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domingo, 8 de outubro de 2017

Mais problemas que soluções

imagem retirada de zerozero
Se há ilação que podemos – e devemos – retirar da vitória portuguesa em Andorra é que existem mais problemas do que soluções sempre que a nossa selecção tem de defrontar uma equipa que seja um pouco “fora do normal”. Isto porque a primeira parte da nossa selecção foi constrangedora e, sobretudo, preocupante. E tal sucedeu muito por culpa de Fernando Santos.

Obviamente que haverá quem vá olhar para o resultado final de 2 a 0 a favor de Portugal e dizer que tudo acabou bem e o resto é paisagem, mas convêm ter em linha de conta que até ao momento os suíços não perderam um único jogo da fase de qualificação para o Mundial da Rússia. Acrescente-se que estes dependem, única e exclusivamente, só deles para o apuramento directo. Dito de outra forma, se Fernando Santos e equipa não tiverem retirado as devidas e necessárias ilações desta partida de Andorra, bastará à Suíça forçar um empate na próxima terça-feira em Lisboa e esta apura-se directamente para o Mundial. Um sério aviso para Portugal dado que os helvéticos defendem bem melhor do que os andorrenhos.

Obviamente que na próxima terça não se vai colocar o problema das reduzidas dimensões do campo e do – naturalmente – irregular piso sintético. Mas sabendo de tal, quem mandou a Fernando Santos apostar num onze de “velocistas” e tecnicistas? Ricardo Quaresma e Gelson Martins nas alas atacantes de Portugal são sinónimo de velocidade e muita técnica, mas isto num campo pequenino e irregular como o de Andorra vale zero. Foi muito por isto que na primeira parte a nossa equipa não fez nada mais senão ir trocando a bola de lado para a lado num ritmo que alternou entre o devagar, devagarinho. Escusado será dizer que o defesa Nélson Semedo sofreu do mesmo mal dos seus colegas de ataque não obstante este ter-se esforçado.

No meio campo luso ficou por perceber a aposta em Danilo Pereira… Andorra foi uma selecção que nos jogos que realizou até ao momento tinha apresentado (alguma) ideia atacante que justificasse a aposta num médio cuja especialidade não é a organização de jogo mas sim a recuperação de bola?

Felizmente temos ao nosso dispor o Melhor Jogador do Mundo, e foi mioto por causa dele que a Equipa de Todos Nós saiu de Andorra com os três pontos na bagagem. Agora faço sinceros votos de que para além dos 3 pontos a nossa equipa tenha também trazido a evidência de que contra a Suíça vai ser preciso fazer muito mais do que aquilo que vimos hoje.

MVP (Most Valuable Player): Cristiano Ronaldo. O melhor Jogador do Mundo entrou somente na segunda parte do jogo, mas foi ele o “catalisador” que despertou a equipa lusa e a conduziu à vitória num campo tremendamente difícil pelas suas dimensões e piso irregular.

Chave do Jogo: Apareceu no início da segunda parte da partida. A entrada de Cristiano Ronaldo em campo foi, sem sombra de qualquer dúvida, o factor que fez com que a vitória pendesse para Portugal.

Arbitragem: Trabalho positivo este que o Sr. Miroslav Zelinka e restante equipa levaram a cabo. Nada a apontar ao trabalho da equipa de arbitragem.

Positivo: Emigrantes portugueses. Mais parecia que Portugal estava a jogar em casa, tal era o entusiástico e tremendo apoio da comunidade portuguesa residente em Andorra. Parabéns emigrantes!

Negativo: João Mário. João Mário não acertou uma durante todo o tempo que esteve em campo. Lento e previsível em todos os aspectos. Os ares de Itália parecem estar a fazer mal ao talentoso médio.
 
Artigo publicado no blog o gato no telhado (07/10/2017)

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

“Chapeau” Conceição

imagem retirada de zerozero
“Chapeau” Conceição, E este bem que merece que se lhe tire o chapéu em jeito de respeito e admiração. Hoje Sérgio Conceição mostrou ser capaz de aprender com os seus erros. Agora vamos a ver se a coisa é para continuar ou se o que hoje foi somente um “fogacho” (em todos os aspectos).

Ao contrário de muito boa gente, eu optei por dar o benefício da dúvida a Sérgio quando soube que este tinha apostado em Sérgio Oliveira para o onze inicial do Futebol Clube do Porto. O jogo era da Champions e do outro lado estava um AS Mónaco que exigia um Porto mais paciente e “musculado” no meio campo. Sérgio Oliveira e o seu futebol mais lento e cerebral eram precisamente aquilo de que o FC Porto de Conceição precisava para “entupir” a máquina ofensiva dos monegascos. Sérgio Conceição não quis repetir o erro que lhe custou uma humilhante derrota caseira diante do Beşiktaş e esta foi, sem sombra de dúvida, a melhor forma de dar a volta por cima enganado por completo Leonardo Jardim que estava nitidamente à espera do habitual Futebol Clube do Porto vertiginoso.

Claro que o facto de se ter tido um Héctor Herrera – mais uma vez - numa “noite sim” (será para durar?) e um Yacine Brahimi a jogar para o colectivo ajudou a que a estratégia de Conceição funcionasse quase na perfeição. Quase na perfeição porque Danilo Pereira insiste em não voltar a ser o Danilo que sabemos que pode ser… Tal explica (e muito) o facto de o Mónaco ter “caído em cima” da equipa portista na segunda parte. Se o remate ao poste de Falcao tivesse entrado de certeza que a equipa francesa teria dado muita luta até fim… E tenho as minhas dúvidas de que o FC Porto fosse capaz de fazer frente à “avalanche” ofensiva da equipa de Jardim.

Uma palavra final para destacar o enorme trabalho de Moussa Marega. O moço deixa sempre tudo em campo! Ele assiste os seus companheiros para golo e ainda tem tempo para fazer aquilo que Jesús Corona teima em não fazer quando a equipa precisa: fechar o seu corredor! E foi este mesmo Marega tão mal tratado pelos adeptos do Futebol Clube do Porto num passado não muito distante.

E pronto. Missão cumprida na 2.ª jornada da UEFA Champions League de um grupo que é tremendamente difícil (ou não fossem todas as equipas muito parecidas). Agora é manter a cabeça no devido lugar porque no próximo domingo há uma complicada deslocação a Alvalade. Convêm recordar os mais esquecidos que por lá o Sporting CP costuma derrotar os seus adversários com jogadas de andebol, fora de jogo mal assinalados, tempos de compensação intermináveis e grandes penalidades duvidosas. Não pensem que por causa da tal de “aliança” o filme da época passada não se vá repetir.

MVP (Most Valuable Player): Yacine Brahimi. Este é o Brahimi que eu quero ver a jogar de Dragão ao peito. Esforçado, virtuoso q.b. e disposto a jogar com e para o colectivo. O seu passe para Marega que culminou no golo de Aboubakar é, simplesmente, magistral!

Chave do Jogo: Veio tarde para resolver a contenda a favor da equipa portuguesa. Surgiu somente no minuto 89´, altura em que Aboubakar fez o terceiro golo do Futebol Clube do Porto acabando, de vez, com a resistência e capacidade de luta que o AS Mónaco vinha mostrando até então.

Arbitragem: Jogo tranquilo. Tirando um ou outro lance, Slavko Vinčić e restante equipa de arbitragem realizaram uma boa arbitragem.

Positivo: Claques do FC Porto. Os meus parabéns aos Super Dragões e Colectivo, pois deram uma enorme lição ao mundo do futebol de como apoiar a sua equipa a muitos milhares de quilómetros de casa. Simplesmente fantásticos!

Negativo: Danilo Pereira (outra vez). Danilo está ainda longe (muito longe) do seu melhor. Onde estava Danilo quando Falcao rematou ao poste da baliza de Casillas na segunda parte? “A ver a banda a passar”.
 
Artigo publicado no blog o gato no telhado (26/09/2017)

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Déjà vu?

imagem retirada de zerozero
Déjà vu? Sim com certeza, mesmo que o jogo esta partida de Tondela tenha tido alguns protagonistas diferentes. Especialmente no banco de suplentes do Futebol Clube do Porto onde vi um Sérgio Conceição a deparar-se exactamente com o mesmo tipo de problemas com que Nuno Espírito Santo se deparou na época passada no mesmo recinto de jogo diante do mesmo adversário. O CD Tondela até jogou exactamente da mesma forma e contou - como não podia deixar de ser – com a cirúrgica “ajuda do costume” pois o tal de “Tetra” só hoje entra em campo.

Eu até que compreendo que o FC Porto realize este tipo de exibições. A pré época terminou há pouco, o mercado está ainda em aberto e a actual situação financeira do clube portista não ajuda a que o técnico possa contar com muitas opções de qualidade no plantel. Para mais já se sabe que em caso de dúvida as decisões arbitrais vão sempre contra os interesses dos Azuis e Brancos (assim dita a “cartilha”). Como tal é natural que os comandados de Sérgio nos brindem com a exibição medonha que vimos hoje.

A exibição do FC Porto em Tondela foi, repito, muito semelhante àquela que vimos na época passada. A única diferença reside somente no facto de na partida de hoje Aboubakar ter aproveitado o ressalto de bola para marcar o golo da vitória portista em Tondela. Tivesse este feito o que é habitual (atirar a bola ao poste ou para fora) e os mesmos que elevam o Sérgio Conceição à condição de Deus Supremo estariam a desancar no moço independentemente de estarmos na fase da temporada em que estamos.

Espero sinceramente que isto melhore e que Conceição aproveite o “embalo” das últimas vitórias para ir melhorando aquilo que tem de ser melhorado. É muito agradável ver a equipa a trocar a boal de um flanco para o outro, cruzar boals para a área adversária e a criar oportunidades de golo, mas os Dragões que experimentem jogar mesmo tipo de futebol que vimos hoje em Braga (outra das equipas que se “esfarrapa toda” sempre que defronta o FC Porto) e vai ser o bom e o bonito.

E ainda estou para perceber qual foi a ideia do Sérgio Conceição ao ter feito entrar o André André quando o CD Tondela dominava o meio campo… Quer dizer, no plantel existem por lá dois tipos (Sérgio Oliveira e João Carlos Teixeira) que “seguram o jogo e a bola” como ninguém mas o Sérgio Conceição opta antes por um moço cuja posição ainda não se sabe muito bem qual é. Brilhante.

E não, não é nenhuma cisma para com o Sérgio. É antes – mais - uma clara demonstração de que o Sérgio Conceição tem ainda muito trabalho pela frente numa época onde, mais uma vez, o Futebol Clube do Porto terá de lutar contra tudo e contra todos.

MVP (Most Valuable Player): Iker Casillas. Casillas foi o “Santo” que garantiu os três pontos da vitória ao Futebol Clube do Porto numa partida muito complicada. E isto graças a um par de “defesas do outro mundo” que por duas ou três vezes impediram que a equipa do Tondela empatasse a partida. Seja bem-vindo de volta San Iker!

Chave do Jogo: Inexistente. Tanto o FC Porto como o CD Tondela foram incapazes de criar um lance que colocasse um ponto final na partida a seu favor. A emoção esteve sempre presente até aos descontos.

Arbitragem: Hugo Veríssimo é outro dos “artistas” com instruções para prejudicar os interesses do FC Porto sempre que possível. Não marcou uma falta evidente de Ricardo Costa sobre Marega próxima da grande área da equipa da casa. Na segunda parte consentiu todo e qualquer tipo de jogo violento da parte dos tondelenses enquanto sancionava todo o tipo de falta e faltinha que os atletas do FC Porto cometessem.

Positivo: Os laterais do FC Porto. Excelente o trabalho ofensivo e defensivo de Ricardo Pereira e Alex Telles. Só foi pena que os seus colegas de ataque não tivessem aproveitado este excelente trabalho.

Negativo: Miguel Layún. Layún entrou neste jogo para fazer a posição de extremo, mas mais uma vez este voltou a desiludir. Por pouco não cedeu o empate ao Tondela num estapafúrdio atraso de bola para Casillas. 
 
Artigo publicado no blog o gato no telhado (13/08/2017)

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Portugal bom vs Portugal mau

imagem retirada de zerozero
Hoje em Moscovo assistimos às duas facetas da nossa selecção. Na primeira parte tivemos um Portugal autoritário que impôs o seu futebol a uma Rússia que está longe - muito longe mesmo - de ser aquela selecção que dominava o futebol europeu e que “dava cartas” nos Mundiais de futebol. Já na segunda parte os papéis inverteram-se dado que Portugal foi recuando no terreno de jogo e a Rússia aproveitou-se de tal para colocar em prática o seu simples futebol. Felizmente o “fantasma” do tempo de compensação não apareceu para assombrar Portugal, embora o dito até tenha tentado marcar presença.

Ora tudo isto para dizer que Portugal venceu e fez por isto, mas bem que poderia ter evitado a pobrezinha segunda parte com que nos brindou. Até que se compreende que se diga que o jogo não era fácil porque os russos jogaram em casa e tiveram (quase) sempre o apoio incondicional dos seus adeptos, mas tendo em consideração que esta equipa do leste da europa é tão limitada em termos técnicos e que o seu futebol é tão simples seria de esperar que Portugal impusesse o seu futebol com relativa facilidade. Especialmente se tivermos em linha de conta que as alterações que Fernando Santos promoveu foram muito boas. Adrien Silva no lugar de Moutinho era óbvio dado que Moutinho já é aquele “maestro” de outros tempos, contudo eu teria mantido Quaresma no onze inicial e retirado André Gomes para no seu lugar colocar o fabuloso Bernardo Silva, mas não foi isto que aconteceu e terá sido (talvez) muito por isto que Portugal realizou uma segunda parte tão pobrezinha. Muito bem vista foi a troca de Fonte por Bruno Alves tendo em consideração, repito, o futebol directo da equipa da Rússia, se bem que Pepe poderia ter deitado tudo a perder no último minuto de jogo num canto a favor dos russos.

Em suma, não obstante a dupla faceta que a equipa de Todos Nós mostrou hoje Portugal está com um pé e meio na fase seguinte da prova. Convêm é não encher o peito de ar e entrar com tiques de vedeta no próximo jogo diante da Nova Zelândia. O México está neste momento a fazer tal coisa e a pagar um preço bem cario por tal.

MVP (Most Valuable Player): Cédric Soares. O defesa lateral direito português realizou (mais um) excelente jogo. Fantástico na defesa e excelente no apoio ao ataque sempre que para tal era solicitado. Desta vez não marcou, mas Portugal bem que pode estar agradecido a Cédric pelo excelente desempenho em campo. Especialmente na segunda parte onde a “avalanche” ofensiva russa foi grande.

Chave do Jogo: Inexistente. Em momento alguma algumas das equipas foi capaz de criar um lance que colocasse um ponto final na partida a seu favor.

Arbitragem: Quando a equipa de arbitragem tem qualidade o vídeo árbitro torna-se completamente obsoleto. Foi o que aconteceu nesta partida. O único erro que se pode apontar ao árbitro foi o de não ter expulso Georgiy Dzhikiya por agressão a Pepe na segunda parte.

Positivo: Fernando Santos. O seleccionador nacional percebeu o que tinha de fazer após o frustrante empate com o México na jornada inaugural e apostou numa série de mudanças no onze inicial, mudanças estas que fizeram com que Portugal tivesse derrotado a Rússia.

Negativo: Falta de eficácia. Parece que a nossa selecção não se liberta do velho problema da falta de eficácia. Tantas e tantas oportunidades desperdiçadas na segunda parte. Tal poderia ter ditado o desfecho negativo desta partida. Felizmente a sorte protegeu a equipa lusa.

Artigo publicado no blog o gato no telhado (21/06/2017)

domingo, 24 de julho de 2016

Reviravolta e mais qualquer coisinha

Foi um FC Porto de duas caras na vitória frente ao Vitesse, da Holanda. Uma equipa com pouca capacidade ofensiva na primeira parte, mas, no segundo tempo, uma equipa diferente, para melhor. Voltaram a levantar-se problemas para Nuno Espírito Santo, mas também apareceu uma solução. Jogar com um homem, nesta caso foi Bueno, mais perto do avançado, partindo um pouco o tradicional 4x3x3. 
 
Não está ainda no ponto este novo Dragão, mas começa a parecer mais equipa e, com mais alguns ajustes no plantel, pode voltar a ser o FC Porto que nos habituou.
 
Com uma equipa totalmente diferente daquela que jogou contra o PSV, os dragões evidenciaram alguns problemas familiares e outros que ainda não se tinham visto. Desde logo, e o mais gritante, é a falta de capacidade para criar oportunidades. A culpa não pode ser toda colocada nas costas de Aboubakar, mas é certo que o avançado camaronês precisa de melhorar. Salta a vista a falta de homens no ataque e até se pode começar a pensar se este 4x3x3, que atuou na primeira parte, é a melhor solução para o FC Porto.
 
Outra coisa que se notou, foi a falta de João Carlos Teixeira. André André e Josué gostam de ter bola, mas acabam por não ter a capacidade de rotura do jovem reforço. Também falta Danilo Pereira e, neste jogo, notou-se por mais que uma vez a falta de um destruidor no meio campo. O golo, por exemplo, surgiu de um lance onde não houve capacidade de matar a jogada. 
 
A segunda parte trouxe um FC Porto diferente. Desde logo com Bueno, o tal jogador que parece estar sempre fora das opções. O certo, é que com o jogador espanhol, os dragões melhoraram. Bueno jogou mais perto de Aboubakar e, mal entrou, combinou bem com o avançado num dos melhores lances portistas de todo o jogo. Apenas a finalização errada do camaronês impediu o empate. Outra das alterações foi a entrada de André Silva, novamente para jogar no flanco direito. O jovem avançado é daqueles que nunca joga mal e esforça-se em todos os lances, ainda assim não é na direita que mais brilha. 
 
O FC Porto, com Bueno, passou quase sempre a jogar numa espécie de 4x4x2, ou 4x2x3x1, e notou-se mais capacidade de sufocar o adversário e ter bola mais perto da área da equipa holandesa. Faltou, neste período, mais eficácia no momento do último passe e da finalização. Apesar disso, os últimos 20 minutos, e depois das entradas de Corona, Otávio e João Teixeira, viu-se uma equipa com muita qualidade no ataque. Corona empatou e, de penálti, André Silva fez o 2x1, um resultado justo para o que o FC Porto fez, especialmente na segunda parte. 
 
É um dragão ainda à procura das melhores soluções. Há processos, e com qualidade, mas falta um trabalho mais concreto no ataque. Já aqui dissemos André Silva será, com certeza, uma boa solução para a temporada. Não podemos dizer o mesmo de Aboubakar e, por isso, convém lembrar que o mercado está aberto e há bons pontas de lança disponíveis.

Retirado de zerozero

Melhor em Campo. Bueno

quarta-feira, 30 de março de 2016

A vitória que se exigia

Bem melhor, bem melhor... Depois da surpreendente derrota frente à Bulgária, Portugal demonstrou a outra face e, contra uma seleção número 1 do ranking FIFA com consideráveis baixas, realizou uma excelente primeira parte, com Nani e Cristiano Ronaldo a materializarem esse ascendente. O segundo tempo foi mais sofrível, mas os adeptos puderam respirar de alívio, pois esta foi uma prestação bem melhor que a anterior.
 
Há duas notas dominantes a reter para explicar um primeiro tempo em que os belgas até entraram melhor, mas onde Portugal se superiorizou com o tempo: as debilidades de uma seleção (Bélgica) bastante desfalcada e o conforto que a turma lusa sente contra equipas que não se encolhem tanto.
 
Foi, de facto, isso que se verificou. Com mais de metade da equipa mudada em relação ao onze que defrontou a Bulgária, Fernando Santos ganhou com a presença de Danilo Pereira na posição 6 (está num momento de forma bem melhor do que William) e com a de André Gomes. Bem menos explosivo e ágil no um-para-um em relação a Rafa, o médio do Valencia dá uma qualidade de posse e de passe à equipa que só beneficia na construção.
 
Depois, com laterais diferentes, a qualidade no jogo lateralizado não baixou. Pelo contrário, Raphaël Guerreiro quis a todo o custo ganhar a oportunidade e mostrou ser sério candidato ao onze. Sobre Cédric, não é assim tão linear, até porque Vieirinha tem estado bem, mas a forma como se envolveu no ataque foi bastante interessante. Ah, e convém não esquecer José Fonte, que se assume como o mais lógico colega de Pepe no centro da defesa.
 
Com um fluxo de jogo predominantemente pela esquerda, a seleção conseguiu um misto ofensivo que trouxe bastantes bons resultados. Não foi uma avalanche de oportunidades, mas houve a tal qualidade na finalização que tinha faltado frente aos búlgaros. Primeiro, numa desmarcação de Nani que recebeu o passe açucarado de André Gomes. Depois, com o bom cruzamento de João Mário a encontrar a cabeça de Ronaldo.
 
João Mário que, já antes, tinha sido displicente quando lançado para a cara do golo. Duas oportunidades concretizadas em quatro criadas (Ronaldo já tinha obrigado Courtois a sacudir para a trave) e eis que o jogo estava totalmente favorável.
 
Para a segunda parte, Fernando Santos foi mexendo desde cedo. Começou por lançar Bernardo Silva e Renato Sanches para as vagas de João Mário e de Adrien Silva. Mais tarde saíram Ronaldo e Nani, entrando Éder e Quaresma. E ainda houve mais.
 
Claro está que tanta mudança fez mal à turma das quinas, com uma notória quebra na qualidade de jogo, também porque o adversário retardou um pouco mais as substituições. Com um Nainggolan abnegado, a equipa de Wilmots cresceu e aproveitou a maior descoordenação do lado nacional.
 
Só Danilo ia mantendo a serenidade (e Quaresma a sensatez ofensiva), numa equipa em que o passe passou a custar muito mais e na qual os laterais já se aventuraram bem menos nas ações ofensivas. Viria o golo, da sociedade Lukaku (Jordan a cruzar para Romelu), que relançaria a discussão do jogo e que obrigaria à capacidade de sofrimento do setor recuado da turma das quinas.
 
Com alguns sustos, Portugal conseguiu o regresso aos triunfos e ganhou uma almofada de moral quando faltam pouco mais de dois meses para o Europeu de França.
 
Retirado de zerozero

Melhor em Campo: Danilo

terça-feira, 29 de março de 2016

O Cantinho das Modalidades

Hóquei em Patins 
 
- Hélder Nunes apontou os quatro golos da seleção portuguesa de Sub-23 no último jogo-treino antes da partida para Follonica. No Gimnodesportivo do Luso a equipa lusa (que também inclui o portista Álvaro Morais) empatou por 4-4 frente ao Cambra, do principal campeonato português da modalidade. Hélder Nunes é capitão e o mais internacional do grupo. 
 
- A seleção portuguesa de Sub-23 entrou da melhor forma na 28.ª edição da Taça Latina, que está a decorrer em Follonica, na Itália, ao derrotar a equipa anfitriã por 4-3 na ronda inaugural. Hélder Nunes, jogador do FC Porto Fidelidade, esteve em plano de destaque ao fazer um hat-trick (7m, 33m e 37m), sendo que o outro golo português também teve a assinatura de um Dragão: Álvaro Morais (16m). 
 
- Os portistas Hélder Nunes, com um hat-trick, e Álvaro Morais, que bisou, foram os autores dos golos da seleção portuguesa de Sub-23, que venceu a Espanha, por 5-1, em encontro da segunda jornada da 28.ª edição da Taça Latina, que está a decorrer em Follonica, na Itália. Com este resultado e o triunfo da Itália sobre a França, os lusos conquistaram a prova pela 14.ª vez, revalidando o troféu de 2014. Todos os golos de Portugal na prova foram até agora azuis e brancos, já que, na véspera, Hélder Nunes tinha assinado igualmente um hat-trick frente à Itália, sendo que o outro golo teve a assinatura de Álvaro Morais.
 
- Hélder Nunes completou uma prestação memorável na Taça Latina, competição reservada a atletas Sub-23 que Portugal conquistou pela 14.ª vez, ainda antes da realização da última jornada. O defesa-médio dos Dragões (capitão luso e o mais internacional do grupo) concretizou o terceiro hat-trick em três jornadas da competição, disputada em Follonica (Itália), na vitória lusa frente à França, por 5-1, da terceira e última ronda. Álvaro Morais também participou na partida.

domingo, 13 de março de 2016

De trambolhão em trambolhão até à vitória final

Esteve por um fio, mas continua na luta. Num jogo que parecia totalmente controlado e resolvido, os azuis e brancos permitiram o empate ao União e voltaram a ser inconstantes, mas os festejos chegaram no fim, com o pontapé de Corona. O União esteve à beira da surpresa.
Não fossem as claques, o golo e uma ou outra decisão de arbitragem e o clima da primeira parte seria de idêntico entusiasmo ao do aquecimento. O fresco atmosfera, a derrota e Braga e a delicada situação pontual podem explicar os ânimos arrefecidos, mas a ligação dos adeptos à equipa já foi bem melhor...
Sérgio Oliveira sempre ajudou a amenizar esse aspeto. O público gosta dele, gosta de o ver ao lado de Rúben Neves e ele gosta de jogar, logicamente. Foi do seu pé que saiu o passe para Maxi, que foi assistir Aboubakar, ávido pelo golo depois de alguns passes falhados, num jogo onde Peseiro lhe indicou novamente o onze, depois de Suk o sentarno banco.
Esse golo, diga-se, foi o espelho da primeira parte. FC Porto a mandar e a insistir, obediente à máxima de não desistir, embora com lacunas variadas. Maxi, o melhor do primeiro tempo, teve mérito, ele que também soube ser assertivo na hora de defender os (poucos) ataques de um União claramente a explorar a profundidade dada pela defesa portista.
Layún também não esteve mal, ele que claramente sente o bichinho de subir no terreno. Mal estiveram os extremos azuis e brancos. Corona ainda não deu com o clique que precisa, Brahimi continua com clique a mais, desesperado em querer resolver tudo por si e pouco dado a futebol simples.
Do outro lado, valia a tal verticalidade de uma equipa robusta a meio, mas com pouca criatividade. Lamentável, para Norton de Matos, foi a cerimónia de Miguel Cardoso quando teve o empate à vista.
Curiosamente, foi preciso esperar pelo intervalo para a animação chegar, com uma campanha publicitária a proporcionar momentos divertidos. Uma situação que, certamente por coincidência, trouxe um FC Porto mais disposto para o segundo tempo. Ritmo mais alto, mais dinâmica de um futebol que também passou a ser pelo meio e, voilà... golo. Tudo resolvido. Pelo menos parecia.
Parecia, mas não foi. Primeiro, porque a equipa adormeceu, confortável com o 2x0. Depois, porque Herrera não foi capaz de fazer o terceiro, numa excelente jogada individual. Por fim, e com claro mérito, porque Norton de Matos foi muito acertado nas substituições, metendo Cádiz e Danilo Dias para agitar o ataque.
Agitou tanto que marcou dois de rajada e fez soltar o lógico desagrado nas bancadas. Num ápice, os assobios tomaram conta do estádio, inicialmente com os jogadores portistas a serem os visados (Brahimi foi o mais), depois na direção do anti-jogo da equipa forasteira, que acabou por dar o tónico de apoio que a turma da casa precisava.
De raiva, o pontapé de Corona, com Ricardo Campos mal batido, acabou por ser o suspiro quando já se temia o fim da luta pelo campeonato. Os dragões estão nela, mas, com esta permeabilidade, não será nada fácil... 

Retirado de zerozero 

Melhor em Campo: Brahimi

quinta-feira, 3 de março de 2016

Feito o treino venha o Braga!

O filme que passou no Estádio do Dragão já tinha um final praticamente esperado. Sem grande suspense, o argumento dos realizadores Peseiro e Nandinho foi dentro do esperado. Com pouca plateia na 'sala de cinema' do Dragão, levaram a melhor os atores azuis e brancos (2x0), que vão marcar presença na gala final, marcada para o Jamor.

O FC Porto, com bloco subido no terreno e a tentar bolas longas nas costas da defesa gilista, cedo procurou o golo, rendilhando o seu futebol e tentando ser rápido na circulação. Do outro lado esteve quase sempre um Gil Vicente a tentar pausar o jogo e manter o equilíbrio e a segurança.
Perante um cenário muito despido nas bancadas e muitas alterações nos onzes de ambas as partes, Aboubakar foi o primeiro a ameaçar as redes gilistas mas seria Chidozie, aos 11 minutos, na sequência de um canto de Sérgio Oliveira, a abrir o ativo, num cabeceamento.
Se até aí o Gil Vicente foi tentando pressionar o portador da bola portista, daí para a frente a equipa de Nandinho ficou mais na expectativa e foi vendo o FC Porto (muitas vezes por iniciativas de Sérgio Oliveira) rondar a sua baliza e tentar de várias formas e feitios o golo. Helton, que regressou ao posto, foi praticamente um espectador do duelo, enquanto que Marega foi tendo a bola mas mostrou (quase) sempre algum nervosismo e dificuldade em decidir.
Num jogo de sentido único, a história foi-se resumindo a um FC Porto a assediar a baliza gilista e os de Barcelos a tentarem lutar pela honra de forma recuada. Mas os dragões mostravam ser pouco letais na hora de rematar à baliza. O ataque portista, com destaque para Aboubakar, foi deixando os adeptos à beira de um ataque de nervos com alguns falhanços, alguns clamorosos.
O avançar dos minutos mostrou um Gil Vicente a ter mais bola e a rondar mais a baliza de um Helton que foi chegando para as encomendas. E o FC Porto, bem, o FC Porto tinha a eliminatória mais que garantida e foi gerindo os momentos, enquanto que Peseiro aproveitou para dar minutos a Martins Indi, que regressou após lesão. Foi já com o holandês em campo que Marega, aos 80', fez o 2x0, numa jogada rápida de envolvimento do ataque portista. 

Retirado de zerozero 

Melhor em Campo: Sérgio Oliveira 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Daquelas vitórias

Na antevisão a esta partida, tínhamos falado que era tudo uma questão de crença. E foi. Foi na raça dos dragões e na entrega na reta final que o jogo frente ao Moreirense foi virado. Uma enorme dificuldade que aconteceu também muito por mérito da excelente estratégia de Miguel Leal, que merecia mais pelo atrevimento.
Como que adormecidos, os dragões praticamente entraram a perder (outra vez). Postura macia da defensiva, mas também claro mérito de Miguel Leal. Ao contrário do que é normal em equipas que se fecham mais frente aos grandes, as transições não eram apenas feitas pelo trio da frente. Os laterais também tinham parcipição ativa e esse foi o segredo.
Atente-se ao golo inaugural e à enorme dose de mérito que Evaldo tem na investida, que depois Iuri Medeiros concretizou. A nu estavam as debilidades de uma equipa que voltou a trocar a dupla de centrais (disso, Peseiro não tem culpa) e que tornou a deixar um enorme espaço livre entre o centro e a lateral da defesa.
Maxi não esteve bem nesse capítulo, tal como não estiveram os jogadores do outro lado quando Vítor Gomes fez o segundo, a agudizar um sentimento de descrença do Dragão. Se houve (muito) mérito para os cónegos, não houve menos demérito para os azuis e brancos. Um demérito que esteve sobretudo no meio-campo (Danilo a mais, Herrera e André André a menos), mas que se estendeu às bancacas: mesmo que os adeptos sejam soberanos, porquê, ainda na primeira parte, intranquilizar ainda mais uma equipa a quem as coisas não estavam a sair bem?
Se o lateral uruguaio não tinha estado bem no primeiro golo, a sua ação foi, depois, vital para voltar a ligar a equipa. Foi ele que investiu para cavar o penálti e foi ele que devolveu a equipa ao jogo e os adeptos à atitude positiva.
Mas também não esquecer Suk. O coreano precisa de ser mais letal, mas demonstra muita qualidade a vir buscar jogo atrás para depois catapultar o jogo pelos extremos - Brahimi e Corona é que não souberam dar sequência.
Por fim, é obrigatório enaltecer Casillas. E, aqui, já falamos da segunda parte e de 15 excelentes minutos do Moreirense, que poderia claramente ter sentenciado a partida. Outras vez a defesa portista a dormir, outra vez as transições dos cónegos a revelarem muita qualidade e... outra vez Casillas imperial entre os postes.
Só que, se na Luz as suas intervenções foram acompanhadas de golos, agora nem tanto. O regresso dos portistas dos balneários foi claramente mau, Danilo e Layún falharam como não é costume, Herrera e Brahimi mantiveram o divórcio com a plateia. Tudo parecia correr mal.
Há um momento capital: quando José Peseiro decide tirar Chidozie e lançar Marega. André André saiu da linha (não faz sentido aí jogar contra blocos baixos) e o miolo ganhou agilidade, até porque Evandro se soltou da marcação de um João Palhinha muito competente.
Marega, apesar de não estar bem na finalização, deu força no último terço e o resto desenvolveu naturalmente. Com os jogadores vieram os golos, com os golos (de Suk e Evandro) vieram os adeptos e, de repente, o cenário mudava radicalmente e o Dragão respirava uma simbiose que parecia perfeita.
O triunfo, muito suado, deixa a equipa na rota do título. Mesmo que exista ainda muito a corrigir e o tempo, já se sabe, quase não existe. 

Retirado de zerozero 

Melhor em Campo: Suk

domingo, 31 de janeiro de 2016

Regresso ao "Somos Porto!"

O FC Porto foi à Amoreira afastar fantasmas e dizer que está bem vivo. A equipa azul e branca entrou a perder, mas recuperou muito bem, mostrando já o dedo de José Peseiro num futebol bem mais variado e veloz que o dos últimos tempos. O Estoril deu boa réplica enquanto conseguiu, mas o triunfo é inquestionável para os portistas, que assim pressionam os rivais.
«Como é que é possível?» Foi isso que se leu nos lábios de José Peseiro ao minuto 3. O novo treinador do FC Porto tinha acabado de ver, numa bola parada, a equipa ficar em desvantagem, perante um melhor arranque do Estoril, estendido até à primeira dezena de minutos.
Existiu, de facto, um período de questionamento. Para uma equipa que está a tentar recuperar, pontual, futebolística e animicamente, sofrer um golo tão cedo é duro revés. Mas o FC Porto não deixou que isso ditasse o destino. Aos poucos, as linhas foram reagrupando e do banco vinham as indicações certas, a explicar aquilo que era necessário fazer.
José Peseiro não tinha enganado na conferência de imprensa. Esta equipa ia estar melhor do que contra o Marítimo. Verdade! Os dragões já começam a perceber que o fio de jogo não tem que ser sempre o mesmo e que jogar de forma variada, em vertigem e transição rápida, também dá resultado.
Percebe-se que ainda estejam em fase de aprendizagem das novas variações de futebol, mas nada como os golos para ajudarem a elucidar. O primeiro é exemplo claro disso: rápida transição, Layún a conduzir e Aboubakar a marcar. O segundo, ainda que na sequência de uma bola parada, não deixa de consolidar a ideia de que há várias formas de lá chegar e não apenas uma...
No meio de tudo isto esteve o Estoril, que não merece menos palavras. A equipa de Fabiano Soares voltou, tal como contra o Benfica, a marcar cedo e desta vez não se encolheu. Porém, notou-se que não estaria à espera de tanta velocidade na circulação e movimentação dos portistas.
Os estorilistas mostraram boa tendência para criar (nota para Mattheus, a demonstrar qualidade), mas pareceram pecar por Diogo Amado estar muito escondido na hora de ter bola, já que pareceu ter como grande prioridade anular Herrera. E não tiveram pernas para os laterais portistas, no fundo, os desequilibradores.
Não deixou de ser curioso o fio do segundo tempo e, sobretudo, um FC Porto mais na expectativa. Depois da grande primeira parte a que se assistiu, num ritmo muito alto, passou a ser progressivo na equipa azul e branca a face de expactativa.
Não que os dragões tenham recuado muito as linhas, mas sim porque a ofensiva baixou a primeira zona de pressão e permitiu ao Estoril pensar com bola, se bem que sempre em zonas recuadas. À entrada no meio-campo contrário, os estorilistas logo colidiam com a ação dos portistas. Por isso, os lances de perigo continuaram a acontecer por erros da defensiva azul e branca - quiçá, o maior problema que Peseiro tem para resolver, tal a frequência com que os seus centrais falham com a bola nos pés.
Fabiano Soares tentou de tudo para mexer nas formas de construção, só que a sua equipa foi decaindo progressivamente, quer pelos espaços fechados, quer pelo desgaste, quer também porque o segundo tempo foi bem mais pausado por sucessivas faltas.
Muito mais confortáveis, os homens do ataque portista foram jogando com isso e, com mais espaços para trabalhar no último terço, só não resolveram mais cedo porque o desperdício foi notório (que dizer do escandaloso falhanço de Aboubakar?). Valeu que André André, que faz a equipa subir de produção quando ele mesmo o consegue, foi mais eficaz e arrumou o assunto. 

Retirado de zerozero 

Melhor em Campo: Miguel layún

domingo, 24 de janeiro de 2016

Bastou um André

A expressão «o hábito faz o monge» assenta que nem uma luva ao FC Porto. Uma época e meia sob o comando de um treinador, no caso de Julen Lopetegui, é muito tempo e por isso ninguém esperava que José Peseiro, com apenas três dias de treinos, fosse promover grandes alterações na equipa. Aliás, não fez nenhumas, em comparação com a formação titular que na última jornada perdeu com o Vitória de Guimarães. Consequência: muito do FC Porto que se viu contra o Marítimo teve ainda com o cunho do antigo treinador.
É natural. Durante ano e meio, a equipa do FC Porto ganhou rotinas, um estilo de jogo bem vincado, cujas ideias não se desvanecem de um momento para o outro. A juntar a isso, dos jogadores escalados por José Peseiro, nenhum deles representava os dragões antes de Julen Lopetegui, pelo que a cultura de FC Porto foi toda adquirida por intermédio do técnico basco.
A insegurança defensiva registada na maioria dos jogos com Julen Lopetegui registou-se contra o Marítimo. Não tirando logicamente qualquer mérito à equipa orientada por Nelo Vingada, que teve a inteligência de perceber as fragilidades que podia explorar, foi muito por culpa dessa intranquilidade defensiva dos azuis e brancos que os madeirenses tiveram algumas situações para conseguir outro resultado no Estádio do Dragão que não a derrota. O lance em que Dyego Sousa cabeceou completamente à vontade no coração da área à barra da baliza de Casillas, pouco tempo após o golo do FC Porto, é um exemplo gritante disso. A juntar a isso, passes falhados no meio-campo e perdas de bola e zonas perigosas deixaram sempre a equipa em sobressalto e permitiram ao Marítimo estar sempre dentro do jogo e lutar por um resultado mais positivo.
No entanto, houve também alterações positivas que José Peseiro procurou promover e que serão, certamente, melhor trabalhadas de agora em diante. Com um 4-2-3-1 bem vincado, com Herrera bem próximo de Danilo Pereira, o FC Porto entrou pressionante e procurou desde o princípio ganhar espaços nas costas dos defesas insulares. Brahimi e Corona procuraram mais as zonas interiores e André André foi incansável, estando intimamente ligado ao golo do triunfo, com um remate em que a bola bateu na barra e posteriormente tocou nas costas de Salin e entrou dentro da baliza. Layún foi que assinou a assistência para André André e se a inclusão do mexicano nas movimentações ofensivas não é novidade, o mesmo não se pode dizer de Maxi Pereira, lateral-direito que esteve bastante mais interventivo no ataque do que aquilo que é habitual desde que chegou ao Dragão.
O FC Porto nem sempre conseguiu manter esta toada de ataque e exibiu insuficiências antigas, como a dificuldade para criar ocasiões de golo. Na segunda parte, apenas Jesús Corona, que obrigou Salin a uma excelente intervenção, é que esteve perto de ampliar a vantagem. O 1x0 foi sempre um resultado perigoso, mas os dragões, com maior ou menor capacidade e por vezes com alguma precipitação dos atacantes madeirenses, conseguiram segurar a magra vantagem e garantiram a conquista dos três pontos, que era, acima de tudo, aquilo que mais se exigia a José Peseiro no jogo de estreia. 

Retirado de zerozero 

Melhor em Campo: André André