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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O Nosso Fair-play Financeiro

Aqui há cerca de um ano coloquei uma crónica sobre este assunto. Como sabem os que se interessam por estas minudências o fair-play financeiro é um sistema de controlo das finanças dos clubes, para verificar se cumprem os requisitos de participação nas competições organizadas pela UEFA. O conceito principal é a obrigação de os clubes não poderem ter despesas superiores às receitas no conjunto das três últimas épocas. Para esse efeito o que será controlado é a conta de exploração dos clubes, com todas as receitas e despesas, incluindo as transferências de jogadores. Nesta análise ficam de fora as despesas com construção de infra estruturas, estádios, centros de treinos, e o futebol jovem.
Atualmente, as federações nacionais verificam, em Março, se os clubes candidatos à participação nas provas europeias cumprem os requisitos exigidos. Agora, a exigência passa a ser maior e será controlada pela própria UEFA. No início da época de 2013-14, os clubes não podiam ter perdas superiores a 45 milhões de euros nas duas épocas anteriores. Em 2014-15, não podiam ultrapassar os 45 milhões negativos na soma dos três últimos exercícios. E entre 2015-16 e 2017-18, a derrapagem não pode superar os 30 milhões, sempre tendo em conta os resultados financeiros das últimas três épocas. Os limites de risco continuarão depois a baixar.
 
Ora, como os meus amigos devem estar recordados, a Sad do nosso clube apresentou nos últimos 3 anos os seguinte resultados: em 2013/2014 40M€ de prejuízo. Em 2014/2015 19,3M€ de lucro. Em 2015/2016 58,4M€ de prejuízo o que eleva os resultados negativos sob análise para 79M€. Sempre que no período ultrapassar os 45 milhões, o painel de controlo envia o processo para os órgãos disciplinares da UEFA.
Por exemplo, na temporada passada, o Sporting só teve a possibilidade de inscrever 22 jogadores (e não os habituais 25). Isto relativamente à lista A refira-se. Esta pode ser uma das punições aplicadas. Já este ano, a entidade de controlo financeiro da UEFA retirou o Sporting do elenco de clubes em incumprimento, bem como, o Hull City e Panathinaikos. Para evitarem punições como a exclusão da competição as sanções cada vez mais apontam para a proibição de inscrição de jogadores. Em casos mais graves pondera-se a proibição de participar nas competições europeias durante um ano. Cada caso será avaliado individualmente, tendo em conta a situação do clube e as suas perspetivas.
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Provavelmente o nosso Clube que foi um dos que agravou a sua situação financeira com a utilização da emissão de Empréstimos Obrigacionistas desde 2002 já estará sob investigação faltando saber quais os argumentos que a SAD irá utilizar na sua defesa. Deve ter referido a necessidade de Custos acrescidos em 2015 para não enfraquecer o plantel. Mais complicado ainda será quando forem publicadas as Contas deste 1º Semestre, e mais tarde as anuais, embora só passem pelo crivo da UEFA na temporada 2017/2018.
 
Até à próxima.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Fair Play Financeiro

O que é o fair play financeiro? 
 
É um sistema de controlo das finanças dos clubes, para verificar se cumprem os requisitos de participação nas competições organizadas pela UEFA.
 
Na prática, que critérios os clubes têm de cumprir? 
 
O conceito principal é a obrigação de os clubes não poderem ter despesas superiores às receitas no conjunto das três últimas épocas. 
 
Que receitas e despesas contam? 
 
O que será controlado é a conta de exploração dos clubes, com todas as receitas e despesas, incluindo as transferências de jogadores. Nesta análise, só não serão tidas em conta as despesas com construção de infra estruturas (como estádios e centros de treinos) e os gastos com o futebol jovem.
O fair play financeiro entra já em vigor?
 
Sim. Atualmente, as federações nacionais verificam, em Março, se os clubes candidatos à participação nas provas europeias cumprem os requisitos exigidos. Agora, a exigência passa a ser maior e será controlada pela própria UEFA.
 
As novas regras incluem alguma forma de transição? 
 
Sim. No início da época de 2013-14, os clubes não podiam ter perdas superiores a 45 milhões de euros nas duas épocas anteriores. Em 2014-15, não podiam ultrapassar os 45 milhões negativos na soma dos três últimos exercícios. E entre 2015-16 e 2017-18, a derrapagem não pode superar os 30 milhões, sempre tendo em conta os resultados financeiros das últimas três épocas. Os limites de risco continuarão depois a baixar.
 
Quem ultrapassar os limites é automaticamente excluído da competição? 
 
Não, mas corre sérios riscos de ser penalizado. Basta um clube apresentar prejuízos superiores a cinco milhões de euros, para estar sob avaliação do Painel de Controlo das Finanças dos Clubes da UEFA tendo de apresentar relatórios trimestrais e planos para solucionar o problema. Quando ultrapassar os 45 milhões, o painel de controlo envia o processo para os órgãos disciplinares da UEFA.
 
Que sanções podem ser aplicadas aos infratores? 
 
Em teoria, as sanções podem ir até à expulsão do clube da competição, mas cada vez mais se aponta para a retirada de pontos e proibição de inscrição de jogadores. A ideia é evitar punições como a exclusão da competição. Em casos mais graves pondera-se, por exemplo, a proibição de participar nas competições europeias durante um ano. Cada caso será avaliado individualmente, tendo em conta a situação do clube e as suas perspetivas.
Por exemplo esta temporada o Sporting só teve a possibilidade de inscrever 22 jogadores (e não os habituais 25). Isto relativamente à lista A refira-se. Esta pode ser uma das punições aplicadas. Já este ano, a entidade de controlo financeiro da UEFA retirou o Sporting do elenco de clubes em incumprimento, bem como, o Hull City e Panathinaikos.
 
O nosso Clube também não fica muito de fora destas atribulações. Como referi numa das minhas crónicas semanais, para não fugir à tradição, lá teremos que transferir alguém no final da época. Não vejo quem mas às vezes há milagres.
Até à próxima

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Fundos e Fairplay

Volta-e-meia lá vem a questão à baila. Os Clubes e/ou Sad, podem ou não ter jogadores colocados em Fundos? Como sabemos, em Inglaterra já foram proibidos, e o movimento pode alastrar a outros países. Fontes oficiosas da Fifa e da Uefa lançam alguns balões de ensaio para medir as reacções dos clubes mais representativos.
Há uma dezena de anos os Fundos de Jogadores não existiam. Os clubes mais modestos recorriam aos empresários locais que tinham uma fabriqueta de sapatos, ou de camisas, sacavam-lhes umas maçarocas que nunca mais devolviam e quando a coisa apertava homenageavam os “beneméritos” elevando-os à categoria de “sócios honorários”.
 
Os tempos mudaram, os otários foram desaparecendo e a Banca vislumbrou ali um maná. Alguém duvida que, por exemplo, o BES vê os 3 grandes como alguns dos seus melhores clientes? Este ano e a fazer fé no seu último Relatório, só a SAD da “instituição” teve Custos Financeiros de 22,7M€. As recentes determinações da Troika que nos governa, em decidir acabar com a brincadeira dos empréstimos aos clubes, motivou o subterfúgio da criação de Fundos de Investimentos, as modernas casas de penhores.
 
Na prática é muito simples. Um grupo bancário aliado a um conjunto de empresários compra ao Clube/Sad determinada percentagem dos direitos económicos de vários jogadores. Mais tarde numa eventual transferência de qualquer jogador para outro clube, naturalmente por valores superiores aos da avaliação, obterá um lucro igual ou superior ao do seu investimento. No caso do Benfica Stars Fund, verifica-se a insólita situação da SAD ser também investidora, isto é, subscritora de 15% do valor do Fundo e beneficiar nessa percentagem de eventuais lucros que daí advierem. Na prática recebe sempre um “adiantamento” sem ter que pagar juros à Banca.
O que pode acontecer de errado nisto? O Fundo não conseguir vender jogadores em tempo útil. Além disso a SAD não manda absolutamente nada no Fundo. Este avalia os passes de cada atleta através duma comissão de gestão que poderá, se assim o entender, “forçar” a venda de qualquer jogador conforme a estratégia que pretenda desenvolver. Em princípio a venda será aprovada desde que a quantia oferecida se aproxime dos limites da avaliação que entende justos. Contudo pode dar-se a situação inversa. O Fundo querer vender para realizar capital mas por valores que não sirvam os interesses do Clube/SAD. Se este discordar pode contudo exercer a “recompra” devolvendo o valor encaixado voltando o jogador à origem.
 
Mas não será por esta razão que a UEFA está preocupada. O motivo das reservas é pensar-se que os Fundos sirvam para a lavagem de dinheiros ilícitos além de poderem fazer subir ou baixar artificialmente os valores dos passes duma forma especulativa.
Outra questão mais relacionada com o fairplay financeiro prende-se com as dívidas atingidas por alguns Clubes/Sad e a situação de falência que algumas evidenciam. Os rendimentos consolidados totais da Benfica SAD, que inclui os operacionais, as transacções de atletas e os financeiros, no valor de 145 milhões de euros, representam o valor mais elevado de rendimentos alcançado pela Benfica SAD até hoje. Contudo o Passivo é 4 vezes maior
 
Esta semana foi conhecido um acórdão da FIFA segundo o qual, como forma de coima às dívidas contraídas pela Naval 1.º de Maio, que milita no Campeonato Nacional de Séniores (Série E), ao clube brasileiro Corinthians Alagoano, serão retirados seis pontos à equipa, do clube da Figueira da Foz pela aquisição do médio brasileiro George. O jogador foi contratado em 2000 pela Naval ao Corinthians Alagoano, tendo representado os figueirenses durante três épocas. Em Portugal, o médio brasileiro, que representa actualmente o Atlético-BA (um clube da Bahia), ainda alinhou pela Académica e Vitória de Setúbal. Situação semelhante passa-se com Roberto. Soube-se agora, através do RC do clube da treta, que o atleta que já passou por três emblemas, ainda não está totalmente pago ao clube de origem, o Atlético de Madrid!
 
Será lícito permitir que um clube como o Benfica que detém 63% duma SAD que apresenta prejuízos há 5 anos consecutivos, com o Passivo maior do que o Activo, e Capitais Próprios negativos, dispute uma Liga em igualdade de circunstâncias com o Paços de Ferreira ou o Braga sem problemas financeiros relevantes, ou isto é mesmo um fairplay da treta?
 
Até à próxima