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terça-feira, 7 de março de 2017

Algo Vai Mal no Reino da Dinamarca

Terminou o deprimente espetáculo eleitoral dos Calimeros com a reeleição do banana. Desta vez 18.755 paisanos arrostaram com longas horas de espera para seguirem como perdedores anunciados. Para trás nos últimos 30 anos ficaram 9 pantomineiros, qual deles o melhor, que se tornaram conhecidos como “a brigada do croquete”.
O projeto megalómano dos centros comerciais iniciado por José Roquette deixou o clube falido sem que nenhum dos impreparados presidentes que lhe sucederam o conseguisse resolver. Desportivamente tem sido um desastre e sobre o aspeto financeiro nem é bom falar. As boas amizades com José Maria Ricciardi, utilizando dinheiro que não era dele mas dos clientes do BESI, conseguiram empurrar o Passivo para a frente com perdão de juros e hipoteca de Ações (as tais VMOC) que trazem trabalhos acrescidos para o agora reeleito.
Estranhamente, ou talvez não, na longa noite da consagração o homem apareceu com um cachecol preto! Será palpite ou profecia em relação à próxima época? Sabemos que lançou a SportingTv, nas modalidades está mais competitivo, vai construir um pavilhão mas perdeu Slimani e João Mário que bem jeito faziam agora. A equipa é uma sombra da época passada e disse adeus em todas as competições. Se o Braga estivesse a jogar normalmente ficaria em 3º lugar e o Sporting arredado da Champions.
Durante o mandato arranjou complicações com todo a gente. Clubes, dirigentes, arbitragem, FPF, jogadores e até o Dr. Adelino Caldeira ficou de mão estendida. Internamente conseguiu com o apoio dos sócios auditorias aos anteriores presidentes mas os resultados foram nulos. Desta vez um dos pontos no seu programa eleitoral é fazer uma auditoria ao seu próprio mandato. Não sei como os sócios vão aceitar o 3º lugar desta época. Continua refém de JJ o único que lhe pode salvar a pele. E as promessas lá estão outra vez. Como não ganham o título há 15 anos “para o ano é que vai ser”!
 
Até à próxima

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

O Estranho Caso das VMOC's

Desculpem lá vir falar do Zbórden neste blogue mas qualquer dia também pode sobrar para nós. Não que alguma vez tenhamos enveredado por esse caminho. Preferimos os EO (Empréstimos Obrigacionistas) que nos levam couro e cabelo para depois contratarmos aquela cambada que se arrasta em campo. Podemos também, sabe-se lá, ter a tentação de ir buscar mais uma fatia do Estádio do Dragão ao clube. VMOC’s ainda não.
 
A sigla VMOC’s significa um tipo específico de Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis que tem uma duração limitada no tempo. Rendem juros anuais e obrigam as empresas que os emitem a resgatá-los no prazo ou a entregar aos investidores, numa data pré-fixada, uma quantidade de ações correspondente às Obrigações que estes detenham.
Comecemos do princípio. A moda vem do Sporting/Sad ao tempo comandado por José Eduardo Bettencourt que foi cravar à HOLDIMO de Álvaro Sobrinho da BESI (uma societária do BES), 20M€ para que o clube não fosse à falência. Entretanto, e para abreviar, quando Bruno de Carvalho foi eleito e não tinha dinheiro para resgatar essa dívida o que aconteceu? Fez uma emissão destas Obrigações e entregou-as de mão beijada a Álvaro Sobrinho que assim ficou com uma parte considerável (quase 30%) na estrutura acionista.
 
Eis-senão-quando entra em cena uma nova entidade, nada mais, nada menos, do que a Hoitong uma sociedade financeira capitaneada por José Maria Ricciardi que adquiriu o BESI por 379 Milhões de Euros, em 2015. O Sporting sempre trabalhou com o BESI na elaboração destas operações de mercado, pelo que também são “investidores” da SAD criada por José Roquette e passou pelas mãos de indivíduos sem qualquer capacidade para dirigirem o clube, como Eduardo Bettencourt. Como sabem estes nomes com duas consoantes repetidas indiciam “gente fina”. Pessoal do “croquete”!
 
Dando um salto no tempo e depois de assistirmos a duas emissões de VMOC’s e agora mais outra de 55m€ estas atingiram o lindo número de 190m€ só neste tipo de Obrigações. Ora a Banca permitiu, num estranho project finance, esticar o prazo até 2026. Como nessa data não deverá haver dinheiro para as resgatar significa que os seus detentores se tornam “sócios à força” da Sad com todos os inconvenientes que isso traz. Vejam no Quadro abaixo como vai ficar a estrutura acionista.
Na parte de cima do quadro verificamos que o Capital Social da SAD que era inicialmente de 67M€, com as sucessivas VMOC´s, (que entraram como Capital Social) passou para 275m€. Inevitavelmente com este Capital fresco reduziu-se a percentagem dos anteriores acionistas, alterando a sua proporcionalidade. Assim, por exemplo (ver parte de baixo do quadro) o Sporting Clube de Portugal tinha 63,9% da SAD e agora fica com apenas 51,6%. Os Bancos não tinham nada na SAD e agora vão ficar com 33,1%. A Holdimo desce de 29,9% para 7,3%. Aparecem, “Novos Investidores” que não existiam antes e agora somam 6,5%, o Quim Oliveira desce de 3,2% para O,8% e os restantes “outros” baixam de 3,0% para 0,7%.
 
Desde logo esta nova “repartição” de poderes deve-se essencialmente à entrada em cena da Banca. Não se compreende como bancos falidos (estamos a falar do BES mais os seus filhos o Banco Bom e o Banco Mau) e das suas societárias (BESI etc.) conseguem aplicar dinheiro em sociedades também elas completamente falidas e sem qualquer possibilidade de ressarcirem os “empréstimos”. O que dirão os pobres depositantes do Banco Mau por essa Europa fora que estão a arder com milhões de Euros?
 
Qual o perigo destes “novos investidores” para o Clube? É fácil adivinhar. Pode aparecer um chinês qualquer a quem os bancos e os outros investidores vendam a parte que então detém (quase 50%) e tornar-se o dono da SAD. Isto, claro, se a Sporting Sad for capaz de resgatar as restantes VMOC’s (cerca de 90M€) até 2026 e não for preciso alienar mais partes do Capital. Então, na pior das hipóteses, se for mesmo ao charco, o clube terá que mudar de nome (como o Salgueiros 2008) e começar nos Distritais para poder participar no jogo do pontapé na bola. Calimeros 2026 parece-me um nome sugestivo.
 
Até á próxima

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

O Figuinho da Figueira

Os contos onde entram figos são como os chapéus: há muitos! Uma rápida pesquisa pela Internet (onde tudo se encontra) recorda-nos alguns da nossa infância: A Vendedeira de Figos; A Lenda do Papa-Figo; A Figueira Sem Figos; O Figuinho da Figueira, etc.
Na última semana os pasquins acordaram ao som dum estardalhaço futebolístico: “o nosso” Luís Figo em tempos jogador de futebol, e mais recentemente manequim do BPN, resolveu apresentar-se a votos na eleição para presidente da FIFA, cargo omnipotente que produz, por exemplo na Comunidade Económica Europeia, legislação futebolística e financeira às resmas, pouco se importando com as leis próprias de cada Continente.
Recordemos o que escreveu há dias o nosso amigo José Manuel Meirim na sua habitual coluna de opinião no PUBLICO:
 
“Ser presidente da FIFA não é apenas ser titular de um alto cargo numa associação sem fins lucrativos, constituída em conformidade com as normas do Código Civil suíço. Ser presidente da FIFA é ser chefe de estado, no duplo sentido de que alguém passa a liderar os destinos de uma organização de vocação universal, composta por 209 membros, reguladora (eficaz) de uma modalidade desportiva, economicamente bem saudável (uma verdadeira multinacional) e ainda que assume, no plano das nações, no plano político internacional, as vestes de um importante líder.”
Vejamos então se o currículo de Luís Figo corresponde a estes requisitos. Pertenceu à tribo do pontapé-na-bola; despediu-se do Zbórden “à francesa”; nos anos de maior fulgor futeboleiro virou as costas ao Barcelona que o acolheu e fugiu para Madrid; tem amigos nos meios financeiros da pouca-vergonha que burlaram milhares de portugueses; provavelmente toca piano, e fala Francês. Que importam as 209 Federações e as 6 Confederações que constituem o universo FIFA mais os 3 candidatos ao bolo? Os patrioteiros do costume fizeram soar as trombetas, embandeiraram em arco e logo se apressaram a colar Luís Figo aos clubes que sempre viram nos Fundos uma tábua de salvação. Para eles é o candidato ideal para a função ou não fosse nado e criado num país de trapaceiros.
Enquanto os clubes (pequenos, médios, ou grandes) estão falidos Jorge Mendes que vive às custas das transferências de jogadores (só no ano passado ganhou 50 milhões de euros) está do seu lado. “Então pode lá ser, a FIFA e a comadre UEFA, acabarem com os intermediários e a detenção de parte dos passes pelos Fundos de Jogadores? Pergunto eu: fundos como o Benfas Star Fund gerido pelos aldrabões do BES!? E intermediários como um funcionário do BESA, Álvaro Sobrinho, a enterrar dinheiro no Zbórden?!
Caro Agente Especial Jorge Mendes! Pelo menos que a FIFA os deixe “emprestar” dinheiro sem juros como faz aquele amigo de peito do Sócrates. Então até sugeria uma petição (maniqueísmo muito em voga) para apoiarmos todos a candidatura de Luís Figo. Vamos transformar esta comédia da treta num desígnio nacional. Se não fosse abusar muito, até podia ser o senhor Rui Santos e o senhor Vieira a entregar a petição na Assembleia da Republica como estão habituados a fazer. Sabe? É que eles estão habituados a defender a verdade desportiva, é mais um jeitinho que fazem à malta da bola (não confundir com A BOLA).
Notícias de há poucos dias referem que representantes das Ligas portuguesa e espanhola deslocaram-se a Bruxelas para tentar que a FIFA abandone estas ideias. Os jornais do país vizinho que conhecem o pesetero de ginjeira, já falam num triunvirato de salvação internacional. O líder da Federação Holandesa Michael Van Praag; o príncipe Ali Bin All Hussein das Arábias, por coincidência vice-presidente do organismo; e o figuinho da figueira em representação dos Pastilhas. Assim uma espécie de troika para libertar a instituição das garras do senhor Blatter, tentar anular a proibição de fundos ou esquemas equiparados, e fazer com que os milhões das transferências continuem a escorrer dos clubes falidos para os bolsos dos “Agentes Especiais”, pois claro!
 
Até à próxima