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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Um Portista Com 104 Anos

Tive o enorme prazer de felicitar o meu bom amigo Jaime Tavares pela passagem do seu 104º aniversário. Vou contar-vos a forma engraçada como conheci o Jaime.
Os meus amigos Portistas mais ligados aos blogues devem recordar há uns 9 anos um deles, o FUTEBOLAR, enxameado de benfiquistas e sportinguistas. Para fazer frente aquela cambada juntamos alguns portistas com quem passamos a formar uma espécie de equipa: Fernando Tavares, Mito, Jorge Tavares, Manif (uma senhora), Pedro Silva, Lulinha (outra senhora), naturalmente também o Jaime etc. dos quais apenas sabíamos os nomes. Então surgiu a ideia de promovermos um encontro para nos conhecermos pessoalmente.
 
O encontro ocorreu numa sexta-feira dia 15 de Outubro de 2010 num restaurante, mesmo por baixo da casa do filho, Fernando Tavares, grande portista, colaborador deste blogue. Mas era o Jaime que todos queríamos conhecer. Escrevia com fluidez, entremeava prosa com verso, ainda-por-cima era portista de bandeira na janela e fazia versos admiráveis. Desde logo todos ficámos encantados com a jovialidade do novo companheiro, a sua clareza de raciocínio e o seu amor ao nosso Clube. Outro convívio se seguiu na casa do FC do Porto de Espinho.
 
Nasceu em 1914 já jogávamos no Campo da Constituição. Imaginem quantos dos atletas que fizeram a história do nosso Futebol Clube do Porto o Jaime deve ter visto atuar! Valdemar Mota, Pinga, Siska, Acácio Mesquita foram fantásticos jogadores que poucos de nós conhecemos.
Só passados 23 anos, em 28 de Maio de 1952, mudámos com armas e bagagens para o Estádio das Antas. Foi outro grande momento que o Jaime viveu, e do qual também me recordo perfeitamente. Eis alguns atletas do plantel dessa época.
Não é possível falar do Futebol Clube do Porto sem invocar o nosso Presidente que lutou contra tudo e contra todos para fazer de um clube da província um clube reconhecido mundialmente. Informado por amigos comuns que um grande Portista em Janeiro de 2014 fazia 100 anos, logo o senhor presidente fez questão de o receber, trocar com ele algumas prendas, e convidá-lo a assistir no seu camarote ao jogo daquele dia com o Vitória de Setúbal.
No passado dia 20 festejaram-se 104 anos de extrema felicidade. Vive com a filha Teresa Tavares, que o enche de mimos. Os restantes familiares também residem por perto.
Ah! Já me esquecia. O Jaime ainda tem mais uma virtude. Não se revê nos portistas que vão para o Dragão assobiar a equipa ou o treinador. Sabem? É que ele não é portista novo, velho, nem assim-assim. É um Portista de sempre!
 
E querem saber o que aconteceu a uma equipa da TVI na manhã do seu aniversário quando lhe tocou à porta? Por acaso quem veio atender foi o Jaime que não sabia da existência da entrevista. Então quando os jornalistas disseram que queriam falar com o senhor que fazia 104 anos respondeu prazenteiro: sou eu! Conta quem assistiu que ficaram banzados perante tamanha jovialidade e logo disseram que “ninguém lhe dava mais de 70 anos”!
Era isto que gostava de partilhar na minha habitual crónica semanal com os amigos portistas do blogue. Certamente que todos nos associamos à homenagem a um dos nossos
 
E para o ano cá estaremos outra

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Minuto 13 da Jornada 13

Faz na próxima sexta-feira 43 anos que Pavão morreu. Foi no dia 16 de Dezembro de 1973 e eu estava lá. Os que me conhecem sabem que o meu passatempo favorito era filmar e tirar fotografias. Dirigi a Secção de Cinema Experimental do Cine Clube do Porto, no Edifício Capitólio, ali bem perto da nossa antiga Sede na Avenida dos Aliados, ainda nos anos 60.

O Dr. Paulo Pombo, meu amigo e nosso presidente entre 1957 e 1959, tinha-me arranjado um cartão de fotógrafo do Jornal O Porto para poder fazer as minhas “reportagens” no ainda muito recente Estádio das Antas. Naquele Domingo recebíamos o Vitória de Setúbal e resolvi filmar o jogo com um colega, Jorge Baía, também do Cine Clube para conseguirmos imagens de ângulos diferentes que depois seriam intercaladas na montagem. Ele ficava na bancada, nos cativos, e eu lá em baixo na então pista de cinza junto à linha divisória do meio-campo do lado da Bancada Central. Naquela altura era desse lado que os bancos dos treinadores se situavam.

Então o combinado era que começássemos os dois a filmar sempre que o Porto tivesse a bola e fosse para o ataque. Naturalmente ele com um plano aberto e eu com planos aproximados. Nesse dia jogaram: Tibi, Rodolfo, Ronaldo, Rolando, e Guedes, Pavão (depois Vieira Nunes), Marco Aurélio, Bené, Oliveira, Abel, e Nóbrega. O treinador era Béla Gutmann.

Vem então o malfadado minuto 13, o guarda-redes do Setúbal pontapeia a bola e começo a filmar. Pavão a 15 metros de mim devolve de cabeça em direção ao António Oliveira e imediatamente cai de bruços. Não parei de filmar, vários jogadores aproximam-se, Béné vem para trás debruça-se sobre Pavão, leva às mãos à cabeça e foge do local. Do banco salta o Dr. José Santana chama imediatamente os maqueiros que transportam Pavão inanimado para os balneários. Passado pouco tempo o som da sirene da ambulância não augurava nada de bom. O atleta tinha sido transportado para o Hospital de S.João.
Entretanto a equipa da RTP destacada para o jogo tinha chegado atrasada mas ainda conseguiu apanhar imagens do atleta a ser retirado do campo. Só muito perto do final vimos pela abertura da Maratona a ambulância regressar. Os bombeiros dirigiram-se logo para o banco de suplentes e comentaram em voz baixa. Pelas expressões de quem lá estava percebeu-se a triste notícia. Um dos nossos melhores atletas de sempre tinha falecido. Octávio, que mais tarde viria a ser nosso jogador, chorava convulsivamente. Os jogadores trocavam a bola entre si à espera que chegasse o final do encontro para acabar aquele pesadelo.

Os filmes em Super 8mm Chrome tinham que ser enviados a Lisboa para serem revelados na Kodak. Logo que o recebi de volta procedi à montagem e acrescentei-lhe o genérico inicial. Chamei-lhe “MINUTO 13” e tem cerca de 15 minutos. Preparamos, dias mais tarde, uma projeção privada para a família e companheiros da equipa no Pavilhão Américo Sá. O filme foi entregue depois ao Dr. Paulo Pombo para que o fizesse chegar à Direção. Por motivos que desconheço tal não aconteceu e só anos mais tarde tive conhecimento que um dos netos do Dr. Paulo Pombo quando foi receber a roseta de prata o entregou ao senhor Pinto da Costa então já nosso presidente.

A partir daí perdi o rasto ao filme. Antes do Museu ser inaugurado e a convite da família participei com funcionários do clube na escolha dos objetos do nosso ex-presidente que seriam doados para exposição e posso garantir que o filme não constava do seu espólio. Mais tarde quando foi inaugurado visitei o Museu e tentei saber onde estava exposto. Foi-me dito que não sabiam do que se tratava mas que ainda havia um grande número de objetos para classificar. Já voltei lá várias vezes, entretanto a Conservadora mudou, mas ninguém sabe onde se encontra a bobina. Se alguém tiver acesso aos responsáveis do Museu ou ao senhor Pinto da Costa agradecia que tentassem saber onde poderá estar. Provavelmente numa qualquer prateleira com excedentes que não foram utilizados por falta de espaço na exposição. É um documento importante e está numa bobina como esta, protegida por uma caixa de cartão. 
Até a próxima

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Mais do Mesmo

Quando eu pensava que podíamos dormir descansados com uma vitória folgada sobre os Calimeros rebentou mais um petardo! Nova derrota em nossa casa a que os pasquins ao serviço da máquina trituradora que devora tudo por onde passa chamou um figo!
Dizia a minha Avó: “o que é demais é moléstia”! De facto esta época parece aquela, depois da saída do Mourinho, com o Del Neri, Fernandez e Couceiro. Nunca mais acabava. Ainda veio o espantalho do Co Adriaanse antes de aquilo assentar com o Jesualdo e o Villas Boas.
 
Por falar no Villas Boas (escrevo na noite de segunda feira) ouvi que depois de vencer a Taça e o Campeonato, anunciou às massas que para o ano não fica lá! Podíamos aproveitar e lançar o barro à parede! Vendíamos a Sede antiga ao gajo dos barcos, não pagávamos os juros como o Sporting, ficávamos a dever 600 milhões como o Vieira e contratávamos o homem. Hipotecava-mos os jogadores (a percentagem que ainda detemos deles) está por aí a chegar o dinheirinho das operadoras e das cervejolas, começávamos já a gastar por conta. É o que faz o clube da treta. Chamam-lhes Proveitos diferidos!
Ai tardes de Domingo do antigamente! Depois do almoço no Restaurante Vitória, as senhoras ficavam a fazer crochet dentro dos gaiolos ali à volta do Velasquez, os maridos corriam para as Antas com as cestas de carvão a passarem por cima, acotovelavam-se ensanduichados para as entradas, e ainda levavam um miúdo dependurado. “Ó meu senhor deixe-me ir consigo! Vai cerveja ou laranjada?! Picolé fresquinho!” E quando acabava o jogo, a correria para os elétricos ia tudo para a Feira Popular desfiar umas sardinhas regadas com uma pomada apropriada. 
Como isto está não vejo que possa mudar. Não reconheço a equipa. Não temos nenhum João Pinto, nem ninguém que se compare com o Paulinho Santos ou com o Deco. Jogamos com uns tipos jeitosos, bons para equipas do meio da tabela, que vieram cá parar sabe-se lá como. 
 
Senhor Pinto da Costa! Acredito em si para dar a volta como deu tantas vezes. Não me fale dos “emprestados”! Esses para mim fazem parte dos “despedidos”. Nada de cantos de sereia com a equipa “B”. É interessante sim senhor mas é a equipa “B”! A Luís Castro o que é de Luís Castro. Não quero misturas. Precisamos começar do zero e como é lógico pelo treinador. Não diga que não há tempo e tal… o Europeu e não sei que mais. Por favor!
 
Até à próxima

sábado, 9 de janeiro de 2016

Senhor Presidente

O que é demais é moléstia. A frase era da minha avó que se fosse viva teria aí uns 150 anos, mas aplica-se inteirinha ao estado atual da equipa principal de futebol do nosso Clube. E aqui separo propositadamente “a equipa principal” das secundárias, e também o futebol das restantes modalidades.
Sou um portista velho. “Vim de longe, de muito longe” como canta o Zé Mário Branco. Os nossos amigos portistas mais jovens, a quem chamo carinhosamente portistas novos, nem imaginam “o que eu andei para aqui chegar”. Depois dos tempos heroicos do Campo da Constituição, o sonho do Estádio das Antas tornou-se realidade mas nem por isso a equipa subiu de produção. Até 1952, ano de inauguração das Antas, só tínhamos ganho 4 Campeonatos de Portugal, 3 campeonatos da Liga e 3 Campeonatos Nacionais.
Mesmo depois de passarmos a jogar no saudoso estádio apenas na época 58/59 (o ano Calabote) vencemos um campeonato. E só 19 anos depois em 77/78 e 78/79 voltaríamos a ganhar na modalidade que deu o nome ao Clube. Eu fazia parte do “tribunal” (lembra-se senhor presidente?) e quando perdíamos rasgava o cartão. Claro que na segunda-feira lá estava na Sede a requisitar outro. Em 1982 com a sua passagem para a presidência e a chegada de Pedroto, demos um salto definitivo. Daí para cá foram tempos inolvidáveis. Quem quiser (e são cerca de 500 títulos no seu mandato) pode ir ver AQUI

Não vou fazer um elogio, conhecidos que são de todos os êxitos com que nos brindou, nem entrar pelo caminho fácil das estatísticas de sucesso. Mas, face aos últimos jogos da nossa equipa e o descontentamento de toda a nação portista, acho ser meu dever colocar um “ponto de ordem à Mesa” como nas Assembleias-gerais. No fundo, uma chamada de atenção para a administração da SAD, já nem sei se pela sua inação ou desgaste natural.
Os que me conhecem sabem que tenho pelo presidente a maior das admirações, e um sentimento de gratidão pelas alegrias que nos deu. Provavelmente nenhum presidente de algum clube no Mundo fará um percurso semelhante ao seu. Nunca falei com o senhor Pinto da Costa, nem estive sequer a menos de 3 metros, mas é como se fosse da minha família. Faz parte de mim. Não vou questionar as suas escolhas, a capacidade do treinador, o empenho dos atletas, nem os assobios dos sócios. Quero vê-lo com o melhor do seu raciocínio assumir que é mesmo necessário ponderar uma mudança. A melhor para o Clube que todos amamos. Também gostava de o ver anunciar que não se recandidata para que possam aparecer, em tempo útil, nomes e projetos que permitam dar continuidade à sua obra. Naturalmente que excluo qualquer sucessão de tipo monárquica, antigos jogadores, e presidentes de Câmara. 
Obrigado por tudo senhor Presidente

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Parece que Voltou a Mística

Não sei como, enquanto esperava resguardado do calor no Dolce Vita que abrissem as portas do Dragão, espreitei do último piso para a zona envolvente do estádio e acho que nunca vi tantos portistas juntos. Veio-me à memória o longínquo dia 28 de Maio de 1952 aquando da inauguração do Estádio das Antas.
Foi há tanto tempo que as cestas, suspensas por cabos, que transportavam carvão de S. Pedro da Cova para a Estação de Contumil, ainda sobrevoavam a cobertura da bancada principal.
Quando finalmente consegui entrar e vi a imensa mancha azul que emoldurava as bancadas fiquei meio zonzo. Calculem que até me pareceu ver o senhor Lopetegui de espada em riste! Poucos minutos depois, quando os jogadores, um-a-um começaram a desfilar, o clamor na apresentação de Helton e a explosão na entrada de Casillas confirmou a minha ideia. A Mística está de volta. Acreditamos naquilo apesar de a exibição não ter sido perfeita.
O intermédio cómico desse dia foi a entrevista de favor dada por Vítor Pereira ao JN. Ou o homem não percebeu que os clubes não acreditam nele, ou então faz-se desentendido. A vergonha do colinho com que presenteou o clube da treta na época anterior, já ultrapassou fronteiras. Engraçado foi ver o banana entre um bombeiro/agricultor e um sapateiro/treinador. O pobre homem devia estar a rezar para não ver os 2 palhaços expulsos logo no primeiro jogo.
Se mais razões houvesse para criticar o seu trabalho na formação de árbitros, bastaria analisar a péssima atuação “do melhor árbitro português” (Vítor Pereira dixit) na final da Taça Cândido de Oliveira no último Domingo. Se “este” é o melhor árbitro (como já fora Marco Ferreira nomeado para a Final da Taça de Portugal) como serão os outros?

A única dúvida que persiste é saber para qual dos circos da segunda circular descai este ano o “limpinho, limpinho”. A nomeação de 2 desconhecidos para os jogos do Porto e do Benfica é, no mínimo, surrealista. Este cavalheiro anda a brincar com o fogo.

Até à próxima

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Albertino o Jogador/Pintor

Albertino fez-se craque no Leixões, afirmou-se no Boavista e confirmou-se no FC Porto antes de terminar a carreira no Marítimo. Hoje, é um pintor abstrato cada vez mais reconhecido. O que poucos sabem é que foi ele quem deu o decisivo empurrão a Pinto da Costa quando o agora presidente do FC Porto hesitava em avançar para o futebol, em Janeiro de 1976.
 
“Ele era seccionista de uma modalidade e tinha sido convidado pelo então presidente Américo de Sá para assumir a direcção do futebol, mas estava inclinado a rejeitar a proposta. Foi então que apareci eu… Era jogador do Leixões e estava a ser cobiçado por Boavista, Benfica, Sporting e FC Porto. Mas desde logo preferi ficar na minha cidade”, recorda Albertino, hoje com 54 anos.
Na imagem Albertino à conversa com Leão ex-jogador do Salgueiros e do Sporting.
 
O craque leixonense esteve três meses em negociações com o FC Porto e compareceu a três reuniões da direcção do clube. “O seccionista do pingue-pongue era o que mais estava a chatear-me…”, recupera o momento. Pinto da Costa deu o seu parecer favorável à contratação ao presidente e este disse que estava tudo certo. Quando lê no JN que Albertino já é jogador do Boavista, Pinto da Costa decide-se: “Amarfanhei o jornal e imediatamente telefonei ao Dr. Américo de Sá perguntando-lhe se ainda mantinha o convite para chefiar o departamento de futebol…” E aí chegado arranca para a contratação de José Maria Pedroto, na altura treinador do Boavista, deixando aos seus amigos boavisteiros uma frase enigmática que saltou da tertúlia para o título da sua autobiografia: “Largos dias têm 100 anos…”
 
“Valentim Loureiro contratou-me em três minutos, deu-me os 30 contos de ordenado que eu pretendia e assinei um contrato de três anos de que nunca me arrependi”, conta Albertino que, de xadrez, ganhou a Taça de Portugal e a Supertaça. Pedroto foi mesmo treinador do FC Porto e a ele e a Pinto da Costa juntou-se depois Albertino.
 
Albertino conhece Mourinho há muito tempo e até já lhe prometeu fazer um quadro parecido com um outro seu que o treinador do Chelsea já cobiçou: uma imagem de um campo de futebol com bandeiras de mais de 300 países nas bancadas, no lugar dos espectadores. “Estava um dia em Lisboa, a pendurar um quadro meu, quando o Mourinho entrou no escritório furioso, dizendo que tinha sido enganado...”, é um episódio que jamais esquecerá. Mourinho acabara de ver “o Sporting roer-lhe a corda”.
Inaugurou há dias uma interessante exposição de pintura na Lutuosa de Portugal ali na Avenida dos Aliados nº 162-2º, onde estive presente, recordando velhos tempos. Sugiro aos meus amigos que passem por lá. Albertino, atualmente faz comentários no Porto Canal, é um excelente comunicador e sabe histórias de que nem eu já me lembrava.
 
Até à próxima.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O Estádio Voador

Hoje lembrei-me do Estádio das Antas e de todos os portistas que no dia 28 de Maio de 1952 tiveram a alegria de o ver inaugurado ainda incompleto. Não tinha sido possível construir todo o redondel, ficou em frente à bancada principal uma abertura com uns 60 metros, chamada “Porta da Maratona” que levaria vários anos até ser fechada.
Recordo-me que por cima do estádio ainda passavam suspensas dum cabo, as cestas que transportavam o carvão desde as minas de S. Pedro da Cova com destino à estação de Contumil onde seguiriam para vários destinos. Mesmo junto ao relvado existia uma pista de cinza para o Atletismo, conseguindo-se acrescentar mais tarde uma de ciclismo.
Este Estádio das Antas que tanto nos custou a edificar dava sinais no final do século de ficar desatualizado para receber jogos internacionais face a estádios de outros países com melhores condições. Como a quase totalidade dos terrenos anexos ao estádio era do Futebol Clube do Porto, todos se recordam que por alturas do ano 2000 se começou a pensar na melhoria das infraestruturas desportivas. Com a atribuição ao nosso país do Euro 2004 a Direção resolveu, e bem, erguer o que se viria a chamar Estádio do Dragão no mesmo local onde existia o anterior que afinal tinha resistido 50 anos. Por sugestão do Eng.º Nuno Cardoso, deslocou-se o projeto um pouco mais para Sudeste de forma a aproveitar ao máximo a topografia do terreno.
 
Um destes dias fomos surpreendidos com a convocatória de uma Assembleia-Geral Extraordinária da Sad onde o ponto principal é a aquisição, pela Sad ao Futebol Clube do Porto, de ações representativas de 50% do capital da sua societária EuroAntas. Resumidamente o que se passa é o seguinte: O Futebol Clube do Porto aquando da construção do novo estádio constituiu uma sociedade imobiliária que detém a 100%, denominada EuroAntas. Ao mesmo tempo estabeleceu um protocolo com o FCP/Sad e FCP/Estádio para financiamento, construção, exploração e utilização do Estádio do Dragão.
 
No âmbito deste acordo, a EuroAntas, cedeu à Sad a exploração de diversas atividades do espaço desportivo do mesmo, por um período de 30 anos, na contrapartida dum encargo global anual, uma espécie de leasing com “renda linear”, que tem vindo a ser paga ao longo dos anos. Acontece porém que a Sad, principal societária do Grupo Futebol Clube do Porto, atravessa algumas dificuldades que se tem vindo a agravar nos últimos anos, acumulando Passivo e um desvio negativo do Capital Próprio, o que contraria as atuais recomendações da UEFA no que respeita ao Fair Play Financeiro.
 
Até aqui tudo corria lindamente ninguém se importava com estas minudências, empurrava-se o Passivo para a frente escondido numa teia de sucessivos empréstimos, uns obrigacionistas, outros em papel bancário, e a rusga lá seguia, mais susto, menos tropeção, cantando e rindo alegremente, ajudada por transferências milagrosas (Proveitos Extraordinários) de alguns dos nossos atletas.
Sendo os Proveitos Operacionais os mesmos, e com os Custos sempre a aumentar, o saldo de exploração corrente (aquilo que se faz durante 1 ano) é negativo. Quem segue a vida interna do clube e da Sad já deve ter visto nos Relatório e Contas anuais referências a estes problemas e as soluções possíveis para a sua resolução. Para equilibrar as Contas, e partindo do princípio que a banca já não pode ou quer emprestar dinheiro, “alguém” terá que injetar Capital.
 
Então esta operação a ser aprovada começa com a SAD a adquirir ao Futebol Clube do Porto 50% das ações da EuroAntas ao preço calculado por um avaliador externo de 6,37€ cada, para ficar com o património aumentado em 55M€, (metade da EuroAntas que está avaliada em 110M€). Ou seja aquilo que sempre criticamos ao Benfica. Tirar dum bolso e meter no outro.
 
Todo o articulado deste Ponto 3 da convocatória está suportado com detalhes técnicos sobre a avaliação da EuroAntas, nomeadamente: o Balanço, Demonstrações Financeiras; Valor Liquido dos Ativos, bem como, a fórmula de cálculo atualizado do valor dos terrenos, presumindo-se que todos estes pormenores para a operação estarão de acordo com a lei.
 
A esta hora já os meus amigos estão a colocar as questões óbvias: Onde é que a Sad tem o dinheiro? Nos Acionistas claro! Afinal são eles os donos da Sad. E é isso que vai acontecer. O acionista maior da Sad é o Futebol Clube do Porto, possui um Ativo valioso, o estádio através da sua societária EuroAntas da qual detém 100% do Capital Social, e “quer ajudar”, com uma injeção de Capital na forma de “subscrição de 7.500 Ações preferenciais (a emitir) ao preço de 5€ a fim de aumentar o Ativo da Sad e também o Capital Próprio para valores positivos.
 
E lá está no ponto 4 da Ordem de Trabalhos, “a Direção do Futebol Clube do Porto manifestou à Sad a sua disponibilidade para, sujeito à aprovação pela Assembleia Geral do Futebol Clube do Porto, subscrever esse aumento de capital no mencionado calendário”.
 
Se todos os pontos forem aprovados bem como os da Assembleia-Geral Extraordinária do Clube (ainda sem data) esta vai ser a quinta vez que o nosso palco principal muda de sítio. Do Campo da Rainha para a Constituição, dali para o Campo do Lima, a seguir Estádio das Antas, depois Dragão, e agora parece que vai “voar” do Clube para a SAD!
Até à próxima

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Jaime Tavares Nasceu Há 100 Anos

Com a devida vénia ao Mística Azul e Branca e aos nossos leitores habituais interrompo hoje a crónica futeboleira semanal para desejar ao meu bom amigo Jaime Tavares sinceros parabéns pela passagem do seu centésimo aniversário.
Este amigo tinha então 95 anos quando um grupo de portistas comentadores do extinto blogue Futebolar, face à identidade de opiniões, resolveu juntar-se para o conhecer pessoalmente. O encontro ocorreu numa sexta-feira dia 15 de Outubro de 2010 num restaurante, mesmo por baixo da casa do filho, Fernando Tavares, grande portista, colaborador deste blogue.
Desde logo todos ficámos encantados com a jovialidade do nosso novo companheiro, a sua clareza de raciocínio, e o seu amor ao Futebol Clube do Porto. É um portista de bandeira na janela e faz versos admiráveis. Outro convívio se seguiu na casa do FCP de Espinho, bem perto da Joka Pet Store, uma loja do Jorge Tavares outro portista, neto do nosso anfitrião.
Em 1914 já jogávamos no Campo da Constituição. Imaginem quantos dos atletas que fizeram a história do nosso Futebol Clube do Porto o Jaime deve ter visto atuar! Valdemar Mota, Pinga, Siska, Acácio Mesquita foram fantásticos jogadores que poucos de nós conhecemos.
Passados 23 anos, em 28 de Maio de 1952, mudaríamos com armas e bagagens para o Estádio das Antas. Foi outro momento que o Jaime viveu, e do qual também me recordo perfeitamente. Eis alguns atletas do plantel dessa época.
Resta-me felicitar toda a família do Jaime Tavares pelo admirável homem que tem no seu seio e associar-me à homenagem deste dia convidando-os a saborear uma fatia de bolo regada com um Porto 100 anos e desejar que esta data se repita muitas vezes.
Não é possível falar do Futebol Clube do Porto sem invocar o nosso Presidente que lutou contra tudo e contra todos para fazer de um clube de província um clube reconhecido mundialmente. O Jaime é um bom exemplo do que é ser portista. A mim ainda me faltam 25 anos para o alcançar.
Informado pelo staff, da presença de Jaime Tavares no Estádio do Dragão, logo o senhor presidente fez questão de o receber, trocar com ele algumas palavras, e convidá-lo a assistir no seu camarote ao jogo com o Vitória de Setúbal. Foi por certo uma das melhores prendas de sempre ser cumprimentado pelo senhor Pinto da Costa no dia do seu centenário.
Até à próxima

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Octávio Um Pobre-Diabo

Foi um dos poucos erros de palmatória de Pinto da Costa. Mediano jogador, péssimo como treinador, nunca entendi esta contratação. Fez 40 anos há dias o momento mais triste para mim da história do Futebol Clube do Porto, a morte de Pavão, a 16 de Dezembro de 1973 no Estádio das Antas. O adversário era o Vitória de Setúbal, onde Octávio jogava como médio. Pavão, aos 13 minutos, caiu inanimado no terreno, foi transportado para o Hospital São João, pouco mais de 1 hora depois chegou a maldita notícia: Pavão tinha falecido.
Por estranha coincidência, e os meus amigos dessa época conhecem o facto, encontrava-me junto á linha lateral a filmar em Super8mm o jogo. Recordo-me como se fosse hoje, do golpe de cabeça de Pavão a devolver a bola para o meio-campo do Setúbal, a correria de Oliveira até à linha de fundo a tentar dominá-la e o atleta a 15 metros de mim a cair de bruços. Nunca mais conseguirei esquecer o ar aterrorizado de Bené ao ver os olhos do nosso atleta revirados.
 
Seguiram-se cenas de consternação por todo o estádio, os colegas incrédulos a saírem pelo túnel do lado do “tribunal”, os sócios a descer aquelas imensas escadarias em silêncio para abandonar as Antas. Octávio chorava convulsivamente. Passadas cerca de 2 semanas exibi o pequeno filme numa cerimónia privada para a viúva do jogador, atletas do plantel e o presidente da altura Américo Sá. Anos mais tarde, a triste recordação daquele dia, viria a ser entregue pelos netos do meu particular amigo e também nosso presidente, Dr. Paulo Pombo ao senhor Pinto da Costa. Hoje está no Museu pertence ao espólio do clube.
 
E que faz Octávio passados 40 anos? Nesta semana, andou por tudo quanto é pasquim, tendo culminado numa coisa asquerosa a que chamam “canal” CMTV, atirando-se ao nosso presidente que, a propósito do lançamento de um livro “31 ANOS 31 DECISÕES”, ali refere como resolveu despedir o cavalheiro. A história é conhecida dos portistas que assistiram à contratação para o nosso clube do então treinador, ensanduichado entre dois senhores do Futebol: Fernando Santos e José Mourinho. Treinou o popular Salgueiros em 1983 e o FC Porto no ano seguinte onde conquistou alguns títulos mas como adjunto. De resto sempre foi mais conhecido por ser “polícia” dos jogadores, e desde que foi varrido do futebol, como bombeiro ou agricultor em Palmela.
Mas afinal de que se queixa o homem? Diz que a culpa de Jardel não ter regressado ao clube não foi dele. Que o senhor Pinto da Costa era quem escolhia os hotéis para os estágios, vejam lá que crime! Outra trapalhada refere-se a uma lesão de Vítor Baía e às opções tomadas pelo presidente. Também ficou ressabiado (embora não o admita) com a contratação de Mourinho (em boa hora digo eu) para o substituir. Dedica-se agora a vomitar baboseiras na tal CMTV, um produto COFINA a juntar ao Rascor e à SIC que tentam a todo o custo descredibilizar o nosso clube e onde os Octávios Manhosos têm sempre aceitação.
Pavão era o que costumamos classificar como “um jogador à Porto”. E não são assim tantos. Há 40 anos, era muito difícil um atleta conseguir a unanimidade de opiniões ao seu redor, sobretudo com uma imprensa servil aos clubes da Capital, hoje transformados em Circos. Orgulho-me de ser do tempo deste grande atleta que ficará para sempre na nossa memória. Quanto ao outro queria dizer-lhe que vozes de burro não chegam aos céus. Na poeira dos séculos não fará história. Será sempre um pobre-diabo.
 
Até à próxima.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Um Estádio Green Light

É “verde” mas não é o estádio dos Calimeros. Trata-se do Estádio do Dragão que já tem 10 aninhos. A designação refere-se ao sistema ecológico da utilização racional de energia e na qualidade da iluminação. No dia 27 de Outubro vencemos o jogo 236 em casa, precisamente contra os “verdes” donde resultaram 178 vitórias, 37 empates e 21 derrotas nestes 10 anos.
Parece que o símbolo deu sorte. É o primeiro Estádio Europeu a obter a distinção Greenlight, em 2003, que premeia o esforço realizado, quer na utilização racional de energia, quer na qualidade da iluminação, fruto das preocupações ambientais e ecológicas do século XXI
Projectado pelo arquitecto Manuel Salgado, o Estádio do Dragão que veio substituir as Antas, desde Novembro de 2003, responde às mais exigentes normas da UEFA, o que lhe permite receber qualquer evento futebolístico, nacional ou internacional.

Opinião do Arquitecto Nuno Silva Leal: “Uma enorme alameda que direcciona desde a igreja das Antas (e da Avenida dos Combatentes) até ao novo estádio os adeptos para que estes vão descobrindo, aos poucos, a estrutura da cobertura primeiro e o próprio estádio depois, conforme a cota do terreno vai baixando. E desta forma o impacto do estádio nos olhos do adepto é de forma positiva pois vai-se descobrindo aos poucos e afirmando-se perante a paisagem.

Bastou-lhe um bom estudo para implantação, uma arquitectura moderna, de linhas simples mas fortes, entre o redondo do próprio estádio e o horizontal que o mesmo impõe, com grandes superfícies vidradas e permitindo, aqui e ali, vislumbrar o seu interior, permitindo ao adepto que se aproxima entrar no Estádio e sentir a sua vibração ainda antes de lá estar...
No interior do Estádio do Dragão corredores espaçosos, facilidade de circulação. Muitas portas de entrada, muitas bocas de acesso às bancadas. Os bares poderiam estar num qualquer centro comercial. Os espaços são amplos, largos, com um bom pé-direito e arejados, com muita luz e vistas para o exterior. A cobertura era o maior desafio. Muitos perguntavam-se como é que ela se segurava... É uma amostra da boa coabitação entre os arquitectos e os engenheiros. A sua beleza vem da forma como abraça o estádio, como se adapta às bancadas e a sua leveza vem da transparência do material e do ferro pintado de branco.”
“Em dia de jogo, não há só 22 futebolistas em campo. Por fora trabalham mais de 1000 pessoas. Stewards, polícias, bombeiros, médicos e, sobretudo, um staff de dezenas de funcionários do Porto Estádio, sociedade gestora do Dragão, que trata da manutenção e da logística do palco. Gestão Técnica do Edifício é como se chama ao centro nevrálgico do estádio, de onde se inspecciona tudo, remota e informaticamente: circuitos de TV, mais de 1000 portas, dezenas de elevadores, três mil lâmpadas, milhares de torneiras, gigantescos geradores, sistemas de ar condicionado, de aquecimento e refrigeração de águas, meios de prevenção de incêndios, tudo é dali vigiado. Victor Loureiro, Director do GTE; Teresa Santos, Área de Qualidade e Ambiente; Ricardo Carvalho, Director de Infra-estruturas são os responsáveis invisíveis pelo admirável mundo subterrâneo”. In JN artigo de Almiro Ferreira.
 
Vale a pena ir visitar o Estádio e não esquecer também o Museu.
 
Até à próxima

domingo, 17 de novembro de 2013

Foi há dez anos e um dia

O Estádio do Dragão assinala hoje a primeira década de vida. 
 
Quase 8,4 milhões de espectadores confirmam o Dragão como um sucesso de bilheteira que, porém, dificilmente sobreviveria a resultados menos conseguidos. A história do estádio conta-se com um azul bem carregado, já que o FC Porto venceu mais de 75 por cento dos 221 jogos oficiais disputados na nova casa. 
 
O rácio entre golos marcados e sofridos é igualmente desproporcional entre os dragões e os adversários, disso mesmo dando conta os resultados mais vezes verificados: 1-0 e 2-0, ambos com 36 ocorrências cada um.
 
 
Primeiro que tudo tenho que agradecer ao nosso grande amigo Fernando Tavares, Cronista do nosso blog, pelo facto de ter enviado um e-mail com este texto porque se há coisa onde sou um zero á esquerda é nas datas dos aniversários.
 
Posto isto que mais posso dizer sobre o Estádio do Dragão? Tão jovem e já viu mais vitórias que o seu antecessor das Antas. Tão novo e já tem tantas histórias para contar, ou melhor, estórias que encantam e orgulham qualquer Portista que está sempre com o Clube nas horas boas e nas más.
 
A grande diferença entre o saudoso Estádio das Antas e o nosso Dragão é que pelas Antas passaram Portistas que nunca deixaram de apoiar o Futebol Clube do Porto mesmo nas horas em que vencer um título era um exclusivo dos Clubes da Capital e actualmente basta a equipa jogar mal e vencer sem convencer para que se rasgue ao meio o cartão de sócio do FC Porto.
 
Outros tempos, outros desafios, outro estádio e outros Portistas…

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Habilidades da Treta

A AdoP que devia, como manda a Lei, controlar em competição o clube que estiver em 1º lugar na Liga Sagres, apenas o fez por 4 vezes (!) no presente campeonato. Podemos também ver no quadro abaixo que vários clubes sem qualquer interferência nos lugares cimeiros foram controlados 8 vezes e até a Académica por 9.
O senhor Luiz Horta, confesso benfiquista, não tem tempo para controlar o clube da treta. Deve ser por isso que “eles” correm tanto. O galinheiro deve ficar muito longe da AdoP, e assim estão mais à vontade! É preferível mandar os “vampiros” para o Marítimo. Passam por lá o fim-de-semana, à custa dos pacóvios. O benfiquista parece mais preocupado em continuar a chatear Carlos Queiroz e tentar adiar a indemnização a que o seleccionador, despedido pela reacção ao controlo às 7 da manhã no estágio da Selecção, tem direito.
 
Quanto ao IPDJ IP - Instituto Português do Desporto e Juventude que ninguém sabe ao certo para que serve, lá continua a gastar o dinheirinho dos contribuintes, assim como, a outra excrescência auto-intitulada Conselho Nacional do Desporto, que foi dirigida até há pouco tempo pelo agora demissionário Miguel Relvas. Estamos todos fartos destes parasitas, os Laurentinos, Picanços, Mestres, Vicentes Mouras, Searas, Dias Ferreiras, e outros azeiteiros que se pavoneiam por estes organismos, presumivelmente, “a bem do Desporto”.
 
Outra cambada que se prepara para “fazer as coisas pelo outro lado” é o novel Tribunal Arbitral do Desporto, recentemente aprovado na Assembleia da Republica, recheado de ilustres juristas que se pavoneiam no camarote da “instituição” em dias de jogo importante.
 
Quem tiver lido a proposta da Comissão Instaladora, sobre a qual publiquei aqui uma crónica há cerca de 2 anos (*) terá ficado por certo arrepiado pela forma como esta corja pretende dirimir litígios desportivos, impedindo os recursos aos Tribunais Administrativos.
O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, comentou há dias que esta espécie de julgados da paz que se dizem alternativos aos tribunais para aplicação da justiça, “só tem razão de existir se forem complementares dos tribunais comuns”.
 
Contudo não é isso que “eles” querem, antes pelo contrário, pretendem excluir do direito constitucional à Justiça os cidadãos, e neste caso, clubes ou Sad’s que a ela recorram, “proibindo” no caso dos litígios desportivos, o recurso aos Tribunais verdadeiros, não os da treta como bem se lembram no campeonato do túnel. O escândalo é de tal ordem que até Cavaco Silva se viu forçado a devolver para análise do Tribunal Constitucional o diploma, dessa e de outras possíveis, normas inconstitucionais.
 
Por falar em Cavaco, nada me surpreendeu o elogio feito pelo presidente colombiano ao nosso Clube que lhe deve ter rebentado com estrondo nas ventas, bem como, a alfinetada que Pinto da Costa logo desferiu. Por certo, os meus amigos recordam-se da “promessa” feita por Cavaco enquanto Primeiro-Ministro, em “interceder “ junto das entidades oficiais, para ajudarem com fundos previstos para o efeito, na construção de infra estruturas desportivas. Na altura, por exemplo, uma piscina a implantar junto ao campo de treinos do antigo estádio, da qual, durante vários anos, apenas se vislumbraram os pilares das fundações. A “simpática” posição de Cavaco que ficou, como tantas outras, em águas de bacalhau, valeu-lhe na altura um Dragão de Ouro, situação ainda hoje incompreensível para alguns. Mal empregue distinção.
 
 
Até à próxima

terça-feira, 19 de junho de 2012

O Estádio do Dragão

A propósito do Euro 2012 que se está a desenrolar em vários estádios da Polónia e da Ucrânia, lembrei-me que já passaram 8 anos (12 de Junho de 2004) desde que se deu o pontapé de saída no Dragão com o então Portugal x Grécia de má memória. Mas não foi só pelo aniversário da data que me apeteceu escrever esta crónica.

Foi noticiado há semanas em vários jornais o Acórdão do Tribunal de Contas sobre as benesses oferecidas à “instituição” pela CML, via EPUL, aquando da construção da “cesta do pão”. Claro que os habituais pasquins afectos ao clube do regime, logo vieram tentar a colagem ao nosso clube, dizendo que também tínhamos sido beneficiados pela Câmara do Porto!!! Uma perfeita anedota. Todos os Portistas estarão recordados dos problemas que a CMP, e o senhor Rio, em particular, nos colocaram para execução deste valioso empreendimento de que hoje nos orgulhamos e engrandece o património do nosso Clube. DO NOSSO CLUBE! Não é da SAD como o Circo da 2ª Circular.

Os nossos associados menos familiarizados com estas questões colocam-me, via e-mail, perguntas. Por exemplo: como foi efectuada e com que meios, a construção do Estádio do Dragão? Eu explico.

Em primeiro lugar, importa referir que a quase totalidade dos terrenos onde viria a ser construído o estádio, eram nossos. Além disso, o projecto arquitectónico contemplava a sua edificação no mesmo sítio onde estava o Estádio das Antas. No local onde está o Dragão seria construído um pavilhão multiuso, maior do que o actual, e uma piscina.

Em 12 de Outubro de 1999, o nosso País foi o escolhido para a realização do Euro 2004, o que viria a alterar substancialmente, quer o conceito, que a dimensão do estádio.

O Presidente da Câmara do Porto, à época, Dr. Fernando Gomes e, posteriormente o Eng.º Nuno Cardoso, sugeriram a deslocação do Estádio mais para Nascente afim de se conseguir rentabilizar os terrenos para construção até à Avenida Fernandes Magalhães.

Como os Custos seriam muito elevados para serem suportados apenas pelo FC Porto, foi criada uma sociedade, EuroAntas que, juntamente com o Clube, e com recurso a um empréstimo a longo prazo, assumisse o serviço da dívida, situação, que ainda hoje acontece, visto o prazo acordado com a entidade financiadora ter sido de 15 anos.

Já temos aqui a primeira fonte de financiamento: a Banca. Vamos ver a segunda: o Estado. Como é conhecido, com a realização no nosso País do Euro 2004, e conforme os requisitos técnicos a que ficámos obrigados, a construção tornava-se demasiado dispendiosa, pelo que, o Estado decidiu atribuir aos clubes, sociedades desportivas e autarquias, uma quantia calculada pelo número de lugares/cadeiras disponíveis para o evento, quer fossem projectos de raiz, ou simples remodelações em alguns estádios já existentes. Terceira fonte de financiamento: uma Imobiliária a quem vendemos os terrenos para construção e que se viria a constituir accionista de referência da SAD.

Como vêem os meus amigos, nem foi preciso a Câmara comprar-nos os terrenos, voltar a doá-los, colocar uma empresa pública a construir 250 fogos com custos para a autarquia e lucros para a ”instituição” como fizeram os senhores da capital do reino.

E depois, “os corruptos somos nós”! Vai-te encher de moscas, Rui Gomes da Silva!

Até para a semana.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

And Now For Something Completely Different (1)

Vejam esta idiotice publicada num blogue, mais propriamente no “geraçãobenfica”, onde passo os serões divertido com as baboseiras que por lá são debitadas, referindo-se a outra não menor imbecilidade dum jornaleiro do pasquim “i”, terminando, por fim, com a chamada de atenção para outro texto do Jornal de Negócios do dia 19 de Julho.

“Em 2009 foi assunto a "denúncia" feita na blogosfera benfiquista do favorecimento do FC Porto na construção do Estádio do Dragão. Dizia-se na altura num blog benfiquista, entre outros assuntos, a propósito da contribuição do Metro do Porto:

"O custo inicial do Estádio do Dragão apontava para valores a rondar os 123,3 Milhões de euros, mas no final a obra acabou por custar 98 Milhões de euros ao Futebol Clube do Porto. Para esta diferença entre o valor orçamentado e o valor concluído (descida única no mundo das obras de construção portuguesas) existe quem assegure que tal se deveu ao facto de a Metro do Porto (Empresa de capitais públicos) ter assumido o pagamento das fundações do Estádio do Dragão pelo facto de ter construído nessa altura o Terminal do Dragão, ou seja, neste caso estamos a falar em cerca de 25 Milhões de euros de apoios indirectos, já que a Metro do Porto podia ter feito uma Estação normal na Zona, e além disso trata-se de investimento em Acessibilidades ao Estádio do Dragão."Hoje, conhece-se que o Metro do Porto tem que liquidar 200 milhões de dívida até Agosto, fruto de uma gestão na altura presidida por... Valentim Loureiro. Ora, volvidos pouco mais de cinco anos deste horror económico, afirma o jornal i e o JN que será "o governo a pagar a dívida de 200 milhões de euros da Metro do Porto ao banco francês BNP-Paribas".

“Depois da cedência por valores irrisórios, praticamente zero, do Centro de Estágio Porto-Gaia para o FC Porto utilizar a seu bel-prazer com o dinheiro dos contribuintes...”

“... Depois do arquivamento em tribunal do processo de Nuno Cardoso pelos benefícios concedidos, enquanto presidente da autarquia do Porto, onde a justiça fez questão de permitir que fossem os contribuintes a pagar esses elevadíssimos (e ilegais?) benefícios directos e indirectos dados ao FCPorto para a construção do Estádio”

“... Agora mais um exemplo de pagamento pelos contribuintes dos excessos cometidos pelo Lobby do Norte em prol do Futebol Clube do Porto, cujo presidente ainda tem a lata de reclamar poder à Capital, ao Parlamento da República.”

“UMA VERGONHA!

... Como pergunta Pedro Santos Guerreiro, do Jornal de Negócios, e quem paga os meus 200 milhões questionando se é para este tipo de humilhações que vai servir o dinheiro da troika” (2)

Passando por cima do atabalhoado do texto do blogue que mistura alhos com bugalhos, vamos lá então, desmontar o que “geraçãobenfica” tenta insinuar:

1 - “O custo inicial era 123,3 ficou por 98 (!) e “hoje a Metro do Porto tem de pagar 200 Milhões”

Como qualquer ser normal entende, uma infra-estrutura de transportes tem custos associados para além dos materiais circulantes, como: expropriações e indemnizações, terraplanagens, pontões, túneis, etc. No caso específico do Metro ou das auto-estradas, convirá sempre (isto continuando a falar para pessoas normais) analisar quais os tipos de clientes que vão servir, a apetência e a utilidade que vai despertar nas populações, enfim a relação Proveitos/Custos que é, por exemplo, uma coisa que o senhor Vieira não faz. Um dia que seja corrido não é a ele que vão pedir contas. Nem a ele nem a ninguém, a menos que venham outra vez com a ladainha do Vale e Azevedo.

Continuando a falar do Metro do Porto, quando este foi projectado, o Futebol Clube do Porto jogava há 50 anos no então Estádio das Antas, um quarteirão mais acima do actual Estádio do Dragão. E foi a edilidade que entendeu por bem sugerir a sua construção 500 metros mais para nascente e, pormenor muito importante, em terrenos que já eram do Futebol Clube do Porto e se destinavam á construção duma piscina olímpica e dum pavilhão polivalente. O “geraçãobenfica” não percebe nada deste assunto, nem do que está a falar. Se nem sabe para o que servem 20 jogadores que chegam todos os anos ao aviário do Seixal a juntar aos 50 que por lá vegetam, como vai entender isto?

Para reduzir os Custos, a Administração do Metro ao “desenhar” a rede, aproveitou algumas estações do Caminho de Ferro então existentes (Senhora da Hora, Francos, Ramalde, Trindade, Campanhã, Contumil, etc.), sendo que, pela topografia do terreno, para uma linha procedente da Estação de Campanhã, a paragem seguinte só podia ser no único sítio lógico (as estações distam sensivelmente 900 metros umas das outras), junto à nova localização do Estádio do Dragão. Pelo menos de 15 em 15 dias, tinham a garantia dum Metro a abarrotar. Qualquer miúdo de 10 anos entende isto. O senhor “geraçãobenfica” não.

2 - “…uma gestão presidida por Valentim Loureiro…”

Não compreendo a insinuação. Se houve algum interesse do Major Valentim Loureiro na aprovação da estação naquele local, foi o da continuidade da linha (numa segunda fase) para Gondomar. Como a “geraçãobenfica” deveria saber (e não sabe), o Conselho de Administração inicial da Sociedade Metro era constituído pelos presidentes das câmaras abrangidos pela rede (Vila Nova de Gaia, Porto, Matosinhos, Gondomar, e Maia) que, naturalmente “puxavam” as linhas para os seus territórios.

3 – “depois da cedência por valores irrisórios…”

É isso mesmo: Uma cedência temporária duma infra-estrutura camarária a uma colectividade. Está previsto na lei. São às dezenas pelo País fora. Neste caso existe um protocolo com a Câmara de Gaia, pelo qual “é cedida ao nosso clube a utilização de um Centro de Treinos, (propriedade camarária) por um período de 50 anos, a troco de uma renda”. Qual é a diferença entre este, e o “CGD CAMPUS” do Seixal? Ambos foram financiados por organismos públicos e “arrendados” aos Clubes. No caso da “instituição”, a Caixa Geral de Depósitos ainda pagou uma parte significativa dos Custos para poder, em contrapartida, impingir um cartão de Crédito aos Sócios. Acresce ainda que foi feita uma negociata com a EUROÁREA para os terrenos circundantes que ainda está para durar (e pagar). Existe uma dívida com a Euroárea, no montante de 6 milhões de euros, «resultante dos acordos firmados em exercícios anteriores no âmbito do contrato promessa compra e venda dos terrenos da Urbanização Sul”. (3)

4 – “depois do arquivamento em Tribunal…”

Diz muito bem: “depois do Arquivamento”. Até parece uma verdade de La Palisse (4). O presidente da CMP de então, foi pronunciado por eventuais favorecimentos e, como seria de esperar, não foi condenado por quaisquer Tribunais (dos verdadeiros, não os do vaidoso da Liga). As quatro linhas deste ponto 4 encerram mais uma contradição: se o Processo foi arquivado, foi porque não existiam motivos para a condenação. Onde estão os “ilegais benefícios, directos e indirectos…”? Não estará o “geraçãobenfica” a confundir com os benefícios dados de bandeja pela CML através da ruinosa gestão da parelha Carmona/Santana, esses sim: directos e indirectos que até bombas de gasolina ofereceram, e terrenos “doados” 2 vezes na construção da Cesta do Pão?

5 – “Agora mais um exemplo… como pergunta Pedro Guerreiro…”

O Senhor Pedro Guerreiro teve o bom senso de não misturar os problemas do Metro do Porto com o Futebol Clube do Porto como faz, maldosamente, o “geraçãobenfica”. Questiona, entre várias perguntas de cácárácá, “para que serve o Metro do Porto.” Olhe amigo! Exactamente para a mesma coisa que serve o de Lisboa, de Paris ou de Moscovo, para as pessoas se deslocarem né?

Este conhecido benfiquista escreve umas croniquetas, uma vez por semana, na última página do pasquim RASCORD (onde não trabalha um único Portista), e já sabemos do que aquela casa gasta.

É colega, por exemplo, de Diogo Amaral, que também escreve na última página (coincidências), um parvalhão que trata toda a gente por tu (deve pensar que são da sua igualha), cujo paizinho levou uma valente ensaboadela há poucas semanas de uma Juíza (das verdadeiras) que reduziu a cinzas as 136 páginas do seu famoso “parecer”, pelo qual chupou 60 quilos à FPF. Não foi caro, sai mais-ou-menos a 450 euros cada página e o senhor Guerreiro não disse uma palavra. Também nunca o vi preocupado em denunciar, aquilo a que poderíamos chamar “gestão danosa” do presidente do seu clube que em 8 anos multiplicou o Passivo da “instituição” por 5, atingindo (por enquanto, mas com tendência para subir), o redondinho número de 500 milhões ou, até mesmo, os buracos que a parelha Carmona/Santana deixou na CML e na EPUL com as benesses que ofereceram ao Clube. O Senhor Guerreiro sabe que isto é tudo verdade, como ficou provado no Acórdão do Tribunal de Contas de cujo texto andam por aí alguns excertos, já que o texto integral foi, convenientemente, apagado! É um bom romance, a Morgadinha deve tê-lo na mesa-de-cabeceira.

Vejam lá o problema do economista do Rascord (ou do Jornal de Negócios). Acha que uma rede de Metro com 60 quilómetros na segunda cidade do País, e que é um serviço público pelo benefício que presta à comunidade, tendo um prejuízo de 200 milhões é “ele”, quem tem que os pagar! Uma porcaria dum clube de bairro, com um Passivo galopante que já vai em 500 milhões, falido tecnicamente e sem dar mostras de retrocesso, e o senhor Guerreiro não diz nada! Se calhar também é como os médicos amigos dos Laboratórios, ou aquela cambada de políticos que se acotovelam no camarote do senhor Vieira para ver os jogos de borla.

Olhe! Diga lá aos seus amigos que não gostei mesmo nada, dos equipamentos deste ano.

Foto montagens de JOSE LIMA

NOTA – Este texto é dedicado ao meu amigo e colaborador do Mística, Fernando Tavares

Até para a semana

(1) E Agora Algo Completamente Diferente é um filme inspirado na famosa série de televisão cómica Monty Python's Flying Circus dos anos 70 que poderemos traduzir livremente por Circo da Luz.



(4) La Palisse ou La Palíce (tira-teimas; uma evidência tão grande, que se torna ridícula)
O Senhor de La Palice
Morreu em frente a Pavia
Momentos antes da sua morte
Podem crer, inda vivia.