financeira em base consolidada (pág. 52) constam 404 milhões de euros de Passivo à data de 31 de Dezembro de 2012 ou, por outras palavras, até ao final do 1º semestre do exercício da época 2012/2013, o mesmo período do vizinho.
Ora aqui chegados verificamos que pelas contas do senhor Samagaio, o economista autor do bitaite, caberia ao nosso Passivo a módica quantia de uns míseros 196 milhões. Segundo o RC relativo ao mesmo período podemos afirmar que são precisamente 217 milhões. Na próxima vez convém que o economista não misture tudo no mesmo saco.
Bem sei que para a nossa querida televisão, mais a pasquinada que intoxica a opinião pública com a conversa da verdade desportiva, não lhes convém expilicar (como diria o saudoso Badaró) toda a história. Quem deve quanto a quem. Felizmente que para nos ajudar a este raciocínio apareceu agora nas páginas da CMVM o tal “prospecto informativo”. Vão sacar 45 milhões até “aquilo” estourar de vez.
Nas 179 páginas do livrinho, está lá o drama do clube da treta. Obrigado como está pela Comissão do Mercado dos Valores Mobiliários a contar a vida toda, ficamos a perceber que tal como o companheiro de infortúnio do circo em frente, não tem um tusto para mandar cantar um cego. Receitas de bilheteira, namings, passes de jogadores, receitas actuais e futuras, quotizações, enfim tudo o que os meus amigos consigam imaginar que mexa com fluxos de dinheiro, estão dados de penhor à Banca, aos Fundos com quem negoceiam, ou a alguns credores que continuam a gemer.
E tem muita graça ler as bazófias do director financeiro em entrevista ao pasquim que leva o clube ao colo que “um empréstimo obrigacionista de 45 milhões é suficiente porque o resto está controlado”! Pasme-se a lata deste caramelo que quando há 10 anos aterrou no clube apenas existia um Passivo, digamos “normal” para a sua dimensão, de 80 milhões. O homem, mais o senhor vieira, o gomes da selva e todos os incompetentes que por lá passaram numa década, multiplicaram aquele número por 5 e acham “normal”. Para a pasquinada que leva o andor na procissão, de um lado da 2ª Circular está tudo bem. Do lado em frente está tudo mal! A táctica é continuar a levar o senhor vieira ao colo e enterrar o bruno carvalho quanto mais depressa melhor. Afinal, em questão de Passivos, ele é que lhe pode pedir meças.
Até à próxima

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um Talho a Preto e Branco

Depois do último acto de renúncia de Godinho Lopes, papa dos Calimeros, as ameaças sucedem-se. “Isto vai sair-te caro” (onde é que eu já ouvi “isto”?) terá dito o inefável Rogério Alves. Depois de O Espião Que Saiu do Frio, thriller que garantiu a Paulo Pereira Cristóvão o Óscar para o Melhor Actor Invisível, o médico dos fígados estragados, Eduardo Barroso, comentador desportivo nas horas vagas, concorre ao ambicionado galardão Carniceiro de Ouro oferecido pela Associação Portuguesa de Talhantes e Ofícios Correlativos.
A palavra “talho” deve ser entendida como homenagem à secular instituição em todas as suas vertentes, desde o aparecimento do Visconde de Valmor, à candidatura de Carlos Severino (quem?) passando naturalmente por Maria José Valério, acompanhada ao piano pelo maestro Moniz Pereira.
A boa-nova, é que a brigada do croquete, “espera para ver”. Os gajos das 2 consoantes seguidas (Mello, Bettencourt, Ricciardi, Roquette, Telles, etc.) não se candidatam. Em contrapartida alguns dos nomes soprados, como por ex. Dias Ferreira, Luís Figo, ou Vicente Moura (o senhor comandante), meras anedotas, fazem-nos sorrir. Os outros, os que dão entrevistas nos pasquins, devem ter ido ler os últimos relatórios, meteram o rabinho entre as pernas e deram de frosques. Um dos cómicos que contribuiu para o descalabro a que chegou o clube, Santana Lopes, aparece na televisão das sopeiras a mandar uns palpites travestido de mendigo com a barba por fazer, condizente com o tacho que arranjou na Misericórdia. Como o homenzinho diz que não tem salário (?) esperamos que utilize, pelo menos, um cartão de crédito (para os alfinetes) como o Maestro Miguel Graça Moura. À hora de encerrarmos a nossa Redacção ainda não tínhamos conseguido esclarecer se costuma frequentar a “sopa dos pobres”.
A “coisa” (o Zbórden) assusta! Nem me atrevo a colocar aqui os números para os meus amigos não se assustarem. Só lhes posso dizer que o Passivo Financeiro é quase metade da “instituição” do outro lado da Circular. Imenso, portanto. Engraçada uma afirmação de José Couceiro num debate com Dias Ferreira e José Eduardo na BOLHA TV: “Imaginando que os Bancos, por absurdo, perdoavam a dívida total do Sporting, no mês seguinte lá iam pedir dinheiro outra vez”…
 
Ficamos também a saber que a tal “reestruturação” com a Banca, agora suspensa, a que Godinho Lopes se referiu, significava “esticar” os compromissos durante 40 anos. Imaginem quanto não seria só para juros. O Clube detém 89% da SAD (25 do Sporting + 64 da SGPS). Sempre que eles falam de “investidores”, temos que entender que se referem a algum otário que possa ficar com aquilo. Mas… para que raio servem 89% duma sociedade falida? E onde gastaram 108 milhões que vieram da Banca?
Godinho conta pelos dedos: Aumentámos as modalidades; elaborámos a Auditoria (importa-se de repetir); retomámos o Hóquei em Patins; criámos a Sala de Sócios; promovemos a marca pelo Mundo inteiro (Angola, China, Índia, Estados Unidos), de tal forma que o nosso site está em línguas como o mandarim, russo, chinês, etc.
 
Confesso que esta última arrumou comigo. Vejam lá que o Izmaylov que nem sequer fala português devia aprender mandarim! Agora percebo porque fugiu para o Porto. Todos estes pormenores eram apontados no bloco de apontamentos de Paulo Pereira Cristóvão que ajudou a desbaratar o plantel para ficarem apenas com 2 atletas mais ou menos vendáveis: Rui Patrício e Wolfswinkel.
Até à próxima

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Godinho Lopes e a Banca

Que raio de dirigentes se propõe desta vez para dirigir o Sporting? Dois putos? Já não sobravam os engenheiros, médicos, banqueiros, advogados, juízes e até um negreiro, que desde o consulado iniciado por José Roquette atiraram com o clube de cangalhas, só faltava mesmo agora, aparecerem dois jovens a querer pegar o touro pelos cornos. E desculpem lá os meus amigos sportinguistas: no meio dos seus associados não haverá pelo menos uma pessoa que perceba de futebol?
 Quando a bolha imobiliária rebentou nas mãos do Lehman Brothers e nas ventas do inefável António Borges do Goldman Sachs, por certo nenhum dos notáveis pensadores financeiros que pululam na nossa querida televisão (Medina Carreira incluído), julgaria ser possível que o popular e eclético clube do Visconde de Alvalade viesse a tão curto prazo, a ser gerido pela Banca.
 
Mas o caso não está para graças. Como os meus amigos que acompanham estas crónicas sabem o clube tem vivido pelo menos nos últimos 15 anos acima das suas possibilidades. Os bancos, nomeadamente o BCP/Millenium e o BES afadigam-se a emprestar mais e mais dinheiro (afinal é disso que vivem), que dificilmente terá retorno. Quando muito irão receber de volta 55 milhões de obrigações (carinhosamente tratadas como VMOC), que não são mais do que títulos obrigacionistas a converter obrigatoriamente em acções, e que, em caso de incumprimento desse resgate por parte do Sporting, podem tornar-se mesmo sem querer, os novos donos do clube.
 
E lá que era engraçado era! Já imaginaram uma reunião da Administração com todo aquele formalismo que vemos nos administradores dos Bancos? Os directores, todos de gravatinha e fatos iguais como nas escolas, em vez dos habituais croquetes do Zbórden, a comerem bombons?
Mas para os amigos que se interessam por estas minudências, vamos lá “esmiuçar” um pouco esta história das VMOC. Dos 55 milhões que foram disponibilizados pela banca o Sporting tem que pagar (converter) 60 milhões (55+juros) até 19 de Janeiro. Notáveis comentadores como, por exemplo, o engraçado Eduardo Barroso parece que só agora deram por ela. “Fico aterrorizado com a falta de liquidez no Sporting”, disse.
Para os pasquins, então, tem sido um regabofe. Raro é o dia em que não se anunciam entradas e saídas de jogadores, directores ou simples funcionários. A BOLHA está nas suas sete quintas. O RASCORD, por vocação sportinguista, não sabe o que dizer. Tanto ataca Godinho como o elogia. O outro Circo da Segunda Circular, seu rival de sempre, exulta! Intimamente sente o segundo lugar de acesso à Champions seguro.
 
Por coincidência, ou talvez não, Godinho Lopes lançou mais um balão de oxigénio para entreter os sócios. Jesualdo Ferreira passou por ali perto e logo o engenheiro atirou a fateixa: “És o meu salvador, ficas com todos os meus bens, podes andar por todo o lado, do camarote ao balneário, tu é que mandas em tudo. Despedes, contratas jogadores e treinadores, as meninas da secretaria, o homem que marca o campo! Dás o treino, vais para os banhos turcos ou para onde te apetecer mas pelo menos garante-me o 5º lugar”!
 Só resta desejarmos ao nosso amigo boa sorte! Mas olhe que não vai ser fácil…
 
Até à próxima

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Afinal para que serve uma SAD?

“Os sócios do Belenenses aprovaram, em Assembleia-Geral extraordinária, a proposta de alienação da maioria do capital social da SAD a um grupo de investidores liderado pelo ex-administrador da PT Rui Pedro Soares. Após quase quatro horas de reunião, a proposta foi submetida a votação, tendo sido aprovada com 197 votos a favor, 20 contra e 27 abstenções. Desta forma, os associados do clube do Restelo deram "luz verde" para que o presidente António Soares prossiga e finalize as negociações para a cedência da maioria do capital da sociedade gestora do futebol profissional à Codecity Players Investment (CPI), fundo de investimento liderado por Rui Pedro Soares.”
Assim, em meia dúzia de linhas, o EXPRESSO deu a notícia. Uma SAD deixará de pertencer ao Clube que a constituiu, o que não será propriamente uma novidade. Outras, pela falta de parceiros/investidores foram ao ar, encerraram a sua actividade. Esmiuçado o processo, parece tratar-se de uma redução do capital, que neste momento está em cinco milhões de euros, e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários terá de emitir opinião. A ideia é que venha a zero e que a seguir suba até um milhão de euros. Na intervenção aos sócios com que iniciou a Assembleia-Geral do Belenenses, o presidente António Soares revelou que o passivo da SAD atinge já os 8,5 milhões de euros, além de que a dívida do clube a curto prazo está também cifrada em 7 milhões.
A Lei de Bases do Sistema Desportivo – Lei n.º 1/90, de 13 de Janeiro, na redacção que lhe foi dada pela Lei n.º 19/96, de 25 de Junho veio estabelecer que os clubes desportivos profissionais poderiam optar por assumir o estatuto de sociedade desportiva ou por manter o seu actual estatuto de pessoa colectiva sem fins lucrativos, ficando, neste último caso, sujeitos a um regime especial de gestão.

O Decreto-Lei n.º 146/95, de 21 de Junho tinha regulamentado esta matéria em termos que foram geralmente considerados inadequados, na medida em que, desde logo, interditava às sociedades desportivas a distribuição de lucros, retirando-lhes, assim, um dos principais atractivos para a sua constituição. De tal regime são de realçar o princípio da responsabilização pessoal dos executivos dos clubes por certos actos de gestão efectuados, a exigência de transparência contabilística, através da certificação das contas por um revisor oficial; a adopção obrigatória do plano oficial de contabilidade; e a prestação de garantias bancárias ou seguros de caução que respondam pelos actos praticados em prejuízo daqueles clubes.
Cabe aqui referir que o Sporting foi o primeiro clube em Portugal a constituir uma SAD para o futebol no já longínquo ano de 1997, encontrando-se hoje em situação de falência técnica, conceito traduzido no artigo 35º nº 1 do Código das Sociedades Comerciais, e que acontece sempre que metade do Capital Social esteja perdido. Não valerá a pena os adeptos ficarem muito preocupados, visto que a SAD do Futebol Clube do Porto e do Benfica, entre outras, encontram-se na mesma situação, o que terá levado Alexandre Mestre, Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, a criar a solução legislativa que transforme cada SAD ou clube, numa Sociedade Comercial Desportiva.
As sociedades desportivas são um tipo de sociedades, regido subsidiariamente pelas regras gerais aplicáveis às sociedades anónimas, mas com algumas especificidades decorrentes das especiais exigências da actividade desportiva que constitui o seu principal objecto, de entre as quais, são de realçar as referentes ao capital social mínimo e à sua forma de realização; ao sistema especial de fidelização da sociedade ao clube desportivo fundador, através, designadamente, da atribuição de direitos especiais às acções tituladas pelo clube fundador, a possibilidade de as Regiões Autónomas, os municípios e as associações de municípios poderem subscrever até 50% do capital das sociedades sedeadas na sua área de jurisdição; e o estabelecimento de regras especiais para a transmissão do património do clube fundador para a sociedade desportiva.
Todos nos recordamos que se constituíram dezenas e dezenas de sociedades anónimas desportivas naquilo que parecia ser o ovo de Colombo dos nossos clubes. Entrava dinheirinho fresco, compravam-se jogadores por 10 reis de mel coado que mais tarde valeriam milhões e mais milhões. Infelizmente o aparecimento de dirigentes sem qualquer conhecimento do que é gerir um negócio (e futebol muito menos), apoiados numa Banca mais interessada nos juros que debita do que nos resultados desportivos dos seus clientes, está a transformar esta aventura num enigma. Afinal para que serviram as Sociedades Anónimas Desportivas?

Até à próxima.