domingo, 4 de dezembro de 2016

Um Porto à Porto

imagem retirada de zerozero
Como descrever este FC Porto 1 x SC Braga 0 numa só frase? Simples: Um FC Porto à Porto! Penso que esta é a melhor forma de se começar a abordar uma partida onde o Futebol Clube do Porto foi dono e senhor de uma partida que era - por força da derrota do SL Benfica na Madeira - crucial.

Excelente a resposta dada pela equipa e treinador no jogo de hoje onde a pressão era mais do que muita dada necessidade vital de se vencer. Nuno Espírito Santo (NES) calou hoje muito treinador de bancada e, inclusive, mostrou uma coragem que já há muito se vinha exigindo dado que nos instantes finais do jogo este arriscou tudo e ganhou muito por culpa deste seu risco. É nestes pequenos mas grandes pormenores que se vê a diferença entre um treinador e um Treinador. Espero que agora os treinadores de bancada deixem o homem trabalhar até porque o grande problema do actual FC Porto não é o seu Treinador. É antes do foro psicológico e da extrema falta de sorte.

Efectivamente um dos grandes problemas do FC Porto é a cabeça. Isto porque em muitos momentos do jogo foi notória uma falta de confiança gritante da parte de alguns dos atletas dos Azuis e Brancos (André Silva foi um deles). E esta falta de confiança só foi possível contornar com a ajuda do público e de uma equipa portista combativa que nunca – mas nunca - baixou os braços.

O problema sorte (da falta dela) é algo que tem marcado presença assídua nos jogos dos Portistas. Hoje foi impressionante a quantidade de golos que o Futebol Clube do Porto falhou. Ora os remates iam para fora depois de uma boa jogada colectiva/individual. Ora a bola ia ao poste e depois para fora ou para as mãos do guarda-redes ou pés de um defesa. Ora o guarda-redes adversário está de tal forma inspirado que nada passa por ele. E por aí adiante.

E já agora, eu até pago para ver se Marafona vai ter um desempenho idêntico ao de hoje diante do SL Benfica. Eu aposto que não e até acredito que este vá facilitar. Não foi por mero acaso que os benfiquistas “encalharam” na Madeira. Só foi preciso ter-lhes aparecido pela frente uma espécie de Marafona.

Voltando ao jogo do Dragão, há quem ande por esta internet fora (e não só) a apregoar que o FC Porto não tinha uma ideia de jogo, mas hoje ficou bem demonstrado o quanto estes percebem de futebol. Claro que podemos – e devemos – criticar o excessivo recuo de Óliver Torres (o melhor em campo) no terreno de jogo. Assim como também podemos e devemos colocar em causa a excessiva lateralização do futebol portista e a lentidão dos processos atacantes em certos momentos do jogo. Mas o que não se pode dizer é que este Futebol Clube do Porto não tem uma clara ideia de jogo. A ideia de jogo existe e hoje foi aplicada na perfeição em campo. O que estava a faltar era a bola entrar na baliza adversária.

Espero sinceramente que NES saiba agora aproveitar este balanço. O campeonato está relançado dado que o 1.º lugar está agora a cinco pontos e ainda muita coisa vai ter de acontecer. Vamos a ver se esta suada - mas muito bem conseguida - vitória sobre o SC Braga é o “clic” que esta equipa do FC Porto necessitava para conquistar um título que já lhe foge há 3 longos anos.

Três notas finais:

- Marafona defendeu a grande penalidade que foi marcada por André Silva. Sim. Leram bem. Foi o guarda-redes que defendeu e não André Silva que a falhou. Estivesse a equipa portista com a confiança em alta e de certeza que Marafona não teria feito tal coisa. Por isto não comecem já a preparar o “pelotão de fuzilamento” do André Silva;

- Brahimi mostrou - mais uma vez - porque começa os jogos no banco e porquê razão vai muitas vezes para bancada. Depois de o argelino ter jogado bem na passada terça-feira diante do CF Os Belenenses, eis que Brahimi tem uma prestação muito razoável diante do SC Braga. Não fez a diferença e em muitos momentos do jogo complicou o que não era complicado. Continuem a fazer do moço o vosso “Messias” e não exijam dele o futebol perfumado que só ele sabe criar quando lhe apetece;

- Rui Pedro é (tal como André Silva) um “produto” made in FC Porto. O jovem atleta dos azuis e Brancos resolveu hoje uma partida deveras complicada e já na passada terça-feira tinha mostrado alguma da sua valia. Agora não vamos “endeusar” o rapaz e fazer dele a solução de todos os problemas do plantel do Futebol Clube do Porto.

Chave do Jogo: Penso ser óbvio e unânime que o lance que resolveu o jogo (no caso para os Portistas) foi o do golo de Rui Pedro.

Arbitragem: Ainda está para vir uma arbitragem na Liga NOS onde o Futebol Clube do Porto não seja amplamente prejudicado. Carlos Xistra esteve na marcação da grande penalidade a favor do FC Porto e na expulsão por vermelho directo de Artur Jorge, mas “esqueceu-se” de marcar uma outra grande penalidade a favor dos portistas por carga na grande área sobre André Silva e não se percebe porquê razão anulou dois golos legais ao Futebol Clube do Porto.

Positivo: Óliver Torres & Companhia. O “pequeno” espanhol foi hoje o maestro de um FC Porto que impôs o seu futebol. A manter e a melhorar se faz o favor.

Negativo: A dupla faceta de Marafona. O guardião da equipa bracarense realizou hoje uma grandiosa exibição. Porquê razão só faz tal diante do Futebol Clube do Porto?

Artigo publicado no blog o gato no telhado (03/12/2016)

8 comentários:

António Jorge Paiva Lourenço disse...

Ainda bem que, finalmente, ganhamos, mas isso não serve para passar uma esponja nos problemas a que temos - e vamos infelizmente continuar - vindo a assistir ( eu só gostava de estar enganado...). Parece-me que efectivamente só começamos a sufocar o Braga depois que eles ficaram com 10. Também fizeram muito pouco, é verdade, e por isso estou muito satisfeito por termos despachado o Peseiro na época passada.

Anónimo disse...

Brahimi, foi simplesmente o melhor em campo.

Pedro Silva disse...

Claro que ainda existem problemas. O plantel está longe de ter soluções, mas pelo menos demonstrou neste jogo que está disposto a lutar.

Vamos a ver o que vai acontecer. A próxima jornada vai ser muito importante. Espero que o FC Porto mantenha o mesmo espírito combativo deste jogo diante do Braga e que o raio do azar tenha ido embora de vez.

O SC Braga jogou pouco. Mesmo com 11. Pereceu-me que vinha "montado" para jogar à defesa apostando na velocidade de Wilson Eduardo e no físico de Nikola Stojiljković. Obviamente que a expulsão de Artur Jorge estragou a estratégia, mas não a desmontou por completo.

José Peseiro é um treinador mediano. Não me agradou nunca como treinador de futebol, mas a verdade é que ele foi o único a "chegar-se à frente" numa altura em que ninguém queria treinar o FC Porto... E saiu do FC Porto sem fazer “muito barulho”. Já outros para além de não terem ganho absolutamente nada enquanto estiveram no Dragão, nem sequer tiveram a sensatez de abdicar do ordenado na hora da saída.

scape disse...

a partir do momento em que a sad diz a varios jogadores que vao estar na porta de saida ,qual passa a ser a prioridade desses jogadores?Vao tentar ser eles a resolver os jogos para que com isso deiam nas vistas,terem os seus 5 minutos de fama para a partir dai fazerem os melhores contratos para eles,e quando estamos a falar em avançados ainda se nota mais pois ja todos vimos muitas jogadas ultimamente,em que se prova que o jogador tenta ser ele a marcar quando tem um colega em melhore situaçao, e depois todo esse stress faz com que se atinja recordes por falta de marcar golos.helder oliveira

reine margot disse...

Como se chama às pessoas que colocam o mesmo comentário em todos sites independentemente do que o autor do post escreve ? - Propagandistas, demagogos, ou simplesmente: bermelhos ?
- Vade retro santanás!

Entretanto Pedro, acho que a grande penalidade foi mal marcada; nisto de grandes penalidades, quando o redes as defende é porque são mal marcadas ! Ou devagar demais, ou à figura, ou no caso do André indicando para onde ia a bola !...

Pedro Silva disse...

helder oliveira não concordo de todo com esta forma de ver a questão. Isto porque se os jogadores já sabem que vão sair e para onde vão não tem de esforçar muito. Já se os jogadores souberem que vão ter de sair mas não sabem ainda para onde é natural que se esforcem ao máximo para poderem chamar o interesse de outros Clubes.

O individualismo a que se refere está antes relacionado - a meu ver - com uma certa lentidão de processos que a equipa do FC Porto tem revelado em certos jogos e a uma grave crise de confiança.

Pedro Silva disse...

Acrescente-se que o Futebol Clube do Porto é (ainda) uma equipa em construção... Dois anos a "jogar para o boneco" deu nisto.

Pedro Silva disse...

"nisto de grandes penalidades, quando o redes as defende é porque são mal marcadas ! Ou devagar demais, ou à figura, ou no caso do André indicando para onde ia a bola !"

Nem sempre é assim reine. Muitas vezes há mérito do GR na defesa de uma grande penalidade. Foi o que me pareceu que aconteceu ontem. Mas admito que haja quem tenha uma leitura diferente.