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terça-feira, 19 de setembro de 2017

SLB - Sporting Luisão e Bieira

Este fim-de-semana há tanto pessoal a falar do clube da treta que mais-um-menos-um não faz diferença nenhuma. Na crónica de hoje apetece-me brincar com eles. E nada melhor do que comentar os recentes desenvolvimentos. Depois de venderem a espinha dorsal da equipa (Ederson, Nelson Semedo, Lindelof, Gaitan e Mitroglou) a equipa este ano é um desastre.
Bieira depois de despachar em grande velocidade Rui Gomes da Silva da direção deu um pontapé-no-cú numa das suas ex-glórias, Nuno Gomes, contratado ao Boavista há 20 anos. Como se a ofensa não bastasse trocou-o por um homem do Sporting, Pedro Mil-Homens, quem sabe se a pedido de outro calimero, Domingos Soares de Oliveira, o grande responsável pelo rombo financeiro do Passivo da “instituição”.
 
Para compensar dirigiram convite a um ex-atleta, Simão Sabrosa, comentador da SportTV nas horas vagas conhecido nos meios futebolísticos nacionais e estrangeiros como “tropeção”. O tal Mil-Homens do Sporting vai dirigir a formação que agora vai incluir uma Universidade (!?!). Talvez ambos possam lecionar cursos de “quedas para a piscina ou à entrada da área” como tão bem sabem fazer Jonas e Salvio. Até podem aproveitar para tirar um mestrado antes que os despachem para a China, como querem fazer com Rui Costa outra ex-glória que nunca ninguém conseguiu descobrir o que o homem faz além de andar nos sorteios ou pelos túneis a amedrontar os árbitros com o Paulo Gonçalves um amigo dos meninos-queridos.

Estranhamente ou talvez não, como sempre no início de cada época, Luisão quer renovar o contrato. À hora do fecho dos nossos serviços não conseguimos saber quem lhe pagará os medicamentos nem as canadianas. Com estas duas apostas na formação e na longevidade a “instituição” pode encarar com segurança o futuro.
Bieira, este aqui acima, prometeu reduzir o Passivo em 100 milhões de euros. Se o fizer prometo ir a Fátima a pé em sua homenagem! Aguardo as Contas da época. Claro que não falo do Passivo das suas empresas que, sendo dívidas ao BES, é como se não devesse nada. Cá estarão os parolos que investiram naquele banco para aguentar com os calotes do homem. Refiro-me apenas às continhas da SAD que devem estar por aí a rebentar.
Outro dos projetos de Bieira é continuar com a formação de padres no Seixal. As últimas colheitas nestes 4 anos tem dado excelentes resultados com a conquista do tetra da treta. Para que a cambada não possa falhar na proteção ao clube do regime está secretamente a ser produzida uma geração de padres-robot alimentados por energia-solar, o que reduz significativamente os Custos com vouchers, camisolas do Ausébio ou garrafinhas de Vinho do Porto. Recebemos esta imagem da primeira fornada que deverá estar operacional já na próxima época. São cegos, surdos e mudos como os atuais que nem com as imagens paradas conseguiram ver o golo limpinho, limpinho do Setúbal em Paços de Ferreira.
Repare-se nos dois fotogramas (cada segundo em televisão tem 25) desta imagem ao minuto 48:50. A bola está nitidamente dentro da linha de baliza. Mais uma bacorada de um dos vídeos-padres de Bieira, neste caso, João Capela.

Um qualquer palermoide contratado pela BTV publicou uma listagem de presumíveis clubes corruptos da Europa onde o clube do regime devia estar à cabeça. Mas quem lá consta entre outros é o nosso. Reparem só do que estes aldrabões são capazes! A tabela é falsa, ninguém sabe onde a foram buscar e agora, toda a gente incluindo o diretor do canal, quer empurrar para o tal palermoide o odioso da questão?
Outro que me faz rir todas as semanas é o Get Smart. Desta vez ficou sem fala, nem o habitual “eu vou explicar” disse para Paulo Garcia! Por falar nas Tv’s do regime: Quando é que este imbecil deixa de aparecer às segundas-feiras para eu poder voltar a ver o Dia Seguinte? Já o puseram fora de tudo: Governo, Benfica, A Bola, só falta mesmo da SIC. Ele que vá debitar as aldrabices para a BTV-canal da treta ou que se sente nos joelhos da outra foca amestrada da TVI24 o Paulo Guerra. Era um bom número de ventríloquos. O aldrabão falava e este só tinha que abrir e fechar a boca!
Até à próxima

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Hora de Balanços

Na crónica de hoje, para variar, vamos falar de Balanços. Desportivos e Financeiros. Bem sei que a época ainda vai a meio mas já temos dados que podem projetar o que as principais equipas poderão fazer (ia a dizer retificar) até Junho deste ano. Nos dois circos da capital, e embora aguardando ainda a publicação das Contas do 1º Semestre (1 de Junho a 31 de Dezembro de 2016) a situação não se apresenta muito risonha.
Enquanto no “clube da treta”, pese embora uma boa subida dos Proveitos, sabemos que sem Receitas Extraordinárias (transações de jogadores e duas já falharam Lindelof e Jiménez) continuam com o Passivo em crescendo, o Capital Próprio abaixo dos 50% do Capital Social, e um peso excessivo nos Custos Salariais. Quanto às dívidas de LFV e do Clube ao BES podem clicar em “ as 50 sombras do BES ” e ficam a conhecê-las melhor. Pelo contrário a prestação desportiva com o tradicional “colinho” excedeu todas as expetativas quando as atenções estavam viradas para a equipa do outro lado da 2ª Circular.
No vizinho do circo em frente a situação é pouco menos do que caótica. A contratação mais cara da história que fizeram com o treinador sem correspondência nos resultados desportivos ficará registada como um rude golpe para quem, como Bruno de Carvalho, criticava o despesismo dos anteriores presidentes. No plano desportivo apresenta-se com o plantel desequilibrado sem dois bons laterais e a falta evidente de mais um ponta-de-lança como Slimani. Na linha média não se notou a saída de João Mário, dadas as boas exibições que Gelson tem protagonizado. O único que se tem mantido com o prestígio intacto é mesmo Adrien com um nível geral de boas prestações. Na parte Financeira, os elevados Custos nas contratações da época somados a um Passivo galopante que vem dos anos anteriores não anuncia grandes melhorias na sua estabilidade. Só a renegociação do plano Financeiro com o BES (empurrar as dívidas para a frente) se poderá considerar positivo mas com imprevisíveis consequências na altura do acerto das Contas com os famosos VMOC’s (valores mobiliários convertíveis em Ações) que tem forçosamente de ser resgatados. Se assim não acontecer, essas Ações podem ficar na posse da banca que então controlará parte significativa da SAD. Também a Doyen anunciou para breve uma penhora aos bens da SAD. Isto se houver ainda por lá alguma coisa penhorável.
Por último, e mais importante, o nosso Clube. Digamos que estará no meio dos outros dois. Se a performance Desportiva parece indiciar algumas melhoras, embora não tenhamos conseguido ainda concretizar todas as jogadas de golo, a apatia da SAD na procura de melhores soluções Financeiras não parece muito animadora. O resultado negativo das últimas Contas de 54M€ deixou a SAD em muito maus lençóis. Sem atletas de alto nível apetecíveis para os nossos “clientes estrangeiros” o plantel parece estagnado a menos que um milagre aconteça daqui até ao fim de Janeiro. Alguns jogadores que sairão por empréstimo não representam grandes encaixes com a consequente impossibilidade de contratar reforços sonantes. Transferir 1 ou 2 dos nossos melhores atletas também pode colocar o lugar na tabela em risco. Esperamos todos que Administração acorde e que os próximos jogos com o Sporting a 4 de Fevereiro e com a Juventus a 22 de Fevereiro e 14 de Março sejam a chave para o nosso fortalecimento.

Até à próxima

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Estranho Caso das VMOC's

Desculpem lá vir falar do Zbórden neste blogue mas qualquer dia também pode sobrar para nós. Não que alguma vez tenhamos enveredado por esse caminho. Preferimos os EO (Empréstimos Obrigacionistas) que nos levam couro e cabelo para depois contratarmos aquela cambada que se arrasta em campo. Podemos também, sabe-se lá, ter a tentação de ir buscar mais uma fatia do Estádio do Dragão ao clube. VMOC’s ainda não.
 
A sigla VMOC’s significa um tipo específico de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis que tem uma duração limitada no tempo. Rendem juros anuais e obrigam as empresas que os emitem a resgatá-los no prazo ou a entregar aos investidores, numa data pré-fixada, uma quantidade de ações correspondente às Obrigações que estes detenham.
Comecemos do princípio. A moda vem do Sporting/Sad ao tempo comandado por José Eduardo Bettencourt que foi cravar à HOLDIMO de Álvaro Sobrinho da BESI (uma societária do BES), 20M€ para que o clube não fosse à falência. Entretanto, e para abreviar, quando Bruno de Carvalho foi eleito e não tinha dinheiro para resgatar essa dívida o que aconteceu? Fez uma emissão destas Obrigações e entregou-as de mão beijada a Álvaro Sobrinho que assim ficou com uma parte considerável (quase 30%) na estrutura acionista.
 
Eis-senão-quando entra em cena uma nova entidade, nada mais, nada menos, do que a Hoitong uma sociedade financeira capitaneada por José Maria Ricciardi que adquiriu o BESI por 379 Milhões de Euros, em 2015. O Sporting sempre trabalhou com o BESI na elaboração destas operações de mercado, pelo que também são “investidores” da SAD criada por José Roquette e passou pelas mãos de indivíduos sem qualquer capacidade para dirigirem o clube, como Eduardo Bettencourt. Como sabem estes nomes com duas consoantes repetidas indiciam “gente fina”. Pessoal do “croquete”!
 
Dando um salto no tempo e depois de assistirmos a duas emissões de VMOC’s e agora mais outra de 55m€ estas atingiram o lindo número de 190m€ só neste tipo de Obrigações. Ora a Banca permitiu, num estranho project finance, esticar o prazo até 2026. Como nessa data não deverá haver dinheiro para as resgatar significa que os seus detentores se tornam “sócios à força” da Sad com todos os inconvenientes que isso traz. Vejam no Quadro abaixo como vai ficar a estrutura acionista.
Na parte de cima do quadro verificamos que o Capital Social da SAD que era inicialmente de 67M€, com as sucessivas VMOC´s, (que entraram como Capital Social) passou para 275m€. Inevitavelmente com este Capital fresco reduziu-se a percentagem dos anteriores acionistas, alterando a sua proporcionalidade. Assim, por exemplo (ver parte de baixo do quadro) o Sporting Clube de Portugal tinha 63,9% da SAD e agora fica com apenas 51,6%. Os Bancos não tinham nada na SAD e agora vão ficar com 33,1%. A Holdimo desce de 29,9% para 7,3%. Aparecem, “Novos Investidores” que não existiam antes e agora somam 6,5%, o Quim Oliveira desce de 3,2% para O,8% e os restantes “outros” baixam de 3,0% para 0,7%.
 
Desde logo esta nova “repartição” de poderes deve-se essencialmente à entrada em cena da Banca. Não se compreende como bancos falidos (estamos a falar do BES mais os seus filhos o Banco Bom e o Banco Mau) e das suas societárias (BESI etc.) conseguem aplicar dinheiro em sociedades também elas completamente falidas e sem qualquer possibilidade de ressarcirem os “empréstimos”. O que dirão os pobres depositantes do Banco Mau por essa Europa fora que estão a arder com milhões de Euros?
 
Qual o perigo destes “novos investidores” para o Clube? É fácil adivinhar. Pode aparecer um chinês qualquer a quem os bancos e os outros investidores vendam a parte que então detém (quase 50%) e tornar-se o dono da SAD. Isto, claro, se a Sporting Sad for capaz de resgatar as restantes VMOC’s (cerca de 90M€) até 2026 e não for preciso alienar mais partes do Capital. Então, na pior das hipóteses, se for mesmo ao charco, o clube terá que mudar de nome (como o Salgueiros 2008) e começar nos Distritais para poder participar no jogo do pontapé na bola. Calimeros 2026 parece-me um nome sugestivo.
 
Até á próxima

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Figuinho da Figueira

Os contos onde entram figos são como os chapéus: há muitos! Uma rápida pesquisa pela Internet (onde tudo se encontra) recorda-nos alguns da nossa infância: A Vendedeira de Figos; A Lenda do Papa-Figo; A Figueira Sem Figos; O Figuinho da Figueira, etc.
Na última semana os pasquins acordaram ao som dum estardalhaço futebolístico: “o nosso” Luís Figo em tempos jogador de futebol, e mais recentemente manequim do BPN, resolveu apresentar-se a votos na eleição para presidente da FIFA, cargo omnipotente que produz, por exemplo na Comunidade Económica Europeia, legislação futebolística e financeira às resmas, pouco se importando com as leis próprias de cada Continente.
Recordemos o que escreveu há dias o nosso amigo José Manuel Meirim na sua habitual coluna de opinião no PUBLICO:
 
“Ser presidente da FIFA não é apenas ser titular de um alto cargo numa associação sem fins lucrativos, constituída em conformidade com as normas do Código Civil suíço. Ser presidente da FIFA é ser chefe de estado, no duplo sentido de que alguém passa a liderar os destinos de uma organização de vocação universal, composta por 209 membros, reguladora (eficaz) de uma modalidade desportiva, economicamente bem saudável (uma verdadeira multinacional) e ainda que assume, no plano das nações, no plano político internacional, as vestes de um importante líder.”
Vejamos então se o currículo de Luís Figo corresponde a estes requisitos. Pertenceu à tribo do pontapé-na-bola; despediu-se do Zbórden “à francesa”; nos anos de maior fulgor futeboleiro virou as costas ao Barcelona que o acolheu e fugiu para Madrid; tem amigos nos meios financeiros da pouca-vergonha que burlaram milhares de portugueses; provavelmente toca piano, e fala Francês. Que importam as 209 Federações e as 6 Confederações que constituem o universo FIFA mais os 3 candidatos ao bolo? Os patrioteiros do costume fizeram soar as trombetas, embandeiraram em arco e logo se apressaram a colar Luís Figo aos clubes que sempre viram nos Fundos uma tábua de salvação. Para eles é o candidato ideal para a função ou não fosse nado e criado num país de trapaceiros.
Enquanto os clubes (pequenos, médios, ou grandes) estão falidos Jorge Mendes que vive às custas das transferências de jogadores (só no ano passado ganhou 50 milhões de euros) está do seu lado. “Então pode lá ser, a FIFA e a comadre UEFA, acabarem com os intermediários e a detenção de parte dos passes pelos Fundos de Jogadores? Pergunto eu: fundos como o Benfas Star Fund gerido pelos aldrabões do BES!? E intermediários como um funcionário do BESA, Álvaro Sobrinho, a enterrar dinheiro no Zbórden?!
Caro Agente Especial Jorge Mendes! Pelo menos que a FIFA os deixe “emprestar” dinheiro sem juros como faz aquele amigo de peito do Sócrates. Então até sugeria uma petição (maniqueísmo muito em voga) para apoiarmos todos a candidatura de Luís Figo. Vamos transformar esta comédia da treta num desígnio nacional. Se não fosse abusar muito, até podia ser o senhor Rui Santos e o senhor Vieira a entregar a petição na Assembleia da Republica como estão habituados a fazer. Sabe? É que eles estão habituados a defender a verdade desportiva, é mais um jeitinho que fazem à malta da bola (não confundir com A BOLA).
Notícias de há poucos dias referem que representantes das Ligas portuguesa e espanhola deslocaram-se a Bruxelas para tentar que a FIFA abandone estas ideias. Os jornais do país vizinho que conhecem o pesetero de ginjeira, já falam num triunvirato de salvação internacional. O líder da Federação Holandesa Michael Van Praag; o príncipe Ali Bin All Hussein das Arábias, por coincidência vice-presidente do organismo; e o figuinho da figueira em representação dos Pastilhas. Assim uma espécie de troika para libertar a instituição das garras do senhor Blatter, tentar anular a proibição de fundos ou esquemas equiparados, e fazer com que os milhões das transferências continuem a escorrer dos clubes falidos para os bolsos dos “Agentes Especiais”, pois claro!
 
Até à próxima

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Tv's, Pasquins, e Ofícios Correlativos

Esta “imprensa” (escrita, ouvida ou televista) está cada vez mais engraçada. Calculem os meus amigos que tenho uma daquelas BOX que andam para trás. Esta segunda-feira estive a ver a Gala dos Dragões de Ouro, pelo que só na Terça-feira visionei por alto o programa que leva o clube da treta ao colo: O DIA SEGUINTE. A grande vantagem desta tecnologia é andarmos com o comando, devagar, rápido, ou em velocidade de cruzeiro com o preciosismo de poder parar onde achamos o assunto interessante. Tirando as questões relacionadas com as arbitragens (que desde que me conheço sempre beneficiaram “a instituição”), o tema que me despertou mais interesse foi a eleição/nomeação do Dr. Luís Duque para a direção da Liga.

O Dr. Guilherme Aguiar aproveitou a onda e deu mais uma lição aos 3 pobres paineleiros (locutor incluído) que o confrontam semanalmente. O aldrabão do costume fingiu não perceber que o anterior presidente, lá colocado pelo ex-sogro mais os 2 circos da Segunda Circular, levou o “organismo autónomo” à falência. Nem com a paciente exposição do Dr. Guilherme Aguiar, o único que tem estatuto para ali estar, o papagaio percebeu a tramoia. Também ficou por explicar se, após a anunciada auditoria, lhe vão exigir responsabilidades.

Ao seu lado o palavroso Dr. Rogério Alves explicou os motivos porque os Calimeros não apoiavam o Dr. Luís Duque agora constituído arguido por decisão do banana que preside à coletividade por eventual “gestão danosa” no tempo em que foi administrador da SAD. A talho de foice apetece-me dizer que também não percebo como é que este advogado tem lata para defender Paulo Pereira Cristóvão quando toda a gente (excepto a Juíza de um Tribunal de Lisboa) percebeu o que se passou, e apenas o puniu com uma multa.
Recordemos os 7 crimes pelos quais o senhor Cristóvão foi constituído arguido e as declarações de circunstância na altura:

"Vai haver julgamento, pelos factos constantes na acusação", afirmou Rogério Alves aos jornalistas, após a decisão instrutória do processo de Paulo Pereira Cristóvão, antigo vice-presidente do Sporting na direção de Godinho Lopes. É acusado de um crime de burla qualificada, outro de branqueamento de capitais, dois de peculato, mais um de devassa por meio informático, um de acesso ilegítimo e, por fim, um de denúncia caluniosa agravada.”

Então o simples facto dum vice-presidente do clube ter tentado (não interessa se, a fingir, ou a brincar) corromper um árbitro, não será motivo suficiente para ser acusado, juntamente com a SAD, conforme Regulamento Disciplinar art.61 nº4: “o clube é responsável pela atuação dos seus representantes, sócios, dirigentes, funcionários e colaboradores”?
Mas voltando ao tema da crónica de hoje recordo também o dia em que vencemos o difícil jogo Porto x Athletic Bilbao no Dragão. À noite os lacaios da SIC e da RTP, ambos ao serviço do clube da treta, transmitiram o jogo Shalke04 x Calimeros quase na íntegra deixando para o fim o resumo dos 3 minutinhos para o FC Porto, afinal o único que venceu.
Os comentários aos jogos foram de tal maneira que tive que suspender a visualização dos programas. A RTP atingiu o auge: Um funcionário da casa (o conhecido apresentador de telejornais Carlos Daniel) traveste-se de comentador e destila ódio contra nós. O palermoide que pensa perceber de táticas, imagine-se, até tem a ousadia de confrontar os treinadores (verdadeiros) presentes.

No Trio de Ataque (também da RTP-I) um benfiquista sua por todos os poros a desculpar as insuficiências do seu clube perante o olhar cúmplice do analfabeto desportivo Rui Oliveira e Costa. Na SIC do Benfica o aldrabão do costume, de 10 em 10 minutos, fala no apito dourado, desviando para canto as insuficiências de um plantel a rebentar pelas costuras.

Na TVI24 o asno pomposo de Sintra, eterno candidato a candidato, mais o talhante dos fígados ainda não perceberam que os seus clubes estão falidos, agarrados a balões que ainda sobraram do BES.
Noutro canal inenarrável onde só há tiros, facadas, linchamentos (CMTV/Correio Manhoso) os 3 “octávios” (ribeiro, lopes e machado) despejam sobre o senhor Pinto da Costa todo o ódio que reprimiram durante anos. Um deles o bombeiro/agricultor nunca percebeu porque foi trocado por Mourinho. Traumas!

Na BOLHA (pág. 38 às 5.as feiras) a coautora de livros de uma conhecida prostituta também não percebeu que, pese embora os governantes que se pavoneiam pelos camarotes em dia de jogo, a “instituição” perdeu o estatuto de clube de regime que disfrutou ao longo de muitos anos. Embora a corja seja quase sempre a mesma (saem e entram à mesma velocidade para a CML) agora tem que dividir os benefícios com o parceiro do circo em frente que também possui bons “artistas”.

O RASCORD não tem explicação. Jornal criado por sportinguistas para sportinguistas, liderado pelo saudoso Artur Agostinho, passou o último ano a levar a “instituição” ao colo na tentativa de conquistar leitores. Esta época virou o bico ao prego e até já enaltece o arruaceiro que luta contra os moinhos de vento.

Noutro quadrante os jornais de hoje relatam a absolvição de vários arguidos entre os quais Carmona Rodrigues, e os vereadores Fontão de Carvalho e Eduarda Napoleão acusados em coautoria de prevaricação de titular de cargo político aquando do caso Bragaparques. Estes caramelos causaram um prejuízo de milhões de euros à autarquia e à empresa queixosa em processo que ainda corre nos Tribunais. Santana Lopes que foi corrido do Governo e à altura destes factos era ainda presidente da CML, pôs-se ao fresco deixando a batata quente nas mãos do vereador Carmona Rodrigues. Como prémio, esta figura dos pasquins cor-de-rosa, viria a ser colocado como provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa!

Até à próxima

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O Fundo do Benfica que não era do Benfica

A maioria das pessoas que não se interessam por estas minudências pensava que o agora, em vias de extinção, Benfica Star’s Fund era propriedade do Benfica a que “investidores” se associavam. Não era, é ao contrário. Trata-se sim de uma Sociedade de Investimento anónima gerida por uma societária do BES, mais precisamente a ESAF com o capital inicial de 40M€, na qual o Benfica, Sad investiu 15%. O termo desta Sociedade fundada em 30 Setembro de 2009 estava previsto desde essa data para 30 de Setembro de 2014.
 
O Fundo era uma forma da Benfica, SAD se financiar. Quando precisava de dinheiro colocava lá jogadores, e o Fundo adiantava-lhe um valor (20%/25%/40% etc. da avaliação) a deduzir em eventuais vendas. Bastará ler o Regulamento do Fundo para se perceber quem geria, e quem mandava (Art.º 2º). Interessante o número 5 deste Artigo: “A Entidade Gestora no exercício das suas funções age de forma independente no exclusivo interesse dos participantes”.
 Tiveram a sorte de alguns jogadores serem entretanto muito bem vendidos, graças à ajuda “desinteressada” de Jorge Mendes. Recordemos alguns: Di Maria, Coentrão, Ramires, David Luiz, Witsel, Javi Garcia, Matic, André Gomes, Rodrigo, etc.
 
A Entidade responsável pela colocação das unidades de participação do Fundo junto dos investidores estava subdividida entre Entidade Gestora e o Depositário (ambos sob gestão da ESAF) que guardava a maçaroca proveniente das vendas. Os eventuais lucros só serão distribuídos pelos participantes aquando do encerramento do Fundo.
 
O Comité de Investimento (Artº 6º) “é assegurado pela Entidade Gestora” composto “por dois elementos ligados ao mundo do futebol, idóneos, e reconhecidos internacionalmente, que não sejam agentes de jogadores de futebol e não tenham qualquer vínculo laboral ou equiparado com a Benfica, SAD.”
 
Mais ainda: No Ponto 2 do art.º 6º - Compete ao Comité: “tomar decisões”; “avaliar os termos de aquisição e alienação”; “deliberar matérias de particular interesse para o Fundo, quanto a projetos destinados à valorização dos ativos”; “deliberar sobre potenciais imparidades” (caso Garay), etc. ou seja, a Benfica, SAD ao contrário do que dizia o aldrabão do Dia Seguinte, não pregava prego nem estopa. Nem sequer tinha voto na matéria.
 
Por estas e outras habilidades, é que a UEFA não quer que este tipo de Fundos participem nas transações dos ativos das sociedades desportivas. Basta ver que podem levar à combinação de resultados. É bom de ver que um Fundo que possua atletas de vários clubes que se venham a defrontar poderia manipular a presença ou não dos “seus ativos” em qualquer jogo. Uma situação parecida com os empréstimos de jogadores a outros clubes que mais tarde “são impedidos de jogar contra os emprestadores” e por-aí-fora.
 
A Entidade Gestora é que escolhe os atletas que fazem parte do fundo e sobre os quais adianta percentagens da avaliação. Devem ser “o mais fresquinhos possível, com idades entre os 16 e 25 anos, e capacidade de integrar a primeira equipa”, isco apetitoso para os compradores. Mais ainda: é a Entidade que fixa a percentagem que adianta à SAD, e naturalmente decide o preço para as propostas que aparecerem. Se a Benfica,SAD quiser, ela própria, mais tarde ficar com um atleta, basta só superar a oferta do eventual comprador. Uma verdadeira chantagem.
 
No Artigo 28º Liquidação do Fundo estão previstas (Ponto 8) as condições para os atletas que “sobrarem”. Ou o Benfica, Sad os adquiria pelo valor em que foram avaliados ou o Fundo os pode vender pelo valor que quiser. Na ausência de qualquer proposta concreta, entrega-os aos Investidores na proporção da participação de cada um.
 
As continhas deste Fundo da ESAF aparecerão lá para Dezembro, mas mesmo feitas em cima de um guardanapo na mesa do café devem ficar “ela-por-ela”. Ou seja: os Investidores, dos quais, repito, a Benfica, Sad tem apenas 15% nem perdem nem ganham. A única vantagem era a entrada na SAD falida de dinheiro fresco sempre que precisava. E não era forçoso o Fundo acabar na data prevista como diz o papagaio/recadeiro do Benfica que envergonha a “instituição” no programa DIA SEGUINTE. Poderia ser prorrogado se houvesses vontade das partes.
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A anedota do dia foi o aldrabão ter dito que a compra “demonstrava o bom momento económico do Benfica”. Traduzindo para futebolês significa que como resolveram gastar cerca de 27M€ nos restos que sobraram de jogadores invendáveis (à exceção de Gáitan), lá vamos ter em Dezembro mais um Empréstimo Obrigacionista para empurrar mais para a frente os que se vencem por essa data.
 
Até à próxima

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Batalha Naval à Vista

Nunca a palavra “fundo” foi tão bem aplicada. As duas frotas da Segunda Circular começaram irmanadas na sua luta pelo segundo lugar, afinal o último que este ano dá direito a entrar na Champions. Mas não é que quando tudo lhes parecia correr lindamente, o Almirante encarnado voltava a tentar enganar os que ainda acreditam nele, e o Contra-almirante esverdeado afirmava o seu conceito de “verdade desportiva”, foram ao charco ao mesmo tempo? Dois submarinos foram atingidos nas vésperas do início da Liga e dificilmente voltarão para cima
Tudo começou quando o Banco de Portugal acertou o primeiro tiro no BES acionista da SAD, o segundo no Clube, e o terceiro com estrondo nas ventas de Domingos Soares de Oliveira, o gajeiro de serviço. Acabou-se a mama que os sustenta há 12 anos desde que Vale e Azevedo foi ao fundo, Vilarinho veio à tona e Vieira passou a comandar o barco.
 
O outro fundo, o verdadeiro, o tal Fundo das Estrelas (Star’s Fund) que tem avançado com a maçaroca para aquela armada em 10 anos comprar cerca de 300 jogadores e pagar 200 milhões de euros de juros (Vieira dixit), vai encerrar para balanço. Durante 5 anos adiantou dinheiro ao senhor Vieira penhorando dezenas de atletas. Pelo Regulamento do Fundo que pertence à ESAF uma societária do BES e não à SAD do Benfica como diz o aldrabão no DIA SEGUINTE fica claro que os vai devolver à procedência e receber a massa de volta. A “instituição” se os quiser reaver terá que pagar os valores que lhe foram adiantados (em Contabilidade chama-se Proveitos Diferidos). É uma espécie de empréstimo como fazia o Joaquim Oliveira quando lhes avançava dinheiro para comprarem a cal de marcar o campo. A aldrabice da venda de Garay deve ter precipitado o processo de encerramento. Note-se que a extinção do fundo não implica que não possa ser criado outro. Sem o BES, já se vê. Não falta por aí quem queira investir e a salvação do clube da treta é um desígnio nacional.
Mas parece que arranjaram um novo otário. Lembram-se quando eles foram às Arábias no ano passado tentar vender o naming do estádio? Naquela altura falhou. Este ano conseguiram uns dinheiritos para inserir publicidade aos Emirates nas camisolas, e lá apareceu feliz e risonho Domingos Soares Oliveira um dos responsáveis pelo afundanço da “instituição”.
 
No estaleiro do outro lado da Circular, a esquadra do banana, não consegue sequer sair do cais. Quatro dos navegadores ficaram sem a carta de marinheiro e estão debaixo de processos disciplinares. Rojo, Slimani, Shikabala e Ruben Semedo! São os submarinos da nossa Batalha Naval. É muito difícil acertar-lhes. Além destes, Eric Dier mandou-os passear, e há problemas com Cédric, William Carvalho e Jefferson. As negociações para a renovação do contrato estão suspensas. Para um senhor que caiu de paraquedas num clube falido que só não fechou as portas no ano passado porque José Maria Ricciardi e o BES lhe perdoaram metade dos juros e esticaram o pagamento das dívidas até às calendas Gregas deve fazer-lhe muita confusão os jogadores quererem ganhar mais dinheiro.
 
A batalha por Rojo tem sido engraçada. Os tiros disparados pela Doyen assobiam por cima do banana que como não tem argumentos nem faz a mínima ideia de como gerir um clube, quanto mais uma SAD, diz que vai tudo para os tribunais, imitando o fogo-de-artifício da cavacada/coelhada. Enquanto o pau vai-e-vem, folgam as costas!
Reparem só! O banana nem sabe como estes fundos funcionam. Primeiro: não respondeu dentro dos prazos legais a uma proposta da Doyen. Segundo: pretende rescindir um contrato unilateralmente. Terceiro: nem sequer se lembra que não entrou com um cêntimo para a compra do atleta. Quem avançou com a entrada de 1 milhão de euros e os 75% do valor da transação foi a Doyen. Caso o jogador fosse vendido (seja por 20 ou 30 milhões), a frota de bacalhoeiros dos calimeros não receberia nada. 75% seria para a Doyen e 25% para o Spartak.
 
Além disso, e pouca a gente conhece este pormenor, a Doyen Sports ainda lhes emprestou dinheiro para resolver problemas de tesouraria. Subitamente o banana passou por cima do contrato com a Doyen (rescindiu alegando justa causa) e negociou diretamente com o Manchester. Vamos ter assunto para muito tempo.
 
Até à próxima

domingo, 17 de agosto de 2014

Nunca Te Enganes a Ti Próprio

Na reentrada em cena do programa desportivo DIA SEGUINTE que passa 90% do tempo a enaltecer o clube da treta esperava-se que o mesmo servisse para o aldrabão do costume responder à óbvia questão de como iriam arranjar 200 milhões até Dezembro para cumprir os compromissos de 2 Empréstimos Obrigacionistas quase sobrepostos e liquidar uma conta caucionada no BES. Conhecem estas Contas? São assim uma espécie de “compre agora e pague com o subsídio do Natal!”
 
Expetativas goradas, o ex-administrador que nunca sabe responder ao que lhe perguntam já deve ter percebido que ninguém acredita na banha de cobra que anda há muito a vender e prefere iludir a resposta. Então muda de assunto com desculpas esfarrapadas não assumindo o estado de falência em que se encontra a “instituição”. O habitual fornecedor de dinheiro para Tesouraria faliu. Fechou a torneira. No último RC a SAD demonstra compromissos financeiros até 2024 e o estádio nem metade está pago. Quatro dos seus acionistas de referência, BES, José da Conceição Guilherme, Somague, e o presidente LFV estão ligados à construção. Este último é um dos homens mais ricos de Portugal e nem sequer aufere vencimento (por imposição estatutária) no Clube. Provavelmente o dinheiro apareceu por geração espontânea.
 
Mas o programa teve uma novidade. Foi apresentado um novo papagaio. Todos estávamos habituados aos papagaios encarnados Cervan e Seara mas desta vez apareceu um papagaio verde no lugar da última abécula que por lá vegetava. Assistimos a uma prestação generosa entremeada de expedientes dilatórios (ou não fosse o homem advogado) mas cujo discurso nada mudou pela ignorância evidenciada sobre as matérias em discussão. Nem sabia que o Zbórden tinha rebentado mas com os amigos do BES conseguiu que lhe fossem perdoados juros e esticados os prazos de pagamento da divida. Assim uma espécie de PER disfarçado.
Voltando á vaca fria (o tema era a crise do BES e o seu reflexo nos clubes) percebeu-se que os dois circos da capital foram bastante atingidos nas suas expetativas de continuarem a viver com o dinheiro da Banca. Como de costume o feiticeiro que nos aparece aos Domingos à hora do jantar desvalorizou o caso, juntando o total dos Passivos dos 3 grandes que ultrapassa o milhão de euros. Só que mais uma vez meteu água. Deixe lá, já tinha acontecido o mesmo ao Economista António Samagaio no PÚBLICO. Não reparou nalguns pormenores.
 
Querem ver alguns? Primeiro: O BES é financiador preferencial da “instituição”. Segundo: Detém uma participação no Capital Social da SAD. Terceiro: Gere e participa num Fundo (Benfica Stars Fund) onde a SAD tem 15%. Quarto: Apoia os sucessivos Empréstimos Obrigacionistas como colocador daquelas operações.
 
Nós, os parolos cá de cima, não queremos misturas. Como o feiticeiro prometeu que iria falar nisso no próximo Domingo, aconselho que leia os RC dos 3 grandes e separe os valores de cada SAD. Olhe se quiser até pode juntar-lhes o Passivo dos respetivos clubes e umas empresas que andam perdidas pela capital. Vai ver que o Grupo do clube da treta tem um passivo maior do que os outros dois juntos. Não venha para cá com “contas à moda do Porto”.
 
Curiosamente a Sociedade de Revisores da KPMG que faz parte da Comissão de Auditoria do BES já tinham invocado o risco da empresa sobre as operações do Grupo BES, devido a uma grande exposição ao crédito concedido a sociedades de meia tijela. Compreende-se agora por que motivo o clube da freguesia de Benfica os mandou pela porta fora e substituiu o ROC.
 
Ao terminar o DIA SEGUINTE o representante da “instituição” não respondeu a duas perguntas concretas do apresentador do programa. Primeira: se as vendas apressadas e por qualquer preço se deviam à necessidade de compromissos de Tesouraria ou à liquidação dos compromissos com os Investidores do Empréstimo Obrigacionista mais a conta caucionada do BES perto do final do ano. Segunda: se o clube tinha apoiado Mário Figueiredo para presidente da LIGA. O homem mentiu e disse que não. Prefere continuar a enganar-se a si próprio.
Até à próxima

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Fundos da Treta

Há umas semanas o país acordou atarantado com o estouro do BES. Nada que já não se esperasse há algum tempo. Para os “especialistas” da matéria tem sido um maná. Não há cão nem gato que não ande por aí a debitar asneiradas, quer nos pasquins da especialidade, quer na caixinha que mudou o Mundo. Naturalmente não cabe aqui analisar a situação financeira do Banco. Mas podemos falar nalgumas variantes engraçadas.
O Diário de Notícias do último Domingo trazia um excelente trabalho sobre os Fundos de Investimento onde os clubes de futebol se têm ultimamente, dependurado. Apenas não fez a necessária separação das águas, a distinção entre os Fundos digamos, normais, e aquele que foi “inventado” pela “instituição” de uma freguesia da capital do reino, o Benfica Stars Fund.

A “novidade” é que desse Fundo faz parte um dos fundadores/investidores. Quer dizer: Tira de um bolso e mete no outro. Assim por alto, para não maçar os leitores, o Fundo foi constituído com um capital inicial de 40M€ dos quais a SAD do clube em questão, detém 15% (6M€).
Como se trata de um fundo fechado, quer dizer, apenas aberto “a convidados” não sabemos exactamente quem são. Falou-se na altura da constituição que os investidores dos restantes 85% poderiam ser o Banco BES, Joe Berardo, Jorge Mendes, e claro, a Isabelinha dos Santos que ultimamente investe em tudo que mexe. Nas operadoras televisivas, na multimédia, na área das comunicações, e organismos correlativos. Tratando-se de “emprestar” dinheiro ao clube que faz chegar às palhoças lá da terra os hossanas cantados pela imensa legião dos pasquineiros do futebol da treta, todos encarnados já se vê, não poderia ficar de fora.

Ora ”partanto” quando disse acima “emprestar” estou a falar do “forno íntimo” do penhorista. Este Fundo nasceu para isso mesmo. É igualzinho a uma Casa de Penhores. Uma SAD coloca lá uns jogadores presumivelmente valiosos comprados a pataco, e oferece, digamos 20 ou 25% à cabeça para a SAD ir estourar em mais umas paletes a chegar ao Cais do Sodré.

Se por acaso algum dos penhorados se distinguir dos seus pares e alguém o quiser adquirir o dito Fundo informa o titular dos direitos económicos, neste caso a “instituição”, que arranjou um otário que quer comprar o atleta. Mais tarde, um dia quando o Fundo estoirar, a maçaroca que eventualmente sobrar é rateada pelos investidores na razão direta da sua participação.
É desta situação que está próximo o acima referido Benfica Stars Fund. Vamos ver sem grandes explicações técnicas como aquilo funciona. O Fundo é administrado pela ESAF, uma sociedade do BES que seleciona, adquire e aliena os ativos do mesmo, através dum Comité de Investimentos composto por elementos da Entidade Gestora, e “elementos ligados ao futebol que não sejam Agentes de jogadores, e não tenham qualquer vínculo laboral à Sad do SLB”. Ao contrário do que diz o aldrabão do Dia Seguinte é ao Fundo que compete decidir se vende um jogador ali colocado e por quanto.

Para isso baseia-se numa política de investimento cujos fatores são, por exemplo, a expetativa da valorização futura do atleta; o sucesso nas camadas jovens; a probabilidade de integrar ou não a equipa principal da Benfica Sad; a internacionalização e historial do atleta; a posição do atleta em campo e a quantidade de atletas atuantes na mesma posição; o passado disciplinar do atleta; etc.

Os Custos do Fundo são: comissões de gestão, depósito e supervisão; seguros de acidentes pessoais dos atletas; exames médicos; comissões a pagar ao Agente FIFA responsável por uma eventual transação; contribuições para o fundo de solidariedade da FIFA; e finalmente, os Encargos Fiscais.
Por fim, e este é o assunto do momento, o que vai ser dos jogadores não transacionados quando o Fundo encerrar, o que sabemos irá acontecer dentro dos próximos 2 meses? Segundo o Capítulo VI Artigo 28º (Liquidação do Fundo) este poderá dissolver-se por: a) decurso do prazo previsto (5 anos após o seu inicio); b) por decisão da Entidade Gestora; c) caducidade da autorização; d) revogação pela CMVM; e) impossibilidade da Entidade Gestora continuar a exercer a sua função.

O que acontece aos Direitos Económicos dos atletas ainda integrantes do património? Competirá à Entidade Gestora encontrar compradores interessados, assistindo sempre à Benfica, Sad a possibilidade de cobrir qualquer oferta, adquirindo-os pelo valor refletido na carteira do Fundo. Por outras palavras: Se o Benfica quiser pode levantar os jogadores pelo valor que a Entidade Gestora os tenha avaliado.

Fácil não é? Bastava mesmo terem lido o Regulamento numa Internet perto de si.
NOTA - Já depois de ter escrito esta crónica tomei conhecimento que o Espírito Santo Liquidez, o maior fundo de investimento do país tem cerca de 67 milhões dos mais de mil milhões de euros que gere aplicados em obrigações da Benfica SAD. Estas obrigações atingem maturidade em outubro e dezembro, não sendo claro se o Fundo aceitará mais um “empurrão” para a frente deste Passivo como habitualmente a “instituição” faz, ou seja contrair um novo empréstimo obrigacionista para liquidar o atual.
 
Até à próxima

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Fundos e Fairplay

Volta-e-meia lá vem a questão à baila. Os Clubes e/ou Sad, podem ou não ter jogadores colocados em Fundos? Como sabemos, em Inglaterra já foram proibidos, e o movimento pode alastrar a outros países. Fontes oficiosas da Fifa e da Uefa lançam alguns balões de ensaio para medir as reacções dos clubes mais representativos.
Há uma dezena de anos os Fundos de Jogadores não existiam. Os clubes mais modestos recorriam aos empresários locais que tinham uma fabriqueta de sapatos, ou de camisas, sacavam-lhes umas maçarocas que nunca mais devolviam e quando a coisa apertava homenageavam os “beneméritos” elevando-os à categoria de “sócios honorários”.
 
Os tempos mudaram, os otários foram desaparecendo e a Banca vislumbrou ali um maná. Alguém duvida que, por exemplo, o BES vê os 3 grandes como alguns dos seus melhores clientes? Este ano e a fazer fé no seu último Relatório, só a SAD da “instituição” teve Custos Financeiros de 22,7M€. As recentes determinações da Troika que nos governa, em decidir acabar com a brincadeira dos empréstimos aos clubes, motivou o subterfúgio da criação de Fundos de Investimentos, as modernas casas de penhores.
 
Na prática é muito simples. Um grupo bancário aliado a um conjunto de empresários compra ao Clube/Sad determinada percentagem dos direitos económicos de vários jogadores. Mais tarde numa eventual transferência de qualquer jogador para outro clube, naturalmente por valores superiores aos da avaliação, obterá um lucro igual ou superior ao do seu investimento. No caso do Benfica Stars Fund, verifica-se a insólita situação da SAD ser também investidora, isto é, subscritora de 15% do valor do Fundo e beneficiar nessa percentagem de eventuais lucros que daí advierem. Na prática recebe sempre um “adiantamento” sem ter que pagar juros à Banca.
O que pode acontecer de errado nisto? O Fundo não conseguir vender jogadores em tempo útil. Além disso a SAD não manda absolutamente nada no Fundo. Este avalia os passes de cada atleta através duma comissão de gestão que poderá, se assim o entender, “forçar” a venda de qualquer jogador conforme a estratégia que pretenda desenvolver. Em princípio a venda será aprovada desde que a quantia oferecida se aproxime dos limites da avaliação que entende justos. Contudo pode dar-se a situação inversa. O Fundo querer vender para realizar capital mas por valores que não sirvam os interesses do Clube/SAD. Se este discordar pode contudo exercer a “recompra” devolvendo o valor encaixado voltando o jogador à origem.
 
Mas não será por esta razão que a UEFA está preocupada. O motivo das reservas é pensar-se que os Fundos sirvam para a lavagem de dinheiros ilícitos além de poderem fazer subir ou baixar artificialmente os valores dos passes duma forma especulativa.
Outra questão mais relacionada com o fairplay financeiro prende-se com as dívidas atingidas por alguns Clubes/Sad e a situação de falência que algumas evidenciam. Os rendimentos consolidados totais da Benfica SAD, que inclui os operacionais, as transacções de atletas e os financeiros, no valor de 145 milhões de euros, representam o valor mais elevado de rendimentos alcançado pela Benfica SAD até hoje. Contudo o Passivo é 4 vezes maior
 
Esta semana foi conhecido um acórdão da FIFA segundo o qual, como forma de coima às dívidas contraídas pela Naval 1.º de Maio, que milita no Campeonato Nacional de Séniores (Série E), ao clube brasileiro Corinthians Alagoano, serão retirados seis pontos à equipa, do clube da Figueira da Foz pela aquisição do médio brasileiro George. O jogador foi contratado em 2000 pela Naval ao Corinthians Alagoano, tendo representado os figueirenses durante três épocas. Em Portugal, o médio brasileiro, que representa actualmente o Atlético-BA (um clube da Bahia), ainda alinhou pela Académica e Vitória de Setúbal. Situação semelhante passa-se com Roberto. Soube-se agora, através do RC do clube da treta, que o atleta que já passou por três emblemas, ainda não está totalmente pago ao clube de origem, o Atlético de Madrid!
 
Será lícito permitir que um clube como o Benfica que detém 63% duma SAD que apresenta prejuízos há 5 anos consecutivos, com o Passivo maior do que o Activo, e Capitais Próprios negativos, dispute uma Liga em igualdade de circunstâncias com o Paços de Ferreira ou o Braga sem problemas financeiros relevantes, ou isto é mesmo um fairplay da treta?
 
Até à próxima

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Desespero no Clube da Treta

As manifestações de alívio do treinador, dirigentes, sócios, e escribas da BOLHA no último minuto do Benfica x Académica, deixaram-me tranquilo. É que nem mesmo eles “acarditam” naquilo. As súbitas mudanças de humor, da peixeira que treina aquele grupo esfarrapado, confirmam as minhas suspeitas. A “instituição” já não é o que era, está falida como os Calimeros. Por mais Taças da Liga que possam vencer é impensável pagar 4 milhões/ano ao asqueroso treinador e a mais 100 jogadores que andam espalhados por aí.
Nos anos 60 já “faziam a coisa pelo outro lado”. Bastava Germano (o terceiro em cima a contar da esquerda) levantar o braço lá estava um off-side! O Costa Pereira dava um frango? Era invalidado por “falta atacante”. José Torres saltava 1 metro mais alto do que a defesa? Não era expulso como o Mangala! O senhor de fato não era o treinador. Chamava-se Américo Tomás presidente de Portugal. Contavam-se anedotas melhores do que as do Relvas… até proibiu o clube do regime de exportar o Eusébio!
Eu não tinha carro nem casa própria. Precisava, pelo menos, 30% para a entrada inicial e ter crédito na praça. Hoje a “instituição” sem quaisquer bens penhoráveis excepto parcelas de uns rapazitos russos, brasileiros ou sul-americanos, um estádio e campos de treino por pagar, abalança-se a compromissos de 500 milhões de euros.

Felizmente naquela época ainda não nos incendiavam os autocarros. Íamos em Comboio Especial sempre com lotação esgotada, só portistas e bilhete assegurado (pagávamos mais 25 “tijolos” mas valia a pena). A viagem demorava 7 horas e chegávamos sempre em cima do início do jogo. Os mais endinheirados viajavam no dia anterior, de Mini Volkswagen, ou Simca Aronde, almoçavam no João do Grão, mais um cafezinho no NICOLA e depois passavam pela Feira Popular ou viam a 2ª sessão duma revista no Parque Mayer. O Santana Lopes ainda não tinha dado cabo daquilo.
No campo éramos gamados à fartazana. Os Calabotes ou Carlos Valentes de então tornaram-se nos Proenças, Duartes, Paixões e Lucílios do novo século. Característica comum: Todos eram reconhecidos adeptos do clube da treta, honestíssimos, pois claro!
Não se admirem portanto os meus amigos se lhes disser que “esta” é uma época especialmente complicada. Enquanto o nosso clube está a apostar na renovação dos contratos dos atletas mais promissores, os gestores de pacotilha estão a devolver à procedência e ao preço-da-chuva, as dezenas de charutos que têm por aí encostados.
No mais-maior-grande, só este ano, já voaram: Nelson Oliveira, Javi, Witsel, Bruno César, Nolito, Saviola, e Hugo Vieira. No Zbórdeng: Carriço, Insúa, Xandão, Elias, Schaars, Izmailov e mais alguns que se anunciam. A UEFA com a nova moda do controlo financeiro anda com a mania de apertar o pescoço a algumas SAD’s que podem começar a próxima temporada sem terem um tusto para mandar cantar um cego. Sei de uma que em 9 anos de conversa da treta, teve resultados negativos em 7, mas apresenta compromissos financeiros até 2024. E o BES já avisou: não há mais nada para ninguém! O truque de contrair mais dívida para chutar o Passivo para a frente ou arranjar uns investidores disfarçados de Fundos já não funciona. Daí o tal desespero…

Até à próxima 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Godinho Lopes e a Banca

Que raio de dirigentes se propõe desta vez para dirigir o Sporting? Dois putos? Já não sobravam os engenheiros, médicos, banqueiros, advogados, juízes e até um negreiro, que desde o consulado iniciado por José Roquette atiraram com o clube de cangalhas, só faltava mesmo agora, aparecerem dois jovens a querer pegar o touro pelos cornos. E desculpem lá os meus amigos sportinguistas: no meio dos seus associados não haverá pelo menos uma pessoa que perceba de futebol?
 Quando a bolha imobiliária rebentou nas mãos do Lehman Brothers e nas ventas do inefável António Borges do Goldman Sachs, por certo nenhum dos notáveis pensadores financeiros que pululam na nossa querida televisão (Medina Carreira incluído), julgaria ser possível que o popular e eclético clube do Visconde de Alvalade viesse a tão curto prazo, a ser gerido pela Banca.
 
Mas o caso não está para graças. Como os meus amigos que acompanham estas crónicas sabem o clube tem vivido pelo menos nos últimos 15 anos acima das suas possibilidades. Os bancos, nomeadamente o BCP/Millenium e o BES afadigam-se a emprestar mais e mais dinheiro (afinal é disso que vivem), que dificilmente terá retorno. Quando muito irão receber de volta 55 milhões de obrigações (carinhosamente tratadas como VMOC), que não são mais do que títulos obrigacionistas a converter obrigatoriamente em acções, e que, em caso de incumprimento desse resgate por parte do Sporting, podem tornar-se mesmo sem querer, os novos donos do clube.
 
E lá que era engraçado era! Já imaginaram uma reunião da Administração com todo aquele formalismo que vemos nos administradores dos Bancos? Os directores, todos de gravatinha e fatos iguais como nas escolas, em vez dos habituais croquetes do Zbórden, a comerem bombons?
Mas para os amigos que se interessam por estas minudências, vamos lá “esmiuçar” um pouco esta história das VMOC. Dos 55 milhões que foram disponibilizados pela banca o Sporting tem que pagar (converter) 60 milhões (55+juros) até 19 de Janeiro. Notáveis comentadores como, por exemplo, o engraçado Eduardo Barroso parece que só agora deram por ela. “Fico aterrorizado com a falta de liquidez no Sporting”, disse.
Para os pasquins, então, tem sido um regabofe. Raro é o dia em que não se anunciam entradas e saídas de jogadores, directores ou simples funcionários. A BOLHA está nas suas sete quintas. O RASCORD, por vocação sportinguista, não sabe o que dizer. Tanto ataca Godinho como o elogia. O outro Circo da Segunda Circular, seu rival de sempre, exulta! Intimamente sente o segundo lugar de acesso à Champions seguro.
 
Por coincidência, ou talvez não, Godinho Lopes lançou mais um balão de oxigénio para entreter os sócios. Jesualdo Ferreira passou por ali perto e logo o engenheiro atirou a fateixa: “És o meu salvador, ficas com todos os meus bens, podes andar por todo o lado, do camarote ao balneário, tu é que mandas em tudo. Despedes, contratas jogadores e treinadores, as meninas da secretaria, o homem que marca o campo! Dás o treino, vais para os banhos turcos ou para onde te apetecer mas pelo menos garante-me o 5º lugar”!
 Só resta desejarmos ao nosso amigo boa sorte! Mas olhe que não vai ser fácil…
 
Até à próxima

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Teatro de Verão

Na recente aquisição do passe de Fábio Coentrão pelo Real de Madrid e, como acontecera já com a transferência de Di Maria, gerou-se a habitual troca de comentários sobre quanto a “instituição”, de facto, teria ganho. Então, nos blogs do clube da 2ª Circular, cerca de 24 horas depois de anunciada a operação, já iam em meia centena os comentários a respeito, com as mais fantasiosas opiniões. Nos pasquins afectos ao Clube, os jornaleiros da BOLHA, órgão oficioso, anunciavam a boa nova: BENFICA ENCAIXA 30 MILHÕES! O senhor Nuno Luz, da SIC, cuja única missão nas últimas semanas parece ter sido o de Director de Marketing do Benfica e não da empresa que lhe paga, nos artigos enviados para a MARCA, fazia os possíveis para que a transacção se efectivasse. Para ele e para as empresas de comunicação social que gravitam à volta da “instituição”, o jogador, e o clube onde joga: “são os mais maiores grandes do Mundo”.

Vamos começar pelo princípio e ver, por ordem de entrada em cena, quem são os personagens:

O “VENDEDOR” – Vieira, patrão duma SAD falida que “vendeu” a um Fundo, parte dos direitos (20%), de dúzia e meia de jogadores (pág. 65 do folheto dum Empréstimo intitulado EO 2013) que rendeu aos cofres da “instituição” 32M€.

O “FUNDO DE INVESTIMENTO” - Um eufemismo que significa em futebolez: um Banco que “empresta dinheiro pela porta do cavalo, quando as torneiras se fecham, por falta de crédito do cliente”. Senão vejamos: O Banco, “fornecedor” habitual do Clube, criou um “mecanismo hipotecário” pomposamente auto-denominado “BENFICA STARS FUND”, através do qual são lá ”depositadas” percentagens de passes de jogadores que, na eventualidade de mais tarde serem negociados, podem proporcionar um retorno/lucro à entidade. Naturalmente que pela sua complexidade, não cabe nesta crónica analisar o Regulamento do Fundo (*) mas, nas suas linhas gerais, sabemos que é controlado pela ESAF uma sociedade do BES com um capital inicial de 40M€ e onde a “instituição” para poder participar teve que adquirir 15%, ou seja “entrar” com 6M€. O Fundo possui uma ENTIDADE GESTORA que selecciona, adquire, gere e administra os seus Activos.

O seu objecto consiste em proporcionar aos participantes a possibilidade de aceder a uma carteira de activos, com o direito a participar em certa percentagem na contrapartida da venda ou da transferência temporária para outra entidade, a título oneroso, dos direitos desportivos relativos a determinados atletas que se encontrem na titularidade da Sport Lisboa e Benfica – Futebol SAD, carteira essa que tem subjacente a valorização desportiva desses mesmos atletas. Os investidores mais conhecidos são: BES (40%), Benfica (15%) Jorge Mendes (10%), Joe Berardo, e a Isabelinha de Angola, não se conhecendo as percentagens destes dois últimos.

O “EMPRESÁRIO DE SUCESSO” – Jorge Mendes que interpreta 2 papeis: Investidor e empresário. Patrocina jogadores de topo ou em inicio de carreira. Também se desfaz de lixo tóxico.

O “CLUBE DE ACOLHIMENTO TEMPORÁRIO” – – Rio Ave que recebe 1 quilo e meio sem saber ler nem escrever. É um dos sortudos deste negócio. Foi lá que Fábio Coentrão se iniciou para a modalidade, e vai receber do Real de Madrid, pela compensação da sua formação (Art. 1º Anexo 5 do Estatuto de Transferência de Jogadores), 5% do valor da transacção, ou seja, 1,5M€.

O “COMPRADOR” – Florentino presidente dum clube de galácticos, o Real Madrid.

Quem ganha quanto?

1 – O “Vendedor” - Vendeu por 24M€ (dos 30M€, 6 são do Fundo) o que lhe tinha custado 1M€ (Rio Ave) e valoriza o seu capital no Fundo (passa dos 6M€ com que entrou para 6.9M€ (os 900 mil euros são 15% na sua participação inicial de 6M€). Tem a pagar a comissão do negócio a Jorge Mendes (entre 900 mil e 1.5M€), taxas e comissões de administração ao Fundo, mais a retenção na fonte, do IRC (a apurar) do seu lucro.

2 - O “Fundo”. Adquiriu 20% do Passe por 3M€ que agora valem 6M€ (20% de 30M€).

3 – O “Atleta promissor” - Segundo consta nos mentideros españoles vai ganhar 3 vezes mais do que no Benfica, desconhecendo-se o prémio de assinatura, vulgarmente conhecido como luvas, mais os prémios por objectivos etç.

4 – O “Empresário” – Melhora a sua posição no Fundo (de 10M€ (25% de 40M€) passa para 11,5M€) e ganha de comissão do Benfica entre 900 mil e 1,5M€).

5 – O “Clube de acolhimento temporário” – Como se disse atrás, vai receber do Real Madrid 1,5M€.
Particularidade que poucos conhecem é o Artigo 16º (Política de Rendimentos do Fundo):

1. O Fundo capitalizará a totalidade dos rendimentos obtidos e, nesse sentido, assume a natureza de Fundo de capitalização pelo que os rendimentos do Fundo não serão distribuídos.

2. Todavia, mediante proposta da Entidade Gestora, a Assembleia de Participantes do Fundo poderá deliberar a distribuição parcial ou total de rendimentos.

Cai assim por terra a teoria dos pasquineiros que dizem, entre outras asneiras, que a SAD “vai buscar” indirectamente, 15% do passe do atleta ao Fundo, por via da sua participação no mesmo. O Fundo não distribui lucros sempre que faça uma venda. O mecanismo da eventual “distribuição de lucros” obriga a uma Assembleia Geral “por proposta do Gestor” (leia-se BES). Não nos podemos esquecer que o Fundo tem despesas próprias, e comprou a tal dúzia e meia que, mesmo de graça, ninguém os quer. Só no fim de cada ano, são apurados os eventuais lucros.

Como se vê pelo exposto, não é fácil encontrar um valor a que poderemos chamar Lucro Liquido nesta transacção. Desportivamente a equipa teve um enorme prejuízo. Ficou sem o melhor jogador e não sabemos como se vai comportar na nova temporada. Basta ver o que aconteceu quando perdeu Di Maria, Ramires e, recentemente David Luiz.

Embora a compra de Garay fosse uma imposição do Real, na minha opinião, não devemos “subtrair” o valor do seu passe (fala-se em 5,5M€) aos 30 milhões. A “instituição”, depois do descalabro que resultou da venda de David Luiz, tinha que adquirir um central, fosse este ou outro qualquer. Como os meus amigos já perceberam, o tal Lucro Líquido para mostrar os sócios, vai depender de quanto custará o jogador que vem substituir Coentrão. Esse sim é que terá que ser abatido ao negócio. Todo o resto é TEATRO DE VERÃO.

Até para a semana.