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quarta-feira, 27 de março de 2013

3 pontos para variar

Como é fado Lusitano, só à incontável ocasião de golo é que Portugal se libertou dos demónios em Baku, no Azerbaijão, na passada terça-feira. Bruno Alves (63’) e Hugo Almeida (79’) - já tinham marcado por esta ordem na última visita aos Azeris - expurgaram os males de uma Selecção perdulária com dois golpes de cabeça que deixam Portugal de pensamento fixo no Brasil.
 
Era preciso lavar o rosto das feridas de Tel Aviv e Paulo Bento começou por acrescentar uma alteração à ausência forçada de Cristiano Ronaldo. O Capitão, castigado, foi substituído por Vieirinha – que bela exibição -, enquanto Danny entrou no “onze” por troca com o apagadíssimo Silvestre Varela. E a verdade é que a nova imagem Portuguesa mostrou-se agradável em Baku; só o golo, esse mal tormentoso, é que teimava – por capricho do poste ou pela crónica ineficácia de Hélder Postiga – em sonegar-se ao jogo Lusitano. Mas já lá vamos.
 
A primeira nota do jogo vital de Baku vai para a defesa, sector esburacado e desconcentrado em Israel e transversal a toda a qualificação. Na primeira parte, só aos seis minutos e aos 34’ houve perigo junto a Rui Patrício, num remate cruzado de Ismailov e após um canto que lançou a confusão na área Portuguesa. De sobressaltos no primeiro tempo estamos conversados, também porque os Azeris se mostraram relativamente inofensivos.
 
Pois bem, falemos agora do histórico fado do desperdício Lusitano, personificado – sem que aqui haja qualquer espécie de perseguição – na figura de Hélder Postiga. Se os números até lhe dão crédito na Selecção – é o melhor marcador da equipa na qualificação -, as tantas e tantas ocasiões que desperdiça levam o mais paciente do adepto à loucura. Em Baku, esbanjou cinco bolas de golo – uma delas inacreditável – só nos primeiros 45 minutos.
 
Se aos 17 minutos o remate de meia distância foi travado pelo mérito de Kamran Agayev, as restantes são da inteira responsabilidade do ponta-de-lança Português. Aos 13’ e aos 22’ desviou fraco de cabeça após cruzamentos de Danny e de Vieirinha (repito, o Melhor em Campo); aos 27’ foi lento na reacção a uma bola que gritava por um toque sobre a linha e aos 45+3, bem… aí não há explicação: o avançado do Zaragoza até apareceu bem na antecipação, mas desviou tão mal, de cabeça, à figura de Agayev. E com isto, o intervalo chegou apeado no 0 x 0.
 
O primeiro momento-chave após o reatamento deu-se aos 55 minutos, quando o avançado Azeri Rauf Aliyev se esticou no lance com Pepe e viu o segundo cartão amarelo. A consequência lógica pinta-se de vermelho e Portugal passava da obrigação de vencer à supraobrigação de bater o Azerbaijão. Paulo Bento não tardou a mudar e tirou o médio Meireles para reforçar o ataque com Hugo Almeida, aos 58 minutos.
 
Faltava, pois, aquele golpe de libertação; o exorcismo demoníaco do golo. Deu-se, por fim, nas alturas e pela cabeça de Bruno Alves, que já tinha feito o mesmo em Tel Aviv. Foi aos 63 minutos, na sequência de um canto perfeito de João Moutinho. O defesa central do Zenit, Capitão de Portugal na ausência de Ronaldo, saltou bem alto ao primeiro poste e desatou o zero que ameaçava ser contagioso para os minutos finais.
 
Seja como for, a Selecção das «Quinas» está longe de limar os defeitos, sobretudo os da mentalidade que Paulo Bento aflorou após o empate em Israel. Ao golo da libertação seguiu-se o jogo da mastigação; a vantagem devolveu a Portugal a sonolência sobranceira que não raras vezes conduz ao precipício. A coisa correu bem, porque um Azerbaijão – e ainda para mais com 10 – não teve manta suficiente para esticar até Rui Patrício.
 
Para arrumar a questão apareceu Hugo Almeida, aos 79 minutos, também ele de cabeça, após cruzamento de Fábio Coentrão. Curiosamente, após a história de desperdício da primeira parte, Portugal acabou por provar na segunda que se podem fazer golos sem esbanjar um pote de oportunidades - apesar do falhanço inacreditável de João Pereira, aos 92'; e com 11 pontos somados, a pressão cai agora para Israel. Quanto a Portugal, segue-se a Rússia - sem Pepe, que viu o segundo amarelo - e a derradeira esperança de reacender a luta pelo 1.º lugar. É preciso é não o vender o peixe da desistência antecipadamente…
 
Retirado de zerozero
 
Melhor em Campo: Vieirinha

sábado, 8 de setembro de 2012

A austeridade chegou á Selecção

Em dia de austeridade em Portugal, a Selecção Nacional de Futebol recorreu aos serviços mínimos para vencer no Grão-ducado do Luxemburgo por 1 x 2, no arranque da caminhada de qualificação rumo ao Campeonato do Mundo de 2014, que se realiza no Brasil.
 
O primeiro sinal de perigo da formação Luxemburguesa surgiu aos cinco minutos, quando Mario Mutsch atirou de pé esquerdo, ainda que ao lado da baliza defendida por Rui Patrício. Era um indício do susto que estava para chegar, até porque Portugal jogou devagar, devagarinho no Grão-ducado, talvez acusado pela tristeza das renovadas medidas de austeridade apresentadas por Pedro Passos Coelho instantes antes do início da partida.
 
O certo é que aos 13 minutos o modesto Luxemburgo passou a liderar o marcador, com um grande golo de Daniel da Mota. O nome é Português e o jogador também; a recepção ao passe de Mutsch é fenomenal e o remate do Luso naturalizado Luxemburguês é potente, ainda que Rui Patrício lhe tenha tocado com os dedos. Ora, o País sofria a dobrar a partir desta altura e a Selecção de todos nós pouco parecia disposta a fazer para o mudar. 
 
Sem brilhar efusivamente – bem longe disso -, o orgulho das "estrelas" levou Portugal a criar mais problemas ao Luxemburgo a partir dos 20 minutos, com Cristiano Ronaldo na linha da frente. O Capitão acertou três vezes no poste, mas numa dessas vezes, aos 28 minutos, a bola entrou mesmo e Portugal empatava o encontro. Ainda na primeira parte, nota para duas boas ocasiões para Hélder Postiga, negadas pelo guarda-redes da casa.
 
Ainda assim, o avançado do Zaragoza acabaria por chegar ao golo, aos nove minutos da segunda parte, já depois de Cristiano Ronaldo e o próprio Postiga terem tentado o segundo golo de Portugal. Aos 54’, Postiga recebeu de João Moutinho, dominou de cabeça e atirou de pé direito para a primeira vantagem Portuguesa da noite. Era o prémio para uma melhor entrada da Selecção Nacional no segundo tempo da partida.
 
Chegados aqui, regressou a Selecção Portuguesa de baixo rendimento. O Luxemburgo voltou a crescer e Rui Patrício não se livrou de algumas aproximações perigosas dos homens mais avançados da equipa da casa. Aos 60 minutos, por exemplo, Joachim rodou com qualidade e atirou perigoso à baliza Portuguesa, valendo a intervenção do guarda-redes do Sporting. As tentativas Lusas, por sua vez, acabavam quase sempre de forma inconsequente.
 
Agora há jogo na terça-feira, em Braga, frente ao Azerbaijão, na segunda jornada do Grupo F. Recorde-se que a Rússia bateu a Irlanda do Norte por 2 x 0 e Israel empatou 1 x 1 no Azerbaijão.
 
 
Melhor em Campo: Cristiano Ronaldo