sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Do mal o menos

O FC Porto saiu de Dortmund com uma derrota por 2x0, na primeira mão dos 1/16 avos de final da Liga Europa. Um dragão ultra defensivo acabou por pagar a fatura e tem agora uma missão complicada para virar a eliminatória daqui a uma semana no Porto.
José Peseiro sabia que para derrubar a gigantesca parede amarela não teria todas as ferramentas disponíveis, e por isso socorreu-se da tão portuguesa arte do «desenrascanço». Lançou Varela como defesa direito – e o Dortmund forçou, forçou, forçou... -, puxou Layún para o lado de Indi e, talvez a maior das engenhocas, apostou em Sérgio Oliveira, contra todas as perspetivas.
O que aconteceu foi um FC Porto constantemente à procura de uma identidade. Até à meia-hora, todas as abordagens no sentido da «parede amarela» - para onde jogou o FC Porto na primeira parte – morreram nos pés de um dos três médios: Rúben Neves, Herrera e Sérgio Oliveira. E havia, depois, as preocupações maiores; as defensivas. E o início foi penoso.
Marcel Schmelzer, lateral esquerdo do Borussia Dortmund, viu em Varela um «alvo» a explorar e não lhe deu um minuto de sossêgo. Sempre, sempre e sempre por ali. Mats Hummels, senhor patrão da defesa alemã, era, geralmente, o iniciador de um lance repetido em loop. Depois, Schmelzer fazia o resto.
Aos 4' só Ángel evitou males piores após um cruzamento do defesa germânico; aos 28' foi o próprio Schmelzer quase a enganar Casillas e aos 32' seria Kagawa, em posição frontal, a atirar ao lado, depois de nova jogada com génese na esquerda. E foi de um canto da esquerda, batido por Mkhitaryan, que o Porto sofreu o 1x0. Lukas Piszcek, à segunda, encostou para golo.
Houve sempre pouco Porto, mesmo quando o Borussia Dortmund acalmou. E acalmou porque percebeu que havia pouco Porto. Causa-efeito. Os alemães passaram a privilegiar a circulação em detrimento de um jogo mais vertiginoso. Agradeceram Layún e Indi, sofreram mais os médios e... Varela. De azul e branco, a “assustar” Bürki, só um remate de Sérgio Oliveira, aos 34 minutos. E mesmo esse foi à figura.
De uma coisa José Peseiro não pode ser culpado: o de faltar à palavra. O técnico portista tinha dito que a sua equipa iria ter cuidados defensivos redobrados e foi isso que se viu. Uma equipa não raras vezes retrancada no seu meio-campo. E pagou a fatura, com o golo de Marco Reus, aos 70 minutos. O internacional alemão finalizou já dentro da área uma jogada que veio da direita pelo pé de Mkhitaryan. Uma consequência lógica.
O que se viu depois foi Peseiro a tentar emendar alguns erros de casting. Mas o mal estava feito. O Dortmund continuou soberano na posse e na circulação, ciente de que a sua parede estava sólida e intransponível. E só não ampliou - e resolveu a eliminatória - porque a eficácia pecou em vários lances a seguir ao 2x0; ou porque o poste o negou, como aos 85 minutos, a Mkhitaryan.
Este texto termina com uma nota de rodapé (porque não passou disso). Aos 88 minutos, Suk, depois de Marega ter ganho na «raça» teve nos pés uma oportunidade de ouro para posicionar a eliminatória de forma bem mais favorável para os dragões, mas Bürki deu o peito à bola e evitou o golo do FC Porto. 

Retirado de zerozero 

Melhor em Campo: Iker Casillas

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