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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Canal Onze na FPF

É verdade. Projetado para iniciar as transmissões em Março de 2019, esta nova plataforma vai ocupar a posição 11 nas várias operadoras do cabo. A marca está registada na IMPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) assim como na União Europeia e a ideia já vem há mais de 1 ano a ser amadurecida.
Em princípio a programação será sobre futebol, não só das competições profissionais, quer sejam das seleções ou dos clubes, mas incluirá as dezenas de outras provas organizadas pela FPF nomeadamente Futsal, Futebol feminino, Futebol de Praia, Torneios interassociações etc. que habitualmente não chegam ao grande público. 
O canal onze poderá futuramente concorrer no mercado dos direitos televisivos do futebol para Portugal, ideia que a LIGA admitiu há algum tempo para “conseguir distribuir melhor receita pelos clubes mais modestos sendo interessante verificar que os 3 clubes grandes são contrários à criação de uma estrutura que centralize os direitos televisivos. O canal onze irá emitir 24 horas por dia e já começou a seleção de funcionários.
O diretor do Canal será Nuno Santos que trabalhou fora de Portugal nos últimos anos, na África do Sul e em Espanha, e é uma das personalidades mais relevantes do panorama audiovisual. Jornalista de formação foi Diretor de Programas e de Informação da RTP e da SIC. Lançou a SIC Notícias. Nos últimos cinco anos liderou projetos de conteúdos fora de Portugal na Multichoice, a maior plataforma de TV de África e também em Espanha na StoryLab do Grupo Dentsu Aegis.
 
Ao seu lado estarão jornalistas como Jaime Cravo ex-Sport TV contratado pela FPF em fevereiro deste ano, Sara Freitas ex-jornalista do Porto Canal, Andreia Sofia Matos antiga jornalista da TVI e Jorge Leitão ex-jogador e treinador do Arouca, clube que deixou no final de maio. A mais recente contratação para Diretor de Conteúdos foi Carlos Daniel, o benfiquista de Paredes, conhecido pelo seu ódio visceral ao FC do Porto.
Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal, afirmou que “o Canal 11 tem tudo para ser um sucesso” e garantiu que a empresa vai continuar “a apoiar” a federação. São firmes os laços que unem a Altice Portugal à FPF. As duas entidades têm vindo a assinar diversos protocolos, como aquele que tornou a Meo a patrocinadora oficial da seleção nacional até 2024. A dona da Meo aprofundou essa parceria com a assinatura de um novo protocolo com a FPF que passa também “por uma forte componente tecnológica”. 
 
Até à próxima

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Centralização dos Direitos Televisivos

Como é reconhecido, um dos Proveitos (Ganhos) que maior impacto tem nas contas dos clubes profissionais de futebol, é a venda dos direitos televisivos. Até há bem pouco tempo a SportTv (para facilidade de expressão vamos chamá-la só assim, embora tenha empresas associadas que tratam da compra, negociação, e transmissão dos jogos) tinha na mão os clubes a quem fazia adiantamentos por conta do valor dos contratos. Todos nos recordámos que salvou o clube da treta presidido por Manuel Vilarinho da falência quando, depois de correr com Vale e Azevedo, nem sequer tinha dinheiro para comprar a cal de marcar o campo.

Uma marioneta de má memória que passou pela LIGA classificava esses procedimentos de Joaquim Oliveira como “monopólio”. Não era! Monopólio foi, por exemplo, o exercido pela Portugal Telecom (antiga APT) durante muitos anos, que nos obrigava a pagar três mil escudos/mês para ter telefone mesmo que não fizéssemos uma única chamada. Outro caso interessante é o que reporta à Portaria Nº 216/2012 de 18 de Julho que estabelece as normas gerais da atividade de mediação dos jogos sociais do Estado atribuída à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, através do seu Departamento de Jogos, “em regime de exclusivo, para todo o território nacional". Para os mais distraídos convém relembrar que a titular desse monopólio já o era por decreto régio, para os jogos, lotarias e apostas desportivas, e agora vai acrescentar-lhes as apostas Placard. As famigeradas apostas on-line que poderiam beneficiar os clubes (sem eles não haveria em quem apostar) ficaram metidas na gaveta.
 
Atualmente é dirigida por um trampolineiro que enquanto presidente da CML praticamente viabilizou a construção de um Estádio ao clube da “verdade desportiva”. Estamos recordados dos pareceres negativos do Tribunal de Contas no que se refere aos “benefícios” dados ao clube da treta que levaram inclusivamente à falência da EPUL obrigada a construir com dinheiros públicos uma urbanização ao lado do galinheiro. Como é hábito neste país, em vez de o meterem na cadeia, o homem “andou por aí” a pastar até que, para não atrapalhar nas eleições, trasladaram-no diretamente do partido para a Santa Casa da Misericórdia.

Voltando ao tema da crónica, a SportTv que faz 17 anos no próximo dia 16 negociava com os clubes, e pagava-lhes o valor que combinavam. Nada nem nenhum “regulamento” impedia outro agente de oferecer melhores condições aos clubes. A prova disto foi a assunção por parte do Benfica da transmissão dos jogos caseiros e da Premier League há meia dúzia de anos sem quaisquer constrangimentos. Agora até já anuncia os jogos dos campeonatos de Itália e França para as próximas temporadas (2015/16 a 2017/18).

Lá por fora, seja por decreto ou por consenso entre os participantes, foram encontradas soluções que parecem apontar um maior benefício na negociação centralizada. Tirando o facto de as coisas não funcionarem tão bem por aqui como no centro da Europa, não custa nada experimentar. Os atores deste negócio que só terá estreia anunciada daqui por 3 anos quando acabarem os prazos em vigor dos atuais contratos são os habituais nas transações de compra e venda. Tudo começa no triângulo. Nós, o Produto, e o Cliente.
“N” somos nós, as nossas equipas, “P” obviamente é o produto, o pontapé-na-bola, e “C” os clientes/consumidores. Simples não é? O problema surge quando os “clientes”, como está a acontecer no clube da treta, não pagam as quotas (dos auto anunciados 230 mil sócios, depois da renumeração, passaram a metade) e a maior parte deixa de ser assinante do canal. Nas operadoras (Vodafone, NOS, MEO, Cabovisão, etc.) acontece o mesmo. A SportTv que chegou a ter 1 milhão de assinantes hoje tem metade. Para os verdadeiros donos dos direitos, os clubes, falidos até ao tutano sem crédito bancário e a contas com a proibição dos Fundos, a questão é vital para fazer face à constante subida dos Custos. A panaceia será a centralização, eufemismo que significa “receberem mais algum dinheirinho”?

Mas, e pergunta o macaco, centralizar a quem, como, e por quanto? Seja lá que entidade for a meter-se nessa alhada, tem que pensar a quem vai vender depois. Sim, porque enquanto o Oliveira compra mas exibe os jogos por assinatura, a LIGA por exemplo, teria que negociar com os operadores televisivos (SportTv incluída) a sua distribuição. As contas negativas dos últimos 3 anos na SportTv não encorajam qualquer empresário “fora do sistema” a meter-se neste negócio. Por isso julgo saber que está a ser combinada uma futura sociedade da BenficaTv com a SportTV (naturalmente sob a capa da MEO/Altice para não chatear os lampiões), que poderá resolver o problema. Ou então vender aos grandes operadores internacionais como por exemplo os que adquiriram os direitos em Espanha ou Inglaterra e que tem mercado para rentabilizar o produto.

Até à próxima.