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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Parece que Voltou a Mística

Não sei como, enquanto esperava resguardado do calor no Dolce Vita que abrissem as portas do Dragão, espreitei do último piso para a zona envolvente do estádio e acho que nunca vi tantos portistas juntos. Veio-me à memória o longínquo dia 28 de Maio de 1952 aquando da inauguração do Estádio das Antas.
Foi há tanto tempo que as cestas, suspensas por cabos, que transportavam carvão de S. Pedro da Cova para a Estação de Contumil, ainda sobrevoavam a cobertura da bancada principal.
Quando finalmente consegui entrar e vi a imensa mancha azul que emoldurava as bancadas fiquei meio zonzo. Calculem que até me pareceu ver o senhor Lopetegui de espada em riste! Poucos minutos depois, quando os jogadores, um-a-um começaram a desfilar, o clamor na apresentação de Helton e a explosão na entrada de Casillas confirmou a minha ideia. A Mística está de volta. Acreditamos naquilo apesar de a exibição não ter sido perfeita.
O intermédio cómico desse dia foi a entrevista de favor dada por Vítor Pereira ao JN. Ou o homem não percebeu que os clubes não acreditam nele, ou então faz-se desentendido. A vergonha do colinho com que presenteou o clube da treta na época anterior, já ultrapassou fronteiras. Engraçado foi ver o banana entre um bombeiro/agricultor e um sapateiro/treinador. O pobre homem devia estar a rezar para não ver os 2 palhaços expulsos logo no primeiro jogo.
Se mais razões houvesse para criticar o seu trabalho na formação de árbitros, bastaria analisar a péssima atuação “do melhor árbitro português” (Vítor Pereira dixit) na final da Taça Cândido de Oliveira no último Domingo. Se “este” é o melhor árbitro (como já fora Marco Ferreira nomeado para a Final da Taça de Portugal) como serão os outros?

A única dúvida que persiste é saber para qual dos circos da segunda circular descai este ano o “limpinho, limpinho”. A nomeação de 2 desconhecidos para os jogos do Porto e do Benfica é, no mínimo, surrealista. Este cavalheiro anda a brincar com o fogo.

Até à próxima

sábado, 12 de julho de 2014

A Comunicação Social e as Audiências

A greve dos jornalistas da Controlinvest propriedade de Joaquim Oliveira que atravessa algumas dificuldades serviu de tema para a crónica de hoje. Há dezenas de anos que leio diariamente o Jornal de Notícias. Enquanto estudante fui aluno da Escola Comercial Raul Dória precisamente no mesmo local onde hoje está situado o edifício do jornal.
Por coincidência eu morava mesmo ao lado da Escola e “para cortar caminho” quando ia para as aulas, saltava o muro de casa, paredes meias com o jardim fronteiriço do senhorial palacete sobranceiro à atual Estação de Metro da Trindade. Até 1962, o Jornal de Notícias funcionava onde hoje está a Caixa Geral de Depósitos da Avenida dos Aliados. Placards escritos à mão eram afixados no exterior sempre que havia jogos de futebol, relatando as incidências do desenrolar das partidas em vários campos. Momento alto era a Volta Portugal em bicicleta, com centenas de mirones à espera de saber quem ganhava a etapa da Senhora da Graça: se o Fernando Moreira ou o Alves Barbosa.
 
Já nessa altura o JN era rei das audiências. Jornal popular, visado pelo lápis azul da censura, dava especial importância aos temas sociais e desportivos. Vendia mais do que os 3 jornais da cidade, Comércio do Porto, o Primeiro de Janeiro e o vespertino Diário do Norte, juntos.
 
Inicialmente apenas os jornais diários faziam concorrência à rádio. Mais tarde no final dos anos 50 e com o aparecimento da televisão, alguns dos mais modestos não “resistiram à caixinha que mudou o mundo”. Este é um negócio como outro qualquer. Funciona na lógica da velha história do Triângulo Estratégico.
Ou por outras palavras: Nós, os Clientes, e o Produto. No Cliente (o mercado) não podemos mexer, é o que é. No Produto (neste caso as notícias) também não. São o que são. Restamos Nós (os vendedores). Somos os únicos que podemos mudar. Temos que analisar aquilo que os Clientes querem, e servir-lhes o melhor Produto.
 
Apareceu então uma nova técnica, o marketing mais uma plêiade de marketeers, no fundo gestores, que analisam um conjunto de dados para saber as preferências dos Clientes, aquilo que lhes devemos dar, e qual a melhor estratégia para os segurar.
Conhecer, através de consultas aos seus gostos, é fator essencial para sabermos o que lhes vamos “vender”. Inicialmente os inquéritos eram feitos através do telefone; questionários deixados nas caixas de correio e posteriormente recolhidos; ou entrevistas porta-a-porta. Infelizmente os potenciais clientes nunca estão recetivos a esta intromissão na sua privacidade não respondem, ou até enganam o entrevistador.
 
No caso da televisão, e com o aparecimento da tecnologia digital da receção por satélite ou cabo, recorreu-se à entrega em lares selecionados, de uns pequenos aparelhos similares aos vulgares comandos de televisão que sempre que os residentes mudam de canal emitem um sinal de retorno indicando qual o canal escolhido e por quanto tempo está a ser visionado.
 
No final do dia os servidores das estações operadoras, tratam esses dados em mapas detalhados e conseguem assim, se não uma análise real, pelo menos valores indicativos que possam depois dar a conhecer as preferências dos espectadores com indicações sobre os programas mais vistos, e as percentagens (share) entre cada operador e o universo espectador.
Se no caso do Jornal de Notícias as tiragens parecem ser as habituais, verifica-se que quanto à inserção de Publicidade esta diminuiu drasticamente. Não sei se pela crise que nos assola há algum tempo; pelo aparecimento de pasquins sensacionalistas tipo CM a recordar o fedorento Actualidades; por jornais desportivos que levam a “instituição” falida ao colo; ou se pelo efeito disto tudo conjugado.
 
Além disso, os privados, devem combater os meios audiovisuais públicos que tem Custos assustadores, programação desinteressante, e locutores histéricos gritando pelos clubes da sua preferência. Conheço um de Paredes, benfiquista como todos os outros, que imagine-se o desplante, agora até “ensina táticas” aos treinadores!
 
Chegados aqui resta dizer que todo este raciocínio deve estar articulado com a venda que o operador consegue angariar da Publicidade inserida no decorrer de cada transmissão; o valor dos Custos Operacionais, e finalmente quanto poderá o cliente pagar.
Assim vai o Mundo: Uns para baixo e outros para o fundo (não confundir com o BES FUND, a Casa de Penhores do clube da treta que implode daqui por um mês).
 
Até à próxima.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Conhecimento do Inferno

"O mar do Algarve é feito de cartão como nos cenários de teatro e os ingleses não percebem: estendem conscienciosamente as toalhas na serradura da areia, protegem-se com óculos escuros do sol de papel, passeiam encantados no palco de Albufeira em que funcionários públicos, disfarçados de hippies de carnaval, lhes impingem, acocorados no chão, colares marroquinos fabricados em segredo pela junta de turismo, e acabam por ancorar ao fim da tarde em esplanadas postiças, onde servem bebidas inventadas em copos que não existem, as quais deixam na boca o sabor sem gosto dos uísques fornecidos aos figurantes durante os dramas da televisão. Depois do Alentejo, evaporado na paisagem horizontal como manteiga numa fatia queimada, as chaminés que se diriam construídas de cola e paus de fósforo por asilados habilidosos, as ondas que se diluem sem ruído na praia no croché manso da espuma, faziam-no sempre sentir-se como os bonecos de açúcar nos bolos de noiva, habitante espantado de um mundo de trouxas-de-ovos e de croquetes espetados em palitos, a imitar casas e ruas.” (*)
… “Quando o Benfica jogava, púnhamos os altifalantes virados para a mata e, assim, não havia ataques. Parava a guerra. Até o MPLA era do Benfica. Era uma sensação ainda mais estranha porque não faz sentido estarmos zangados com pessoas que são do mesmo clube que nós. O Benfica foi, de facto, o melhor protector da guerra. E nada disto acontecia com os jogos do Porto e do Sporting, coisa que aborrecia o capitão e alguns alferes mais bem-nascidos”…
Outro que também “acardita” no clube da treta é o conhecido lambe-botas Fernando Seara ultimamente protagonista de um folhetim novelesco com uma das suas vereadoras. Alguns zunzuns de jornalistas amigos já me tinham alertado para um “escândalo” com o autarca (o popular mãozinhas) que durava há algum tempo e estava prestes a rebentar. Pensava eu que fosse relacionado com a idiotice da sua candidatura perdedora à CML, ou qualquer problema com a “instituição” visto que Seara foi mandatário do homem que está a arruinar o Benfica. Afinal foi Judite de Sousa que farta de o aturar lhe pôs as malas à porta.
Ao mesmo tempo que fiquei contente pela nossa consócia se ter libertado dum dos maiores presunçosos que andam há anos a pastar no Orçamento do Estado, fiquei preocupado pelo estado psicológico em que teria ficado a popular apresentadora. Felizmente as revistas da moda já publicaram fotos da jornalista com ar sorridente e uma invejável forma física. É tempo de recordar Judite, portista de gema, frequentadora com outros portistas, do Nosso Café, no Bonfim, que ficava perto da sua casa, às Antas. Curiosamente nasceu no mesmo dia que eu: 2 de Dezembro (uns anos depois de mim, claro). Recordo-me que a jornalista tinha 18 anos quando apareceu um anúncio publicado no JN a pedir colaboradores para uma empresa de Audiovisual que, mais tarde, viríamos a saber tratar-se de recrutamento para a RTP-Porto.
Naquela altura eu pertencia a algumas organizações culturais da cidade, como por exemplo, o Teatro Experimental, Associação Fotográfica, Seiva-Trupe, Cineclube do Porto, etc. onde nos tempos livres colaborava na Secção de Cinema e realizava pequenos filmes em Super 8 ou 16mm debaixo dos ensinamentos do cineasta Manuel Oliveira. Os meus amigos, às tantas, devem estar a perguntar o que tem a ver esta história com o nosso clube. Eu explico. Certamente estarão atentos à inauguração do nosso Museu no dia 28 deste mês. É que um desses pequenos filmes vai fazer parte do nosso Museu mas, por agora, não quero divulgar o tema.
 
Quanto a Seabra, para além de ter feito parte sem qualquer relevo de diversos conselhos relacionados com o Desporto, daqueles que ninguém sabe para que servem, conhecido como presidente da Câmara Municipal de Sintra e putativo candidato às presidências do Benfica e da FPF, pretende agora continuar a receber as benesses de uma câmara municipal, no caso, a principal do país. Como penso que os habitantes de Lisboa ainda não devem estar malucos o senhor bem pode, depois da banhada previsível, ir trabalhar como os outros meninos.
Se calhar ainda não sabe que compraram um defesa-esquerdo congelado! Vejam a sua frase deste Domingo: “No final do jogo de ontem em Alvalade, como benfiquista fico feliz por saber que tenho equipa e que tenho jogadores”. Pois! Tem os 104 do costume. O homem não faz é a mínima ideia do que vai naquele inferno nem lhe vale a pena citar na BOLHA os discursos do Padre António Vieira. Para nós, o que ele diz, é pregar aos peixinhos. Parafraseando o meu escritor preferido este Benfica também “é feito de cartão como os cenários do teatro”.
 
Até à próxima
 
(*) António Lobo Antunes, Conhecimento do Inferno, 1980.

sábado, 19 de maio de 2012

25 Anos no Topo do Mundo



PORTO 1987-2012 : 25 ANOS NO TOPO DO MUNDO é o título do livro de João Nuno Coelho, da Editora Afrontamento. Vai ser apresentado na Avenida nos Aliados, mais exactamente no Café Guarany, no Domingo, dia 27 de Maio, pelas 18.30 h.

O livro vai ser distribuído nas bancas com o Jornal de Notícias de domingo dia 27 Maio (8.50 euros + o jornal).

Participam neste livro ilustríssimos portistas como por exemplo Rui Reininho, Miguel Guedes, Rui Moreira, Álvaro Costa, Álvaro Magalhães, Jorge Manuel Lopes, Miguel Carvalho, Ricardo Alexandre, Carlos Tê, Helder Pacheco, entre muitos outros portistas, cerca de 30.