quarta-feira, 20 de junho de 2012

O nosso Euro.

  • Estamos nos quartos de final

A 1ª grande prova foi superada. Passamos o cabo das tormentas que se adivinhava ser o grupo da morte. Claramente o grupo mais difícil da 1ª fase deste Euro que comportava 3 selecções campeãs da Europa. Portugal provou, uma vez mais, que se dá bem com este tipo de grupos. Mais depressa faz um brilharete quando está num grupo com grandes selecções do que quando entra num grupo com estatuto de favorito absoluto. O percurso nestes 3 jogos que nos valeram o apuramento esteve longe de ser perfeito (alguns dos defeitos foram sendo apresentados neste espaço), mas não sobram dúvidas que no final passaram as duas selecções que foram melhores.

Os portugueses gostam muito de passar do 8 para 80. Antes do Euro as sondagens diziam que a grande maioria não acreditava na passagem aos quartos, depois do jogo com a Holanda as sondagens já demonstravam que a maioria acredita que podemos ser campeões da Europa. Nada de espantar… Muitos quase que linchavam publicamente CR7 depois do jogo da Dinamarca e ele acabou por se converter em herói nacional após a magnífica exibição frente à poderosa Holanda.

No jogo em concreto Portugal voltou a cometer um erro recorrente nos seus jogos. Entrou na expectativa. Demasiado na expectativa. Portugal é uma equipa de reacção. Pouco pró-activa, parece que tem que ser espicaçada com um golo para assumir o jogo, cair em cima do adversário e potencializar as suas qualidades. A Holanda tal como já se havia previsto neste espaço entrou com tudo nos primeiros minutos e procedeu a alterações no onze dando-lhe um cariz muito ofensivo. Abdicou finalmente do duplo pivô e tentou dar maior qualidade na saída de bola com Van Der Vaart a actuar junto a De Jong e passando Snejder para um flanco para poder aparecer mais entre linhas.

Tal como se prevera aqui, Portugal teria que ter um jogo de paciência, saber controlar o ímpeto inicial dos holandeses para depois os ir enervando e jogar no erro, aproveitando as costas da sua fraca defesa. A dúvida que tínhamos era se Portugal conseguiria corrigir essa falha que vinha dos jogos anteriores que era a capacidade para sair bem em transição ofensiva. Como se esperava também, P. Bento manteve o mesmo onze mesmo com outras soluções que seriam eficazes para o tipo de jogo que nos interessava.
  • O jogo
Portugal entrou mal, permitiu o golo aos holandeses e isso poderia ser problemático, porque entrando o 2º golo a Holanda poderia reorganizar-se e voltar a um esquema mais capaz de controlar o ímpeto ofensivo de Portugal. Felizmente, tal como nos tem habituado, a nossa selecção reagiu de imediato ao golo e começou a explorar a fraca defesa holandesa, fazendo o que se pedia, deixar cada vez mais nítido o fosso existente entre a linha ofensiva e a linha média holandesa. Tal desajuste já se vinha verificando nos anteriores jogos, mas este seria claramente o jogo menos aconselhável para a Holanda arriscar-se a jogar com tantos jogadores de características ofensivas.

Não se trata tanto da entrada de Van der Vaart por si só, tal poderia resultar se a Holanda conseguisse ter posse e volume de jogo para alimentar o ataque. O problema foi juntar-se à equação o Huntelar no centro do ataque com a ideia de dar liberdade a Van Persie. Acontece que Van Persie teve ainda menos participação teve no jogo. Se tivesse Kuyt no lugar de Robben seria possível, apesar de tudo, a Holanda ter algum equílibrio na hora da transição defensiva. Desta forma, a Holanda optou de forma consciente por partir o jogo e isso claramente beneficiava o jogo português.
  • O efeito CR7
Todas as selecções que jogam com Portugal têm uma preocupação especial na marcação a CR7. Todas. Mesmo a Alemanha que é a Alemanha tem esse cuidado. Não significa que abdique do seu modelo de jogo ou que faça alterações no sistema de jogo. Em termos estratégicos encara-se o jogo com essa cautela, tentando anular esse ponto forte de Portugal. Nunca se deixa CR7 numa situação de 1x1 com o seu marcador directo, neste caso o lateral direito. Arranjam-se rotinas de forma a que a equipa saiba o que fazer quando perder a bola e como cobrir as possíveis arrancadas de CR7 pelo flanco esquerdo. Com a Alemanha por exemplo cabia a Khedira a tarefa de fechar no flanco direito ,fazendo sempre situação de superioridade. Se necessário até o central pelo lado direito fazia aproximações para encurtar o espaço.

Isto é sinal de respeito e inteligência na forma como se planeia o jogo. A Dinamarca fez o mesmo, e tentou fechar os caminhos no seu flanco para que CR7 tivesse a maior oposição possível e na hora do risco até investiu pelo seu flanco aproveitando o facto de CR7 descer menos no apoio ofensivo.

Acontece que a Holanda encarou Portugal numa situação limite. Não bastava a vitória, tinham que vencer por pelo menos dois golos. O seu selecionador assumiu o risco total. Não se preocupou na forma como a Holanda ia controlar os contra ataques de Portugal, apenas pensou no momento ofensivo da Holanda.

Com isso deixou Van der Wiel entregue à sua sorte com CR7. Ao longo da época CR7 foi uma máquina goleadora superando defesas que estavam sempre preparadas para o marcar, fosse homem a homem ou de forma zonal mas com mais que um jogador a fechar o espaço. Num jogo em que o deixam jogar como um comum jogador no 1x 1 , foi o que se viu. E então quando a Holanda arrisca tudo e passa a jogar só com 3 defesas…Aí foi o convite para Portugal acabar definitivamente com o jogo. Assistimos a uma exibição de antologia de um dos melhores jogadores do Mundo e porventura de todos os tempos. Dois golos, duas bolas aos postes, uma assistência magistral para Nani que era mais que meio golo e uma série de lances de perigo .
  • Aspectos a ter em conta
A reter em termos negativos deste jogo fica a tendência perigosa de Portugal de esperar sempre pelo adversário. O tal jogo de posse nunca se efectivou, mas desta vez Portugal assumiu-se como equipa de transições (finalmente), foi vertical e por isso conseguiu aproveitar as clareiras que a Holanda deixava atrás. Podia ter aproveitado ainda mais e merecia ter tido uma vantagem mais dilatada. Acontece que Portugal mesmo na 2ª parte deu a entender em certos momentos do jogo poder contentar-se com o empate mesmo sendo um resultado que nada garantia. Isso foi o que menos gostei de ver. Até porque se percebia que se Portugal carregasse um pouco sobre o adversário conseguia resolver o jogo e escusava de se estar a colocar dependente do jogo da Dinamarca.

P. Bento não alterando a equipa foi inteligente na forma como soube admitir a falha no jogo anterior em relação à cobertura dada a Coentrão ou à falta dela neste caso. Meireles iniciou essas funções mas por ser um jogador de rápido desgaste, agravado, ainda para mais, com uma época com muitos jogos, Moutinho aproximou-se mais da zona interior esquerda e foi decisivo. Muito bem nos apoios, foi muitas vezes o bombeiro de serviço, libertando M. Veloso para ter mais tempo e espaço para meter o passe de transição. M. Veloso tem sido a grande surpresa de Portugal neste Europeu, principalmente pela forma concentrada que tem abordado os jogos, naquela que era uma das suas pechas. Depois sabendo das suas limitações físicas, o facto é que ele tudo tem feito para estar à altura no que diz respeito à recuperação e desarme. No jogo com a Alemanha não esteve tão bem e provavelmente não era jogo para um trinco com as suas características. No jogo com a Dinamarca e a Holanda, por motivos diferentes, foram selecções que deram espaço para o médio mais recuado português ter tempo e espaço para pautar o jogo e assim apareceu o melhor M. Veloso.

No entanto a figura fulcral do meio campo foi mesmo Moutinho. Exibição completa. Tacticamente quase perfeita, deu o equílibrio ao lado esquerdo quando necessário, foi dos que mais bolas recuperou e desta vez deu a 3ª dimensão que faltara ao jogo do meio campo português nos jogos anteriores. Foi ele que lançou uma série de contra ataques perigosos, soube transportar a bola quando era necessário transporte e soube definir bem o tempo para meter o último passe. Preocupante é mesmo a condição física de Raul Meireles que nota-se estar de rastos e a tendência não será para Portugal apresentar mais frescura uma vez que é a única selecção que tem jogado sempre com o mesmo onze.

Deste grupo da morte, retira-se uma nota excelente para a defesa portuguesa que soube lidar com ataques complicados, mas acima de tudo consagra Pepe como o melhor central desta 1ª fase, e o melhor jogador português ao longo dos 3 primeiros jogos. Um líder autêntico.

Outra boa notícia é o facto de se sentir que mesmo com o potencial cansaço, esta selecção ainda não demonstrou o seu melhor. Mesmo com a exibição com a Holanda ficou-se claramente com a ideia que um Portugal com mais iniciativa e mais pró activo teria explorado ainda mais a defesa holandesa. Portugal ainda não atingiu o seu pique de forma nesta competição e isso é bom e dá margem para que possamos acreditar num percurso mais longo.
  • A Républica Checa
Sobre o adversário de Portugal devo confessar que muita confusão me tem feito uma série de chavões que têm sido difundidos. Obviamente que compreendo a necessidade de manter os pés na terra e deixar os jogadores em alerta, para que respeitem a República Checa e não tenham a tendência em facilitar. Mas temos que ser também conscientes e racionais.

Portugal tem melhores jogadores que a República Checa e apresenta um jogo mais consistente mesmo neste Euro. Portugal em condições normais tem a obrigação de ganhar à República Checa e tem que se assumir isso sem pudores. Mais ainda. Portugal após passar o grupo da morte ganha outro elã e outra responsabilidade. Depois de enfrentarmos selecções bem mais fortes que a República Checa e passarmos, seria um fracasso de todo o tamanho sermos eliminados pela República Checa. Temos que ser pragmáticos neste aspecto. Quartos de final não podem ser o fim da linha desta selecção após passar pelo que passou. Tudo o que seja menos que as meias finais é um fracasso. Temos que nos mentalizar que passar a fase de grupos não chega. Temos que ambicionar mais. A qualidade de jogadores como: Pepe, Fábio Coentrão, Moutinho, Meireles, Nani , CR7 etc assim o merece.
  • Combatendo mitos e chavões
Assim que chega de aludir para o Euro 96 em que eles nos eliminaram chegando à final. Muita coisa mudou. Essa República Checa era bem superior a esta actual. O momento era outro, Portugal tinha pouca experiência em fases finais, ainda não tinha um melhor do Mundo como temos agora. Portugal tem hoje outro peso e outra responsabilidade neste tipo de competições. Temos que o assumir.

E convém salientar (e isso tem sido esquecido) que não há nenhuma espécie de malapata com os checos e que essa vingança já aconteceu. Engraçado que todos têm falado do jogo no euro 96 mas poucos recordam que Portugal já eliminou a Rep. Checa no euro 2008 ganhando na fase de grupos por 3-1. Curiosamente na época com uma grande exibição de… CR7. Um golo, uma assistência para o 3º golo de Portugal e participação no 1º golo de Portugal marcado por Deco.

Essa selecção checa tinha algumas daquelas que ainda são as suas maiores figuras hoje como são o caso de Petr Cech e Plasil. Faltava Rosicky que é o único nome maior desta Republica Checa que joga numa equipa de topo na Europa e mesmo assim sem o brilhantismo que já teve noutros tempos. A Republica Checa em 2008 partia com mais expectativas e com uma equipa mais forte, mais coesa e com maior qualidade na defesa acima de tudo com uma defesa mais experiente e de maior experiência internacional como eram os casos de: Grygera (jogava na Juve), Ufalusi (capitão e titular da Fiorentina), Rozenhal (Newcastle) e Jankulovsky (AC Milan).

Para termos uma ideia, a linha defensiva actual da Rep. Checa é constituída por: Gebre Selassie (Slovan Liberec), Sivok (Besiktas), Kadlek ( B. Leverkussen) e Limbersky (Viktoria Plzen). Creio que claramente esta defesa tem menos qualidade e acima de tudo menos rodagem em grandes ligas. Dois dos defesas ainda jogam na liga checa.

No meio campo encontra-se talvez a maior qualidade desta equipa. Hubschman dá equílibrio ao meio campo e Plasil e Pilar conseguem dar criatividade e repentismo. Mas não deixa de ser sintomático que o jogador que tem sido mais decisivo no último terço ter sido Jiracek do Wolfsburgo que é mais um médio centro e que teve que se transformar num extremo direito nesta selecção por falta de qualidade nas opções para o ataque. Há depois o factor Milan Baros que já em 2008 não vivia a sua melhor fase e que está 4 anos mais velho…

A República Checa em 2008 chegava ao Europeu após ter ganho o seu grupo na qualificação à frente da poderosa Alemanha que seria finalista desse Europeu. Esta República Checa chega a este Europeu através do play off, tal como Portugal, eliminando a selecção de Montenegro.

Podemos também fazer a comparação de Portugal desse euro e deste. Não temos Deco e é obviamente uma baixa de vulto. Mas por outro lado temos outras soluções de qualidade que na altura não tínhamos. Logo a começar na baliza em que, claramente, demos um enorme salto qualitativo passando de Ricardo para Rui Patrício.

Na defesa temos as baixas de Ricardo Carvalho e Bosingwa. Por outro lado temos um B. Alves que não tem comprometido e que tem feito uma boa dupla com Pepe que atinge o seu maior momento de forma neste Europeu. Perdemos Bosingwa mas ganhamos um lateral esquerdo de classe mundial que em 2008 não tínhamos pois era P. Ferreira que tinha que ser adaptado à posição.

No meio campo tínhamos um Petit que já estava na fase descendente da carreira, hoje temos um M. Veloso que tem outras características mas que está a fazer tudo para dar uma volta à sua carreira fazendo um excelente europeu. Moutinho é um dos elos de ligação entre as duas equipas. Mantêm-se no meio campo com a companhia do campeão europeu de clubes Raul Meireles que em 2008 era suplente.

No ataque deu-se o maior salto qualitativo. Simão deu finalmente lugar a um Nani que o deixa a uma enorme distância em termos qualitativos e em relação ao que pode dar à nossa selecção. CR7 mantém-se e temos Postiga no lugar de N. Gomes a ponta de lança. Não creio que tenhamos piorado com a mudança e ainda temos o jovem N. Oliveira no banco, uma solução diferente para o centro do ataque que não tínhamos em 2008.
  • O caminho até aos quartos de final
Outro argumento é o de que a República Checa venceu o grupo A deste Euro e que isso deve ser motivo de preocupação. Devemos analisar bem as circunstâncias. O grupo A era claramente o grupo mais fraco deste Euro. A Rússia parecia ter tudo para passar sem grandes dificuldades após atropelar esta mesma República Checa no primeiro jogo. A Rússia e mesmo a Polónia podem queixar-se de si mesmas no falhanço deste apuramento, ambas, mas principalmente a Russia tiveram oportunidade para fechar o apuramento e deixaram tudo para a última. Rússia embandeirou em arco após a primeira vitória e os elogios e no 2º jogo teve a Polónia à mercê e não deu o golpe de misericórdia achando que o empate seria suficiente. Não contava com uma Grécia que mesmo com várias limitações e incidentes ao longo da fase de grupos, é uma equipa com grande carácter, com jogadores aguerridos que acreditam no impossível sempre até ao fim e que se se colocam em vantagem defendem-se muito e de forma acertada.

A República Checa pelos pingos de chuva acabou por passar em 1º. Por causa do deslize enorme da Rússia que com outra seriedade teria ganho o grupo. Os checos que nos três jogos ganharam dois e perderam um tal como Portugal. Curiosamente o jogo que perderam foi com a selecção que tinha um estilo de jogo mais parecido com o que pratica a nossa selecção… E a derrota foi clara e perante uma selecção com mais qualidade individual como tem a nossa. Portugal perdeu o 1º jogo contra a candidata Alemanha e num jogo em que podia claramente ter empatado. A República Checa levou um banho de bola da Rússia no 1º jogo.

No 2º jogo a República Checa aproveitou o facto da Grécia ter tido que lidar com uma série de limitações decorrentes de castigos e lesões que a obrigaram a retocar a defesa e a perderem a referência Katsouranis a meio campo tendo-o que o deslocar para a defesa. Num jogo algo atípico, a República Checa já ganhava por 2-0 aos 5 minutos a uma Grécia que demorou a organizar-se. Mesmo assim uma Grécia que com todas as suas limitações no momento da organização ofensiva, conseguiu reduzir para 2-1, deixando a República Checa com uma magra vantagem no final.

Com a Polónia, tratou-se de um jogo que tinha toda a cara de empate mas que os checos aproveitaram o desnorte polaco quando estes viram a hipótese de o Euro se escapar em sua própria casa. Polacos que, diga-se de passagem, muito devem a si próprios pela forma pouco ousada como o seu treinador escalou a equipa e como mexeu desde o banco num jogo chave como o que disputou frente à Grécia em que poderia ter garantido uma vitória segura e acabaram a ter a hipótese até de saírem derrotados. Uma Polónia que está longe de ser uma grande selecção, mesmo tendo aquele trio do Dortmund com muita qualidade.
  • Assim que coloquemos tudo em perspectiva
No início do Euro se nos dissessem que apanharíamos os checos nos quartos todos assinariam por baixo. Até nisso acho que tivemos alguma sorte. Calhou-nos a melhor selecção para as nossas características daquele grupo. Os russos também encaixariam bem na nossa forma de jogar mais tinham outro tipo de soluções individuais que a República Checa não tem. Bem pior seria o reencontro com os gregos. Ainda que não fosse nenhum drama, o facto é que são uma equipa que pratica um estilo de jogo que enerva os portugueses e tem uma forma de se concentrar na defesa que nos deixaria sem espaços para poder aproveitar as nossas transições rápidas. E se marcassem primeiro, então seria um enorme problema.

Obviamente que a Republica Checa não nos dará o espaço que deu a Holanda, mas também não terão o espírito de sacrifício nem a capacidade defensiva que teria a Grécia. A República Checa é uma equipa que gosta de sair a jogar e que apesar de ter melhorado defensivamente com a entrada de Hubschman para trinco, continua a ter algumas debilidades na sua zona defensiva, principalmente nos dois centrais. O lateral direito Gebre Selassie tem sido um dos destaques deste Euro, principalmente pela sua propensão ofensiva, mas terá pela frente CR7 e isso pode e deve inibi-lo de subir tanto e assim, dessa forma, Portugal já retira um dos pontos fortes do jogo checo que é a profundidade e largura que os laterais checos conseguem dar ao jogo, principalmente o lateral direito.

Portugal mais do que se preocupar com a forma de jogar dos checos, tem que se preocupar em rectificar a sua atitude em campo. Temos que assumir o jogo, mais que noutros jogos. Neste jogo a tal posse terá que ser uma realidade. Temos que nos sentir cómodos com bola, e ter a dinâmica de variar o flanco de jogo e desposicionar a defesa chega, tendo em atenção à linha média dos checos que tem alguma qualidade. Nesse aspecto, será importante que a linha defensiva portuguesa suba na pressão junto do meio campo, para não dar espaço à linha média dos checos obrigando-os a ter que partir o jogo e a jogar directo, permitindo assim a Portugal uma recuperação e uma rápida saída para o contra ataque. Não podemos é entrar numa de expectativa de ver o que dá o jogo e de continuar a jogar apenas por reacção. Até agora temos conseguido recuperar, mas chegará o momento em que uma selecção conseguirá fechar e guardar uma vantagem. Por isso mais vale começar a atacar e a querer resolver o jogo e marcar o mais cedo possível para assim podermos envolver mais os checos e obriga-los a sair ainda mais para o jogo, os laterais a subirem e assim deixarem espaço para Nani e CR7.

Espera-se muita luta a meio campo, logo será importante que Paulo Bento pondere bem a gestão física dos elementos desse sector, principalmente perceber quando Meireles deixar de conseguir dar o que dele se espera e saiba meter um jogador capaz de nos ajudar a ganhar o meio campo e manter a capacidade de sair em transição.

Posto isto, apetece dizer que deixem-se de tretas, joguem à bola e ganhem aos checos porque somos melhores e temos a obrigação de o demonstrar em campo. Custou-nos muito chegar até aqui, não podemos deixar que este Euro acabe aos pés de uma República Checa que está longe de ser temível e que, a meu ver, foi até provavelmente a selecção mais fraca a passar para os quartos de final. Noutros grupos vimos equipas bem mais fortes a ficarem pelo caminho e que no grupo da República Checa passariam, casos da Holanda, Dinamarca, Croácia e a que for eliminada no grupo D. Mesmo a Suécia de Ibrahimovic teria grandes hipóteses de se apurar no grupo A ou pelo menos de lutar por esse apuramento.

Vi quase todos os jogos da primeira fase e posso mesmo afirmar que achei a República Checa a equipa mais fraca a seguir à República da Irlanda. Diria que ficava junto da Grécia, mas a Grécia é uma selecção que para a nossa forma de jogar seria bem mais perigosa. Não pode haver desculpas. É para ganhar e seguir para as meias finais! Força Portuga!

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